25/07
03:31

Sergipe: Subsecretário de Estado é sequestrado em P. Redondo

O subsecretário estadual de Articulação com os Municípios, Jorge Araújo, foi abordado por bandidos fortemente armados no povoado Sítios Novos, município de Poço Redondo, distante cerca de 185 Km de Aracaju. O subsecretário estava com o motorista, a senhora Angela, que é líder comunitário da região e uma sobrinha dela, de apenas 13 anos. O motorista Jair dos  Santos, de 39 anos, conta que o fato ocorreu por volta das 20h30 quando o grupo estava voltando do povoado Patos. “A rodovia estava toda escura e quando observei tinha aqueles homens parados armados, bloqueando a estrada”, lembra o motorista que tentou retornar com o veículo, mas os bandidos atiraram.“Quando tentei voltar na estrada, eles começaram a atirar no carro e não teve como continuar, o secretário ficou com medo e pediu para que eu parasse o carro”, conta Jair que foi colocado na mala do carro e ao perceber o descuido dos marginais, conseguiu escapar. O fato aconteceu na noite do sábado e maiores detalhes devem ser divulgados nesta segunda-feira.


Variedades
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Por Eugênio Nascimento
24/07
17:01

O caso de Propriá -- Didivir mandato com vice preocupa PT

Não se faz isso em política, pois o político é aquele “cidadão” uzurento, que quer mandar em todo o mundo, quer crescer cada vez mais, quer mais dinheiro e prega para todos que está trabalhando para o povo. Deixar um cargo maior por um menor, em política, é algo absurdo. Mas o prefeito de Propriá, Paulo Britto (PT), fazendo cumprir um acordo que fez com o seu vice, José Américo Lima (PSC), vai deixar o cargo no dia 1º de agosto próximo, ou seja dentro de seis dias, e passará a atuar na administração municipal como secretário de Planejamento.

Pode até parecer ruim politicamente para Britto, mas não é. Ele dá uma demonstração de desprovimento de  uzura, de cumpridor de sua palavra e abre espaço para que o seu vice-prefeito possa também mostrar porque está na vida pública. Isso, notadamente, parece ser um bom exemplo de ação de homem público. Mas quem está na vida pública, atua como político carreirista, não entende assim e pensa sempre na possibilidade de assumir o comando de um cargo Executivo e o seu vice lhe cobrar um acesso ao governo por mais de um ano.

“Quero viver uma vida com mais tranqüilidade. Venho passando por problemas de saúde e desde novembro do ano passado já havia convocado a minha equipe e manifestei o desejo de renunciar ao cargo. O meu desejo era, na época, renunciar em 1º de janeiro deste ano, mas agora chegou o momento exato e José Américo vai conduzir com a mesma competência o mandato de prefeito. Em 2012, ele deve concorrer à reeleição com o meu apoio. Sem dúvida alguma, este é o melhor nome para assumir a gestão municipal de Propriá”, disse Britto em entrevista.

Mas será que a opção de renúncia deve ser um ato de direito único e exclusivo do titular da pasta ou do partido a que pertence ele? É isso que os seus companheiros de PT andam questionando. Muitos deles alegam que tomaram conhecimento de tal comportamento através da imprensa. Essa posição um tanto autoritária e autocrática de governante todos têm. Dizem que chegaram ao pode por méritos próprios, que isso independeu de partido e mantêm o partido sobre o seu comando.

Paulo Britto inovou, mas deixou os políticos com uma pulga atrás da orelha e se fazendo a pergunta: “será que na escolha do meu vice terei que negociar também a  renúncia de parte do meu mandato para ele?” Outra coisa: será que o povo não suspeitará  e entenderá a renúncia como abrir mão de governar para “dar uma forcinha” para que o amigo “cresça” também?



Política
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Por Eugênio Nascimento
24/07
12:11

Coluna Primeira Mão

JB quer PMA e governo atendendo a periferia

O vice-governador Jackson Barreto (PMDB)  tem feito rasgados elogios à administração do prefeito Edvaldo Nogueira, em Aracaju, mas defende intensificação das ações da PMA e Governo do Estado na periferia da cidade. Segundo ele, é preciso “Voltar as ações de forma bem direcionada para a periferia. Precisamos de ações do Governo do Estado e da Prefeitura juntos. De forma específica, falo mais da Prefeitura que tem maior responsabilidade, mas como é um projeto político em que o governador e o prefeito são aliados, é necessário que juntem forças para resolver alguns problemas da periferia de Aracaju que estão criando dificuldades para o nosso povo. Diria que temos problemas na zona norte, em quase todos os bairros. A maioria, pequenos problemas e pequenas intervenções darão grandes soluções às angústias da nossa população. Gostaria de ver a Prefeitura pegar o mapa de Aracaju, ir do Porto Dantas, no Coqueiral, que é o extremo da zona norte, e seguir pelo Manoel Preto, Alto da Jaqueira, Getimana, Lamarão, Soledade, Santos Dumont, 18 do Forte. É preciso uma ação de presença permanente do poder público porque a população está acostumada a ter seus problemas solucionados. Nossa população está consciente de que se foi resolvido o problema do bairro São Carlos, tem que ser resolvido o do loteamento Planalto, que fica vizinho; se foi resolvido o problema do Jardim Centenário, quem está morando no loteamento Liberdade quer ter também seu problema resolvido. Seja canal, drenagem, pavimentação, porque isso já faz parte do consciente coletivo da nossa população. Por isso que Aracaju é a cidade da qualidade de vida. Não se cuidou apenas da zona sul, da região dos ricos, ou do centro; cuidou-se, acima de tudo, e investiu-se mais nos últimos anos na periferia, e é preciso continuar investindo nela.

 

Déda e Eliana vão ao lançamento do Brasil Sem Miséria em AL

O governador Marcelo Déda e a primeira dama Eliane Aquino, secretária de Estado da Inclusão Social, participam nesta segunda-feira da solenidade de lançamento do Programa Brasil Sem Miséria, ao lado da presidente Dilma Rousseff, em Arapiraca (AL). Sergipe é um dos Estados onde a aplicação do Censo de 2010, do IBGE, vem sendo aplicado no combate à miséria. Os municípios aonde há mais gente em condições de extrema pobreza são Poço Verde e Riachão do Dantas, no Centro Sul, e Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba, no Sul. No Baixo São Francisco, a concentração acontece em Brejo Grande, Ilha das Flores, Pacatuba e Pirambu. Além deles estão aqueles do sertão

 

Prefeitura  criará a Casa da Cultura de Aracaju

Para viabilizar uma série de obras em Aracaju, entre as quais a melhoria da infraestrutura de alguns bairros da zona norte; a construção de escolas, creches e Centros de Referência da Assistência Social; a transformação do prédio da antiga Alfândega na primeira Casa da Cultura de Aracaju; e ainda a criação de um novo eixo viário ligando a zona de expansão à zona sul e ao Centro da capital sergipana, passando pela ponte sobre o rio Poxim, o prefeito Edvaldo Nogueira assinou convênio com o BID para receber empréstimo no valor de U4 30,25 milhões, algo em torno de R$ 50milhões.

 

AAU seleciona atletas para jogos universitários

A Associação Atlética Universitária informa que será realizada nos dias 29 e  30 de julho as peneiras das equipes universitárias de futebol e futsal (masculino e feminino) da Universidade Federal de Sergipe, com o objetivo de formar novas equipes para representar a instituição nos Jogos Universitários Brasileiros, que serão disputados nos meses de outubro e novembro no Estado de São Paulo Os interessados na modalidade futebol de campo devem comparecer no Centro de Treinamento do Fair Play, no Povoado Robalo, nos dias 29 a partir das 15h, e 30 a partir das 10h. Informamos que podem ser convocados até 06 atletas de outra instituição de ensino superior e 07 atletas acima de 24 anos.  Já aqueles que desejam optar pela  modalidade futsal devem comparecer na quadra do Colégio de Aplicação da UFS, sendo no dia 30, a partir das 13h, para o naipe feminino, e 15h para o naipe masculino. Poderão ser convocados até 06 atletas acima de 24 anos.

 

Almeida é o mais rico de SE no Congresso

O deputado federal José Almeida Lima (PMDB), conforme levantamento da ONG Congresso em Foco, é o mais rico representante sergipano no Congresso Nacional. Ele tem R$ 2.089,580,00 e é seguido pelo senador Antônio Carlos Valadares (PSB), com R$ 578 mil, Rogério Carvalho (PT) R$ 500 mil, Márcio Macedo (PT) R$ 428 mil, Laércio Oliveira (PR) R$ 340 mil,  Heleno Silva (PRB) R$ 285 mil, André Moura (PSC) R$ 225 mil, Eduardo Amorim (PSC) R$ 210 mil, Valadares Filho (PSB) R$ 204 mil e Mendonça Prado (DEM) 0,00. Os dados da senadora Maria do Carmo (DEM) não foram divulgados. Os dados foram feitos com base em declarações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

 

Mendonça quer fundo para a Segurança

A revista Época desta semana publica nota anunciando que o deputado federal Mendonça Prado (DEM-SE), presidente da Comissão de Segurança Pública do Congresso Nacional, quer aprovar emenda constitucional  destinando 5% da arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto de Renda (IR) para  criar um fundo de R$ 40 bilhões para pagar salários melhores para os policiais e bombeiros estaduais. “A medida pode não fazer sentido tributário, mas mostra a popularidade da ideia  de reforçar a segurança”, diz a revista.

 

Trânsito em Aracaju: 20 mortes em oito dias

Georlize Teles, delegada de Delitos do Trânsito de Aracaju, revelou que há um crescimento preocupante na violência  no trânsito na capital. Ela disse que em apenas oito dias aconteceram 20 mortes. “A sociedade não está percebendo que estamos perdendo jovens produtivos, que poderiam estudar e trabalhar, mas não fazem isso porque estão vegetando numa cama, inválidos ou mutilados, em razão de acidentes de trânsito”, disse Georlize. Ela acrescentou: “carro é para ser usado como utensílio doméstico, mas tem gente usando como instrumento de exibição de poder, força”.



Colunas
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Por Eugênio Nascimento
24/07
10:28

Jango: o reformista que não quis quebrar ovos

Por Luciano Oliveira

 

 

Jorge Ferreira, João Goulart: Uma Biografia

Rio de janeiro, Civilização Brasileira, 2011, 713 p.

 

“O homem fugiu!”

Eu era um menino; e a frase, dita em tom jubiloso, é uma das poucas lembranças vivas que guardo dos idos de março de 1964. Mas já era abril! Só não lembro se era o dia 2, quando Goulart deixou Brasília em direção a Porto Alegre, ou se já era o dia 4, quando partiu de sua fazenda em São Borja para “internar-se” (não sei por que ainda hoje se usa essa expressão) no Uruguai, onde se exilou e de onde só voltou doze anos depois, morto, para ser enterrado na mesma São Borja.

 

A notícia de sua partida foi dada pelo dono da padaria vizinha à farmácia do meu pai, que a recebeu com igual júbilo. Ambos comerciantes numa pequena cidade do interior de Sergipe, onde nasci e passei minha infância, faziam parte da classe média lacerdista apavorada com a ameaça do que então se chamava “república sindicalista”, suposto projeto de João Goulart e seu cunhado Leonel Brizola para o Brasil, onde, a exemplo do que Fidel Castro fizera em Cuba, segundo se dizia lá em casa, inquilinos passariam a ser proprietários das casas em que moravam – perspectiva que aterrorizava e revoltava meu pai, dono de algumas casas de aluguel... Nos dias que se seguiram, outro comerciante igualmente amigo do meu pai, um dos comunistas municipais do pequeno burgo onde vivia, escondeu-se para não ser preso. Começavam as perseguições e os primeiros passos de uma ditadura que depois iria se tornar feroz e durar vinte anos. À época, nem os próprios golpistas acreditavam que isso seria possível. O presidente deposto, também não.

 

João Belchior Marques Goulart foi o único presidente brasileiro a morrer no exílio. A história de como tudo isso se passou está contada com riqueza de detalhes na sua alentada biografia, candidata por enquanto a definitiva, assinada por Jorge Ferreira. Fruto de sua tese para professor titular de História do Brasil da Universidade Federal Fluminense, o trabalho, sem dúvida impressionante pela cuidadosa garimpagem e apaixonante pelo envolvimento que provoca no leitor, por vezes trai essa origem. Por exemplo, quando, num lance típico de trabalhos acadêmicos, insiste denodadamente em demarcar-se da literatura existente sobre o assunto, propondo uma reviravolta no tratamento até então dado ao seu objeto. Nesse afã demarcatório, o autor exagera a importância e o caráter negativo dos adjetivos a seu ver sempre “demeritórios” que a historiografia brasileira tem produzido sobre seu biografado: “inconseqüente”, “fraco”, “conciliador” etc., propondo-se a “dar início a uma reflexão, mais objetiva e menos passional, de seu papel na História do país”. Ora, o Jango muito humano que sai de suas páginas não chega a desmentir tais epítetos; ao contrário, de certa forma os corrobora, só que num registro positivo desta vez. Veja-se a questão da “inconseqüência” janguista.

 

A meu ver, essa não é uma avaliação descabível da trajetória do rico fazendeiro sinceramente disposto, apesar dessa origem, a quebrar a iníqua estrutura econômica brasileira através das chamadas “reformas de base” – nomeadamente a agrária. Jango nunca foi comunista, muito menos revolucionário, tendo mais de uma vez, no seu acidentado percurso, contornado um confronto do qual pudessem resultar mortes mediante uma postura de “conciliação”. Não obstante, no caminho que escolheu e face às terríveis forças que teria de enfrentar para injetar uma modernidade capitalista no campo brasileiro – esse era no fundo o seu projeto –, jogou perigosamente com o que a literatura revolucionária da época chamava de “forças em ascensão”, adotando a tática de mobilizar, para pressionar um Congresso Nacional escancaradamente reacionário, grupos políticos de esquerda que não escondiam a possibilidade, muitas vezes o desejo, de atropelar a Constituição e recorrer às armas se preciso fosse para tornar reais seus projetos. A tese da inconseqüência, que não repudio, deve-se ao fato de que Jango nunca esteve disposto a segui-los até o fim! (E olha que hoje, depois das “duras réplicas da história” à desastrosa experiência comunista, somos até tentados a dizer: felizmente...) Mas o fato é que, naqueles idos, com a revolução cubana próxima no tempo e no espaço, servindo de exemplo e inspiração aos que achavam que o assalto ao céu era possível, a tese da luta armada para construir o socialismo tinha seu charme e até sua legitimidade. Mas não para Jango.

 

Vinte anos de brutalidade do regime militar – que fizeram brotar em nós uma desconfiança da violência enquanto método político –, e mais vinte e cinco de convivência democrática em que, malgrado tudo, a perspectiva de uma ruptura constitucional sumiu do horizonte, relegaram a um esquecimento coletivo a violência – que em determinados episódios não foi apenas verbal – daqueles anos. Retomemos, só para dar um exemplo – mas muito significativo, porque foi ele que finalmente fez a maioria da oficialidade pender para o lado dos conspiradores –, a questão dos “subalternos” das forças armadas, sargentos e marinheiros, naqueles dias engajados numa luta de “libertação nacional” hoje inimaginável. Se há uma coisa que militar não suporta, é indisciplina e quebra da hierarquia. Pois bem: entre os dias 28 e 29 de março de 1964, como se a vida imitasse a arte, o Brasil assistiu a uma crise entre o ministro da marinha e marinheiros sublevados que praticamente repetia e epopéia de Encouraçado Potemkim de Einsenstein – filme que, numa reunião mandada dissolver pelo ministro, os marinheiros, aliás, tinham acabado de ver... As negociações que se seguiram selaram a sorte do regime: o ministro demitiu-se e os marinheiros se entregaram, mas no dia seguinte o novo ministro anistiou-os. Os libertos saíram pelas ruas do Rio desfilando palavras de ordem na frente do Ministério do Exército. Nos três dias que se seguiram, o Correio da Manhã – um dos mais importantes jornais da imprensa liberal brasileira que, poucos meses depois, já estava denunciando a violência contra presos políticos do novo regime –, saiu às bancas com três editoriais devastadores, num crescendo que simplesmente conclamava uma intervenção militar: “Chega!”, “Basta!” e “Fora!”. O último saiu já no dia 1º de abril, com as tropas do general Mourão Filho na estrada e Goulart já iniciando o périplo que o levaria ao exílio.

 

Entre uma coisa e outra ele teve a oportunidade de retomar o controle da situação, mas à custa de sangue ou, alternativamente, da traição aos esquerdistas que o apoiavam. Darcy Ribeiro, à época seu chefe de gabinete, chegou a propor: “se lamber a tropa de Mourão com rajadas de metralhadora, a tropa volta para o quartel”. Goulart: “Vai queimar gente? De jeito nenhum”. Em contato por telefone com o general Amaury Kruel, comandante do importante II Exército sediado em São Paulo e de quem chegava a ser compadre, Goulart foi instado a livrar-se dos comunistas do seu governo: era o preço da lealdade do general. Goulart respondeu que tinha compromissos políticos e que não podia livrar-se das forças populares que o apoiavam. Kruel respondeu que seus compromissos eram “contra o comunismo e em defesa do Exército”. E desligaram. Depois disso, não havia mais o que fazer, senão juntar-se a Brizola que organizava a resistência armada em Porto Alegre e partir para a guerra civil. Mas, já na capital gaúcha, Goulart aceitou e assumiu sua “fraqueza”: “a minha permanência no governo terá de ser à custa de derramamento de sangue. E eu não quero que o povo brasileiro pague esse tributo. Peço a vocês que desmobilizem que eu vou me retirar”. E foi para São Borja. Em Brasília, o senador Auro de Moura Andrade, num gesto afinal inconstitucional, porque o presidente ainda se achava em território brasileiro, adiantou-se à sua partida e declarou vaga a presidência da república. Mais tarde, no meio da madrugada, num palácio do Planalto praticamente deserto, ele e o ministro Álvaro Ribeiro da Costa, presidente do Supremo Tribunal Federal, empossaram Ranieri Mazzilli, presidente da Câmara dos Deputados, na presidência da república. Mal sabiam nossas mais altas autoridades civis que dessa vez os militares não iriam se resignar a voltar aos quartéis e entregar a cereja de mão beijada. Acho que “pequeno-burgueses” como meu pai e seu vizinho comerciante, também não.

 

João Goulart, mesmo tendo sido na sua cordialidade um brasileiro típico, terminou encenando um personagem de tragédia clássica. Lendo o livro de Ferreira, ocorreu-me pensar que o desfecho de sua vida pública repete o de outros personagens históricos que, para o bem ou para o mal, recusaram-se a seguir até o fim, pondo-se à sua frente, a lógica de um movimento irrefreável que puseram ou contribuíram para pôr em marcha. Pensando livremente, é o caso de um Danton, em 1794, ou mesmo, pensando mais livremente ainda, de um reformista como Kerenski em 1917, ultrapassado por um revolucionário como Lênin – que nunca teve receio de quebrar ovos se esse era o preço a pagar pela omelete... Tais são os homens de ferro. Jango, definitivamente, era feito de outro tipo de barro. Que a terra de São Borja lhe tenha sido leve!



Política
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Por Eugênio Nascimento
24/07
09:05

Censo 2010: Onde está extrema pobreza em Sergipe? (Parte 1)

Walter Uchoa Dias- Geógrafo- Superintendente de Estudos e Pesquisas da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão

Qualquer estratégia de atuação governamental desenvolvida no sentido da erradicação ou redução da pobreza e de outras mazelas sociais causadas por sua existência deve considerar seu aspecto multidimensional, do qual a insuficiência de renda constitui fator central. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome, “a insuficiência de renda é um relevante indicador de privações, mas não é o único. Fatores sociais, geográficos e biológicos multiplicam ou reduzem o impacto exercido pelos rendimentos sobre cada indivíduo. Entre os mais desfavorecidos faltam instrução, acesso à terra e insumos para produção, saúde, moradia, justiça, apoio familiar e comunitário, crédito e acesso a oportunidades.”

Desta forma, dentre outras ações importantes, é necessário aprimorar os instrumentais e métodos científicos para conhecer melhor e cada vez mais a dinâmica populacional, para que o planejamento e a execução de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social, econômico e cultural sejam cada vez mais eficientes.


Em 2010, o IBGE realizou o Censo Demográfico em todo território nacional. Para o poder público, sobretudo para os governos federal e estaduais, representa um momento importante, uma vez que disporemos de uma radiografia sistematizada e contínua da população e suas principais características, coincidindo com o início de novos ciclos de gestão governamental em todo o país, possibilitando a estes traçarem um perfil do público-alvo e direcionar suas políticas governamentais para o alcance das metas e dos objetivos estratégicos.


Pela sua complexidade, não há entre os cientistas e especialistas um consenso sobre a conceituação de pobreza. Entretanto em que pese à questão da renda como elemento central, o Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome (MDS) publicou uma nota técnica, pautada em estudos do IBGE, sobre o perfil da extrema pobreza no Brasil, visando orientar as políticas governamentais, com base nos primeiros resultados do Censo 2010.


A linha de extrema pobreza foi estabelecida em R$ 70,00 per capita considerando o rendimento nominal mensal domiciliar. Deste modo, qualquer pessoa residente em domicílios com rendimento menor (até sem rendimento) ou igual a esse valor é considerada extremamente pobre. Esta definição é de grande importância para o governo federal orientando a elaboração do Plano Brasil Sem Miséria. O Plano, elaborado considerando três eixos coordenadores das ações (transferência de renda, acesso a serviços públicos e inclusão produtiva), visa “elevar a renda familiar per capita, ampliar o acesso aos serviços públicos, às ações de cidadania e de bem estar social, e ampliar o acesso às oportunidades de ocupação e renda através de ações de inclusão produtiva nos meios urbano e rural.”
                                   

Refletindo a meta global do Plano Brasil Sem Miséria, o governo de Sergipe promoveu um alinhamento estratégico com o governo federal, e no planejamento do ciclo atual, definiu dentro de sua missão a erradicação da extrema pobreza, que representa atualmente a meta mobilizadora e agregadora de todos os programas, iniciativas e ações do planejamento governamental. A definição de eixos de atuação, programas temáticos, iniciativas e ações relacionadas à meta mobilizadora compõem o que chamamos de mapa estratégico, e orientará a atuação integrada e sistemática entre as Secretarias e Órgãos da administração pública estadual.
 

Construindo o Mapa da Pobreza em Sergipe


Visando contribuir para a construção de políticas públicas consistentes e alinhadas a estratégia de atuação do governo, a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão – Seplag elaborou o Mapa da extrema pobreza em Sergipe, utilizando cruzamento de dados proveniente do Censo 2010.


 
Esse mapa apresenta uma visão prévia da distribuição e concentração da pobreza extrema em Sergipe. Prévia por duas razões. A primeira se refere ao nível de agregação da informação, que diz respeito ao grau de generalização. O mapa elaborado considera as informações agregadas ao município.Com a publicação dos microdados pelo IBGE, que são as mesmas informações com um nível de detalhamento maior, referenciada aos setores censitários, será possível avançar na visão da distribuição da extrema pobreza dentro do município.A segunda razão refere-se basicamente à metodologia adotada pelo IBGE para o Censo 2010, em relação aplicação de dois questionários: um mais geral que é aplicado ao universo da população, e outro mais detalhado que é direcionado à uma parcela da população e de domicílios que formam a amostra. Outro aspecto que precisa ser ressaltado é que essa primeira visão da extrema pobreza em Sergipe leva em conta apenas os extratos de renda. Segundo a nota do MDS, foi solicitado ao IBGE que realizasse um recorte para permitir enxergar as pessoas e os domicílios com maior probabilidade de encontrar-se em extrema pobreza.


Onde está a extrema pobreza em Sergipe?


Os dados coletados permitiram uma visão espacial relacionada aos municípios. Numa visão geral, observaram-se dois comportamentos gerais. Na porção Sul, temos um padrão mais disperso, com alguns municípios apresentando percentuais mais altos de domicílios particulares permanentes ocupados com rendimento nominal médio mensal per capita de até R$ 70,00, dentre eles Poço Verde e Riachão do Dantas, no Centro Sul, e Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba, no Sul.


Já na porção Norte do estado, observa-se uma concentração dos percentuais mais altos nos municípios dos Territórios do Alto Sertão e Baixo São Francisco, este último concentrado nos municípios costeiros de Brejo Grande, Ilha das Flores, Pacatuba e Pirambu.


Por outro lado, o Agreste Central e a Grande Aracaju apresentam melhores percentuais, mais baixos, dentre os quais o município de Aracaju apresentou o menor percentual, 6,40% do total de domicílios. Já o município de Pacatuba apresentou 36,29%, pouco mais de um terço dos domicílios com rendimento nominal médio mensal per capita de até R$ 70,00.


Uma leitura do mapa permite observar uma alta probabilidade da situação de extrema pobreza nos territórios do Alto Sertão, Baixo São Francisco, de forma concentrada, e nos territórios Centro Sul e Sul de forma dispersa.


O próximo passo será recortar desse total de domicílios, aqueles que estão em situação mais precária no tocante à falta de acesso aos serviços básicos de saneamento ambiental, distribuição de água, analfabetismo e existência de idosos no domicílio. Além disso, dados do Censo 2000 estão sendo incorporados possibilitando construir um panorama da extrema pobreza no decênio.


Essas ações permitem a construção de uma visão da extrema pobreza em Sergipe considerando os critérios complementares, o que possibilitará um maior detalhamento do mapa da pobreza e consequentemente uma percepção maior da realidade da população, descobrindo os “invisíveis” e intervindo com políticas públicas, conforme estabelecido no Plano Sergipe Sem Miséria.




Referências

 

PPA Brasil 2012-2015

Plano Brasil Sem Miséria

Nota Técnica MDS - O perfil da Extrema Pobreza no Brasil com base nos dados preliminares do universo do Censo 2010.

Governo de Sergipe. Planejamento Estratégico 2012-2015

Desenvolver-se – Plano de Desenvolvimento de Sergipe – Desenvolvimento em cada território.

 

 

 

 



[1]             Plano Brasil Sem Miséria

[2]             Plano Brasil Sem Miséria



Economia
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Por Eugênio Nascimento
23/07
16:48

Marcelo Déda passará o cargo para Angélica Guimarães por oito dias

Governador comunica que se afastará para interesses pessoais e vai passar o cargo para a presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe

Fotos: Marco Vieira/ASN

Foto: Marco Vieira/ASN

A presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe, Angélica Guimarães, assumirá o Governo do Estado a partir do dia 29 de julho, durante oito dias, período em que o governador Marcelo Déda estará ausente por motivos pessoais. A transmissão do cargo foi acertada na manhã deste sábado, 23, durante encontro no Palácio de Veraneio. “Eu me reuni com a deputada Angélica para comunicá-la que pretendo me afastar por oito dias da administração para resolver assuntos particulares. Como o vice-governador está viajando, quem assume o Governo do Estado é a presidente da Assembleia Legislativa. Vai se cumprir a linha sucessória prevista na Constituição do Estado”, explicou .

Déda ressaltou que a transmissão do cargo atesta a democracia. “A substituição do chefe do executivo é um momento de reafirmação democrática e de homenagem à Constituição. Este é também um momento de homenagem ao poder legislativo, pela relevância que ele tem na vida democrática. No caso específico da Assembleia de Sergipe, é um agradecimento ao apoio dos deputados, principalmente da nossa base, que tem nos ajudado a conduzir o Governo sempre com  o apoio e com  a solidariedade dos integrantes da bancada. A deputada Angélica, como presidente da Casa, tem sido um elemento de construção de harmonia institucional entre o Legislativo e o Executivo. Também revela a confiança pessoal que eu tenho na política e na pessoa da presidente do Legislativo, Angélica Guimarães”, disse.

Para a deputada Angélica Guimarães, assumir o executivo representa a confiança do governador Marcelo Déda no parlamento de Sergipe. “Assumir o Governo do Estado será mais um desafio, vamos fazer parte da história de Sergipe como a primeira mulher presidente do Legislativo que assume a chefia do governo. Demonstra a confiança do governador e também é uma homenagem do Executivo ao Legislativo. Sabemos que existe a independência entre os poderes, mas vivemos em harmonia. Agradeço ao governador Marcelo Déda a confiança no parlamento sergipano”, declarou.

O senador Eduardo Amorim e o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico e da Ciência e Tecnologia, Zeca da Silva, acompanharam a reunião.(Da assessoria)



 



Política
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Por Eugênio Nascimento
23/07
12:33

Os nomes dos municípios sergipanos


Francisco José Alves (DHI-UFS) fjalves@infonet.com.br

Cezar Alexandre Neri Santos (UFS/UFAL) cezarneri@hotmail.com

 

               Os nomes de lugares estão onipresentes em nossas vidas. Apesar disso, acabam sendo, para a maioria, um enigma. Poucos são os que se debruçam sobre suas origens e seus significados, e assim deixam de perceber as riquezas informativas neles contidas. Para isso, dentre outros fatores, talvez contribua a ausência, nos currículos, de matérias como História e Geografia de Sergipe – há algum tempo extirpadas de nossos bancos escolares. Numa época em que tanto se fala de sergipanidade, convém refletir sobre os efeitos nocivos dessa ausência. Como falar de identidade sergipana desconhecendo o passado, a geografia e a cultura de nosso estado?

Como pequena contribuição, num exercício preliminar, abramos um mapa físico-político de Sergipe e vejamos o que ele nos pode revelar...

Sergipe possui 75 municípios, os quais se apresentam com denominações razoavelmente diversificadas. Encontramos aí topônimos de motivação religiosa, descritivos de características físico-socioculturais do lugar, bem como homenagens a falecidos ilustres.

Consideremos, brevemente, essas denominações:

Os topônimos de origem católica representam, entre nós, a absoluta maioria. Vinte e um (vinte e oito por cento) são os municípios sergipanos que expressam alguma devoção a entidades dessa hagiografia. Lembremos: Amparo e Canindé aludem ao rio (de) São Francisco, e, por extensão, ao santo italiano Francisco de Assis; Divina Pastora, Itaporanga D’Ajuda, Rosário do Catete, além das Nossas Senhoras: Aparecida, da Glória, das Dores, de Lourdes, do Socorro homenageiam a mãe de Jesus. Há também os municípios devotados a santos: Cristovão, (Cedro de) São João, Domingos, Miguel (do Aleixo), Amaro (das Brotas) e Francisco (provavelmente também alusivo ao santo de Assis), bem como às santas Luzia (do Itanhy) e Rosa (de Lima). Santana do São Francisco vai além: expõe uma dupla marca religiosa.

Como entender essa marca inequívoca? Um fator, talvez, explique este fenômeno: o papel político-cultural exercido pela Igreja Católica em Sergipe ao longo dos séculos. Desde a conquista do território (1575) até o século XX, o catolicismo reinou quase absolutamente “nos corações e nas mentes” dos sergipanos. Vale lembrar aqui a origem católica de muitos pólos de povoamento no estado, junto com o poderio político-intelectual do clero. Durante muito tempo, evangélicos, maçons, espíritas e adeptos dos cultos afrobrasileiros penaram para conquistar um “lugar ao sol”. O quadro vem se modificando ultimamente – o quase exclusivismo católico vem sendo quebrado. Segundo dados do IBGE, o número de católicos confessos em Sergipe tem diminuído consideravelmente, passando de 94% nos anos 1950 para 73,5% na última década. Nesse sentido, há de que se considerar o papel dos párocos enquanto líderes comunitários, oficiais ou informais, desde os tempos coloniais. Quantos de nossos municípios não receberam seus nomes de batismo de padres ou populares beatos por eles influenciados? De fato, o catolicismo ainda é referência central na cultura brasileira, e particularmente sergipana.

Quanto à visível presença do culto mariano em nossa toponímia (nove municípios), remete a um traço do catolicismo popular. Como é sabido, a devoção à Virgem Maria tem forte importância na religiosidade popular brasileira. Conforme Gilberto Freire, nosso catolicismo se caracteriza por uma inusitada “intimidade” com os santos. A propósito, um muito difundido hino católico invoca a virgem como “mãezinha do céu”. O que há de mais íntimo que a relação mãe e filho (Nossa Senhora e devotos)?

Outro conjunto das nossas denominações geográficas municipais, como já dito, alude às características da localidade. Faz referência a atividades econômicas (Feira Nova, Malhador, Malhada dos Bois, Estância etc); a eventos históricos (Riachuelo – segundo alguns); a aspectos geográficos (Ilha das Flores, Poço Verde, Porto da Folha, Brejo Grande, Areia Branca, Barra dos Coqueiros, Moita Bonita, Pedra Mole, Pedrinhas, Pinhão etc); ou à fauna e à flora (Maruim, Pirambu, Pacatuba, Siriri, Canindé, Laranjeiras etc).

Como fica evidente, nossos topônimos de caráter econômico remetem a atividades produtivas exercidas em nosso território, tais como a pecuária e o comércio. De fato, a pecuária foi, em Sergipe, durante os séculos XVII e XVIII, a base de produção econômica e essa importância espelha-se na onomástica dos lugares. É de se estranhar, todavia, que a cultura da cana – sustentáculo de nossa riqueza durante séculos – não tenha motivado nenhuma denominação de municípios.

Quanto ao aspecto geográfico, os nomes de municípios sergipanos aludem aos diversos atributos dos locais: cursos d’água (Poço Verde, Riachão do Dantas etc); relevo (Monte Alegre de Sergipe, Porto da Folha, Moita Bonita, Campo do Brito etc); recursos minerais (Pedra Mole, Pedrinhas, Itabaiana, Itaporanga D’ajuda, Itabi); zoologia local (Pirambu, Pacatuba, Malhada dos Bois); flora (Pinhão, Laranjeiras, Macambira), entre outros.

Dentre os topônimos sergipanos calcados nestas caracterizações físicas e culturais destacam-se os de origem lusitana (cerca de 60%), seguidos pelos de procedência tupi (aproximadamente 26%) e os restantes 14% são de origem híbrida, tais quais: português+tupi, tupi+português, português+grego. Neópolis, por exemplo, substituiu o colonial Vila Nova da Rainha pelo modernoso equivalente grego. Curioso é, ainda, a ausência de nomes oriundos de línguas africanas, embora Armindo Guaraná ateste que Cumbe tenha sua origem em algum idioma daquele continente. Cabe relembrar que nos referimos aqui somente aos nomes de municípios, desconsiderando povoados e bairros rurais.   

Outra parcela dos topônimos sergipenses presta tributo a pessoas, dentre eles destacam-se: políticos (Graccho Cardoso, General Maynard, Cristinápolis), intelectuais (Tobias Barreto), colonizadores (Simão Dias, Campo do Brito, Ribeirópolis, Riachão do Dantas); membros do clero católico (Frei Paulo). Vê-se aqui a presença de algumas instituições influentes: o Estado, o exército, a elite intelectual e a Igreja, respectivamente.

O breve exame aqui esboçado evidencia alguns aspectos: a) a forte influência católica sobre a cultura sergipana ao longo dos tempos, destacando-se o difuso culto à Maria. Assim, Sergipe parece aproximar-se, em números relativos, das Minas Gerais – estado que, segundo Maria Vicentina Dick, possui “a maior densidade hagiotoponímica”, isto é, lugares com designações de santos; b) a presença significativa de nomes de origem tupi, principalmente motivada pelos atributos naturais dos lugares designados; c) a importância semântica do rio São Francisco e seu patrono (Francisco de Assis) no imaginário das populações ribeirinhas – o rio da unidade nacional avulta como referência marcante; d) o culto a figuras do nosso passado.

A toponímia sergipana, apesar da sua importância aqui esboçada, é ainda uma seara quase inexplorada. No entanto, como se falar de sergipanidade sem o cuidadoso estudo desta nomenclatura, componente basilar da nossa identidade? Fica o convite: que antropólogos, linguistas, geógrafos, historiadores etc se debrucem sobre esse tema fascinante, ampliando ainda mais o retrato da nossa cultura.



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Com.: 3
Por Eugênio Nascimento
23/07
09:28

O PSTF é o partido mais forte do Brasil


Ainda que fora da esfera do Poder Legislativo e contando com apenas 11 membros nomeados pelo presidente da República, o chefe do Poder Executivo, o Supremo Tribunal Federal (STF) é um poder extremamente forte e legisla. Tem ações próprias de rotina, atua como Suprema Corte e tem ainda o comando da fiscalização do respeito ao que estabelece a Constituição de 1988. Já seriam tarefas demais.

Mas os ministros são obrigados ainda a ter que legislar por que os políticos eleitos para fazer isso e que ganham altos salários para tal (mais de R$ 20 mil/mês e outras regalias)– senadores e deputados federais – abrem mão do trabalho para discutir questões menores, mas de interesses pessoais. Por causa disso, o Supremo vem abocanhando cada vez mais parte do poder no Brasil. Só este ano o STF definiu a aplicabilidade da Lei da Ficha Limpa para 2012 e determinou que casais do mesmo sexo podem unir-se legalmente.

Se fosse um partido político, o Supremo teria como sigla, provavelmente, PSTF, e seria a agremiação partidária mais forte do Brasil, isso contando com apenas 11 quadros dispostos a trabalhar, enquanto no parlamento tem partido com mais de 100 parlamentares e se anulam. Tal condição nos induz a indagar: afinal, para que serve o parlamento brasileiro?

Cabe ao presidente da República a nomeação dos ministros do STF e eles têm feito isso com certa regularidade. O presidente Getúlio Vargas foi quem mais nomeou ministros no STF, um total de 21. Logo em seguida vem empatados os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, 15 cada. A presidente Dilma, apenas 1. O STF desde o início da República, é espaçoso, trabalha, intimida, ainda que sem querer ou querendo, e por isso diminui o Legislativo e aperreia o Executivo.



Política
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Por Eugênio Nascimento
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