20/03
16:28

Sefaz vai apertar o cerco aos inadimplentes com Fundo de Combate à Pobreza

A Sefaz vai apertar as empresas inadimplentes com o recolhimento do adicional de Fundo Estadual de Combate e Erradicação da Pobreza. Dentro de trinta dias vai desecadear uma fiscalização dirigida especificamente para averiguar o cumprimento da obrigação por parte dos contribuintes do Simples Nacional. O recolhimento, segundo a Sefaz, está previsto no Regulamento do ICMS no Estado de Sergipe (RICMS/SE). As empresas em situação de inadimplência ainda têm esse prazo de trinta dias para “espontaneamente regularizar a sua situação de inadimplência e não sofrer nenhuma reprimenda fiscal”, recomendou a secretaria através de comunicado expedido aos contribuintes.



Economia
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Por Eugênio Nascimento
20/03
16:14

Governadores do NE manifestam apoio à Dilma

Reunidos na sexta-feira passada com Dilma Rousseff, os governadores do Nordeste decidiraram tornar pública nota de apoio à presidente.que será processada pela Câmara federal. A região Nordeste, onde  as famílias mais carentes foram  a mais beneficiada pelos programadas sociais  governos Lula e Dilma, tem recebido atenção especial da União.

A nota dos governadores na íntegra é a seguinte:

"Diante da decisão do Presidente da Câmara dos Deputados de abrir processo de impeachment contra a Exma Presidenta da República, Dilma Roussef, os Governadores do Nordeste manifestam seu repúdio a essa absurda tentativa de jogar a Nação em tumultos derivados de um indesejado retrocesso institucional. Gerações lutaram para que tivéssemos plena democracia política, com eleições livres e periódicas, que devem ser respeitadas. O processo de impeachment, por sua excepcionalidade, depende da caracterização de crime de responsabilidade tipificado na Constituição, praticado dolosamente pelo Presidente da República. Isso inexiste no atual momento brasileiro. Na verdade, a decisão de abrir o tal processo de impeachment decorreu de propósitos puramente pessoais, em claro e evidente desvio de finalidade. Diante desse panorama, os Governadores do Nordeste anunciam sua posição contrária ao impeachment nos termos apresentados, e estarão mobilizados para que a serenidade e o bom senso prevaleçam. Em vez de golpismos, o Brasil precisa de união, diálogo e de decisões capazes de retomar o crescimento econômico, com distribuição de renda."

Robinson Farias (PSD - Rio Grande do Norte)
Flavio Dino (PCdoB - Maranhão)
Ricardo Coutinho (PSB - Paraiba)
Camilo Santana (PT - Ceara)
Rui Costa (PT - Bahia)
Paulo Câmara (PSB - Pernambuco)
Wellington Dias (PT - Piaui)
Jackson Barreto ( PMDB - Sergipe)
Renan Filho (PMDB - Alagoas)



Política
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Por Eugênio Nascimento
20/03
16:06

CEV ouve Marcélio, Laurinha e Laete

A Comissão Estadual da Verdade realiza mais um ciclo de audiências públicas para dar continuidade às oitivas das vítimas da Ditadura Militar em Sergipe, a começar nesta segunda-feira, 21, com Marcélio Bomfim. Terça e quarta-feira serão ouvidas, respectivamente, Laura Maria Ribeiro Marques e Maria Laete Fraga. Todas as audiências acontecem a partir das 09h, no auditório do Museu da Gente Sergipana.



Política
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Por Eugênio Nascimento
20/03
12:04

Câmbio e substituição de importações

Ricardo Lacerda
Professor do departamento de Economia da UFC


A retração na aquisição de importados tem sido expressiva e não vem se dando apenas por conta da recessão interna. A substituição de bens e serviços importados pela produção interna já se encontra em pleno andamento e deverá se acentuar nos próximos meses, movida pelo encarecimento dos itens importados em relação aos produzidos internamente. A substituição pela produção doméstica se dá tanto nos bens e serviços adquiridos pelas empresas, quanto nos que são consumidos pelas famílias.
 
Essa troca do importado pela produção doméstica não vem acontecendo em um ritmo mais intenso por conta da destruição de capacidade produtiva interna decorrente do longo período em que o real permaneceu artificialmente valorizado. 

Tanto nos anos noventa (notadamente entre 1994 e 1998) como na maior parte dos últimos quinze anos, a política cambial brasileira favoreceu o consumo e penalizou a produção interna, principalmente as atividades industriais mas atingiu também algumas atividades do setor de serviços, como aquelas que integram a cadeia do turismo. Se a ascensão da chamada Classe C propiciou nos últimos dez anos a incorporação de milhões de pessoas ao mercado turístico interno, a valorização da nossa moeda tornou o Brasil um destino muito caro para os estrangeiros e subsidiou as viagens internacionais das classes A e B e até de uma pequena fração da Classe C. 

A intensa depreciação de nossa moeda desde o final de 2014 causou mudanças acentuadas nos preços relativos da economia brasileira, dessa vez em favor da produção interna e, como não poderia deixar de ser, em desfavor da importação e do consumo, pelo menos no período de transição, quando o poder de compra interno se contrai.

Câmbio
Na comparação entre o trimestre completado em janeiro de 2016 e o finalizado em janeiro de 2015, a paridade do real frente à cesta relevante de moedas depreciou-se 30%, já descontada a inflação do período medida pelo IPCA. Se os valores forem descontados por um índice de preços de atacado de bens e serviços ofertados no mercado interno, como o IPA-DI, a perda de valor do real frente à cesta de moedas é de 20%. 

Isso significa, grosso modo, que os bens e serviços produzidos no país, ou pelo menos as etapas de produção desses bens e serviços realizadas internamente, na média, tornaram-se cerca de 20% mais baratos quando vendidos para o mercado exterior. Em outras palavras, os bens e serviços brasileiros comercializados no mercado externos tornaram-se mais competitivo nesse percentual e provavelmente mais do que isso quando vendidos no mercado brasileiro.

Substituindo importados

Infelizmente, os últimos resultados publicados do coeficiente de penetração de importações da indústria (CNI-FUNCEX) referem-se ao terceiro trimestre de 2015, não captando o movimento mais recente. Ainda assim, o índicador na série a preços constantes já refletia uma inversão tendência desde o segundo trimestre de 2015, quando começou a cair a participação dos produtos importados no mercado interno, na série acumulada em quatro trimestres.   

O gráfico a seguir apresenta as evoluções das quantidades físicas das importações manufaturadas e segundo categorias de uso e da produção física da indústria segundo categoria de uso, na comparação entre o trimestre nov2014-jan2015 e nov2015- jan2016. Há importante limitações nessa comparação, é importante que seja alertado. Entre outras coisas porque as categorias não são equivalentes e as metodologias de ponderação dos setores são distintas. Ainda assim, é possível inferir algumas tendências interessantes.

As importações de produtos industrializados, medidas em toneladas, recuaram 30,6% entre o trimestre encerrado em janeiro de 2016 e o trimestre em janeiro de 2015, enquanto a produção física da indústria geral caiu 12,8%, indicando que a produção interna ocupou espaço dos importados. As importações de bens duráveis recuaram 44,3% nessa comparação, enquanto da produção industrial interna desses bens apresentou queda também muito expressiva, mas bem menor (22,7%). As importações de bens intermediários recuaram 22,5%, enquanto a produção interna caiu 11,3%. No caso dos bens de capital, as retrações nas importações e na produção são mais aproximadas.

É importante assinalar, também, que a aceleração da queda no volume físico das importações tem se dado em ritmo bem mais acentuado do que na retração da produção, embora esta também tenha sido importante. Assim, a taxa de recuo na importações de duráveis por exemplo no trimestre encerrado em janeiro de 2016, em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, multiplicou por cinco, enquanto a taxa da queda da produção física não chegou a dobrar. 

Há indícios relativamente consistentes de que um importante processo de substituição de importações está em curso na economia brasileira, favorecendo um grande número de atividades industriais. É razoável esperar que esse movimento em direção à aquisição de parcelas crescentes de bens (e de alguns serviços) no mercado interno deverá se acentuar nos próximos meses, devendo fechar o ano de 2016 com um perfil bem distinto em relação ao ano de 2015.



*Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
**Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/ 
 
 


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
20/03
08:39

Bala perdida

José Lima Santana
Professor do Departamento de Direito da UFS

Ladeira dos Tabajaras. Copacabana. Rio de Janeiro. Pouco passava das 15 horas. Um grito. Um filete de sangue. A camisa branca tingida de vermelho. Ali mesmo, no meio da rua estreita e tortuosa, o rapaz caiu. Não gritou mais. Os olhos esbugalhados davam-lhe um ar de horror. Dezoito anos mal e mal completados. Ele era o terceiro a morrer assim naquele lugar em menos de sessenta dias. A mãe do rapaz era dona de um pequeno ponto de venda de doces ali perto. Avisada, correu como uma desesperada. Amparou em seu colo o corpo do filho. A dor lancinante de uma mãe que perdeu o seu primogênito. Dor sem consolo. Estava no segundo período de Medicina. Conseguiu aprovação no sistema de cotas na UFRJ, mas os seus pontos o colocariam entre os primeiros colocados dos que estavam fora das cotas. Estudioso desde muito pequeno. O orgulho da família pobre de nordestinos, como muitos que ajudaram a erguer a riqueza do sul/sudeste. Uma mãe com o coração trespassado de dor no meio da rua. O filho inocente no colo, morto.

Antônio Varjão, ou Toinho Alagoano, enterraria o neto. Ele jamais poderia esperar por aquilo. Na casa do seu filho e pai do rapaz assassinado, Pedro Henrique de Souza Varjão, motorista de ônibus, da linha 474, Jacaré/Jardim de Alah, cujo itinerário começa na Rua Álvaro Seixas, no Engenho Novo, e culmina na Av. Afrânio de Mello Franco, no Leblon, o pranto não cessava. Pai, mãe e irmãos, todos mais novos, pranteavam o rapaz de 18 anos que caiu sem vida na ladeira. Toinho Alagoano era assim chamado por ter desposado uma filha das Alagoas, embora piauiense ele fosse. A mulher, Dona Inocência, era do sertão alagoano e mudara-se para o Rio de Janeiro, ainda criança, quando a família arribara após mais uma seca. O seu pai, Sebastião Peixoto de Souza, era sanfoneiro. Logo, chegando ao Rio, arranjou o que fazer, tocando na feira de São Cristóvão, a famosa feira dos nordestinos. Até que não era ruim interpretando as músicas de Luiz Gonzaga. Num sábado, em 1971, o próprio Gonzagão foi vê-lo tocar. Gostou do que viu. Deu-lhe de presente uma sanfona novinha em folha. O velho Luiz tinha o costume de dar sanfonas de presente a quem sabia tocar. Naquele caso, em bom tempo, aliás. O fole de Sebastião andava caindo aos pedaços. Folezinho surrado da moléstia! O sanfoneiro alagoano ainda trabalhava de pedreiro durante a semana, de segunda a sexta-feira. Longe, ficou a cidadezinha do sertão alagoano, bem como a seca e a vida incerta. Por vida incerta entenda-se uma vida de trabuco na mão. Bastião do Fole, como era conhecido em Jirau do Ponciano, tivera seu tempo como matador de aluguel. Vida incerta... Regenerou-se.

Um irmão de Antônio Varjão também tombara uns sete ou oito anos antes, varado por um tiro de fuzil, disparado por um policial, na Baixada Fluminense. O inquérito policial apontou que Severino Varjão atentara contra o policial com um revólver calibre 38. As testemunhas não viram isso. Contudo, o inquérito fora arquivado. A mulher de Antônio Alagoano sempre quis voltar para a terra natal. Para Alagoas, mas não para Girau do Ponciano. Ela sonhava com uma casinha pintada de branco, de portas azuis, para ela e o marido, com craveiros no oitão e roseiras no terreiro da frente. De preferência, numa região praieira. Uma casinha simples, para os dois. Muito bom seria se o filho motorista de ônibus e a família os acompanhassem. Sair do Rio. Deixar para trás a violência que tomara conta da Cidade Maravilhosa, que, dia a dia, perdia o encanto para muitos moradores e turistas. Era uma pena. Nenhuma cidade, para Dona Inocência, era mais bela do que aquela cidade. Mar e montanhas. Belezas indescritíveis. Mas a violência chegara ao limite do suportável. Aliás, ela via nos telejornais que a violência estava braba em todos os lugares. Na terra dela não era diferente. Porém, num lugarejo qualquer, à beira mar, devia-se viver bem melhor do que no Rio.


Antônio Varjão e a mulher conversaram com o filho, a nora e os netos. Ninguém quis saber de arribar do Rio. Ir para o Nordeste, fazer o quê? Não. Melhor, apesar de tudo, seria ficar mesmo no Rio. Ali, o campo de trabalho era melhor do que em Alagoas, do que no Nordeste. Se os pais resolvessem ir embora de verdade, eles os visitariam, nas férias, quando a situação permitisse. Talvez, ano sim, ano não. Já seria alguma coisa. Daria para matar a saudade. Balas perdidas havia no Rio, em São Paulo, em Alagoas, em todo lugar. As fatalidades sempre ocorriam. A violência fazia parte do mundo. Infelizmente.


Antônio Alagoano, que o era só no nome, como já foi dito, vendeu o pequeno apartamento. O dinheiro daria para comprar a casinha com a qual Dona Inocência tanto sonhava. Já tinham um negócio em vista. O casal conhecia Piaçabuçu, na foz do rio São Francisco. Ali, ela tinha uma prima. A mesma encontrara uma casa na medida certa para o casal. Casa com varanda, sala, cozinha, banheiro e dois quartos. Ah, e um arremedo de jardim, que Dona Inocência haveria de revitalizar e cuidar muito bem! O dinheiro da venda do apartamento daria para comprar a casa e ainda sobrariam alguns torçados. Antônio era aposentado como garçom e Dona Inocência, como merendeira de uma escola pública. O que ganhavam sempre deu para viver. E colaborar com os netos, quando era preciso.


Malas arrumadas. Na rodoviária, os netos não paravam de chorar. Eram por demais apegados aos avós. Maykon Clay, o neto de dezoito anos que fora varado por uma bala perdida na Ladeira dos Tabajaras, era o neto mais apegado aos avós. Basicamente, morava com eles. O desalento maior de Antônio e Dona Inocência era justamente a falta do neto, companheiro do avô nas tardes domingueiras de jogo no Maracanã. Nunca mais Antônio haveria de ir ao Maraca. Não. Sem o neto, ele não iria mais. Esperava descansar em paz em Piaçabuçu. Quando sobrasse algum dinheiro, mandaria buscar os netos no período de férias, no ano em que os pais não pudessem ir. Despediram-se. Todos com lágrimas nos olhos. Não há nada mais difícil do que uma separação, qualquer que seja. Como dói!


Arribaram. O ônibus leito varou a estrada. Cruzou alguns estados. Enfim, eis o casal na nova morada. Boa vizinhança. Aposentados jogando baralho, damas e dominó debaixo de frondosas amendoeiras. Diversão de velhos. Perto da casa havia uma igreja e Dona Inocência já fazia parte do Apostolado da Oração. No Rio, o filho continuava se virando com a família. Não houve mais nenhum sobressalto, mas balas perdidas continuavam cortando os ares cariocas.


Numa tarde de verão, Antônio Varjão conversava animadamente com o vizinho, Zeca Pombo. O telejornal do meio-dia mostrou mais uma vítima de bala perdida na Cidade Maravilhosa. Antônio falou do neto morto no meio da rua. Os seus olhos marejaram. Oito meses haviam se passado.


Zeca Pombo, sem pensar direito e sem maldade, disparou: “Por aqui, ‘seu’ Antônio, ninguém morre de bala perdida. Aqui ninguém erra o alvo”.


É cruel. Ponto final.


(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 20 de março de 2016.



Coluna José Lima
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Por Eugênio Nascimento
20/03
08:26

Considerações sobre a tortura

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

O que entendemos por tortura? Em uma primeira aproximação ao assunto, pode-se dizer que se trata de algo sinônimo de dor, sofrimento, martírio, suplício, etc. Mas não se trata de uma dor naturalmente sofrida por um corpo, de interesse da Medicina como, por exemplo, uma dor de cabeça, uma dor de dente, uma dor de barriga e outras mais que são produzidas pelo próprio corpo e que podem ser tratadas com remédios e cirurgias. Este seria o sentido biológico da dor.

A dor como sinônimo de tortura é diferente. Ela é provocada por outras pessoas. É uma dor provocada externamente. Podem ser usados “instrumentos” de um corpo humano (mãos para um “telefone”, murros, etc; pés para pontapés, chutes, etc.) e instrumentos no sentido próprio. A história da humanidade é muito criativa em termos desses instrumentos, como veremos adiante.

Outro elemento é a intencionalidade no uso da tortura. Pode haver erro quanto à pessoa a ser torturada, mas a tortura é sempre intencional. Não há tortura por acaso. Pessoas buscam outras sobre as quais deve recair a tortura.

Mais outro – e mais importante - elemento é a racionalidade no uso da tortura. Ela é um tipo de violência que tem uma lógica. Não é um problema interessando à Psiquiatria, que poderia envolver a noção de sadismo. Qual é essa lógica então? Ela consiste no interesse de obter alguma informação que alguém supostamente possui e não quer revelar. Ela busca extrair uma informação que de outra forma, supõe-se, não seria obtida. Presume-se que, ao obter a informação, o interesse em causar dor por uma sobre outra, seja estancado. Se a tortura é continuada, depois de obtida a informação, estamos, agora sim, no campo da Psiquiatria.

Em nossa opinião, existem os seguintes eixos a merecer reflexão e estudo sobre a tortura na história de Sergipe.O primeiro é a tortura praticada pela Inquisição; o segundo é a tortura ligada à escravidão; a terceira é a tortura relacionada aos crimes comuns e a tortura ligada às atividades políticas. No primeiro caso, a tortura era uma prática da Igreja Católica; no segundo caso, era uma prática dos proprietários de escravos. A terceira e a quarta são torturas praticadas pelo Estado sergipano e pelo Estado federal em Sergipe, com articulação ou não entre os dois. Observando os quatro tipos, chega-se à conclusão que ela tem sido privada e estatal.

Embora pouco se fale desse assunto, a Inquisição atuou em terras sergipanas. Atentem para a palavra “inquisição”, substantivo que vem do verbo “inquirir” e que significa “interrogar”. Em que estava interessada a Inquisição em Sergipe? Como em toda a parte, ela buscava casos de desvios de conduta religiosa como heresias, blasfêmias, bruxarias, etc. Por que presos religiosos eram torturados? Esse tipo de tortura era dirigido, sobretudo, contra judeus residentes em Sergipe. Eram os cristãos-novos sergipanos que seguiam práticas religiosas judaicas às escondidas. Era o antissemitismo em Sergipe.

O escravo já era um preso social. Não podia nem ir, nem vir. Vivia imobilizado espacialmente. Sua movimentação só ocorria com o tráfico de escravos ou com a autorização dos proprietários. Durante a escravidão sergipana, muito se praticou tortura e castigos violentos sobre escravos. Sergipe era um grande campo de concentração de trabalho forçado. Havia, naturalmente, rebeldia e resistência dos grupos escravizados. Escravos eram torturados para confessar envolvimentos em rebeliões, fugas, roubos, etc. Os proprietários de escravos torturavam diretamente ou através de feitores, capatazes.

A tortura de presos comuns praticada em cadeias e prisões sergipanas sempre existiram e têm sido naturalizadas. Essa é uma herança que veio dos tempos coloniais até hoje. Por que são torturados os presos comuns? Para confessar a prática de crimes, de pessoas neles envolvidas. Embora negada, advogados criminalistas dizem que ela existe até hoje nas delegacias e prisões de Sergipe. Esse é o tipo mais grave de tortura porque atinge sistematicamente as classes trabalhadoras, com ditadura e com democracia.

Quando começou a tortura a presos políticos em Sergipe? De quantas ondas históricas de torturas aplicadas sobre políticos temos notícia? A tortura com motivação política tem sido aplicada, com exclusividade, sobre políticos ou militantes comunistas? A tortura política somente ocorreu em regimes autoritários? No período da ditadura dos interventores de Vargas (1930-1945), houve tortura política em Sergipe? Durante o regime democrático de 1945 a 1964, aconteceram muitas prisões de comunistas em Sergipe em 1947 e 1952? Nós consultamos o processo judicial referente às datas acima e verificamos a lista de nomes e provas contra os comunistas. Aquelas provas e aqueles nomes arrolados foram conseguidos pelos agentes públicos dentro da lei? O que não resta dúvida é sobre as torturas durante a ditadura militar.

Para que o leitor tenha uma ideia dos tipos de tortura durante ditadura militar, consultamos vários sítios e arquivos na internet como, por exemplo, o Relatório da Comissão Nacional da Verdade, relatórios estaduais de comissões da verdade, entre outros. O que passamos a descrever adiante foi retirado dessas fontes. É o caso de citar as cinco famosas cinco técnicas de tortura, isto é, “manter a pessoa de pé contra uma parede por muitas horas; encapuzar; sujeitar a barulhos; impedir o sono e pouca comida e água”.

Entre as modalidades de tortura física, podemos mencionar a tortura por choque elétrico, soro da verdade, uso de éter, uso de produtos químicos, cadeira do dragão, palmatória, simulação de afogamento, telefone, buchas no ânus e na vagina, enforcamento, crucificação, geladeira, colocação dos pés dos presos sob latas abertas, uso de capuz, cela, pau de arara, uso de animais, coroa de cristo, queimar cigarro aceso em partes do corpo (“churrasquinho”), açoitar, o uso de presos políticos como cobaias de torturas, sevícias sexuais, etc.

Em relação à tortura psicológica, levantamos, entre tantas outras, as seguintes modalidades de tortura: fazer preso político ouvir torturas sobre outros presos, a intimidação, humilhações verbais, ameaças de ser jogado no mar de avião em vôo, ameaças à integridade física de presos e de seus familiares.

Avaliando os tipos de tortura acima, e a eles somando e misturando as torturas da Inquisição e da escravidão em uma lista incompleta (berço de Judas, empalamento, caixão da tortura, balcão da tortura, pera da angústia, serra para cortar ao meio, esmaga cabeças, tortura do garrote, cadeira das bruxas, balcão de estiramento, cadeira inquisitória, roda da tortura, pelourinho, chicote, tronco, esmaga-cabeça, forquilha do herege, esmaga-seios, ferro de marcar, berlinda, etc.), nota-se que houve uma evolução da tortura bruta à tortura científica – embora da velha tortura ainda continue sendo feito uso nos tempos atuais.

Quem participa das sessões de tortura? Policiais civis e militares – aqui estão incluídos militares das Forças Armadas e militares dos estados federados. Quem são seus auxiliares? Militares, médicos e, menos frequentemente, enfermeiros.

É assustador pensar que existam treinamentos para torturadores. Em outras palavras, os estados preparam quadros especialistas em tortura que treinam aplicadores de tortura. O que concluir disso? Como existe a proibição legal da prática da tortura por agentes públicos, e que essa é uma prática corriqueira entre eles, não tem como fugir da afirmação de que a tortura é uma prática informal e inscrita no esqueleto dos estados modernos.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
19/03
15:32

Mir e Hunt fazem evento principal do UFC na Austrália neste sábado

Card conta com três representantes brasileiros

Nas artes marciais mistas, o jargão ensina que, em luta de pesos-pesados, não há favoritismo, devido ao poder de nocaute dos atletas. Neste sábado, atravessando momentos distintos, Frank Mir e Mark Hunt lideram o UFC Austrália, em Brisbane, em duelo de cinco rounds - com potencial de acabar em poucos minutos.

Depois de emplacar duas vitórias por nocaute no primeiro assalto, a ascensão de Frank Mir foi freada por Andrei Arlovski, que o derrotou por pontos, em setembro do ano passado, no UFC 191. Com nove finalizações na carreira - inclusive contra Rodrigo Minotauro -, o americano não esconde que o chão deve ser o caminho mais fácil para reencontrar a boa fase.

Ao contrário do oponente, Mark Hunt havia sido nocauteado por Fabricio Werdum e Stipe Miocic. A volta por cima se deu contra Antônio Pezão, em novembro do ano passado, no mesmo evento em que Ronda foi destronada por Holly Holm. O neozelandês não possui nenhum triunfo por finalização no cartel, entretanto, é apontado por vários integrantes da divisão como o dono da mão mais pesada - são oito nocautes em onze vitórias.

Na co-luta principal, Hector Lombard retorna ao octógono depois de cumprir suspensão por ter sido flagrado no exame antidoping. O cubano, que faz parte da American Top Team, enfrenta Neil Magny, pelo peso-meio-médio.

No card principal, o único representante do Brasil é Antônio "Cara de Sapato". O faixa-preta de jiu-jítsu, que já morou na Austrália, visita o anfitrião Daniel Kelly. O paraibano vem de um frustrante "No Contest" contra Kevin Casey, a quem acertou com uma dedada no olho aos 11 segundos de combate.

Pelas preliminares, Viscardi Andrade também encara um lutador da casa. Embalado pela vitória sobre Gasan Umalatov, no UFC São Paulo, em novembro de 2015, o paulista planeja utilizar sua experiência contra Richard Walsh, que também venceu em seu último compromisso.

Alan Nuguette, atleta da X-Gym, teve o adversário trocado há poucos dias do show e encara Damien Brown, contratado em caráter de urgência pela companhia para estrear nesta edição.

O canal Combate transmite o evento ao vivo, com exclusividade e na íntegra a partir das 19h50. O Combate.com exibe as duas primeiras lutas do card em vídeo. 

UFC Austrália
19 de março de 2016, em Brisbane (AUS)

CARD PRINCIPAL - a partir de 0h (horário de Brasília)
Peso-pesado: Mark Hunt x Frank Mir
Peso-meio-médio: Hector Lombard x Neil Magny
Peso-leve: Jake Matthews x Johnny Case
Peso-médio: Daniel Kelly x Antônio Cara de Sapato
Peso-médio: James Te Huna x Steve Bosse
Peso-palha: Bec Rawlings x Seo Hee Ham

CARD PRELIMINAR - a partir de 20h (horário de Brasília)
Peso-meio-médio: Brendan O'Reilly x Alan Jouban
Peso-pena: Dan Hooker x Mark Eddiva
Peso-meio-médio: Richard Walsh x Viscardi Andrade
Peso-leve: Alan Nuguette x Damien Brown
Peso-leve: Ross Pearson x Chad Laprise
Peso-galo: Rin Nakai x Leslie Smith

(*Com informações do Combate.com)


Esportes
Com.: 0
Por Kleber Santos
18/03
15:26

Empresa familiar muda de cara e aumenta clientela

Com a colaboração dos programas Sebratec e ALI, comércio de material de construção em Aracaju amplia espaço e atrai novos perfis de clientes
São Marcos
 
SERGIPE - “Antes a loja parecia uma bodega”, diz Marcos Barbosa, analista de sistemas e colaborador da “São Marcos – Materiais de Construção”, em Aracaju (SE). Há 25 anos atuando no comércio varejista, a empresa passou por mudanças significativas nos últimos dois anos e se transformou numa referência na região.

Em 2005, disposto a reverter a inércia de seu negócio, o fundador da empresa, o bancário aposentado Manuel Méssias Dósea dos Santos, passou a investir e a operar com mais força na São Marcos, contando com a ajuda dos filhos Marcos e Tiago Dósea.

Porém, a típica loja familiar carregava problemas comuns a diversos empreendimentos, a exemplo de espaço físico limitado, falta de uma identidade visual que atraísse clientes, além da escassez de ferramentas que pudessem garantir a inovação e o desenvolvimento nos negócios.

Com a compra de uma casa vizinha, a empresa iniciou um intenso processo rumo à sua ampliação e a mudanças expressivas na condução dos negócios da São Marcos. “Enquanto a reforma da loja era executada, nós fomos ao Sebrae, começamos a fazer alguns cursos e conhecemos projetos que foram fundamentais para o crescimento da São Marcos”, conta Messias.

Com a adesão ao Programa de Agente Local de Inovação (ALI), em 2014, do Sebrae, a empresa prosseguiu em direção a novos desafios e em busca de novas formas de gestão empresarial.

Ascom/Sebrae


Variedades
Com.: 0
Por Kleber Santos
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