25/03
13:11

Os mecanismos de auto reforço voltam a operar contra o Nordeste

Ricardo Lacerda* 
Professor da UFS

A crise tem sido extremamente penosa para a região Nordeste. O impacto mais forte da crise econômica sobre o mercado de trabalho da região desdobra-se em várias implicações sociais e econômicas; entre as últimas cabe destacar a reversão de ganhos de participação que a região acumulou no mercado de consumo nacional durante o ciclo de crescimento e de inclusão social, entre 2004 e 2014.   

Considerando-se apenas as rendas de trabalho, sem contabilizar, portanto, as rendas de importantes transferências como as previdenciárias e as de assistência social, o Nordeste respondeu por mais de 70% das perdas nacionais da massa de rendimentos entre 2015 e 2017. Mesmo quando nesse último ano a massa de rendimentos voltou a crescer no Brasil, o aumento na região Nordeste foi mais lento do que em todas as demais regiões. 

Nunca é demais lembrar que os mecanismos de auto reforço entre a variação na participação do tamanho de mercado e o ritmo comparativo de crescimento econômico das regiões operam nos dois sentidos, favorecendo a atração de investimentos para aquelas regiões em que o poder de compra cresce mais rápido, e com isso voltando a ampliar a participação no tamanho de mercado, e, inversamente, acentuando a retração absoluta ou relativa do tamanho de mercado naquelas regiões em que o poder de compra encolhe mais ou cresce mais lentamente; aparentemente, é isso que vem acontecendo nos últimos três anos nas regiões mais pobres do país.

A crise relativamente mais acentuada na construção civil regional, a paralisia dos investimentos em infraestrutura produtiva e social e os desinvestimentos das empresas estatais na região, a exemplo do que vem acontecendo no setor de petróleo e gás, leia-se Petrobras, são importantes fatores de declínio relativo e absoluto da região Nordeste nos últimos três anos.

Retardando a retomada
Em linhas gerais, em termos da evolução de massa de rendimentos do trabalho quatro as características distintivas da região Nordeste: Apresentou crescimento mais acelerado no período anterior à crise, pelo menos na média entre 2012 e 2014; demorou mais a inverter a trajetória de positiva para negativa do que a maioria das demais regiões; mas, quando a massa de rendimentos começou a cair a partir do final de 2015, o ritmo de queda foi muito mais acentuado no Nordeste do que em todas as demais regiões; e finalmente, o Nordeste foi uma das regiões em que mais retardou a retomada do incremento de renda e o fez em um ritmo inferior ao das demais regiões. O Gráfico 1, que apresenta o índice de evolução da massa de rendimento na média móvel de quatro trimestres, retrata essas características distintivas. 








Participações regionais

O Gráfico 2 apresenta as participações na massa de rendimentos do trabalho na média de quatro trimestres entre 2012 e 2017, com base nos dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua (PNADCT), do IBGE. Acompanhando a evolução relativa das ocupações nas regiões, a participação da massa de rendimento do Nordeste se ampliou entro 2012 e 2014, quando a economia, o emprego e os rendimentos cresciam no país. Na comparação entre as médias dos quatro trimestres, a participação da região Nordeste na massa de rendimento real de todos os trabalhos habitualmente recebidos aumentou de 16,1%, em 2012, para 16,5%, em 2014. Ainda que a variação de participação possa parecer ter sido limitada no período, cabe assinalar que a região absorveu 23,2% do incremento real da massa de rendimento, participação substancialmente superior ao peso da região nessa variável. 

Mais ampla, foi a perda de participação da região nos anos de 2015 e 2017, quando retroagiu até atingir os 15,8% de 2017. A penúltima coluna do Gráfico 2 mostra que 73,9% da perda de massa de rendimentos nesse período se concentrou no Nordeste, enquanto as regiões Sudeste e Sul não apresentaram redução de massa de rendimentos de trabalho no período, nessa série que compara a média de quatro trimestres. 

A última coluna mostra, por sua vez, que o incremento da massa de rendimentos do trabalho que se verificou em 2017 foi menos que proporcional na região Nordeste e na região Sudeste, e mais acentuada nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul.
Ainda que o período de recuperação seja muito curto para confirmar uma tendência, a evolução recente do mercado de trabalho, muito especificamente os dados de ocupação e de massa de rendimento, sinaliza perspectiva problemática do ponto de vista regional da retomada do crescimento no Brasil.






*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
25/03
13:04

Indignação

José Lima Santana
Professor da UFS

Hoje não tem conto, não tem causo. Tem indignação. Aliás, este poderia muito bem ser o título de um bom causo, de um bom conto provinciano, como eu gosto de dizer. E por que não tem causo ou conto? Porque, na quarta-feira, 21, eu fiquei indignado com uma matéria que li na internet e que foi veiculada em jornais e televisões. 

Depois de espalhar nas redes sociais inverdades (Fake News) sobre a vida da vereadora carioca que foi barbaramente assassinada ao lado do motorista, uma semana antes, uma desembargadora (Pasmem os leitores! Uma desembargadora!) voltou a atacar de forma estúpida, preconceituosa e vil. Sobre o assassinato da vereadora, foi um crime bárbaro como tantos outros que vêm assolando o estado do Rio de Janeiro, que, diga-se de passagem, está pior do que um barco à deriva. Acabaram com o Rio de Janeiro, a cidade e o estado. Ou quase. Só não destruíram porque a altivez do povo, embora sofrido por demais, sobrepõe-se aos desmandos de muitos anos na vida pública. Aliás, a insegurança grassa em todo o país, mais ali, menos acolá. Aqui em Sergipe, a situação é muito séria.

Retornando à minha indignação, a tal desembargadora insurgiu-se, novamente nas redes sociais, contra a notícia dada na “Voz do Brasil” acerca de uma professora do Rio Grande do Norte, que é portadora da síndrome de Down. A tal desembargadora tripudiou da situação da professora, que, de forma digna, exerce a sua profissão há dez anos. Que Deus a abençoe! E que depois dessa conduta desditosa e desatinada da tal desembargadora, a professora potiguar, do alto da sua dignidade, jamais venha a ser alvo de uma conduta mesquinha e criminosa como a dessa tal desembargadora. 

Como é que uma pessoa formada em Direito, que chega ao mais alto posto da Justiça do seu estado, afronta descaradamente a Constituição Federal, que prima em combater todas as formas de discriminação, e, mais do que isso, leva a sua afronta “às vias de fato”, atacando uma honrada professora, que, dá para imaginar a sua luta para chegar à condição de professora, lutou e luta para se afirmar na sua dignidade de pessoa humana, na sua condição de mestra. A você, minha colega – sim, minha colega de magistério –, o meu desagravo, o meu carinho, a minha admiração. Eu sei que você deve ter sofrido ao saber do modo ridículo como a tal desembargadora lhe atingiu. Apesar do desaforo, do desequilíbrio, da estupidez dessa tal desembargadora, não ligue, não. Você é, seguramente, muito mais digna do que esse tipo de gente. Isso mesmo: “esse tipo”. Não há outra adjetivação, neste momento, para ela. Que Deus me perdoe! E que Deus a perdoe!

O desatino dessa tal desembargadora é uma afronta a todas as pessoas de bom senso. Imaginem a qualidade das decisões, dos votos proferidos por essa tal desembargadora. Ah, o noticiário da quarta-feira deu conta também de que a tal desembargadora será investigada pelo Conselho Nacional de Justiça. Tomara. E oxalá ela venha a ser punida de verdade, na forma do que dispõem as leis do país. Essa tal desembargadora não pode ficar por aí vomitando seu vômito sujo na cara das pessoas. Chega de baboseiras! Basta de molecagens! 

Uma magistrada – e poderia ser um magistrado – deve dar-se ao respeito de respeitar as pessoas, quaisquer que elas sejam. Ninguém tem o direito de sair por aí atirando com arma de grosso calibre contra a moral ou a honra dos outros. Quer fazer sujeira? Entre no seu banheiro e fique por lá o tempo que quiser. Ninguém vai dar conta disso. Ponha no esgoto a sua sujeira. Dê-se ao respeito! Assuma a posição de quem exerce o cargo público que você exerce. E não venha para cá me dizer que você fez concurso para estar onde está. Afinal, milhares fizeram concurso para estar no Poder Judiciário, para realizar a prestação jurisdicional que lhes compete. Você não é a bola vez. Você não é a última garrafa de refrigerante no deserto. Você não é a rainha da cocada preta. Você, simplesmente, não é. 

Débora Seabra é a professora com síndrome de Down, que foi atacada pela tal desembargadora. A professora, de 36 anos, atua há cerca de dez como auxiliar de desenvolvimento infantil em turmas de educação infantil e Fundamental I na Escola Doméstica, em Natal, no Rio Grande do Norte. Só por isso, esta santa mulher é merecedora de encômios. Menos, claro, da parte da tal desembargadora. É uma pena! E é uma pena o fato de uma magistrada assentada na Corte de Justiça de um dos nossos estados-membros atacar as pessoas como ela ataca. 

Parabéns, professora Débora! Continue com o seu trabalho nobilitante. Que Deus lhe abençoe. O resto é fumaça. Fumaça que se esvai, embora tenha lhe doído muito. Isso eu não posso sentir, mas, posso muito bem avaliar. Porém, não há dor que não passe. O que não vai passar facilmente é a minha indignação. 


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Kleber Santos
25/03
09:12

Coluna Primeira Mão

Fogueira das vaidades

As postagens do senador Antônio Carlos Valadares (PSB) deixam bem claro que há uma zona de atrito entre ele e o deputado federal André Moura (PSC). Mas as fofocas são mais realistas e revelam que eles já estariam bem distantes um do outro e que as conversas para a aliança política eleitoral deste ano foram levadas pelo vento. A fogueira das vaidades está acesa e assim o entendimento torna-se difícil.

Pré-candidatura é a vera

A pré-presidenciável Vera Lúcia passou a semana em São Paulo, concedendo entrevistas, visitando e conversando com o eleitor na capital e interior e já encaminhando questões para a discussão do plano de campanha. Ainda em SP, ela tem participado de manifestações de professores em greve e esteve no ato de solidariedade às famílias da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson, que foram assassinados no Rio de Janeiro. Dia 1º de maio estará em Aracaju e fará o lançamento de sua pré-candidatura dia 3 de maio.

Queimado

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, precisa explicar - e muito bem! - essa história do IPTU abusivo encaminhado por João Alves Filho ainda estar em vigor. É por essas e outras que a credibilidade da classe política foi para o brejo. Talvez ele não saiba que político vive de imagem e a dele, com a divulgação de fatos inverídicos, também está no brejo.

Festejos juninos

O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, anunciou que teremos festejos juninos este ano em Aracaju. Serão investidos R$ 3,5 milhões no Forró Caju, na área de eventos dos mercados, pequenas festas nos bairros e ainda na rua de São João, no bairro Santo Antônio. É uma boa iniciativa.

Defesa da Fafen

A possibilidade de fechamento da Fafen é uma péssima notícia para os sergipanos. Representará mais retrocesso econômico e social. Faz-se necessária a união da classe política federal e estadual para tentar reverter essa provável decisão. Se for tomada, ela significará menos salários, menos renda. A Fafen é parte da identidade e do patrimônio dos sergipanos. Alto lá, Pedro Parente!

Maldita hibernação

O anúncio do processo de ‘hibernação’ da Fafen, a partir de junho próximo, faz como vítimas, além dos mais de 250 empregados, o Governo do Estado e a Sergas. A estatal sergipana, que ganhou em disputas na Justiça uma série de ações contra a Petrobras para ser a fornecedora do gás para a Fafen, agora negociava um acordo final para o fornecimento de um milhão de metros cúbicos de gás/dia. As ações circularam na Justiça em Sergipe e, em última e mais recente fase, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Agora estava sendo avaliado quanto isso representa em dinheiro.

Terreno minado

As redes sociais não passam de um pântano em que coisas boas são superadas pelo lixo do ódio e daquilo que os seres humanos têm de pior. A segunda morte da vereadora Franciele Franco nas redes sociais é uma demonstração disso.

Marielle vive

Não está pegando bem essa campanha contra a vereadora assassinada no Rio, Marielle Franco. Jovens advogados que atuam em Sergipe estão pegando dados dos “malfazejos”, aqueles que criam boatos sobre a jovem, para denunciá-los à Justiça.

Escravos do esquecimento

Mais de cem anos depois da abolição da escravidão, Aracaju não tem uma praça e um monumento (dígnos desse nome) marcando essa data tão central na história de Sergipe e do Brasil. Logo mais chega o 13 de maio, que continuará sendo mais um feriado brasileiro em Sergipe.

Esperançosos

Fontes informaram a essa coluna que defensores públicos sergipanos estão na torcida para que o ex-defensor Belivaldo Chagas saia vitorioso na eleição para o governo estadual. Esperamos que não estejam sonhando com equiparação dos seus salários com os salários e privilégios dos nossos desembargadores. Se a isso forem somados concursos públicos para cobrir o território sergipano, a crise financeira de Sergipe não acabará nunca.

PC mais atuante

A Polícia Civil sergipana resolveu ganhar alguma atenção positiva por parte da mídia ao realizar campanha educativa contra o racismo. Isso é muito bom, mas o que queremos é que ela seja eficiente e preste satisfação às pessoas que fazem boletins de ocorrência e nunca recebem nenhuma palavra sobre o resultado de suas reclamações.

Financiamento

Importante decisão foi tomada pelo STF em relação ao financiamento dos partidos políticos na quinta-feira passada. Doravante não poderá haver doação oculta ou anônima. Além disso, haverá prestação de contas de cada candidato e prestação de contas por partido. Melhora a questão da transparência no uso do dinheiro das campanhas controlado pelas oligarquias partidárias. Agora os eleitores poderão saber quais os candidatos que recebem mais dinheiro do que outros, bem como ficarão sabendo sobre a transferência de dinheiro de um partido a outro partido que faça da mesma coligação.

Quais as opções?

Quais os candidatos a vice-governador que podem somar? Essa é uma dor de cabeça para os candidatos a governador
.

Controle externo

Tem magistrado que fica chateado com tantas intervenções da OAB (acusam sempre Henri Clay, o presidente da entidade) em todas as questões públicas, especialmente aquelas que lhe dizem respeito. Nessas horas também defendem alguma forma de controle externo da OAB. É algo para se pensar.

Tempo integral

É muita boa a notícia de que aumentou o número de escolas públicas em tempo integral. Isso é um ponto positivo para o governador que está de partida. Se isso der certo, os estudantes receberão uma melhor educação, serão bem alimentados e terão menos tempo para fazer traquinagens.

Sob pressão

Se você acha que sua pressão pode estar alta e procura um posto de saúde, sabe o que acontece? Funciona lhe mandar diretamente para um posto de emergência sem mais nem menos. Chegando lá, entra numa fila enorme e a enfermeira diz que não há nada errado com você. A mesma coisa ocorre nos hospitais do interior: manda para o Huse. Ali se constata que os hospitais do interior poderiam ter cuidado dos pacientes. Esses comportamentos ajudam a quem busca um sistema de saúde eficiente?



Coluna Eugênio Nascimento
Com.: 1
Por Eugênio Nascimento
25/03
08:37

E a água segue escoando pelo ralo

Cezar Britto - Ex-presidente do Conselho Federal da OAB



O 8º Fórum Mundial da Água, que acontece em Brasília esta semana, é ocasião propícia para fazermos um exercício de reflexão que, a rigor, deveria ser permanente, cotidiano, obstinado: o que nós, seres humanos, fizemos (estamos fazendo) de nossa fonte básica de existência? Quem são os destinatários desta fonte tão fundamental à sobrevivência do planeta? Quem controla o seu uso? Compreendemos, como mantra, que sem água não há vida?  Não são perguntas despropositadas, ainda mais quando o dia 22 de março, a ela consagrado, é o Dia Mundial da Vida.

Sabemos é que da natureza que se nutre e é nela que encontra tudo o se que necessita para que o planeta viva bem. Entretanto, o descaso histórico e sistemático da humanidade com o seu entorno ambiental levou-a ao paroxismo presente: o de se ver ameaçada de não mais dispor de seu insumo fundamental – a água. Esta constatação revela a monstruosa dimensão dos desvios éticos e políticos de governos e governantes, que resultaram na edificação de um sistema econômico internacional que privilegia o lucro e a ganância acima de todos os demais valores – inclusive a própria vida. Um sistema, em suma, irracional. Suicida.

O resultado é perceptível, tanto que a discussão agora gira em torno da existência ou não de alguma possível reversão nesse quadro catastrófico, em que danos importantes estão ocorrendo em velocidade insuperável. Os cientistas informam há tempos das catástrofes ambientais que tais condutas estão construindo para as gerações futuras – e não só para as futuras.

Há previsões detalhadas e consistentes dando conta dos efeitos sobre a Terra – e sobre a vida de cada um de nós – dos desequilíbrios ambientais já perpetrados. O aquecimento do clima, a perfuração da camada de ozônio, os desmatamentos, a poluição das nascentes, o acelerado degelo das calotas polares, o televisionado assassinato do Rio Doce pela mineradora Samarco, a não-clandestina  contaminação da Amazônia pela mineradora norueguesa, são exemplos do que se poderia chamar de “crônica de uma tragédia anunciada”.

O Apocalipse de São João, já anteviu problemas no futuro da humanidade decorrentes do mau uso desse inestimável bem natural. Naquele documento bíblico, o apóstolo advertia para o envenenamento das águas dos rios e dos mares como um dos fatores das tragédias que prenunciava um futuro impreciso. Tal “profecia” se assemelha muito ao que pode acontecer em poucos anos, caso não haja uma reação consistente de governos e organizações da sociedade civil em todo o planeta. É preciso que nos conscientizemos de que a Terra, mesmo possuindo enorme quantidade de água, dispõe de relativamente pouca para o atendimento às necessidades humanas.

O Brasil é um país com enorme potencial hídrico. Possui 12% da água potável do planeta. Mas, apesar disso, também aqui há os “sem-água”, contingentes populacionais inteiros privados do acesso a esse bem fundamental. Quase metade da população brasileira está excluída.  Como reverter esse quadro? O caminho, penso, é conscientizar cada vez mais a população para a preservação do seu habitat. Organizá-la. Estimular a sociedade civil a agir, a se estruturar para reclamar a preservação desse direito fundamental à existência.

Esta é sem dúvida uma das causas mais importantes para qual devemos lutar, pois esta trata da vida – da continuidade da vida no planeta. Na Campanha da Fraternidade de 2004, a CNBB adotou o tema “água, fonte de vida”. E propôs a criação de uma lei do patrimônio hídrico brasileiro, que dê ênfase ao conceito da água como bem público, de resto um princípio constitucional. A proposta continua à espera de atendimento. Considerar a água como bem público implica repensar o uso privado que se faz, direta ou indiretamente, dos recursos hídricos.

Mas este não é o caminho proposto. A ordem a adotar é privatizar e transferir a água para o patrimônio pessoal dos grandes grupos econômicos, como já iniciado através dos processos de venda das companhias estaduais de água e esgoto. Também assim indica o recente encontro do presidente “plantonista” Michel Temer com o presidente da Nestlé, o belga Paul Bulcke, em Davos, na Suíça. E na mesma corrente patrimonialista navega pelo Senado o PLS 495/2017 que propõe a criação do “mercado privado da água”. O projeto de lei, em resumo, diz que a “água será destinada a quem possa ela comprar”.

Há estudiosos que advertem inclusive que a escassez da água poderá ser o motivo da próxima guerra mundial. Entretanto os governantes e os grupos econômicos ainda resistem em com ela relacionar-se de maneira honesta, equilibrada, sustentada, observando-lhe as leis naturais, adotando práticas elementares e sensatas de manejo.  É que a ganância é descuidada, míope. Não enxerga à distância.  Cuida do imediato e não percebe os danos que ocasiona a si mesma. No Brasil, infelizmente, os governantes seguem compreendendo a água como bem privado, instrumento de favores econômicos e acertos eleitoreiros. E enquanto está danosa prática nadar de braçadas no mundo da insensibilidade política, o acesso à agua seguirá considerado um “direito que escoa pelo ralo”.



Colunas
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
23/03
21:47

Heleno nega que PRB optou por sair do Governo

O presidente de honra do PRB em Sergipe, Heleno Silva, pré-candidato ao Senado, negou a informação dando conta que no próximo dia 29 o seu partido deixará o bloco político governista para integrar a oposição. Heleno é secretário da representação de Sergipe em Brasília. 


"O PRB não tomou nenhuma decisão. Isso não procede. Nem eu e nem o deputado federal Jony Marcos fomos ouvidos pelo jornalista (que divulgou a  informação). Volto a repetir que essa decisão não tem data marcada e nem orientação definida", garantiu Heleno. 

O pré-candidato ao Senado revelou que o partido só irá definir participação na majoritária e coligações após o prazo de desincompatibilização, quando os candidatos do PRB entregarão os cargos.



Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
23/03
21:36

UFS libera edital para preenchimento de 112 vagas

 A Pró-Reitoria de Graduação da UFS (Prograd) torna público que, entre os dias 23 e 26 de março, estarão abertas as inscrições para o preenchimento de vagas remanescentes em cursos de graduação para ingresso em 2018, utilizando as notas do Enem 2017.

São 112 vagas distribuídas nos campi de São Cristóvão e Laranjeiras nos cursos de Engenharia de Petróleo, Física Médica, Física: Astrofísica, Geologia, Matemática, Teatro, Dança, Museologia e Arqueologia.

Para mais informações acesse a página do Sisu no Portal UFS.



Variedades
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Por Eugênio Nascimento
23/03
19:29

Semana Santa movimenta turismo no Nordeste

Semana Santa começa neste domingo, 25 de março (Domingo de Ramos),  e termina em 1º de abril (Domingo de Páscoa). Na sexta-feira santa, dia 30 de março, é feriado. Mas a partir deste final de semana, milhares de católicos brasileiros se movimentam pelos Estados e Cidades onde as celebrações são mais intensas e mais propagadas.

No Nordeste, os cristãos participam das celebrações nas igrejas e nas procissões. Em Nova Jerusalém, em Pernambuco, a teatralização da vida, paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo atrai multidões de todo o país.

Nas cidades do interior da Bahia, Pernambuco, Sergipe (São Cristóvão faz procissão com imenso tapete de serragens), Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Maranhão e Piauí, ocorrem grandes manifestações alusivas à data.

A Semana Santa representa três momentos: Paixão (martírio), Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.

Opções de praias

Aqueles que preferem aproveitar o feriadão para descansar ou curtir momentos de lazer, o Nordeste oferece belas praias em Pernambuco (Porto de Galinhas, Calhetas, Carneiros e Boa Viagem), Alagoas (Coruripe, Francês, Barra de São Miguel, Maragogi e Japaratinga, entre outras), Bahia (toda a extensão da Linha Verde tem praias muito procuradas, além de Porto Seguro, no Sul,  Taipu de Fora, Ponta de Mutá, Ponta dos Castelhanos...),  Ceará (Futuro, Morro Branco, Jericoacoara e Canoa Quebrada) e Sergipe (Aruana, Mosqueiro, Saco e Caueira).

Semana Santa 2018

  • 25 de março (Domingo de Ramos)
  • 26 de março (Segunda-feira Santa)
  • 27 de março (Terça-feira Santa)
  • 28 de março (Quarta-feira Santa)
  • 29 de março (Quinta-feira Santa)
  • 30 de março (Sexta-feira Santa)
  • 31 de março (Sábado de Aleluia)
  • 1º de abril (Domingo de Páscoa)


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
22/03
21:56

Fechamento da Fafen em Sergipe atingirá a Sergas

O anúncio do processo de ‘hibernação’ da Fafen, a partir de junho próximo, faz como vítimas, além dos mais de 250 empregados, o Governo do Estado e a Sergas. A estatal sergipana, que ganhou em disputas na Justiça uma série de ações contra a Petrobras para ser a fornecedora do gás para a Fafen, agora negociava um acordo final para o fornecimento de um milhão de metros cúbicos de gás/dia. As ações circularam na Justiça em Sergipe e, em última e mais recente fase, no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Agora estava sendo avaliado quanto isso representa em dinheiro.

 




Economia
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
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