27/02
20:46

UFS realiza aula inaugural do Curso de Medicina no Campus de Lagarto

Um marco. Assim pode ser definida a tarde de hoje, 27, para centenas de alunos e professores do Campus de Lagarto da UFS. É que foi realizada pelo professor universitário e deputado federal Rogério Carvalho,  a primeira aula dos cursos de odontologia e medicina do Campus recém-implantado pela UFS, que já abriga desde o ano passado, outros seis curso.  A implantação do Campus faz parte do projeto de expansão do ensino superior do Governo Federal em parceria com o governo do Estado e prefeituras.

O projeto foi citado pelo diretor do Campus,  Mário Adriano dos Santos “A  gente deve reconhecer que esse processo de expansão teve uma grande figura que foi o professor Josué Passos Sobrinho e deixará um marco na sua História. E devemos ressaltar também o entusiasmo do vice reitor Angelo Antonioli. Mas, essa expansão  não aconteceria sem as parcerias com o governo do Estado e com as prefeituras municipais. Quero agradecer ainda, o compromisso de todos os coordenadores e também aos alunos que entenderam nossas dificuldades iniciais e se dedicaram como verdadeiro companheiros na  construção desta realidade” comentou.
 

Após a fala do diretor, o prefeito de Lagarto, Valmir Monteiro, participou da assinatura do termo de cooperação entre a prefeitura de Lagarto e a Universidade Federal de Sergipe para as aulas práticas. “Todos os jovens da região que aqui estão vão poder contribuir com a saúde de Lagarto em nossas unidades de saúde”, explicou


Bastante emocionado o acadêmico. Danilo Menezes de Araújo , representante do Diretório Central dos Estudantes deu as boas vindas aos colegas presente, seguido da fala do reitor Josué Modesto que, já em clima de despedida, comentou a trajetória vivida enquanto dirigente da instituição “Foi um período muito feliz na Universidade Federal de Sergipe e um período de muita luta. Muitos colegas não acreditaram em nosso projeto de expansão, mas nós mostramos o contrário, tivemos muito êxito com alunos aprovados em concurso”, comentou o reitor que falou também da priorização do governo estadual para a implantação da unidade . “O projeto da Reforma Sanitária implantado por Rogério Carvalho previa a inclusão de hospitais e clínicas no interior. E nós tínhamos, então, um déficit  de profissionais, como resolver isso, pois na época não tínhamos mais como construir o Campus? Foi então  governador Marcelo Deda interviu junto ao presidente Lula  para viabilizar a construção deste Campus e conseguiu “, finalizou.


Aula de Rogério


O deputado federal  Rogério Carvalho relembrou, no início de sua palestra, relembrou a própria trajetória enquanto morador da cidade que precisou sair de Lagarto em busca de formação profissional “ Como dirigente da UNE estive em todas as faculdades de medicina do pais e nunca imaginei voltar a minha cidade e ministrar uma aula em um Campus da UFS, exclusivo da saúde, na minha cidade natal. Saí daqui aos 14 anos para estudar em Aracaju e hoje, Graças a Deus, vocês da região podem estar aqui neste momento.”, falou.

Depois, Rogério começou sua aula perguntando aos estudantes qual é o objeto de trabalho do profissional de saúde “ Nossa tarefa é lidar com um ser social e histórico e naõ uma doença ou um órgão, mas com uma pessoa que tem desejos e carências e que manifesta uma necessidade. Esta constatação que foi um marco na saúde pública brasileira, pois isso mudou radicalmente o sistema de saúde, serviço de saúde e prática profissional”


Após desta explicação o deputado conceituou a saúde como direto  e lançou um desafio aos futuros profissionais: “ Vocês são profissionais da saúde que vão trabalhar para garantir este direito aos cidadãos de todo o Brasil”

 Seguindo a palestra, Rogério explicou um pouco sobre o funcionamento do SUS, através do principio da Integralidade ( oferecimento  de todos os procedimentos e Universalização( atendimento da todos), o deputado também explicou o que seria a responsabilidade sanitária( conjunto de ações dos entes federativos para o funcionamento do sistema de saúde) e por fim, depois de um comparativo sobre as áreas pública e privada o deputado refletiu “Ser profissional da saúde é uma das profissões que mais requer da gente humanidade”, finalizou. (Da assessoria)



Variedades
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Por Eugênio Nascimento
27/02
20:05

Marcos Andrade - “Tenho projetos para Tobias Barreto”

Entrevista-Marcos Andrade]

“Tenho projetos para Tobias Barreto”



O prefeito Dilson de Agripino (PT), de Tobias Barreto, vai ter opositor nas eleições  municipais deste ano em sua cidade. Marcos Andrade, em presidente da Junta Comercial,  filiou-se ao PPS e decidiu junto com um grupo de amigos entrar na disputa. Ele diz que a  cidade está abandonada e quer melhorar os serviços e realizar uma série de obras  essenciais, segundo ele, para o município.

A seguir os principais trechos da entrevista:


Eugênio Nascimento
Da equipe JC



JORNAL DA CIDADE - Por que o senhor decidiu disputar a Prefeitura de Tobias Barreto?
MARCOS ANDRADE – Eu decidi entrar na disputa depois de ouvir os apelos de muitos amigos  que se queixam que a cidade está abandonada. As queixas partem das pessoas mais pobres  aos empresários do comércio e da indústria. O povo quer mais emprego e renda e os  empresários querem condições para crescer seus negócios e possibilitar isso. O comércio  de Tobias Barreto foi reduzido de 1992 para cá. Recebíamos 250 ônibus para a Feira da  Coruja e hoje a quantidade não passa de 25. Vou recuperar a feira. A saúde e a educação  vivem maus momentos e a segurança pública não existe.



JC – Quem dá sustentação a esse seu projeto político?
MA – É bom que claro que o projeto não é pessoal, é de toda a sociedade. Conto hoje com o  apoio do PDT, PSDB, PR, DEM e do meu partido, o PPS, que já definiu Tobias Barreto como  uma de suas prioridades para a campanha deste ano. Estamos ainda na condição de  pré-candidato e conversando com os amigos. Mas acredito que antes de iniciarmos a  campanha novas manifestações de apoio acontecerão.



JC – Quais são os principais problemas de Tobias Barreto hoje?
MA – Há uma grande falta de profissionalismo na administração. O atual prefeito só faz  calçamento e deixa em condições precárias a coleta de lixo, que tem sido feita em  caçambas abertas e não em caminhões  específicos para isso, ruas sujas, há falta de  projetos próprios do município. O que acontece por aqui é feito com verbas estaduais e  federais e ainda assim são poucos os projetos. O povo paga duas contas de água – uma para  beber e outra para os serviços do lar. Existe uma onda de violência grande no município.  Só em fevereiro já tivemos três assaltos a mão armada.



JC – E o que o senhor pretende fazer, caso seja eleito prefeito?
MA – Tenho em mente criar um centro comercial  com ações voltadas para profissionalizar   a atividade, qualificar os quadros da administração municipal, construir um centro  administrativo próximo à rodoviária, construir e fazer funcionar uma usina de reciclagem  do lixo, com aproveitamento dos compostos orgânicos para estimular a agricultura, equipar  postos de saúde e escolas e ainda garantir uma bolsa família municipal para as famílias  mais pobres, entre outras coisas 

Colunas
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Por Eugênio Nascimento
27/02
17:28

Anderson Góis vai disputar a Prefeitura de Aracaju

O professor Anderson Gois,  que foi candidato em 2008 e conquistou 14.886 votos (5,46%),  agora é pré-candidato à Prefeitura de Aracaju pelo PSL.  A formalização aconteceu ontem a tarde na sede do partido quando Anderson Gois se reuniu com o ex-deputado e presidente estadual Zé Milton e o informou do seu pleito. “Já visitei todos os bairros de Aracaju e possuo um diagnóstico para começar a elaboração de um programa de governo eficiente para a nossa querida capital”, disse


Política
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Por Eugênio Nascimento
27/02
16:54

Eleições 2012 - Valmir e Lila se enfrentarão em Lagarto

Alvo de frequentes e intensas disputas eleitorais, a Prefeitura de Lagarto vai estar em jogo em outubro próximo e será disputa por pelo menos cinco candidatos. Os dois principais candidatos, o atual prefeito Valmir Monteiro (PSC), e o ex-vice-prefeito de Zezé Rocha, Lila Fraga (PSDB) vão se enfrentar para ver quem tomará conta de uma máquina que conta com um orçamento de R$ 128 milhões, mais de dois mil servidores e carências que precisam ser solucionadas para modernizar a cidade para atender aos desejos de 96 mil habitantes, algo em torno de 60 mil eleitores.


“A cidade tem muitos problemas e o povo está cobrando soluções para isso”, diz Lila Fraga, em tom de quem deseja realmente um enfrentamento que desnude os segmentos administrativos e aponte soluções. Monteiro, mas conhecido como Valmir da Madeireira, rebate informando que “a cidade mantém os salários dos servidores em dia, foi o primeiro município brasileiro a adotar o piso nacional do magistério e tem uma série de obras de iniciativas próprias e outras em parcerias com os governos estadual, além de ter conquistado o Campus da Saúde da UFS”.


Lila Fraga, que contará com o apoio de partidos como o PP, PPS, PRTB, PV, PMDB, PRB e o seu PSDB, admite que a disputa será muito grande, mas afirma que “temos um grupo grande e forte e disposto a conquistar a reconquistar a Prefeitura. Para que isso seja possível, no decorrer do próximo mês (março), vamos avaliar as condições de apoio popular e definir o vice-prefeito que poderá ser Norma Dantas, Fernando Menezes,  Fábio Reis, Nininho, entre outros. Temos nomes de qualidade e que vão somar o nosso agrupamento político neste ano eleitoral”.


Valmir da Madeireira não demonstra temor diante do forte opositor e lembra que a sua coligação terá 17 partidos, incluindo o PT, partido do governador Marcelo Déda. Ele já pensa em abrir os debates para a escolha do vice-prefeito. O atual é José Raimundo Ribeiro Filho. “Temos muitos nomes à disposição, mas este é um tema que ser discutido no momento propício.. O importante para a minha gestão atual é que o PIB de Lagarto (6,83) hoje é maior que o de Sergipe (4,4) e estamos muitos bem em índices de avaliação como o Ideb (educação básica) e o IDH (Desenvolvimento Humano)”, comenta.


“Só o prefeito vê as coisas como muito boas em Lagarto, uma cidade carente de saneamento básico, com ruas cheias de buracos, saúde e educação sucateadas, segurança péssima... Lagarto é hoje uma cidade suja. Nós queremos conquistar a prefeitura para rearrumar a cidade, melhorar a educação e a saúde, tapar os buracos das ruas e realizar obras de saneamento básico. A cidade tem agora uma obra com o Campus da Saúde, terá um modenro shopping e uma estrutura urbana caótica. Lagarto precisa melhorar”, afirmou Lila Fraga.


Já o prefeito Valmir da Madeireira garante que “a oposição costuma procurar e até inventar coisas negativas em torno da cidade, que cresce muito e vai continuar crescendo na minha próxima gestão. Legalizamos as empresas que estavam na ilegalidade e hoje Lagarto tem 800 empresas em pleno funcionamento, gerando empregos em rendas e uma série de obras. Os moradores de Lagarto sabem que a cidade hoje está em boas mãos e não pensam em mudar essa realidade”, afirmou.

Cabo Zé pretende lançar a sua mulher, Edla Ribeiro, candidata a prefeita de Lagarto.



Política
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Por Eugênio Nascimento
27/02
12:53

RICARDO LACERDA ESCREVE: O comportamento do FPE e as finanças estaduais

Ricardo Lacerda --  Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe


O Fundo de Participação dos Estados (FPE) é um dos principais instrumentos de descentralização tributária que conta a federação brasileira. É, de fato, um dos instrumentos mais efetivos de solidariedade entre as unidades federativas, na medida em que mobiliza valores expressivos e em que os maiores contribuintes dos fundos são os estados mais ricos e os maiores beneficiários são os de menor renda per capita, localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, concorrendo para a redução das disparidades regionais de desenvolvimento nos últimos decênios.    

FPE e ICMS

Com essas características, o FPE é muito mais significativo para as finanças dos estados menos industrializados e de menor renda per capita do que para os estados com base produtiva mais ampla, em que outras receitas ganham maior expressão. O Gráfico 1 apresenta uma comparação entre os valores do FPE e do ICMS para os estados brasileiros, com dados de 2010, ordenando-os segundo o peso do FPE na soma dessas duas fontes de receita.



Fonte: ICMS (Cotepe-Confaz); FPE (STN), deduzidos os repasses do FUNDEB.


Em alguns estados da Região Norte, como Amapá, Roraima e Acre, com estreita base industrial, a receita do FPE em 2010 representou mais do que o dobro arrecadado com o ICMS. Para a maioria dos estados do Nordeste, já descontados os 20% para o Fundo de Educação do Ensino Básico (FUNDEB), o FPE participou com uma parcela muito significativa da receita corrente, respondendo por mais de 30% da soma do agregado FPE-ICMS. Diferentemente, nos estados mais ricos ou mais industrializados, o FPE é uma parcela infirma desse agregado, como no caso de São Paulo, em que não atingia 1% (Ver Gráfico 1).

Evolução

Para aqueles estados, como Sergipe, em que o FPE representa uma parcela elevada da receita corrente, os anos de 2009 e 2010 foram muito ruins, com uma perda de recursos que mesmo o bom desempenho de 2011 não conseguiu compensar.   

Em 2011, a receita do FPE, em relação ao ano anterior, cresceu 23,2% em termos nominais e 15,7% quando já descontado o IPCA do período, enquanto em 2009 a retração em termos reais havia alcançado 10%, em relação a 2008, e em 2010, verificou-se um pequeno crescimento, de 2,5%, em relação à base rebaixada de 2009, mas ainda um patamar 7,8% abaixo do resultado de 2008.

O Gráfico 2 apresenta a taxa de crescimento trimestral móvel do FPE de Sergipe em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, em valores corrigidos pelo IPCA de janeiro de 2012. Assim, pode-se observar que entre julho e setembro de 2008, antes de se serem percebidos os impactos da crise financeira internacional, o FPE de Sergipe crescera 17,1% na comparação com o mesmo trimestre de 2006, um incremento espetacular. Um ano depois, já como efeito da crise, o FPE de Sergipe, relativo ao trimestre julho-setembro de 2009, atingia o fundo do poço, recuando 19,1%, em termos reais, em relação ao mesmo trimestre de 2008.

Outro aspecto que afeta a situação das finanças estaduais é que se o FPE iniciou 2011 com desempenho muito favorável, a desaceleração progressiva da economia nacional ao longo do ano repercutiu fortemente nos resultados alcançados. Enquanto no primeiro trimestre de 2011, o FPE subiu, em termos reais, 26,4% em relação ao mesmo período do ano anterior, no último trimestre a taxa de crescimento recuou para 8,2%, e o resultado do trimestre nov/2011- jan/ 2012 se situou 0,2% abaixo do mesmo trimestre do período anterior (Ver Gráfico 2).




Fonte: STN. Valores corrigidos pelo IPCA de janeiro de 2012.


Em síntese, algumas conclusões podem ser destacadas: Em primeiro lugar, há uma forte dependência do FPE nas finanças dos estados menos industrializados; em segundo lugar, as perdas de receita em 2009 e 2010 são irrecuperáveis e penalizam a situação fiscal dos estados mais dependentes; em terceiro lugar, o forte impulso de crescimento do FPE no início de 2011 arrefeceu nos últimos meses do ano e o crescimento dessa fonte de receita deve permanecer muito modesto ao longo de 2012.

 




Economia
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Por Eugênio Nascimento
26/02
18:36

Déda e Amorim a um passo do rompimento

Eles podem até disfarçar, mas as relações entre o governador Marcelo Déda (PT) e o senador Eduardo Amorim (PSC), seu aliado político, jamais serão como antes. Eles se reuniram no final da tarde da quinta-feira passada e , depois de uma rabugenta colocação de propostas (assuntos em pauta: a reeleição d deputada estadual Angélica Guimarães à presidência da Assembleia Legislativa de Sergipe a eleição do ex-secretário Belivaldo Chagas para o TCE/SE) , se desentenderam. Amorim ameaçou romper relações políticas com o governador, que riu na cara dele. Amorim, então, propagou para um monte de amigos que “esse cara não manda mais na gente”. Os dois envolvidos no problema não querem falar sobre o assunto.O encontro aconteceu e a briga também. Não se trata de lero~lero, como pensava-se anteriormente.



Política
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Por Eugênio Nascimento
26/02
11:34

A seca, a indústria da seca e o pobre sertanejo

A seca se fortalece e conquista novos espaços no sertão sergipano. Até anteontem estavam  em situação de emergência os municípios de Poço Redondo, Poço Verde, Porto da Folha,
Tobias Barreto, Nossa Senhora da Glória, Gararu, Frei Paulo, Tomar do Geru, Monte Alegre  e Nossa Senhora Aparecida. Agora entraram para o listão dos atingidos pela longa estiagem  Nossa Senhora de Lourdes, Itabi e Pinhão. Outras duas cidades – Graccho Cardoso e Pedra  Mole - aguardam o reconhecimento do governo federal para receberem ajudas oficialmente.



Pelos elevados e massivos investimentos feitos no sertão de Sergipe nos últimos anos, um  Estado de pequenas dimensões  (tem apenas   21.910,348) e com faixa de semi-árido não  muito significativa, os efeitos da seca não deveriam ser tão sentidos. Os políticos dizem  ter colocado água potável nas casas, aberto cisternas,  poços e aguadas, gerado condições  para o plantio e criação de gado bovino e caprino.  Mas o povo continua jogado na  miséria, passando fome e em seu nome recorre-se sempre ao governo federal em busca de  ajudas financeiras e anistias de dívidas de produtores rurais.



Por que não se buscar soluções definitivas para o enfrentamento à seca? No Nordeste  ninguém tem resposta. Os políticos e os grandes proprietários da área parecem gostar do  aparecimento frequente do fenômeno natural. Parecem ser unicamente atingidos os pobres,  pessoas que moram há poucos metros ou quilômetros da margem sergipana do rio São  Francisco, o principal abastecedouro de água de todo o Estado, principalmente da Grande  Aracaju, onde o consumo é intenso. É informação corrente que a grande maioria dos lares  sertanejos têm rede de fornecimento da água encanada que não chega. Investimento, então,  inútil.



Não seria o caso de abertura de uma CPI no Congresso Nacional para apurar para onde foram  ou vão esse dinheiro usado no combate à seca em todo o Nordeste? Não seria o caso de  pensar como evacuar o povo de uma região cujos problemas não têm solução? Desde o período  imperial brasileiro, já foram investidos muitos  trilhões de reais no combate à seca, um  inimigo, segundo os próprios políticos, imbatível.  Se é realmente imbatível,  porque  insistir em enfrenta-lo? É realmente possível, sem causar prejuízos aos municípios,  estados e a nação, o convívio do homem com a seca?



Depois dos maus políticos, a seca é o maior inimigo do povo nordestino e vai ser preciso  enfrentá-la de forma honesta para acabar copm pos seus maus efeitos. É difícil acreditar que existe seca em Sergipe,  principalmente quando se vê o cânion de Xingó com água abundante.  Não dá para entender  porque a água encanada que abasteceria os sertanejos não chega em suas torneiras. Quem é  que consome toda a água captada para abastecer as residências? Há desvios? Isso a Deso já  provou que há. Mas ainda é pouco. É preciso que tudo seja apurado, da liberação dos  recursos, em Brasília, à realização de projetos e obras, pois parece estar claro que tem  gente se  arrumando nessa história toda de seca e obras contra a seca. E não é o povo  pobre do sertão.


Política
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Por Eugênio Nascimento
25/02
20:28

Afonso Nascimento escreve - IBARÊ DANTAS E A POLÍTICA SERGIPANA ( II)

Afonso Nascimento - Professor do Departamento de Direito da UFS

Ibarê Dantas é o fundador da Historiografia Política em Sergipe. Antes dele, alguns autores, sem formação de historiador, escreveram sobre a história política sergipana. Depois desse grupo inicial não científico, novo grupo, com e sem formação de historiador também tratou da política sergipana numa perspectiva histórica. Nesse grupo estão Maria Thétis Nunes, Ariosvaldo Figueiredo, Terezinha Oliva e outros. Mas é com Ibarê, discípulo, colega e contemporâneo dos nomes mencionados que a Historiografia Política é realmente construída, ganhando status de campo científico em Sergipe.

Munido da cultura historiográfica aprendida na UFS que sozinho aprofundou durante a sua graduação e ao longo de sua trajetória profissional, Ibarê se aproximou da Escola dos Anais que transformou a História num espaço científico através do emprego de métodos e de conceitos usados pelas Ciências Sociais, contra a velha tradição de narrar a história mediante a referência dos grandes homens e dos grandes eventos. A partir dessa bagagem intelectual, tornou-se um assíduo frequentador dos arquivos sergipanos e de outros estados, estabelecendo com eles uma familiaridade que alimentará o conjunto das pesquisas que desenvolverá ao longo de sua trajetória.

É justamente esse papel de fundador da Historiografia Sergipana que permitirá a Ibarê a contribuir para a formação política dos sergipanos. Explico-me melhor. Em toda a parte, no mundo moderno, os historiadores, ao recuperar e registrar a memória dos povos a que pertenciam, contribuíram para a formação das identidades nacionais, regionais, estaduais e locais. No caso de Sergipe, vale destacar, em primeiro lugar, o papel exercido por Felisbelo Freire ao escrever a primeira obra de história de Sergipe. Depois dele, outros autores ligados ou não ao IHGSE, também contribuíram para esse papel. Mas nenhum outro o fez com tamanha especialização e exclusividade como Ibarê.

Com efeito, toda a sua produção bibliográfica está centrada na história política sergipana relativa a todo o século XX. Dada a sua especialização, exclusividade e (acrescento eu aqui) extensão temáticas, Ibarê ensinou aos sergipanos quem são eles politicamente. As opiniões e as reflexões que têm os intelectuais, os políticos dados à leitura e demais setores interessados sobre a identidade sergipana passam pelas pesquisas e pelas interpretações de Ibarê. Não há como escapar. Além disso, como mencionei antes, contribuiu para estruturar a História como campo científico ao ajudar a constituir, também, a identidade de historiador em Sergipe.

Ibarê é também o fundador da Ciência Política sergipana. Antes dele, o nome pioneiro é sem dúvida o de Bonifácio Fortes, como ele próprio o observou em artigo. Bonifácio Fortes é um jurista polígrafo que escreveu, apoiado em fontes empíricas, trabalhos sobre eleições, partidos e elites políticas em Sergipe. Diferentemente de seu antecessor, Ibarê, com magistério específico (na graduação e na pós-graduação) e com mestrado em Ciência Política, foi muito além quantitativa e qualitativamente em termos de produção bibliográfica em relação ao seu predecessor. Dessa forma, contribuiu também para a constituição desse outro campo científico em Sergipe.

Afora o primeiro livro sobre o tenentismo, em que não parece fazer opção teórica, em todos os demais Ibarê diz compartilhar dos conceitos de política propostos por Gramsci, notadamente a sua teoria da hegemonia. Entendo, entretanto, que a sua definição gramsciana virá, de verdade, a partir do terceiro livro. O segundo tem, a meu ver, uma forte influência do marxismo estruturalista de Althusser e de Poulantzas - os quais se dizem, aliás, seguidores de Gramsci também. Ibarê seria, então, um cientista político marxista da política sergipana? Embora Gramsci se inscreva na tradição marxista, trata-se de um marxismo refinado, mais político, nada tendo a ver com as vertentes economicistas e autoritárias derivadas de Marx, Lênin e outros. Em relação a Ibarê, talvez seja mais adequado chamá-lo de um cientista político gramsciano da política sergipana, enfatizando a ação das classes e de suas frações, os seus interesses e a luta pela hegemonia política - embora, muitas vezes, tenha-se a impressão de que a força das fontes trabalhadas ( depoimentos pessoais, jornais, documentos oficiais etc. ) seja mais importante do que quaisquer sutilezas teóricas . Apesar de reivindicar uma objetividade impossível, é obrigatório notar que Ibarê é um pesquisador extremamente rigoroso, muito cuidadoso no manuseio de suas fontes e profundamente honesto intelectualmente.

Da leitura de seus oito livros, penso que dois pontos recorrentes podem ser destacados. Trata-se, em primeiro lugar, de sua crítica moderada mas firme das elites políticas sergipanas . À exceção talvez do seu primeiro livro (em que parece buscar o máximo de isenção no que escreve), sua obra está repleta de referências negativas às oligarquias, a sua falta de sentimento do bem comum, as suas práticas políticas não abonáveis, etc. O outro ponto que merece ser enfatizado é o seu papel de intelectual na construção da democracia em Sergipe. Produto de uma geração que viveu sob duas ditaduras (a de Vargas e a dos militares), de forma não radical ele militou contra a ditadura militar como estudante, como professor e como pesquisador. A sua compreensão da democracia parece ter sido derivada, primeiro, da própria obra de Gramsci e depois de autores como Norberto Bobbio, entre outros. Da leitura de sua obra, tem-se às vezes a impressão de que ele "torce" pelas forças políticas democráticas ou por mudanças que possam levar à introdução da gramática democrática na política sergipana. Esse duplo engajamento, no primeiro caso mais contido, enquanto que no segundo mais direto, faz dele um autor sempre atual. Ibarê Dantas é historiador e cientista político do século passado e, à exceção de um único livro, só sobre aquele século escreveu. Tem gozado de prestígio, de legitimidade e de respeito dos seus pares acadêmicos, mas também fora da academia.

A opção de pesquisar e de escrever sobre Sergipe fez dele, necessariamente, um intelectual provinciano - sem sentido negativo. Caso tivesse escrito sobre São Paulo, por exemplo, seria um autor nacional, dadas a qualidade e a quantidade dos seus trabalhos. Em grande parte de sua obra, buscou relativizar objetos abordados pela historiografia paulista. Também por isso, ter Sergipe como objeto não o ajudou a tornar-se um autor nacional - a despeito da repercussão de alguns dos seus trabalhos. Não é um intelectual póstumo, mas sua obra ainda não foi suficientemente lida e trabalhada por seus conterrâneos. Ele abriu muitas pistas e muitas frentes de pesquisa que só serão trabalhadas pelas novas gerações de historiadores e de cientistas sociais. Isso faz de sua obra, a meu ver, uma passagem incontornável para quem queira conhecer a política no século passado, o que o torna um autor para o século XXI. ( Final)



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Por Eugênio Nascimento
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