29/04
06:27

Mundinho cobra mais segurança em Tobias Barreto

O deputado estadual Raimundo Vieira (PSL), o “Mundinho da Comase”, ocupou a tribuna da Assembleia Legislativa, ontem, para externar sua preocupação com o crescimento da violência que assola o interior do Estado, mais precisamente no município de Tobias Barreto, onde ele destacou o registro de um latrocínio. Mundinho aproveitou a oportunidade para defender mais segurança na região. Ao fazer seu discurso, Mundinho disse que fora questionado por um empresário de Tobias Barreto, que teve o seu comércio assaltado. “A classe política muitas vezes é cobrada injustamente. O comerciante usou uma emissora de rádio local para cobrar uma posição dos deputados. Eu acho que Tobias Barreto é um município de fronteira e que merece uma atenção redobrada daqueles que fazem a segurança pública”. Em seguida, Mundinho dirigiu seu apelo ao Secretário de Estado da Segurança Pública e ao Comandante da Polícia Militar. “Gostaria que eles tivessem uma atenção maior. Os bandidos chegaram ao absurdo de roubarem o mercadinho e levaram R$ 80. Tiveram a ousadia de dizer que vão voltar e que, se só tiver os mesmos R$ 80, vão levar a cabeça do comerciante. Cobrar a gente cobra, pedir a gente pede. Agora a gente espera que o governo atenda”. 



Política
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Por Eugênio Nascimento
29/04
06:26

João Daniel cobra agilidade dos bancos na liberação de crédito para pequenos agricultores

 

Foto: César de Oliveira, da Agência Alese

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O deputado João Daniel (PT) registrou uma mobilização de trabalhadores rurais no Banco do Nordeste do município de Trabalhadores, especialmente de assentamentos da região de Poço Verde, Tobias Barreto, Lagarto, Riachão do Dantas e região. Na tribuna da Assembleia Legislativa, na sessão desta segunda-feira, dia 28, ele fez um apelo ao Banco do Nordeste (BNB) e aos demais bancos oficiais para que haja agilidade na liberação do crédito para esses trabalhadores.

 

Segundo o deputado, estamos iniciando o período de chuvas e todos os pequenos agricultores e de assentamentos que têm crédito rural e estão fazendo custeio precisam da liberação e da garantia desses recursos o mais rápido possível. “Não podemos fazer projeto e ser liberado o recurso em junho, julho, agosto, fora do calendário agrícola. Os pequenos agricultores e assentados necessitam dos recursos para garantir uma boa safra”, frisou João Daniel.

 

No seu pronunciamento, o parlamentar acrescentou que tudo leva a crer que teremos um bom inverno, e esta é uma boa possibilidade de termos um bom plantio, especialmente de grãos como milho e feijão, além de outros produtos. “Por isso fazemos um apelo aos superintendentes do Banco do Nordeste, do Banco do Brasil e do Banese, para que olhem com respeito, com carinho e com rapidez para a contratação de todos os projetos que estão sendo feitos e entregues nas agências pelas empresas de assistência técnica ou diretamente pelos produtores”, disse o deputado.

 

Como o governo federal tem a determinação garantir recursos para os pequenos agricultores e como no lançamento do Pronaf, que João Daniel acompanhou, a presidenta Dilma Rousseff disse que se precisar dobrar o valor financiado faria e se faltar recursos seria aumentado, ele disse que então o problema não é falta de recursos.  
“É problema de agilidade. E é o que nós queremos que os bancos tenham para que valorizem os trabalhadores e assentados do estado de Sergipe”, destacou.

 

Campus de Lagarto
O deputado João Daniel registrou também a sua solidariedade à luta dos estudantes do Campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS) em Lagarto. Ele esteve com os estudantes na última sexta-feira, acompanhando a pauta de reivindicações deles. Segundo parlamentar, é de conhecimento público as dificuldades, os problemas enfrentados por eles, porque tudo é provisório, enquanto o campus está em obras, sendo uma obra do governo federal importante para aquela região.
 


“Mas tem uma pauta possível de ser resolvida, mas que depende de interferência e apoio do MEC. Fazemos um apelo ao ministro da Educação para que possa junto com a Universidade Federal resolver esses pequenos problemas, para que a greve encerre e as aulas voltem ao normal e aquele campus seja realmente um campus que está preparando especialmente a nossa juventude para a saúde pública das várias áreas do Estado de Sergipe, do Nordeste e do Brasil”, ressaltou. João Daniel parabenizou os estudantes em nome da presidente do Diretório Central dos Estudantes, Jessy Dayane, a União Estadual dos Estudantes, Thiago Datt, e o Conselho dos Diretores do Campus de Lagarto.



Política
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Por Eugênio Nascimento
29/04
06:24

ProRedes é aprovado em última Comissão e agora segue para votação em plenário

 Os deputados aprovaram, na tarde desta segunda-feira, dia 28, o projeto de lei do Programa de Fortalecimento das Redes de Inclusão Social e de Atenção à Saúde (ProRedes) na última comissão, a de Economia, Finanças e Orçamento. Por unanimidade, os integrantes da comissão acompanharam o voto do relator, deputado Paulinho da Varzinhas (PTdoB).

 

Agora, o projeto segue para ser votado no plenário da Assembleia, na sessão de amanhã, terça-feira, dia 29. O projeto autoriza o Poder Executivo estadual a contratar operação de crédito externo no valor de até U$S 100 milhões, o equivalente a R$ 250 milhões, junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), para investimentos na área da saúde. O projeto tinha sido aprovado também na Comissão de Saúde, na última quarta-feira, dia 23, e na semana anterior na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

 

Na tarde de hoje, foi analisado também o projeto de lei complementar 03/2014, enviado pelo Poder Executivo, que dispõe sobre o vencimento básico do magistério público do Estado de Sergipe. O PLC passou pela Comissão de Economia e também a de Administração e Serviços Públicos. Em ambas foi aprovado por unanimidade. A proposta revisa o vencimento 



Política
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Por Eugênio Nascimento
27/04
16:28

Indústria em Sergipe nos anos noventa - Parte 2

Ricardo Lacerda*

As implicações trazidas pelas mudanças na regulação da economia brasileira nos anos noventa nem sempre são compreendidasem sua integralidade pelas gerações de economistas e planejadores públicos que acalentaram por décadas e ajudaram a construir o projeto desenvolvimentista de Sergipe.

As novas formas de funcionamento da economia brasileira inauguradas naquela década, com a exposição do mercado interno à competição de produção oriunda em qualquer paralelo do planeta, com a desregulamentação da atividade produtiva, muito especificamente dos pólos das indústrias de base, e com a saída quase completa das empresas estatais da atividade industriale consequente desmantelamento do chamado Setor Produtivo Estatal (SPE), condenaram definitivamente as possibilidades do principal projeto estruturador de Sergipe, idealizado nos anos setenta e oitenta,o seu polo cloroquímico.

Quando em março de 1988,o decreto 95.813 de criação do Pólo Cloroquímico de Sergipe foi assinado pelo presidente José Sarney, as condições concretas de sua implantação eram muito frágeis e a sua implantação se tornou definitivamente deslocada dos novos tempos após as desregulamentações procedidas na década seguinte. Ver decreto presidencial em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1980-1989/d95813.htm.

Novos determinantes


Com o recuo do papel do estado na economia e com a abertura do mercado interno à competição com os importados alijou-se do espectro das políticas econômicas,por quase quinze anos, uma ação mais orientada do governo federal para o desenvolvimento regional.

A partir dos anos noventa, o desenvolvimento industrial dos estados situados nas regões mais pobres passaria a depender essencialmente da capacidade de atrair investimentos privados por meio de atrativos fiscais e outros benefícios. A política de indução de investimentos produtivos por parte do governo federal para as regiões mais pobres foi desmobilizada, restando apenas os instrumentos constitucionais, como o FNE.

Emprego industrial


O emprego industrial em Sergipe apresentou-se em declínio ao longo de quase toda a década de noventa, voltando a reagir apenas após a desvalorização cambial promovida no início de 1999.
Na comparação entre os anos extremos, a indústria geral, que inclui a indústria de transformação e a indústria extrativa mineral, gerou meros 262 postos formais de trabalho, equivalentes a um incremento de 1%.A título de comparação, na década seguinte, entre 2000 e 2010, foram criados 19.823 empregos formais na indústria sergipana, equivalentes a um incremento de 75% (ver Gráfico).
O corte de emprego foi especialmente duro entre 1990 e 1995, quando foram eliminados 6.557postos de trabalho na indústria sergipana. Entre 1999 e 2000 iniciou-se uma recuperação vigorosa na geração de empregos industriais em função do impacto positivo causado pela desvalorização cambial, momento a partir do qual a política de atração de investimentos por meio de incentivos fiscais começou a produzir resultados mais robustos,além da recuperação do emprego no setor sucroalcooleiro.


Um fato significativo na trajetória da produção industrial nas regiões mais pobres nesse período decorreu da pressão competitiva externa sobre a estrutura industrial, potencializada pela valorização cambial vigente até final de 1998.

Tais pressões findaram por provocar alguns movimentos espaciais importantes, com destaque para a relocalização de investimentos em atividades intensivas em trabalho das regiões mais industrializadas (Sudeste e Sul) para as regiões mais pobres (Nordeste, Norte e Centro-Oeste), motivida pelo diferencial de salários e pelos incentivos fiscais concedidos.

Setorial

No caso de Sergipe, presenciam-se na década de noventa, além do fim do ciclo dos investimentos das estatais em sua indústria de base, o encolhimento do setor têxtil, fortemente impactado pela competição com os importados, e expansão do emprego na indústria calçadista, representativa do movimento de relocalização citado acima.

A tabela apresentada resume a evolução do emprego por setor e subsetor da indústria geral entre 1990 e 2000, de acordo com alguns subperíodos significativos.

Entre 1990 e 1994, a indústria geral de Sergipe viu serem eliminados 4.213 empregos formais. Foi o subperíodo mais difícil porque combinou exposição aos produtos inmportados com baixo crescimento do mercado interno. O corte do emprego industrial foi generalizado, atigindo quase todos os subsetores da indútria de transformação, as exceções foram a indústria de calçados e a de madeira e mobiliário. O emprego no conjunto da indústria geral foi reduzido de 25.992 para 21.022 nesse subperíodo (ver Tabela. Estão marcadas as células em que o emprego no setor ou subsetor retraiu-se em relação ao ano da coluna anterior).

Entre 1994 e 1996, o emprego industrial continuou se retraindo, mas o impacto ficou fortemente concentrado na cadeia têxtil-confecção, que perdeu quase três mil postos de trabalho, que se somaram a outros 1.587 empregos cortados no subperíodo anterior. 

Finalmente, no suberíodo 1996-2000, o número de empregos formais inicialmente parou de cair para se ampliar com vigor após a desvalorização cambial de 1999, refletindo-se no quantum de emprego gerado naquele ano e em 2000. Na comparação entre 1996 e 2010, foram criados 5.232 empregos industriais, abrangendo não apenas a recuperação parcial no subsetor têxtil, como a expansão nas atividades de fabricação de acúcar e etanol e um forte incremento no emprego na indústria calçadista e na atividade de produção de minerais não metálicos (cimento). 
Considerando-se a década como um todo, a indústria têxtil sofreu um forte revés do qual nunca viria a se recuperar plenamente; a indústria de calçados firmou-se no estado, com a atração de empresas oriundas das regiões mais industrializadas, e prosseguiu o crescimento do emprego naquelas atividades industriais que acompanham a expansão habitacional, como os subsetores de madeira e móveis e de produtos metálúrgicos, além da atividade sucroalcooleira.

Os espaços para novos investimentos significativos da indústria de base se fecharam por mais de dez anos.



*ProfessordoDepartamentodeEconomiadaUFSeAssessorEconômicodoGovernodeSergipe.
Artigosanterioresestãopostadosemhttp://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/




Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
27/04
16:27

A ditadura militar brasileira

Afonso Nascimento  -  Professor de Direito da UFS

O autor que mais bem caracterizou as ditaduras militares que surgiram na América Latina, entre os anos 1960 e 1970, foi Guillermo O’Donnell. Ele chamou esses regimes de burocrático-autoritários. Por que burocráticos? Porque os militares, enquanto burocracia, impuseram-se no topo da máquina estatal e passaram a dirigi-la autoritariamente, ou seja, como ditaduras. A população brasileira passou a ser administrada militarmente. Para bem perceber a diferença, vale perguntar: o que ocorre em regimes democráticos? Existe a subordinação dos militares aos civis, eles obedecem aos civis, garantindo a ordem estabelecida.

Esses regimes burocrático-autoritários conheceram variações histórico-culturais entre os diversos países, mas tinham um traço comum: foi a primeira vez nas suas histórias nacionais que os militares decidiam, eles próprios, administrar as suas populações. Entre as variações podem ser mencionadas: formas de ascensão, de consolidação e de transição para a democracia com ou sem colapso; maior ou menor organização de suas sociedades civis e, daí, maior ou menor uso de violência; controle ou não pelos militares do processo de liberalização dos regimes e outras. Em resumo, todas essas ditaduras militares tiveram a sua especificidade ou originalidade nacional.

A entrada dos militares brasileiros como instituição na política ocorreu através de um coup      d’Ètat em 1964. Antes dessa data, eles já vinham ensaiando algo semelhante a um golpe. Depuseram o ditador Vargas depois da Segunda Guerra Mundial, usaram o poder de veto em relação JK e a Jango. Aproveitando-se do pretexto fornecido por elites políticas e sociais populistas e irresponsáveis que, com discursos radicais e inconsequentes falavam em revolução e coisas que tais, eles apearam do poder o fraco e indeciso João Goulart, que saiu em disparada para o Rio Grande do Sul e depois para o exílio no Uruguai. Não houve reação dos candidatos a “revolucionários” e eles, os militares, passaram a chamar o seu golpe de “Revolução de 1964”. Na leitura dos militares, o Brasil vivia um suposto momento de insegurança nacional cujos inimigos eram internos e não externos.

Uma característica original da ditadura militar brasileira (1964-1985) que tem sido destacada por muitos autores e negligenciada por outros é o fato de ela ter mantido, inicialmente, o antigo sistema multipartidário em funcionamento e depois ter criado o seu próprio sistema partidário, o seu bipartidarismo. Isso quer dizer que os militares fizeram questão de manter uma fachada democrática, comprimindo, assim, toda a classe política em dois partidos, a saber, a ARENA, o partido dos militares e o MDB, o partido da oposição.

Com isso, os militares conseguiram expressiva colaboração da classe politica brasileira, a qual que continuou a fazer a sua politica profissional, ou seja,  “business as usual”. Os políticos podiam prosseguir suas carreiras politicas e seus projetos de poder, só que com restrições. Naturalmente, o funcionamento de um sistema partidário combinado com ditadura militar só poderia funcionar com o bipartidarismo e nunca com um novo multipartidarismo. A propósito, nunca a fidelidade partidária foi tão eficaz e eficiente.

Esses dois partidos, enquanto mediações entre a sociedade civil e o Estado no Brasil, vão contribuir para a distorção da cidadania política. O bipartidarismo não refletia – na verdade, restringia - a vontade popular, mas aquela dos militares, uma vez que os partidos foram criados manu militari. A eleição dos parlamentares era direta os quais, por sua vez, elegiam governadores (na verdade, interventores) e presidentes (ou seja, ditadores) indiretamente. Isso também não traduzia a representação popular, posto que os parlamentares não faziam senão votar nos nomes impostos pelos militares. Os grupos de interesses, que tinham acesso a eles, lidavam diretamente com os ministérios.

Há um acordo entre os autores segundo o qual a ditadura conheceu diversos momentos. Não resta dúvida quanto ao fato de que, de 1968 a 1973, foi o período mais violento e repressivo. Mas isso não faz menos ditatoriais  as outras fatias históricas (1964-1968, 1968-1979 e 1979-1985) da referida ditadura – mesmo que o aparato legislativo e institucional repressivo tenha sido utilizado em intensidades diferentes.

Para o bom funcionamento da ditadura militar, os homens dos quartéis puseram de pé um importante aparato legislativo de conteúdo repressivo (atos institucionais, leis complementares, decretos-leis, etc.), alçaram as instituições repressivas para o topo do Estado, criaram novas e incorporaram outras. Armados desses arsenais legislativos (que, como qualquer ditadura, reduziram liberdades e direitos) e institucionais, os militares não toleraram oposições. Ali onde elas surgiram, na forma de luta armada ou desarmada, vigiaram, censuraram, perseguiram, prenderam, torturaram, fizeram desaparecer e mataram opositores, num contexto em que a correlação de forças entre os dois lados era extraordinariamente desproporcional.

Os militares brasileiros acabaram com a organização do Estado em três poderes. Com a sua ditadura, todo o poder passou a emanar das forças armadas ou, simplesmente, da força. Desse modo, submeteram os três poderes: o executivo, o legislativo e o judiciário, estaduais e federais. Menos o executivo federal, que era o centro da ditadura. Além disso, a ditadura militar acabou com o presidencialismo brasileiro nos três níveis. Com efeito,  parlamentos foram transformados em espaços para carimbar os projetos e ações de interesse dos ditadores e seus interventores estaduais e municipais. De igual modo, as mesmas forças armadas passaram por cima do federalismo brasileiro. Noutras palavras, foi um momento de grande centralização do poder politico, a exemplo do que ocorrera durante a ditadura civil de Getúlio Vargas. Assim, ficou fácil implementar as reformas planejadas, pois poder político nunca foi tão centralizado na história política brasileira.

A retirada dos militares como instituição da política no Brasil também teve a sua especificidade. Eles transmitiram o poder político aos civis através de uma eleição indireta, pela qual tiveram o seu candidato civil derrotado. Eles não foram expulsos do topo do poder por uma forte resistência ou um desastre bélico. Longe disso. Eles prepararam a sua partida no que se convencionou chamar de “abertura” lenta e gradual, numa palavra, sob seu próprio controle. Para isso, primeiro fizeram aprovar uma lei da anistia mediante a qual ficavam anistiados militares e opositores – e colocavam as violações de direitos humanos por eles praticadas debaixo do tapete. Por outro lado, quando saíram, já estavam muito desgastados depois de vinte e um anos de poder autoritário. Poderiam ter expectativas de ficar mais tempo no poder, não fosse o seu fracasso na condução da economia depois do ilusório “milagre brasileiro”. Essa sua retirada da política por cima impediu e impede a “desmilitarização” do Estado (os entulhos legislativos e institucionais) e a consolidação da democracia brasileira.

Neste ano de 2014, quando é rememorado o golpe militar 1964 que levou á construção da ditadura militar brasileira, ocorrem muitos debates, seminários, lançamentos de diversos livros e muitos artigos acadêmicos e jornalísticos e atos políticos a favor e contra a referida ditadura. Nessa conjuntura, abre-se amplo espaço para ressignificações e revisões desse regime á luz, de um lado, de novos depoimentos de grupos que a ele apoiaram ou a ele se opuseram e, de outro, mediante o acesso a nova documentação encontrada no Brasil e no exterior. È nesse contexto que gostaria de, á guisa de conclusão, debater brevemente os dois pontos abaixo.

O primeiro tem a ver com a ditadura militar brasileira ter sido uma “ditabranda”. Quem veicula esse discurso quer, implicitamente, reivindicar que a ditadura brasileira foi menos violenta do que aquelas do cone sul como Argentina, Chile, etc. È a fala da turma do deixa-para-lá, que não quer passar a ditadura a limpo e deseja minimizar a violência da ditadura contra seus opositores. Em minhas palavras, a questão não é saber quais as ditaduras que mataram mais, torturaram mais, etc. È claro que, quantitativamente, as ditaduras sul-americanas de língua espanhola mataram mais etc. Mas, no varejo, a ditadura militar brasileira foi tão ou mais violenta que as outras. E, como agravante, pode ter funcionado como laboratório ou exemplo para as outras do Cone Sul.

O outro ponto diz respeito a uma tentativa de caracterizar da ditadura militar brasileira. Autores propõem que ela seja chamada de ditadura civil-militar, como modo de incluir e responsabilizar as elites civis que conspiraram, apoiaram o golpe e a ditadura e dela tiraram proveito. O objetivo é bom, mas não vejo necessidade disso. Quem dá golpe é quem tem armas. Os militares tinham as armas, ao passo que as elites civis colaboraram. Em minha opinião, basta dizer que essas elites civis fizeram parte da colaboração e nunca da resistência á dominação dos homens montados a cavalo, trajando fardas verdes, azuladas e brancas, com ou sem estrelas e que pisavam o chão brasileiro com coturnos.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
27/04
16:23

João Alves amarelou?

José Lima Santana - É professor do Departamento de Direito da UFS

 

            “Professor Zé Lima, o senhor acha que João Alves amarelou?”. Esta foi a pergunta que me fez um aluno, na UFS, no último dia 15, quando do retorno às aulas. Eu tinha prometido a mim mesmo que tão cedo não voltaria a escrever sobre política. Tanto é que os meus quatro últimos artigos não trataram do tema. Mas, instigado pelo aluno, resolvi complementar a resposta que lhe dei naquela noite de terça-feira. Eu tinha dito antes, num dos vlogs que gravei para o clicksergipe, nos meados do mês passado, que João só poderia sair da Prefeitura se a pesquisa encomendada para o fim de março lhe fosse amplamente favorável. Não foi. Antes ainda, eu disse, no artigo “A ‘suposta’ orientação de José Agripino a João Alves”, publicado no JORNAL DA CIDADE, edição de 23 e 24 de fevereiro, que o senador Agripino (DEM/RN) teria aconselhado o prefeito de Aracaju a não sair da Prefeitura. Seja lá como for, ele não saiu. Teria mesmo amarelado diante da pesquisa, que só lhe dera 31% da preferência popular, no fim de março? Esse percentual era muito pouco para fazê-lo aventurar-se em busca do quarto mandado governamental. A falta de estrutura partidária, que eu também apontei, em alguns artigos, não lhe daria vantagens diante dos outros candidatos, que têm bases interioranas bem assentadas. O DEM está pulverizado no interior. João deixou, em 2006, que isso ocorresse e, desde então, não fez nada para tentar reerguer o partido. Ou um partido só pode ser fortalecido quando o seu líder está no poder? Ora, conversa fiada de quem pensa assim. Afinal, por exemplo, os irmãos Amorim ergueram um “império partidário” a partir do nada, a não ser conversa e compromisso para o futuro. É assim que se faz, quando se tem vontade de fazer.

            Por outro lado, a administração aracajuana ainda não enche os olhos da população. Os pontos centrais da gestão não estão sendo bem focados. A Saúde está às “pangaletas”, como se diz no vulgo. Anunciou-se o pedido de exoneração da atual secretária. Ou seja, em menos de um ano e meio de mandato João Alves poderá ter o terceiro secretário da pasta. Espera o senhor prefeito resolver os problemas da saúde do povo com a contratação de uma organização social (OS). Ora, poderá dar certo, sim, mas vai depender do tipo de entidade qualificada como OS. Não é qualquer uma que administra bem. Longe disso. Em São Paulo, por exemplo, alguns hospitais deram certo com a gestão transferida para uma OS. Outros, contudo, deram errado. Eu fui ver isso de perto, em 2005. Assim, todo cuidado é pouco na contratação de uma OS.

            Há boas ações na Prefeitura de Aracaju? Sim. Há setores bem geridos? É obvio. Mas há, também, o contrário? Evidentemente. Há situações que se arrastam... Isso, eu sei, descabela o vice-prefeito Machado. Não descabela o prefeito João Alves? As águas de uma gestão pública, especialmente municipal como a de Aracaju, não são de clamaria. São águas revoltas. E navegar por elas exige perícia. Do capitão e da “marinheirada”. Um ex-integrante do atual staff administrativo de João disse, na SOMESE, em reunião que ali ocorre às segundas-feiras à noite, congregando amigos de várias áreas de atuação, públicas e privadas, que João, no início da gestão, não fez o dever de casa, ou seja, não procurou segurar os gastos. Ora, se as receitas municipais são curtas, e, na verdade, o são, daí a carência de uma urgente reforma tributária nacional, que, com certeza, tão cedo não será feita, cria-se um grande empecilho. Mas há outros fatores. Portanto, a gestão de João ainda não enche os olhos do povo, dos eleitores. As esperanças de muitos vão se esvanecendo, vão minguando... Logo, minguaram as preferências populares captadas na última pesquisa, antes de João deixar-se ficar na Prefeitura. “Ah, foi o pedido da família!”, dirão alguns. Foi nada. Foi a situação desfavorável. João não é burro. Tem suas falhas, mas não é burro. Só precisa aprumar-se melhor no cavalo selado que lhe deram em 2012. Senão, vai andar por aí: “pocotó, pocotó, pocotó...”.

            Então, João amarelou? Ele simplesmente não teve saída. Não saiu. Parodiando o dito popular: antes um bem-te-vi na mão do que um curió voando. O bem-te-vi não canta maviosamente como o curió, mas está garantido. E o curió...? Batendo asas. Mais de um alçapão o espera. João não está em condições políticas de arriscar. Já não tem a idade das aventuras. Não seria feio amarelar, se é que ele amarelou. Não nessas circunstâncias. Feio mesmo é não atentar para as esperanças do povo. Mas ele terá tempo. E parece que terá dinheiro, por conta do empréstimo danado de grande junto ao BID (cerca de R$ 300 milhões) que a Câmara Municipal autorizou. Em nome do povo aracajuano, que Deus o ajude! Amém. Há outros desgastes em torno de João Alves, como o recente (?) desgaste político, ocorrido dentro da Câmara Municipal. Aliás, na edição do JORNAL DA CIDADE, de 15 e 16 de dezembro último, Ivan Valença já chamava a atenção para a insatisfação entre a “bancada do Democratas na Câmara Municipal de Vereadores e o prefeito João Alves Filho”. João precisa cuidar-se melhor para cuidar melhor da administração dele, do feijão com arroz, do dia a dia. Por enquanto, encurto o papo sobre isso. Afinal, João que cuide do que o povo lhe confiou.

            Deixando de lado a suposta “amarelidão” do prefeito, como anda Jackson Barreto, na parte administrativa e política? Inaugurando obras, iniciando outras obras pelo interior etc. Sem problemas? Quem disse? Eu já falei, em artigos anteriores, em pelo menos dois grandes problemas que serão explorados à exaustão pela oposição no curso da campanha eleitoral, como, ademais, estão sendo explorados diariamente nas emissoras de rádio flagrantemente contrárias ao governo: segurança pública e saúde. O governo, nesses dois setores, parece dormir em berço esplêndido. Acorda, Jackson! Toma pé da situação, governador! Vossa excelência já foi mais ágil. A oposição não lhe dará trégua. O que poderá se fazer, assim tão em cima da bucha? O senhor e o seu secretariado devem saber. Pipoca que não pula na panela, não é pipoca. Bote fogo nessa panela, Jackson! Do contrário... Só para dar em enfoque, a violência em minha terra, Dores, é uma sangria desatada, onde homicídios, furtos e roubos campeiam sem freio. Em Dores nunca foi assim! Imagine-se como deve estar todo o Estado. Que o digam os noticiários. Como João, Jackson também tem lá os seus pecadilhos administrativos e políticos. Tem feitos os quais precisam ser chamados à ordem. Duramente. Sapo que cochila no brejo, a cobra engole.

            O senador Eduardo Amorim ainda está morno, bem diferente das agitações na programação da Rede Ilha de rádio. Ali tudo ferve. Contra o governo. A campanha, no momento legalmente definido, deverá dar-lhe maior ânimo. Dizem seguidores dos irmãos Amorim que eles estão amiudando conversas e acertos com líderes políticos e cabos eleitorais. Pode ser. Nisso eles já mostraram que são danados. Se vão conseguir continuar assim, agora em 2014, é o que veremos.

            E o outro senador? Bem, não falarei sobre Valadares. Ele disse que vem  surpresa por aí. Vou deixar primeiro que ele defina o rumo. Como se diz em Simão Dias: “Rumo de capa-bode é difícil de ‘aduvinhar’, cambada!”. Será?

            Bem. Por hoje é só. Grato mais uma vez aos leitores e às leitoras que conseguem, pacientemente, me suportar. Para mim é uma honra ser lido por vocês.          

 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 27 e 28 de abril de 2014. Publicação neste site autorizada pelo autor.                                              



Colunas
Com.: 1
Por Eugênio Nascimento
27/04
16:19

Inimigos da democracia

Clóvis Barbosa
Blogueiro e Conselheiro do TCE

Alguns anos atrás participamos de uma reunião das comissões de Direitos Políticos e de Estudos Constitucionais da OAB Federal, em São Paulo. Eu fazia parte da primeira comissão. Ao me deslocar do Hotel para o Aeroporto de Guarulhos tive a satisfação de ter como companheiro de viagem o professor e jurista cearense, Paulo Bonavides. Lembro-me de uma frase que ele esboçou durante o trajeto após manifestar a sua contrariedade às modificações que eram introduzidas no texto constitucional pelo Congresso Nacional: “Meu filho, precisamos urgentemente criar um novo partido no Brasil: o Partido da Constituição. Um partido em defesa diuturna dos princípios consagrados na Carta de 1988”. Bonavides era um defensor ferrenho da nossa Carta Política, embora discordasse do princípio representativo da nossa democracia. Na verdade, em todas as épocas do republicanismo no Brasil, sempre prevaleceu a representação do povo pela classe política. As conquistas por uma ordem social mais justa foram bastante lentas. A Primeira República, que vai de 1891 a 1930, envolvendo, também, o período da primeira ditadura de Vargas, o chamado Governo Provisório, de 1930 a 1934; a Segunda República, de 1934 a 1937, e de 1937 a 1945, com a segunda ditadura de Vargas (Estado Novo); a Terceira República, de 1946 a 1964, de 1964 a 1985 (ditadura militar), e de 1985 a 1988 (Transição). Tivemos, finalmente, a Quarta República, a partir da promulgação da Constituição de 1988 até os dias atuais. Durante a Primeira e Segunda Repúblicas praticamente não houve democracia no Brasil. Os mecanismos eleitorais e o Estado mantinham os mesmos vícios oriundos do período colonial e monárquico, onde prevalecia o poder das oligarquias. A Terceira República, apesar de uma Constituição avançada, foi um período turbulento, primeiro pelo comportamento golpista da classe política que se instaurou de 1946 a 1964; depois, o advento da ditadura militar.

Na Quarta República, com uma constituição avançada, as expectativas para uma mudança completa do nosso arcabouço social eram enormes. Mas o país não avançou no quesito democracia. Tudo bem que há um descrédito no princípio representativo do país. O sistema de representação política, onde o povo é substituído por representantes, só tem servido para perpetuar o domínio das oligarquias, como no passado. Estamos diante de uma viagem de aventura; ou todos nós teremos êxito ou juntos iremos fracassar. Até agora, vive-se uma crise nas câmaras municipais, nas assembléias legislativas e nas duas casas do Congresso, onde predominam grupos políticos desprovidos de ética, sem nenhuma consonância com os interesses da sociedade. O Executivo, com a sua leniência, dá também a sua contribuição. Há hoje no Brasil um processo de descontrole social que assusta ao conjunto da sociedade. Na semana passada, na Bahia, a sociedade se tornou refém de uma greve organizada por um grupo de servidores, policiais militares, que se arvoraram no direito de atazanar a vida da população, implantando a cultura do medo e da opressão. Durante dois dias, a capital, Salvador, e a mais progressista cidade do interior, Feira de Santana, foram palcos de violência, onde assassinatos de pessoas inocentes e saques em patrimônio de comerciantes se tornaram regras. A desordem fez surgir um novo tipo de movimento marginal a que se deu o nome de “saqueador”. A justificativa para esse tipo de ação contra o patrimônio alheio era a do ditado popular que diz que “A ocasião faz o ladrão”. Machado de Assis, em Esaú e Jacó contesta essa máxima na boca de um dos seus personagens, que diz: A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito. O pior de tudo é que aquele que é responsável pela segurança do cidadão, usa da chantagem para agredir a cidadania, repudiando a ética e ferindo de morte a Constituição Federal.

O pior de tudo é que o diálogo, o instrumento mais importante da democracia, é deixado de lado pelas partes. Dá-se prioridade ao conflito que gera a desordem com o aumento da criminalidade, estabelecimentos comerciais arrombados e saqueados, falta de ônibus nas ruas, escolas e faculdades sem aula, shoppings fechados, cancelamento de shows artísticos e de partidas de futebol. Os alicerces da liberdade comunicativa cedem lugar para a beligerância e a barbárie. O pior de tudo, hoje no Brasil, é que os interesses corporativos têm superados os interesses da população. Se, como diz Bobbio, o respeito às normas e às instituições é o primeiro e mais importante passo para a renovação progressiva da sociedade; que a democracia é, no essencial, um método de governo, um conjunto de regras de procedimento para a formação das decisões coletivas, no qual está prevista e facilitada a ampla participação dos interessados; e que a democracia se resume no respeito às regras do jogo, representado pelo arcabouço jurídico que rege as relações, a quem interessa a fragilização dessa ordem jurídica e as bases do Estado Democrático de Direito? Um dos maiores inimigos da democracia ainda são os regimes totalitários representados pelas ditaduras de natureza nazista ou comunista. Esses nós conhecemos e vivemos a experiência de sua prática e que causou ao mundo milhões de mortes. O grande desafio nosso é descobrir o inimigo existente em nós e refletirmos a que tipo de sociedade queremos chegar: se o da civilização ou o da barbárie. Nelson Rodrigues dizia que vivemos numa época dominada pelos idiotas. De lá para cá, tudo continua como dantes em nosso país. O que se espera é que esses mentecaptos não nos leve a destruição. Não nos tire o sonho de uma sociedade justa e solidária. Para isso, lembremo-nos do ensinamento de Winston Churchill: “A democracia não é uma prostituta a ser apanhada na rua por um homem armado com metralhadora”.

POST-SCRIPTUM – Platão popozudo.
- O que você carrega aí, embaixo do braço? Parece bem pesado.
- São as obras completas de Valesca Popozuda. Uma edição bilíngue em capa dura.
- Valesca o que? De quem se trata? Nunca ouvi falar. É uma escritora russa?
- Que russa, que nada. Brasileiríssima. Segundo um professor do Distrito Federal, é uma grande pensadora contemporânea.
- O que foi que ela escreveu? Nunca li.
- Obras fundamentais para a compreensão do mundo atual. Vou citar apenas algumas: “Pica Mole Style”, “Quero te Dar”, “Hoje eu não Vou Dar” e “Beijinho no Ombro”. Veja esses versos: “Eu fiquei foi peladinha, na hora, bateu neurose/ Além do ‘piru’ pequeno, e aí, ele não sobe?”
- Perto disso, o “Lepo-Lepo” parece canção de ninar. E é assim mesmo, ‘piru’, com i?
- Sim, por isso a minha edição das obras dela é bilíngue. Muita coisa precisa ser traduzida, não é de fácil compreensão. É como tentar ler Kierkegaard no original.
- Mas que história é essa de pensadora contemporânea?
- Foi um professor do ensino médio que colocou na prova uma pergunta sobre uma música de Valesca, e a introduziu, ou melhor dizendo, a apresentou, como uma grande pensadora contemporânea. Como tudo hoje, o caso acabou na internet, com muita gente indignada.
- Mas o professor falava sério?
- Ele disse que era apenas uma brincadeira para atrair a mídia e mostrar que os jornalistas só se interessam por notícias ruins.
- Profundo isso, sem duplo sentido. E como é que se chama o professor?
- Antônio Kubitschek.
- Parente do presidente?
- Nada. O pai dele também era um pensador contemporâneo e para homenagear o presidente Juscelino deu o sobrenome ao filho.
- Será que se o filho tivesse nascido agora. Ele teria dado o nome de Antônio Popozudo?
- Esse é um excelente exemplo de raciocínio lógico de um clássico discípulo do popozudíssimo. Você tem certeza de que nunca leu nada de Valesca? (Publicado no jornal “A Tarde”, sem autoria, Caderno 2, página 3, edição de segunda-feira, 14/04/2014, Humor, sob o título “Falam por Aí”).

Clóvis Barbosa escreve aos domingos, quinzenalmente.



Coluna Clóvis Barbosa
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/04
15:50

Coluna Primeira Mão - Política e Economia

Documentação precária dificulta apuração de torturas em Sergipe


O Tribunal de Justiça de Sergipe encaminhou à Comissão Nacional da Verdade (CNV) relatos de algo em torno de 200 casos de desrespeito aos direitos humanos no Estado, no período de 1946 a 1988. Ou seja, durante a ditadura do ex-presidente Getúlio Vargas e na vigência da ditadura militar instalada no País pelo golpe de 1964. Chegou-se aos casos através de documentos em, sua maioria, pedidos de habeas corpus encaminhados à Justiça que possui documentação precária sobre as ocorrências que podem ter sido praticadas por questões políticas, ou não, o que será apurado posteriormente. É uma boa iniciativa, mas, lamentavelmente, até que tudo seja apurado devidamente, as informações e nomes das pessoas que torturaram e as vítimas não podem ser divulgadas, isso por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os técnicos sergipanos darão continuidade ao levantamento de dados no Arquivo do Judiciário, onde ainda há pouco mais de mil pastas para serem avaliadas e a documentação é, no mínimo, precária. Só para lembrar, no site do Arquivo Nacional (Memórias Reveladas) os casos de desrespeito aos direitos humanos no período de duração das duas ditaduras são 700, mas há uma suspeita de que pode ser bem mais. Isso poderá ser comprovado se Sergipe criar a sua Comissão Estadual da Verdade (CEV), como deseja e já anunciou o novo secretário de Estado dos Direitos Humanos, Antônio Bitencourt.


Fecomércio deve voltar ao comando de líderes políticos?


O mundo empresarial sergipano não pensa em outra coisa: as próximas eleições para a Fecomércio – a poderosa Federação do Comércio. As inscrições de chapas se encerram nesta segunda-feira e é motivo de preocupação para nomes fortes do setor empresarial. É que os candidatos até agora são três políticos, embora ligados ao comércio: Marcos Andrade, Walker Carvalho e Laércio Oliveira. A Fecomércio, nos últimos 8 anos, ficou fora da influência política, com os empresários Hugo França e Abel Gomes da Rocha Filho, mas agora ameaça voltar a ser satélite político. Os empresários têm um candidato, apresentado já há algum tempo, que seria o Sr. Fernando Silva, mas os políticos não o querem. Preferem ir de políticos ligados a João Alves Filho ou Eduardo Amorim. Anteontem, à noite, foi realizada uma reunião ampla para discutir o problema e aqueles que não concordam que a Fecomércio volte a ser satélite político quebraram o pau com os empresários que querem a entidade só para si, isto é, para fazer a política dos empresários. Mas, até amanhã, não vai dar tempo mudar o quadro. Espera-se que mude, claro, mas vai ser complicado


Sergipe é mesmo um estado violento?


Aracaju, Itabaiana, São Cristóvão, Barra dos Coqueiros, Propriá, Laranjeiras, Lagarto, Canindé do São Francisco, Poço Verde, Boquim, Estância, Nossa Senhora da Glória, Nossa Senhora do Socorro, Itaporanga d'Ajuda, Tobias Barreto, Poço Redondo, Nossa Senhora das Dores, Simão Dias, Itabaianinha, Capela, Carira, Porto da Folha e Aquidabã estão na relação dos municípios mais violentos de Sergipe. Os dados são do Mapa da Violência no Brasil, que coloca a capital sergipana entre as cidades mais violentas do País e expõe mal o Estado. Está bem visível que há exageros nessa avaliação, embora perceba-se que, com o passar do tempo e o crescimento populacional, a cidade venha registrando mais casos de mortes violentas. Mas não dá para colocar Aracaju como mais violenta que São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, como aconteceu na pesquisa tornada pública pelo Mapa. Aracaju ainda parece ser uma cidade de boa qualidade de vida. Já no interior, há casos isolados de violência. Mas, tanto na capital como no interior, é preciso que a população se mobilize e reaja contra atos violentos, principalmente aqueles que tiram a vida humana. É isso que já está fazendo o Rotary, que lançou campanha e busca aliados para seus propósitos. O Estado, através de seu aparelho policial, bem que poderia retomar a campanha de desarmamento nos 75 municípios. Mas com seriedade.


Táxi-lotação tornou-se um mal necessário


É ilegal? É. É inseguro? É. Mas também é a forma mais prática de se movimentar pelos bairros de Aracaju e municípios circunvizinhos em direção ao centro comercial da capital. As empresas de transporte coletivo vivem, ou sobrevivem, em condições aparentemente legais, mas prestam maus serviços à população, que fica exposta ao sol e a chuva nos desconfortáveis locais de paradas e terminais. Os desserviços geraram o surgimento do táxi comum, esses que a gente pega nas ruas e avenidas, depois, das empresas de táxi, que são aqueles de grife (têm nomes das empresas em alguns casos cooperativas) e que os usuários ligam para a sede da empresa e ela manda pegá-los onde ela estiver. Mais recentemente, há mais de 20 anos, surgiu o táxi-lotação, cujos exploradores (donos dos carros) são, em grande parte, policiais militares e civis, que são tratados como inimigos dos taxistas regulares e das empresas de ônibus, que funcionam em regime de concessões públicas emitidas pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). O táxi-lotação, ainda que possa ser um desrespeito à legislação, funciona e atende aos anseios da população. Só prejudica mesmo as empresas de ônibus e aos taxistas regulares. Seria bom legalizar e normatizar o serviço.


Litorânea Sergipe-Alagoas já está sendo projetada


O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SE), Antônio Vasconcelos, disse à coluna que, no mais tardar, no final de junho o projeto da construção da ponte que ligará Sergipe (Brejo Grande) a Alagoas (Piaçabuçu) estará pronto e daí por diante começarão as investidas em Brasília em busca de financiamentos. A obra deverá custar algo em torno de R$ 250 milhões, deverá ter aproximadamente dois mil metros de comprimento. “Essa obra levará o desenvolvimento para as duas cidades e alimentará o turismo já ligando a Bahia, a Sergipe, a Alagoas e Pernambuco. É uma obra importante para todos”, destacou Vasconcelos, que lembrou ainda que o DER-SE está realizando hoje uns 17 projetos em Tobias Barreto, Itabaianinha, Nossa Senhora do Socorro, Lagarto, Itaporanga D’Ajuda e Santa Luzia, entre outros.


Velho Chico’ enfrenta a pior seca dos últimos 12 anos


Sem chuvas nos afluentes e com o aumento do calor, típico desta época do ano, o rio São Francisco enfrenta a pior seca dos últimos 12 anos, conforme avaliações de técnicos da Chesf. Para piorar a situação, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) solicitou à Agência Nacional de Águas (ANA) o aumento do represamento nos lagos das usinas de Sobradinho (PE), Paulo Afonso (BA) e Xingó (SE) para garantir a produção de energia. A baixa vazão (caiu de 1,5 mil metros cúbicos por segundo para R$ 1,1 mil metros cúbicos por segundo) fez com que aumentassem as áreas de assoreamento, principalmente no trecho compreendido entre Canindé do São Francisco e Brejo Grande, onde desagua no Oceano Atlântico. A pequena quantidade de água tem dificultado o uso de embarcações, inclusive das barcaças que transportam carros na travessia entre Sergipe e Alagoas. A água salgada do mar avançou sobre o rio num espaço de aproximadamente 30 quilômetros. Os pescadores, que vinham reclamando da falta de pescado de água doce, passaram a pegar o peixe de água salgada. Mas há o risco de salinização do solo das áreas próximas ao rio, de Brejo Grande a Propriá.


JB e Fábio trocam afagos políticos publicamente em Socorro


O comentário é geral: o prefeito de Nossa senhora do Socorro, Fábio Henrique (PDT), e o governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), demonstraram publicamente um caso de paquera política explícita durante o encontro que tiveram na sexta-feira passada. Fábio tascou o elogio no governador, que “não discrimina ninguém e age democraticamente” e recebeu afagos verbais de volta, do tipo “o grande prefeito de Socorro” e “o prefeito que constrói a nova Socorro”. E todo mundo boquiaberto observando que “eles se jogavam um nos braços do outro e vice-versa”. Já não se trata de pura amizade. É namoro mesmo. JB foi a Socorro autorizar novas obras e encantou o prefeito


Litorânea Sergipe-Alagoas já está sendo projetada

O Departamento de Estradas de Rodagem (DER-SE), Antônio Vasconcelos, disse à coluna que, no mais tardar, no final de junho o projeto da construção da ponte que ligará Sergipe (Brejo Grande) a Alagoas (Piaçabuçu) estará pronto e daí por diante começarão as investidas em Brasília em busca de financiamentos. A obra deverá custar algo em torno de R$ 250 milhões, deverá ter aproximadamente dois mil metros de comprimento. “Essa obra levará o desenvolvimento para as duas cidades e alimentará o turismo já ligando a Bahia, a Sergipe, a Alagoas e Pernambuco. É uma obra importante para todos”, destacou Vasconcelos, que lembrou ainda que o DER-SE está realizando hoje uns 17 projetos em Tobias Barreto, Itabaianinha, Nossa Senhora do Socorro, Lagarto, Itaporanga D’Ajuda e Santa Luzia, entre outros.

‘Velho Chico’ enfrenta a pior seca do últimos 12 anos


Sem chuvas nos afluentes e com o aumento do calor, típico desta época do ano, o rio São Francisco enfrenta a pior seca dos últimos 12 anos, conforme avaliações de técnicos da Chesf. Para piorar a situação, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) solicitou à Agência Nacional de Águas (ANA) o aumento do represamento nos lagos das usinas de Sobradinho (PE), Paulo Afonso (BA) e Xingó (SE) para garantir a produção de energia. A baixa vazão (caiu de 1,5 mil metros cúbicos por segundo para R$ 1,1 mil metros cúbicos por segundo) fez com que aumentassem as áreas de assoreamento, principalmente no trecho compreendido entre Canindé do São Francisco e Brejo Grande, onde desagua no Oceano Atlântico. A pequena quantidade de água tem dificultado o uso de embarcações, inclusive das barcaças que transportam carros na travessia entre Sergipe e Alagoas. A água salgada do mar avançou sobre o rio num espaço de aproximadamente 30 quilômetros. Os pescadores, que vinham reclamando da falta de pescado de água doce, passaram a pegar o peixe de água salgada. Mas há o risco de salinização do solo das áreas próximas ao rio, de Brejo Grande a Propriá.

Jackson autoriza construção de 600 casas em Socorro 1


Neste sábado, 26, o governador Jackson Barreto assinou a ordem de serviço para construção de 600 casas com infraestrutura no âmbito do Pró-Moradia, no Complexo Taiçoca IV, em Nossa Senhora do Socorro. Investimento total é de R$ 23 milhões, sendo que R$ 3 milhões de recursos estaduais. O Pró-Moradia é um programa do Governo Federal que oferece acesso à moradia adequada a famílias de baixa renda, residentes em assentamentos precários e que recebem até 3 salários mínimos. O Pró-Moradia é gerido pelo Ministério das Cidades e operacionalizado pela Caixa Econômica Federal e executado pelo Governo do Estado. Em Sergipe, O Programa contempla a construção de 1.180 unidades habitacionais para famílias que residem em situações insalubres.
A empreitada de construção das 600 casas do Complexo Taiçoca IV será dividida em 03 lotes:
• Lote 01: Construção de 194 unidades habitacionais, sendo 178 casas padrão e 16 casas adaptadas para portadores de deficiência, com valor de R$ 5.141.758,61, a ser realizada pela empresa GP Engenharia Ltda.
• Lote 02: Construção de 206 unidades habitacionais, sendo 202 casas padrão e 04 casas adaptadas, com valor de R$ 5.418.988,30, a ser realizada pela empresa Duarte & Melo Engenharia LTDA-EPP.
• Lote 03: Construção de 200 unidades habitacionais, sendo 190 casas padrão e 10 casas adaptadas, com valor de R$ 5.402.311,69, a ser realizada pela empresa Electra.


Jackson autoriza construção de 600 casas em Socorro


A execução da infraestrutura, que compreende os serviços de terraplenagem, drenagem pluvial, alimentação e rede de distribuição de água, esgotamento sanitário, pavimentação, urbanização e rede de iluminação pública, corresponde a um investimento de R$ R$ 7.489.242,63. Os serviços estão sendo executados pela Electra Engenharia e Construções Ltda. (R$ 6.239.654,15) e pela Construtora JJ Ltda. (R$ 1.249.588,48). No âmbito do Pró-Moradia, outras 580 unidades habitacionais estão sendo construídas em Aracaju, nas ocupações da avenida Euclides Figueiredo, no Porto Dantas.

Caravana “Quem faz o PT é você” movimenta a região sul do Estado 1


O Partido dos Trabalhadores realizou, neste fim de semana, a edição da Caravana Estadual “ Quem faz o PT é você” nas cidades de Estância( sexta) e Itabaianinha( sábado). Centenas de militantes da região sul do Estado( Estância, Boquim, Pedrinhas, Tobias Barreto, Itabaianinha, Riachão do Dantas, Umbauba, Cristinápolis, Simão Dias, Lagarto, Tomar do Geru) compareceram aos eventos que objetivaram destacar e avaliar o legado dos governos do PT, em âmbito Federal e Estadual. Em Estância, participaram os deputados estaduais Ana Lúcia( vice presidente do PT), Francisco Gualberto, João Daniel, entre outras lideranças locais da região centro sul, a exemplo dos prefeitos de Cristinápolis Padre Raimundo( PCdoB), José Leal( PT), de Indiaroba e Augusto Soares( PPL) de Tomar do Geru, além do ex prefeito de Umbaúba, Anderson Farias( PT).

Caravana “Quem faz o PT é você” movimenta a região sul do Estado 2


Já no sábado o evento foi realizado em Itabaianinha, e reuniu centenas de militantes, simpatizantes e lideranças politicas do PT e da base aliada do governo estadual. Na abertura do evento, o presidente estadual do PT/SE, deputado federal Rogério Carvalho, que fez uma explanação do legado do governo do PT no Brasil e no Estado de Sergipe. Rogério destacou as obras de Lula, Dilma e Déda e todas as transformações que elas trouxeram. “ O Brasil mudou quando esses governantes ousaram incluir por dois eixos: pelo direito( fortalecimento do SUS e daquilo previsto em constituição e transformados em políticas públicas) e na inclusão pela renda através dos programas Bolsa Família entre outros. Mas o PT não fez isso sozinho, fez com todos os partidos aliados, tanto nos ministérios e nas secretarias estaduais, portanto é um trabalho conjunto”, disse. Joaldo Carvalho, ex prefeito de Itabaianinha, liderança de Itabaianinha destacou a liderança de Marcelo Deda e Jackson Barreto “ Deda foi um grande líder e Jackson Barreto está dando continuidade ao trabalho dele”, o ex prefeito também destacou o trabalho de Rogério Carvalho como secretario de saúde “ Você deixou sua marca em Itabaianinha com 4 clinicas de Saúde da Familia”, disse.


Transporte coletivo - Judiciário julga nesta 2ª feira o aumento da tarifa


O julgamento do aumento da tarifa do transporte coletivo adotado em 2013 foi remarcado para esta segunda-feira, dia 28/04, às 8h. Vai entrar em pauta
o mérito do recurso do Setransp e, caso a decisão da Justiça seja favorável ao Não Pago, a passagem de ônibus em Aracaju pode retornar ao preço de R$ 2,25, favorecendo assim toda a população aracajuana. O Movimento Não Pago entende que as fraudes no cálculo da tarifa são evidentes, inclusive o próprio judiciário assim entendeu ao conceder liminar à ação popular movida pelo Não Pago em junho do ano passado. De lá para cá, segundo o “Não Pago”, outros elementos vieram à tona comprovando a existência de fraudes. Vejam o caso das empresas que se desfiliaram ao Setransp e passaram a cobrar uma tarifa de R$ 2,00.


Eduardo Amorim conquista apoios em Telha e Propriá


O senador Eduardo Amorim e o deputado federal André Moura reuniram-se com o prefeito de Propriá, José Américo, para tratar de assuntos políticos e de mais recursos para o desenvolvimento da cidade ribeirinha. Também participaram da reunião os prefeitos de Ilha das Flores, Christiano Beltrão, e de Pacatuba, Alexandre Martins; os secretários municipais Jean Gledson (Defesa Social), Francisco Cardoso (Finanças), Maria das Graças ( Planejamento); o coordenador da Academia da Saúde, Tony Moreno, e a presidente do PSC Jovem municipal, Mayara Rodrigues. Em Telha, prefeito Domingos reuniu, na tarde desta sexta-feira, 25 vereadores, secretários e lideranças em sua casa para declarar apoio à pré-candidatura do deputado federal André Moura à reeleição e falar sobre os recursos trazidos pelo parlamentar ao município, R$ 400 mil para praça de eventos, R$ 250 mil para a quadra poliesportiva do Povoado São Pedro e R$ 100 mil em recursos para a Saúde. Ainda durante a reunião o prefeito Domingos e a vice, Têca, declararam total apoio às pré candidaturas de André Moura a deputado federal e de Eduardo Amorim a governador de Sergipe. "Aqui em Telha lutaremos por dias melhores. E acreditamos que André Moura e Eduardo Amorim representam essa mudança, por isso nos empenharemos para que isso aconteça", declarou.

PV quer discutir aliança com Jackson e Amorim


O PV de Sergipe está dividido entre as teses de ter candidato próprio e participar de alianças com partidos como o PMDB, PSC ou PSB, se tiver candidato ao governo do Estado. Se a opção for por ter candidato a governador, o nome mais forte seria o do publicitário Antônio Leite. Para os demais casos, o PV pretende conversar com as lideranças Jackson Barreto e Eduardo Amorim, já que manteve encontro no mês passado com o senador Antônio Carlos Valadares.

No interior de SE - Pescadores envenenam rio Vaza Barris para pegar camarão, pitu e peixe


Pescadores do município de Pedra Mole acusam pescadores de Pinhão de fazer uso de veneno para matar peixe, camarão, pitu e aratanha nas águas do rio Vaza Barris. O veneno (dizem se tratar de agrotóxico) é despejado no rio e mais adiante são colocadas redes para segurar o pescado até a coleta. Depois os produtos envenenados são levados para a comercialização em feiras livres e mercados da região.

 

 



Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
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