23/04
20:41

Câmara de Riachão aprova requerimento para impeachment de prefeita

A Câmara Municipal de Riachão do Dantas aprovou o requerimento de abertura do processo de impeachment contra a prefeita Gerana Gomes Costa (PTdoB). O impedimento foi pedido pelo advogado Carlos Augusto Guimarães Júnior, morador do município.

 

A denúncia foi encaminhada à Câmara na terça-feira (17), quando foi  formada a Comissão Processante. Nos próximos dias Gerana será notificada e terá 10 dias para apresentar a sua defesa.

 

A denúncia aborda como temas o crime de prevaricação (a renúncia de receita por parte da gestora – se negou a acionar judicialmente o seu marido, que teria que devolver R$ 609 mil à Prefeitura), pagamento de salários a pessoas no exercício de cargo inexistente (secretário adjunto) e repasse menor do duodécimo da Câmara.



Política
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Por Eugênio Nascimento
23/04
16:46

Almeida se desincompatibiliza da diretoria geral da Fundação Hospitalar de Saúde

O secretário de Estado da Saúde, Almeida Lima, reuniu na manhã dsesta segunda-feira o Conselho Curador que rege a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) para anunciar a sua decisão de se desincompatibilizar da Diretoria Geral da entidade, cargo que respondia interinamente. Com isso, o secretário atende a uma deliberação do Tribunal de Contas de Sergipe, que determinou ao gestor escolher entre a Secretaria de Estado da Saúde e a FHS, desacumulando os cargos que vinha gerindo desde o ano passado.

O acúmulo do cargo de secretário de Estado da Saúde e diretor geral da FHS por Almeida Lima é do conhecimento da Justiça e dos Ministérios Públicos Federal e Estadual, considerando que o objetivo era a unicidade da gestão da saúde de Sergipe, viabilizando, inclusive, melhor aplicabilidade dos recursos financeiros.

Durante a reunião, os conselheiros ponderaram o ato de renúncia do secretário, mesmo depois de este ter dito que seria de caráter irrevogável, sugerindo que Almeida pedisse o afastamento do cargo, submetendo a decisão a análise dos demais órgãos , como também do governador, uma vez que todos os contratos já estão sendo geridos pela Secretaria de Estado da Saúde, ficando com a Fundação Hospitalar de Saúde apenas a administração dos recursos humanos.


Com a renúncia do diretor geral interino, por força da decisão do TCE, a diretoria será acumulada pelo diretor administrativo e financeiro da Fundação, Ramon Guerra, até que o governador tome conhecimento do ocorrido na reunião do Conselho Curador, que também poderá, se assim entender,nomear o diretor geral definitivo.



Política
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Por Eugênio Nascimento
23/04
15:15

Rogério Carvalho: PT de Sergipe cresce 30% de 2016 até agora

O presidente do Diretório Estadual do PT, ex-deputado federal Rogério Carvalho, informou agora há pouco que o Partido dos Tranbalhadores registrou um crescimento de 30% de 2016 até os primeiros meses de 2018 e há ainda a perspectiva de crescer durante o período da campanha eleitoral de outubro próximo.

Segundo Carvalho, que participa da reunião do Diretório Nacional do PT, em Curitiba (PR), os sergipanos confiam no Partido dos Trabalhadores e está mantido o compromisso de aliança com o grupo que hoje se encontra no comando político e administrativo do Governo de Sergipe. O PT continua sendo o partido mais querido dos brasileiros.

Carta de Lula

Rogério Carvalho informou ainda que nesta segunda-feira, durante a abertura dos trabalhos do Diretório Nacional, foi lida um carta enviada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra preso na capital paranaense,  pedindo para que o PT continue na luta em defesa da  democracia, pela eleição de 2018 e pelos milhões de brasileiros que ainda se encontram  desamparados.



Política
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Por Eugênio Nascimento
22/04
14:55

Joaquim Guedes e a Rapariga

José Lima Santana
Professor da UFS

A cidade de Monte Azul amanheceu em rebuliço. De rua em rua, de casa em casa a conversa era a mesma. Até na sacristia da Igreja Matriz, onde as beatas esperavam o velho cônego para tomar-lhe a bênção, a conversa não variava. São Benedito, o padroeiro da cidade, já devia estar ensimesmado com aquela lorota toda. O sacristão Toinho Beiço Mole entrou na conversa para dizer que uma surra muito grande tinha sido aplicada ao preso. O delegado, capitão Maurílio Quebra Osso, não alisava ninguém. Nem mesmo um sujeito de mais de sessenta anos de idade, como era o caso do preso.

O dia foi alteando, o sol pinicando a pele das pessoas, muitos afazeres negligenciados e a conversa era a mesma. Conversa amuada. Na delegacia, o preso gemia. Duas ou três costelas quebradas. Filete de sangue escorrendo de um canto da boca. A camisa ensopada na frente. Aliás, rasgada de tanta pancada. Uma situação lastimável. Outro preso, um bêbado franzino, tentava consolar o ensanguentado, que estava encolhido num canto da cela.

Até aquele momento, ninguém intercedera pelo preso. Também, não adiantaria. Maurílio Quebra Osso estava por conta. A desfeita que o preso fizera à casa de “seu” Manequinha Gomes não merecia perdão. Um desaforo desmedido. Uma desonra. Quem fazia o que o preso fez, outra coisa não merecia senão umas boas pancadas, uma surra de cipó caboclo e xilindró. Na cidade não tinha advogado de morada. O juiz e o promotor só apareciam de quinze em quinze, pois a cidade não era cabeça de comarca. Logo, a autoridade plena era o delegado Quebra Osso.

Para assuntos da Polícia, o prefeito não contava. Este era da UDN, ao passo que o delegado era do partido do governador, que era o PSD. O prefeito, pois, estava de baixo. Não piava. Restava o velho cônego Afrânio Vilanova, cambaleando com o peso dos seus oitenta e alguns anos, ansiando pela nunca vinda substituição. O bispo já lhe prometera uma centena de vezes que lhe arranjaria um substituto, e nada. Porém, naqueles dias, o velho cônego encontrava-se de cama. Uma gripe com cara de herege o consumia. Algumas beatas falavam em pneumonia. “Seu” Aristides da Farmácia Brasil, contudo, afiançava que era, sim, uma gripe desalmada. Uma cepa nova, que estaria causando mortes por aí.

Ninguém tinha forças para interceder pelo preso. A prisão dera-se na tarde anterior. O delegado fora acionado por um filho de “seu” Manequinha Gomes, que, aflito, exigia uma providência contra um sujeito que destratara a sua irmã Maria de Fátima, moça de procedimento irretocável, de todo mundo conhecida e por todo mundo amada. Era a cantora número um do coro da Matriz. Voz de veludo a encantar os fiéis nas missas e, especialmente, na Sexta-feira Santa, ao entoar o canto da Verônica, abrindo a toalha que continha a estampa do rosto ensanguentado de Jesus, fazendo as pessoas chorarem de compaixão. Um canto dolorido.

O sujeito que estava preso e ensanguentado com duas ou três costelas quebradas, fora à casa de “seu” Manequinha Gomes, querendo falar com o pai da “rapariga que atende pela graça de Maria de Fátima”, como ele dissera em alto e bom som. O desgraçado chamara a flor da casa de “rapariga”. A casa dos Gomes não era um cabaré, um rendez-vous, para nela abrigar uma rapariga. E, ainda por cima, detratar Maria de Fátima, chamando-a de “rapariga” soava como se fora um sacrilégio. O pai da moça deu com o sujeito no chão. Sapecou-lhe uns tabefes. Só não lhe abriu o quengo porque uns vizinhos não deixaram. “É melhor chamar o delegado Quebra Osso”, disse alguém. O menino correu à delegacia. E, logo, estava o sujeito preso e comendo cipó caboclo no lombo. Cipó caboclo e retranca de janela. Daí as costelas quebradas.

Bem. Vamos aos finalmente. O tal sujeito era o português Joaquim Guedes, dono de abastado empório na cidade de Jaqueira Alta, dali distante coisa de quinze léguas mais ou menos. O filho do portuga, Quinzinho Guedes, conhecera Maria de Fátima, que tinha dezessete anos, e por ela se encantara. Trocaram cartas com nomes fictícios para não chamar a atenção. Encontraram-se duas vezes, furtivamente, quando ela fora à casa de uma tia em Jaqueira Alta. Outras cartas com bilaterais juras de amor. Rapaz de respeito e por demais arreado dos quatro pneus pela morena de olhos orvalhados de desejo, pedira ao seu pai que fosse ter com o pai da moça para lhe pedir permissão a fim de namorar tão sublime criatura.

E foi assim que Joaquim Guedes, o preso ensanguentado com duas ou três costelas quebradas, foi ter à casa de “seu” Manequinha Gomes, para falar com o pai da “rapariga que atende pela graça de Maria de Fátima”.

Naquelas paragens, e disso o portuga, há tantos anos no Brasil, deveria saber, rapariga era mulher da vida livre, rampeira, mulher perdida. Era como entendia o pai de Maria de Fátima. Por isso, todo o fuzuê, a prisão, a surra, o filete de sangue na boca, as duas ou três costelas quebradas.

Tudo, depois, muito bem esclarecido, sobraria para o delegado Quebra Osso, pois o português era tio de cortesia do deputado líder do governo na Assembleia e de um desembargador. Foi transferido e rebaixado para tenente, após a abertura do devido procedimento militar, feito sabe Deus como.

O namoro acabaria não vingando. Quinzinho, filho único, herdaria o cabedal do pai, que morreria uns dez anos depois do fuzuê. Mas, ele não conseguiu esquecer Maria de Fátima, que, aconselhada pelo padre João Nogueira, substituto do velho cônego, metera-se num convento, um ano depois que Joaquim Guedes acabou preso com duas ou três costelas quebradas. Virou freira.

Um dia, de chofre, Quinzinho encontrou-se com Maria de Fátima, serena e bela, no seu hábito branco. Tinham-se passado vinte anos desde que ele pedira ao seu pai que fosse ter com o pai da sua pretendida. Ele continuava solteiro. E ela continuava com os mesmos olhos orvalhados de desejo.


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
22/04
14:50

Aracaju receberá pela primeira vez o show "Pholhas - Memories" com a banda Pholhas

Com quase 50 anos de carreira e acumulando uma vasta experiência musical, o quarteto, formado em 1969, continua na estrada e conta com uma legião de fãs de todas as idades. Com fortes influências do rock norte-americano, a banda Pholhas já emplacou diversos hits de sucesso ao longo dos anos tornando-se uma das maiores referências do cenário “pop- rock” nacional. Pela primeira vez em Aracajú, com o show “Pholhas – Memories”, a banda se apresenta no dia 20 de maio (domingo), às 20h, no Teatro Tobias Barreto. Os ingressos custam a partir de R$50,00 (meia entrada) e podem ser adquiridos na bilheteria do Teatro ou através do site www.compreingressos.com

No repertório, além das já conhecidas canções autorais, como as baladas românticas “Shadow of Love” e “My First Girl”, serão apresentados outros sucessos que também ficaram conhecidos com os PHOLHAS. É o caso de canções de artistas como Elvis Presley, Bee Gees, Creedence, Roling Stones, Beatles, entre outras bandas das décadas de 1960 e 1970.

Com o álbum “Dead Faces”, gravado em 1972, a banda, na época formada por Hélio Santisteban (teclados), Paulo Fernandes (bateria), Oswaldo Malagutti (baixo) e Wagner Benatti (guitarra), chegou a ficar em primeiro lugar nas rádios do país com a música “My Mistake”, que vendeu cerca de 400 mil compactos [mini discos] em apenas três meses de lançamento. Logo após o sucesso de “Dead Faces”, o Pholhas lançou outros compactos, onde as músicas “She Made Me Cry”, “I Never Did Before” e “Forever” lhes renderam a venda de aproximadamente 300 mil discos.

A atual formação do Pholhas é composta por Wagner Benatti (guitarra), Paulo Fernandes (bateria), João Alberto (baixo) e Elias Jó (teclados e vocais de apoio).
O mais recente álbum do grupo é o Pholhas – 45 anos, de 2015, que traz como destaque a releitura de quatro canções gravadas originalmente por Roberto Carlos: Esqueça, Ciúme de Você, Só por Amor e Nossa Canção.


Variedades
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Por Kleber Santos
22/04
14:47

Osório de Araújo Ramos: Centenário de nascimento

Clóvis Barbosa
Blogueiro e conselheiro do TCE/SE

Tive a honra de conviver com grandes nomes da advocacia e da vida pública brasileira, principalmente no período em que me dediquei a servir à Ordem dos Advogados do Brasil, seja como conselheiro seccional, seja como conselheiro federal. No campo nacional, compartilhei minhas energias apoiando ou divergindo de teses com Evandro Lins e Silva, Sergio Bermudes, Bernardo Cabral, Eduardo Seabra Fagundes, Miguel Seabra Fagundes, Márcio Thomaz Bastos, José Cavalcanti Neves, Raymundo Faoro, Mário Sérgio Duarte Garcia, Hermann Assis Baeta, José Roberto Batochio, Dom Hélder Câmara, Arnold Wald, George Tavares, Heráclito Fontoura Sobral Pinto, Victor Nunes Leal, Thomas Bacellar da Silva, José Paulo Sepúlveda Pertence, Jair Leonardo Lopes, Daniel Penna Aarão Reis, Técio Lins e Silva, Sérgio Ferraz, Dorany de Sá Barreto Sampaio, Augusto Sussekind de Moraes Rego, Arthur Lavigne, Antônio Evaristo de Moraes Filho, Miguel Reale Júnior, José de Castro Bigi, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, Leonel Brizola, Jamil Hadad, Lucélia Santos, Alfredo Sirkys, Fernando Gabeira, Chico Mendes, Betinho, Darcy Ribeiro e tantos outros. Aqui em Sergipe também vivenciei com figuras marcantes da nossa vida cultural, política e social, destacando nomes como Bonifácio Fortes, Guido Azevedo, Balduíno Ramalho, Rui Elói, Gonçalo Rollemberg, Marcelo Déda Chagas, José Augusto Azeredo Lobão, Gilton Garcia, Moacyr Mota, Antônio Jacintho Filho, José Silvério Leite Fontes, Eduardo Garcia, Carlos Ayres de Britto, Antônio Garcia, Juçara Leal, José Lima Azevedo, Nilo Jaguar, Tertuliano Azevedo, Osório de Araújo Ramos, Carlos Alberto Menezes, Edson Ulisses de Melo, Cezar Britto, Adélia Pessoa, Vladimir Carvalho, Osvaldo Rodrigues da Silva, Paulo Almeida Machado, José Rosa de Oliveira Neto, etc.

Todos eles e muitos outros passaram pela minha vida num revoar de encontros e desencontros, partidas e chegadas, aqui ou ali compartilhando ideias, fazendo delas uma mesma frequência na forma com a qual captariam a sonoridade do mundo ou no modo de enxergar as aflições que nosso coração faz ecoar pelas curvas da vida. Mas também, aqui e ali, vinham as diatribes quase sempre provocadas pelo debate e pelo modo de enxergar o mundo à luz de um caso concreto. Com Osório de Araújo Ramos não seria diferente. E no momento em que comemoramos o seu centenário de nascimento não poderia deixar de dar meu testemunho a essa figura de advogado símbolo, padrão de honestidade, dignidade, correção, lealdade e, acima de tudo, de ética. Osório de Araújo Ramos nasceu em Aracaju no dia 22 de abril de 1918, filho de Antonio Eugênio Ramos e Ana de Araújo Ramos. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito de Sergipe, tendo colado grau em 8 de dezembro de 1955. Em 1956 inscreveu-se provisoriamente na Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Sergipe. Em 1960 assumiu o cargo de Juiz de Direito, atuando na magistratura por dez anos. Em 1970 inscreve-se definitivamente nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Sergipe, voltando a exercer a profissão de advogado. Passou, a partir de 1977, a militar nos quadros da entidade mater dos advogados sergipanos, a OAB, tendo ocupado os cargos de 1º Secretário, Tesoureiro e Presidente no biênio 1979/1980. Gilton Garcia, que havia derrotado Osmário Vila Nova em 1974, elegendo-se presidente, mudou radicalmente as rédeas da Instituição para um novo grupo. Dois anos depois reelegeu-se presidente com uma chapa eclética, integrada por nomes da direita e da esquerda.

Osório participou da chapa de Gilton Garcia, tendo este assumido a presidência e ele a tesouraria da OAB, começando aí uma nova fase da instituição, que passaria por mudanças profundas nos anos seguintes. Como tesoureiro teve uma tarefa árdua, que foi a de organizar as finanças da entidade - o que fez com bastante equilíbrio - passando a cobrar as anuidades e melhorando consideravelmente a sua estrutura com aquisição de móveis, investindo na formação de uma equipe técnica para atendimento aos advogados e dando maior rapidez aos processos em tramitação e de interesse dos profissionais de direito. Na sua gestão como presidente, em 1979/1980, ingressei nos quadros da OAB como conselheiro após ser indicado por Gilton Garcia, que havia se afastado para assumir a Procuradoria Geral de Justiça, nomeado que fora pelo governador Augusto Franco. Em minha eleição, indireta, fui aprovado à unanimidade pelos conselheiros, passando a colaborar com a gestão de Osório ao lado dos demais colegas. Naquele período, um impasse foi criado na escolha de desembargador na vaga destinada para a advocacia. À época, a OAB tinha a responsabilidade de encaminhar ao governador do Estado a lista dos advogados inscritos para fins de escolha, pelo Poder Executivo, do nome que iria ocupar a vaga derivada da aposentadoria do desembargador Pedro Barreto. Eu, Nilo Santana Jaguar de Sá e Benedito de Figueiredo defendíamos a tese que a lista só deveria ser preenchida por advogados militantes, sendo excluídos todos aqueles que não possuíssem tal requisito. A querela foi formada, tendo o Conselho, por maioria, decidido pelo encaminhamento da lista de todos os inscritos, militantes ou não. A ruptura nas hostes do Conselho foi imediata, tendo eu, Benedito e Nilo renunciado ao cargo, passando a fazer oposição aos seus membros.

Disse anteriormente que Osório era um advogado símbolo, padrão de honestidade, dignidade, correção e lealdade. E por quê? Na eleição seguinte da OAB houve empate no resultado, sendo eleitos 9 conselheiros para o grupo de Osório e 8 para a nossa chapa (na época os votos eram individuais nos nomes que compunham as chapas em disputa, havendo mescla das escolhas de um e outro lado). Só que Nilo Jaguar, componente da chapa que eu fazia parte, teve o mesmo número de votos de José Rosa de Oliveira Neto e, como este tinha uma inscrição mais antiga, prevaleceu a sua vitória, passando o agrupamento de Osório a ter uma maioria de 10 a 8. Mas um novo problema surgiria na chapa vencedora, a escolha do presidente da OAB. Houve um rompimento no grupo de Osório em face do lançamento da candidatura de José Augusto Azeredo Lobão, que não abria mão do cargo de presidente. Para ser eleito, Lobão precisaria dos nossos votos e de mais 1 ou dois votos da situação, o que foi conseguido, tendo sido eleito presidente da OAB/SE. Em momento algum Osório reclamou da atitude de Lobão, que passaria para a oposição em seguida. Ele, entretanto, continuou leal ao seu grupo. Lembro-me que fui indicado para relatar as contas da sua gestão e ele veio falar comigo para colocar-se à disposição para qualquer dúvida a seu respeito. Eu disse a ele que ficasse despreocupado, pois uma coisa que ninguém tinha qualquer tipo de receio era sobre a sua honestidade. Pelo pouco tempo de convivência que tive com ele, deu para perceber que a consciência de Osório estava acima dos interesses pessoais, mesquinhos e momentâneos. Repugnava-lhe os tíbios de caráter, os vendilhões de consciência, os déspotas perseguidores. Cada palavra por ele empenhada valia muito mais do que compromissos escritos.

Tinha uma amizade de irmão com outro grande nome que dignificou Sergipe: o jornalista e advogado José Rosa de Oliveira Neto, sinônimo de homem que se postava indiferente para os dúbios de personalidade, aos frouxos de conduta, aos falsos e hipócritas naturais, aos castrados de mentes e de espírito, aos apátridas, amorais e desleais. Com Osório, José Rosa formava um duo que honrava a plêiade de homens que se identificavam, na advocacia, com uma nova escola de juristas vinculada às teorias sociais. Não tinham dúvidas de que quem controla o econômico domina o político e, em certa medida, o social. Tinham a nítida convicção de que os política e economicamente dominados, numa sociedade conflituosa, buscam defender os seus interesses. E é esse confronto de interesses que empurra a sociedade para os avanços e retrocessos. Conflito muito maior que o meramente jurídico de uma ação judicial - no qual o juiz, com a sentença, supera os limites do conflito individual - é o social, onde classes, grupos e camadas querem impor sua vontade. Desse quadro de conflitos emana o direito que não pode ser puro. Muito pelo contrário, ele traz as chagas e o sofrimento de situações injustas, no conceito universal do sofrimento e da injustiça. Esta escola do Novo Direito, da qual José Rosa e Osório são partícipes, e que também seguimos, impõe a todos nós a valorização das conquistas jurídicas decorrentes dos avanços sociais e força-nos a dirigir nossa curiosidade dialética, não estática, para esses fenômenos, tendo em mãos os instrumentos da sociologia e da filosofia, e não apenas daquele direito que nos foi imposto na sala de aula, onde o que se busca é a formação de quadros para a defesa dos interesses da elite. Penso que a similitude de propósitos foram os pilares que uniram José Rosa e Osório.

Todo esse entendimento e sintonia de pensamento tinham como pano de fundo a formação marxista de ambos. Osório participou ativamente do Partido Comunista Brasileiro, tendo inclusive ocupado cargo de direção e sido, por várias vezes, preso e respondido a diversos processos formalizados pelos órgãos de repressão. Com a redemocratização do país após a Segunda Guerra Mundial, o PCB foi legalizado, o que levou Osório a exercer uma militância pujante e combativa. O seu falecimento, aos 68 anos, em 1986, encerrava uma vida dedicada à procura de um mundo melhor, de uma sociedade mais justa e de um sentimento de solidariedade incomum. Amanhã, domingo, 22 de abril, data do centenário de nascimento do contador, advogado e magistrado Osório de Araújo Ramos, fica o registro da história de um homem intransigente em relação aos princípios e que escondia no peito uma mina riquíssima de compreensão humana.

Clóvis Barbosa escreve quinzenalmente, aos domingos


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
22/04
14:41

A recuperação econômica esfriou no 1º trimestre de 2018?

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

A publicação dos principais indicadores de evolução da atividade econômica trouxe preocupação sobre os riscos de que a retomada da economia brasileira tenha esfriado nesse início de 2018. Os desempenhos ruins de atividades setoriais nos dois primeiros meses do ano parecem mesmo sinalizar uma atenuação do crescimento que se apresentava com perspectivas mais robustas no segundo semestre de 2017. As consultorias especializadas se apressaram para rever para baixo as projeções para o crescimento do PIB de 2018, mas a mediana das estimativas permaneceu relativamente alta, de 2,76%, para 2018, mantendo-se a taxa de 3% para 2019. 

Os dados sobre a evolução do mercado de trabalho têm se apresentado relativamente piores do que os de volumes de atividade setoriais, com a continuidade da queda no contingente de pessoas ocupadas com vínculos formais (nos resultados da Pnad Contínua) e a desaceleração de certa intensidade na expansão dos vínculos informais.  

A retração do ritmo de crescimento do nível de atividade fez acender o sinal de alerta sobre a possibilidade, mesmo relativamente remota, de que a retomada da economia se revele muito mais frágil do que a prevista anteriormente. Ainda mais quando aumentaram a instabilidade e a imprevisibilidade do cenário político interno e, no cenário externo, apesar de o ritmo de crescimento econômico se manter robusto, o ambiente político apresentou forte deterioração e a espiral do protecionismo ensaia seus primeiros episódios. 

Voo de galinha
Para os analistas menos otimistas, parte expressiva do crescimento de 2017 foi causada por fatores não recorrentes, que não deverão se repetir em 2018 e anos seguintes, como a liberação de recursos do FGTS e os fortes incrementos da produção agrícola e das vendas externas. 

A continuidade do crescimento da economia brasileira em 2018 estaria basicamente assentada na expansão do consumo, mas a continuidade do incremento desse componente da demanda estaria sob risco.  Diante do súbito esfriamento do mercado de trabalho, a sustentação no ritmo de incremento do consumo, e assim, do conjunto da economia brasileira, estaria à mercê dos impactos da redução dos juros nominais, impulso quase solitário sobre o nível de atividade nesse momento. 

Moderação
A perspectiva mais pessimista sobre a evolução de nossa economia não é a dominante, pelo menos não é ainda. A avaliação mais aceita até o momento é de que a desaceleração na evolução dos indicadores nos meses de janeiro e fevereiro pode simplesmente refletir uma correção em relação aos resultados acima dos esperados no período imediatamente anterior e que o ritmo do crescimento tendencial nem é aquele mais elevado do final do ano passado, nem tampouco a quase estagnação desse início de 2018. Nessa perspectiva, deverá prevalecer um resultado intermediário. Somente os resultados setoriais dos próximos meses deverão esclarecer qual o cenário que deverá prevalecer. 

Indústria, serviços e varejo
No acumulado de janeiro e fevereiro, a produção física da indústria de transformação recuou 2,6%, em relação a dezembro de 2017, e as atividades de serviços recuaram 3,29%. Mesmo os índices de confiança setoriais sobre o futuro passaram a apresentar maiores oscilações. O volume de vendas no varejo, até o momento, manteve nesse início de ano a trajetória de crescimento. 

No acumulado de janeiro e fevereiro, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Banco Central (IBC-BR) recuou 0,56%, em relação dezembro de 2017. A linha continua dupla no Gráfico mostra a evolução do IBC-BR no acumulado de dois meses, na série livre de efeitos sazonais. Nessa série fica evidente a desaceleração do ritmo de crescimento em janeiro e fevereiro, depois da aceleração entre outubro e dezembro de 2017. A linha pontilhada mostra a comparação com os mesmo bimestres do ano anterior: depois de acelerar até outubro de 2017, o IBC-BR manteve até janeiro taxas de crescimento em patamar superior a 2%, e em fevereiro recuou para 1,8%. 

Finalmente a linha contínua simples apresenta uma perspectiva de prazo mais largo, com a taxa do crescimento acumulado em doze meses, em comparação aos dozes meses anteriores. Nessa série, há claros sinais de que o ritmo de aceleração de crescimento perdeu ímpeto nos últimos resultados, mas se mantém relativamente elevado. 

Em síntese, constatou-se um esfriamento do crescimento do nível de atividade econômica nesse início de 2018. Aparentemente, houve uma correção em relação ao crescimento mais robusto do último trimestre de 2017; mas pode não ter sido apenas isso. 



*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
22/04
14:13

Coluna Primeira Mão

Privatização da DESO


Jackson Barreto escapou da responsabilidade de conduzir o processo de privatização da DESO. Essa empresa estará no centro dos debates das eleições deste ano. Só algum candidato a governador inviável dirá que privatizará a empresa, ninguém mais. Mas o próximo governador terá de enfrentar o problema da privatização ou não DESO.


De olho no Planalto


José Alcides Marronzinho foi o primeiro sergipano a ser candidato à Presidência da República. Ele, que é natural de Maruim, entrou no páreo em 1989 e, claro, não venceu. Agora, Vera Lúcia, conhecida militante sindical e por ter disputado ao Governo de Sergipe, a Prefeitura de Aracaju e uma cadeira na Câmara Federal, é candidata ao mesmo posto. Embora não sergipana, ela está radicada nessa terra há muito tempo. Vera é natural do sertão pernambucano (Inajá) e mora em Sergipe desde criança.


Reação feminina


O sindicato de empresas de transporte público, Setransp, está veiculando campanha radiofônica contra o assédio sexual nos ônibus. Isso é muito bom. Melhor ainda seria colocar muito mais ônibus em circulação nos horários mais procurados pelos usuários de manhã, de tarde e de noite. Para proteger-se dos oportunistas, muitas mulheres carregam consigo agulhas que, mostrando naturalidade, aplicam nos taradinhos.


Humilhados


Saíram diminuídos os membros da CPI da Saúde ao tentaram  visitar  o Hospital Cirurgia e foram barrados por porta-voz da instituição. As desculpas esfarrapadas para justificar a humilhação dos vereadores não convenceram a ninguém.


Quer o Senado


O delegado Alessandro Vieira lançou-se pré-candidato a uma cadeira do Senado por Sergipe. Certos "amigos" dele dizem que só poderia ser para senador, considerando o ego inflado desse agente policial. Para quem não se lembra, ele é o delegado que declarou que a delegada Daniela Garcia não sairia de algumas investigações enquanto ele fosse seu superior hierárquico. Pois bem, ele foi exonerado do cargo. e a delegada foi transferida para outra área da SSP.


Reconhecimento


Segundo a secretária-geral da Comissão Estadual da Verdade de Sergipe, Andrea Depieri, a ex-presa política sergipana Laura Mangueira teria reconhecido o suposto médico militar que a teria "examinado" em Porto Alegre quando estava encarcerada. No seu depoimento à referida comissão, Laura tinha dito que esse militar era chamado de "Dr. César". Ela reconheceu esse militar como sendo José Brant Teixeira. Consultando o Google, o leitor encontrará mais informações sobre esse senhor. Nesse período, Laura estava grávida


Por que não?


Tem muita gente se perguntando o seguinte. Se secretário de governo e de estado pode acumular duas secretarias, por que o secretário estadual da Saúde não pode ocupar a Fundação da Saúde? O que importa é a capacidade gerencial de quem está à frente das instituições.


Desejo de pai


O que tem passado pela cabeça do senador Antônio Carlos Valadares? Ele quer se reeleger senador e fazer o filho governador de Sergipe. É mole? Posto que ele é considerado uma raposa política da velha guarda, isso poderá mais tarde fazer algum sentido. Se não fizer, o futuro  político do seu herdeiro pode parecer muito incerto.


No Youtube


Estão à disposição de interessados e pesquisadores vídeos com os depoimentos de ex-militantes (presos, torturados, etc.) prestados à Comissão Estadual da Verdade. Basta só fazer uma visita ao YouTube.


Numa boa


O governador Belivaldo Chagas empossou cinco novos procuradores do Estado. Pra que? A Procuradoria estadual é uma das instituições  públicas com mais gordura pra queimar. Procuradores trabalham lá e ainda possuem escritórios de advocacia. Vivem o melhor dos mundos.


Quem vencerá?


A greve dos servidores da Receita Federal tem atrapalhado a vida de muita gente. Quem cederá? Essa categoria tem um poder de fogo muito grande, especialmente nesses tempos de caixa no vermelho. Quem ganhará essa quebra de braço: os servidores ou o governo federal? Essa categoria...


Concorrência


Nem sempre a concorrência de muitas empresas de um mesmo setor de negócios significa preços baixos para o consumidor. Na Atalaia,  existem quatro farmácias, todas juntas, mas os preços dos remédios não mudam. A diferença entre elas está na comodidade que é o estacionamento.


Simão Dias sempre em alta


Simão Dias tem dois candidatos ao governo do estado. Antes de 2018, já teve três governadores: Celso de Carvalho, Antônio Carlos Valadares e Marcelo Déda.


André Forrozeiro


Se é verdade que o deputado federal André Moura conseguiu verba para financiar os festejos juninos de diversas cidades sergipanas, este ano ele será transformado no maior forrozeiro de Sergipe. Terá de subir em muitos palcos e dançar o xaxado com muita gente e para muita gente vê-lo. Em Aracaju, o prefeito Edvaldo Nogueira fará bater o/a zabumba para ele dançar.


Cadeirantes sofridos


A mobilidade urbana dos cadeirantes não é moleza. Primeiro precisam comprar a cadeira de rodas. Em seguida, vem a subida em ônibus. Por último está a ausência de civilização nas calçadas das ruas e avenidas  sergipanas. O Ministério Público nada faz e as prefeituras muito menos para nivelar as calçadas. Se assim é uma solução  poderia criar vias exclusivas para cadeirantes, semelhantes às ciclovias.

 

 

 




Coluna Eugênio Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
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