27/03
11:41

PL sobre Turismo Religioso é tema de discurso do deputado Moritos Matos

O  deputado estadual Moritos Matos (PROS) usou o grande expediente da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe - Alese - nesta segunda-feira, 27, para abordar novamente sobre o Projeto de Lei nº 26/2017, que dispõe sobre a  instituição de diretrizes para o Turismo Religioso no Estado de Sergipe. Essa PL começará a ser votada na terça-feira, 28. "Esse projeto de minha autoria tem como objetivo consolidar o turismo religioso em Sergipe. Para que isso seja posto em prática serão necessários mais investimentos em infraestrutura básica nas localidades turísticas, construção e conservação das rodovias estaduais que dão acesso a esses locais", expõe o deputado Moritos Matos. 

De acordo com o parlamentar, essas ações devem ser implementadas pelo Governo de Sergipe, através da Secretaria Estadual de Turismo. "Elaborei com minha equipe esse projeto para que essa Casa possa avaliar e aprovar essa PL. Para que a Secretaria de Turismo coloque em prática esse projeto", enfatiza o deputado Moritos Matos.

Matos também voltou a falar sobre o levantamento das situação das principais praias sergipanas apresentado por ele na sessão do dia 6 de março. Segundo Moritos Matos, outra necessidade urgente é a a padronização da sinalização no percurso de acesso as praias. "Boa parte das placas que indicam como chegar as praias estão danificadas. Por isso, padronizar essa sinalização seja tão necessária. E que isso seja feito de acordo com o Guia Brasileiro de Sinalização Turística", ressalta Moritos Matos. E ele cita também que  será necessário restaurar igrejas e monumentos para melhorar o turismo em Sergipe.

O deputado Moritos Matos enfatiza que o Governo tem que fazer sua parte, mas que tem que trabalhar junto com o setor privado "O projeto propõe também implementação do transporte municipal interligando essas praias para facilitar o acesso dos turistas e dos sergipanos a esses locais. Porque do jeito que se encontram essas praias inviabiliza o acesso das pessoas. Cabe ao Governo melhorar a estrutura para receber bem os turistas e os sergipanos que frequentam esses espaços", pontua Moritos Matos.


Política
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Por Kleber Santos
27/03
10:40

Agentes de segurança do TRE-SE recebem treinamento para manuseio de armas elétricas

Na manhã do dia 24 de março, os agentes de segurança do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe (TRE-SE) receberam treinamento sobre o manuseio de pistolas de choque elétrico. A partir de agora, cada técnico portará esse armamento como instrumento de trabalho.

Os agentes de segurança assistiram ao tutorial apresentado pelo instrutor Josemilson Tavares, que teve seus serviços cedidos pelo Tribunal Regional do Trabalho da 20ª Região (TRT20) por meio de convênio com o TRE-SE.

O facilitador explicou a parte teórica, com conceitos sobre eletricidade, segurança e funcionamento da pistola, e a parte prática, como aplicação e técnicas de disparo. Segundo Josemilson, o grande diferencial desse armamento é o seu caráter não letal.

“Um tiro executado por uma arma desse tipo tem descarga de 6 mil volts. O indivíduo que recebe o disparo fica momentaneamente incapacitado por desfunção dos grupos musculares, o que facilita sua imobilização”, explicou o instrutor.

Segundo informações do chefe da Seção de Transportes e Segurança do TRE-SE, Lafayette Franco Sobral Júnior, foram adquiridas 8 pistolas que serão usadas a partir de abril. “Dez agentes de segurança do Tribunal assistiram ao curso de habilitação para operadores de SPARK. Com o novo armamento haverá um ganho substancial na segurança da instituição e os agentes do TRE-SE auxiliarão, inclusive, no controle de acesso ao Órgão”, pontuou o chefe da segurança.


Política
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Por Kleber Santos
27/03
09:39

OAB/SE ingressará com Ação Civil Pública para barrar privatização da DESO

Em defesa da população sergipana, a Ordem dos Advogados do Brasil, em Sergipe, ingressará com ação civil pública pela nulidade do Pregão Eletrônico Nº 19/2017, que tem o propósito de privatizar as atividades da Companhia de Saneamento de Sergipe. Para a entidade, a medida fere princípios fundamentais do cidadão, como o direito à saúde e a universalização do acesso. 

A Companhia é responsável por estudos, projetos e execução de serviços de abastecimento de água, esgotos e obras de saneamento em Sergipe e tem como principal acionista o Governo do Estado – que detém 99% do total de ações. Apenas os municípios de Carmópolis, além das sedes de São Cristóvão, Capela e Estância, não fazem parte da área operada pela empresa.
 


Política
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Por Kleber Santos
27/03
08:38

Corregedoria do TJ lança novo Portal

Com intuito de informar à sociedade dos serviços oferecidos pela Corregedoria-Geral da Justiça do Tribunal de Justiça de Sergipe, foi lançado hoje, 27/03, o novo portal da Corregedoria (http://www.tjse.jus.br/corregedoria). A nova ferramenta de comunicação traz menu de acessos rápidos, contendo os principais sistemas de uso utilizados pelos usuários externos e internos.
 
No Portal foi destacada a melhor visualização dos números do “Disk Processo” e do “Disk Ouvidoria”, que são canais de acesso direto dos sergipanos com o Poder Judiciário. Agora, caso o usuário utilize celular ou tablet, poderá ligar automaticamente para os números 0800.079.0008 e 159, facilidade oferecida pela tecnologia responsiva, que permite a abertura do portal em qualquer tela dos dispositivos móveis disponíveis no mercado.

Além de fácil e intuitivo, o portal está com layout mais clean e oferece acesso de destaque para o SEI - Sistema Eletrônico de Informações, Pje CNJ - Sistema de Processos Judicial eletrônico e para a divulgação das ações e atividades desenvolvidas pela Corregedora-Geral da Justiça, Desª Iolanda Santos Guimarães, e pelos Juízes Corregedores, Adailton Alves e Daniel Vasconcelos, além de todos que compõem a equipe da Corregedoria para o biênio 2017/2019.

Com esta nova dinâmica, o portal da Corregedoria oferece consulta de informações pertinentes, como plantões de cartórios extrajudiciais, endereço das Varas e Comarcas do Estado, Provimentos, Consolidações Normativas Judicial e Extrajudicial, tabela de substituição de Juízes, Diretores de Fóruns, tabela das custas dos serviços cartorários, extravios de selos, retirada de certidões on-line para empresas, notícias jurídicas atualizadas, dentre outros serviços.


Variedades
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Por Kleber Santos
27/03
08:35

Polícia Civil elucida chacina em hotel abandonado na Orla de Atalaia e detalha prisão de suspeito

A Secretaria de Segurança Pública realizou na manhã desta segunda-feira, 27, uma coletiva de imprensa para detalhar a prisão de Jorge Wellington Santos da Mota, 20 anos, acusado de ser um dos autores da chacina ocorrida em um hotel abandonado na Orla de Atalaia, no dia 21 de dezembro de 2016, evento que vitimou cinco pessoas.

A prisão ocorreu após operação da Polícia Civil de Sergipe, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), realizada na última quinta-feira, 23. Jorge Wellington foi preso durante buscas no Conjunto Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro. A ação conjunta contou com a participação de agentes do DHPP, além de equipes da Delegacia de Roubos e Furtos (Derof), Divisão de Inteligência da Polícia Civil (Dipol), polícia judiciária da Força Nacional e também do Grupamento Tático Aéreo (GTA).

Segundo o diretor do DHPP, delegado Jonathas Evangelista, Jorge Wellington já vinha sendo procurado pela polícia dois dias após o fato, quando durante as investigações foi identificada a sua autoria.

Com o apoio dos trabalhos realizados pelos peritos da Coordenadoria Geral de Perícias (Cogerp), que levaram cinco horas analisando a cena de crime, os agentes conseguiram elucidar a dinâmica de toda ação criminosa. Segundo as investigações, tratava-se de duas gangues rivais. “Dois indivíduos teriam entrado no antigo prédio e executado três membros do grupo de Jorge Wellington, que na hora do fato teria se escondido para não ser alvejado. Logo depois, ele teria aproveitado um momento de descuido da dupla e deflagrado vários tiros que resultaram na morte dos dois pertencentes à gangue rival”, explicou o delegado.

No momento da prisão, os policiais apreenderam com o acusado uma pistola calibre .40 que havia sido furtada de um policial civil.

No momento da prisão de Jorge Wellington, as equipes também efetuaram a prisão de José Hugo Pereira, fugitivo do Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan). Ele é acusado de participar do assassinato do torneiro mecânico Edson Brabec Barreto Filho, 59 anos, ocorrido em 14 de janeiro de 2016, no Conjunto Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro. Com José Hugo também foi apreendido um revólver calibre 32 municiado.Jorge Wellington já tem passagem pela polícia pelo crime de roubo e estava em liberdade desde setembro do ano passado. A dupla se encontra custodiada na 4ª delegacia Metropolitana, à disposição do Poder Judiciário.


Política
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Por Kleber Santos
26/03
18:29

Valadares sai em defesa do Canal de Xingó

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) postou mensagens no twitter anunciando que  na sexta,  com a ajuda do ministro da Integração, Helder Barbalho,  “conseguimos incluir na Secretaria de Orçamento  Federal (SOF) a movimentação de recursos para o projeto básico Canal Xingó”.

Segundo o senador,  “há uma opção orçamentária junto com o Ministério da Integração e a Codevasf. Até terça, divulgarei. O projeto básico agora custa R$ 16 milhões”. Valadares ficvou quinta e sexta feira em Brasilia em contato com os Ministérios da Integração e Planejamento para viabilizar a iniciativa.



Política
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Por Eugênio Nascimento
26/03
15:50

O Homem do Tempo

José Lima Santana
Professor da UFS

Segunda-feira. Dia modorrento para muita gente. Depois de um fim de semana de farra, ou sabia-se lá por quais outras razões, algumas pessoas se mostravam indispostas no trabalho. Ele era uma dessas pessoas. Indisposto não por causa do fim de semana de farras. Era que nas últimas semanas as previsões do tempo foram por águas a baixo. A temporada de trovoadas já estava a meio caminho andado e as chuvas não vinham. As previsões, contudo, apontavam chuvas há três semanas. Deveria ter chovido quase todos os dias daquelas semanas. Os mapas mostravam isso. Os computadores da estação meteorológica trabalhavam sem parar. Análises e mais análises. O homem do tempo fora à televisão várias vezes. Anunciava chuvas. Elas o contrariavam. Na última entrevista, o apresentador do programa noticioso brincou, após o repórter entrevistá-lo no calçadão, onde as pessoas faziam caminhadas: “Infelizmente, o nosso entrevistado não tem acertado uma. Desse jeito, vai perder o emprego. Aliás, ele está mais perdido do que cego em tiroteio”. E disse isso rindo. Riso largo de deboche. Nem precisava. Teria, talvez, faltado com a ética profissional. 

No trabalho, na porta da escola dos filhos, na rua, em todo lugar, todo mundo passou a brincar com ele: “Olhe lá! Não vá perder o emprego, hein?”. Foi um dia infernal. Até Dona Guilhermina, a sogra, que nunca nutriu por ele muita simpatia, apesar de já estar casado com a filha dela há mais de quinze anos, soltou-lhe esta nas fuças: “Se eu fosse você me mudava para um deserto. Lá não chove mesmo. Aí, você não ia errar uma”. Ele teve vontade de esganar a velha. Dela ele também não gostava. Eram elas por elas. Com o falecido sogro tinha sido bem diferente. O Dr. Medeiros era um homem de qualidades, tão diferente da mulher, uma farofeira, uma bisbilhoteira, uma peste. Cascavel de sete guizos! 

Naquela segunda-feira ele estava abatido. A última previsão, a da sexta-feira, dava conta de um aguaceiro em todo o estado. Até no sertão brabo cairia muita chuva. De fato, no litoral caíram uns canecos de água. Chuvinha rala, coisa de uns dez minutos, se muito. No resto do estado até que se formaram umas nuvens promissoras, aqui ou ali, mas, água descendo do céu, nem um pingo. E o verão estava mesmo abrasador. Calorão de trinta e tantos graus. Pouco vento. Mormaço absurdo. Nas ruas, o sol parecia penetrar na pele como espinhos de fogo. Pinicava. Ardia. O suor escorria em bicas. Em todo canto era um sofrimento só. Que Deus tivesse pena dos viventes, pessoas e bichos. No sertão, o gado morria aos embolés. Uma tristeza! Velhos fazendeiros acostumados com as intempéries da vida, não conseguiam segurar as lágrimas diante das câmeras de televisão. Dava pena. 

O homem do tempo estava acabrunhado naquela segunda-feira. Abatido. Não foi ao trabalho. Não levou os filhos à escola. A mulher cuidou disso. Não tomou café. Foi ficando em casa enquanto as horas se passavam. Perto do meio-dia, resolveu sair. Pegou o carro e saiu a esmo. Atravessou a avenida da praia. Percorreu uns dez quilômetros. Abriu os vidros do carro, para tomar um pouco de ar. O ar soltou em sua cara um bafo de panela quente destampada. Nenhuma nuvem no céu. Céu azul, muito azul. Parou num barzinho, na esquina que dava para a chácara da sogra, ali pertinho. Sempre que ele passava por ali, tinha vontade de parar porque achava o barzinho uma graça. O pequeno imóvel parecia uma bodega de interior, daquelas bem pintadinhas em cores muito vivas. Deveria, pensava ele, ser muito asseado aquele barzinho. Nunca parou ali porque não bebia. Bebidas alcoólicas? Nunca as ingeriu. O pai, muito rígido, no interior, criou os filhos sem beber e sem fumar. O velho dava o exemplo. Naquilo, os filhos se criaram. 

Já passava um pouquinho do meio-dia. Ele parou o carro em frente ao barzinho cujas paredes eram pintadas de cores muito vivas. A frente era de um verde muito forte. As laterais eram bem vermelhas. De um vermelho afogueado, como haveria de dizer Dona Tereza de Pedro Misericórdia, a mãe do homem do tempo. Entrou no barzinho, que era, sim, muito asseado. Parecia um bibelô. Por trás do balcão, uma senhora de cabelos brancos fazia crochê. “Uma cerveja, por favor!”. Pela primeira vez na vida, ele beberia. Sentou-se. A senhora serviu a cerveja. Na parede em frente a ele, um cartaz, tirado de alguma revista, em formato grande, estampava uma bela mulher com trajes de banho de praia, debaixo de um sol a pino. Lia-se esta inscrição: “Não perca tempo. Antes de sair de casa, consulte o tempo”. Era o anúncio de uma emissora de Rádio FM. Ele leu e tomou um gole da cerveja. Tomou outro e mais outro. Pediu algo para comer. Um tira-gosto. A mulher disse o que tinha. Ele aceitou. Não demorou e ela trouxe um prato, que era a especialidade do barzinho de cores vivas: rabada com agrião. Outro prato com salada, outro com farinha bem torradinha e, claro, pimenta malagueta. Ele pediu outra cerveja. Outra mais. A mesinha encheu-se de garrafas. Ele era o único freguês. Olhava o cartaz e já não conseguia ler nada. 

O homem do tempo não se aguentava em pé. Foi desbeber, como ele mesmo dizia, no pequeno sanitário que ficava no lado de fora do bar, no oitão esquerdo. Apertadinho. Apenas um mictório construído em alvenaria e revestido com azulejo branco. O sanitário ficava meio esconso, pois a barzinho estava plantado no pé de uma ladeira. Bem abaixo ficavam duas lagoas, que, em épocas de chuvas abundantes formavam quase dois lagos. Naqueles dias, não restavam mais do que dois lamaçais. Cai não cai, ele retornou ao tamborete. Para tomar assento, segurou-se. Uma mão na mesinha e a outra na parede. Com muito custo, ele se ajeitou. Pediu outra cerveja. Era a décima segunda. Estava chapado. Era a primeira vez que bebia. Saíra de casa pensando em fazer uma besteira. Estava cansado. Cansado de muitas coisas. Da sogra que lhe pentelhava. Da mulher que cobrava mais isso e mais aquilo. Das gozações de todos. Os três filhos do homem do tempo, adolescentes, pouco estudavam. Todos os anos, eles ficavam em recuperação. Os três. Gastava mais dinheiro. Eles passavam, mas passavam arrastados. Aquilo o desgostava. Veio tudo à tona naquela segunda-feira. Desânimo. Desespero. Talvez, um início de depressão. 

De casa ele saiu com o revólver carregado. Arma registrada, porte de arma em dia. Estava quase certo de fazer uma besteira. Era claro que ele pensava na família, apesar de tudo. Pensava na mãe, que ele ajudava a se manter. Pensava temeroso, no inferno, para onde, segundo lhe fora ensinado, em criança, iriam os suicidas. Teria coragem de meter uma bala na cabeça? Somente porque o tempo não lhe estava ajudando? Tão somente por uma besteira daquela? Ora, ele não era o dono do tempo. Não botava freio no tempo. Porém, as gozações já passavam do limite. Enquanto a dona do barzinho continuava no crochê, ele sacou o revólver e disparou. Um tiro só. Certeiro. Mesmo naquele estado de embriaguez, mesmo pouco enxergando, o tiro atingiu o cartaz com aquela mulher bonita, vestindo um belo biquíni amarelo. A pobre senhora do crochê quase morreu de susto. “O que é isso ‘seu’ moço?”. Ele se deixou arriar sobre a mesinha. E ali ficou. A escuridão invadiu os seus olhos. Sono profundo. A senhora tirou o revólver de sua mão. Ela o conhecia de vista. Conhecia melhor a sogra, quase vizinha. 

Ao acordar, no fim da tarde, trovões e relâmpagos estrondavam e incendiavam os céus. Aquela seria a maior trovoada dos últimos trinta anos. Ou mais. Debaixo de chuva forte, o homem do tempo, ainda meio trôpego, saiu do barzinho, gritando: “Um raio que os parta! Um raio que os parta!”.  De certo modo, sentia-se vingado. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
26/03
12:51

O investimento e o consumo

Ricardo Lacerda* 
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Quando se afirma que a economia brasileira deverá estabilizar o nível de atividade no 1º semestre e voltar a crescer na segunda metade do ano algumas qualificações são necessárias. Depois de recuar 3,8%, em 2015, e 3,6%, em 2016, as projeções do mercado e do governo para 2017 coincidem em incremento de 0,5%, ainda que permaneçam sob forte instabilidade muitos fatores políticos e econômicos que poderão influenciar o resultado efetivo. A projeção do FMI para o crescimento da economia brasileira em 2017 é de 0,2%. 

Muito se fala no carregamento estatístico dos últimos dois trimestres de 2016 sobre o resultado anual de 2017. Isso significa que mesmo que a economia apresente algum crescimento na margem já a partir do 1º ou 2º trimestre de 2017, em relação ao trimestre imediatamente anterior, na série livre de efeitos sazonais, esses resultados ainda se situarão bem abaixo dos mesmos trimestres de 2016. Já na segunda metade do ano o carregamento estatístico será menos desfavorável ao resultado anual, porquanto os resultados do 3º e 4º trimestres de 2017 serão comparados com números mais rebaixados dos mesmos trimestres de 2016. 

É por esse aspecto estatístico (mas que reflete uma realidade, sem dúvida) que o ministro Meirelles tem divulgado que no quarto trimestre de 2017 a economia brasileira deverá estar rodando alguma coisa acima de 2% na comparação com o 4º trimestre de 2016, mesmo que o incremento anual venha a ser de 0,2% a 0,5%. 

Componentes do PIB
Há alguns fatores que concorrem para que a economia estanque a queda no ano de 2017, mas uma retomada sustentada do crescimento, mesmo que moderada, está longe de estar assegurada.  A projeção do FMI para o crescimento brasileiro dos próximos anos é de que ele não alcançará a casa de 2% até 2021, último ano para o qual a instituição apresenta simulação. Ainda assim, se a instabilidade política interna ou o cenário econômico externo não entornarem o caldo. O cenário do FMI em nada se assemelha ao otimismo disseminado pelo ministro da fazenda. 

Um dos principais fatores que pode levar a economia brasileira apresentar algum crescimento em 2017 é o comportamento do setor agropecuário, também por um viés estatístico, que não deixa também de ter uma dimensão real, mas que está longe de significar que o país reencontrou o caminho do crescimento. 
 
O PIB setor agropecuário despencou 6,6% em 2016, por conta dos efeitos da estiagem, notadamente nas regiões Nordeste e Centro-Oeste. O simples retorno da atividade agropecuária ao patamar de 2015, se o escândalo decorrente das investigações da polícia federal nos frigoríficos não prejudicar, teria o impacto de 0,48% no PIB, exatamente a projeção do mercado para o crescimento da economia em 2017. 

A projeção de mercado da semana passada era de que a produção do setor agropecuário não recuperará em 2017 toda a perda de 2016 mas ficará próxima disso. Deverá crescer 6%, enquanto a indústria teria um crescimento quase residual (0,8%), sobre uma base muito rebaixada, e o setor serviços ficaria próximo da estabilização, recuaria 0,12%.  

Confiança e demanda
Seja em função da recuperação da safra agrícola, seja em por conta dos efeitos positivos esperados da redução da inflação e dos juros ou dos ganhos de confiança entre as famílias e as empresas, a estabilização e posterior incremento do nível de atividade necessariamente se traduzem em componentes de dispêndio. Ou seja, deverão aparecer na contabilidade em termos de gastos das famílias, de despesas de investimentos das empresas ou do saldo das exportações e importações de bens e serviços com o exterior, posto que não se pode esperar impulso significativo oriundo dos dispêndios governamentais, pelo menos nas primeiras etapas do processo. 

No último Relatório da Inflação do Banco Central, de 22 de dezembro de 2016, quando a instituição projetava crescimento do PIB 0,8% para 2017, os vetores de demanda que se contraporiam à continuidade da trajetória declinante do PIB estariam associados essencialmente à interrupção do declínio dos gastos das famílias e dos investimentos das empresas em capital fixo. 

Depois de declinar 3,9%, em 2015, e 4,2%, em 2016 (ver Gráfico), o relatório projetava para o consumo das famílias um incremento de 0,4% em 2017. Os gastos com a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que iniciaram sua trajetória de retração em 2014 e entraram em queda livre em 2015 e 2016, também se estabilizariam e apresentariam um incremento de 0,5% em 2017. As contribuições do saldo das exportações e importações de bens e serviços e dos gastos do governo não seriam muito expressivas.  

Colocados esses números, acredito que fica relativamente balizado o debate sobre as nossas possibilidades de crescimento em 2017 e mais além. Nada de espetacular no horizonte, com várias pedras no caminho.


*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
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