27/02
10:09

Justiça Federal não determinou demolição da Capela da Praia do Saco

Nota de esclarecimento da 7ª Vara Federal de Sergipe sobre Capela Nossa Senhora da Boa Viagem


A respeito do caso da Capela Nossa Senhora da Boa Viagem, a 7ª Vara Federal de Sergipe vem a público esclarecer que:

1)      Em nenhum momento houve, por parte do Juízo da 7ª Vara, deferimento ou determinação de demolição da Capela Nossa Senhora da Boa Viagem;

2)      A decisão publicada na última sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018, pela referida Vara dá conta tão somente da possibilidade ou não da realização de obras de contenção no entorno da capela;

3)      Sobre estas obras de contenção, o juiz deferiu, parcialmente, o pedido de antecipação de tutela do Ministério Público Federal (MPF), para determinar que o Município de Estância, Estado de Sergipe e Diocese de Estância, após o devido licenciamento ambiental, com aprovação dos órgãos ambientais envolvidos - IBAMA, ADEMA e TAMAR - além da concordância da União (titular do terreno), apresentem uma saída ecologicamente viável e compatível com o ecossistema local, para proteção da Capela Nossa Senhora da Boa Viagem;

4)      Outra alternativa sugerida na decisão é que, em função do avanço do mar no local, os objetos fossem retirados da capela pelo Município e Diocese de Estância para que, em seguida, a edificação fosse desmontada e remontada em local mais seguro, a ser definido posteriormente;

5)      Desde o início do processo, a intenção da Justiça Federal, mais especificamente da 7ª Vara Federal de Sergipe, é a proteção ambiental da região - que inclusive é uma área de preservação permanente - já há muito prejudicada com o avanço de construções irregulares.



Variedades
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Por Eugênio Nascimento
26/02
20:21

Laércio Oliveira disputará reeleição e a Presidência da CNC

O deputado federal Laércio Oliveira (PROS) será candidato à reeleição e trabalha também a sua candidatura à Presidência da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Os dois cargos não são incompatíveis, mas têm feito o parlamentar, que hoje é também presidente da Federação do Comércio de Sergipe (Fecomércio/SE), dar atenção especial às duas campanhas. Tem ido ao interior se apresentar como pré-candidato a deputado e viajado pelo Brasil em busca de votos para a CNC.



Política
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Por Eugênio Nascimento
26/02
16:23

Jackson encerra estudos de privatização da Deso

O governador Jackson Barreto anunciou, na manhã desta segunda-feira (26), o fim do contrato com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) dos estudos para privatização da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso). 


Para alegria, especialmente, dos 1.711 funcionários concursados e de centenas de prestadores de serviços da empresa, Jackson garantiu que em seu governo não haverá privatização da empresa. “É um momento histórico. Fico com a consciência tranquila porque estou fazendo o que sempre fiz na minha história, defender o meu estado, o meu país e esses trabalhadores, até porque foi nosso governo que fez um concurso que levou a contratação de quase 700 novos trabalhadores. Tomei uma posição para manter o patrimônio do Estado, dos trabalhadores e da gente sergipana. Com esse ofício, suspendo o contrato e acabo com essa história de estudos e privatização da Deso”, defendeu o governador, que foi muito aplaudido pelos servidores.

Jackson lembrou a pressão que o seu governo enfrentou com relação a esse projeto. “Muitas vezes, fui ao BNDES tratar a respeito dos recursos de obras de outros projetos e os gestores do Banco me questionaram sobre a questão da Deso. Mas não vou deixar a marca de que privatizei a Deso, acabando com a minha história, que sempre foi de luta popular. Cheguei a uma agência do interior, uma senhora me questionou se iria privatizar a Deso e argumentou que a água é um bem de Deus, que não poderia privatizar esse bem. Isso me fez refletir sobre a sabedoria do nosso povo. Agora, chegou a hora de tomar uma posição definitiva e estou feliz de ouvir o quanto temos avançado no estado com o trabalho que a empresa realiza. É uma empresa que tem a tarefa imensa de levar água para a população sergipana. Vamos trabalhar para, a cada dia, melhorar a prestação desse serviço e sei que esse anúncio é uma motivação para os trabalhadores continuarem a fazer o seu melhor”.

De acordo com o presidente da Deso, Carlos Melo, o ato demonstra a coragem do governador. “Se fosse outro governador, que não tivesse essa visão, a Deso já estivesse privatizada. Jackson sofreu uma pressão muito grande e ainda vem sofrendo para elaboração desses estudos. A Deso passou por uma fase muito ruim, mas desde o início deste governo isso está mudando. Hoje, somos reconhecidos pela sociedade pelo serviço de qualidade que prestamos. E o governador teve um papel muito importante quando estabeleceu o desafio de mudarmos a cara da Deso. Em 2014, por exemplo, um ano antes de assumirmos, a Deso teve um prejuízo de R$ 17 milhões. Mas já em 2015, fechamos o ano no azul e o governador determinou novos investimentos para podermos ampliar os serviços no interior, no Sertão, levarmos água aos que mais precisam”.

Política
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Por Eugênio Nascimento
26/02
10:09

Trilheiros são atingidos por abelhas na serra de Itabaiana

Um grupo de jovens que faziam trilhas no final da manhã do domingo, 25/02, na Serra de Itabaiana sofreu ataque de abelhas e foi retirado do local pelo SAMU, Bombeiro, Ibama e trilheiros outros que estavam no mesmo local e se dispuseram a dar atenção às vítimas.   Conforme relato gravado recebido pelo blog, SAMU e Corpo de Bombeiros demoraram a dar assistência por causa de uma avaliação sobre quem deveria ir ao local. Mas terminaram contribuído com a retirada dos jovens trilheiros.



Variedades
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Por Eugênio Nascimento
25/02
15:53

O crescimento finalmente engrenou: indústria, varejo e serviços em 2017

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Os resultados de dezembro dos indicadores de nível de atividade foram, em geral, favoráveis. As atividades de serviço e a indústria geral surpreenderam positivamente.  Com a publicação dos indicadores setoriais pelo IBGE, o Banco Central do Brasil apresentou sua estimativa de crescimento da atividade econômica em 2017. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-BR), uma aproximação do PIB, registrou crescimento de 1,04%, frente a recuos de 4,17%, em 2015, e de 4,05%, em 2016 (ver Figura A). 

O mais significativo é que a economia brasileira finalizou o ano de 2017 com o crescimento em aceleração, tanto quando se considera o IBC-BR do último trimestre em relação ao mesmo período de 2016 (linha contínua dupla), quanto na comparação em relação ao 3º trimestre de 2017 (linha pontilhada). A aceleração da velocidade de recuperação é captada também pela inclinação da curva que representa a série acumulada em doze meses, em relação a doze meses anteriores (linha contínua simples).
Salvo reviravolta inesperada, vai se consolidando a perspectiva de crescimento moderado para alto em 2018, alguma taxa entre 2,5% e 3%. Parece valer enfim o dito popular de que não há mal que nunca se acabe. 

Na estimativa do Banco Central, a economia brasileira fechou o último trimestre do ano rodando a uma velocidade de 2,56% em relação ao mesmo trimestre de 2016. É verdade que é um crescimento puxado pelo consumo das famílias, utilizando-se parcela da ampla capacidade produtiva tornada ociosa por uma recessão que fez o produto interno se retrair em 7,8% no acumulado de longos oito trimestres, referentes a 2015 e 2016. 

Para que o ritmo de crescimento corrente seja sustentável em um prazo mais largo de tempo é necessário que o investimento seja destravado, o que ainda não está devidamente assegurado. Do ponto de vista social, uma melhoria mais significativa somente será percebida quando a contratação de emprego formal começar a apresentar resultados mais robustos. 

Indústria e comércio
Do ponto de vista setorial, agricultura, indústria e comércio varejista apresentaram crescimentos acentuados em 2017, enquanto o volume de vendas do setor de serviços registrou retração de 2,84%, na comparação com 2016. Alguns indicadores sinalizam em um segundo momento uma possível reação da construção civil, mas não há ainda segurança de que a atividade vá apresentar crescimento em 2018, mesmo que as vendas do setor imobiliário venham a apresentar incremento significativo em relação ao ano anterior, porquanto os investimentos em infraestrutura estão deslanchando e os estoques de imóveis ainda se mantêm em patamar elevado.

A produção física da indústria geral, que agrega as atividades de transformação industrial e a extração mineral, cresceu 2,47% em 2017 e no último trimestre do ano registrou incremento de 4,9% em relação ao mesmo trimestre de 2016.

 A expansão da indústria geral vem abrangendo quase todos os subsetores de atividade. Como mostra a Figura B, a produção industrial apresentou uma trajetória de aceleração nas três séries consideradas, quais sejam, no acumulado de doze meses, na comparação com os mesmos trimestres do ano anterior, e o crescimento na margem, em relação ao trimestre imediatamente anterior, apesar de, nesse caso, ter registrado certa oscilação ao longo do ano.

O volume de vendas no comércio varejista encerrou 2017 com incremento de 2,02% (ver Figura 3). Impulsionado pela redução dos juros nominais e pelo aumento da ocupação, mesmo com vínculos informais, a expansão do ritmo de vendas no varejo foi bastante intensa e o volume de vendas do setor fechou o último trimestre do ano com incremento de 3,89% em relação ao mesmo período de 2016.

Serviços
Finalmente as atividades de serviços estão demorando mais a reagir. O volume de serviços recuou não apenas na comparação entre os anos fechados, como ainda registrava queda na comparação entre o último trimestre de 2017 e o mesmo período de 2016. A trajetória da curva dessa série, que compara com igual trimestre do ano anterior, indica que a atividade deverá começar a apresentar resultados positivos em 2018, à medida que o mercado de trabalho comece a mostrar resultados mais robustos.

O cenário favorável da economia mundial jogou papel decisivo no impulso que a economia brasileira no final d ano passado. Sim, o crescimento econômico parece ter começado a engrenar, ainda que ele venha se mostrando desequilibrado em termos setoriais e na sua distribuição regional, como também não há ainda segurança sobre o seu fôlego.




Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
25/02
15:48

A Coruja de Minerva

Clóvis Barbosa
Blogueiro e conselheiro do TCE/SE

Se você acha que todo filósofo é prolixo, então, por favor, não abra nenhum livro de Georg Wilhelm Friedrich Hegel. A leitura de seus escritos é terrivelmente difícil, quase impossível de ser compreendida. Quando ele disse que “A coruja de Minerva só voa ao anoitecer”, todos queriam saber o significado da frase. Mas, afinal, existem os críticos, os intérpretes, e os tratados para desvendar os questionamentos narrativos das teses filosóficas. Como se sabe, Minerva era a deusa romana da sabedoria e estava sempre associada a uma coruja sábia. Recorro ao professor titular de filosofia da Open University, no Reino Unido, Nigel Warburton, em sua obra Uma Breve História da Filosofia. Para ele, a declaração sobre a coruja é uma das partes mais fáceis de decifrar: “É a forma de Hegel nos dizer que a sabedoria e a compreensão no curso da história da humanidade só acontecerão em um estágio mais avançado, quando olharmos para o que já aconteceu, como alguém que revê os acontecimentos do dia quando a noite cai”. Esse introito vem a calhar com a divulgação, em 2014, do extenso relatório da Comissão Nacional da Verdade, que causou imensa polêmica à época. Na sua conclusão, o documento defende punições para 377 pessoas apontadas como responsáveis por crimes cometidos durante a ditadura militar, inclusive os generais presidentes Castello Branco, Costa e Silva, Garastazu Médici, Ernesto Geisel e João Baptista Figueiredo. Ressalta, ainda, que essas pessoas, entre as quais 196 vivas, não podem se beneficiar da Lei da Anistia.

Segundo a Comissão, 423 pessoas foram mortas ou desapareceram no período da ditadura; os crimes foram resultado de uma política de Estado, com diretrizes definidas pelos presidentes militares e seus ministros, e não abusos cometidos por agentes isolados; os delitos devem ser definidos como crimes contra a humanidade; e a falta de punição para os crimes da ditadura contribui para que torturas e outras violações aos direitos humanos continuem sendo praticadas pelas polícias estaduais. Finalmente, é dito que ocorreram 191 mortes por execução sumária e ilegal ou decorrentes de tortura, perpetradas por agentes a serviço do Estado. Esse novo evento na vida brasileira veio ainda mais ativar as relações radicais da nação, exteriorizadas durante o processo eleitoral de outubro daquele ano, quando o país se dividiu. Para uns, o documento demoniza as Forças Armadas; a revisão da Lei da Anistia é uma aberração jurídica, pois anistia significa ‘perdão’, ‘esquecimento’, e não absolvição; a comissão é um equívoco por só olhar o lado dos mortos pelo sistema, mas não analisar a morte dos militares em serviço. Para outros, a Comissão da Verdade produziu um documento histórico que põe a nu as atrocidades praticadas pela ditadura militar; há necessidade de se rever a Lei da Anistia para punir aqueles que mataram e torturaram; o crime de tortura é imprescritível, etc. Enfim, o debate foi lançado e há entendimento para todos os gostos. O grande desafio é buscar em Minerva e em sua coruja a sabedoria para avaliar o acontecimento de ontem (dia) nos tempos atuais (noite).

Primeiro, é preciso que se reconheça que a ordem constitucional foi vilipendiada no governo Goulart, eleito democraticamente, pelos militares golpistas que instituíram uma ditadura que durou 21 anos (1964-1985). Nesse período, é necessário conhecer o quanto o regime militar autoritário agiu de forma deletéria contra o Estado Democrático de Direito. O completo conhecimento desses fatos serve de experiência para que isso jamais se repita. Admitir a prática do crime patrocinado por agentes estatais é ojerizar a democracia. Portanto, a culpa, sim, é dos militares que lançaram o país numa aventura e que dividiram o seu povo entre os que apoiavam o regime e aqueles que eram contrários. Ademais, a lição do ex-presidente dos EUA, Barack Obama, sobre o relatório da prática de tortura nos porões da CIA, é bastante oportuna para nossa situação: “Nenhum país é perfeito, mas uma das forças que tornam a América excepcional é nossa vontade de enfrentar abertamente nosso passado, encarar nossas imperfeições, fazer mudanças e melhorar”. Esse período abominável da história do Brasil não pode ser esquecido, mas temos que buscar nele a experiência para que não se repita nunca mais. A Comissão Nacional da Verdade contribui para que sempre nos lembremos dessa ditadura infame que se abateu sobre a sociedade brasileira, dirigida por um grupo de militares inconsequentes e por uma alcateia de políticos oportunistas que se quedaram e se calaram diante da quebra da ordem constitucional. Esses políticos, muitos ainda vivos, fazem de conta que nada tiveram a ver com o regime de exceção. Eles são tão culpados quanto os militares.

Temos que ter a coragem de reconhecer os nossos erros do passado. E não há qualquer tipo de humilhação em pedir desculpas à sociedade brasileira pelos crimes e abusos cometidos. Há, sim, grandeza neste ato, até porque fugir do passado não faz com que ele se modifique. Entretanto, por mais repugnantes que tenham sido os anos de chumbo da ditadura, também compartilho do entendimento que a anistia foi ampla, geral e irrestrita, aliás, como defendíamos no fim dos anos 70 do século passado. Lembro-me que eu, em 1978, participando da OAB, estava presente na criação do CBA (Comitê Brasileiro pela Anistia), na cidade do Rio de Janeiro, e que tinha como norte pressionar o governo para que concedesse perdão às pessoas acusadas de crimes políticos e que fosse permitido o retorno dos exilados. E o grito era uno: anistia ampla, geral e irrestrita. E a anistia, através de lei, foi dada a ambos os lados. O Governo, na era FHC, por exemplo, reconheceu a responsabilidade do Estado pela morte de 136 pessoas. Até o ano passado mais de 6 bilhões de reais foram pagos em indenizações às vítimas da ditadura. Certo, não há dinheiro que pague o mal perpetrado naquele período em lares brasileiros. Mas, porque não seguirmos o exemplo de Mandela, que teve a grandeza de almoçar com o promotor que, durante o apartheid, lutou de todas as maneiras para condená-lo à morte? Não temos o direito de envenenar o presente com os erros do passado. Aprendamos que a coruja da deusa Minerva só voa ao anoitecer.

Post Scriptum

Palavreando com Ismar Barretto
O Jegue Assobiador

Chega às minhas mãos um dos melhores presentes que já recebi: um rechonchudo pen drive com as peripécias daquele, que foi, em vida, um dos mais talentosos nomes da nossa música e um dos personagens mais fascinantes de Aracaju. Será que Ismar Barretto (com dois ou três ‘Tês’, para não ser confundido com outros ‘Barretos’) era um autêntico parente literário de Gregório de Mattos ou de Cuíca de Santo Amaro, o poeta popular da velha Bahia que, através do cordel, atanazava a vida dos poderosos através da sátira e da esculhambação? Não sei! O que sei é que Ismar era um homem inteligente, dono de um talento invejável e perfeito autor de uma poesia satírica de feroz maldade. Achincalhador? Sim! Homofóbico? Coisa nenhuma! Não perdia era a oportunidade de esculachar, com tudo e com todos! Podia perder o amigo, mas a piada, nunca! Se alguém pensou que o escritor Marcelo da Silva Ribeiro, com o seu excelente Ismar BarreTo – Da Esbórnia ao Sublime, 2014, falou tudo sobre a vida e obra desse grande gozador da vida cotidiana, aguarde, aqui, neste espaço, quinzenalmente, o meu palavrear com Ismar. Por enquanto, fiquem com esta música de sua autoria, o Jegue Assobiador, dedicado a uma figura política do nosso Estado:  “Comprei um jegue preto pra brincar o São João / O ‘pexte’ era ruim de espora, uma decepção / O osso do lombo duro, uma consumição / Aleijado de uma perna e manco de uma mão / O beiço de baixo grande, em cima nada não / Pra que diabo ele servia eu não sabia não! / Nem era caminhador / Preguiçoso era um horror / Aí me disse o Agenor: ‘- Teu jegue é assobiador...!’ / REFRÃO / Meu jegue assobia fiu fiu fiu fiu / E as morenas vão passando e ele fiu fiu / BIS / Comprei esse meu jegue lá em Malhador / Mas ele morou em São Paulo e já foi professor / Trabalhou seis ‘mêis’ na Globo, como diretor / Dirigiu 5 novelas e 6 filmes de amor / Namorou com Malu Mader e nunca ciumou / Mas o que ele quis ser na vida era assobiador / REFRÃO / Meu jegue assobia fiu fiu fiu fiu / E as morenas vão passando e ele fiu fiu / BIS / Aí mudou-se pra Brasília mas nunca gostou / Candidatou-se Deputado e foi pra Senador / Elaborou 15 projetos e 100 ele aprovou / Foi pro Itamaraty pra ser Embaixador / Nomearam ele Ministro e ele renunciou / E o que ele quis ser na vida era assobiador / REFRÃO / Meu jegue assobia fiu fiu fiu fiu / E as morenas vão passando e ele fiu fiu / BIS / Depois foi pra Hollywood para ser ator / Trabalhou com John Wayne e Briggite Bardot / Fez Robert Redford se sentir amador / Se casou com Brook Shields e se divorciou / Ganhou mais de 15 ‘Oscars’ de melhor ator / Mas o que ele quis ser na vida era assobiador / REFRÃO / Meu jegue assobia fiu fiu fiu fiu / E as morenas vão passando e ele fiu fiu / BIS / Aí foi pra Inglaterra para ser cantor / Fez um ‘som’ com os Rolling Stones e 2 com Al Jarreau / Steve Wonder quando viu, logo se apaixonou / Frank Sinatra quase endoida com a voz de tenor / Ele cantou com João Gilberto e aí desafinou / Porque o que ele quis ser na vida era assobiador / REFRÃO / Meu jegue assobia fiu fiu fiu fiu / E as morenas vão passando e ele fiu fiu / BIS / Mas é que deu uma saudade e ele então voltou / Foi morar em Macambira pra ser Exator / Passou seis ‘mêis’ em Itabi e nunca trabalhou / Depois veio para Aracaju pra ser Governador / Deram um cacete nele ele se aposentou / Mas o que ele quis ser na vida era assobiador / REFRÃO / Meu jegue assobia fiu fiu fiu fiu / E as morenas vão passando e ele fiu fiu / BIS.”
 
Clóvis Barbosa escreve quinzenalmente, na edição de fim de semana.


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
25/02
15:44

Gabriel de Zé de Reimundo

José Lima Santana
Professor da UFS

José Raimundo de Azevedo era o maior amansador de burros e cavalos brabos dos costados da Serra da Marcação aos brejos do Alagadiço dos Marmeleiros. E não era pouca extensão de terras por onde a fama de José Raimundo era cantada e decantada. Na boca do povo, Raimundo virava Reimundo. Era Zé Reimundo. Gabriel era o filho mais novo e herdeiro na arte de amansar burros e cavalos brabos. Um meninote. Não tinha completado quinze anos de idade e já era quase igual ao pai no pinotear sobre o lombo de burros e cavalos carentes de rédea curta e de passadas em apropriada marcha a depender do tipo de animal e de sua pretendida serventia. De corpo e tino, Gabriel era um homem. Moreno trigueiro, sisudo, começando a formar um pezinho de meia. Tinha até algum estudo. Fraco, mas tinha. Era capaz de ler e escrever uma carta.
Gabriel de Zé Reimundo foi adjutorar o pai lá pras bandas do Xique-xique, lugarejo acanhado de pouco mais de quinze casas que mal e mal se conservavam de pé. Uma chuva mais pesada daquelas de invernos copiosos haveria de botar tudo abaixo. Casebres do tipo testa de bode, de duas águas, frente e fundo triangulares, eram o que, na verdade, eram aquelas pobres casas. Meninos lombriguentos, sujos, pareciam guarnecer a entrada do pequeno e disforme arruado. Pernas finas como canelas de sabiá, mal sustentando as salientes barrigas cheias de vermes. Olhinhos remelentos, rodeados por mosquitos.

Zé Reimundo e Gabriel entraram no arruado miserável, cheios de espanto. Nunca tinham se botado para aquelas paragens. Um tal de Peixotão de Brotas, fora em busca dos prestimosos serviços do pai e do filho, para amansar um magote de cavalos xucros, segundo ele adquiridos nas Porteirinhas, cidade distante umas seis ou sete léguas. Peixotão deixou nas mãos de Zé Reimundo uma parte do dinheiro combinado, como garantia de sua presença no dia aprazado. E ali estavam pai e filho, prontos para o serviço.

No batente de um casebre estava um velho magro, descamisado, de barbas longas e brancas. “Deus lhe dê bons dias, meu amo”, saudou Zé Reimundo. “Nosso Sinhô lhe dê o mesmo, meu fio”. O velho atirou no terreiro uma cusparada, grossa, escura, sinal de que ele mascava fumo de rolo, e que uma galinha pedrês tratou logo de aproveitar como repasto. “O meu amo sabe onde fica a fazenda de ‘seu’ Peixotão?”, indagou Zé Reimundo. “Aqui todo mundo sabe onde fica a fazenda de ‘seu’ Peixotão de Felismino. Descendo aquela ladeira acolá, num tem errada. Vosmecê vai de trote por meia légua. Na bifurcação do riacho é só quebrar à direita e logo está lá. Fazendão, meu fio. Fazendão, que dá serviço e sustento a essa gente toda daqui”, explanou o velho.

O amansador de animais de montaria agradeceu ao velho e jogou em sua direção um bom pedaço de tabaco, que ele aparou com a mão direita em pleno ar. “Deus lhe pague e lhe favoreça!”, gritou o velho. Zé Reimundo e Gabriel tocaram os animais, dois bons cavalos de passada, um alazão e um castanho escuro, ao rumo indicado. Era tempo de terra engolindo poças d’água. Fim de inverno. Ao alcance da vista, em qualquer direção, tudo estava verde. Matos, roças e capinzais. Nos roçados, mulheres e meninos. Homens, nenhuns. O velho mascador de tabaco estaria certo: os homens provavelmente trabalhavam para o tal Peixotão de Felismino.

Pai e filho chegaram à bifurcação do riacho, logo depois de descerem a ladeira. O riacho estava com água à altura do vazio dos animais. Água cristalina, murmurante, descendo ligeira como se tivesse pressa para chegar ao destino final, um rio, que a levaria, misturada, ao mar. Adiante, via-se, num pequeno elevado, uma sede de fazenda de arromba. A casa grande ao centro, um curral há poucos metros, coberto, com dois troncos para os bois, quatro casas menores, que deveriam ser para a moradia de capatazes ou vaqueiros. Um pomar ao fundo da casa grande. Outro curral sem cobertura em forma circular, como se fosse uma arena. Ao lado das três casas menores, uma construção que parecia ser uma serraria ou algo do tipo. Pastos de capim viçoso. Muitos. Bois que pareciam centenas de manchas brancas contrastando com o verde viçoso do capim. Bois por todos os lados. Num pasto separado, alguns cavalos. Uns vinte, pouco mais ou menos. Deveriam ser os xucros. Trabalho não faltaria para Zé Reimundo e Gabriel.

Apeando do cavalo, Zé Reimundo dirigiu-se a um sujeitinho metido numa camisa encardida que cabia dois dele. “Bons dias, amigo. ‘Seu’ Peixotão se acha?”. O sujeitinho respondeu: “Quem procura pelo patrão?”. O amansador levantou um pouco o chapéu e disse: “É Zé Reimundo, o amansador de cavalos. Sou contratado dele”. O sujeitinho demandou em direção à casa grande. Mais do que logo, ali estava Peixotão de Felismino. Sujeito espaduado, alto, de barba cerrada, cara fechada, que, logo, se abriu num sorriso de cabra bonachão. “Salve, ‘seu’ Zé Reimundo. O dia aprazado por nós é hoje. Homem de trato é do que eu gosto. Seja bem-vindo ao meu pobre rancho!”. Pobre rancho...! Além de bonachão, era gozador. Deram-se as mãos. “Pelo visto, temos trabalho pela frente, ‘seu’ Peixotão. Mas, tamos prontos”, disse Zé Reimundo.

Gabriel também apeou. Cumprimentou Peixotão com um tímido “Bom dia”. Ao cumprimentá-lo, eis que assomou à porta da casa grande uma menina, mais ou menos de sua idade. Uma formosura. Na cabeça parecia carregar um pedaço da noite. Cabelos muito negros, lisos e compridos até a cintura. Mas, os olhos pareciam duas esmeraldas. Ela veio até o pai, que a apresentou aos dois amansadores. “Minha filha, Regina Celi. Minha única filha. É quem me dá ordens”, informou sorrindo. “Prazer. Brincadeira do pai. Vocês vieram amansar os cavalos, não foi? Tão vendo aquele preto, grandão, de crinas compridas? É o Furacão. É meu. Eu quero que ele seja o primeiro a ser domado”.

Gabriel, calado, olhou para o lado do curral onde estavam os cavalos. Olhou para a mocinha. “Deixe, dona, que eu mesmo vou amansar ele pra senhora. Vou amansar do jeito que uma moça como a senhora possa montar sem perigo”. Ela sorriu. Ele também. Dois sorrisos que falavam sem dizer palavra. Foi um dia de trabalho intenso para pai e filho. À noite, diferente do almoço, que foi servido numa casinhola asseada, à beira do curral, onde ficariam alojados, jantaram na casa grande. Grande mesmo. Olhares se cruzaram por sobre a mesa grande e farta. Cruzaram-se um sem-número de vezes. A esposa de Peixotão, Dona Clotildes, incitava os convidados a comerem mais. Comida abundante e gostosa.

Na noite enluarada e fresca, as estrelas pareciam se enturmar no céu. Enquanto Zé Reimundo e Peixotão fumavam e conversavam na varanda, Gabriel sentou-se nos degraus que davam acesso à casa. Ficou olhando o céu. Logo, Regina Celi, sorrateira, acercou-se dele. O coraçãozinho do moço, pequeno matuto amansador de cavalos e burros brabos, destemido desde cedo, deu um pinote, mais outro e muitos outros mais. Parecia Furação pulando e querendo derrubá-lo. O cavalo de Regina Celi, o Furacão grande e negro, ele estava conseguindo domar. Mas, o coraçãozinho de matuto parecia querer saltar da caixa dos peitos. Sem controle. A mocinha disse: “Por que você está tão só?”. Ao dizer aquilo, sentou-se ao lado dele. Se Gabriel não estivesse ficando louco, ele seria capaz de jurar que ouviu o coraçãozinho dela bater também, descompassado como o dele. Noite de estrelas no céu. Noite de estrelas na terra.


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
25/02
20:02

Dilson, Zezinho e Janier de olho nos 100 mil votos do Vale do Rio Real

A Região do Vale do Rio Real terá três fortes candidatos a deputado estadual no pleito eleitoral deste ano em Sergipe. Os nomes mais comentados por lá são os de Zezinho Guimarães,  Janier Mota e Dilson de Agripino. Conforme comentários de moradores da região cada um deles tem a simpatia de fortes segmentos empresariais. Zezinho e Dilson estariam mais próximos  do segmento empresarial de confecções e Janier dos ceramistas. São 100 mil votos em disputa. A região quer recuperar a sua força política no Estado. Tobias Barreto, Tomar do Geru, Itabaianinha, Cristinápolis e Poço Verde são os municípios sergipanos banhados pelo rio Real.



Política
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Por Eugênio Nascimento
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