29/04
21:42

A geração de emprego no 2º trimestre

Ricardo Lacerda*

A expansão da atividade sucroalcooleira nos últimos anos em Sergipe propiciou a ampliação de emprego formal no setor agropecuário e na fabricação do açúcar e do álcool. Também foi fundamental para a interiorização do emprego com carteira assinada, com a criação de milhares de ocupações nos territórios do Leste e do Médio Sertão, notadamente nos municípios de Capela e de Nossa Senhora das Dores.

O crescimento dessa atividade, com o aumento do seu peso no emprego total, teve comov
efeito colateral a intensificação da variação sazonal na geração de emprego, aumentando a participação das contratações a partir de junho de cada ano, mas diminuindo a ocupação nos primeiros meses do ano e muito particularmente entre março e maio. Esse comportamento sazonal se verifica em todos estados do leste nordestino, sendo mais acentuado em Alagoas e Pernambuco, detentores das maiores áreas de cultivo de cana.

Com o crescimento dessa lavoura em Sergipe, elevou-se a participação do 3º trimestre
no total de contratação anual e, em menor escala, do 4º trimestre, enquanto reduziu-se o peso do 2º trimestre.

Emprego trimestral
O Gráfico 1 a seguir apresenta o saldo do emprego criado no 2º trimestre nos anos de 2006 a 2011, com as respectivas participações no total do ano. É importante destacar que nesses anos a geração de emprego formal no estado foi fortemente ascendente.

Para perceber a evolução tendencial da criação líquida de empregos no 2º trimestre,
convém considerar as excepcionalidades dos anos de 2009, com desempenho muito ruim por causa dos efeitos da crise financeira internacional sobre a geração de emprego, e de 2010, em que o Produto Interno Bruto cresceu 7,5%. Talvez fosse recomendável trabalhar com a média da geração do emprego nesses dois anos.

Com essas observações, fica nítida a queda da participação do 2º trimestre no emprego
gerado ao longo do ano, passando de 29% e 30% em 2006 e 2007, respectivamente, para 15%, em 2008, média de 12% em 2009 e 2010, e 8%, em 2011. Os montantes de empregos gerados no segundo trimestre de cada ano estão apresentados nas colunas do gráfico.
Fonte: MTE-CAGED. Obs: Série sem ajuste de declarações fora de prazo

Setores
A geração líquida de empregos 2º trimestre é relativamente mais elevada nas atividades de serviços, em seus vários segmentos, e na atividade de comércio, e mais frágil na construção civil, que já efetuou fortes contratações no 1º trimestre, e no setor industrial, por conta do desligamento de empregados na fabricação de açúcar e de álcool, porquanto outros segmentos já iniciam a contratação com vistas às vendas do final do ano.

O Gráfico 2 sintetiza a média por setor do emprego gerado no 2º trimestre dos anos de 2009 a 2011. O setor de serviços, incluindo educação, saúde, turismo, serviços profissionais e pessoais criou, em média, 1.055 empregos novos a cada 2º trimestre, equivalentes a 21% do total que foi gerado no setor na média dos anos.

As atividades de comércio também iniciam de forma moderada o processo de recontratação, depois de um 1º trimestre desaquecido. Na média dos três anos, foram empregados 545 trabalhadores no 2º trimestre, representando 20% do total do ano. Nos demais segmentos, a participação do trimestre é pouco expressiva, sempre inferior a 10% do total do ano e, no caso do setor agropecuário, pelo motivo já explicitado, é intenso o desligamento, somente voltando a contratar na segunda metade do ano.
Fonte: MTE-CAGED. Obs: Série sem ajuste de declarações fora de prazo

 
Os dados examinados acima dizem respeito à flutuação do emprego relacionada à sazonalidade do nível de atividade ao longo do ano. Além dos fatores sazonais, é preciso ficar atento aos aspectos conjunturais, que dizem respeito aos ciclos de aceleração e de desaceleração do crescimento econômico. Como se sabe, desde meados de 2011 a economia brasileira se encontra em trajetória de baixo crescimento, com impacto adverso no ritmo de geração de postos de trabalho, ainda que o comportamento do emprego tenha se apresentado bem melhor do que o do PIB.
 
Com as medidas adotadas pelo governo federal para expandir o crédito, baixar as taxas
de juros e fomentar a produção industrial que se encontrava anêmica, é possível que a
geração de emprego no 3º trimestre de 2012 venha se revelar bem mais robusta do que no mesmo período de 2011. Para o 2º trimestre de 2012, talvez, as medidas ainda não tenham efeito de maior significado.

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo
de Sergipe.

Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/


Colunas
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
29/04
15:39

CLÓVIS BARBOSA - A vida é bela

Clóvis Barbosa
Conselheiro do TCE e blogueiro
 
Brasília completou no sábado, 21 de abril, 18 mil e novecentas e noventa e três madrugadas, manhãs, tardes ou noites. Era o seu aniversário. 52 Anos de vida de uma cidade que é um anfiteatro. Tem um crepúsculo simplesmente maravilhoso. Das minhas trezentas ou trezentas e cinqüenta viagens à capital federal aprendi a extasiar-me com o seu amanhecer, com a sua alvorada. Logo depois das 6 horas, da manhã o dia começa a surgir no horizonte. É hora de agradecer a Deus por mais um dia. A vida é bela! É hora de colocar um tênis, uma camiseta, uma bermuda, um óculos escuro, um boné e ir ao Parque da Cidade, a uns duzentos metros do Setor Hoteleiro Sul. A cidade é civilizada e os veículos param nas faixas de pedestres. Chego ao parque, passo pelo espaço infantil Ana Lídia e chego à tenda do seu Jorge, chamada “Laranja Brasil”, vizinha ao Nicolândia Center Park, autointitulado “o maior parque de diversões do centro oeste”. Como uma banana prata e outra “d’água”. Bebo uma garrafa de água mineral. Converso bobagens com os presentes e parto para uma sessão de alongamento/aquecimento. Começo a correr numa viagem que percorro há uns oito anos, depois que deixei de fumar. A viagem dura aproximadamente 7 km. Passo por oito espaços que os denomino como “Estações”, cada uma com um significado: Esperança, Desejo, Amor, Criança, Pássaro, Solidão, Sensatez e Alegria. As diligências do abismo, da insensatez, da incoerência, da hipocrisia não param nessas paradas, que é representada por um sanitário com banheiro para homem e outro para mulher, bebedouro d’água e dois bancos para cada quatro ou cinco pessoas, Um local evidentemente para descanso dos atletas.
 
 
Ao chegarmos aos 2 km temos o primeiro retorno pelo lado leste. Sigo em frente, passando por uma ponte em forma de arco, em direção ao segundo retorno. Chego à Praça das Fontes. É hora de parar de correr e caminhar. O fôlego não agüenta mais, embora as pernas continuem firmes. Inexplicavelmente, não consigo superar a casa dos 3 km, diferentemente de Aracaju onde corro até 8 km, Nessa viagem, passo por diversas propagandas coladas nas lixeiras: depilação a laser, farmácia de manipulação, corretagem de imóvel, sex shop, pizzaria, aparelhos celulares, Oral Estética Odontológica, Academia de Pilates. Os avisos são diversos: “Viva melhor, pratique esportes”; “Cuidado, crianças brincando no parque”; “Devagar, respeite o pedestre”; “Ciclista, proibido correr, evite acidentes”; “Ciclista, use somente a faixa da direita”; “Mantenha seu cão na coleira”; “Pedestre, use somente a faixa da esquerda”; “Água é vida”. Todo esse espaço é compartilhado com muita gente bonita, com animais silvestres, pássaros, gansos, lagos, árvores, muitas árvores, como mangueiras e jaqueiras e de todo tipo. O mais impressionante são os ninhos do oleiro João-de-Barro, o arquiteto sem diploma. Como esses pássaros conseguem construir de forma meticulosa, científica, essas casas? Os furnarius rufus, como são conhecidos cientificamente, coletam barro úmido do solo e misturam com esterco e palha. O genial é que todas as casas têm as portas de entrada posicionadas contra a chuva e o vento. Constroem as suas casas nos galhos de árvores, postes e beiradas de casas. Eles trabalham 8 a 10 horas por dia, com exceção dos domingos, construindo meticulosamente as suas casas O por quê da folga ninguém sabe explicar, e não interessa. O que vale é apreciar esse dom dado por Deus. A vida é bela!
 
 
Finalmente, chego ao final da minha maratona para o local do início, a “Tenda do Jorge”. Tomo um “Gatorade” e ele vai logo me dizendo: “Você, como cliente, está convidado a comparecer terça-feira, 24 de abril, às 9 horas, no Plenário da Câmara Legislativa do DF, ocasião na qual será elaborado o projeto legislativo que decidirá o plano de ocupação do parque da cidade”. Explico a ele que teria de retornar a Sergipe, mas estaria torcendo pela aprovação do projeto, cujo objetivo era o de padronizar as tendas. Na tenda, a conversa entre os atletas era a Maratona Brasília de Revezamento 2012, que seria realizado no dia 21 de abril, data do aniversário da cidade, na Esplanada dos Ministérios. “Corra da rotina e participe”, era o lema da propagada que inundava todos os pontos da capital federal. Sexta-feira, dia 20, foi o dia de entrega do kit atleta: camiseta convencional ou baby look, boné, squeeze, munhequeira de revezamento, número de peito, chip de cronometragem, mochila, manual do atleta e um vale jantar de massas. Antes de seguir para o hotel, faço alongamento. Pronto! Estou preparado para enfrentar um novo dia. Estou leve como a pluma e, como diria o compositor Paulo Lobo, na sua música A chave do mundo: “A gente não tem pressa se está bem da cabeça. Viver é um presente”.
 
 
Em cada cidade que viajo não deixo de levar os apetrechos da corrida e ou caminhada. Em Porto Alegre, por exemplo, gosto do Parque Moinho dos Ventos, também conhecido como “O Parcão”. É uma mistura de tudo, cães, bicicletas e muita gente, principalmente nos domingos de sol. É uma festa onde a felicidade reina. Em São Luiz do Maranhão há o parque que circunda a Lagoa da Jansen, apesar do fedor de esgoto em alguns pontos do trajeto. No Rio de Janeiro, há o calçadão que vai do Leme ao Leblon. Em Maceió, há o calçadão que vai da Pajuçara até Jatiúca, passando por Ponta Verde. E aí vai. Agora, em Aracaju, foi inaugurado o calçadão que vai da Ponte do Rio Mar até a Atalaia. Um presente para quem quer correr 10 km na ida e volta. O parque da Sementeira infelizmente não tem qualquer atrativo, apesar da teimosia dos sergipanos e dos casais jovens que acorrem para o local. A pista de caminhada/corrida é cansativa, pois, para correr ou andar 5 km você tem que dar, como peru, 3 a 4 voltas o que torna o lazer tedioso e à morrer de tédio, como diria Maiakóvski, é melhor morrer de vodca. Já dizia a poetisa Cora Coralina que o que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. E adianta que caminhando e semeando, no fim nós teremos o que colher. É o que faço todos os dias. Caminhando e semeando. A vida é bela! Só nos resta viver.
 


Colunas
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
29/04
15:23

TCE de Sergipe está entre os piores do Brasil

Tome-se o caso dos Tribunais de Contas. Segundo o estudo, na maioria dos Estados brasileiros, os colegiados dos Tribunais têm forte proximidade política com os atuais governantes. Os piores casos são Alagoas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e Sergipe.

 
A causa de fenômenos como Cachoeira e Demóstenes


FERNANDO ABRUCIO é doutor em ciência política pela USP, professor da Fundação Getulio Vargas (SP) (Foto: ÉPOCA)


O escândalo em pauta envolve o bicheiro Carlinhos Cachoeira e suas ramificações com políticos brasileiros. Não param de surgir informações novas e fitas gravadas pela Polícia Federal mostrando intrincadas e incestuosas relações entre o Poder Público e o setor privado. Trata-se daquelas avalanches que não há mais como segurar ou domesticar, independentemente da realização ou sucesso de uma CPI. Como tais fenômenos, em maior ou menor grau, têm se repetido nos últimos anos, é imprescindível perguntar duas coisas: o que gerou uma figura como Carlinhos Cachoeira? Há outros com suas características pelo país?

Há várias causas para esse fenômeno. Elas passam pelo sistema de financiamento de campanha - e da fragilidade de seu controle -, pelo excesso de cargos comissionados no Estado brasileiro, pelas dificuldades de estabelecer competições idôneas nos processos licitatórios e, ainda, pela proliferação do discurso moralista como forma de resolver o problema da corrupção, quando o melhor sempre é aperfeiçoar as instituições e instrumentos que possam barrar a promiscuidade entre os governos e as empresas.

Sobre esse último aspecto, vale ressaltar algo: desconfie daqueles que se colocam acima do bem e do mal, procuram crucificar o acusado, mas nunca propõem mudanças mais profundas na legislação e nas estruturas de funcionamento dos governos. Mesmo que nada tivesse sido descoberto contra o senador Demóstenes Torres, sua forma de atuação sempre foi de um "salvador da pátria" e sua visão institucional geralmente foi pífia, pois o que interessava era derrubar o inimigo político - no caso, os governos petistas - a qualquer custo. É bem verdade que esse udenismo já fora praticado por políticos do PT no passado. De tal modo que é preciso buscar políticos e partidos que se guiem mais por projetos de país que por acusações morais contra seus adversários. Para lembrar um episódio célebre da política recente, o mais fácil foi derrubar Collor e seu tesoureiro de campanha, ao passo que difícil mesmo é criar um ambiente que evite a proliferação da corrupção.

Várias são as causas de fenômenos como Carlinhos Cachoeira, mas pouco se fala que a origem de suas práticas está, quase sempre, no jogo político subnacional. Foi assim com Collor em sua República de Alagoas. Foi assim nos primórdios do mensalão em terras mineiras. Foi assim com o pedido de dinheiro para campanha de Waldomiro Diniz para os candidatos do PT e do PSB no Rio de Janeiro. Foi assim em vários escândalos brasilienses dos últimos anos, derrubando senadores e governadores. Foi assim no esquema malufista paulista e seus prepostos - um até virou prefeito da capital -, que poderia ter sido pior se seu comandante tivesse chegado à Presidência da República. E agora, a política de Goiás, da qual parece que poucos sobraram das garras da contravenção e bandidagem comandada pelo "empresário" Cachoeira. Outras máfias locais existem em outros Estados do país e poderão estourar nos próximos anos, com chances de atingir a política nacional.

As máfias constituídas regionalmente cada vez mais querem ter acesso ao poder central

Como início de tudo está a forma bastante oligarquizada de realizar a política no plano estadual. Oligarquias como as famílias Barbalho e Sarney, entre as muitas que existem no cenário político, favorecem a concentração do poder político e econômico nas mãos de poucas pessoas. Isso estimula práticas antirrepublicanas e dificulta o controle do Poder Público. Cabe frisar, no entanto, que o aumento da competição política e o surgimento de novos atores sociais têm melhorado a disputa local, gerando uma pressão sobre esses "donos do poder" inédita em nossa história. Tal transformação democrática também tem propiciado o aparecimento de governantes, nos municípios e nos governos estaduais, com projetos mais inovadores de políticas públicas, com práticas de gestão mais meritocráticas e voltadas a resultados, bem como o impulso para formas de participação popular.

Mas ainda falta muito a fazer para aperfeiçoar a democracia no plano subnacional brasileiro. Recentemente, o Instituto Ethos publicou um estudo, que pode ser encontrado em seu site (www.ethos.org.br), intitulado Sistemas de integridade nos Estados brasileiros. Nesse trabalho, são apresentados alguns dados que antecipam a eclosão de escândalos no futuro. Realçam-se deficits de transparência e de controle dos Executivos. Tome-se o caso dos Tribunais de Contas. Segundo o estudo, na maioria dos Estados brasileiros, os colegiados dos Tribunais têm forte proximidade política com os atuais governantes. Os piores casos são Alagoas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará e Sergipe.

Aquilo que a imprensa e parcela da sociedade reclamam, com razão, em relação ao plano federal, é muito pior nos Estados: a fragilidade ou quase ausência de oposição. Segundo a pesquisa do Ethos, referente ao período 2007-2010, "em oito das 27 unidades federativas, a coalizão que venceu as eleições para governador obteve maioria também na Assembleia Legislativa. Após a formação do governo, esse grupo cresceu para 21 Estados. Desse grupo, em sete a oposição foi reduzida a menos de 30%, em dois a menos de 20% e em outros dois a menos de 10%. Durante o exercício do mandato, essa tendência centrípeta tende a continuar. No final do terceiro ano de governo, eram nove os governos com oposição abaixo de 30%, três com menos de 20% e dois com menos de 10%". Como resultado desse quase aniquilamento da oposição, em poucos Estados as CPIs constituem instrumentos efetivos de accountability dos governadores.

A proximidade dos Tribunais de Contas com os governadores e a tibieza das Assembleias, além da partidarização de boa parte da imprensa regional, são fatores que criam uma situação de ultrapresidencialismo, como defini, há quase 15 anos, em livro intitulado Os barões da Federação. Coisas mudaram de lá para cá, mas com a mesma certeza se pode afirmar que ainda predomina um baixo controle dos governantes e oligarquias estaduais, redundando num sistema político pouco republicano capaz de produzir dezenas de Carlinhos Cachoeiras. Como o gasto público e as políticas do governo federal brasileiro têm grande impacto, as máfias constituídas regionalmente cada vez mais querem ter acesso ao poder central. Por isso Demóstenes Torres, um senador, era um despachante central do esquema. 

http://revistaepoca.globo.com/opiniao/fernando-abrucio/noticia/2012/04/causa-de-fenomenos-como-cachoeira-e-demostenes.html



Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
29/04
15:14

Visitando um campo de concentração

Afonso Nascimento  -  Professor do Departamento de Direito da UFS- Coordenador do Núcleo de Estudos sobre o Estado e a Democracia - NEED

 

Para mim, o Holocausto de judeus foi o evento mais impressionante do século XX. Com efeito, nunca antes na história da humanidade (com a permissão de Lula) alguém teria podido imaginar até que ponto seres humanos pudessem descer em termos de crueldade, violência e maldade. A despeito de toda a documentação a apoiar a sua existência, há sempre algum provocador mal-intencionado a tentar negá-lo ou a dizer que ele não é senão propaganda sionista.

Não faz muito tempo, li um livro extraordinário da filósofa alemã Hanna Arendt chamado "Responsabilidade e Julgamento", que trata do Holocausto e de outros temas próximos. Também da mesma autora, estou a ler, no momento, "Eichmann em Jerusalém", sobre o julgamento do criminoso nazista Adolfo Eichmann por tribunal israelense, ao final do qual foi morto por enforcamento, na primeira metade dos anos 1960. Considero que esses dois livros são leituras obrigatórias para quem esteja interessado numa reflexão mais refinada sobre as violações dos direitos humanos pela ditadura militar brasileira.

Tempos atrás, tive a oportunidade de visitar o Museu do Holocausto, em Washington DC, uma instituição que reconstitui toda a barbárie nazista. Nele estão peças (sapatos, roupas, etc.) de prisioneiros de campos de concentração na Alemanha e fora dela, reprodução de comboios da morte, fotos e filmes do período, etc. Tudo isso foi financiado com dinheiro de judeus ricos de todo o mundo - inclusive Steve Spielberg. Não dá para esquecer essa experiência poderosa.

Há pouquíssimo tempo, pude assistir ao filme "Julgamento em Nurembergue", do diretor Stanley Kramer, de 1961. A película é uma obra-prima de ficção com uma estória que tem no banco dos réus juízes e promotores nazistas, os quais são condenados. No elenco só tem grandes atores como Spencer Tracy, Burt Lancaster, Judy Garland, Marlene Dietrich, Montgomery Clift, só para citar alguns nomes. Um dos aspectos mais interessantes do filme é o fato de ele insinuar de muitas formas que Carl Schmitt (Burt Lancaster) é o famoso jurista nazista que tem papel destacado no filme.

Para quem não sabe, a Baviera foi o berço da ditadura nazista, de onde se expandiu para o resto da Alemanha. Nos anos 1980, eu fiz um passeio turístico a essa região.  Primeiro parei para ver Nurembergue, cidadezinha onde gastei horas procurando pelo Tribunal de Nurembergue e as pessoas sempre me diziam que não sabiam onde ele se encontrava. Finalmente, um "bom alemão" me disse que o tribunal era o prédio em frente do qual eu estava. Sem comentários.

Em seguida, fui visitar o campo de concentração de Dachau, bem pertinho de Nurembergue. Um campo de concentração é aquilo que o leitor já viu em livros de história europeia ou no cinema: espaço com cercas de arame farpado, vários prédios que lembram acampamentos militares, torres de prisão, etc. Para os visitantes, lá dentro podiam ser encontrados filmes, cartões postais, etc. O ponto mais alto da visita era, naturalmente, adentrar na câmara de gás, onde prisioneiros, como gado no corredor de matadouro, iam "tomar banho". Depois disso, os visitantes tinham direito a ver o forno crematório para os corpos dos prisioneiros mortos.

Quando a visita terminou e foi possível respirar o ar fora das instalações do campo de concentração, a única coisa que tive vontade de fazer foi vomitar. Logo depois, ao olhar para os outros turistas de muitas nacionalidades, as suas caras estavam carregadas, pesadas, tristes, etc. Pôr o pé na estrada e mudar de ares rapidamente - eis o que as pessoas mais desejavam naquela hora. Foi o que fiz. Lá fora estava a Alemanha relativamente bem desnazificada e com muito chope.



Política
Com.: 1
Por Eugênio Nascimento
29/04
14:52

O futebol em Sergipe – Uma eternidade em crise

As pessoas mais idosas, que torciam por um clube de futebol em Sergipe costumam falar com orgulho do chamado ciclo da bonança do esporte no Estado, que corresponde aos anos de 1970 ao final dos anos de 1980. Comenta-se até com certo orgulho. Mas, na verdade, a história do futebol nas terras Del Rey está marcada pela crise.

Contando sempre com ajudas de políticos ou dinheiro do poder público estadual e municipal, o futebol parece não ter futuro por aqui, aonde poucos torcedores, ainda que decepcionados, ainda vão aos estádios. Já há setores da mídia optando por cobrir futebol de salão ou mesmo levar ao ar jogos de clubes do Rio de Janeiro e São Paulo.

Todos os clubes que hoje estão na “crista da onda” no Estado tem o seu “quinhão” nos cofres públicos. Isso acontece com o Confiança, Sergipe, Itabaiana, River Plate, São Domingos, Guarani, Olímpico, Lagarto, 7 de Julho e Socorrense. Mas, nos últimos anos, os únicos ousaram buscar crescer foram o Confiança (vamos subir dragão) e o River Plate.



Esportes
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
29/04
14:47

Aracaju - Licitação do transporte é algo imprevisível

Embora tenha divulgado edital  de concorrência para o transporte coletivo de Aracaju, a Prefeitura Municipal terá dificuldade de viabilizar esse projeto até outubro deste ano, como deseja o prefeito Edvaldo Nogueira (PC do B). Os recursos judiciais durante e depois da licitação induzem qualquer cidadão a pensar que isso vai se tornar um caso de justiça e que talvez termine em nada. Por isso, todos os prefeitos quando encaminham concorrência para o transporte sempre o fazem no final de gestão para se beneficiar do ato político e encaminhar os desgastes para o próximo administrador, que normalmente abandona a questão e passa a criticar o ex-prefeito por ter feito “tudo errado”.



Variedades
Com.: 1
Por Eugênio Nascimento
29/04
14:15

Hilux é o carro mais roubado em Sergipe

A Hilux  é o carro mais roubado em  Sergipe e Ceará, estados em que os picapes são mais populares, conforme levantamento feito pelo iG Carros com base em dados da Superintendência  de Seguros Privados (Susep).No ranking nacional, o  Gol, o carro mais vendidos do Brasil, continua a ser o preferido dos ladrões em 10 estados, entre os quais São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. O Palio, que por muito tempo este na condição de vice-líder em vendas, é o modelo com mais sinistros em quatro estados, entre eles Rio de Janeiro e Minas Gerais. (Com base em dados do iG Carros)



Variedades
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
29/04
12:14

Ser o prefeito de Aracaju é o sonho de todos

Com uma população estimada em quase 580  mil habitantes e um eleitorado de cerca de 400 mil pessoas com direito a voto, Aracaju tem o maior contingente eleitoral do Estado e é a cidade mais importante por ser a capital e ter o maior orçamento entre os 75 municípios. Por tudo isso e mais a projeção que dá ao político que lhe é prefeito, a cidade desperta muitos interesses partidários e pessoas nos anos eleitorais.

Nas eleições deste ano já confirmaram que estão na condição de pré-candidatos João Alves Filho (DEM), Rogério Carvalho (PT), Valadares Filho (PSB), Zeca da Silva (PSC), Reinaldo Nunes (PV), Jeferson Passos (PC do B) e Almeida Lima (PPS), podendo ainda surgir um nome da Frente de Esquerda que será formada pelo PSOL, PSTU e PCB . Todos eles submeterão os seus nomes às convenções e só depois disso entram na disputa realmente.

As eleições deste ano em Aracaju serão das mais disputadas e quem for o eleito vai gerenciar um orçamento de R$ 1,3 bilhão, valor que somente o governo do Estado tem maior (R$ 5,7 bilhões). A quantia orçamentaria de Aracaju parece ser grande. E é. Mas os problemas também são muitos numa cidade que cresce desordenadamente e rapidamente. Os segmentos mais problemáticos hoje seriam saúde,  trânsito (inclua-se aqui o transporte coletivo) e segurança.

Há mais de dois anos Aracaju foi avaliada como a cidade que tinha a melhor qualidade de vida. Mas tem também moradia muito cara, embora o custo de vida esteja entre os mais baratos do Brasil. Na verdade, por conta do trânsito caótico, a cidade tem causado muitas insatisfações  do que alegria aos seus habitantes.  Acabar com os engarrafamentos  virou questão de honra para os pré-candidatos. Todos dizem isso. E o povo deseja.



Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
Primeira « Anterior « 1 2 3 4 5 6 7 » Próxima » Última

Enquete


Categorias

Arquivos