17/06
10:42

Coluna Primeira Mão

Desconfiança

 

Os candidatos a cargos políticos vão ter que gastar a sola dos sapatos ou a borracha dos tênis para tirar de casa o eleitor sergipano para votar. O desinteresse pelas eleições é muito grande, devido ao aumento da perda de confiança nos políticos com a divulgação de tantos escândalos de corrupção em Sergipe e no Brasil. Sem confiança nenhuma sociedade democrática pode existir. Talvez por isso a compra de votos seja mais valorizada nessa eleição, ao contrário do que têm dito certos candidatos.

 

Momento das pesquisas

 

As pesquisas de intenção de voto só registram um momento, dizem aqueles candidatos que aparecem mal colocados. Questionam a metodologia da pesquisa e assim por diante. Os candidatos que estão bem posicionados afirmam que os números apontam para uma tendência que deve persistir. Na recente pesquisa publicada na quinta-feira passada, o argumento da fotografia de um momento se mostra como o mais forte.

 

Sob suspeita

 

Essas pesquisas direcionadas para beneficiar quem as paga ou os seus pré-candidatos estão sendo identificadas facilmente pelos eleitores nas redes sociais e até mesmo em bate papo de mesa de bar. Na última tornada pública, o pré-candidato a senador que estava para lá de fraco aparece muito forte, não é pastor Heleno? Mantida nessa tendência de fraco ficar muito forte, João Tarantela, com seus 0,2%, vai terminar eleito governador de Sergipe. Sem maldade.

 

Agendas desconectadas

 

As agendas do governador Belivaldo Chagas (PSD) e da vice-prefeita de Aracaju Eliane Aquino (PT) não conseguem se conectar para o tal do encontro em que Chagas fará o convite para ela ser a pré-candidata a vice-governadora de sua chapa.

 

Duelo de Titãs

 

A disputa pelo Governo de Sergipe se resumirá ao enfrentamento de Eduardo Amorim (PSDB), Belivaldo Chagas (PSD) e Valadares Filho (PSB). Talvez só a dois dos três citados. Mas a disputa pelas duas vagas para o Senado tem pelo menos cinco nomes fortes: Jackson Barreto (PMDB); Antônio Carlos Valadares (PSB); André Moura (PSC); Rogério Carvalho (PT); e Heleno Silva (PRB).

 

Subvenções

Não impressionou o voto do presidente Fux, do TSE, pedindo a condenação de um bom número de deputados no caso das verbas de subvenções da Assembleia Legislativa de Sergipe. Chamou a atenção o fato de certos nomes ficarem de fora da canetada do ministro. É verdade que Brasília fica muito longe de Sergipe e as informações contidas nos processos podem estar incompletas... ou não. Tudo bem, a votação ainda não foi concluída.

 

Mais para a Saúde

 

Sobre a parta da Saúde, o secretário de Estado da Fazenda, Ademario Alves, frisou, em se balanço na Assembleia Legislativa, na quinta-feira passada, 14, que o governo vai investir mais: “É uma determinação do governador Belivaldo Chagas. O compromisso do governador é no sentido de que a Saúde vai ser melhor e ainda mais contemplada dentro do orçamento. É provável que o orçamento da Saúde para 2018 feche com um patamar superior a 13%, que já é acima do mínimo previsto constitucionalmente”, acredita.

 

Preferencial

 

Alguém sabe explicar por que quando você está sendo atendido presencialmente num banco, se outro cliente telefona ele passa a prioridade sobre você? Você que se desloca até o banco e o outro cliente nem sai de casa.

 

Desfazer-se do Banese, não!

 

O secretário de Estado da Fazenda defendeu esta semana o fortalecimento do Banco do Estado de Sergipe (Banese). “O Estado não vai vender o Banese”, garantiu aos deputados, enquanto participava de audiência pública na Assembleia Legislativa de Sergipe. Ademario Alves informou que junto com a diretoria do banco foi a São Paulo buscar soluções para melhorar o plano de negócios, investir na parte tecnológica e ampliar o escopo de atuação com o objetivo de agregar valor à instituição financeira. De acordo com Ademario, o pensamento do governador é tentar triplicar o valor de mercado do Banese. Quando se aumenta o valor de mercado, aumenta-se também o lucro. Como nós vamos nos desfazer de um ativo que está gerando dinheiro e pode gerar muito mais?”, colocou ele aos deputados.

 

Celeridade no STF

 

O tempo do STF pode ser lento ou rápido, dependendo de como é usado o poder de agenda por quem dirige a instituição. No caso de Gleisi Hoffmann, a presidenta do STF Carmen Lúcia mostrou uma espetacular celeridade. Tem muitos processos de outros políticos que chegaram bem antes do processo da senadora e serão pautados depois do dela.

 

Venda do aeroporto

 

O Governo Federal pretende leiloar, ainda no decorrer deste ano, a concessão de três blocos de aeroportos no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. Isso poderá acontecer até o fim da primeira quinzena de dezembro. A informação foi divulgada pelo site “Valor”. O maior e mais atrativo bloco de aeroportos é o do Nordeste. O conjunto envolve seis aeroportos, sendo quatro em capitais. Este bloco abrange as cidades do Recife, Maceió, João Pessoa, Aracaju, Juazeiro do Norte e  Campina Grande. Para o bloco do Nordeste foi fixado um lance mínimo de R$ 360,4 milhões.

 

Na Rússia

 

Os sergipanos que arrumaram as malas e viajaram para a Rússia têm enviado notícias positivas sobre a beleza de Moscou e outras cidades, especialmente São Petersburgo.

 

Festas juninas

 

As festas juninas do Nordeste são as mais belas do Brasil. Mas a urbanização da região as tem feito parecer, no quesito indumentária e dança, com as escolas de samba do Rio de Janeiro. É o que dizem os saudosistas. Sabe o que é o pior? Eles têm razão.

 

Só corrigindo

 

Enquanto era vivo, o saudoso José Carlos Teixeira contava uma anedota sobre um professor de português que tinha sido convocado para depor no 28BC. Ele prestou o depoimento e, quando pedido para assinar o documento datilografado por militar, se negou a fazê-lo. Por quê?, perguntou o responsável pelo inquérito. Ele respondeu que só assinava os trabalhos dos alunos depois de corrigi-los. Isso irritou o militar encarregado do seu caso, mas o professor não cedeu. O que fazer então? O militar resolveu levar o caso ao comandante Silveira, que então chefiava a guarnição. O professor repetiu o que já tinha dito mais de uma vez: só assinava se lesse e corrigisse o documento. Diante de tanta firmeza, sorrindo, o comandante autorizou o professor a seguir em frente e corrigir o depoimento datilografado.

 

Briga é briga

 

Qual é a diferença entre uma briga de rinha e uma luta valetudo da UFC? Nenhuma, fora o fato de que num caso tem galos brigando e no outro são humanos que se batem. Essa nota vem a propósito da prisão de responsáveis por rinhas de brigas de galos essa semana em Aracaju. Os galos de briga humanos também não têm empresários e as pessoas não fazem apostas?



Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
17/06
09:29

O encontro

José Lima Santana - Padre, advogado e professor da UFS

 
Kleber Jordão, mais conhecido como Cara de Bunda e Bolo Fofo, presidente do Clube do Norte, era metido a ditador. Mandava e desmandava no Clube sem ouvir ninguém. E, ainda por cima, desafiava o outro clube da cidade, o Clube do Sul. Os dois presidentes não se davam. Muitos torcedores dos dois clubes almejavam a unificação, para, assim, poder fazer frente aos adversários de outras cidades. A união seria benéfica para a cidade, para as pessoas, mas Cara de Bunda era belicoso e não admitia que os seus sócios devidamente filiados sequer opinassem sobre a unificação, sob a pena de expulsão ou algo muito pior. Os torcedores não filiados arriscavam dar palpites nas redes sociais. Na presença de Kleber Jordão, silêncio. Manifestavam-se anonimamente. Temiam as reações de Cara de Bunda.

O presidente da federação de clubes, denominada União Sportiva Alvorada (USA), Daniel Trampo, chegou a ameaçar Kleber Jordão de varrê-lo do mapa dos esportes, caso ele não parasse com o estado de belicosidade contra o Clube do Sul e outros clubes das cidades circunvizinhas. Trampo era tão ou mais truculento do que Kleber Jordão. Eram, por assim dizer, farinha do mesmo saco. E que péssima farinha! O maluco do Cara de Bunda soltou umas bombas que assustaram os adversários. Bombas verborrágicas para fazer pirraça contra todos, mas, sobretudo, contra Daniel Trampo. E este, mais doido ainda, tuitou ameaças e maldições contra Kleber Jordão. Durante vários dias, os dois bateram boca, ao longe. Se os dois estivessem frente a frente, cada um com uma faca afiada na mão, certamente um cortaria a língua do outro, se pudesse. Eram, sim, dois sujeitos ruins de tanger, como jegues amuados.

O dono da empresa Ginga Pura, amigo de ambos, tomou a iniciativa de oferecer a sede da sua empresa para um encontro dos desafetos. As redondezas não acreditavam na realização do encontro. Demasiadas eram as divergências entre os dois malucos. Umencontro entre ambos poderia resultar em duas mortes, nem que fossem motivadas pela raiva. Era arriscado que os dois, depois de muito discutirem, caíssem tesos, batessem a caçoleta. Muita gente vibraria. O mundo se tornaria bem melhor.

Depois de marchas e contramarchas, tudo ficou acertado para a reunião mais importante e esperada do ano. Apostas eram feitas, de que o encontro não se realizaria. Ou de que se realizaria, mas acabaria no primeiro momento, com cada um dos desafetos soltando os cachorros no outro. O apocalipse poderia estar ali naquele encontro, pronto para soltar fogo pelas ventas como um dragão daqueles das histórias mirabolantes da Idade Média. Na verdade, ainda havia dragões no mundo. Ali estariam dois deles.

Toda a imprensa da região entrou de prontidão. Nada deveria escapar dacobertura. Todos esperavam saber de tudo que ocorreria no encontro entre os dois. E a imprensa da região eram o tabloide “O Fuxico” de Zé de Ferreirinha e o carro de som de Chico Pinote. Este alardeava nas ruas da cidade que o mundo esportivo esperava que a paz fosse selada entre Jordão e Trampo. Se os dois não se entendessem, o mundo esportivo poderia entrar em polvorosa de uma vez por todas, pois seria uma guerra declarada entre os dois esquizofrênicos.

 

Enfim, os dois chegaram à sede de Ginga Pura. Cara de Bunda chegou primeiro.  Com um dia de antecedência em relação ao outro, que, diga-se de passagem, era também conhecido nos meios esportivos como Galo de Briga. Vermelhão que o era, a cabeleira pintada parecia uma crista de galo de briga. Deu-se o encontro. Primeiro, as indefectíveis fotos de mãos dadas para a imprensa. “O Fuxico” estampou em sua edição vespertina uma foto com ambos tentando um sorriso forçado, que não saiu. Caras ainda muito amarradas. Mas, era o primeiro aperitivo. Certamente, outras fotos viriam mais amenas, com a paz selada. Ah, mas como tinha gente que não acreditava nessa paz! Que não acreditavam que os dois estivessem de fato querendo um entendimento. Arriar as armas? Quem? Cara de Bunda? Nem pensar, dizia-se pelo mundo afora. O ditadorzinho haveria de esconder as armas para soltá-las mais tarde. Afinal, as armas verborrágicas eram o trunfo do dirigente do Clube do Norte.

O encontro continuou sob a ansiedade de todos. E, contrariando as expectativas da maioria das pessoas, tudo parecia correr muito bem obrigado. Uma ponderação daqui, outra dacolá, uma testa franzida aqui, outra acolá. Assessores dos dois lados tentando amenizar certas palavras. Enfim, um acordo a ser assinado. A lavratura do acordo demoraria um pouco, pois os assessores divergiam sobre esta ou aquela expressão. Tudo acertado.

Na hora da assinatura, Cara de Bunda curvou-se um pouco sobre a mesa com a caneta na mão. Ao lado dele, Galo de Briga, de bico crescido, como era do seu estilo, aguardava a sua vez de assinar o tal documento, que, por certo, não haveria de valer muita coisa. De repente, Cara de Bunda fez uma cara feia. Parecia que ia estourar. Naquele instante, o outro apelido do tal sujeito pareceu ganhar força. O Bolo Fofo tinha, como por encanto, crescido. Fora fermentado. Ele espremeu-se um pouco. E eis que soltou uma bomba atômica. A sala com decoração folheada a ouro parecia que ia desabar. A fedentina espalhou-se como a mão do anjo da morte na noite que antecedeu a saída do povo hebreu do Egito. Galo de Briga deu um pulo, tapou as ventas com um lenço, afastou-se e gritou em sua língua enrolada: “Um desrespeito! Um despropósito! Vou responder à altura! É guerra? Pois vamos à guerra!”.

A flatulência de Cara de Bunda pôs fim ao encontro e ao acordo. O que viria depois era preciso aguardar. Boa coisa não poderia ser. O mundo dos esportes tremeria. A paz estaria por um fio. E tudo por causa de uma flatulência. A que ponto o mundo dos esportes tinha chegado!

Quanto vexame! O todo-poderoso Daniel Trampo acabou cedendo a uma bufa. Que coisa, hein?




Coluna José Lima
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Por Eugênio Nascimento
16/06
21:23

Como os aracajuanos viram a Copa de 1970

A conquista da Copa do Mundo de 1970 é inesquecível para os brasileiros, em especial para os sergipanos.  Foi nela que nos tornamos tri campeões e estavam na equipe craques como o nosso Clodoaldo, Pele, Tostão, Jairzinho, Rivelino e Gerson. Era um timaço.

Lembro-me bem dos jogos que vi na TV e depois no Canal 100, nos cinemas de Aracaju. Na TV, a visibilidade não tinha a qualidade que temos hoje. Muitos chuviscos, aquelas formiguinhas se faziam presentes o tempo todo.

O canal não era nosso, de Sergipe. Recebíamos as imagens de emissoras do Rio de Janeiro. Dava para ver algumas coisas  e ficava claro para todos que tínhamos a melhor seleção do mundo jogando no México.

Vale lembrar que a pobreza em Aracaju era muito grande,  bem maior ainda era nos municípios do interior. Por causa disso, na capital, ao contrário dos dias atuais, poucos lares pobres, na verdade de classe média baixa, tinham acesso  ao aparelho televisor.

As marcas mais visíveis nas casas eram Semp (depois Semp Toshiba), Empire e Telefunken. Nos anos de 1970 predominavam os aparelhos com imagem em preto e branco, embora a transmissão tenha ocorrida em cores.

Portanto, a Copa de 1970 foi transmitida em cores, mas a grande maioria dos sergipanos viu em preto e branco. Há algumas exceções e no caso cabem aqueles que compraram telas de acrílico em azul, vermelho, verde, rosa e amarelo e instalaram em frente aos televisores.

Na verdade, as pessoas muito pobres se instalaram nas janelas das casas que tinham televisores – normalmente vizinhos ou moradores das proximidades -  e assistiram a conquista do tri pelo Brasil. Um empurrão para lá, outro para cá e.... gol. Brasil  campeão.



Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
16/06
21:12

Memórias de Copas do Mundo

Luciano Oliveira - Professor aposentado da UFPE

 

Chego a mais uma Copa do Mundo na minha vida. A primeira foi no longínquo ano de 1962, em Itabaiana, interior de Sergipe. Brasil bicampeão mundial de futebol. Dela, tenho apenas lembranças muito vagas. Era um menino, e como lá em casa papai não tinha o menor interesse pelo assunto, tudo o que lembro resume-se a um bando de torcedores (feito um “bloco de sujos”) bebendo e soltando fogos na calçada de um armarinho que ficava em frente da “Farmácia de Oliveirinha” – meu pai – onde, naquele tempo, dava expediente nos horários em que não tinha escola. Um rádio instalado do lado de fora do armarinho transmitia não sei que partida. Foi também pelo rádio, na casa de uns e outros, que escutei, no meio dos chiados das “ondas médias, curtas e frequência modulada” da época, a decepção de 1966, na Inglaterra, onde o Brasil chegou como favorito e voltou com o rabo entre as pernas, eliminado já na primeira fase da competição pela seleção portuguesa, a sensação daquela Copa. Depois veio a apoteose de 1970, no México. Era a época da repressão barra-pesada aos grupos (armados ou não) de esquerda, sob a presidência de Médici, e os opositores ao regime se sentiam embaraçados ante o dilema de torcer ou não pela Seleção, cuja vitória seria (como foi) capitalizada pela ditadura militar. “Ninguém segura esse país!”, havia dito o presidente – e realmente ninguém segurou a Canarinho. A defesa era meio fraquinha, mas do meio de campo pra frente (Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Pelé) a seleção brasileira foi o que muitos consideram o melhor time de futebol que já se formou no mundo.

Até onde dou crédito à minha memória, confesso que não me lembro de ter sido presa desse dilema. Eu era ainda um secundarista e torcia pelo Brasil. Era só isso. Morava em Aracaju e, embora a televisão já tivesse chegado por lá, Sergipe ainda não tinha sido integrado pela Embratel à Rede Globo. Tudo o que tínhamos era uma torre retransmissora que captava, disputando com o que chamávamos de “chuva de arroz”, as imagens geradas em Recife pela TV Jornal do Comércio. Em Aracaju, no começo dos anos 70, a “chuva”, estava para o visual assim como o “chiado” estava para o áudio em Itabaiana no começo dos anos 60. Uma emissora local, se bem me lembro, retransmitia, sem “chiado”, a transmissão da Rádio Globo, onde Waldir Amaral e Jorge Cury se alternavam na transmissão do jogo, um irradiando o primeiro tempo, e o outro, o segundo. Aí, a gente ligava a televisão, mas tirava o som, e ligava também o rádio. E assim não lembro direito o que “vi”, pois as lembranças daquela tarde de junho de 1970, um domingo, embaralham-se com o que – aí sim! – vi alguns dias depois da Copa: um especial do inesquecívelCanal 100com os melhores momentos de todas as partidas, exibido nos cinemas. Brasil tricampeão mundial de futebol. Uma lembrança curiosa: na noite daquele domingo, com a cidade toda em festa, fomos eu, meu irmão e um amigo ao Cine Palace de Aracaju, onde assisti pela primeira vez a My Fair Lady. Era junho e chovia. Que me lembre, no cinema só havia nós três perto da tela e, lá atrás, um casal de namorados – provavelmente pouco interessados no que se passava na casa do professor Higgins, tirânico e misógino, enfiando um inglês de Shakespeare à iletrada Eliza Doolittle!

Fazendo as contas, vou para a minha décima-quinta Copa do Mundo. Olhando ao redor, a minha impressão é a de que o evento não desperta mais o interesse que já teve entre nós. Talvez não seja só impressão. Afinal, algumas semanas atrás, a imprensa divulgou uma pesquisa mostrando que 41% dos brasileiros não se interessam por futebol. E isso às vésperas de uma Copa. Como a mesma pesquisa informa que o percentual já foi muito menor, deduzo que muitos dos indiferentes de hoje já se interessaram um dia. Penso no meu caso. Já de algum tempo venho perdendo o afeto que sempre tive pela seleção. Lembro que em 2002 ainda vibrei muito com o time – sobretudo com Rivaldo, para mim o seu maior jogador. Mas, seguidamente, as decepções de 2006 e 2010 nem de longe se compararam à desolação que senti com a derrota daquele time sensacional de 1982. Em 2014, terminei de ver aquela acachapante humilhação de 7 a 1 imposta pela seleção alemã aos risos. Claro que aquilo foi risível, mas acho que não foi só isso. Quando, não faz muito tempo, a Canarinho ganhou dos alemães na casa deles por 1 a 0, nem cheguei a vibrar com o gol do Brasil (segundo uma brincadeira dos jornalistas alemães, agora o placar está 7 a 2…). A que será que devo essa quase indiferença?

Uma Copa do Mundo, hoje em dia, não é mais um campeonato entre seleções dos países e suas diferentes escolas de futebol, mas praticamente um torneio que reúne os melhores jogadores do mundo que jogam em times europeus! Antigamente, nossos craques, jogando aqui, de quatro em quatro anos se preparavam para ir jogar contra aqueles branquelos alemães e ingleses que jogavam lá. (Um amigo meu me advertiu de que havia um racismo [ainda que às avessas] embutido na minha fala, quando lhe disse que bom mesmo era o tempo em que nossos mulatos iam para a Suécia e davam um banho naqueles loiríssimos arianos… Será?) Nesse caso, a “culpa” é da globalização. E da mercantilização sem limites das relações que se dão nesse novo espaço mundial. Nas relações esportivas, onde o público consumidor, via TV, se conta por milhões (pensem num jogo Real Madrid X Barcelona), quiça bilhões (pensem numa final de Copa), as cifras envolvidas são astronômicas. As tentações, também. Um jogador fora de série como Neymar, por exemplo, vive tendo de explicar junto ao fisco espanhol, mas também brasileiro, “jogadas” típicas de sonegador milionário. Dir-se-á: “Ah… mas é todo mundo! Messi também andou encalacrado lá na Espanha”. Ok, tudo bem. Eu responderei que: a) Messi não é brasileiro, e nunca torci pela seleção argentina – assim, seu caso não me compete; b) sonegador ou não, Messi não é um boçal como nosso Neymar – e tenho dificuldades em torcer por boçais mimados por gente como Galvão Bueno… (Aliás, até dizem que Messi é autista. Se for, que bom!) Mas o diabo é que Neymar – independentemente da empresa chamada Neymar Jr.– joga bem pra caralho! Este artigo já estava quase pronto quando, no sábado da semana retrasada (02/06), assisti ao amistoso Brasil X Croácia, preparativo para a Copa. Neymar, depois de uma cirurgia no pé e de três meses no estaleiro, entra no segundo tempo e faz um gol de craque. Quando é ontem, domingo (10/06), último jogo preparativo: Brasil X Áustria. Neymar, que dessa vez atuou quase o jogo inteiro, faz outro gol mágico! Parodiando Zagallo, acho que vou ter de engoli-lo…

Repetindo-me: chego a mais uma Copa do Mundo na minha vida. De 1962 a 2018 (até me assusto!), são cinquenta e seis anos de existência… De lá pra cá já vi tanta coisa! Nunca fui daqueles torcedores de bandeirinha no carro, e não sou um patriota no sentido babaca do termo. Quando o Sargentão Dunga dizia que quem não torcia pela seleção não amava o Brasil, eu fazia um esforço danado para continuar torcendo pela Canarinho. É mais ou menos assim que estou me sentindo nesta véspera de Copa. Não sei qual será meu sentimento quando o juiz apitar o início do jogo do Brasil contra a Suíça domingo próximo – depois de depois de amanhã. Mas, sinceramente, estou torcendo para me emocionar pela décima quinta vez na minha vida.

***

Nílton Santos era lateral esquerdo do Botafogo e da seleção, campeão mundial em 1958, na Suécia, e bicampeão no Chile. Era apelidado de “A Enciclopédia”, porque se dizia que sabia tudo de futebol. Foi uma criatura amável. Dizia que se considerava um sortudo, porque fazia na vida aquilo de que mais gostava: jogar futebol – e ainda lhe pagavam para isso! Da minha infância pra cá, o mundo mudou.



Colunas
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Por Eugênio Nascimento
15/06
22:24

Lagarto: MP pede afastamento de prefeito e dois secretários

O  promotor de Justiça Belarmino Alves dos Anjos Neto, representante do Ministério Público de Sergipe em Lagarto,  ingressou em juízo com uma  Ação Civil Pública solicitando o afastamento de  Valmir Monteiro (Madeireira) do cargo de prefeito do município.

Na ação, Valmir Monteiro é acusado de ter entregue o Matadouro Municipal de Lagarto à pessoa de Eronildes Almeida de Carvalho, seu amigo de longas datas e correligionário político, a fim de que este o explorasse em benefício próprio.

O promotor requereu também o afastamento imediato dos secretários Anderson Souza de Andrade, de Finanças, e Floriano Santos Fonseca, de Administração, além do administrador do Matadouro, Eronildes Almeida de Carvalho.



Política
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Por Eugênio Nascimento
14/06
10:08

Eleições 2018 - João Tarantela acredita que escapa da inelegibilidade

O pré-candidato do PSL ao Governo de Sergipe, João Tarantela, informou ao blog que acredita que a sua pendência junto à Justiça Eleitoral, que o torna inelegível, será resolvida logo em breve. O problema foi detectado pelo TRE/SE. Tarantela teria abastecido um carro na campanha eleitoral de 2014 com dinheiro de sua empresa.  Teria a obrigatoriedade de o fazer com recursos de campanha.


Política
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Por Eugênio Nascimento
14/06
09:56

Cesta básica de Aracaju chegou aos R$349,29, em maio

O valor da cesta básica de Aracaju (SE) ficou em R$349,29, em maio de 2018, o quinto menor entre as capitais pesquisadas. Na comparação com o mês anterior (abril/2018), a cesta básica aracajuana registrou elevação de 2%.  A informação foi divulgada pelo Boletim Sergipe Econômico, parceria do Núcleo de Informações Econômicas (NIE) da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e do Departamento de Economia da UFS, com base nos dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica, realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE)

 

O aumento dos preços não atingiu apenas Aracaju. As outras capitais pesquisadas também registraram elevação nos valores das suas cestas básicas, em igual período de comparação, as únicas exceções foram Belo Horizonte e Manaus, que apresentaram reduções de 0,39% e 0,82%, respectivamente. Entre as maiores altas estão as registradas em Campo Grande (5,22%) e Florianópolis (3,49%).

 

O menor valor da cesta básica, no mês de maio de 2018, foi observado em Salvador (R$327,56). Já os maiores valores foram registrados no Rio de Janeiro (R$446,03), Florianópolis (R$441,62) e São Paulo (R$441,16).

 

Na comparação anual (maio/2017), apenas duas capitais registraram elevação no valor da cesta básica, foram elas: Rio de Janeiro (0,78%) e Campo Grande (0,77%). Em Aracaju houve retração de 5,85% no valor da cesta básica, e entre as demais capitais pesquisadas, as retrações mais expressivas ocorreram em Recife (-11,3%) e Goiânia (-7,2%), todas as variações são em termos absolutos, ou seja, sem considerar o efeito da inflação no período.



Economia
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Por Eugênio Nascimento
14/06
09:46

O grande timoneiro do MDB sergipano

Afonso Nascimento - Professor de Direito da UFS

 

Recentemente falecido, José Carlos Mesquita Teixeira nasceu em Aracaju na segunda metade dos anos 1930 do século passado, mas foi registrado como natural de Itabaiana, terra de sua mãe e de seu pai. Sua mãe tinha o segundo grau e tocava piano, enquanto seu pai não conseguiu concluir o primário e foi mais um exemplo do self-made man da cidade serrana. Oviedo Teixeira foi um novo rico, muito rico integrante da burguesia comercial sergipana.

Enquanto criança e adolescente José Carlos Teixeira frequentou algumas das melhores escolas sergipanas e uma escola de elite de Salvador, o Colégio Marista. Voltou a Aracaju porque não se adaptou às regras da escola, à sua comida e ao fato de os diretores dessa tradicional instituição baiana não permitir que ele fizesse uso de seu piano. Em solo sergipano, concluiu o curso de técnico em Contabilidade. Bem mais tarde, ele fez curso superior em Ciências Contábeis e  sua esposa estudou Pedagogia em Brasília.

José Carlos Teixeira foi um amante da música clássica, a música dos grandes mestres. Naturalmente, esse gosto veio da parte de sua mãe, pois o seu pai sempre foi um comerciante desde criança. Não tinha capital cultural desse tipo para lhe passar, mas lhe permitiu nascer como um menino rico. Aprendeu a tocar piano com sua mãe e com outros professores de Aracaju. Era elitista e não gostava de música popular. A sua paixão pela música clássica e pelas artes em geral fez dele um político diferente da maioria da classe política brasileira.

Foi um empresário ligado ao comércio de automóveis, segundo documento oficial da Câmara de Deputados. Em Brasília, tinha uma empresa gráfica que trabalhava para o Senado. Em razão disso, ocupou cargo importante no Sindicato das Indústrias Gráficas e foi diretor da Federação das Indústrias Gráficas de Brasília de 1974 a 1982. Todavia, a seu  principal métier foi o de político profissional.

O seu interesse pela política veio de sua família. Seu pai gostava de política. O tio de seu pai, Antônio Oviedo Sobrinho, fez política em Itabaiana até os anos 1930. O seu tio Silva foi prefeito de Itabaiana e deputado estadual com vários mandatos e presidente da Assembleia Legislativa. Assim, nada mais natural que se envolvesse na política. Em sua trajetória, foi deputado federal por quatro vezes e pertenceu ao conservador PSD, depois ao MDB durante o regime e, por fim, ao PMDB. Ainda na política, foi prefeito biônico de Aracaju por sete meses, nomeado pelo político dos militares João Alves Filho, de quem também foi vice-governador. Ocupou outros postos políticos por indicação política como secretário de Estado da Cultura de João Alves Filho, a direção de captação da Caixa Econômica Federal e participou de diversos conselhos.

Nunca foi um político de esquerda,  nem de centro esquerda, mas um liberal de boa linhagem. Enquanto político nunca foi incluído por ninguém  na lista dos “autênticos” do MDB. O seu trabalho mais importante como político foi, a partir de 1966, fundar e presidir o MDB durante o regime militar sempre de forma firme e equilibrada e fez o mesmo com o PMDB  em 1979. O MDB sergipano era uma frente heterogênea composta por alguns políticos de esquerda ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), alguns liberais e uma porção deles que poderiam estar bem à vontade na ARENA, o partido da ditadura militar. Ulysses Guimarães foi uma espécie de José Carlos Teixeira sergipano para o Brasil. Foi o seu grande timoneiro.

Com o golpe militar de 1964, muitos sergipanos foram presos, no meio dos quais estavam comunistas e não-comunistas. Ele se lembra dos seguintes presos nas visitas de solidariedade que fez à "colina": Alencarzinho, Vianna de Assis, os dois irmãos Maia de Propriá, Chico Varela, etc. A maioria dos presos por ele identificada fazia parte da cúpula do PCB em Sergipe.

De acordo com ele, muita gente foi presa injustamente. Entre as razões para isso, ele cita “problemas de ordem pessoal, despeito, mediocridade”. A duração das prisões no 28 BC variava dependendo do caso. Alguns ficavam poucos dias e em seguida eram libertados, enquanto outros lá permaneciam por mais tempo. José Carlos Teixeira ia visitar esses presos políticos ou na sexta-feira ou na segunda-feira. Nessa época era deputado federal pelo PSD. Para José Carlos Teixeira, as prisões de 1976 foram mais duras, ocasião em que, por conta de torturas, o militante comunista Milton Coelho perdeu a visão.

Segundo José Carlos Teixeira, as prisões de 1976 se deveram ao fato de pessoas tentarem reorganizar a sociedade depois do fracasso da luta armada e fazerem isso na clandestinidade. Essas pessoas pareciam ignorar que Sergipe era uma “terra de muro baixo, (onde) todo o mundo sabe quem é quem, o que faz e o que não faz”. O grande timoneiro do MDB é sempre lembrado por ter feito discurso na Câmara de Deputados denunciando tais prisões e torturas encabeçadas por militares da "linha dura" que não queriam o fim da ditadura.

Não terminaremos este pequeno texto sem destacar o importante papel de José Carlos Teixeira enquanto membro e presidente da Sociedade de Cultura Artística de Sergipe (SCAS). Essa instituição sem fins lucrativos tinha sido fundada pelo antropólogo Felte Bezerra e era dedicada à promoção das artes e da cultura em geral, numa sociedade que era um deserto cultural. Somente o trabalho desse homem de cultura à frente da SCAS merece um artigo em separado para registrar os seus esforços pessoais enquanto promotor cultural, juntamente com outras figuras como Bonifácio Fortes, Alberto Carvalho, Ivan Valença, Djaldino Mota Moreno, José Silvério Leite Fontes, entre outros. Além da SCAS, José Carlos Teixeira também foi fundador da Aliança Francesa de Aracaju.

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Texto construído a partir de entrevista inédita José Carlos Teixeira concedida em 2002 ao vice-reitor da Universidade Federal de Alagoas, José Vieira da Cruz, que gentilmente nos permitiu acessá-la. 

Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
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