28/03
21:21

Prefeitura de Aracaju inaugura posto de atendimento de saúde no mercado nesta terça-feira

Dentro das comemorações do Aniversário da Cidade, a Prefeitura de Aracaju vai inaugurar na manhã desta terça-feira, 29, o Posto de Atendimento Dr. José Calumby Filho, localizado no Mercado Albano Franco. Trata-se do projeto "Saúde no Mercado", cujo objetivo principal é atender feirantes e ambulantes, que passam o dia inteiro no mercado e muitas vezes não conseguem ir até uma Unidade de Saúde.

O posto disponibilizado pela Prefeitura de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) com apoio da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), deve atender cerca de cinco mil trabalhadores entre feirantes, ambulantes e pessoas que trabalham no entorno do mercado central da capital. Com inauguração marcada para as 8h de terça-feira, o posto funcionará de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h, com intervalo de duas horas de almoço.

Ascom


Política
Com.: 0
Por Kleber Santos
28/03
08:30

Itabaiana e Sergipe lideram hexagonal do Estadual

Confira os resultados da rodada e classificação do Campeonato Sergipano

- Hexagonal

Confiança 0x2 Itabaiana
Público pagante: 2.823
Não Pagante: 287
Total Geral: 3.110
Renda R$    42.580, 00


Estanciano 1x2 Sergipe

Público pagante: 749
Renda: R$ 9.710,00

Dorense 1x0 Boca Jr
Público pagante: 296
Renda: R$ 3.040,00

Classificação
Itabaiana - 7 Pts
Sergipe - 7 Pts
Dorense - 5 Pts
Confiança - 3 Pts
Boca Júnior/SE - 1 Pt
Estanciano - 1 Pt

- Quadrangular da morte

Amadense 4x0 Socorrense
Público pagante: 33
Renda: R$ 330,00

Lagarto 1x2 Guarany
Público pagante: 65
Renda: R$ 670,00

Classificação
Amadense - 7 Pts
Guarany - 4 Pts
Lagarto - 2 Pts
Socorrense - 2 Pts


Esportes
Com.: 1
Por Kleber Santos
27/03
12:45

Tião Mineiro

José Lima Santana
Professor do Departamento de Direito da UFS

Tião Mineiro chegou por estas bandas em 2005. Veio tangido pelo trabalho. Jovem, solteiro, farrista, dado a uma batida de viola de cocho, que só ele sabe tocar por aqui. Aprendeu com um tio, violeiro, segundo Tião, dos bem bão lá de Minas. Duvidar? Eu? Nem um pingo. Duvido não. Afinal, eu nunca peguei Tião em mentira, nem de brincadeira. Tião é meu amigo. Já fui até mesmo seu advogado numa causa cível de pequena monta. Fui seu padrinho de casamento. Sou seu compadre, padrinho de Tiãozinho, que acaba de fazer cinco anos de vida e de sapecagem. Um galeguinho agitado, esse Tiãozinho. Deve ter saído ao pai, que tem cara de sapeca e, na verdade, ele o e. Nunca deixará de ser. É coisa do sangue. Não varia nem tresvaria. Não é como casco de burro fujão. Tião não é de fugir. De nada.
 
Tião é natural do noroeste das Minas Gerais, lá pras bandas da fronteira com Goiás. Tem ele o sotaque mineiro muito carregado, mas a fala é mesclada com ditos goianos. No ponteio da viola Tião tira modas de saudade da terra natal. Modas que falam em bois e boiadas. Em berrante e berro. Em moças bonitas e cabras valentes. Em versos de locução de rodeios. Em festas e fé. Em rios e prados. Em botas e chapéus. Tião é homem citadino com raízes profundas nas serras e nas estradas. Lama e poeira. Sujeito arisco como um olho com cisco. Nada é mais arisco do que um olho que “coceia” por causa de um cisco. Coisinha mais chata demais da conta, sô, é um cisco no olho. Quem já teve um sabe do que eu estou falando. Por aqui se diz: “Tou com um argueiro no ôio”. Bicho excomungado. O argueiro. 

Lembro-me de Tião, recém-chegado. Tinha lá seus vinte e cinco anos. Engenheiro de Minas formado há um ano. Universidade de Ouro Preto. Veio a mim por recomendação de um antigo engenheiro da antiga PETROMISA, com quem eu fiz amizade quando fui diretor da DESO, no fim da década de 1980. Esse meu amigo é tio de Tião Mineiro. Também o tio é Tião. Mas, é Mané Tião. E não é violeiro como o sobrinho. Segundo ele, nem sabe tocar sovaco. Isso eu sei. Foi o único “instrumento musical” que eu aprendi a tocar nas noites de danação dos meninos do João Ventura, meu subúrbio dorense. Mané Tião, aposentado, voltou pra Paracatu, sua terra natal. E de lá veio o sobrinho, esse outro Tião. Meu compadre. Meu amigo. Marido de minha comadre Rosa Cecília. Pai de Tiãozinho e de Alessandra, esta com seis meses de vida risonha. 
O meu compadre Tião Mineiro é engraçado. Quando era solteiro e saía para as baladas aracajuanas, costumava dizer, um dia antes: “Prepara que amanhã a terra treme e a pedra rola”. De tanto tremer e rolar, ele acabou fisgado por uma loirinha que não perdeu tempo: Rosa Cecília, promoter. Um doce de pessoa. Passou o rabicho no mineirinho. Sela posta. Montaria garantida. Botou-lhe cabresto. Arrastou-lhe ao pé do padre. Em menos de um ano de namoro. Fogaréu aceso de lado a lado. Família bem constituída. Casal em boa caminhada. Tião e Rosa se conheceram numa noite de sexta-feira, num forró da orla de Atalaia. Estávamos numa mesa emendada. Éramos oito pessoas. Livres, somente eu e ele. Pertinho de nós, uma mesa com um sujeito e duas sujeitas. Uma delas, Rosa Cecília. Ela viu Tião antes que ele a visse. Eu a bispei entronchando os olhos para ele, que estava bem de frente para ela. “Tião, tem gente lhe paquerando”, eu avisei. Ele olhou. Grudou os olhos nela. Ele sorriu. Ela, também. E aí Tião largou uma de suas pérolas: “Ôôôô lasqueira! Vem ni mim trem cosquento”?. Rimos muito. Dali a pouco, os dois já estavam no maior conversê. 

Fim de noitada. Tião flechado. Arco jogado ao chão. Rosa Cecília em transe. Tião versejou, cortando letras, como é costume dos mineiros: “Pra que panhar o cravo se a rosa é mais cheirosa? Pra que beijar no rosto se a boca é mais gostosa?”. Quando menino, Tião fez participações como locutor mirim de rodeios. E não largava de relembrar aqueles tempos. Silvinha, uma das nossas, naquela noite de encontro, perguntou: “Ô Tião, qual foi a frase mais romântica que você disse à moça?” E ele, fazendo cara de sério, para, depois, arrebentar-se num sorriso gargalhento: “Gata me chame de sal grosso, que eu me jogo em suas carnes. Aô trem bão! Caba não mundão!”. Fim de noitada. Dia conduzido pela aurora. Sol se levantando do outro lado do mar. E nós ali, sentados na orla sem vontade de ir para casa. Era sábado. Ninguém iria trabalhar. Curtíamos a curtição de Tião. O meu futuro compadre haveria de passar o dia tocando viola e ligando pra Rosa Cecília. O namoro engatou como elos de corrente. Feliz da vida, Tião cantava versos de outro Tião muito famoso no mundo da chamada música de raiz, ou música caipira, Tião Carreiro: “Tendo amor e saúde, da vida eu não reclamo / Amo a vida que levo, e levo a vida que amo!”. 

Êh, mundão abençoado de Jesus! A família e os amigos de Rosa Cecília gostaram do mineirinho. Thiago, irmão mais novo de Rosa Cecília, de apenas doze anos, divertia-se com o sotaque e os ditos de Tião. Era uma festa. E o mineirinho mandava ver, quando o locutor de rodeios baixava nele: “Quem vê minha bota nova / não vê o calo no meu pé. // Quem vê meu chapéu novo / não sabe que marca ele é. // Quem pensa que eu não quero casar, / foi mesmo aqui em Aracaju / Que Deus me fez encontrar / Uma inteligente e bela mulher”.

Entre o trabalho como engenheiro e os ponteios na viola, Tião Mineiro levou a vida serena, cada vez mais enroscado nos dengos de Rosa Cecília. Certa tarde, no Mosqueiro, estávamos num bate-papo animado, após degustarmos uma fritada de siri, uns não sei quantos caranguejos, umas ovas de peixe, e sei lá mais o quê, quando um sujeito grosseiro começou uma discussão com a mulher que com ele estava. A discussão subiu de tom. Ou melhor, ele subiu o tom da voz. De repente, o brutamonte se levantou e segurou com força os braços dela, que começou a chorar. “Eu não quero mais negócio com você”, ela disse. Como se o amor fosse um negócio. Esse, porém, é o nosso linguajar. Ele largou um braço dela e deu-lhe umas tapas. Foi aí que o sereno Tião, sempre muito calmo, deu um pulo e arrancou a moça da mão do covarde. Sim, homem que bate em mulher não passa de covarde, de cão sarnento. O sujeito partiu para cima de Tião, que lhe meteu uns golpes de caratê. Até então, eu não sabia que ele era faixa preta. E dos bons. O sujeito rolou. Levantou e deu de garra numa garrafa de cerveja e partiu contra Tião. Coitado! Levou outro golpe. Daqueles que fazem o tabacudo contar estrelas com os cascos. Logo, a polícia chegou. Fomos todos à delegacia. No fim, tudo resolvido a contento.

Na saída, Marcos Figueira, namorado de uma prima de Rosa Cecília e estudante de Direito, natural de Lourdes, soltou essa frase, tão comum entre nós interioranos: “Tião, você é peia. Caga no sapato e não mela a meia”. Ah, como rimos! 

Pois é, Tião. Nós também temos os nossos ditos. Abraço, meu comadre. 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 25 de março de 2016. 


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/03
12:40

A queima de arquivos do "Centro Acadêmico Sílvio Romero" da Faculdade de Direito da UFS

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

Em 1964, no primeiro sábado depois do golpe militar, aconteceu um fato que merece registro para os interessados na história da Faculdade de Direito (atual Departamento de Direito da UFS) e do regime militar em Sergipe. Segundo revelou, na última quarta-feira, à Comissão Estadual da Verdade a advogada Laete Fraga,  teve uma queima de arquivos do Centro Acadêmico Silvio Romero (CASR) na residência do diretor da faculdade, o professor Gonçalo Rollemberg Leite.

A importante advogada sergipana tinha sido convidada pela referida comissão para relatar sobre a sua participação como advogada de Edgar Odilon na Justiça Militar em Salvador. Livreiro, ele não era membro do PCB, mas, como tinha emprestado a sua caixa postal para receber e repassar correspondências e jornais procedentes da direção da organização clandestina sediada no Rio de Janeiro. Por conta disso, foi preso e torturado no Quartel do 28 BC, em 1976, por ocasião da Operação Cajueiro. Fazendo curta uma longa história, ele foi absolvido.

Adiante, no seu depoimento, a advogada Laete Fraga falou que era muito próxima do professor Gonçalo Rollemberg Leite e que, como estudante, frequentava a sua casa, de onde muitas vezes saía com pilhas de livros para ler, emprestadas do diretor. Disse também que não se interessava por política. Pois bem, com o golpe militar, o diretor lhe pediu que fosse, juntamente com um funcionário chamado “Seu” Jonas e o estudante de Direito Ildo Nascimento (então funcionário do Banco do Nordeste), buscar arquivos estudantis do centro acadêmico da Faculdade de Direito, os quais foram queimados nas dependências da casa do citado diretor. Não foi lhe perguntado nem informou a advogada sobre o conteúdo dos arquivos, nem como foi feita a sua seleção ou se recebeu qualquer orientação a respeito do que selecionar.

Qual é o significado desse gesto do conhecido diretor? Vários autores o descrevem como um homem conservador, mas sempre acrescentam o seu papel na proteção dos estudantes de direito nos tempos do regime militar. O falecido historiador Luiz Antônio Barreto chegou mesmo a chamá-lo de “portal moral”.

Tomando essa iniciativa, o velho diretor temia, pode-se concluir, que a faculdade de direito – em cujas dependências estava o CASR - pudesse ser invadida pelos militares e que nos arquivos estudantis poderiam ser encontrados documentos comprometedores na leitura que os militares poderiam fazer deles. Havia razões para pensar assim? É muito razoável pensar que sim. Em 1964, era presidente do centro acadêmico o mais tarde governador Albano Franco.

Como devemos interpretar esse gesto do professor Gonçalo Rollemberg Leite? Como um ato de um homem conservador que, ainda assim, estava preocupado com o que poderia acontecer a estudantes de faculdade de que era diretor e professor e que, por isso, queria protegê-los? Pensamos que sim. Ou o que mais poderia significar?

Olhando retrospectivamente, porém, temos que admitir um problema: foi queimada a memória da instituição estudantil relativa a um período de treze anos (1951-1964). Nesse caso, a nobreza do seu gesto nos parece mais importante do que a referida documentação. Parece que o mencionado diretor teve de lidar com o seguinte dilema: era mais importante preservar estudantes de direito contra possíveis ameaças as suas vidas ou tocar fogo na documentação cujo conteúdo, sabe-se lá, poderia trazer dificuldades para a estudantada? Ele fez sua escolha.

PS: Outro caso de queima de arquivos foi realizado por estudantes da UFS, ligados ao PC do B nos estertores do regime militar. Segundo registros escritos, esses arquivos diziam respeito ao trabalho da Assessoria Especial de Segurança e Informação comandada pelo senhor Hélio de Souza Leão.


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/03
12:29

Nau dos insensatos

Clóvis Barbosa
Blogueiro e Presidente do TCE/SE

É verdade. Muitos que lêem, aprendem. Outros não. A bíblia, a história, os grandes mestres, a filosofia, as obras literárias, estão cheias de ensinamentos. O homem, entretanto, apesar de ser capaz de desenvolver descobertas fantásticas na área da tecnologia, não evoluiu no campo do aprendizado com a vida. Teima em repetir erros cotidianamente registrados nos anais da história. Tudo bem. Erra-se inconscientemente, não era essa a pretensão, justifica-se, após produzir o caos e a destruição antes do tempo. Nada disso, conversa fiada! Erra-se porque não é sábio, não assimilou os bons ensinamentos e optou pela mediocridade como exemplo. Incorporou maus sentimentos ao seu cotidiano. Vaidade, autossuficiência, arrogância e, sobretudo, esqueceu-se de ouvir. Ou ouviu mal. Nietzche estava certo: "Deus acertou ao limitar a inteligência humana, mas errou em não limitar a burrice". O “conselho” que, conforme se diz, se fosse bom, não se dava, vendia-se, o que não é verdade, é o maior exemplo de como a insensatez predomina na mente dos incautos. Conselho sempre foi bom e faz muita diferença numa situação de conflito, principalmente quando é dado por pessoas, como diria Ingenieros (O Homem Medíocre, Ícone Editora), que se extasiam diante de um crepúsculo, sonham frente a aurora ou se arrepiam na eminência de uma tempestade, que gostem de passear com Dante, rir com Moliere, tremer com as tragédias de Shakespeare ou assombrar com Wagner. Enfim, o conselho sempre é bom quando dado por quem sabe velejar nos mares da sensatez. Agora, só dá certo para quem precisa e para quem quer ser ajudado. Aqueles que se acham argutos, espertos, eruditos, não! Por serem autossuficientes, e muitas vezes, por assim se acharem, preferem se unir aos vampiros de energia, aqueles que são ornados de todas as virtudes da mediocridade. 

Tobias (4,18) sempre ensinou seu filho a dar ouvidos aos conselhos dos sábios e a não desprezar nenhum bom conselho. Tobias fez desses ensinamentos, o seu caminhar pela sua longa vida. E morreu cercado de honra, aos cento e dezessete anos de idade. A mulher de Ló (Gênesis 19,26) recebeu também boas instruções, mas sua índole era cheia de desdém, o que fez com que Deus a castigasse, transformando-a em estátua. Todos sabem como se deu a destruição de Sodoma. Justamente por terem amparado os dois anjos da fúria dos habitantes da cidade, foi Ló aconselhado a sair daquele lugar com a sua mulher e as duas filhas antes da destruição, sob a fixa determinação de não olhar para trás e não parar em lugar algum, seguindo para a montanha. Não era para olhar para trás, mas a mulher não quis ouvir o conselho, resultado, virou uma estátua de sal; o rei Roboão (1 Reis 12,8) não aceitou ser guiado pelos ensinamentos dos anciãos, que tantos serviços prestaram a Salomão, seu pai, quando ainda estava vivo, preferindo outro caminho. Seguiu os inaptos, sem cultura, sem experiência, resultado, perdeu dez tribos e continuou sendo um apoucado; se Nabucodonosor (Daniel, 4,24-33) tivesse ouvido Daniel, que o aconselhou a pagar os seus pecados praticando a compaixão e reparando as suas faltas cuidando dos pobres, ele não teria sido transformado em animal, comendo capim como gado e a ficar ao esmo. “Seu cabelo ficou comprido como penas de águia e as unhas cresceram como unhas de passarinho”; e Judas Macabeu (1 Macabeus 9,1-18), o mais forte dos homens, cujos feitos lhe renderam a fama, o herói do povo de Israel, não teria perdido a vida caso houvesse seguido as palavras dos seus companheiros que, sensatamente, tentaram demovê-lo da idéia de enfrentar um exército bem mais numeroso, logo após a deserção desenfreada de seus homens. 

Portanto, quem ignora e descrê dos bons conselhos, seguindo a sua presunção, perde o bonde da história. Faz com que a inteligência seja ofuscada pela mediocridade, ou como diria Flaubert, “um homem que pensa de maneira baixa”. Gracian (A Arte da Prudência, Editora Sextante), acentua que a vida humana é uma luta contra a malícia do próprio homem, adiantando, também, que conhecimento sem bom senso é uma dupla loucura. A insensatez, lamentavelmente, é um cancro que impregna o tecido humano, vicia a alma e destrói os sonhos. Está presente em todas as carreiras, sejam nas áreas das ciências exatas, sejam nas humanas; sejam entre as classes mais abastadas, sejam entre as menos favorecidas. Entristece, contudo, quando a Inteligência sucumbe à insensatez. Não cabe, aqui, discutir as origens desse rebaixamento moral, mas é importante enfrentarmos o dragão verde que solta bolas de fogo pelas narinas existente em nós, como pensado por Nietzsche. Ele não pode continuar impedindo o nosso peregrinar em busca da perfeição.      

Clóvis Barbosa escreve aos domingos, quinzenalmente.


Coluna Clóvis Barbosa
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/03
12:24

Crise econômica e luta política

Ricardo Lacerda
Professor do Departamento de Economia da UFS 

Difícil fugir do sentimento depressivo que as forças políticas que se opõem ao projeto político que comanda o país preparam o assalto ao poder para as próximas semanas. 

A ampla coligação para a tomada do poder é liderada pelos derrotados nas quatro últimas eleições nacionais e, por isso mesmo, desconfia da soberania popular. Os nomes mais proeminentes desse agrupamento mandaram às favas os escrúpulos democráticos de qualquer natureza, que se julgava que cultivassem. De outros integrantes da coligação, nada se esperava mesmo.

Uns e outros querem o poder e perceberam a oportunidade real. Sentindo o cheiro de carne viva, as hienas afiam os dentes enquanto o baixo clero apressa o passo para pular de um barco para outro. Se as pessoas comprometidas com a democracia, nas estruturas dos três poderes e na sociedade, não se mobilizarem, o golpe em curso será bem sucedido, jogando o país em uma farsa gigantesca. 

Oportunidade real
Sem pretender reduzir a crise política à dimensão econômica, diante de processos reais que são complexos, é necessário reconhecer que as crises econômicas avivam os descontentamentos da população e subtraem apoio aos governos. As forças políticas de oposição percebem a oportunidade criada e mobilizam as suas bases na sociedade. A disputa política é legítima mas o apelo à quebra da ordem democrática não o é e deve ser rechaçado. 

Foi o desgaste decorrente do arrocho no consumo, depois da mudança do regime cambial em 1999, que viabilizou a eleição de Lula em 2002, na sua quarta tentativa de chegar à presidência. Naquela disputa de 2002, o desgaste do governo era tal que José Serra, o candidato situacionista, escondeu o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso, dispensando sua presença na quase totalidade dos programas eleitorais. A magia do Plano Real deixara de funcionar politicamente.   

No embate atual, a oportunidade para a oposição assumir o poder surgiu dos desdobramentos da crise econômica que emergiu no cenário internacional ainda em 2008. As medidas de estímulo à demanda, e não apenas ao consumo, postergaram o momento do impacto da crise sobre a população. A partir de 2013, todavia, com a continuidade e novos repiques da crise internacional, as políticas expansionistas internas deixaram de surtir efeitos positivos e expuseram a situação das finanças públicas e do balanço de pagamentos. 

PIB e Consumo das famílias
O gráfico a seguir apresenta as evoluções do Produto Interno Bruto (PIB) e do Consumo das Famílias, no acumulado de quatro trimestres, entre 1996 e 2015, demarcando o início de cada período de governo, desde o chamado FHC I, até o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.

Embalado na popularidade do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso se elegeu em 1994 com ampla vantagem sobre os adversários. Entre 1994 e 1997, a economia brasileira conheceu um miniciclo de crescimento, impulsionado pela expansão do consumo. 

A crise dos países emergentes em 1997, todavia, não tardou a chegar ao Brasil e as taxas de crescimento do PIB e do consumo das famílias começaram a declinar em 1998 (ver Gráfico).  O trunfo do Plano real foi suficiente, todavia, para assegurar a reeleição de Fernando Henrique ao final daquele ano, mesmo diante do sentimento popular de que a economia caminhava para o buraco. O segundo mandato foi marcado por dificuldades econômicas e políticas, com taxas reduzidas de crescimento do PIB e do consumo das famílias e um desempenho pífio na geração de emprego.

Depois de um período inicial de dificuldades, o governo do presidente Lula teve um crescimento exuberante, impulsionado por ventos favoráveis no mercado externo, que viabilizou um amplo programa de elevação da renda das camadas populares que lhe conferiu prestígio e popularidade para se reeleger e para eleger Dilma Rousseff por dois mandatos.

Depois de 2013
Desde meados de 2013, a economia brasileira começou a patinar. As jornadas populares de junho de 2013 já eram sintoma da insatisfação popular que começava a se disseminar. As forças de oposição sentiram naquele momento a oportunidade real de retornarem ao poder e não titubearam em apostar no agravamento da situação política e econômica. A mídia teve papel catalizador nesse processo. O sentimento foi se consolidando diante da rápida deterioração do quadro econômico e da mobilização de rua de estamentos médios da população. Os trunfos da oposição, todavia, não se se mostraram suficientes e elas foram novamente derrotadas nas eleições de 2014.

A evolução da economia real de 2015 está espelhada nas curvas do PIB e do consumo das famílias, apresentadas no Gráfico, em trajetória ladeira abaixo. Como dissemos mais acima, a disputa política é legítima mas o apelo à quebra da ordem democrática para chegar ao poder deve ser rechaçado para impedir que uma grande farsa institucional tome conta do país. 


*Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
**Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/03
11:05

Coluna Primeira Mão

Zezinho deve deixar Secretaria da Saúde quarta-feira

Inicialmente previsto para às 9h de terça-feira, no Palácio de Despachos, o ato de desincompatibilização do secretário de Estado da Saúde, Zezinho Sobral, deverá acontecer na quarta-feira. O motivo da mudança de dia: Os peemedebistas sergipanos deverão participar do encontro nacional do PMDB, em Brasília, na terça-feira. Zezinho pretende disputar a indicação do bloco político do governador Jackson Barreto à Prefeitura de Aracaju.


Marina virá apoiar o Sustentabilidade

A Executiva Estadual do Rede Sustentabilidade solicitou à Direção Nacional uma visita de sua liderança maior, Marina Silva, ao Estado. O compromisso deverá ser agendado para breve em data a ser estabelecida. ?Filiamos centenas de pessoas em todo Estado e teremos candidatos a prefeito e vereador em vários municípios. Uma visita dela seria muito oportuna e proveitosa?, disse o pré-candidato a prefeito de Aracaju, vereador Emerson Ferreira.


PSOL define pré-candidatura dia 8 de abril

O PSOL realizará o seu congresso em Aracaju no dia 08 de abril, quando aprovará quem deverá ser o pré-candidato a prefeito da capital. A agremiação oferecerá o nome da professora da UFS Sônia Meire para debater na Frente de Esquerda (PSOL, PSTU e PCB). O PSTU pretende indicar a sindicalista Vera Lúcia. O Congresso do PSOL será no Sindipetro.


Almeida Lima quer a Saúde, mas...

O diretor-presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) Almeida Lima está de olho na Secretaria de Estado da Saúde. Mas o governador Jackson Barreto estaria propenso a colocar no lugar de Zezinho Sobral um profissional que já faz parte da atual equipe da pasta.


Mudança de nome -
A Câmara Municipal de Aracaju bem que poderia tomar a iniciativa de fazer uma consulta aos moradores do bairro Lamarão e encaminhar projeto de mudança de nome. Chega a ser por demais humilhante alguém dizer que mora no Lamarão, uma área de grande lamaçal , grande mentira ou bisbilhotice.


Complexo Bancário não deu certo? -
Logo que começaram as obras, muita gente largou a falar que ali, na avenida Melício Machado, estava sendo construído um Complexo Bancário que abrigaria o Banese, Banco do Brasil, Itaú, HSBC e o Santander. E as obras terminaram e funciona no local apenas o Banese. O que foi que houve?


Investimento em Carira -
Durante reunião com o diretor-presidente da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Sergipe (Codise), Vinicius Mazza, os empresários Genivaldo Monteiro Santos e Serginaldo Agostinho Lemos anunciaram que desejam instalar no município de Carira, no Agreste Central sergipano, a Indústria e Comércio de Placas de Borracha Ltda, com investimento de R$ 10 milhões e perspectiva de geração de mil empregos com o empreendimento já funcionando nos três turnos. Os empreendedores pleiteiam o apoio locacional previsto no Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial (PSDI).


Empreiteira genorosas com partidos

As empreiteiras brasileiras sempre foram muito generosas com os partidos políticos. Em 2010 e 2014 as empreiteiras denunciadas na Operação Lava Jato decidiram doar um ajuda de exatos R$ 930.315.101,61 aos partidos político e só agora saiu um listão que contemplou a todos ? PT, PSDB , PMDB , PSB, PP, PR, DEM, PDT , PTB , PCdoB , PSD, PPS , PSC , PV, SD, PRB, Pros, PRTB, PTN , PMN, PEN. PTdoB , PTC, PSL, PHS, PSDC, PRP e PPL. Pelo visto, já não dá mais para o sujo criticar o mal lavado. Ainda assim, tem gente aparecendo na mídia com discurso moralizador, o que é sempre muito suspeito. Lamentavelmente, parece que o povo está certo quando afirma que todos os partidos são iguais.


Vem mais um escândalo por aí
- Em um prazo de no mais tardar 20 ou 30 dias, vem escândalo por aí e justamente em Aracaju. A onda moralizadora parece que vai se estabelecer no Estado de Sergipe neste ano.


Tartarugas -
Centenas de pessoas, inclusive turistas que se encontravam em hotéis da orla, participaram no final da tarde do sábado, 26, do ato de soltura de filhotes de tartaruras no mar. O agto aconteceu na área próxima ao Oceanário de Aracaju.


Músicos farão protesto em Estância

 

O Sindicato dos Músicos do Estado de Sergipe (SINDMUSE) está convocando os artistas que se apresentaram nos festejos juninos de 2015, em Estância, e ainda não receberam os devidos pagamentos. O SINDMUSE fará ato de protesto às 8h, de terça-feira, 29, em frente à Prefeitura Municipal.



Coluna Eugênio Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
23/03
22:02

Laete Fraga depõe na Comissão da Verdade

O depoimento da advogada Laete Fraga na Comissão Estadual da Verdade tratou da sua participação,  na Justiça Militar, em Salvador (BA), defendendo Edgar Odilon, livreiro que não era comunista, mas que cedeu a caixa postal ao PCB para a correspondência do partido. Foi preso, torturado e depois absolvido. O episódio aconteceu em 1976, durante a Operação Cajueiro, em Aracaju (SE)

Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
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