03/01
17:54

O Ano Novo de Francisquinha

José Lima Santana*
Professor do departamento de Direito da UFS

Francisquinha estava para morrer. Ao menos, era assim que eu pensava. Porém, o que eu poderia saber sobre doenças, sobre a vida e a morte? Ora, eu tinha apenas sete anos de idade. A minha família tinha mudado de casa há menos de um ano. Aquela menina de uma cor sem cor definida era nossa vizinha. Ela tinha muitos irmãos. Não sei por que, mas eu fiz amizade mesmo, logo no começo, foi com ela e com o irmão, Cidinho. Pensem os leitores numa menina bonita e sabida! Sabida era, para mim, sinônimo de fazer artes, antes mesmo que eu soubesse o que era um sinônimo. O que, em 1962, um menino suburbano de sete anos de idade, que, até então, morava em um sítio ainda mais longe da área central da cidade, que não tinha em casa luz elétrica nem água encanada, podia entender de coisas da gramática, esse terror de muita gente boa, ainda hoje? Nada vezes nada. Ao bem da verdade, a cidade ainda não tinha água encanada, naquela época. Somente a teria nove anos depois. Ah, calçamento a paralelepípedo? Não, não tinha. Não ali no subúrbio. Tínhamos, sim, bons candeeiros a querosene, água comprada dos aguadeiros com os seus jericos, ou buscada em potes nas Pedreiras do Brejo e muita, mas, muita poeira, no verão, e lama em demasia, no inverno. Vida de pobres em um subúrbio igualmente pobre. 

Francisquinha e mais quatro irmãos estudavam na única escola existente naquele subúrbio. E, claro, eu também. A escola era pertinho de casa. Funcionava na casa da professora, na sala de estar, que, ali, se chamava varanda. Era tudo muito pobre, muito acanhado. Mas, a vida seguia assim mesmo. Aquela menina sem cor definida, cheio de irmãos barulhentos, apanhou uma doença feia. Ficou tísica. Tuberculosa. A minha mãe não pronunciava essas duas palavras. Eu as aprendi na rua. Mamãe dizia: “A filha de dona Eudócia tá com a ‘fina’. Você não pode mais brincar com ela, nem com os irmãos dela. A ‘fina’ pega no vento”. Não brincar com a minha amiguinha e seu irmão Cidinho seria doloroso. E como foi! 

A minha amiga foi levada para Aracaju, para um lugar chamado Sanatório, ou sei lá o quê. Todo mundo da casa dela teve que ir a Aracaju, para bater chapa dos pulmões. Porém, somente ela estava contaminada. Passaram-se semanas. Meses. As notícias vinham de vez em quando, pois a cada mês ‘seu’ Afonso ia ver a filha. Às vezes ele dormia na casa de uma irmã, que morava perto do Sanatório, no “Sontontonho”, como dizia dona Eudócia. ‘Seu’ Afonso voltava sempre esperançoso. Ao menos, era o que ele deixava transparecer nas conversas com o meu pai. Um dia, porém, eu vi ‘seu’ Afonso chorando no quintal, debaixo do pé de fruta pão. Eu nunca tinha visto um homem chorar. E ele parecia chorar como um desesperado, embora chorasse baixinho. Deu-me um aperto no coração e eu corri para dentro de casa, assustado. Foi, então, que eu pensei que Francisquinha estava para morrer. E se Cidinho também apanhasse a ‘fina’? Eu não poderia perder os meus dois amigos. Aí, sim, o meu desespero seria do tamanho do fim do mundo. Não sei bem a razão, mas, para mim, o fim do mundo de que me falava minha madrinha de apresentar, irmã de criação do meu pai, seria a coisa mais feia do mundo. E como dizia dindinha Carminha, o mundo se acabaria sob uma chuva de fogo. Para mim, na minha santa inocência, perder Francisquinha e Cidinho, meus melhores amigos, seria, sim, o fim do mundo. Coisa mais feia. Coisa mais triste. 

Uma boquinha da noite, depois do Natal, chegou à casa de ‘seu’ Afonso, pedalando uma velha bicicleta, Aloísio de Hilda, prima do meu pai, com um bilhete da irmã de ‘seu’ Afonso. Aloísio era o cobrador da marinete que fazia as viagens de Dores para Aracaju. Dona Eudócia caiu em prantos. ‘Seu’ Afonso também. Logo, a família inteira chorava. Mamãe foi acudir dona Eudócia. Ela disse que a notícia vinda com o bilhete era boa demais para ser verdade. Ela disse isso. E foi isso mesmo que mamãe disse a papai. Eu não acreditei. Eu nunca tinha ouvido ninguém chorar por causa de uma notícia boa. Nunca. Ou os meus sete anos eram ingênuos demais. Na minha cabecinha sem miolos ajuizados, somente uma coisa tinha acontecido: Francisquinha estava morta, ou estaria para morrer. Cidinho, eu e ela éramos como irmãos. Íamos juntos à escola. Fazíamos artes juntos. Ela era da minha idade. Cidinho era um ano e pouco mais velho. Perder Francisquinha seria uma coisa muito ruim. Naquela noite, depois do café, fui para o quarto que eu dividia com o meu irmão, e chorei debaixo do lençol, para que mamãe não pudesse ouvir e me fizesse um monte de perguntas sem pé nem cabeça. Chorei como um desvalido. E no meu choro inocente eu repetia baixinho: “Ai, meu Deus! Ai, meu Deus!”. Deus ainda teria como socorrer Francisquinha?

O Natal tinha passado. A festa de Ano Novo seria dali a dois dias. ‘Seu’ Afonso foi a Aracaju. Na minha cabecinha confusa, ele traria o corpinho de Francisquinha dentro de um caixãozinho branco. Igualzinho ao da filhinha de Perolina, que morreu ainda bebê, comida pelos vermes. Naquele tempo, morriam muitas crianças. Os cemitérios e as santas-cruzes eram cheios de covinhas de anjos. 

Como nós estávamos em férias escolares, eu passei o dia todo na calçada lá de casa. Mal e mal entrei em casa para comer, ao meio-dia. Continuei na calçada. Sem sossego. A tarde caiu. O sol começou a ir-se embora. Umas nuvens de chuva se formaram, mas não choveu, apesar de uns poucos trovões. A noite deu sinais de sua chegada. Súbito, do beco de tio Dadá, saíram ‘seu’ Afonso e uma pirralhinha que ele segurava pela mão. Não tive dúvida. Era Francisquinha. Viva. Mais viva do que nunca. Eu girtei: “Mamãe, é Francisquinha!”. Quis correr ao encontro deles, mas as pernas começaram a doer. Doíam muito, de repente. O meu coraçãozinho de apenas sete anos disparou. Bateu, bateu como se fosse estourar. Não chorei, mas tive vontade. Quando eles chegaram à calçada da casa deles, ela me deu adeus. Acenou com a mãozinha esquerda. Eu não lembro bem, mas acho que derramei umas lágrimas. Corri para o interior da casa berrando: “Mamãe, a senhora não ouviu? ‘Seu’ Afonso trouxe Francisquinha!”. A minha mãe, que estava atarefada, fazendo o café da noite, não tinha ouvido o meu alarme anterior. 

Francisquinha não pôde ir à feirinha de Ano Novo. Ela estava curada da ‘fina’, mas precisava tomar cuidados. Eu fui e trouxe para ela uma cestinha de confeitos de castanhas de caju, que, em geral, quase toda criança adorava. Eu nem sabia se ela gostava de confeitos. Comprei porque ela era minha amiga e estava de volta. Contudo, ela adorou. E comeu todos os confeitos, menos uns poucos que ela me deu, que colocou em minha boca. Aquele foi o primeiro Ano Novo que Francisquinha passou ao meu lado. Quero dizer, que ela passou comigo ali como seu vizinho. E companheiro de artes. Eu, ela e Cidinho. Ainda hoje nós somos amigos. 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 03 de janeiro de 2016.


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
02/01
15:38

Confiança-SE perde para o Santos no Grupo 7

Na Arena da Fonte Luminosa, o Santos teve dificuldades para passar pelo visitante 

O Santos começou com o pé direito a disputa da 47ª Copa São Paulo de Futebol Júnior. Neste sábado (2) pela manhã, venceu o Confiança (SE), por 1 a 0, na Arena da Fonte Luminosa, em Araraquara. Apesar da vitória, o time paulista não lidera o Grupo 7, porque na preliminar, o América (PE) surpreendeu a Ferroviária e ganhou por 2 a 0 dos donos da casa. Os vencedores têm os mesmos três pontos, porém, o time pernambucano é dono de melhor saldo de gols: 2 a 1.

Atual vice-campeão paulista da categoria sub-20, tendo perdido o título para o Corinthians, o Santos é apontado como um dos principais candidatos ao título e abriu o placar logo aos 10 minutos, quando Natan pegou o rebote do goleiro e empurrou para as redes. Depois disso, no entanto, o time não se impôs e foi para o intervalo com o placar apertado.

No segundo tempo, o Confiança foi ao ataque, pressionou e até acertou uma bola no travessão santista, mas a experiência dos paulistas acabou prevalecendo, garantindo a vitória até o final.

Na próxima rodada, a segunda do Grupo 7, a Ferroviária tenta se recuperar diante do Confiança (SE), na segunda-feira (4), às 18 horas. Confiantes após a vitória contundente, os pernambucanos do América têm um pedreira pela frente e defenderão a liderança contra o Santos, também no mesmo dia, mas antes, às 16 horas. Ambos os jogos acontecem na Arena da Fonte.
 


Esportes
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Por Kleber Santos
02/01
15:36

Começou neste sábado a Copa São Paulo de Futebol Jr.

O ano de 2016 nem bem começou e a bola voltou a rolar. Neste sábado (2), o calendário do futebol brasileiro foi aberto com a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Disputada por atletas com até 20 anos de idade, a “Copinha” chega a sua 47ª edição com o prestígio de ser a mais tradicional competição de categorias de base do Brasil. Ao todo, 112 equipes (o maior número da história) disputam o título da competição. A TV Brasil transmite o campeonato. Confira quais jogos serão transmitidos e saiba como sintonizar a TV Brasil na sua cidade.

Confira a lista de times e grupos da Copa SP:
Grupo 1: Tanabi – SP, Chapecoense – SC, Juventude – RS e América – SP.
Grupo 2: Rio Preto – SP, Atlético Paranaense – PR, Sport – PE e União ABC – MS.
Grupo 3: Penapolense – SP, Santa Cruz – PE, Vila Nova – GO e Mirassol – SP.
Grupo 4: Linense – SP, Botafogo – RJ, São Bento – SP e Sobradinho – DF.
Grupo 5: Marília – SP, Cruzeiro – MG, Comercial – SP e Vitória da Conquista – BA.
Grupo 6: Noroeste – SP, Coritiba – PR, União Barbarense – SP e Palmas – TO.
Grupo 7: Ferroviária – SP, Santos – SP, AD Confiança – SE e América – PE.
Grupo 8: Guaratinguetá – SP, Ceará – CE, Joinville – SC e CS Paraibano – PB.
Grupo 9: São Carlos – SP, Internacional – RS, Botafogo – SP e Serrano – BA.
Grupo 10: Lemense – SP, Atlético Goianiense – GO, Criciúma – SC e Rio Claro – SP.
Grupo 11: Inter de Limeira – SP, Corinthians – SP, Bragantino – SP e Botafogo – PB.
Grupo 12: Náutico – PE, Paysandu – PA, Guarani – SP e Mogi Mirim – SP.
Grupo 13: Capivariano – SP, Fluminense – RJ, Real Noroeste – ES e Água Santa – SP.
Grupo 14: Primavera – SP, Avaí – SC, Paraná Clube – PR e Boca Júnior – SE.
Grupo 15: Desportivo Brasil – SP, Porto – PE, Ponte Preta – SP e Espigão – RO.
Grupo 16: Ituano – SP, Grêmio – RS, Desportiva Ferroviária – ES e Santos – AP.
Grupo 17: Grêmio Osasco Audax – SP, São Paulo – SP, Paulista – SP e Tiradentes – CE.
Grupo 18: Taboão da Serra – SP, Figueirense – SC, Fast – AM e XV de Piracicaba – SP.
Grupo 19: GE Osasco – SP, Vitória – BA, Rondonópolis – MT e Altos – PI.
Grupo 20: São Bernardo FC – SP, Goiás – GO, ABC – RN e Galvez – AC.
Grupo 21: Taubaté – SP, Bahia – BA, Desportiva Aliança – AL e Sabiá – MA.
Grupo 22: Atlético Mineiro – MG, Desportiva Paraense – PA, Araxá – MG e Ríver – PI.
Grupo 23: Atibaia – SP, Goiânia – GO, Portuguesa – SP e Brasília – DF.
Grupo 24: União Mogi – SP, Flamengo – RJ, Red Bull Brasil – SP e Palmeira – RN.
Grupo 25: São José dos Campos FC – SP, Palmeiras – SP, Sampaio Corrêa – MA e Estanciano – SE.
Grupo 26: Flamengo – SP, Fortaleza – CE, Luverdense – MT e Santo André – SP.
Grupo 27: Nacional – SP, Vasco da Gama – RJ, Guaicurus – MS e São Raimundo – RR.
Grupo 28: Juventus – SP, América Mineiro – MG, São Caetano – SP e Pérolas Negras - Haiti
 


Esportes
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Por Kleber Santos
02/01
11:13

Eleições 2016 - Proibida a divulgação de pesquisa sem registro no TRE-SE

Dentro de exatos 10 meses serão realizadas em todo o Brasil as eleições municipais de 2016. A partir de agora estão em vigor as normas do Calendário Eleitoral, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro, ontem, inclusive a proibição de divulgação de pesquisas sem o devido registro do TRE. As eleições, em Sergipe, ocorrerão em todos os 75 municípios.

Veja a seguir o Calendário do TER-SE para janeiro deste ano.

JANEIRO – SEXTA-FEIRA, 1º.1.2016



1. Data a partir da qual as entidades ou empresas que realizarem pesquisas de opinião pública relativas às eleições ou aos possíveis candidatos, para conhecimento público, ficam obrigadas a registrar, no juízo eleitoral competente para o registro das respectivas candidaturas, as informações previstas em lei e em instruções expedidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (Lei nº 9.504/1997, art. 33, caput e § 1º).

2. Data a partir da qual fica proibida a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios por parte da administração pública, exceto nos casos de calamidade pública, de estado de emergência ou de programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no exercício anterior, casos em que o Ministério Público Eleitoral poderá promover o acompanhamento de sua execução financeira e administrativa (Lei nº 9.504/1997, art. 73, § 10).

3. Data a partir da qual ficam vedados os programas sociais executados por entidade nominalmente vinculada a candidato ou por este mantida, ainda que autorizados em lei ou em execução orçamentária no exercício anterior (Lei nº 9.504/1997, art. 73, § 11).

4. Data a partir da qual é vedado realizar despesas com publicidade dos órgãos públicos federais, estaduais ou municipais, ou das respectivas entidades da administração indireta, que excedam a média dos gastos no primeiro semestre dos três últimos anos que antecedem o pleito (Lei nº 9.504/1997, art. 73, inciso VII).



Política
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Por Eugênio Nascimento
01/01
13:03

Prazo para renegociação das dívidas agrícolas é prorrogado

No último dia do ano, os pequenos e médios agricultores receberam um presente. Foi publicado no Diário Oficial da União (DOU), na edição do dia 31 de dezembro, a Medida Provisória 707/2015, assinada pela presidenta Dilma Rousseff, que altera os prazos previstos na lei 12.844, que trata das negociações das dívidas agrícolas. Agora, os agricultores terão até dia 30 de junho de 2016 para formalização das operações de refinanciamento. Além disso, agora o prazo de prescrição das dívidas fica suspenso até 31 de dezembro de 2016 e as operações de risco da União não devem ser encaminhadas para inscrição na Dívida Ativa da União também até 31 de dezembro de 2016, mesmo prazo estabelecido na MP 707 para a suspensão do encaminhamento para cobrança judicial.

Para o deputado federal João Daniel, essa é uma importante conquista dos agricultores. Vários encaminhamentos foram feitos por ele para que a presidenta Dilma Rousseff prorrogasse esse prazo, beneficiando os agricultores. No mês de novembro, durante seminário realizado pelo parlamentar petista de Sergipe, esse foi um dos principais apelos feitos pelos agricultores. A partir daí, a demanda teve vários desdobramentos encampados pelo mandato do deputado João Daniel.

Ascom


Variedades
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Por Kleber Santos
01/01
12:59

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Por Kleber Santos
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