28/05
13:01

SERGIPE - Sintese desocupa sede da Seplag

Na manhã dessa segunda-feira, 28, o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Sergipe (Sintese) desocupou a sede da Secretaria do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) após receber um ofício assinado pelo secretário Oliveira Júnior com a declaração de que não foi verificado qualquer dano à estrutura material do prédio, bem como às pastas funcionais, arquivos e informações em geral.

 

A categoria deixou o prédio institucional por causa de decisão da Justiça em ação cautelar expedida no último domingo, 27. Segundo a decisão, os integrantes do movimento deveria desocupar a sede da secretaria imediatamente e de forma pacífica, sob pena de pagar multa diária de R$ 20 mil, caso houvesse descumprimento da ação.

 

Sobre a ocupação

 

O Sintese foi recebido em audiência pelo secretário Oliveira Júnior para discussão dos pleitos da categoria na última terça, 22. Na ocasião, ele foi informado oficialmente sobre a ocupação à sede administrativa. Para o secretário, a desocupação vai se dar da forma pacífica e o Governo não pretende utilizar nenhum instrumento de intimidação à classe. (Da assessoria)



Política
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Por Eugênio Nascimento
28/05
11:54

Montante exportado por Sergipe dobrou no mês de abril

Análise realizada pelo Centro Internacional de Negócios - CIN/SE da FIES, com base nos dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), apontou que, no quarto mês de 2012, encerrado com 19 dias úteis, a venda de produtos sergipanos para o exterior somou US$ 21,8 milhões, sendo 111,2% maior que o montante exportado no ultimo mês de março. Entretanto, no mês analisado, a balança comercial sergipana apresentou déficit de US$ 1,8 milhão, já que o montante importado (US$23,6 milhões) foi maior que as exportações. A corrente de comércio totalizou US$ 45,4 milhões.

As exportações sergipanas apresentaram, em abril, elevação de 153,9% sobre o mesmo período do ano passado, quando as exportações totalizaram US$ 8,5 milhões. Analisando o montante exportado por fator agregado, nota-se que no mês de abril não houve vendas externas de produtos básicos, sendo a totalidade das exportações de produtos industrializados. A maior participação é de produtos manufaturados, cujo incremento foi de 46,6% em relação ao mês anterior. Entre os produtos mais vendidos para o exterior predominou o Suco de laranja congelado, não fermentado, que nos quatro primeiros meses do ano representou 47,2% das vendas. Os principais produtos vendidos por Sergipe foram: outros sucos de laranjas não fermentados, com 16,57%, outros açucares de cana, com 11,71% e outros calçados, com 7,91% de participação.


As aquisições no exterior, em abril, foram de US$ 23,6 milhões, sendo 27,1% menor que o valor importado no mesmo período do ano passado. Em relação ao mês anterior, o montante importado foi 45,9% superior. Na análise das importações por fator agregado, os produtos industrializados representaram 65% do total, enquanto a compra de produtos básicos participou com 35%. Os principais itens que se destacaram na pauta importadora sergipana foram o diidrogeno-ortofosfato de amônio, outros trigos, coque de petróleo e o sulfato de amônio, que representaram, juntos, 46,2% do total importado no mês analisado.

Por blocos econômicos de destino, as vendas para a União Europeia se destacaram nos primeiros quatro meses do ano, tendo se elevado 191,5%, em relação ao mesmo período do ano passado. O destaque foi para os Países Baixos (Holanda), que comprou US$ 15,3 milhões de Sergipe, sendo 195% a mais que o primeiro quadrimestre do ano anterior. No que se refere aos fornecedores, a Ásia foi o bloco econômico que mais vendeu para Sergipe no período analisado, demonstrando crescimento de, aproximadamente, 40% sobre mesmo período de 2011.

Da assessoria

 



Economia
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Por Eugênio Nascimento
28/05
11:20

Balanço do quadrimestre - Emprego Formal em Sergipe nos primeiros meses de 2012

Análise realizada pelo Boletim Sergipe Econômico, parceria do Núcleo de Informações Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e do Departamento de Economia da UFS, com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, revelou que, no primeiro quadrimestre deste ano, foram criadas 1.562 novas vagas de trabalho com carteira assinada, em Sergipe. Na capital sergipana, em abril, foram gerados 465 novos empregos. Nos municípios de Itabaiana, Itabaianinha, Lagarto e Nossa Senhora do Socorro foram gerados, respectivamente, 142, 134, 126 e 119 novos postos de trabalho.
 
Entretanto o estado apresentou, em abril, um saldo negativo no número de empregos, totalizando menos 2.188 vagas. No município de São Cristóvão, por exemplo, ocorreu um saldo negativo de empregos, totalizando menos 438 vagas.
 
Na capital sergipana, de janeiro a abril deste ano, foram criadas 3.279 novas vagas. Os municípios de Lagarto, Itabaiana, Nossa Senhora do Socorro, Estância e Itabaianinha geraram, respectivamente, 381, 359, 294, 211 e 202 novos postos de trabalho neste mesmo período.
 
Ainda na análise quadrimestral, o destaque em Sergipe foi a Construção civil, que gerou 3.064 novos empregos no estado. O segundo setor, neste mesmo tipo de análise, foi o Setor de Serviços, gerando 2.567 novos postos. 

Da assessoria
 


Economia
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Por Eugênio Nascimento
28/05
11:16

Arrecadação Federal em Sergipe cresceu 35,9% em abril deste ano

Análise realizada pelo Boletim Sergipe Econômico, parceria do Núcleo de Informações Econômicas da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e do Departamento de Economia da UFS, com base nos dados da Receita Federal do Brasil (RFB), mostrou que a arrecadação de tributos e demais receitas federais apresentou crescimento nominal (a preços correntes) de 35,9%, em relação ao mês anterior (março/2012).

Em abril, foram recolhidos R$ 184,9 milhões entre impostos, contribuições federais e demais receitas de âmbito federal, assinalando expansão (em termos nominais) de 14,2% sobre o mesmo mês de 2011.

Composição da arrecadação

O Imposto de renda (IR) e a Contribuição para o custeio da Seguridade Social (COFINS) representaram mais de 60% do total arrecadado, no estado, no mês analisado. Juntos, os dois tributos recolheram R$ 123,3 milhões.

A contribuição para o PIS/PASEP cooperou com R$ 11,9 milhões para o conjunto arrecadado, enquanto que a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) forneceu R$ 18 milhões aos cofres da União.

O Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) somou R$ 9,2 milhões para a arrecadação total do estado, sendo 5,6% menor que o valor arrecadado no mês anterior. A maior participação do IPI foi sobre bebidas (mais de R$ 5,4 milhões). (Da assessoria)



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Por Eugênio Nascimento
28/05
06:43

Eleição na UFS - UEES convoca estudantes para votar

COMUNICADO


A União Estadual dos Estudantes de Sergipe - UEES comunica a todos os acadêmicos da Universidade Federal de Sergipe que nesta segunda e terça-feira (28 e 29/05) irá ocorrer a eleição para Reitor da UFS. A votação será em todos os Campi: São Cristóvão, Aracaju, Laranjeiras, Itabaiana e Lagarto. A UEES informa que o voto de cada aluno é muito importante, além disso, a participação de tod@s @s estudantes é imprescindível para a construção de propostas e apresentação das reivindicações que se fazem necessárias para mantermos a defesa de uma Universidade Pública, Gratuita e de Qualidade.


HÁ BRAÇOS FORTES A TODOS E A TODAS!


UNIÃO ESTADUAL DOS ESTUDANTES DE SERGIPE - UEES


Política
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Por Eugênio Nascimento
27/05
20:23

Justiça determina saída de professores do prédio da Seplag

SINTESE assina notificação de despejo, mas permanece na SEPLAG



A Justiça notificou o Sintese para que os professores que ocuparam a Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) deixem o prédio, que está ocupado desde o último dia 22.  A presidente da entidade,  Angela   Maria de Melo, recebeu a opficialização judicial e informou que os ocupantes devem sair do local na manhã desta segunda-feira.

A situação ficou tensa entre os professores e a oficial de Justiça, que  chegou a dar voz de prisão ao professor Joel Almeida, mas depois de muito diálogo o problema foi contornado.

Os professores só sairão às 7h desta segunda-feira (28, quando o quarto grupo acaba o processo de jejum como foi deliberado pela categoria. "Somos educadores, sabemos cumprir a lei e temos consciência do nosso papel como educadores. Nossa luta é justa, mas também sabemos que a desobediência civil é um processo educativo", disse a presidente do SINTESE. (Com dados da assessoria)



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Por Eugênio Nascimento
27/05
17:13

RICARDO LACERDA ESCREVE - O Nordeste e a Crise

Ricardo Lacerda - Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe

Os mecanismos pelos quais os estímulos (e os desestímulos) à demanda agregada operam sobre o nível de atividade econômica das regiões nunca foram suficientemente investigados. A redução do IPI na aquisição de veículos, por exemplo, certamente tem impactos maiores sobre o nível de atividade nos estados que sediam as montadoras do que nos demais, ainda que não se saiba exatamente como se distribuem espacialmente os efeitos diretos e indiretos da medida.

No primeiro momento, perdem os estados mais pobres, com a redução de aporte de recursos para o FPE e FPM (fundos de participação dos estados e dos municípios, respectivamente), os maiores beneficiários dos fundos, enquanto os mais ricos não apenas deixam de ter o vazamento de renda com o recolhimento do tributo, como têm uma resposta mais imediata em termos de geração de emprego, recuperação do comércio e na arrecadação de ICMS.

Mas os efeitos não se limitam aos impactos mais diretos. A recuperação do nível de atividade da indústria automobilística pode ajudar a reverter o marasmo econômico atual e afastar os riscos da estagnação, e termina, por uma multiplicidade de canais, repercutindo positivamente no nível de atividade dos estados mais pobres, ainda que menos do que proporcionalmente.

Oscilações no câmbio, na taxa de juros, no volume de crédito, nos gastos públicos, no salário mínimo etc repercutem de formas distintas entre as regiões, mesmo considerando que o grau de integração produtiva e comercial entre elas e os mecanismos de transferências de renda funcionem como contrapeso, e venham assegurando taxas de crescimento relativamente próximas entre os estados da federação.  

Nordeste

Desde o inicio do ciclo expansivo, em 2004, as regiões mais pobres vêm apresentando taxas de crescimento mais elevadas do que as alcançadas nos estados mais industrializados. Gastos federais em infraestrutura, elevação real do salário mínimo, expansão do crédito, bancarização da população e diversas modalidades de transferência de rendas foram alguns dos mecanismos que incidiram mais intensamente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste do que nas regiões Sul e Sudeste.

Quando em 2008 a crise impactou fortemente o nível de atividade interna, a resposta do governo brasileiro centrada no estímulo ao mercado de consumo novamente favoreceu as economias das regiões mais pobres, mas isso não significou que o setor produtivo não tenha sido afetado.

Ainda que as variáveis de consumo e de geração de emprego tenham apresentado resultados melhores no Nordeste do que na média do país, o mesmo não aconteceu com as de produção industrial. Com a recidiva da crise a partir do segundo semestre de 2011, a atividade industrial da região voltou a ser fortemente atingida (ver Gráfico).

No 3º trimestre de 2011, a produção física da indústria do Nordeste caiu 1,3%, frente ao recuo de 0,8% da média nacional, na série livre de efeitos sazonais. No último trimestre do ano, as queda foi de 1,9%, contra a retração de 1,6% da indústria nacional. Há uma reversão positiva, todavia, no 1º trimestre de 2012, por conta do desempenho da indústria química e de minerais não metálicos.



Fonte: IBGE-PIM. Série livre de efeitos sazonais

O impacto da crise foi intenso na indústria do Nordeste principalmente por conta da forte especialização que a indústria da região assumiu desde os anos noventa com a massiva migração de empresas dos segmentos de calçados e têxteis, pressionadas pela concorrência com os produtos importados. Pelo mesmo motivo, os efeitos têm se concentrado nos estados do Ceará e do Rio Grande, com elevados graus de especialização no setor.

Com o câmbio valorizado, o agravamento do cenário externo desde meados de 2011 provocou enormes perdas nessas atividades. Nos últimos doze meses encerrados em março de 2012, a produção física da indústria têxtil nordestina recuou 22,17% e a de calçados 9,87% (ver Tabela). Na média, a indústria de transformação recuou 2,1%.  No 1º trimestre esboçou-se uma reação da indústria nordestina, com crescimento de 4,4%, na comparação com o 1º trimestre do ano anterior, mas os segmentos de bens não duráveis permanecem em dificuldade e, com isso, os estados mais especializados nesses segmentos vêm sofrendo os maiores impactos, enquanto outros estados da região têm mantido crescimento significativo. 

 

 

Tabela: Nordeste. Taxa de Crescimento da Produção Física da Industria de Transformação em Março de 2012. (%)

Item

Doze meses

Jan-Mar 2012

Indústria de transformação

-2,1

4,4

Alimentos e bebidas

-0,73

1,22

Têxtil

-22,17

-12,54

Vestuário e acessórios

-11,11

0,77

Calçados e artigos de couro

-9,87

1,86

Celulose, papel e produtos de papel

-3,11

-7,45

Refino de petróleo e álcool

-7,92

-5,14

Produtos químicos

7,68

31,44

Min. n. metálicos

2,86

8,55

Metalurgia básica

4,29

4,9

Máq.  aparelhos elétricos

-11,67

-12,18

Fonte: IBGE-PIM.

 

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.



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Por Eugênio Nascimento
27/05
17:04

CLÓVIS BARBOSA ESCREVE - Revista do rádio

 

Clóvis Barbosa - É conselheiro do TCE-SE e blogueiro

 

Entre os oito e quinze anos de idade aconteceram fatos extraordinários em minha vida na capital baiana. Diria até que foi uma fase muito rica na aquisição de conhecimentos, em amadurecimento para enfrentar a vida e autoafirmação cultural e cidadã. Não fui aquela criança, teorizada pelos psiquiatras/psicólogos dos infantes, como a que teve uma vida normal do ponto de vista de brincar e estudar. Trabalhei para sobreviver desde cedo e, ao invés de ser um elemento prejudicial à minha formação, foi isso elemento importante para o meu crescimento. A minha normalidade era sentida pelo bem-estar físico, mental e social e pela capacidade de adaptação ao meio social. É verdade que na vida ninguém cresce sozinho. Nesse caminhar tive pessoas extraordinárias que passaram pela minha história e que influenciaram de forma decisiva na formação do meu caráter e daquela lei moral, de que nos fala Kant - na Crítica da razão prática, existente em nós. Nas minhas orações sempre agradeço por esses anjos que Deus coloca em nossas vidas. No meu caso, uns já falecidos e outros ainda vivos. Sou-lhes grato por menor que tenha sido a sua contribuição.  Foi uma fase em que cada minuto era aproveitado intensamente. Aprendi a ser inteiro em tudo em que me envolvia. Na fase impúbere, não sei bem o porquê, sempre fui do contra. Em casa, enquanto os homens torciam pelo Vitória e as mulheres eram fãs de Cauby Peixoto e Wanderley Cardoso, eu era torcedor do Bahia, e fã de Francisco Carlos um cantor que fez muito sucesso na década de 50 e de Roberto Carlos.

 

Eu era admirador do cinema clássico e dos movimentos culturais da época. Acompanhei o surgimento da Nouvelle Vague Francesa, de Claude Chabrol, Jean-Luc Godard, François Truffaut, Alain Resnais, Eric Rohmer e Jacques Rivette, sendo a maioria desses cineastas vinda da crítica cinematográfica que era feita numa revista de vanguarda, o Cahiers de Cinéma; e acompanhei o neo-realismo italiano, nas figuras dos seus idealizadores, Roberto Rosselini, Luchino Visconti e Vittorio de Sica. Nunca me esqueço do filme Ladrões de Bicicleta que fui assistir num cinema de subúrbio, em Plataforma; o cinema novo no Brasil - influenciado pela nouvelle vague francesa e pelo neo-realismo italiano -, que teve como expoentes Glauber Rocha, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirsman, Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues, Ruy Guerra, Roberto Santos, Paulo César Saraceni, Olney São Paulo e Rogério Sganzerla; o novo cinema alemão, também influenciado pela nouvelle vague francesa e pelos movimentos de protestos de 1968, e que teve como nomes importantes Wim Wenders, Werner Herzog, Volker Schlondorff e Rainer Werner Fassbinder; o nascimento do cinema baiano em filmes como Redenção, Barravento, A Grande Feira e Tocaia no Asfalto; as filmagens de O Pagador de Promessas na Ladeira do Carmo e Pelourinho (único filme brasileiro que ganhou a Palma de Ouro em Cannes), onde testemunhei os gritos do diretor Anselmo Duarte e as interpretações dos atores. Foram momentos fascinantes.

 

Eu era fã ardoroso das emissoras de rádio da Bahia e do Rio de Janeiro. A Rádio Sociedade da Bahia, ligado ao grupo de Assis Chateaubriand, a Rádio Excelsior e a Rádio Cultura predominavam na época com um cast de fazer inveja. Até os Serviços de alto falante existentes nos bairros de Salvador primavam pelo bom gosto. Foi nos auditórios da Rádio Excelsior, que ficava próximo a Praça da Sé, que vi um show com o grande cantor de boleros Bienvenido Granda. No auditório e nas ondas da Rádio Sociedade desfilavam nomes como Ubaldo Câncio de Carvalho, Renato Mendonça, Armando Chaves, Pacheco Filho, Antônio Laborda, José Athaide. Tinha até programa de rádio-teatro. Nos programas de auditório da Sociedade e da Excelsior desfilavam o compositor Riachão e um cantor de voz muito bonita, Osvaldo Fahel. Existia um programa semanal de meia hora, intitulado PRK-30, na fase memorável da Rádio Nacional, no Rio de Janeiro, apresentado por Lauro Borges e Castro Barbosa, que modulava: “Cavaleiros e cavaleiras de ambos os sexos, muito boa tarde. Acaba de subir ao ar a sua PRK-30, falando diretamente do segundo andar do Edifício Espícler, enquanto não anunciam a construção do primeiro andar. É por isso que anunciamos sempre: NO AR, PRK-30!”. Eram apenas duas vozes que representavam dezenas de personagens, uma espécie de Chico Anísio das décadas de 50 e 60. Aliás, há quem diga que o humorista cearense foi muito influenciado por essa dupla de sucesso na história do rádio.

 

Mais fascinante ainda era a acirrada disputa artística que se travava na Rádio Nacional e pelo Brasil a fora tendo como protagonistas as cantoras Emilinha Borba e Marlene, e os cantores Cauby Peixoto e Francisco Carlos. O gesto simples de girar um botão criava, repentinamente, um momento mágico. Minha mãe, fã ardorosa de Emilinha acompanhava cantando em duo com a voz que vinha do rádio: “Chiquita bacana lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica”, ou: “Quando a lama virou pedra e mandacaru secou, quando a ribação de sede bateu asa e voou; foi aí que vim-me embora carregando a minha dor, hoje eu mando um abraço pra ti pequenina, Paraíba masculina muié macho sim senhor”, clássico de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga. Mas minha velha nunca foi assistir Emilinha pessoalmente. Eu era obrigado a ver os seus filmes e passava a ela o papel desempenhado por Emilinha ou a música que ela interpretava. Lembro-me de alguns filmes, como “Tristezas não pagam dívidas”, onde ela canta “Atire a primeira pedra”; “Aviso aos navegantes”, em que se apresenta com uma capa de plástico e sob uma chuva artificial, onde interpreta a música Tomara que chova. Enfim, foram inúmeros os filmes. O mesmo quadro era com Cauby Peixoto. Diferentemente, minha mãe não admitia as canções interpretadas por Marlene ou Francisco Carlos. Nessas horas, mudava-se imediatamente de emissora. Mas ela gostava também de Dolores Duran, Elizete Cardoso, Dalva de Oliveira, Maysa e Ângela Maria.

 

Eu estava em São Paulo em outubro de 2007 quando minha mãe me pediu para comprar um CD de Emilinha Borba. Procurei e o encontrei numa loja da Avenida Paulista. Ela ouviu, pela última vez, a voz daquela que durante muito tempo encheu o seu mundo de magia. É que ela morreu poucos dias depois, em 13 de novembro daquele ano.         



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Por Eugênio Nascimento
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