14/10
15:16

O Dia D: 28 de Outubro

José Lima Santana
Professor da UFS

Vem aí o segundo turno das eleições. Para a Presidência da República, os dois candidatos escolhidos pelos eleitores despontam nas pontas, nas extremidades políticas à direita e à esquerda.  E isso causa uma divisão acentuada entre os eleitores. Os extremos vão ao embate. Desde o início da campanha, no primeiro turno, as mídias sociais encheram-se de rivalidades e, até certo ponto, de ódio. Os seguidores dos dois lados que despontavam na dianteira e que acabaram se confirmando para a disputa no segundo turno trocaram farpas, enfrentaram-se, discutiram, debocharam uns dos outros, tendo por ponto central as figuras dos dois candidatos, o do PSL e do PT. 

Na eleição de 2014 também ocorreu uma divisão muito nítida entre os eleitores. Todavia, agora, o acirramento tornou-se muito maior. Há até mesmo laivos de ódio entre alguns seguidores dos dois candidatos, por vezes alimentados por atitudes dos próprios candidatos ou de seus apaniguados mais próximos. 

Nas ruas, a violência, embora em casos pontuais, começa a ser atiçada por conta do acirramento advindo das mídias sociais, dos palanques etc. Evidentemente, há moleques, bandidos, que se aproveitam da situação para dar vazão aos seus instintos animalescos. E bandidos devem ser tratados como tais, no rigor da lei. Não é admissível que a violência possa ganhar as ruas por conta da eleição. Os próprios candidatos devem posicionar-se firmemente contra todo e qualquer tipo de violência. Devem admoestar os seus eleitores. Devem, eles próprios, conforme o caso, conter-se em certas situações. Devem dar exemplos. Devem ser espelhos. Talvez, um mais do que o outro. 

O próprio mercado, no que tange às expectativas em torno da economia, está em sobressaltos. O mercado é conservador, impelido pelo neoliberalismo econômico, e precisa de segurança, de confiabilidade. Um candidato atende mais do que o outro às esperanças do mercado. Porém, este mesmo não tem propostas seguras para a área econômica. O mercado, então, fica “nervoso”. As operações na Bolsa de Valores e o câmbio não se estabilizam a contento. 

O que podem os brasileiros esperar em caso da vitória de um ou de outro candidato? De um lado, alguns temem o retorno do PT. Do outro, temem a instabilidade que poderá advir do PSL. Estaremos num beco sem saída? Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come? Que situação terrível! Qual o menor dos males? Haverá um mal maior e outro menor? 

Vamos esperar o Dia D. O que sairá das urnas poderá ser um filhote de bacurau com pernas de girafa e cabeça de mosquito. Ou outro bicho não muito diferente disso, se for do outro lado. 

Há, ainda, os temores de uma retomada do autoritarismo por parte de um dos candidatos. Autoritarismo de direita e de cunho militar. Mas, do outro lado, há também o temor do mesmo autoritarismo, embora sob outro viés com o aparelhamento cada vez maior do estado por parte de um partido, que, segundo alguns, não tem planos de governo, mas, sim, de poder, como, aliás, um de seus membros condenados por atos de corrupção, apregoou recentemente, obrigando o candidato do seu partido a desmenti-lo. Meu Deus! Dois rumos incertos. Numa verdadeira encruzilhada é onde nós nos encontramos. 

Os dois candidatos tendem a dizer coisas que nunca cumprirão. Dirão apenas para “encantar” os eleitores. Para seduzi-los, cantando o canto da sereia. Que os eleitores possam se acautelar a exemplo de Ulisses, na Odisseia, que se amarrou ao mastro do navio para poder ouvir o canto da sereia sem correr riscos de atirar-se às profundezas do mar sem fim, para nunca mais voltar. Quanto a nós, brasileiros, não devemos cair nas águas dos mares da quimera, que nos querem afundar. 

O Brasil precisa de rumo. Precisa de quem possa nos tirar dessa situação caótica em que nos encontramos, a partir do equilíbrio das contas públicas, cujo déficit beira a 80% do PIB (produto interno bruto). 

O mundo está de olho no Brasil. E o Brasil deve estar de olho no mundo. Mas, nós eleitores devemos estar de olho em quem? 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
14/10
15:09

Universidade pública: um bem de todos

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

Somos um país que precisa acertar alguns passos. Governos após governos, a educação ainda deixa muito a desejar, especialmente no que diz respeito à educação pública. E, mais de perto, à educação pública superior. Tivemos alguns avanços, mas, é preciso avançar muito mais. Não poderíamos conceber uma educação universitária que acabasse servindo, sobretudo, às classes mais abastadas. Uma espécie de reserva de mercado para quem poderia pagar as boas escolas do ensino básico e, assim, ocupar majoritariamente as vagas nas instituições públicas de ensino superior, ou pagar os melhores cursos superiores nas melhores instituições privadas. O que seria, então, dos menos favorecidos? Seriam condenados, por maioria, a encerrar os estudos no ensino médio? Talvez num curso médio profissionalizante? Isto não seria isonômico. Não seria constitucional. Não seria republicano. 

A Constituição Federal assegura a igualdade de todos perante a lei. A lei, por seu turno, aponta direitos iguais quando se trata de buscar o amparo do estado para a prestação de serviços públicos. E que devem ser prestados de forma adequada, como acentua a Lei Maior. Não é preciso ser da área jurídica para saber disto. Aliás, todos o devem saber. 

A luta para que a Universidade pública continue pública deve ser de todos. Pública e com ensino de reconhecida qualidade. A Universidade pública tem sido responsável pela maioria das pesquisas acadêmicas. Pelo volume maior de projetos de extensão. Por uma diversificação inigualável de cursos, inclusive fora do chamado “eixão” de cursos que dão dinheiro fácil e vitrine a muitas Instituições de Ensino Superior da área privada. No Nordeste, especialmente, a Universidade Pública congrega a maioria esmagadora dos projetos de pesquisa e de extensão. E como o Nordeste precisa disso!

Ninguém venha, aqui, falar que nós da área educacional pública, estamos sendo corporativistas e estamos defendendo nossos cargos, aliás, conquistados por meio de concursos públicos, nossos vencimentos e, mais tarde, nossos proventos como futuros aposentados, no tempo devido e de acordo com as regras alusivas à matéria. Não é nada disso. O que estamos falando deve ser devidamente interpretado: nós lutamos ao longo de décadas para que o ensino superior público crescesse em quantidade e em qualidade. Para que todas as pessoas, de qualquer classe econômico-social, tivessem acesso ao ensino superior gratuito. O que conquistamos não deve ser relegado, mas, sim, melhorado e avançado, quem quer que seja o presidente eleito. É o que esperamos. 

O conservadorismo político, embalado pelo neoliberalismo mais avassalador, mais dogmático, estende os seus tentáculos sobre tudo que possa significar redução do estado, a fim de que se chegue ao estado mais acentuadamente mínimo possível. Dizem que é uma imposição das forças mais conservadoras do capitalismo internacional. A razão? Há dinheiro sobrando no mundo dito desenvolvido à espera de oportunidades no mundo dito em desenvolvimento. E, inicialmente, a educação superior passou a ser vista como um dos filões a ser explorado pelo capital internacional. Agora, alguns fundos de investimento norte-americanos e europeus miram também no ensino básico, inclusive em Aracaju, cujo colégio mais tradicional já foi adquirido por um desses grupos econômicos. 

Manter a estrutura educacional superior pública é imprescindível para que o país avance em todos os setores e para que o povo se afirme em sua dignidade. Não há progresso nem desenvolvimento sem educação e esta não pode simplesmente virar simples mercadoria. 

Há situações que precisam ser corrigidas nas Universidades Públicas? Nós temos clareza de que sim. Não somos dos tipos que se acomodam numa tal zona de conforto e ficam cegos. Queremos que a sociedade lute por um direito que a democracia consagrou: a igualdade de todos na luta pelo bem comum. Entendemos que a justiça social deve ser implementada passo a passo, pela conjugação de esforços dos governantes e dos governados. 

Não há bem comum mais precioso do que a educação em todos os níveis. A educação superior pública não deve deixar de ser pública. Esta deve ser a luta de todos que formam as comunidades acadêmicas. E o compromisso de quem nos deverá governar. A quem assim não puder entender, os nossos pêsames. 

Neste momento em que estamos na iminência de escolher o próximo mandatário da Nação, e em que a disputa recai entre um candidato à direita e outro à esquerda, o importante é que quem se eleger, quem merecer a aprovação popular, seja um ou outro, com este ou aquele plano de governo, com este ou aquele modo de governar, tenha a sabedoria de governar para o bem do povo, e não para corporações ou para atender caprichos ideológicos, quaisquer que sejam.

O Brasil precisa avançar muito mais nos âmbitos político, social e econômico. Avançar em sustentabilidade. Avançar nos modos de gestão. Aprimorar a democracia tão duramente conquistada. Quem quer que seja eleito presidente em 28 de outubro deverá ter o compromisso firme, acima de tudo, com a ética. A sociedade precisa estar vigilante. Mudanças foram imprimidas pelos eleitores no primeiro turno das eleições, sobretudo, na composição do Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas. Os eleitores vão querer outras mudanças. E, com certeza, não saberão perdoar a volta dos deslizes tão cruelmente cometidos ao longo dos tempos por tantos mandatários que traíram a sua confiança. 

A Universidade pública é um bem de todos. Que seja aprimorada, mas que continue pública para que todos tenham oportunidade de disputar em condições de igualdade, e de acordo com o mérito de cada um, os mercados de trabalho, as oportunidades profissionais e, essencialmente, de ter como lutar cada vez mais e melhor pela afirmação da cidadania e da dignidade da pessoa humana, como tão bem apregoa a Constituição Federal. 


Colunas
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Por Kleber Santos
14/10
15:06

Quo Vadis?

Clóvis Barbosa
Blogueiro e conselheiro do TCE/SE

Estou particularmente seduzido pelo insight do governo pluripartidário. A lição não é nova. Barack Obama, todavia, rejuvenesceu a ideia. Reconheçamos que a iniciativa não partiu dele, mas de Colin Powell, que identificou no democrata o perfil ideal para o futuro presidente ianque. Nada demais, não fosse o fato de Powell ter sua ideologia tracejada segundo o cânon do republicanismo. Isso sem mencionar que ele ocupou o destacado cargo de secretário de estado numa administração pré-cambriana como a de George Bush. Em resumo, Obama e Powell eram adversários. Depois, contudo, o presidenciável conseguiu contar com o general da reserva no seu governo. Mas por quê? Elementar. Porque, como ensinava o ex-presidente Abraham Lincoln, a melhor maneira de aniquilar um inimigo é transformá-lo num amigo. A história está repleta de lições nesse sentido.

22 de junho de 1941. Londres. Dia em que Churchill manifestou irrestrita solidariedade aos soviéticos, cujo país acabara de ser invadido por Hitler. John Colville, secretário do premiê, entretanto, assombrado com a teórica incoerência do chefe - consistente em aliar-se com os comunistas que, no passado, quis ver esganados - censurou Churchill antes de ele começar o pronunciamento pelo rádio. Diante disso, o experiente primeiro-ministro, na altura dos seus 66 anos, não poderia perder a oportunidade de dar uma lição no assessor. “Meu filho, se Hitler invadisse o inferno, eu, no mínimo, faria uma referência favorável ao diabo”. Qual a lógica de Churchill? Compor com um antigo inimigo (Stalin) para assegurar a governabilidade mundial. Ambos tinham encontrado um inimigo externo comum, que afetava interesses também comuns. Daí, a inevitabilidade da coalizão, até como garantia de manutenção da paz pós-guerra.

A chave do poder, em situações desse naipe, está consubstanciada na permanente vigília que o inimigo impõe. Mas não só. O matiz de governabilidade que busca formar um correligionário no inimigo também parte da premissa segundo a qual este apresentará mais produtividade do que aquela que seria contabilizada pelo amigo. Por quê? Porque o amigo supõe que a contrapartida que ele tem para oferecer ao governante estimado é, única e exclusivamente, a amizade. Acontece que, em política, as relações são de complexidade subliminar. Seu feixe enrijece-se na medida em que elas se aperfeiçoam, encontrando fundamento na capacidade e na competência. Malgrado a etnia os aproximasse, a aliança entre ingleses e americanos foi posterior àquela que se testemunhou entre ingleses e russos, inimigos de antanho. Naquele momento, era útil gerir a guerra com os soviéticos, que demonstrariam gratidão no futuro.

Eis a acepção da coisa. Um inimigo agraciado por sua capacidade de produzir e por sua competência em formular jamais quererá, sequer, passar a impressão de que perdeu tais atributos. O amigo, no entanto, que é beneficiado sem que algum critério técnico acompanhe a nomeação para um cargo qualquer, fatalmente se tornará um ingrato. Sua psique não enxerga a obrigação de provar constante fidelidade. Para ele, a fidelidade sempre esteve provada. Essa proposição, porém, não encontra respaldo antropológico. Fidelidade é algo que se prova dia a dia. Um inimigo congraçado por ser capaz e competente transpira serventia e indispensabilidade. Ele não jogará fora a oportunidade de manter estendido o rol de asseclas. Como preconizam Robert Greene e Joost Elffers, “guarde os amigos para a amizade, mas para o trabalho prefira os capazes e competentes”. No fundo, congraçar tão somente amigos é desgraçar-se.

Prêmio Nobel de literatura em 1905, o escritor polonês Henryk Sienkiewicz (autor do festejado romance Quo vadis?) atesta o quanto é temerário entregar postos de relevante vulto a amigos, simplesmente porque eles são amigos. Quer uma evidência de tal ponto de vista? Imagine o leitor que está na Roma governada por Nero. O único pilar vivo do cristianismo é Pedro, a quem Cristo chamou de pedra angular da sua igreja. A matança de cristãos no obelisco do circo de Nero leva o psicopata ao êxtase. Pedro, de personalidade sempre oscilante (já havia negado o mestre três vezes no passado), resolve fugir da cidade. Já na via appia, tem uma visão. Cristo, carregando sua cruz, caminha em direção a Roma. Assim, Pedro, aturdido, indaga o rabi: “Quo vadis, domine?” (Aonde vais, senhor?). Jesus, de acordo com sermão de Santo Ambrósio, responde: “Venio iterum crucifigi” (Venho ser novamente crucificado).

A rigor, Cristo quis dizer algo do tipo: “Já que não pude contar com o único amigo que tinha para apascentar meu rebanho, vim eu mesmo”. Envergonhado, Pedro voltou. Diz a patrística que foi crucificado de cabeça para baixo. Por outro lado, Paulo (talvez o maior inimigo que o cristianismo já teve) após converter-se nunca temeu a morte e jamais fugiu dela. Por isso, foi chamado apóstolo das nações, escolhido a dedo por Jesus para difundir seus ensinamentos. Um inimigo que se tornou o maior de todos os aliados, porquanto fosse capaz e competente. São Pedro que me perdoe, mas não abrirei mão da tese. Quando nos depararmos com um oponente talentoso, devemos perguntar-lhe:   “Quo vadis?” e trazê-lo para o nosso lado. Coligar-se com quem digladiávamos é usar o aço da espada na armadura. Por conseguinte, faço minhas as palavras de Voltaire: “Deus me proteja dos meus amigos. Dos inimigos, cuido eu”.


Post Scriptum
O cavalo que anda de moto

Toda vez que vou à República Dominicana, onde vive uma parte de mim, surpreendo-me com o modus vivendi do seu povo. Passei recentemente oito dias naquele país, viajando direto por algumas de suas paragens. Punta Cana, Bávaro, Macao, Higüey, Boca de Yuma, Bayahibe, Domínicus, La Romana, San Pedro de Macoris, Boca Chica e Santo Domingo foram locais visitados. Seja por uma “carretera” recém-inaugurada, que liga Santo Domingo a Punta Cana, ou passando por estradas estreitas e sem acostamento, vê-se de tudo, inclusive como o país vive um drama de falta de civilidade no seu trânsito. As motos andam com cinco e até seis pessoas, muitas delas crianças, e o capacete (eles chamam de “casco”) só é obrigatório para o condutor. Presto atenção a tudo. Às placas nas estradas: “No cierre el cruce”, “Motorista use siempre el casco”, “Estación de peaje”, “No olvide usar el cinturon de seguridad”, “Pare em rojo”, “Despacio”, “Redusca velocidad”, “Verifique los frenos”, “Rebase com seguridad”, “Respete las siñales de transito”. E a propaganda política?  “Robert de La Cruz – diputado – Por el desarollo de nuestra província”, “Hamlet Melo, diputado”, “Juan Julio, senador 2016”, “Cholitin, senador – Voi por ti...”, “Ramon Ramires Manolito, síndico”, “Josecito, senador”, “Socrates Dias, regidor”, “José Maria, senador – el senador que el pueblo quiere”, “Juancito, alcalde”, “Miguel, presidente”, “Juana Vicente, senadora – capaz e servidora”. As eleições seriam realizadas em 2016, contudo, a campanha política já estava nas ruas desde o início do ano. As motos tomam conta das pequenas localidades. Nos fins de semana, a população mais pobre dos trabalhadores se reúne numa espécie de bodega para tomar rum. Depois saem, muitas vezes bêbados, conduzindo as motocicletas com até cinco pessoas. Os acidentes batem recordes. Não é à toa que alguns políticos fazem da reivindicação de construção de hospitais traumatológicos a sua bandeira. A par disso tudo, enfrentei nesse período a possibilidade da passagem pela ilha de um furacão (eles chamam de huracan). Estava programado para o dia 25, justamente o dia do meu regresso, porém, aos poucos, “Danny”, seu cognome, foi se debilitando e se afastando em direção à Flórida, Estados Unidos. Segui viagem e, após um banho nas águas do Caribe, retornando ao hotel que estava hospedado, diviso na minha frente uma moto e, na sua garupa, um cavalo com as patas amarradas ao corpo do condutor. Não acreditei no que vi. Tinha que ter a certeza. Perguntei à minha mulher e ao meu filho se eles estavam vendo aquela cena surreal. O meu filho, que mora na República Dominicana, disse que aquilo era comum. Fiquei aturdido e, ao chegar ao hotel, fui pesquisar na internet. E o que eu encontro? Uma foto semelhante ao que testemunhei há alguns minutos. A fotografia, de autoria de Amit Dave/Reutes, mostra uma espécie de cabrito, flagrado na cidade indiana de Ahmedabad. Vivendo e me surpreendendo! 

*Clóvis Barbosa escreve aos sábados, quinzenalmente.


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
07/10
17:56

Os escafandristas

Ricardo Lacerda  
Professor da UFS                  

Nunca tive a veleidade de convencer ninguém a votar em candidato ou partido A ou B. Sempre entendi que cada eleitor, a partir de suas referências, faz sua própria leitura sobre a realidade e se posiciona, independentemente de idade e nível de escolaridade. E depois suporta as consequências de suas escolhas. Converso sim sobre as opções existentes com amigos e pessoas com quem me relaciono.

Nos dias que antecedem as eleições, nem a isso me proponho. Escrevo o presente artigo para registro futuro; não o futuro próximo de 2019 ou 2020 e sim o futuro dos escafandristas que, como nos versos da música de Chico Buarque Holanda, depois de “milênios, milênios no ar (...) virão explorar seu quarto, suas coisas, suas almas, desvãos (...) vestígios de estranha civilização”.

Desencontros

Aqueles que nesse futuro distante se debruçarem sobre a realidade do Brasil de 2018 certamente terão dificuldades para compreender o que se passava nesses tempos tumultuados, marcados pelos desencontros. Como uma sociedade passou tão celeremente de uma euforia e ganhou confiança sobre futuro durante o mais abrangente e socialmente inclusivo ciclo de crescimento de sua história, entre 2004 e 2012; realizou gigantescas manifestações de rua, em 2013, quando as melhorias sociais começaram a mostrar os seus limites; e se afundou em parafuso desde 2015, afastando a presidente eleita, em 2016, alguns acreditando que novos tempos viriam, e se defrontou com a falta de perspectivas e o desencanto nos últimos dois anos?

Claro que uma parcela importante dos problemas atuais tem raízes no exterior, com a crise financeira de 2008 nos Estados Unidos; a contaminação da Europa, em 2011; o comprometimento do crescimento do nosso principal parceiro comercial, a China, em 2013. Mas isso é apenas uma parte do enredo, importante no contexto geral, mas insuficiente para entendermos a dimensão do impasse em que nos encontramos. Sim, a forma e a intensidade com que reagimos aos ventos externos foi muita própria e revelam muito da natureza das nossas mazelas internas.

Há, pelo menos, duas ordens de questões que emergiram quando a economia brasileira começou a perder o ímpeto de crescimento: uma de natureza econômica e social e outra de natureza cultural e moral. Não tenho competência para falar das últimas mas, ainda assim, irei me arriscar a tecer algumas ligeiras reflexões, porque é necessário considerá-las para entender o tamanho da enrascada em que nos metemos.

Na dimensão dos costumes, a agenda de direitos humanos avançou em ritmo acelerado nos últimos dez anos, contemplando o respeito à diversidade, reconhecimento de direitos de minorias, estabelecimento de cotas em concursos públicos, questões de gênero, sexualidade e novos arranjos conjugais. A velocidade com que essa pauta andou, ainda que haja muito caminho a considerar, assustou muitos segmentos da sociedade, abrindo espaço para o oportunismo exacerbado de líderes religiosos que buscaram se capitalizar, no sentido literal e no metafórico, com a reação da sociedade que, se não pode ser classificada de natural, pode ser encarada como compreensível. Os escândalos de corrupção foram mais um ingrediente relevante na percepção de descontrole e de degradação geral dos costumes.

Na dimensão econômica e social, o fim do ciclo de crescimento econômico e de forte inclusão social, repito, o mais importante da história do Brasil, fez aflorar ressentimentos que se acumulavam entre segmentos da classe média tradicional que perdiam relativamente posição social com a significativa ascensão dos pobres, mesmo que os segmentos médios também estivessem melhorando de vida em termos absolutos. De outra parte, a deflagração da crise econômica deu partida à disputa pela distribuição dos custos do necessário e inadiável ajuste fiscal. Nessa contenda, literalmente, quem pode mais, paga menos, ainda que, com a conflagração interna, os custos sociais estejam se revelando muito maiores do que precisariam ser.

As alianças

As alianças sociais que se formaram nas disputas internas, e que estão refletidas na atual corrida eleitoral, são estarrecedoras, apesar de não serem inusitadas. Como, cargas d’água, os chamados liberais, que defendem a menor presença do estado no funcionamento da economia, se aliam aos setores mais conservadores em termos de costumes, em uma aliança sombria que corteja redução de direitos sociais e estímulos à repressão aos novos padrões e costumes? Como os defensores do livre mercado abrem mão dos mais comezinhos padrões de civilidade e passam a apoiar um candidato sustentado por verdadeiras milícias, pela bancada da bala e que defende a discriminação das mulheres e a perseguição implacável a minorias que podem representar 5% ou mais da população.

Apesar das especificidades dos nossos descaminhos, há sim lições a aprender com a comparação do que acontece em outros países. Seja nos Estados Unidos, seja na Europa, seja em quase todos os demais países da Nuestra América, as divisões internas na população se aguçaram nos últimos anos.

Tais divisões tendem a emergir em períodos de crise econômica e social que muitas vezes são também momentos de grandes transformações, tanto na dimensão produtiva e social, quanto nas dimensões dos costumes.

Para além das diferenças arraigadas sobre o melhor caminho para enfrentar a crise fiscal, a respeito do tamanho adequado do estado nacional e sobre qual seria a melhor estratégia de desenvolvimento econômico e social, é necessário recusar o obscurantismo e dizer não a opções que coloquem o país na rota do retrocesso econômico e social.

Os escafandristas se perguntarão no futuro que estranho pacto se formou para fechar as portas de acesso dos mais pobres à melhoria de vida e legitimou a violência e a perseguição às minorias que buscavam apenas serem reconhecidas como parte de uma sociedade diversa. Há sim pactos não legítimos em outras alianças, como a recusa de abrir mãos de privilégios estabelecidos, mas nada tão assustador quanto ao que no referimos. Até o fim a minha palavra de ordem para ressoar no futuro será  #EleNão.


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
07/10
17:54

5 DE OUTUBRO

José Lima Santana
Professor da UFS

Ontem, dia 5, o Brasil comemorou, ou deveria ter comemorado (?) os 30 anos da Constituição Federal. 5 de outubro de 1988. Para o saudoso Ulisses Guimarães, a Carta trintona é a “Constituição Cidadã”. Por um lado, sim. Por outro, não. Afinal, em que pese os muitos avanços em termos de direitos individuais e sociais por ela assegurados, muitos também foram os privilégios que ela abarcou, sabe-se lá o porquê, graças às negociatas entre os senhores constituintes, muitos dos quais nada mais, nada menos, do que “velhas raposas”, da velha política, que parece não passar jamais. Não passa a velha política, nem morrem as “velhas raposas”. Ou algumas delas não morrem, não largam o poder. Ao contrário, tais e quais vermes que comem a madeira carcomida, devoram os carcomidos cofres públicos, que não conseguem guardar, para o uso devido, os nossos suados recursos financeiros, com os quais contribuímos para a efetivação de obras públicas e para a regular e boa prestação de serviços públicos. Ou assim deveria ser.

Constituição Cidadã ou Constituição Cortesã? Há quem sustente a primeira forma. E também há quem defenda a segunda forma. Uma cortesã das mais alcoviteiras. É o que dizem alguns, que enxergam na Constituição uma provedora de privilégios desenfreados.

Bem. Não quero desapontar uns ou outros. Cidadã ou Cortesã, pouco se me dá. A Carta de 1988 é a nossa sétima Constituição (1824, 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988). Há quem insista em dizer que seria a nossa oitava Constituição, pois estes levam em conta a Emenda nº 1/1969, à Carta de 1967, que alterou a maior parte dessa Constituição. Eu prefiro ficar com a sétima. Não reconheço uma Constituição em 1969.

Quando eu comecei o curso de Direito, em 1977, a Carta de 1967 tinha recebido a sua sétima emenda constitucional. Sete emendas em 10 anos. Um absurdo. Nós a tínhamos como uma colcha de retalhos. Era como dizíamos na Faculdade de Direito da UFS. Ocorre que em 10 anos, até outubro de 1998, a Carta atual recebeu nada mais do que 19 emendas, quase três vezes mais. E, passados 30 anos, aproximam-se as 100 emendas. Um absurdo! Uma vergonha! Constituição Cidadã? Se, deveras, o fora, já não o é mais.

No momento, há quem defende a manutenção da atual “colcha de retalhos”, mas, há quem defende a convocação de nova Assembleia Nacional Constituinte. Sinceramente, não sei dizer, de repente, qual deve ser o caminho a ser trilhado. Continuar com a que aí se arrasta, ou promulgar nova Constituição? O que perderíamos? Ou o que poderíamos ganhar? Uma coisa é certa: do jeito que a situação vai, haveremos de ter a Constituição mais emendada do mundo. Talvez.

Estamos no ocaso da campanha eleitoral deste ano. Amanhã, iremos às urnas. Os diversos candidatos à Presidência da República falam em reformas: política, tributária, previdenciária etc. Reformar o estado, eis o que deve ser feito. Reformar as estruturas do poder. Reformar o serviço público, acabando ou minorando o aparelhamento do estado pelos partidos políticos que chegam ao topo do poder ou ajudam a chegar, a fim de fazer-se a pilhagem do butim.

Pobres cofres públicos nos quais as impressões digitais de muitos se sobrepõem ou se misturam nervosamente. Maliciosamente. Indignamente. Dos cofres, raspam o tacho. E muitos apaniguados dos poderosos corruptos os defendem de todos os lados. Como queremos mudar este país? Quando o haveremos de mudar?

Teremos de levar a sério este país do qual se disse que não era um país sério. Continuaremos a não ser um país sério?

Ao festejarmos (se é que temos motivos para tanto) os 30 anos da nossa Constituição, deparamo-nos com a mais atípica das eleições. Eleições com opções de extremos. Para onde poderemos ir? Para onde iremos de verdade?

5 de outubro já se foi. Agora, é esperar amanhã, ou seja, 7 de outubro. O que sairá das urnas? As pesquisas têm razão? Esperemos. Que Deus nos acuda!


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
04/10
16:27

Guarany derrota Santa Cruz e avança para as semifinais da Série A2

Equipe de Porto da Folha é a última a garantir vaga para a fase final do campeonato

Uma partida disputada até o último minuto e com grandes jogadas foi assim a última partida da segunda fase, do Campeonato Sergipano da Série A2. Na tarde de quarta-feira (03) a equipe do Guarany recebeu o Santa Cruz, no estádio Caio Feitosa, em Porto da Folha.

O primeiro tempo foi aquele tradicional jogo fechado e com poucas emoções, mas na segunda etapa o torcedor não teve motivos para arrecadar o pé do estádio. Logo aos 09 minutos o meia Eliomar abriu o placar após cobrança de pênalti.

Não demorou muito e a equipe de Santa Cruz empatou a partida com Micael. A partida continuava bastante disputada até que após cobrança de escanteio o meia Jeffinho marcou o segundo gol do jogo.

Com a classificação para as semifinais, o Guarany vai enfrentar na Arena Batistão, o Maruinense. E o Estanciano vai enfrentar o Sete de Junho, no estádio Brejeirão, em Tobias Barreto. Os jogos da terceira fase acontecem no dia 10/10, às 15h15.

Amanhã, às 14 horas, na sede da Federação Sergipana de Futebol (FSF) a comissão de arbitragem realiza o sorteio para os dois jogos das semifinais. Você acompanha o sorteio ao vivo pelas redes sociais da FSF.

as finais do Campeonato Sergipano acontecem nos dias 14 e 21 de outubro.

Via: FSF
Foto: Reprodução/FSF


Esportes
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Por Kleber Santos
01/10
15:42

Estanciano, Maruinense e Sete de Junho estão classificados para as semifinais da Série A2

Estanciano, Maruinense e Sete de Junho estão classificados para as semifinais da Série A2

O domingo foi de decisão no Campeonato Sergipano da Série A2, promovido pela Federação Sergipana de Futebol (FSF). A segunda fase do estadual teve início neste domingo com três jogos e será finalizada na próxima quarta-feira (03).

Em Aracaju, na arena Batistão, o Maruinense recebeu o Canindé e venceu por 4×1 com gols Jeferson, Ney Maruim, Lagamar e Hudson. O atleta Pedro Carlos marcou o único gol do Canindé. Com a vitória o fantasminha camarada está classificado para as semifinais.

No estádio Francão, no município de Estância, o Estanciano enfrentou o Lagartense e venceu por 2×1. O alviverde até saiu na frente com Guigo, mas Vinícius e o atacante Diego Neves marcaram para o canarinho. Com o resultado o Estanciano está classificado para terceira fase da competição.

Em Tobias Barreto, no estádio Brejeirão o Sete de Junho recebeu o Botafogo de Cristinápolis e venceu por 2×0 com gols Arthur e Toquinho. Com a vitória o Sete de Junho está classificado.

Na quarta-feira, no estádio Caio Feitosa, no município de Porto da Folha acontece o último jogo da segunda fase do estadual entre Guarany e Santa Cruz. A partida está marcada para às 15h15. 

Na terceira fase o Estanciano vai enfrentar o Sete de Junho, no estádio Brejeirão, em Tobias Barreto. E o Maruinense vai enfrentar o vencedor do duelo entre Guarany x Santa Cruz. Os jogos da terceira fase acontecem no dia 10/10, às 15h15.

Já as finais do Campeonato Sergipano acontecem nos dias 14 e 21 de outubro.


Esportes
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Por Kleber Santos
01/10
15:41

Educação: décima primeira audiência pública do MPEduc será em Itabaiana

O evento é voltado à comunidade escolar dos municípios de Areia Branca, Carira, Frei Paulo, Malhador, Pedra Mole, Pinhão, Ribeirópolis e São Miguel do Aleixo

A décima primeira audiência do Projeto Ministério Público pela Educação (MPEduc) está marcada para o dia 16 de outubro. O evento ocorrerá às 8h, no Colégio Estadual Murilo Braga, localizado na rua Quintino Bocaiuva, nº 659, Centro, Itabaiana (SE). Confira aqui o edital.

No evento, os gestores de Areia Branca, Carira, Frei Paulo, Malhador, Pedra Mole, Pinhão, Ribeirópolis e São Miguel do Aleixo vão expor as políticas educacionais que têm sido e que serão aplicadas para o cumprimento do pacto pela educação sergipana. A audiência é aberta ao público interessado, especialmente à comunidade escolar dos municípios que serão discutidos na oportunidade.


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Por Kleber Santos
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