30/04
19:42

Eleições 2018 - PPS quer sair só na disputa proporcional

O presidente do Diretório Estadual do PPS, Clóvis Silveira, avalia como ‘muito proveitoso’ o resultado do encontro do partido político realizado no sábado. “Tivemos palestras sobre reformas política, trabalhista e previdenciária, assim como também sobre o resultado das eleições 2016 e perspectivas para 2018”. Ele lembrou que “em 2016 fomos o sexto partido mais votado de Sergipe e acreditamos ser um dos mais bem votado em 2018”. Silveira disse ainda que na disputa proporcional do próximo ano, “devemos sair só. Não temos uma posição definida para a majoritária”, concluiu.



Política
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Por Eugênio Nascimento
30/04
16:46

As reformas do Governo Temer promovem regressão social inédita

Ricardo Lacerda*
Professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Sergipe

A sociedade brasileira assiste bestificada nesse início de ano a tramitação acelerada no congresso nacional de um conjunto de mudanças nas legislações trabalhista e previdenciária que descontrói parcela importante do projeto de país consagrado na constituição de 1988, a chamada constituição cidadã. 
De chofre, o governo instituído há menos de um ano atropela ritos e direitos para entregar aos reais promotores da ruptura da normalidade democrática os resultados pelos quais o golpe parlamentar foi executado. 

Intencionalmente, os setores que promovem as reformas antipopulares que corroem os direitos da cidadania confundem a urgência de enfrentar os desequilíbrios fiscais, o que é essencial para restabelecer a estabilidade macroeconômica, com medidas voltadas para que a maior parte do ônus do ajuste fiscal recaia sobre os setores mais fragilizados da sociedade. O que está em jogo nesse momento é, em parte, quem paga o pato da crise fiscal. A outra parte, mais grave, é que as reformas propostas trazem em si as bases para sustentar e ampliar por muito tempo o apartheid social em um dos países mais desiguais e injustos do mundo. 

De maneira surpreendentemente sincera, o vice que tramou contra a presidente eleita, revela em entrevista em rede de televisão o segredo de polichinelo, de que a presidente Dilma Rousseff foi defenestrada do poder porque não aceitara adotar o receituário elaborado, sabe-se lá por quais mãos e inspirado por quais setores de classe, tal como se apresenta no documento Uma Ponte para o Futuro, oficial e ironicamente de responsabilidade da Fundação Ulysses Guimarães, cujo o nome homenageia o maior artífice da constituição cidadã. 

As reformas empurradas goela abaixo da população, que estarrecida não sabe de onde elas vêm e quem as promove, trazem à luz projeto ignominioso de sociedade, feio porque perverso, e significam uma regressão social inédita. As reformas em tramitação buscam sepultar o projeto de construção de uma sociedade mais justa e para todos os cidadãos que unificou as forças que lutaram pela redemocratização do país trinta anos atrás.

 Promessas não cumpridas
O jornal Folha de São Paulo trouxe na edição de 26 de abril matéria cobrindo o lançamento do livro O Brasil no Contexto: 1987-2017, que reúne artigos de 17 autores sobre mudanças que o país passou desde a redemocratização. O sociólogo José de Souza Martins, um dos autores, se disse frustrado pelas promessas não cumpridas e revela um desalento profundo sobre as possibilidades do país "pela primeira vez na vida [estou] sem nenhuma propensão ao otimismo". Para Martins "tínhamos [no início do período de redemocratização] alguma certeza de que mudanças seriam viáveis, mas vivemos uma série de recuos", disse.

Para o economista Antonio de Correa Lacerda, também autor do livro, alguns desses recuos são as reformas da Previdência e trabalhista, Para Correa, o Brasil vive um momento de desmonte do projeto de sociedade previsto na Constituição de 1988.

As reformas
As mudanças na regulamentação das relações de trabalho, já aprovadas pela câmara dos deputados e que seguem agora para deliberação do senado, são, no nosso entender, mais reveladoras do ranço antissocial que motiva a reação das elites do país à agenda inclusiva pactuada no período imediato da redemocratização. A pretexto de que se propõe modernizar as relações capital-trabalho para adequá-las aos novos tempos, a reforma trabalhista visou de fato fragilizar o lado já mais fraco da relação, para deleite pouco disfarçado das partes interessadas em que isso acontecesse. 

Os setores que patrocinaram a reforma trabalhista intencionalmente também confundem a urgência de reduzir o excesso de burocracia e a insegurança jurídica reinantes, pleitos legítimos, com a motivação de rebaixar os salários e precarizar os vínculos trabalhistas. Em um momento de profunda recessão e de desespero da força de trabalho, sofismam que a redução dos direitos e flexibilização das regras concorreriam para gerar novos empregos. Da mesma forma, como sofismaram quando afirmaram que o afastamento da presidente Dilma Rousseff promoveria uma onda de confiança que teria o condão de deixar para trás o período de recessão. 

Com a publicação da PNAD contínua de março ficamos sabendo que a ocupação continuou despencando no 1º trimestre de 2017 (ver Gráfico). Na comparação com o mesmo período de 2016, 1,7 milhão de pessoas perdeu a ocupação. Na comparação com o trimestre encerrada em dezembro, o contingente de pessoas ocupadas encolheu em 1,3 milhão e em dois anos de recessão (entre janeiro-março de 2017 e mesmo período de 2015), já são 3,1 milhões de ocupações a menos.




*Assessor Econômico do Governo de Sergipe.


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
30/04
15:28

O Segredo de Brokeback Mountain

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE

Hasan é iraquiano. Está com 30 anos. É gay assumido e vive em Bagdá. Mora isolado em sua casa com medo de ser mais uma vítima do insano e criminoso comportamento das autoridades daquele país. Vários de seus amigos, inclusive aqueles ligados à cultura “emo”, cuja maior representação é a música americana “emotional hardcore” (onde os seus adeptos usam quase sempre cabelos compridos e calças jeans justas com as cuecas à mostra), têm sido perseguidos e assassinados pela polícia e grupos paramilitares. O terrorismo contra os homossexuais iraquianos chegou ao ponto de um pai, ao descobrir a relação do seu filho com outro homem, matá-lo com um tiro na cabeça. E tudo isso se deve à insensatez do governo iraquiano que, ao invés de combater o massacre dessas minorias, incita a violência. O Ministério do Interior do Iraque chegou ao cúmulo de veicular um comunicado, anos atrás, afirmando que os “emos” são “adoradores do demônio”, estimulando, desse modo, a polícia a “eliminar” esses jovens. O anúncio foi retirado do ar, no entanto o texto influenciou o aparecimento de vários corpos pelas cidades. 

O ódio homofóbico não é um sentimento somente do Iraque, mas do mundo inteiro. No ano de 2011, um relatório divulgado pelo Grupo Gay da Bahia revelava que 140 gays, 110 travestis e 10 lésbicas foram assassinadas no Brasil no ano de 2010. Por faixa etária, 46% das vítimas tinha menos de 30 anos. A mais jovem tinha tão somente 14 anos; era um travesti, morto com 14 tiros em Maceió. A mais velha tinha 78 anos; era um aposentado, que foi morto com golpes de facão na cidade de União dos Palmares, Alagoas. Desses homossexuais, 43% foram assassinados a tiros; 27% morreram com golpes de faca; 18% foram apedrejados ou espancados e 12% sufocados ou enforcados. Ainda no ano de 2011, a polícia civil do Estado de São Paulo identificou 200 integrantes de grupos extremistas, conhecidos como “skinheads”, entre 16 e 28 anos, que foram investigados por “crimes de ódio”, praticados contra gays e negros. Esses jovens estão sempre usando coturnos com biqueiras de aço ou tênis de cano alto, jeans e camisetas coladas ao peito. Cultuam o líder nazista austríaco Adolf Hitler e se cumprimentam com o grito “Heil Hitler”.

Consoante dados da ONU, em mais de 70 países leis criminalizam o homossexualismo, expondo milhões ao risco de detenção, prisão e, em alguns casos, execução. É lamentável! Essas normas anormais, a rigor, violam um dos princípios fundamentais que regem a nossa crença na dignidade e no valor de cada pessoa, sem distinções com base em raça, cor, sexo, idioma, religião, propriedade, nascimento ou outras quaisquer. Havendo o consentimento, toda forma de amor é válida. A história está cheia de exemplos de relacionamentos homoafetivos, como a de Gertrude Stein e Alice B. Toklas. Stein era formada em psicologia pela Radcliffe College. Viveu em Paris, onde chegou no início do século XX, e se tornou uma espécie de abelha rainha naquela época efervescente da capital francesa. Uma leva de artistas, ainda no início de carreira, fez da cidade o seu lar. Foi ela quem rotulou todos eles como a “geração perdida”. A sua obra mais importante é “A autobiografia de Alice B. Toklas”, sua amante, lançada em Paris em 1933, livro que a celebrizou na literatura norte-americana nos primeiros cinquenta anos do século XX.   

Ali, ela penetra nos ambientes parisienses na fase anterior à segunda Guerra Mundial, “onde reinavam a flexibilização dos costumes e a radicalização das ideias”. Influenciou toda essa geração de intelectuais, que passou por Paris a partir de 1903. Outra grande pioneira nessa época foi a poetisa e dramaturga Natalie Clifford Barney, uma ricaça de Ohio que foi a Paris para estudar. Depois de Eugene Stein, tornou-se a segunda mulher mais badalada daquele mundo cultural, recebendo em sua casa intelectuais da envergadura de Marcel Proust, Apollinaire, André Gide, James Joyce, Sherwood Anderson e T. S. Eliot. Suas orgias com mulheres foram cantadas e decantadas tal qual um mantra da época. Federico Garcia Lorca é um dos maiores poetas de língua espanhola. Na madrugada de 18 ou 19 de agosto de 1936, aos 38 anos, foi fuzilado a mando da ditadura franquista em plena guerra civil espanhola. Lorca era então odiado pelo seu entusiasmo na luta pela República. A sua condição de homossexual foi explorada pela direita espanhola como responsável pela sua morte, versão repelida pela história.

Como homem das letras, travou relações com as mais importantes figuras vanguardistas do seu tempo, como o pintor Salvador Dali, com quem mantivera um romance sempre negado por este, que chegou a afirmar que Lorca era pederasta, como se sabe, y estaba locamente enamorado de mi. Trató dos veces de ... lo que me perturbó muchisimo, porque yo no era pederasta y no estaba dispuesto a ceder. O sea que no passo nada. Todos os biógrafos de Lorca e do próprio Dali, contudo, colocam em dúvida a veracidade dessas afirmativas. Há uma extensa correspondência entre ambos, onde se verificam vários trechos insinuantes, os quais demonstrariam o amor existente entre eles. Há, a propósito, um poema esparso de Lorca, que é dedicado a Salvador Dali, com o título “Ode a Salvador Dali”. Ainda no mundo cultural, um grande romance, embora conturbado, foi vivido pelos poetas franceses Arthur Rimbaud e Paul Verlaine. Os defensores do primeiro alegam que ele nunca fora homossexual; o segundo, sim! A realidade é que essa relação chegou ao ponto de, após uma briga que tiveram em Londres, Verlaine ir embora para Bruxelas. 

Quatro dias depois, Rimbaud chegou a Bruxelas e, após nova briga, Verlaine deu um tiro no seu amante, que foi hospitalizado para extração do projétil. No julgamento de Verlaine, sob juramento, ambos negaram qualquer ligação homossexual, o que, segundo Verlaine, seria uma invenção de sua mulher para lhe prejudicar. Logo após a morte de Rimbaud, aos 45 anos de idade, em 1895, Paul Verlaine escreveu um texto, que denominou “Novas notas sobre Arthur Rimbaud”, onde elogiou o seu talento e festejou a amizade vivenciada entre ambos. Culminou com um poema, dedicado ao seu amante: A Arthur Rimbaud -  Mortal, anjo e demônio, ou melhor, Rimbaud, teu lugar no meu livro é o primeiro, como um prêmio; tu, que um bobo escritor um dia esculhambou, te achando um debochado imberbe, um verme, boêmio. As espirais de incenso e os acordes do alaúde saúdam tua chegada ao templo da memória, onde teu nome esplêndido soará em glória, pois me amava, se preciso, até a plenitude. Serás para as mulheres, sempre, belo e forte, de uma beleza assim, agreste e sedutora, tão cobiçada quanto desvanecedora. 

Concluindo, Verlaine arrematou: E a história te erguerá triunfante da morte, para que, apesar de toda a lama, o mundo veja teus pés intactos sobre a cabeça da inveja. É... Furtando as palavras de Verlaine, o problema está aí, na lama que jogam no amor homossexual para torná-lo sujo quando, com efeito, todo amor se faz limpo, exatamente porque é amor. Essa lama tem matado no Iraque. Tem matado no Brasil. Tem tornado limpos skinheads, manchados com o sangue de quem apenas queria amar. Penso, por conseguinte, que, se a sociedade respeitasse a diversidade do amor, vendo nele uma forma de contemplação sublime, superaríamos o vilipêndio dos assassinatos covardes e construiríamos um mundo único, homogêneo, leve e igual, pelo respeito divino às diferenças.


Post Scriptum
Madonna
A rainha das ruas de Ará

Ele perambulava pelas ruas de Aracaju, vivendo de pequenos biscates e da boa vontade das pessoas. Homossexual assumido, defendia, com unhas e dentes, a sua opção sexual. Bom de briga e no uso da faca, esteve várias vezes preso pela prática do crime de lesão corporal, pois não admitia atos homofóbicos contra ele. Por duas vezes o tirei da prisão. Ninguém o conhecia pelo seu nome de batismo, Amós Lima Chagas, mas pelo seu apelido: Madonna, um dos tipos mais populares e conhecidos de Aracaju. Era uma pessoa prestativa e muito solidária com quem ela gostava. Eu, particularmente, adorava o seu senso de humor. Lembro-me que certa vez estava conversando com um amigo comerciante da Rua 24 horas, num estacionamento da Rua Laranjeiras, esquina da Rua Capela. Repentinamente chega Madonna e fala para este meu amigo: - Gordinho gostoso! Vim buscar a minha mesada! Irritado com a petulância, ele retrucou: - Não tem mesada porra nenhuma, me respeite viado safado! Madonna botou as mãos nos quartos e foi logo replicando: - Ah, é?!  Agora sou viado safado?! Quando você me comia eu não era! Pois vou espalhar na Rua 24 horas que você me botava pra lhe chupar dentro da loja! Foi um Deus nos acuda para o meu amigo, que espavorido disse: - Não! Não! Por favor, tome aqui 20 reais. Mas houve um momento histórico na vida de Madonna. O casal Marivaldo e Jandira, proprietários de uma gráfica no centro da cidade, gostava muito dele e resolveu mudar a sua vida. Depois de muitos conselhos e ponderações, conseguiu persuadi-lo a dar uma reviravolta no seu dia-a-dia. Aquilo, para o casal, não era vida de gente. E não é que o quadro mudou completamente para Madonna? Com carteira assinada, calça comprida e camisa social, todos os dias ele chegava e saía religiosamente no horário comercial da gráfica. Ajudava na oficina, limpava as máquinas, fazia pagamentos bancários. Era um autêntico “faz-tudo” no seu emprego. Abandonou os trejeitos femininos, deixou a droga e até estava mais tolerante com os moleques que mexiam com ele, engolindo vários tipos de sapos. Estavam todos admirados. Seus vizinhos do Bairro Industrial estavam atônitos com a mudança radical operada em sua vida. Estava até almoçando em restaurantes. O Bar da Finha, na Rua Laranjeiras, era o preferido nas sextas-feiras por causa da feijoada. Mas três meses depois, talvez pelos maus tratos e preconceitos dos transeuntes, Madonna causou o maior furor na Rua Laranjeiras. Tirou a gravata, rasgou a camisa, despiu-se da calça, meia e sapato e saiu de cuecas aos gritos lancinantes: - Chega! Não quero mais ser homem! Nasci para ser mulher! E correu em direção ao calçadão da Rua João Pessoa. Bem disse Araripe Coutinho numa crônica para Madonna: Não mais corre atrás de ninguém, não mais grita, não mais rouba, nem se arruma de salto alto, nem pede roupa velha aos travestis, nem mais dorme sobre o colchão de pregos, nem mais ilumina o bairro Industrial, nem mais chora, nem mais eu, nem mais nada. Na madrugada de uma sexta-feira, ano de 2012, ele foi encontrado totalmente ensanguentado atingido por golpes de paralelepípedos no centro de Aracaju. Quatro dias depois morreria de traumatismo craniano.

Clóvis Barbosa escreve aos domingos, quinzenalmente.
 


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
30/04
15:26

Zé Rico

José Lima Santana
Professor da UFS

Zé Rico nem sempre foi rico. Era um rapaz de classe média baixa, filho de uma professora e de um taxista, que era, também, servidor público municipal aposentado. Faltava-lhe um dedo da mão direita. Aposentara-se, pois, por deficiência, aos 38 anos de idade. Na Prefeitura, ele fora datilógrafo. José Medeiros do Rosário Bijou, esse era o seu nome, o de Zé Rico, de batismo e de registro. O pai era Lafayete do Rosário Bijou. Dizia ele ser descendente de certo Jean François Bijou, comandante de navios mercantes, que, um dia, aportou em terras sergipanas, para nunca mais voltar à França, ao porto de Marselha, de onde era originário. O tal comandante de navios fez nome em Sergipe, como dono de uma casa de jogatina e outras coisas menos dignas, no começo do último século findo. 

O moço Zé Rico era músico. Tocava guitarra elétrica. Ajudava a manter, a duras penas, uma Banda de rock. Eram ele e mais cinco. Banda barulhenta. Heavy Metal. O sonho de Zé Rico era ganhar um bom dinheiro para estruturar a Banda e estourar no mercado de CDs e shows. Porém, naquele sonho somente ele, os companheiros da Banda e a professora Cristina Medeiros, a mãe, acreditavam. Um dia, diziam, a sorte haveria de sorrir para Zé do Rock, como, no início, ele era chamado no bairro empoeirado e lamacento, a depender da estação do ano, onde vivia com a família: os pais e oito irmãos. Ele era o mais velho dentre os manos. 
No colégio, que ele largou ao findar o primeiro ano do então dito segundo grau, havia outros rapazes que tocavam e tinham lá as suas Bandas. Havia, ao menos, duas delas formadas por colegas do colégio onde Zé Rico estudara. Todos sonhavam alto. 

Zé Rico queria acertar na vida através da música. Queria dar uma vida muito mais digna aos pais e aos irmãos. Queria socorrer muita gente precisada que ele conhecia. Queria ajudar as obras do padre Amarildo, que suava pegando na enxada para fazer massa e na colher de pedreiro para levantar paredes. Queria dotar o Colégio “São Francisco de Assis”, onde estudara, de uma banda marcial. Queria poder ir à desforra diante de Maria Júlia, a metidinha com quem flertara e que lhe trocara pelo filho do dono do Mercadinho Estrela da Manhã, que já formava uma pequena rede com lojas em três cidades. Para algumas pessoas, como parecia ser o caso da metidinha da Maria Júlia, a grana tinha cheiro de rosa. Ou de cravo. Ou de alfazema. Sabia-se lá! 

Ah, como Zé Rico almejava tantas coisas! Talvez até ele quisesse desentortar o mundo. Recompor o Brasil, tão surrado por um bando de larápios, que zombavam do povo, chafurdando no lamaçal da corrupção e da ladroagem. Zé Rico era um sonhador. Mas, o que seria do mundo sem os sonhadores e os sonhos? 
Um dia, enfim, José Medeiros do Rosário Bijou tornar-se-ia Zé Rico. De verdade. Alcunha que lhe fora dada após ganhar uma bolada de milhões de reais na Mega Sena. Ele dera de cara com um papel sendo tangido pelo vento, que o colocou aos seus pés. No papel, seis números escritos: 7, 9, 15, 32, 37 e... Hum, esqueci-me do último número! Deixa pra lá. Neste texto e no contexto, o sexto número não tem importância. 

Assim que conferiu os números sorteados e recebeu a bolada, José Medeiros do Rosário Bijou passou a ser chamado de Zé Rico. Apelido que lhe dera a moça sardenta da Casa Lotérica com quem ele foi conferir o bilhete, que ela lhe revelou ser o premiado. Único ganhador. A Mega Sena estava acumulada por seis semanas, ou seja, por doze concursos. Dinheiro de sobra. Aliás, para muita gente nenhuma soma de dinheiro jamais seria de sobra. Que o dissessem os ladrões de casaca da República. Mas, isto é outro papo. 

Zé Rico sempre admirou o casarão do velho desembargador Morais, que fora encontrado morto no vaso sanitário. Ataque do coração. Era um casarão avarandado de quatro águas com mais de quatrocentos metros quadrados de área construída, além do  belo jardim e do vasto pomar, onde eram encontradas dezenas de árvores frutíferas. O casarão vivia fechado. Os filhos do desembargador, que moravam na capital, nem iam ao casarão. Um desperdício! Zé Rico o comprou. Dona Cristina, sua mãe, adorou a nova casa. Ela a merecia. Se ela era boa mãe, Zé Rico era ainda melhor filho. 

O pai taxista não quis largar a praça, o ponto de táxi, onde estavam os amigos. Ganhou um carro novo, top de linha. A banda marcial do Colégio foi comprada e entregue em meio a uma grande festa. Os alunos exultavam. A diretora não conteve as lágrimas. O seu ex-aluno não esquecera a promessa feita anos atrás. Que Deus o protegesse! Acenderia velas para São Francisco. Mandaria celebrar uma Missa em ação de graças. O menino José Bijou bem merecia. 

Zé Rico comprou um carro de lascar. Carrão, como mandava a cartilha dos novos ricos. Mandou ver em São Paulo, na Santa Ifigênia, o que havia de melhor em instrumentos musicais para a Banda Mega Sky, como passou a se chamar a Banda que não tinha nome, tão chinfrim que era então. Agora, contudo, a Banda tinha nome. Ganharia asas. Faria o sucesso que a metidinha da Maria Júlia, que trocara o seu amor pelo “amor” do filho do dono do Mercadinho Estrela da Manhã, jamais imaginaria. No momento, a estrela dele, Zé Rico, brilhava mais forte. Cintilava muito mais do que o Estrela da Manhã com suas três lojas. 

A vida de algumas pessoas queridas começaria a mudar. Zé Rico não era como uma ferida braba, que comia sozinha as carnes de sua vítima. Se Deus lhe dera tanto dinheiro, não lhe custava dividir uma parte, pequena que fosse, com quem dele merecia atenção e cuidado. 

Dois irmãos de Zé Rico gostavam de terras. Eram Dudu e Jubinha. O irmão comprou para eles uma fazenda de gado nelore. Os demais irmãos ainda eram menores de idade. Haveriam de esperar um pouco mais por algumas benesses. 

Até os avós dos dois lados de Zé Rico, todos falecidos, ganhariam mimos do neto. Dois belíssimos mausoléus de mármore negro, no cemitério da cidade. As obras de reforma da Igreja Matriz do padre Amarildo seriam concluídas. Zé Rico revelava-se, assim, um benfeitor como muitos poucos foram vistos iguais na região. Talvez, no estado. 

Seis e meia da manhã. José Medeiros do Rosário Bijou, o Zé Rico, precisava ir ao Mercadinho Estrela da Manhã. Ele tinha uma entrevista de emprego marcada para as 8 horas. Dona Cristina Medeiros, a mãe, o acordou: “José, meu filho, hora de acordar!”. 

Fora tudo um sonho. O sorteio da Mega Sena acumulada fizera, sim, um milionário. Mas, muito longe dali. E, como sonhar não era crime nem pecado, José Bijou continuaria a sonhar. 
 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
30/04
10:44

Coluna Primeira Mão

Jony Marcos: eu esperava retaliação do presidente Temer

 

O deputado federal Jony Marcos (PRB/SE) disse ao blog. Na manhã deste domingo, que esperava reação forte do presidente Michel Temer (PMDB) contra os parlamentares que votaram contra a reforma trabalhista. Temer incluiu o nome de Jony no listão dos que perderiam as indicações feitas para o preenchimento de cargos federais. “Eu só tinha o INSS. Conversei com Raimundo Brito (ocupante da superintendência estadual) e  comuniquei que o governo iria retaliar. Mas não voto contra o povo”, declarou ao www.primeiramao.blog.br.

 

PSDB na TV I

 

A partir de segunda-feira, 1º de maio, começam a ser exibidas nas emissoras de Rádio e TV as inserções partidárias do PSDB de Sergipe. Totalmente produzida por sergipanos, os filmes trazem como mote a cultura, as belezas de diversas regiões do Estado e a força do sergipano. Além do presidente do Diretório Estadual do partido, o senador Eduardo Amorim, as inserções também contarão com a participação dos prefeitos tucanos que administram municípios sergipanos.

 

PSDB na TV II

 

Fernandinho Franco, de Muribeca; Everton Lima, São Miguel do Aleixo; Marcell Souza, Campo do Brito; Painho, Feira Nova; e Otávio Sobral, de Itaporanga; falarão sobre suas atividades e convidarão as pessoas a ingressarem no partido. A vereadora Maraysa Dantas, de Nossa Senhora da Glória, será a representante do PSDB Mulher. Em Sergipe, o partido possui sete mulheres exercendo mandato de vereadora em seis municípios diferentes.

 

Esquecimento

 

É precária a situação da rodovia SE-290, que liga Poço Verde a Tobias Barreto. Muitos buracos que rendem muitas reclamações.



De olho nele

 

Muitos aliados e opositores do secretário de Estado da Saúde, Almeida Lima, avaliam que ele pensa em ser candidato em 2018, embora já tenha declarado que não tem esse projeto político. Por conta de uma possível candidatura, Almeida é atingido pelos fogos amigo e inimigo.

 

Alto lá!


Os sergipanos pegarão em armas para não perder mais terras para a Bahia?  Obviamente,  ninguém quer nem vai fazer isso. Nem essa coluna estimula qualquer ação do gênero. Mas é preciso lembrar que Sergipe já perdeu terras demais para os baianos.  A rigor,  as terras de Sergipe vão até a praia de Itapoã, em Salvador,  e os territórios fronteiriços da Bahia são sergipanos.


Pacificador


Ao promover 1267 policiais militares,  na noite da última segunda-feira, o governador Jackson Barreto (PMDB) reaproximou-se da PM e deixou bem claro que não virou as costas para a corporação. Entrou em vigor a Progressão por Tempo de Serviço (PTS).


Em Brasília


Prefeitos sergipanos seguirão para Brasília no início da segunda quinzena de maio. Participarão de  mobilização nacional em defesa dos interesses dos quebrados municípios brasileiros. O evento será de 15 a 18.


Esquecimento


É precária a situação da rodovia SE-290, que liga Poço Verde a Tobias Barreto.  Muitos buracos que rendem muitas reclamações.


Rio Real


Ribeira do Pombal, Fátima, Cícero Dantas, Heliópolis, Adustina, Itrapicuru e Paripiranga são alguns dos municípios baianos que somarão forças  para a criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Real. De Sergipe, entrarão na composição Tobias Barreto, Itabaianinha, Poço Verde, Tomar do Geru, Riachão do Dantas, Umbaúba, Indiaroba e Cristinápolis.


De olho nele


Muitos aliados e opositores do secretário de Estado da Saúde, Almeida Lima, avaliam que ele pensa em ser candidato em 2018. Por conta disso, ele é atingido com certa frequência pelos fogos amigo e inimigo.


Xô!!!!!


O mês de abril foi decepcionante para quem atua nos ramos de turismo e comércio. Os feriadões que tanto agradaram aos trabalhadores, desagradaram ? e muito ? aos empresários.


Novo clã


Um novo clã na política sergipana?  É o que dizem em relação ao ex-prefeito de Socorro,  Fábio Henrique, secretário do Turismo. Sua mulher, Sílvia Fontes, é deputada estadual.  Seu irmão,  Jason Neto,  é vereador por Aracaju e outro irmão é vice - prefeito de Socorro. Como está sem mandato eletivo, o ex- policial rodoviáriap federal,  passou a comandar de TV para não perder visibilidade e ganhar votos,  coisa que também voltou a fazer seu irmão Jason Neto.


Sangrando


Tem muito político sergipano sem dormir depois que a delegada Danielle Garcia declarou em entrevista coletiva que a investigação que realizou pode gerar muitos "filhotes". Só falta um Romero Jucá sergipano afirmar que é preciso "estancar a sangria".


Exageros


A mídia sensacionalista precisa tratar esse problema envolvendo as duas empresas do lixo com mais prudência.  O ex- deputado federal Mendonça Prado e a doutora Rosenice são pessoas merecedoras do respeito da sociedade sergipana. Exageros têm sido cometidos.


Fim de uma era


Se essa reforma trabalhista for aprovada no Senado, a Era Vargas estará ficando para trás. Entre outras coisas, com o fim da contribuição sindical, o sindicalismo sergipano, que já é fraco, vai para o brejo.


Preocupante


O Ministério Público Estadual já é muito politizado. Basta prestar a atenção a suas lutas internas. Ultimamente tem ficado partidarizado. Os sergipanos não necessita de um MP ligado a grupos políticos.


Está mal


Se você está interessado no futuro de Sergipe, reflita sobre esses três pontos. Sergipe tem uma mão de obra pessimamente qualificada, sua infraestrutura é ruim e não tem tecnologia.


Animais


Se a questão dos " direitos dos animais " é para ser levada a sério em Sergipe, os seus defensores devem destinar atenção às formas como são criados e abatidos os animais cujas carnes são servidas em nossas mesas. O romantismo  da causa animal,  como está colocado na Câmara de Vereadores de Aracaju.  é muito pouco.



Coluna Eugênio Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
30/04
09:36

1º Campeonato Aracaju x Socorro de Futebol Amador tem início nesse domingo

O esporte como instrumento de inclusão e de paz. É com essa bandeira que entra em campo, a parti desse domingo, dia 30, o 1º Campeonato Aracaju x Socorro de Futebol Amador. A competição vai reunir atletas dos dois municípios da região metropolitana e os jogos serão realizados nas comunidades do São Braz, em Nossa Senhora do Socorro, e no bairro Porto Dantas, na capital. Serão cerca de 600 atletas inscritos, disputando por 24 equipes.

 

O jogo de abertura acontece às 8h15, na Arena Coqueiral (localizada no fundo do conjunto residencial José Eduardo Dutra). As manhãs de domingo passarão a ter novo significado para esses jovens e adultos que sonham viver uma nova realidade a partir do esporte. O campeonato está sendo organizado movimento Aliados Pelo Verso (ALPV), através de Gerffeson Santos, o Sinho, jovem da comunidade do Coqueiral. Ele conta que nas manhãs de domingos durante o torneio esses atletas viverão essa grande competição que levanta a bandeira do esporte, do futebol e, principalmente, da paz.

 

Sinho detalha o objetivo do campeonato juntando atletas de Aracaju e Socorro. “Queremos reafirmar a importância do esporte na vida dos jovens e adultos moradores de periferia, reunir diversos times de bairros de Aracaju e Socorro, com a intenção de promovê-los e fortalecer todas as equipes participantes, elevando coletivamente a autoestima de todos os jogadores envolvidos”, disse.

 

No final do ano passado, os adolescentes do bairro Coqueiral participaram da I Copa Coqueiral de Futebol Amador. A competição deu tão certo que acabou despertando a atenção de outras comunidades de Aracaju e também de Nossa Senhora do Socorro, que passaram a cobrar a realização de um torneio que também os envolvesse. “Tivemos muitos pedidos para que a gente fizesse uma copa de futebol amador entre times de Aracaju e Socorro e assumimos esse desafio, porque a gente entende que o esporte, o futebol, é um instrumento de inclusão e de paz nas nossas comunidades”, disse o organizador.

 

Seja apenas como torcedor ou alimentando o sonho de se tornar um jogador, a verdade é que o futebol faz parte do imaginário da grande maioria dos brasileiros, paixão despertada ainda na infância e adolescência. No entanto, observa Sinho, na periferia, os espaços para a prática do futebol amador estão cada vez mais escassos e as ações promovidas por parte dos órgãos competentes é quase inexistente. “E, infelizmente, priva cada vez mais a participação e a prática de milhares de pessoas. Os conflitos e as diferenças entre as pessoas, bairros e cidades podem ser resolvidos através da participação da prática esportiva. Por isso acreditamos nessa atividade como uma ferramenta de inclusão e socialização e que, principalmente, sirva como uma ferramenta que levante a bandeira da paz e da vida com saúde, esporte e alegria”, ressaltou.

 

Estarão participando da competição as seguintes equipes por Aracaju: Serigy, União Porto, Aliados FC, B. City, Coritiba, Villa Real, PSG, Aliados Júnior, Coquerense, União Rubro Negra, Botafogo e Aliança. Representando o município de Socorro estarão competindo os times Carlos Michel, Real Piabetense, 12 de Outubro, 15 de Novembro, Palmeirinha, Juventus, São Caetano, Real Colorado, Força Sempre, Atlético,

Trust Norte e Jamaica.

 

PRIMEIRA RODADA

 

Nas arenas de Aracaju

 

Arena Coqueiral (localizado no fundo do Conj. Res. José Eduardo Dutra)

PSG X Botafogo – às 08h15

Aliados FC X Coquerense –10h15

 

Arena Manguezal

Serigy X Curitiba – 08h15

Aliados Jr X Villa Real – 10h15

 

Arena Conjunto

União Porto X Flamenguinho – 08h15

 

Obs: jogo extra para cumprir tabela dia 01/05, segunda-feira: B. City X União Rubro-negra, às 08h



Esportes
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Por Eugênio Nascimento
27/04
09:21

Conselheiro debate auditoria na Sergás com diretor-presidente da Agrese

O conselheiro Luiz Augusto Ribeiro recebeu em seu gabinete na manhã desta quarta-feira, 26, o diretor presidente da Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de Sergipe (Agrese), Hamilton Santana, e integrantes das diretorias executiva e administrativa da agência. A reunião foi motivada por uma matéria veiculada na imprensa a respeito da auditoria que o Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE/SE) fará no contrato de concessão da Sergás.

A auditoria está sob a responsabilidade da 3ª Coordenadoria de Controle e Inspeção, que faz parte da área de auditoria com os processos relatados pelo conselheiro Luiz Augusto.

Na reunião o diretor-presidente da Agrese colocou a sua estrutura, como os seus relatórios técnicos, à disposição do Tribunal de Contas, inclusive, os pareceres jurídicos em relação à concessão do contrato da Sergas.

“A Agência, através da sua diretoria executiva e da procuradoria, teve esta reunião com o conselheiro Luiz Augusto para nos somar à auditoria que será feita junto à Sergás. A agência reguladora tem a competência de fiscalizar e regular a concessão de gás no estado e, diante dessa auditoria, estamos colocando à disposição do TCE os nossos técnicos, nossa câmara técnica de gás e os nossos pareceres jurídicos em relação aos contratos de concessão”, explicou Hamilton.

Ismar Viana, analista de controle externo II, esteve presente na reunião e reiterou que a auditoria está em sua fase inicial e que o TCE aguardará o seu resultado. “Uma equipe colheu dados em Santa Catarina que puderam embasar a auditoria. Esta foi autorizada pelo relator da 4ª área, conselheiro Luiz Augusto, e a equipe de auditoria da 3ª CCI conduzirá este processo. A Agência informou que tem essa espécie de monitoramento já iniciado internamente e que está aberta a contribuições”, informou.


Política
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Por Kleber Santos
27/04
10:19

“Estimativa é de 450 novos casos de câncer de mama em Sergipe”, diz Oncologista

Um dos expositores no amplo debate sobre o câncer de mama na Assembleia Legislativa, promovido pela deputada estadual Goretti Reis (PMDB), o oncologista Adolfo Scherr, apresentou números estimados bastante preocupantes sobre os registros da   no Brasil e em Sergipe, ao longo de 2017.

Ao fazer sua exposição, ele lembrou as dificuldades registradas pelas pacientes no tratamento do câncer de mama no Estado. “A pessoa chega e precisa de um diagnóstico, mas tem que correr de um lado para o outro até consegue um exame de mamografia para diagnosticar aquele nódulo suspeito, que ela percebe com um caroço ao tocar-se”, revelou.

Em seguida, ele explicou que os pacientes do SUS normalmente iniciam a “peregrinação” procurando uma Unidade Básica de Saúde.  “Geralmente a pessoa é encaminhada para um mastologista e, com a demora, não descobre dentro do período adequado. As vezes a pessoa até paga para ser consultada logo”.

“Pior é quando esse paciente tem que fazer uma biopsia. Aí, até fazer o exame e receber o resultado vai demorar de seis a oito meses.  Nesses casos o paciente do plano de Saúde normalmente descobre a doença muito antes do que o paciente do SUS. Sem contar que ainda tem a cultura do medo, onde a pessoa descobre o tumor e prefere aguardar”, acrescentou o oncologista.

Mais adiante, Adolfo Scherr explicou que, após dois anos do primeiro debate sobre o assunto em Sergipe, o tratamento oncológico não mudou muito. “A fila da radioterapia ainda é muito grande. As pessoas são operadas e precisam começar o tratamento com 40 dias ou dois meses depois da cirurgia. Acabam esperando de seis a oito meses para iniciarem o tratamento. Isso impacta na vida da pessoa”.

Por fim, o oncologista trouxe números assustadores. “A cirurgia de reconstrução mamária já é preconizada pelo SUS e são cada vez menos mutilantes. Além da autoestima da mulher, tem a questão da saúde de adequar o tamanho das mamas. Isso o Huse e o Hospital Cirurgia não fazem. Tem no Hospital Universitário, mas ainda não é aberto este procedimento. Sobre o tratamento da oncologia, a gente consegue tratar e curar muita gente”.

“Eu falo baseado nos dados de 2016, porque para 2017 temos apenas estimativas, mas a previsão é que surjam 58 mil novos casos de câncer de mama no Brasil e em torno de 450 aqui em Sergipe, que por ser um Estado pequeno, é um número significante. Sem contar que o número de mortes está aumentando nos últimos anos e estamos na casa dos 15 mil. Na década de 80 não chegava nem a 8 mil. Depois foi a 10 mil, depois a 12 mil e assim sucessivamente”, comentou o médico.

Foto: César de Oliveira


Política
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Por Kleber Santos
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