27/05
06:25

Zona de Expansão: OAB vai acionar a Justiça para área ficar com Aracaju

A disputa entre os municípios de Aracaju e São Cristóvão pela posse da área da Zona de Expansão está longe de acabar por aqui. Na noite dessa segunda-feira, 26, a Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Sergipe, decidiu, em reunião do Conselho Seccional, apoiar as comunidades no sentido de ajuizar ação visando a manutenção de toda a área na capital sergipana.

A proposta foi aprovada por unanimidade pelo conselho e agora as providências serão tomadas a fim de se produzir a tese e a petição inicial. A tese a ser defendida pela OAB Sergipe deverá ser pela declaração de inconstitucionalidade do ato, isto é, do Artigo 37 dos Atos das Disposições Transitórias da Constituição Estadual de 1989, bem como da Emenda Constitucional nº. 16/1999, sem a pronúncia de nulidade. Assim se evitaria trauma à população local e seria preservada a segurança jurídica.

Tanto o artigo 37 dos ADCT quanto a Emenda 16/99 da Constituição Estadual alteraram o limite entre Aracaju e São Cristóvão na região a Zona de Expansão e as decisões judiciais vêm, reiteradamente, declarando nulos esses atos.

A reunião contou com um bom número de moradores e militantes dos povoados Robalo, São José, Areia Branca e Mosqueiro, além de representantes do Fórum em Defesa da Grande Aracaju.

Após a aprovação do relatório o presidente do Conselho da OAB Sergipe, Carlos Augusto Monteiro, franqueou a palavra à Deputada Estadual Ana Lúcia (PT), que agradeceu a todos os conselheiros.

O médico do Programa Saúde da Família e morador da Areia Branca, Rubens Araújo Carvalho, disse que essa foi mais uma etapa vencida e considera ser muito importante na luta pela permanência da Zona de Expansão em Aracaju.  

Para Lizaldo Vieira, militante do Fórum em Defesa da Grande Aracaju, a luta valeu a pena e o nome da OAB representa muita credibilidade nesse processo. 



Política
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Por Eugênio Nascimento
27/05
06:24

João Daniel pede apoio da Casa aos estudantes do campus da UFS em Lagarto

O deputado João Daniel (PT) defendeu o engajamento de todos os deputados estaduais para ajudar os estudantes do campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS) no município de Lagarto. Em seu pronunciamento na sessão desta segunda-feira, dia 26, o parlamentar destacou a audiência pública realizada na manhã de hoje para tratar dos problemas no campus e as soluções apontadas pelos universitários. Durante a sessão, uma comissão representativa dos estudantes esteve presente.

 

 

Para o deputado, o campus de Lagarto é uma grande conquista para a juventude, com esses cursos na área de saúde. Em seu discurso, João Daniel apresentou a pauta trazida pelos estudantes à audiência e reafirmou seu compromisso com eles. “Temos acompanhado a mobilização feita por esses estudantes e sabemos a importância dele”, disse. João Daniel acrescentou que o Campus de Lagarto é novo e tem muitas questões que precisam ser resolvidas.

 

“É um movimento que conta com o apoio dos professores e esperamos que os itens dessa pauta possam ser atendidos pelo Ministério da Educação e o que cabe ao governo do Estado possa ser atendido também, bem como a administração municipal”, destacou. Além de João Daniel, que intermediou a realização da audiência pública na Sala das Comissões da Assembleia, participaram da reunião a deputada estadual Ana Lúcia (PT) e Conceição Vieira (PT), além das assessorias da deputada Maria Mendonça (PP) e de Gustinho Ribeiro (PSD).

 

João Daniel solicitou o apoio da Assembleia, seja através de moção, indicação ou realização de audiência. “Vamos solicitar o que cabe ao governo do Estado ao governador Jackson Barreto, ajudando a articular essa questão, com a participação de uma comissão de estudantes do campus Lagarto”, acrescentou.

 

Na tribuna da Assembleia, o deputado João Daniel apresentou a pauta. Para ele, são itens simples, reivindicações concretas e importantes, que precisam contar com o apoio da Assembleia. Ele observou que esta não é uma greve em que os estudantes foram pra casa, mas estão juntamente com professores na luta para ter as reivindicações atendidas.

 

Pauta

A pauta discutida na audiência pública da manhã desta segunda-feira foi entregue a cada um dos 24 deputados. Entre elas, itens que tratam dos grandes problemas enfrentados pelos estudantes do campus, nos cursos de Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Nutrição, Fonoaudiologia, Farmácia e Odontologia, além de apontar as soluções. “Recebemos essa pauta, ouvimos os estudantes e debatemos, juntamente com os demais deputados e assessores representando, e vamos solicitar o apoio e no que depender do governo do Estado, termos essa audiência com a presença do representante do DCE e centros acadêmicos de Lagarto e incluir também a questão do campus Laranjeiras”, disse.

 

Entre os vários pontos da pauta que foram tratados na audiência, a apresentação do cronograma atualizado das obras do campus definitivo conforme a lei do acesso à informação, nº 12.527 de 18 de novembro de 2011 e a criação de uma comissão para o acompanhamento das obras com participação discente; criação de grupos de trabalho para acompanhamento dos itens requeridos, sendo um de caráter geral e um associado a cada curso de graduação, compostos por representantes da reitoria, discentes e docentes; federalização do Hospital Regional de Lagarto e consequente conversão a Hospital Universitário, até 30 de junho de 2014.

 

Outro ponto da pauta é a ampliação e capacitação do corpo docente e técnico para primar ao que preconiza a metodologia ativa de ensino adotada pelo campus; conclusão, em caráter de urgência, das clínicas provisórias devidamente equipadas e apresentação do cronograma atualizado das obras das clínicas definitivas; instalação de laboratórios provisórios de práticas e ensino – devidamente equipados –, que atendam às necessidades específicas de cada curso; implantação de uma policlínica, servindo como centro de especialidades, que atenda às especificidades dos cursos; melhoria da infraestrutura dos espaços de aula no campus provisório e anexos, como adaptações às leis de acessibilidade, climatização, mobília e adequação dos espaços às seções tutoriais, assim como a disponibilização de água potável para o consumo dos alunos (exemplo: a instalação de um poço artesiano no Campus Provisório, uma alternativa economicamente viável), e purificadores.

 

Os estudantes também querem a ampliação do acervo da biblioteca, bem como do espaço para estudo individual e coletivo, com funcionamento até as 22h de segunda a sexta e aos sábados até as 18h, bem como ampliação física e de materiais dos laboratórios morfofuncionais (peças anatômicas e histológicas – quantidade, e sobretudo, qualidade). Outra reivindicação da pauta é a criação de um plano de segurança integrado que atenda às necessidades do campus provisório e seus anexos, intensificando o patrulhamento ostensivo da Polícia Militar nas imediações.

Incorporar a Universidade Aberta do Brasil (UAB), do povoado Colônia Treze ao campus e ampliação da assistência e apoio psicológico, psicopedagógico e social aos discentes, entre outros

 

Os deputados Maria Mendonça (PP), Gustinho Ribeiro (PSB) e Ana Lúcia apartearam o pronunciamento para parabenizar o deputado João Daniel por trazer a temática à Assembleia e todos eles se colocaram à disposição para ajudar no que for possível para que as reivindicações dos estudantes dos Campus da UFS em Lagarto e Laranjeiras sejam atendidas.

 

Meia-passagem

Na oportunidade, o deputado João Daniel aproveitou para defender junto à Presidência da Casa a tramitação do projeto de lei 136/2012, de sua autoria, propositura que foi inserida na pauta dos estudantes. O PL institui a meia-passagem no transporte coletivo intermunicipal. O parlamentar pediu o apoio da presidente Angélica Guimarães para que seja dado andamento a ele. Da mesma forma, João Daniel solicitou o apoio dos colegas deputados.

 

“Esse projeto foi construído a partir de um debate com o movimento estudantil e protocolado desde o dia 15 de agosto de 2012 e necessita ser feito um debate e discussão ampla aqui para que esse projeto seja aprovado. E se não aprovar que mostre por que não é preciso aprovar. Mas que tramite e acredito que tem possibilidade de ser aprovado”, afirmou João Daniel. (Da assessoria)



Política
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Por Eugênio Nascimento
27/05
06:20

Aparecida - Câmara vota hoje criação de 139 cargos comissionado

Acontecerá nesta terça-feira, 27, sessão na Câmara de Vereadores de Nossa Senhora Aparecida, em que pode vir ser aprovado o projeto de Lei do Executivo que cria 139 Cargos em Comissão (CC’s). O projeto será apreciado em segunda votação e caso os 5 vereadores que dão sustentação à prefeita Vera (PMDB) votem favorável o projeto entrará em vigor já a partir de sua publicação. Na cidade há um clima de descontentamento da população, principalmente da parcela jovem, que cobram na gestora e da câmara a efetivação dos aprovados do último concurso público ocorrido em 2012.

Sem Parecer  -  O procurador jurídico da Câmara de Vereadores se negou a dar um parecer favorável à legalidade do Projeto, mas mesmo assim, pressionados pelo secretário municipal de Finanças e esposo da prefeita, Antonio Andrade, os vereadores da base tendem a votar pela aprovação.



Política
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Por Eugênio Nascimento
26/05
09:48

Ações ambientais de Aracaju são apresentadas na CB27 em João Pessoa

As ações de proteção e controle ambiental no município de Aracaju, implementadas pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema), foram apresentadas no 1º Encontro Regional Nordeste dos Secretários Municipais do Meio Ambiente das Capitais Brasileiras em João Pessoa - PB. O evento, que ocorreu entre os dias 21 e 22 de maio, discutiu temas relacionados ao meio ambiente abordando casos de sucesso das capitais nordestinas. E entre os casos de sucesso apresentados estava o da cidade de Aracaju.

"Ao longo da caminhada da secretaria tivemos diversos ganhos para Aracaju. Neste ano, tivemos duas grandes ações que mereceram destaque: o início do Plano de Arborização e das atividades de licenciamento ambiental pelo município", pontuou Matos.

Sobre o Plano de Arborização, apresentado aos secretários das capitais nordestinas, foi explicitado que o lançamento ocorreu em 1º de abril com o objetivo de plantar 45 mil mudas até 2016. Outro ponto abordado durante apresentação foi o início do Programa Publicidade e Arborização, que já está realizando o plantio nas avenidas de Aracaju.

Da assessoria
Foto: Ascom/Sema


Política
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Por Kleber Santos
26/05
09:45

MMA é a mais nova atividade do Centro de Treinamento da GMA


A partir da próxima semana os guardas municipais e familiares terão à disposição mais uma atividade ofertada pelo Centro de Treinamento da GMA: o MMA. Na manhã desta sexta-feira, 23, foram entregues aos coordenadores do CT e ao instrutor os equipamentos necessários para os treinamentos iniciarem. As aulas ocorrerão às terças e quintas-feiras, das 12h às 13h30, com o professor Jaguar.

A secretária municipal da defesa social e da cidadania (Semdec), Georlize Teles, o diretor geral da GMA, coronel Enilson Aragão e o diretor adjunto, tenente PM Jonatas Santos entregaram coletes aparadores de chute, aparadores de soco, cama elástica, bola e colchonetes, além de bola feijão, utilizada para o treinamento funcional.

Os equipamentos foram adquiridos através da Semdec, para fortalecer a cultura do bem estar físico entre os servidores. "Todas as ações voltadas para incrementar o CT da GMA buscam oferecer um espaço adequado para a prática de atividade física e com diversas modalidades, que possibilitam aos GMs a oportunidade de cuidar do corpo, com lazer e interação entre seus pares" afirmou o coronel Enilson.

Segundo o professor Jaguar, o MMA é uma atividade que proporciona coordenação motora, reflexo, agilidade, explosão, entre outros benefícios. "É uma mistura de artes marciais e cada professor tem uma didática, como no solo ou em pé. Estou convidando os GMs para virem experimentar esse novo estilo e conhecer a minha didática, que vai ser muito legal. Espero a presença de todos".

CT GMA
Além do MMA, o Centro de Treinamento da GMA oferece diversas modalidades que os guardas podem participar e inscrever os seus familiares. Lá é possível praticar natação, hidroginástica, hidroboxe, ginástica funcional, badminton, judô, jiu-jítsu, boxe chinês, taekwondo, kung fu, defesa pessoal, corrida e corrida monitorada.

Da assessoria
Foto: Ascom/GMA



Esportes
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Por Kleber Santos
26/05
08:26

O Núcleo de Competência em Petróleo e Gás de Sergipe

Ricardo Lacerda*

Sem que a sociedade se tenha dado muito conta, nas últimas semanas foram realizados eventos que demarcam conquistas institucionais de grande significado para o desenvolvimento econômico, social e científico de Sergipe.

Em menos de trinta dias, foram anunciados o lançamento de editais para pesquisas científicas e tecnológicas pela Fundação de Apoio à Pesquisa e à Inovação Tecnológica do Estado de Sergipe (Fapitec), no montante de R$ 12 milhões;a implantação das novas instalações do parque tecnológico de Sergipe (SergipeTec), com investimentos superiores a R$ 33 milhões de reais, a ser entregue até o final do ano, em área anexa ao campus central da Universidade Federal de Sergipe; e finalmente, na última quarta-feira, dia 21, foi inaugurada a sede do Núcleo Regional de Competência em Petróleo, Gás e Biocombustíveis de Sergipe (NUPEG), também situado no campus da UFS.

A realização de tais eventos reflete a caminhada, iniciada ainda no governo Albano Franco, para fomentar a formação de Sistema Regional de Inovações (SRI). Nesse momento alcança-se um novo patamar de maturidade e são colhidos resultados significativos de um direcionamento,adotado no início da atual administração, de canalizar as energias do sistema de inovação local para o atendimento das demandas econômicas e sociais postas pelos desafios do desenvolvimento sergipano.

Esse é o ponto a ser perseguido diuturnamente, o compromisso efetivo do SRI em empregar o potencial de desenvolvimento científico e tecnológico local para atender demandas reais do desenvolvimento sergipano, sejam demandas do setor produtivo, sejam demandas das políticas públicas de atendimento às necessidades da população.

Chama a atenção o foco dos editais de pesquisa da Fapitec. Contemplamtanto as ações mais tradicionais, como a concessão de bolsas de iniciação científica e tecnológica para alunos da rede estadual e do ensino superior e de bolsas de mestrado e doutorado, quanto outras iniciativasmais inovativas e com potencial também de grande retorno social.

Este é o caso do edital específico para que docentes e pesquisadores vinculados às universidades e faculdades avaliem (e apresentem propostas), sob critérios científicos, as políticas públicas que estão sendo implementadas em umadiversidade de áreas. São projetos que visam analisar e avaliar programas que estão em andamento nas áreas de inclusão social, segurança, planejamento, finanças públicas, saneamento e tecnologia da informação.
O objetivo explícito é identificar o que vem alcançando ou não resultados e quais são os problemas encontrados, a fim de aperfeiçoar os instrumentos empregados.

Tecnologia apropriada

Com muito esforço institucional envolvido, Sergipe vem estreitando a enorme distância entre a sua base de riquezas mineirais e o conhecimento científico e tecnológico requerido na exploração e beneficiamento de tais riquezas.

A exploração das riquezas minerais em Sergipe deu seu grande salto na década de sessenta, quando foi iniciada a prospecção e extração de petróleo no campo de Carmópolis e foi instalada a primeira fábrica de cimento. Entre as décadas de setenta e oitenta, a indústria de base se consolidou em Sergipe, com a implantação da Unidade de Produção de Gás Natural (terminal do Tecarmo),  a FAFEN e a mina Taquari-Vassouras de exploração de potássio.

Todavia, mesmo considerando a valorosa contribuição dos pesquisadores da escola de química, que veio a ser incorporada à Universidade Federal de Sergipe, somente na década de 2000 foram criados os cursos superiores especializados para a formação de recursos humanos e desenvolvimento científico e tecnológico voltados para a exploração dessas riquezas.

Atualmente Sergipe já conta com cursos de geologia e das engenharias de petróleo, ambiental e mecânica, além de de cursos de pós-graduação que formam núcleos de pesquisas com potencial para se dedicar ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas a essas atividades.

NUPEG

A implantação do Núcleo Regional de Competência em Petróleo, Gás e Biocombustíveis de Sergipe (NUPEG), unidade integrante da Universidade Federal de Sergipe, é fruto do empenho conjunto da instituição, do Governo de Sergipe e da Petrobras,com o obejtivo de fincar em nosso estado um polo de pesquisa e desenvolvimento tecnológico especializado na atividade econômica mais estratégica para o futuro de Sergipe.É um passo fundamental para que Sergipe participe do esforço nacional de pesquisa e desenvolvimento tecnológico na temática de petróleo, gás natural e biocombustíveis.

É também uma oportunidade para adensar localmente uma parcela das atividades da cadeia produtiva e de conhecimentos que giram no entorno da exploração, produção e refino de petróleo. (Ver no Quadro a descrição dos laboratórios de pesquisa que integram o NUPEG).

O esforço que está sendo aplicado nessa iniciativa, que se articula a outras dimensões da política de fomento ao desenvolvimento científico e tecnológico, é um exemplo de investimentos em desenvolvimento institucional que fazem a diferença no longo prazo.

É uma demonstração também de que é equivocada a percepção de que os investimentos para capacitação em ciência e tecnologia formam um mundo à parte, que pouco diz respeito ao dia a dia dos cidadãos. 



*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
26/05
07:14

Zona de Expansão - OAB-SE discute hoje limites de Aracaju com São Cristóvão

 Fórum em Defesa da Grande Aracaju e a Frente Ampla em Defesa da Zona de Expansão para Aracaju (FAZE) vão acompanhar  a reunião no Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, nesta segunda-feira, 26, às 18h30min, na Sede da Ordem, na  Avenida Ivo do Prado, 1.072, Bairro São  José. Um dos pontos de pauta será o processo administrativo nº 437/2013, requerido pela Deputada Estadual Ana Lúcia Menezes e pela Frente Ampla em Defesa da Zona de  Expansão para Aracaju (FAZE). A intensão da parlamentar e da Comunidade é que a OAB ajuíze ação visando a manutenção de toda a área em Aracaju, dando fim à  polêmica que envolve o limite entre Aracaju e São Cristóvão na Zona de Expansão Urbana de Aracaju.  O relator é o conselheiro Marcel Costa Fortes e o relator revisor é o conselheiro Clodoaldo Andrade Junior.    



Política
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Por Eugênio Nascimento
25/05
18:50

Um Cão Andaluz

Clóvis Barbosa
Blogueiro e conselheiro do TCE-SE

Um Cão Andaluz foi o filme de estréia de Luis Buñuel que contou com a colaboração do artista Salvador Dali. Lançado em 1928, é um dos marcos da cinematografia mundial, cuja imagem que ainda hoje é lembrada como impactante e pavorosa é o de uma navalha cortando um globo ocular. Lembrei-me desse filme no dia de ontem ao ler a “autobiografia” de Alice B. Toklas, escrita por Gertrude Stein, o grande amor de sua vida. É que Gertrude foi viver em Paris nos anos de 1920 e coube a ela a invenção da expressão “geração perdida”, aplicada aos artistas que viveram naquela década na capital francesa.  Confesso que sou emotivo. Quando visitei recentemente Paris, chorei ao divisar a casa de número 27 da Rue de Fleurus, no complexo Montparnasse. Era uma noite muita fria e poucas pessoas andavam no local. Eu estava sozinho a imaginar Picasso (dizem que foi uma descoberta de Stein), Ernest Hemingway, Matisse, Scott Fitzgerald, Jean Cocteau, Apollinaire e tantos outros entrando naquela casa. Entrei num pequeno bar e pedi um conhaque. Tomei de uma só golada e fui embora, deixando a casa para trás. Eu tinha andado muito. Praticamente caminhei de Alesia até o final de linha onde tinha uma estação de trem ou terminal de ônibus. Depois voltei para Alesia e fui caminhando por toda a Avenue Maine. No retorno, pela mesma avenida, um turbilhão de imagens passou pela minha cabeça. A minha infância pobre no pobre Bairro da Liberdade, em Salvador de Bahia, andando em ruas e trechos com nomes curiosos, como Ladeira de Pedra, Curuzu, Largo da Central, Baixo da Gengibirra, Ladeira do Inferno, Largo do Tanque, Fim de Linha da Liberdade, etc.

Lembrava-me daquele menino raquítico, que era chamado de “amarelo empapuçado”, com 13 anos e já trabalhando para ajudar a família de dez irmãos na época; estudava pela tarde e trabalhava pela manhã numa loja na Baixa do Sapateiro; aos sábados à tarde ganhava uns trocados vendendo gibis na porta do cinema Santo Antônio e aos domingos passava cera em sete escritórios no Ed. Rui Barbosa; a minha alegria quando passei no exame de admissão do Instituto Normal Isaias Alves; minhas noites no Instituto Goeth, Teatro Vila Velha, Cine Rio Vermelho, Concha Acústica do Teatro Castro Alves, programas de auditório na Rádio Sociedade da Bahia e Rádio Excelsior, no Clube de Cinema da Bahia, carnaval no Clube Palmeiras da Barra Avenida; tentativas, muitas vezes frustradas, de furar o bloqueio do Fantoches, Iate Clube e Clube Espanhol nos bailes de carnaval; e Aracaju quando aqui cheguei com as suas marinetes e kombis fazendo o transporte coletivo; os meus primeiros amigos, a Jovreu, Editora Jovens Reunidos, o Clube de Cinema de Sergipe, a Faculdade de Direito, a advocacia, a Universidade Federal de Sergipe, a Prefeitura de Aracaju, o Governo do Estado, lugares onde deixei a minha energia pela inteireza da minha dedicação; o saudoso Cacique chá; o cachorro quente de Seu João, vizinho à Catedral; a moqueca de camarão do Bairro Soledade; o churrasco de Carioca na Rua Porto Alegre com Pernambuco, onde cada pedaço de carne ou de osso era disputado com os  olhares tristes dos cães que rodeavam a pequena churrasqueira; a sopa mão de vaca de Luis Ponta de Ouro, no Bairro Santo Antônio.

Eram recordações de dias tristes e felizes. Mas é isso: a felicidade é sempre amarga, como o sol é ilusório. Releio Kafka. A Metamorfose. Pela décima vez? Não sei se mais ou menos. Não quero saber do conceito que Theodor Adorno, da Escola de Frankfurt, de Georg Lukács e de Freud sobre a obra kafkaniana. A Metamorfose e O Veredicto eu estraçalho em um dia. Invado o mundo de Georg Bende (Mann) e Gregor Samsa. Pronto! Falei em contos, lá vêm as lembranças: Ezequiel Monteiro. Tudo bem, não precisam ficar nervosos. Eu sei que Luiz Eduardo Costa é brilhante e tantos e tantos outros que desfilam com as suas penas nos jornais de Sergipe. Mas, por favor, não confundam as coisas. Eu sei que não sou crítico literário, mas tenho bom senso. Certa vez tive uma discussão com um professor de teoria literária. Lá pras tantas eu achei de defender a tese de que Chico Buarque e Vinícius de Moraes eram poetas com “p” maiúsculo e que nada ficavam a dever aos grandes poetas brasileiros. Pronto, o mundo desabou sobre mim e a minha ignorância. Isso tem uns quinze anos aproximadamente. Pois bem, hoje, a intelligentsia brasileira já reconhece Vinícius como um grande poeta. Aliás, quando vou ao Rio de Janeiro, quem quiser me encontrar pode ir na Toca do Vinícius, na Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema. Ali eu recebo aulas de Teoria Literária de um professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, que por prazer, toca a Toca. Um dia eu disse a um colega que se diz meu ex-amigo: meu irmão, você já viu o texto de Ezequiel Monteiro no Jornal da Cidade? Esse cara é um louco, ele é kafkaniano.

E continuava enfático defendendo o talento de Ezequiel. Não fui feliz na minha abordagem. Não tinha com quem discutir. Peguei uns quinze artigos de Ezequiel e guardei. Na próxima viagem ao Rio vou levá-los para discutir com meu amigo professor de teoria literária. E o pior é que estou com saudade do seu texto, principalmente dos seus gostosos contos, cheios de mágoas pelos amores perdidos ou impossíveis que faz-nos lembrar a poesia de Florbela Espanca: “Eu sou a que no mundo anda perdida, eu sou a que na vida não tem norte, sou a Irmã do Sonho, e desta sorte sou a crucificada, a dolorida (...). Sou aquela que passa e ninguém vê, sou a que chamam triste sem o ser, sou a que chora sem saber porquê. Sou talvez a visão que Alguém sonhou, Alguém que veio ao mundo pra me ver e que nunca na vida me encontrou”. Jean Vigo, cineasta francês e de curta carreira, ao se reportar sobre a imagem contida no filme de Buñuel, afirmou que “essa imagem é mais pavorosa do que o espetáculo de uma nuvem tapando uma lua cheia”. Um Cão Andaluz, também é retocado por uma coleção de imagens sem qualquer conexão, impactantes e contraditórias. O que dizer de um cavalo morto em um piano? o que falar de formigas saindo da mão de alguém? Bem, a verdade é que este filme é considerado revolucionário na história do cinema, pois rompe com toda a lógica e linearidade narrativa existente nos filmes daquela época, sendo uma combinação do representativo, do abstrato, do irreal e do inconsciente. Tento, aqui, hoje, fazer uma viagem ao surrealismo. Mas, o da imagem real combinada com as recordações.

(Ensaio republicado a pedido. Foi publicado aqui no Jornal da Cidade, edição de sábado, 30 de abril de 2011, Caderno B, pág. 06).



Coluna Clóvis Barbosa
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Por Eugênio Nascimento
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