10/09
10:57

Chapa encabeçada por João Daniel vence eleição para o Diretório Estadual do PT/SE


Filiados e filiadas do Partido dos Trabalhadores (PT) foram às urnas para escolher as chapas que dirigirão a sigla no próximo período. Em Sergipe, 6.200 petistas compareceram à votação que escolheu para a direção do Diretório Estadual do partido a chapa “Várias forças, uma só luta – Lula livre”, encabeçada pelo atual presidente e deputado federal João Daniel, com 5.387 votos, 88,8% do total de votantes. A chapa “A esperança é vermelha”, liderada pelo presidente da Central Única dos Trabalhadores em Sergipe (CUT/SE), Rubens Marques, o professor Dudu, teve 679 votos (11,20%).
 
 
“Gostaríamos de agradecer a todos os filiados e filiadas que participaram do nosso Processo de Eleição Direta (PED) e que ajudam construir este grande projeto do povo brasileiro que é o Partido dos Trabalhadores, que mostrou, quando foi governo federal e estadual em Sergipe, compromisso com o estado democrático, com as políticas públicas de inclusão social e de geração de emprego”, declarou João Daniel. Ele acrescentou ainda que o grande objetivo da chapa que representa é valorizar e respeitar o debate interno no partido, das mais diversas correntes, sempre com o objetivo de buscar uma unidade em torno de um objetivo maior.
 
 
O presidente estadual do PT acrescentou que, passado o PED, agora o momento é de preparação para um grande debate no Congresso Estadual e Nacional do partido, que deve ser realizado nos meses de outubro e novembro, respectivamente. “O congresso é um momento muito importante e vamos debater para que o PT continue sendo um partido de massas, um partido da classe trabalhadora, um partido que dê esperança e confiança à militância que faz as lutas em defesa desse país e na defesa de uma sociedade justa, igualitária e fraterna. Um PT para combater as injustiças, as desigualdades sociais e este é o nosso lema: não daremos trégua até o dia em que cada trabalhador e trabalhadora tiver direito à moradia, à terra para trabalhar, à educação pública de qualidade, à saúde pública e um país com soberania nacional”, destacou.
 
 
De acordo com João Daniel, uma das principais tarefas do Partido dos Trabalhadores neste momento é a libertação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e construir um grande movimento nacional em defesa do Brasil e da soberania nacional que está ameaçada por este governo entreguista.
 
 
Resultados
Em Aracaju, a chapa mais votada foi a encabeçada pelo atual presidente do diretório municipal, Jefferson Lima, com 625 votos. Em segundo lugar a chapa representada pelo professor Correa, que teve 64 votos. Já a chapa nacional mais votada foi a Resistência Socialista, com 2.416, seguida da CNB (1.988), Militância Socialista (514), Articulação de Esquerda (469), EPS (283), Movimento PT (229), Repensar o PT (26), Diálogo e Ação Petista (11), Na luta ruas e redes (11).
 
Por Edjane Oliveira
Foto: Márcio Garcez
 


Política
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Por Kleber Santos
09/09
09:40

Dia do Contador será comemorado no dia 21 de setembro pela SBC

A Sociedade Brasileira de Contabilidade (SBC), organização não-governamental voltada para a classe contábil, cujo presidente é o contabilista Josevaldo Mota, realizará a festa do Contador 2019, no dia 21 de setembro, em comemoração ao Dia do Contador, celebrado no dia 22. O evento acontecerá a partir das 21 horas, no Boteco Garcia, na Avenida Jorge Amado, em Aracaju.

“Convidarmos a todos os profissionais da Contabilidade de Sergipe para prestigiarem esse evento em comemoração ao Dia do Contador e que haverá muita alegria, música e descontração”, disse Josevaldo Mota. Mais informações podem ser obtidas pelo número: (79) 998624406.


Variedades
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Por Kleber Santos
08/09
11:40

Sergipe no século XXI (10): Perspectivas e reposicionamento estratégico

Ricardo Lacerda
Professor da UFS

 
Algumas conclusões sobre a evolução da economia sergipana nas duas primeiras décadas do século XXI: Durante o ciclo expansivo da economia brasileira (2004-2014), Sergipe apresentou crescimento acelerado do emprego e da renda, deixando para trás o período de baixo dinamismo que marcou a maior parte da década de 1990. Diante da natureza do ciclo, marcado pelas políticas públicas de inclusão social, a expansão da renda caminhou à frente das transformações nas estruturas produtivas, o que não significa que elas não tenham sido amplas. Pelo contrário, o ciclo de expansão nesse período foi o mais abrangente e dinâmico desde que nas décadas de setenta e oitenta a economia estadual sofreu radical transformação com a implantação de grandes unidades produtivas na cadeia de petróleo e gás e de fertilizantes.
 
Diversificação
É necessário distinguir, todavia, o período anterior de transformações da base produtiva estadual, liderado pelos investimentos estatais, com o ciclo expansivo mais recente, em que o crescimento da renda e do poder de compra interno, ao lado da ampliação dos investimentos públicos em infraestrutura social (educação, recursos hídricos e saneamento, entre outros), impulsionou em um segundo momento os investimentos privados atraídos pelo crescimento acelerado do poder de compra regional e local.
 
Como visto nos artigos anteriores, a economia agrícola sergipana apresentou dinamismo considerável nas duas primeiras décadas do século XXI, ainda que alguns setores tenham ficado para trás; enquanto os cenários externos e internos permaneceram favoráveis, a exploração da base de recursos minerais apresentou notável crescimento; e, as atividades tipicamente urbanas, em parte orientadas pelo crescimento da renda e pelo acesso ao crédito, como a indústria de transformação, a construção e civil e a prestação de serviços, se diversificaram e apresentaram intenso dinamismo.

 
Impactos da recessão
A recessão da economia no âmbito nacional, iniciada em 2015, atingiu com muita intensidade a economia sergipana, provocando impactos mais acentuados do que na maioria das Unidades da Federação, em diversas dimensões: no mercado de trabalho, no poder de compra interno, nos investimento em estrutura produtiva e nas finanças públicas. A economia sergipana, como as de outras Unidades da Federação muito dependentes dos fluxos de renda e produção gerados pela exploração petrolífera, registrou, desde então, reveses acentuados, alguns de caráter conjuntural e outros mais profundos, que vão exigir reposicionamentos em sua estratégia de desenvolvimento.
 
Em linhas gerais, as principais causas desses impactos diferenciados sobre a economia estadual podem ser associadas a alguns fatores fundamentais: 1) Fim do ciclo longo de valorização de commodities e a crise empresarial da Petrobras, levando a forte retração da produção de algumas das principais riquezas estaduais. Entre outros impactos, o fim do período favorável nas cotações das commodities minerais e energéticas e o reposicionamento da Petrobras implicaram: a) Queda abrupta na produção de petróleo nos campos maduros de Sergipe; e b) Adiamento, de 2018 para 2023, do início da exploração do petróleo de águas profundas e ultraprofundas, enquanto os campos maduros não recebiam os investimentos necessários para manter os níveis de produção; c) Postergação dos investimentos para a exploração de sais de potássio provenientes da carnalita; 2) Os efeitos do longo período de estiagem sobre algumas das principais culturas agrícolas do Estado e na geração de energia elétrica da UHE de Xingó; 3) Retração do setor imobiliário e seus desdobramentos na fabricação de cimentos; e, 4) Queda na produção no setor têxtil estadual, com o encerramento da atividade de algumas importantes fábricas. Não menos significativos foram os efeitos da recessão econômica sobre as principais fontes de receitas das administrações públicas, estadual e municipais.
 
 
Perspectivas
As perspectivas de saída da crise para Sergipe estão associadas a alguns fatores de curto e médio prazos, de caráter mais conjuntural, e outros de longo prazo, de sentido mais estrutural.
 
Começando pelos fatores de curto e médio prazos, algumas atividades que sofreram retrações muito acentuadas da demanda, que provocaram o encerramento de unidades produtivas ou redução de grande proporção de seus tamanhos, como a produção de minerais não metálicos e de madeira e móveis, integrantes da cadeia de produção da construção civil, deverão se recuperar na medida em que um novo ciclo de expansão se firme na economia nacional.
 
Desde que a capacidade produtiva não tenha sido desmobilizada e a situação de endividamento empresarial encontre um caminho para equacionamento, tais atividades deverão acompanhar um novo ciclo de expansão, mesmo que seja com estruturas empresariais reconfiguradas.
 
 
No caso das atividades agrícolas do Semiárido, o fim do atual período de estiagem repercutirá imediatamente na produção. Como visto, a resposta das culturas temporárias do Semiárido, especialmente do milho, é muito intensa. A situação da cana-de-açúcar é mais complexa, diante do endividamento dos principais grupos empresariais atuantes no setor. Também a geração de energia da UHE de Xingó deverá ter retomada imediata à medida que a vazão do São Francisco retorne à média histórica. Essas flutuações do nível de atividades associadas à prolongada recessão nacional ou ao regime de chuvas explicam, todavia, somente uma fração da crise estadual.
 
Reposicionamento estratégico
 
A outra parcela, mais importante do que a primeira em uma perspectiva de longo prazo, diz respeito ao reposicionamento estratégico da economia sergipana frente às transformações da economia nacional, em particular, as mudanças em curso no mercado de energia e na exploração de petróleo. É necessário levar em consideração, também, o contexto mais amplo do cenário mundial, de revolução tecnológica e de novo equilíbrio geopolítico mundial. Esse ponto será tratado no próximo artigo, que completa a série sobre a evolução da economia sergipana nas duas primeiras décadas do século XXI.


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
08/09
11:31

Tobias Barreto, o Advogado

Clóvis Barbosa
Blogueiro e conselheiro do TCE/SE
 
 
No mês de junho deste ano de 2019, comemoramos cento e oitenta anos de nascimento e cento trinta da morte deste grande sergipano, Tobias Barreto de Menezes. Nascido em 1839, na Vila de Campos do Rio Real – hoje Tobias Barreto – foi filósofo, escritor, poeta, jurista, líder de um movimento intelectual que culminou na chamada Escola de Recife, crítico nas áreas filosóficas e jurídicas, patrono da Cadeira 38 da Academia Brasileira de Letras, e um dos mais consagrados nomes da história deste país em todos os tempos. Está entre os cinco juristas brasileiros biografados no dicionário de Michael Stolleis, historiador do Direito, professor em Frankfurt na Johann Wolfgang Goethe Universitat. O dicionário, de 700 páginas, destaca os cinco maiores juristas do Brasil: Tobias Barreto (sergipano), Pontes de Miranda (alagoano), Teixeira de Freitas e Ruy Barbosa (baianos) e Clóvis Bevilaqua (cearense). Tobias também consta na enciclopédia espanhola Juristas Universales e no Diccionario Critico de juristas españoles, portugueses y latinoamericanos.
 
Nomes consagrados da área do direito, como Eugenio Raúl Zaffaroni, na Argentina, Mário Losano, na Itália, e Luiz Jiménez e Asúa, na Espanha, não se cansam de reconhecer o valor e a inteligência de Tobias, sempre citando as suas teses em várias obras. Em trabalho que escrevi para a contracapa de Estudos de Direito II - de suas obras completas organizadas por Luiz Antonio Barreto, Editora Diário Oficial do Estado de Sergipe - tive a oportunidade de salientar que nos seus cinquenta anos de vida, Tobias teve uma existência agitada, participativa e polêmica, principalmente a partir de 1862, quando ingressou como estudante na Faculdade de Direito de Recife. Não tinha receios de colocar suas posições e não fugia do debate, deixando ali sua marca, tanto que até hoje aquela instituição de ensino é chamada de “A Casa de Tobias”. Além de doutrinador, Tobias também advogou no interior pernambucano e é essa militância que vamos abordar nesse pequeno ensaio.

 
Durante cerca de dez anos, de 1871 a 1881, Tobias Barreto exerceu atividades forenses no município de Escada. Foi Curador Geral dos Órfãos, advogado militante e, eventualmente, juiz municipal com alçada no Comércio, na qualidade de 1° Suplente. É bem verdade que as petições subscritas pelos advogados, nos diversos processos que patrocinam, ainda não merecem qualquer interesse cultural dos estudiosos. No entanto, a jurisprudência firmada pelos Tribunais, em qualquer parte do mundo, sempre é provocada pelo talento dos advogados, através de teses inovadoras levantadas em suas defesas. Daí é que Tobias Barreto tem merecido maiores encômios como doutrinador no campo jurídico, enfocando nos seus discursos, artigos e monografias temas ligados à filosofia do direito, ao Direito Civil, Constitucional, Penal, Processual Civil, etc. Mas é o próprio Tobias que reconhece a influência do seu exercício na advocacia em sua obra doutrinária, em carta dirigida ao amigo Sílvio Romero, datada de 24 de outubro de 1887:
 
 
“É preciso observar que a nova intuição que comecei a apresentar sobre o direito principiou no terreno prático. Foi como advogado, em matéria criminal, que abri um novo caminho, - o que me valeu boas descomposturas e grosseiras pilhérias, quer no júri, quer em autos”. Aliás, o próprio Albert Einstein já dizia que o “pensamento lógico puro não pode nos proporcionar qualquer conhecimento do mundo empírico; todo conhecimento da realidade parte da experiência e nela termina. As proposições a que se chega por meios lógicos exclusivamente são completamente desprovidas de realidade”. Prova irrefutável que todo conhecimento teórico tem como pressuposto básico a experiência. Conhece-se esta faceta de Tobias, o da militância advocatícia, graças a um trabalho de pesquisa patrocinado pela então Subsecretaria de Cultura e Arte, órgão ligado à Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Sergipe, que tinha como seu dirigente, à época, o jornalista Luiz Eduardo Costa.

 
A professora Maria Andrelina de Melo resgatou todo este material no Fórum de Escada, sendo o intelectual Jackson da Silva Lima o responsável pelo conhecimento dessa trajetória tobiana, através de artigo publicado na Revista do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe, 1984, n° 6, sob o título “Tobias Barreto: Suas Atividades Forenses”, pág. 91 a 100, e na obra recentemente lançada durante as comemorações em nosso Estado do Sesquicentenário de nascimento e centenário da morte do grande jurista sergipano, “Tobias Barreto – Esparsos e Inéditos”, que organizou, anotou e apresentou. Aracaju, ano 1989. Há advogados, os chamados ativistas jurídicos, que têm inaptidão para conviver com situações injustas e demonstram acendrado amor à liberdade e à democracia, norteando suas defesas na extrapolação dos limites da postulação em prol dos interesses individuais que lhe são confiados, indo além e passando a defender interesses de caráter coletivo, transformando-se em agentes transformadores.
 
Há, também, os advogados que delineiam a sua atividade por um caminho técnico, limitando-se a enfrentar a questão sob a ótica una e exclusiva do interesse individual, procurando nas contradições dos autos, e no caso em si, os instrumentos de sua defesa. Diríamos, sem medo de errar, pelas peças conhecidas de Tobias Barreto de Menezes, que como advogado foi meramente um técnico e como jurista um inovador. É bem verdade que não se poderia exigir para a época uma posição contrária, visto que o ativista, o agente transformador da sociedade na militância advocatícia, surgiu no fim da década de cinquenta, e está tendo, na atualidade, grande desenvoltura. Os argumentos utilizados por Tobias, em suas petições, demonstram esse compromisso com a técnica e com o ritual estabelecido para as peças processuais, ainda candentemente explorados pelos advogados hodiernos. Em habeas corpus requerido em favor do cidadão José Carlos dos Santos, diz:

 
“... O suplicante foi recolhido à prisão, como mostra a certidão junta, por ordem do Subdelegado do 4° Distrito, Félix Pereira de Araújo. Essa autoridade, por demais habituada a prender quem lhe pareça, ainda uma vez cedeu a uma tentação do capricho ou da vingança, declarando, em sua ordem, que não teve uma justa causa para prender o suplicante, e recorrendo, por isso, ao fútil motivo de averiguações policiais, - motivo que não tem crédito, que já se acha corrompido à força de abusos e desmandos...”. Na arrematação das petições, a linguagem jurídica presente nos nossos dias era uma tônica, como “... Confiando no espírito de coerência que é uma das formas do espírito de justiça, espera o embargante...” ou “... Não há mister de prolongar-nos. O direito da causa que defendemos é inconcusso. Do critério e ilustração do digno julgador, é de esperar, como esperamos, favorável decisão”, ou ainda, “... Senhor! O agravante não tem por si a justiça. A sentença agravada merece ser mantida, negado provimento ao agravo, e condenado o suplicante nas custas, por ser de suma justiça”.

 
Não há novidade, portanto, nesta atividade cultural de Tobias Barreto, em que pese a sua frustração, mais tarde, com o Poder Judiciário, mais especificamente a justiça de Escada. Em artigo publicado na imprensa de Recife, aconselhado a desagravar-se das afrontas que vinha recebendo, desabafou: “Eu bem quisera reclamar justiça, mas não sei onde a justiça mora; e quando o soubesse, não fica bem a um homem velho entrar de dia em casa de uma prostituta” (O Cerco de Minha Casa, in Polêmicas, Obras Completas, volume II, 1976, p. 359, citado por Jackson da Silva Lima no artigo mencionado para a Revista do Tribunal de Justiça).

 
Este desencanto de Tobias com a Justiça não deixa de ser um fato isolado, porquanto na doutrina, nas opiniões expostas sobre os vários ramos do direito, demonstrou toda a sua capacidade intelectiva na análise dos temas. Foi um simples advogado que amou a profissão na sua beleza, na sua força, na sua humildade, nas suas aflições, no que comporta de abnegação, de lealdade, de desinteresse, de desassombro, de probidade e de vibratilidade. E foram as angústias, as injustiças vivenciadas no dia a dia do exercício advocatício, a falta de acesso da maioria da população ao poder judiciário, onde as leis escritas não representavam a vontade geral como expressão da soberania popular, que formataram o estilo crítico, o sarcasmo e, sobretudo, a postura de superioridade diante daqueles que aderiam ao sistema. Se é que existem três tipos de comportamento na sociedade - caracterizados por uns que aderem, outros que se escondem na neutralidade e aqueles que combatem o sistema - Tobias incorporou este último tipo, dada a implacabilidade com que atacava os tíbios de caráter.

 
Em tudo que fez Tobias foi um revolucionário. E não poderia ser diferente na advocacia. Polêmico, sim. Por isso desagradava a todos que pudessem contrapor à defesa de suas teses. Seguia à risca o entendimento de que a maior arma do profissional do direito era a palavra. Foi um defensor da essencialidade da advocacia no processo de administração da justiça e no asseguramento da defesa dos interesses das partes. Para ele, sendo um conhecedor da lei, o advogado tinha a obrigação de lutar por uma sociedade justa, democrática e contra qualquer tipo de desigualdade, razão de tantos conflitos, genocídios, perseguições e exploração do homem pelo homem. Por isso, o direito só teria significado se partisse de uma análise da prática social, fincada no empirismo e na disputa aberta pela vitória da justiça sobre a lei. Bom seria se a advocacia e o direito de hoje voltassem os olhos para essas suas lições. Salve Tobias Barreto de Menezes.
 
Clóvis Barbosa escreve aos sábados, quinzenalmente.


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
05/09
07:39

Acúmulo de vínculos: TCE libera consulta para governo e prefeituras


O Tribunal de Contas (TCE/SE) já disponibilizou para a Secretaria de Estado da Administração a ferramenta de busca na qual é possível rastrear casos de servidores públicos com acúmulo ilegal de vínculos. A previsão é de que, até o final do mês, as prefeituras também tenham esse acesso.

Conforme o conselheiro-presidente, Ulices Andrade, a ideia é que os jurisdicionados atuem de forma preventiva, verificando se seus novos servidores estão vinculados a outros cargos públicos, antes mesmo de nomeá-los.

"É mais uma forma que encontramos de combater o desperdício de dinheiro público; se os próprios gestores verificarem essas situações com antecedência, evitarão que o erário seja lesado", ressalta o conselheiro-presidente, Ulices Andrade.
 


Política
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Por Kleber Santos
02/09
21:40

Belivaldo: Reforma da Alese é um presente à sociedade sergipana

O governador Belivaldo Chagas (PSD), durante a solenidade que marcou oficialmente a entrega da obra de reforma da fachada do prédio Construtor João Alves, que sedia a Assembleia Legislativa de Sergipe, parabenizou o presidente da Casa, deputado estadual Luciano Bispo (MDB), e registrou que a obra em questão “é um presente dado à sociedade sergipana”.

Belivaldo falou que a Alese é a “caixa de ressonância” da sociedade e que avalia sua reforma como positiva porque a Casa se torna “cada vez um ambiente mais acolhedor, tanto carinho e dedicação de todos que fazem este Poder, em especial, o deputado Luciano Bispo. É muito bom que ela continue assim, tão bonita e tão bela. Aqui sinto-me em casa, onde passei 16 anos, ao lado de amigos e amigas deputadas”.

Governador cumprimenta Luciano Bispo

O governador disse que durante sua trajetória na Assembleia “combateu o bom combate”, defendendo os interesses da sociedade. Para ele a cada dia a Alese desempenhado um papel importante para a democracia. “Sem essa harmonia entre os poderes, não teríamos como seguir em frente em um momento tão difícil. Fato que o Executivo tem encontrado, no Legislativo e no Judiciário, a compreensão do que é governar um Estado em um momento de tantas dificuldades. Todas as vezes em que precisamos, temos o apoio do Legislativo”.

Além do Legislativo e Judiciário, Belivaldo também ênfase à parceria com a Defensoria Pública e com o Tribunal de Contas. Por fim, ele novamente destacou o empenho do deputado Luciano Bispo. “Vejo que hoje Luciano (Bispo) está se sentindo como um pai de família que arruma sua casa, quando sua filha resolve noivar para fazer um belo casamento. Deixou a Casa do Povo de Sergipe bela, transparente e escancarada com a TV Alese levando sua mensagem para mais e mais residências”.

Agência Alese
Foto: Jadílson Simões


Política
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Por Kleber Santos
01/09
22:35

Sergipe no século XXI (9): As atividades de Serviços

Ricardo Lacerda
Professor da UFS

Um dos aspectos mais característicos da evolução da economia brasileira depois da crise financeira internacional foi o descolamento do desempenho da atividade manufatureira em relação à trajetória do PIB. De tal forma que a sobrevida do crescimento da economia brasileira até 2013 se deveu ao desempenho dos demais setores, especialmente à contribuição das atividades de serviços. 

O Gráfico apresentadoretrata esse comportamento, mostrando que a evolução do volume de produção da indústria de transformação se manteve colada ao PIB até o terceiro trimestre de 2008, na série que registra a média de quatro trimestres. Depois que despencou, em 2009, e retomou ao patamar anterior ao da crise, com o Pibão de 2010, a atividade manufatureira entrou em uma fase problemática. Entre 2011 e 2013, a produção manufatureira não mais apresentou crescimento digno de nota e, a partir de 2014, iniciou uma trajetória de queda acelerada, seguida pela estagnação, da qual não se recuperou até o momento.
 
Enquanto isso, as atividades de serviços, embaladas pela continuidade da expansão do mercado de trabalho e do crédito, mantiveram o crescimento até 2014, quando, então, o setor não resistiu ao choque de austeridade comandado pelo ministro Joaquim Levy, e passou a apresentar resultados negativos. 

Serviços X Indústria manufatureira
Na média dos quatro trimestres completados no segundo trimestre de 2019, o volume de produção das atividades de serviços no Brasil se situava16,2% acima do resultado de 2008, enquanto a indústria de transformação apresentava índice 12,8% abaixo. Ou seja, desde 2008, em relação à evolução das atividades de serviços, a indústria de transformação apresentou um desempenho 29% inferior. 

Diante dos comportamentos diferenciados, a indústria de transformação brasileira perdeu, entre 2008 e 2018, participação de 5,2 pontos percentuais no valor adicionado bruto, enquanto as atividades de serviços ampliaram seu peso em 6 pontos percentuais. Esse comportamento se repetiu, com diferentes intensidades, nas economias estaduais.




Serviços em Sergipe
Em Sergipe, as atividades de serviço elevaram de 61,4%, em 2002, para 75%, em 2016, a participação no Valor Adicionado Bruto, um ganho de participação de 13,6 pontos percentuais. Nesse período, as atividades industriais perderam 12 pontos percentuais de participação. 

É fato que dos 13,6 pp de incremento das atividades de serviços no VAB estadual no período, 4,5 pp decorreram da parcela redistribuída, de acordo com o peso das várias atividades no VAB de 2002, da perda de peso dos serviços industriais de utilidade pública, associados à queda da geração de energia pela UHE de Xingó. Isolando-se esse fator, ainda restam 8,1 pontos percentuais de incremento da participação das atividades de serviços no VAB estadual.  

Até 2014, enquanto a economia sergipana ainda se encontrava em expansão, os recuos dos Serviços Industriais de Utilidade Pública (SIUP), por conta da queda da vazão no reservatório de Xingó, e da construção civil, depois do estouro da bolha imobiliária, explicaram a quase totalidade do ganho de participação das atividades de serviço. 
Desde 2008, todavia, em processo semelhante ao da economia brasileira,a indústria de transformação sergipana viu sua participação ser rebaixada para o patamar de 6%, quando havia se mantido acima de 8% em todo o período anterior à crise internacional.  

Após 2014, foi a retração nas atividades de exploração de recursos minerais, em grande parte associada à queda da exploração de petróleo e gás, o principal fator de perda do peso do setor industrial e, consequentemente, da elevação da participação do setor de serviços na economia sergipana. 

Na comparação entre os anos extremos, 2002 e 2016, as atividades comerciais foram as que mais ganharam participação no VAB sergipano, saltando de 6,8%, no primeiro ano, para 13%, no último, indicando como o ciclo de expansão de consumo foi importante para a economia sergipana. 

Também apresentaram ganhos expressivos de participação, nessa comparação, as atividades de administração, defesa educação e saúde públicas e seguridade social; as atividades profissionais e administrativas; e os serviços de alojamento e serviços. 

Como, contrariamente ao senso comum, a administração pública vem perdendo peso no emprego formal, o incremento de participação do segmento no valor adicionado pode estar associado aos ganhos salariais no período. 

2015- A crise chega aos serviços 
O segmento de serviços em Sergipe manteve-se em crescimento até 2014, mas sucumbiu à crise brasileira iniciada em 2015. Na média de 2015 e 2016, o comércio se retraiu 8,3% ao ano, o setor de transporte, 10,6% aa, e os segmentos de saúde e educação privadas, 13,3%. 

Desde o início de 2018, o saldo do emprego formal no acumulado de 12 meses do setor de Sergipe sergipano se tornou positivo, com resultados modestos, mas a atividade de comércio varejista e os serviços técnicos e administrativos ainda não estabilizaram o nível de emprego formal.




Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
01/09
22:26

Acrísio Torres Araújo: Um Intelectual Quase Esquecido

Amâncio Cardoso
Um dos estudiosos mais prolíficos e conhecedores de Sergipe foi Acrísio Torres Araújo. Apesar de ter nascido na cidade de Crateús-CE, em 1931, ele pesquisou, estudou, analisou e sintetizou temas sergipanos nos campos da história, geografia e literatura. Desse modo, o professor Acrísio nos deixou um legado relativamente pouco conhecido nos dias de hoje. Durante os anos em que viveu em Aracaju, de 1963 a 1977, ele divulgou suas pesquisas através do magistério, de publicações em jornais e de livros; principalmente didáticos. 

Acrísio Torres formou-se em Direito e Filosofia, em 1955, na cidade de Fortaleza-CE. Oito anos depois, 1963, ele passou a morar em Aracaju com sua mulher, onde criaram seis filhos. Na capital sergipana, o cearense atuou no magistério, em órgãos públicos e privados, a exemplo das escolas Tobias Barreto, Nossa Senhora de Lourdes, Atheneu e Escola Normal. O professor também escreveu em vários jornais aracajuanos. 

Dessa maneira, durante 14 anos o pesquisador de Crateús marcou sua presença em nosso Estado com um trabalho de fôlego, expresso em diversas publicações de cunho didático e algumas biografias. É através de Acrísio Torres que ressurge o interesse pelos estudos de temas sergipenses em nossa historiografia, no início da década de 1970, voltados sobretudo para o público escolar. Esse tipo de obra sobre Sergipe, direcionada aos estudantes, foi primeiramente publicada por estudiosos do início do século XX, a exemplo de Laudelino Freire (1873-1937) e Elias Montalvão (1873-1935). Em 1898, Laudelino Freire publicou Quadro Corográfico de Sergipe, e em 1900 História de Sergipe – resumo didático para o uso das escolas públicas primárias. Anos depois, 1916, Elias do Rosário Montalvão publicaria um livro didático de História de Sergipe para o ensino elementar, intitulado Meu Sergipe. Cinquenta anos depois, Acrísio Araújo renova a produção de sínteses didáticas. 

Desse modo, após dois anos de dedicação à pesquisa nos arquivos e bibliotecas aracajuanos, professor Acrísio iniciou uma série de publicações exclusivamente sobre Sergipe. Vejamos algumas delas: em 1966, ele lança Pequena História de Sergipe. Três anos depois, 1969, vem a lume Geografia de Sergipe. Em 1970, publica História de Sergipe para o Curso Normal. Ainda em 1970, surge a série Leituras Sergipanas para 1ª, 2ª 3ª e 4ª séries elementares. Esta série tinha a virtude de reunir uma redação agradável, objetiva e clara; era acompanhada com estudos dirigidos e belas ilustrações. Dois anos depois, 1972, o professor brindou o público com Literatura Sergipana, apresentando expoentes acadêmicos de nossas letras. No ano seguinte, 1973, sai Minha Terra, Minha Gente, adotado nas escolas do Estado para crianças da 1ª série primária.

Além de livros didáticos, Acrísio escreveu biografias sobre alguns sergipanos ilustres, dentre eles destaco o médico e cirurgião dr. Augusto Leite (1886-1978), patrono da medicina moderna em Sergipe; e o governador Maurício Graccho Cardoso (1874-1950), o administrador mais operoso de Sergipe no início do século XX, ambos foram responsáveis pela construção e administração do Hospital de Cirurgia na década de 1920.

Por sua contribuição intelectual, o professor cearense recebeu o título de cidadão aracajuano, em 1969. Neste mesmo ano até 1973, ele ministrou aulas na Escola Normal de Sergipe. E de 1973 até 1975 foi chefe de Gabinete da Secretaria da Justiça no Governo de Paulo Barreto de Menezes (1925-2016). Logo depois, afastou-se do magistério para ficar a serviço exclusivo do Gabinete e da Companhia de Habitação (COHAB). Acrísio Araújo trabalhou no serviço público por seu fácil acesso às autoridades locais no período do regime de ditadura militar. 

Fato marcante na vida de professor Acrísio foi sua polêmica, através de artigos de jornal publicados em maio de 1973, com a professora e historiadora da UFS, Maria Thétis Nunes (1925-2009). Segundo o próprio Acrísio, a polêmica se deu por conta de algumas críticas e observações impertinentes e de má fé contra seus livros de história. Nesse debate, evidencia-se uma “disputa de campo”: por um lado, a historiadora, ligada à UFS; do outro lado, um bacharel em direito, vindo do Ceará para escrever livros didáticos, para séries elementares, de História e Geografia de Sergipe. 

Apesar do atrito ocorrido com a influente professora, Acrísio Araújo tomou posse na Academia Sergipana de Letras em 1974, já a professora Thétis ocuparia uma cadeira no mesmo sodalício quase uma década depois. Logo em seguida, professor Acrísio recebeu o título de Cidadão Sergipano da Assembleia Legislativa. Mas o novo cidadão sergipense passaria a residir em Brasília, a partir de 1977, onde ingressaria no ano seguinte na Universidade de Brasília (UnB), ministrando aulas até 2002.

Outro fato inusitado, e aparentemente paradoxal, na trajetória do mestre de Crateús foi escrever mais de quatrocentas cartas publicadas no Jornal de Brasília, e todas em completa aversão ao governo do regime militar, ainda em vigor, entre 1978 e 1985, sob pseudônimo de Carlos d’Eça. Enquanto esteve em Sergipe, era próximo ao governo estadual que representava a ditadura, mas quando se mudou para a capital do governo ditatorial passou a fazer-lhe críticas severas num jornal de grande circulação.

Por falar de sua atuação na imprensa jornalística, Acrísio Araújo publicou em livro, no ano de 1999, sua coluna “Pó dos Arquivos”, textos escritos entre 1975 e 1986. Parecia sua última obra de fôlego e sua despedida. 

Ateu confesso, o professor era tolerante e amigo de intelectuais católicos, a exemplo do jornalista João Oliva (1922-2019), com quem mantinha amizade longeva, mesmo através de cartas; e foi Acrísio Araújo quem recebeu o amigo jornalista de Riachão do Dantas na Academia Sergipana de Letras, em junho de 2001; certamente foi a última vez que veio a Aracaju, atendendo a um pedido do confrade para o discurso de recepção.  Acrísio também demonstrava ser um espírito generoso, ao labutar para o público infanto-juvenil, tão carente à época de livros didáticos sobre história e geografia locais.

Pelo conjunto e utilidade de sua obra, o professor Acrísio mereceria ser homenageado com o nome de uma escola pública municipal em Aracaju, a exemplo do que fizeram com Elias Montalvão, autor do Meu Sergipe (1916); e com a professora Maria Thétis Nunes, sua contemporânea e desafeto, autora de História da Educação em Sergipe (1984). Assim pagaríamos um merecido tributo ao pesquisador de Crateús, resgatando sua memória do relativo esquecimento, após intensa dedicação intelectual ao nosso Estado.


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Por Kleber Santos
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