18/01
10:42

Quebra de encanto

Geraldo Duarte*
Advogado

Faz-se além de historiada discussão paradisíaca, entre Adão e Eva, acerca da criação. Acontece trazida por estrelas cadentes e rezadeiras a tremular raminhos de arruda.

Mostra-se no leito de casal em gume amolado da lâmina do ciúme. Passa na escolha de irmão de sangue, na luta da salvação e na tragédia humana. Sobrechega do amor e do mel de arapuá, na sedução e na separação.

De quase dois heróis nordestinos iludindo, amedrontados, o temido Lampião. Da experimentada troca da morte pela vida. Do encontro de um lobisomem e uma mula sem cabeça, sob uma noite enluarada, que os uniu e livrou-os da maldição. E, ainda, o fascínio das pessoas ante aos mistérios do desconhecido.

Certamente, filólogos e críticos literários não se conformariam com a simplicidade da ficha catalográfica: contos. Diriam, talvez, contos, crônicas, ensaios, roteiro teatral, gravuras e outras classificações semanticistas. Na acepção do pós-doutor Dante Abrantes D’Almeida e Souza, em terras lusas, conteria, indispensavelmente, ficção curta.

Mas, tal, dá-se a especialistas e literatos. Aqui, um enfoque da obra Quebra de Encantos, magia de temáticas cotidianas, entretanto, explorando suas curiosidades recônditas.

Nícolas Almeida, o autor, destacado jornalista, foi repórter, ilustrador, desenhista, redator, editor e diretor de jornais. Pintor, formado na Escola de Belas Artes de Recife, sobressaído em exposições nacionais, conquistando premiações. Escritor e dramaturgo a conciliar talentos.

Funcionário aposentado do BNB, citado aracajuano, hoje decerto muito mais cearense, enriquece grandemente a cultura alencarina.
 
*Administrador e dicionarista.


Colunas
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Por Kleber Santos
18/01
10:42

Curso técnico integrado ao Ensino Médio é novidade do SENAI Sergipe para 2017

O SENAI, há mais de 70 anos, é responsável pela qualificação de milhões de trabalhadores por ano, sendo o maior complexo de educação profissional da América Latina. Em suas unidades, oferece cursos voltados à preparação do aluno para o exercício de uma profissão e oferece também o melhor em termo de estrutura.

Sendo assim, o SENAI Sergipe saiu na frente mais uma vez, e apresentou uma grande novidade para o ano de 2017: o novo curso técnico integrado ao Ensino Médio. A partir de agora, a instituição passa a oferecer em nosso estado o curso técnico e ensino médio juntos em apenas 3 anos, de forma concomitante. São duas opções de cursos: técnico em Logística e técnico em Eletrotécnica com turma em Aracaju no turno da manhã.

Dessa forma, o aluno ao final do curso, se aprovado, vai receber o diploma do ensino médio junto com o ensino técnico, estando apto a trabalhar e alcançar novos desafios no mercado de trabalho, já que a taxa de absorção das pessoas com formação técnica no mercado é de 60 a 70%.

Industriários, alunos do interior do Estado e das cidades da Região Metropolitana de Aracaju/SE interessados em uma vaga, têm descontos especiais. Mais informações sobre a nova modalidade de curso pelo número 3226-7223, email www.se.senai.br ou pela página SENAI SERGIPE no facebook.

Unicom/FIES


Variedades
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Por Kleber Santos
17/01
09:57

Professor da UFS apresenta estudo sobre PREVINE

Na sexta-feira, 20 de janeiro, Dr. Ricardo Gurgel, Professor associado do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal de Sergipe, apresenta, em Sao Paulo, para imprensa especializada resultados, em primeira mão do estudo PREVINE (Prevalência, Fatores de Risco, ïndices deCo-Detecção e Sazonalidade de Vírus Respiratórios em Crianças com Infecções noTrato Respiratório Inferior do Nordeste), do qual é pesquisador ecoordenador.  O objetivo deste estudo foi monitorar a prevalência de vírus respiratórios responsáveis pelo maior número de hospitalizações de bebês dezero a 2 anos.  Além da Universidade Federal de Sergipe, participaram do estudo coordenado por Dr Gurgel,  centros médicos e de pesquisa da BAHIA(Universidade Federal da Bahia, PERNAMBUCO (Instituto de Medicina Integral Dr. Fernando Figueira) e ALAGOAS (Universidade Federal de Alagoas).

O estudo, que teve o patrocínio da biofarmacêutica AbbVie, monitorou um total de 507 crianças, de zero a 2 anos, para medir a prevalênciado VSR – Vírus Sincicial Respiratório e de outros virus respiratórios nomomento da internação.  O estudo PREVINE  para a classe médica, narevista inglesa Medicine, em 2016.

O Virus Sincicial Respiratório (VSR) é sazonal e circula, a partirde janeiro na região nordeste. Uma das principais causas de hospitalizaçõese mortalidade entre bebês prematuros e mais frequente de infecçõesrespiratórias do trato inferior de bebês prematuros, nascidos com ou abaixo de35 semanas de gestação.  Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, oBrasil está entre os 10 países com maior número de nascimento de bebêsprematuros, índice que coloca o país em posição semelhante aos países de baixarenda. 


Variedades
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Por Kleber Santos
17/01
09:56

Tribunal investe na segurança da informação e na interligação de redes

O Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, através da Diretoria de Modernização e Tecnologia (DMT), está realizando dois grandes investimentos na área de TI para melhorar a infraestrutura da entidade: a implantação de um contêiner para hospedar com segurança as informações do TCE e a interligação do Tribunal à Rede Integrada do Governo do Estado de Sergipe. A previsão é que estas realizações estejam prontas entre o final deste mês e o início de fevereiro.        

De acordo com o diretor da DMT, Cláudio Luiz da Silva, a necessidade de aquisição de um contêiner é o resultado de um diagnóstico que foi feito no início do ano passado. “Foi constatado que a hospedagem dos servidores do Tribunal, do armazenamento das informações, hoje acontece de forma precária. Então, um dos itens de infraestrutura mais prioritário foi resolver esta questão da hospedagem desses equipamentos, onde está todo o fluxo de trabalho do Tribunal”, explica o diretor.

Havia duas alternativas para solucionar esse impasse. Fazer a compra de uma sala-cofre indoor, que ficaria dentro do prédio do TCE, mas que seria mais cara, mais complexa e conservadora; e a outra opção seria utilizar um contêiner, solução que fica fora do prédio e menos sujeita às questões estruturais da obra civil. Daí, a opção por esta segunda alternativa.

O contêiner, que mede 16m x 4m e pesa 20 toneladas, é uma caixa semelhante aos contêineres de navio, só que produzida especificamente para atender os requisitos de hospedagem de equipamentos de informática. Ficará instalado numa plataforma de 100m² numa área externa do Tribunal. A parede é blindada contra infiltração e atende as características técnicas de prevenção de incêndio e de controle especifico de temperatura. Para isso, conta com sistema dual de ar-condicionado e de incêndio, além de sistema de energia com nobreak, dois geradores e energia da rede.

Integração
Outro investimento na infraestrutura do Tribunal de Contas é a integração do contêiner com o Data Center da Secretaria de Estado da Fazenda. Um duto está sendo construído ligando os dois data centers, que beneficiará outro projeto do Tribunal, que é o de mudança na forma como são capturadas as informações dos órgãos ligados à administração estadual. Atualmente, o TCE não tem acesso à Rede Integrada do Governo do Estado de Sergipe, mas quando a ligação de fibra ótica estiver pronta, que será paralela à implantação do contêiner, o Tribunal passará a ter total acesso.


Política
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Por Kleber Santos
16/01
09:56

Funcionários do Cirurgia continuam greve e lutam pelo 13º salário

No terceiro dia de greve, os empregados do Hospital Cirurgia realizaram mais um ato na frente do hospital para protestar, nesta segunda-feira (16), pela falta de pagamento dos vencimentos por parte da gestão. Depois da pressão da categoria, começou a ser creditado hoje o salário de dezembro, mas ainda existe o atraso do pagamento do 13º salário e, por conta disso, a greve continua por tempo indeterminado com o apoio do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa).

“Nós não iremos desistir enquanto os gestores não pagarem totalmente o que está devendo. Até agora, não foi anunciada a data que haverá o pagamento do 13º salário. Soubemos que a Prefeitura Municipal de Aracaju já fez um repasse para o hospital de R$ 3 milhões, o salário de dezembro começou a ser pago, mas ainda falta o 13º”, disse o presidente do Sintasa, Augusto Couto.

Apesar da alegação da gestão que a prefeitura ainda deve outra parte do repasse, o presidente do Sintasa afirma que a responsabilidade do pagamento dos funcionários é do hospital e eles não tem culpa se existe algum devedor. “Os empregados trabalharam todos os dias e tem direito ao 13º salário” ressalta o líder sindical, que espera uma possível audiência na quarta-feira, 18, entre o Sintasa, Hospital Cirurgia, Secretaria Municipal de Saúde e Ministério Público Estadual.


Variedades
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Por Kleber Santos
15/01
12:49

Coluna Primeira Mão - Eugênio Nascimento

Quem será?
Fala-se que Zezinho Sobral, Zezinho Guimarães, João Augusto Gama, Fernando Mota, Benedito Figueiredo ou Saumineo Nascimento são os nomes mais cotados para a Secretaria de Estado da Fazenda. Sobral é lembrado também para a pasta da Inclusão Social (Seidh). Segunda ou terça-feira JB anuncia.


Sem trégua
Normalmente, no período após a posse dos chefes do Executivo federal, estaduais e municipais, os opositores costumam dar um prazo de 100 dias sem críiticas agressivas ao vencedor, para que ele arrume sua equipe, comece a organizar as finanças, planeje e anuncie obras. Como as feridas de campanha ficaram abertas em Aracaju, o período pós-eleitoral é de provocações. Critica-se até os escolhidos para compor o primeiro escalão. E quando o prefeito Edvaldo Nogueira completar 100 dias de gestão virão as futucadas do tipo 'sem dias sem nada'. A oposição não desceu do palanque.


Está fora
O prefeito Edvaldo Nogueira garante que não pretende disputar o Governo de Sergipe em 2018. Mas quer a Prefeitura de Aracaju fora da crise em um ano e meio. É um prazo bom para viabilizar seu nome. Sei não.


É só discurso
Os opositores do governador Jackson Barreto dizem que ele não tem prestígio em Brasília. Mas JB parece ser bem recebido pelo Presidente Michel Temer e seus ministros. Só isso destrói o discurso dos opositores. Mas há dificuldades para conseguir recursos. JB, assim como seus opositores, ouvem muitas promessas e pouco conseguem trazer para Sergipe.


Tudo parado
Nem o governador JB e nem a bancada federal conseguem do governo Temer a conclusão das obras da duplicação da BR-101 em Sergipe.


Prejudicados
São muitos os estudantes da UFS que não estão podendo frequentar suas aulas porque,  na transição de um prefeito a outro de cidades do interior, o transporte escolar foi interrompido. Esse é um problema que diz respeito a muitas autoridades sergipanas. Até quando vão ignorar o assunto?


Festança
O problema dos imóveis alugados por João Alves Filho acima dos preços de mercado não é mais uma " herança maldita ". É razão para ser feita denúncia ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas de Sergipe. Aliás,  isso é uma festa em Sergipe


Privatização
Quem se importará se a Deso for privatizada?   A julgar pelas reclamações diárias nas emissoras de rádio contra a má qualidade dos serviços da empresa,  ninguém.  A não ser os marajás que não querem se aposentar,  prefeituras, as empresas privadas e públicas que não pagam as suas contas  e aqueles com cargos comissionados para não fazer nada. E os funcionários que recebem décimo quarto salário.


Dívida elevada
Na verdade, as dívidas de Aracaju de curto, médio e longo prazos somam mais de R$ 831milhões, o que corresponde a metade do orçamento de Aracaju para 2017. Isso é preocupante.


Destino
Embora já tenha dito várias vezes que quer disputar o governo de Sergipe em 2018,  os governistas só vêem o senador Eduardo Amorim como candidato à reeleição. Dizem até que ele seria reeleito. Já sendo candidato a governador, a turma de JB só enxerga Amorim derrotado.


Quo vadis
Há, no PT, quem veja Rigerio Carvalho como um potencial candidato a senador. Mas há também no mesmo PT, o seu partido,  quem o veja como um forte nome para a Câmara Federal. Ele acompanha tudo calado.


Bons vices
Um político próximo do governador Jackson Barreto comentou com a coluna: Itabaiana poderá oferecer a Sergipe dois bons vices na disputa do governo de Sergipe em 2018 - Luciano Bispo pelo nosso bloco e Valmir de Francisquinho pela oposição.


Coluna Eugênio Nascimento
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Por Kleber Santos
15/01
12:38

Tempos incertos

Ricardo Lacerda*
Professor de Economia da UFS
2017 será ainda um período de grandes dificuldades para a economia brasileira que deverá enfrentar o quarto ano sem crescimento, entre estagnação e queda do nível de atividade, e o terceiro ano de intensa deterioração do mercado de trabalho. Segundo estimativa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2017 mais um milhão e duzentos mil brasileiros serão incorporados ao contingente de desempregados.

O Banco Mundial publicou na semana que passou a edição de janeiro de 2017 do relatório semestral Perspectivas Econômicas Globais, cujo subtítulo dessa vez ressalta a fragilidade dos investimento em tempos marcados por fortes incertezas. O documento pode ser acessado no link http://www.worldbank.org/en/publication/global-economic-prospects. Para o Banco Mundial, em 2016 o comércio global estagnou, o investimento desacelerou e as incertezas políticas se ampliaram. 

Em linhas gerais, o relatório ressalta o aumento das incertezas associadas ao recrudescimento do protecionismo nos países centrais e os riscos de piora nas condições de financiamento externo ameaçando as perspectivas de crescimento da economia mundial. Fica implícito o temor dos impactos globais caso o presidente eleito dos EUA, Donald Trump, venha, como vem anunciando, adotar linha de atuação de forte protecionismo no mercado interno e que, dado o peso da economia daquele país, o comércio internacional sofra um revés importante. 

São cinco os pontos destacados no relatório do Banco Mundial: em 2016, o crescimento da economia mundial encolheu para 2,3%, frente à expansão de 2,7% em 2015. O comércio internacional, por sua vez, se encontra estagnado, deixando de operar como mecanismo de impulso ao crescimento econômico. De fato, no mundo pós-crise financeira, as taxas de expansão do comércio mundial se situaram muito abaixo do período imediatamente anterior a 2008 e tanto em 2014 quanto em 2015 o volume de bens transacionados internacionalmente registrou expressiva desaceleração na taxa de incremento. 

Como vem se verificando nos relatórios de primeiro semestre dos últimos anos, o Banco Mundial, assim como o Fundo Monetário Internacional, estima recuperação moderada na taxa de crescimento da economia mundial no ano que se inicia que depois é revista para baixo nos relatórios de segundo semestre e do início do ano seguinte, a fim de se adequar aos resultados que vão se tornando públicos. 

Condicionantes 
Para 2017, o relatório projeta crescimento de 2,7% na economia mundial, decorrente principalmente de certa aceleração da expansão nas economias em desenvolvimento e no mercados emergentes. Enquanto as economias ditas avançadas apresentariam uma melhoria muito modesta, passando de 1,6%, em 2016, para 1,8%, em 2017, as economias emergentes e em desenvolvimento acelerariam de 3,4% para 4,2% (ver Quadro). A melhoria nos preços das commodities e o incremento nos investimentos diretos estrangeiros seriam os principais vetores capazes de reanimar essas economias em 2017 e anos seguintes. A elevação nos preços das commodities, particularmente mas não exclusivamente de petróleo, deverá melhorar os termos de troca dos países exportadores desses bens, o que ajudará a alavancar suas taxas de crescimento e estreitar o hiato de ritmos de crescimento em relação aos países importadores de commodities.  Esses são os pontos 2 e 3 destacados no relatório.
   
O quarto ponto apontado é a expectativa de adoção de fortes estímulos fiscais nas economias centrais, notadamente nos EUA. Para o relatório, a utilização de mecanismos fiscais para acelerar o crescimento econômico e gerar emprego, em acordo com que vem anunciando o virtual presidente norte-americano, poderá provocar aceleração no crescimento daquele país com possível impacto sobre o crescimento global acima da taxa estimada.

O relatório frisa que as projeções de crescimento global para 2017 estão sujeitas a incertezas substanciais. Esse é quinto e último destaque. Persistiria um elevado grau de incerteza política que teria sido exacerbada pelos acontecimentos de 2016, especialmente os resultados eleitorais da disputa presidencial dos Estados Unidos e na decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia. 

Perduram ainda riscos associados a disrupções no mercado financeiro por conta de condições mais restritas de acesso ao financiamento globais e que podem ser ampliados caso se confirme a escalada de tendências proteccionistas, o que poderia redundar em crescimento mais lento e maior vulnerabilidade em algumas economias em desenvolvimento e mercados emergentes.

Avançadas e emergentes
Depois da intensa desaceleração em 2016, quando o crescimento encolheu de 2,1% para 1,6%, as economias avançadas deverão apresentar modesta retomada em 2016 e 2017, quando deverão crescer 1,8% em cada ano, impulsionadas pelo maior crescimento da economia dos EUA, posto que a Zona do Euro e o Japão não deverão acelerar o ritmo de expansão (ver Quadro). É importante registrar que a economia norte-americana deve ter crescido em 2016 em ritmo inferior aos de 2014 e 2015.

A aceleração dos países emergentes será impulsionada pelos resultados menos desastrosos de países exportadores de commodities, muito especialmente Brasil, Argentina e Rússia, que em 2016 devem ter recuado, respectivamente, 3,4%, 2,3% e 0,6%. Para 2017, o relatório projeta a retomada do crescimento na Rússia (1,5%) e Argentina (2,7%) e expansão residual na economia brasileira (0,5%). O grupo de países exportadores de commodities, que registraram estagnação em 2015 e 2016, deverão crescer 2,3% em 2017.

Não bastassem as incertezas da economia mundial, conviveremos em 2017 com um cenário interno marcado pela instabilidade inerente aos desdobramentos da crise política brasileira e pelas enormes dificuldades de reanimar o nível de atividade interna.



*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
15/01
12:36

A enchente

José Lima Santana
Professor de Direito da UFS

Dias, meses de sol causticante assando o mundo. Nos pastos, o chão puro sem uma rama seca sequer. O calor insuportável de dia e de noite atormentava as pessoas. Mais uma seca que se prolongava abril à dentro. Não chovia desde julho. Inverno mesmo não se teve. Choveu muito pouco em junho. Menos ainda em julho, o mês em que as torneiras dos céus costumavam se abrir em abundância. Nada, todavia, além de uns chuviscos, uns poucos canecos de água, como costumava dizer D. Felismina de Chico Charuto. O gado de quem ainda teimava em manter algumas reses nos pastos arrasados emagrecia e caía hoje uma rês, amanhã outra, e assim por diante. Nas reses que se mantinham de pé as costelas pareciam querer perfurar o couro, porque carne já não tinha mais para ser perfurada. 

No fim do ano que se foi as colheitas de frutas da estação, como cajus e mangas, foram minguadas. Cajus chochos e mangas raquíticas. Faltando chuva, as frutas não encorpavam. Dona Cecília de Petrônio do finado Terto choramingava ao ter que baixar o preço das mangas do tipo espada, amarelinhas de dar gosto, o azeite escorrendo do lugar do talo, colhidas à mão, mas muito pequenas. “Dona Cecília, estas manguinhas só valem mesmo quinze por cinco reais”. O preço cobrado era de R$ 5,00 por dez mangas. “Vale não, Dona Cecília!”. E a pobre mulher era obrigada a baixar o preço sob pena de ficar com as mangas. O marido estava entrevado em cima da cama. Os filhos tinham as suas famílias e pouco podiam ajudar. Eram pobres, faltos de recursos. Os pais compreendiam. Era preciso comprar remédios muitos caros. No posto de saúde não tinha quase nada. “Cadê o dinheiro do povo, o dinheiro dos impostos?”, perguntava Valter Sucupira. Dona Cecília baixava o preço das mangas, ao aumentar a quantidade e manter o preço de R$ 5,00. Quinze por cinco, ao invés de dez por cinco. Qualquer dinheiro que entrasse, ajudava a comprar os remédios do marido entrevado, remédios que a Prefeitura deveria dar aos pobres. Mas, os pobres, os pobres continuavam sem salvação. “Só Deus pra velar por nós!”, dizia e repetia Dona Cecília nos seus queixumes. 

Abril andava nos seus meados. Nada de chuva. Os dias amanheciam em brasa, que só fazia aumentar, alcançando o auge por volta das duas horas da tarde. O céu azul sem mancha era muito intenso. Azulão. O sol parecia ter se aproximado da Terra para espiar o que por aqui se passava. Não ventava, dia e noite. E se por acaso uma leve viração soprava, era como um bafo de panela destampada sobre uma boca do fogão a lenha, que Dona Cecília ainda mantinha na cozinha. “Fogão a gás é luxo de quem pode”, dizia ela. O tempo estava brabo. O mundo seria consumido pelo fogo estelar. “Pois, então, o mundo não já se acabou pela água, no tempo de Noé? Agora vai ser pelo fogo. Os pecados são cada vez maiores. Tá tudo perdido. Que Deus tenha piedade de nós, pela sua misericórdia!”. O que Dona Cecília vivia a repetir era voz corrente em todo lugar. 

Até água estava faltando na cidade, dia sim, dia não. Ora diziam que a bomba estava quebrada, ora que o riacho que abastecia a cidade estava secando. Tudo estava muito difícil. E muitos grandolas mamando nas tetas do povo, como se o povo fosse uma enorme vaca leiteira sem dono. “Malditos! Malditos!”. As rádios anunciavam casos e mais casos de corrupção, de ladroagem. E os ladrões por aí, palitando os dentes. 

Quarta-feira. Última semana de abril. O dia amanheceu nublado. Nalguns lugares tinha chuviscado de madrugada. As nuvens foram se encorpando, escurecendo. O mormaço dos dois dias anteriores prenunciara chuva. Era tempo de começar o inverno por aquelas bandas. Mas, o que se via eram nuvens carregadas, nuvens de trovoadas. Por volta do meio-dia, uns riscos iguais a cobras de fogo serpentearam nos ares. Um trovão ribombou adiante. Outros trovões foram se ouvindo. As cobras de fogo aumentaram. Os trovões também. E um aguaceiro nunca visto antes desceu como se fosse para lavar todas as sujeiras do mundo, inclusive a sujeira dos grandolas que roubavam o povo, como se a sujeira daqueles imundos pudesse ser lavada. Não com as águas dos céus. Chuva. Chuva. Chuva. Um temporal de três horas, que mais parecia o dilúvio de Noé. Ou pior. A cidade virou um mar. Água na cintura das pessoas que se aventuravam andar pelas ruas transformadas em riachos de voz grossa. Casas de taipa caiam nos subúrbios e nos povoados. Pobres com as mãos na cabeça. 

O riacho do Mulungu fez-se rio bravio. Botou a maior de todas as suas enchentes. Na curva do Moura o bicho botou água nos olhos dos paus. Mundão de água. Bois mortos, troncos e tudo o mais que as águas puderam arrastar. A cabeça d’água veio com a força de todas as fúrias romanas, para quem delas já ouviu falar. A enchente não respeitava coisa alguma. A largura do Mulungu era desmedida. O riacho pulou muitas varas do seu leito normal de enchente. Aquela era uma enchente de arrasar o mundo. Não era normal. 

Raimundo de “seu” Joaquim Lima tentou atravessar o Mulungu a cavalo, quando as águas ainda se faziam crescer. Ele calculou que daria para passar a nado. Tirou as roupas e amarrou na sela. O dinheiro para pagar o gado da última matança, marchante que ele era, estava no bolso da calça. Ele deu um nó na calça por precaução, para que o dinheiro não caísse. Molhado ficaria, mas o sol, depois, o enxugaria. Açulou o cavalo, que, primeiro, refugou, mas, a seguir, entrou no riacho que encorpava cada vez mais. No meio do quase mar foi que a cabeça d’água alcançou o cavalo e o cavaleiro. Este escorregou da sela e segurou no rabo do animal. O cavalo ruço de estimação, bom no manejo do gado como poucos ou nenhum, soprou e bufou. Saiu a nado. O dono agarrado na cauda. As águas subiram ainda mais. O cavalo começou a ser arrastado pelas águas. Um torvelinho fez o cavalo rodopiar. Raimundo de “seu” Joaquim foi jogado de lado. Desceu. Subiu. Engoliu muita água. Sentiu-se perdido. Viu o cavalo, lá adiante, submergir. Viu-o reaparecer. E de novo submergir. O marchante compreendeu que era chegado o seu fim e o do cavalo. Só teve pensamento para a mulher e os filhos. Quem deles haveria de cuidar? 

Um tronco acertou-lhe em cheio. Rodopiou, rodopiou, rodopiou. Submergiu. Exímio nadador em águas paradas, não tinha fôlego, nem braços, nem pernas que lhe permitissem se salvar. Conseguiu subir à superfície, mas, logo, logo, tornou a descer. Tornou a pensar na mulher e nos filhos. A mulher tinha pouco mais de trinta anos. Os dois filhos quase adolescentes. Um deles, ginasiano, era metido a fazer versos nas páginas dos cadernos. Nunca mais ele os veria. Debateu-se. A sua hora era chegada. Que Deus tivesse pena da sua alma. De repente, na escuridão das águas, uma luz fraca, que foi aumentando. Fez-se um luzeiro. Um menino saído das profundezas estendeu-lhe uma mão. Uma mão brilhante, uma luz mais forte que a do sol. O menino sorriu. E foi-lhe retirando do torvelinho, das águas do riacho Mulungu, feito rio de grande porte. Deitado na margem, a salvo, Raimundo de “seu” Joaquim Lima viu o menino afastar-se de costas, ainda sorrindo. Luz brilhante. Luz intensa. Luz pura. 

No dia seguinte, o marchante encontrou o cavalo são e salvo, pastando. Na sela, as roupas intactas. No bolso da calça, o dinheiro. Nada se perdeu. Passados dois meses, Raimundo foi à casa do fazendeiro Vicente Figueiredo. Na sala, ele viu uma imagem de santo. Era igualzinho ao menino que lhe dera a mão na enchente. Perguntou à mulher do fazendeiro que santo era aquele. “É o Menino Jesus de Praga”, ela respondeu. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
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