27/05
20:24

Nove carretas vão abastecer postos na noite deste domingo

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Sergipe - Sindpese - informou neste domingo, dia 27, que nove carretas da BR Distribuidora estão nesse momento na base de distribuição, sendo carregadas e sairão escoltadas por homens do Exército, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar. A BR não nos informou quais postos receberão os produtos na noite de hoje.

Teremos gasolina em alguns postos:
Coelho e Campos
Laranjeiras 
Tancredo Neves
DIA
João Alves 
Marechal Rondon
Francisco Porto



Variedades
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/05
20:19

Aracaju - Prefeito decreta estado de emergência, mas serviços essenciais estão mantidos

O prefeito Edvaldo Nogueira reuniu o secretariado neste domingo, 27, e decretou estado de emergência em Aracaju em decorrência da paralisação dos caminhoneiros. Pelo decreto, está assegurado o funcionamento dos serviços públicos essenciais. No encontro, o prefeito e os secretários definiram que as escolas, as unidades básicas de saúde, as Unidades de Pronto Atendimento e o transporte de pacientes renais crônicos e com câncer serão mantidos.

A coleta do lixo domiciliar também está assegurada. O Transporte Público funcionará nesta segunda-feira com 70% dos veículos. A Guarda Municipal manterá todo o seu efetivo trabalhando, sem descontinuidade. Os Centros de Referência da Assistência Social, os abrigos e casa-lares continuarão funcionando. O programa de tapa-buracos está mantido, enquanto o recapeamento ficará paralisado.

O Procon Municipal manterá a fiscalização dos postos de combustíveis. Está descartado o ponto facultativo nesta segunda-feira, 28. Um Comitê de Gerenciamento de Crise se manterá em constante diálogo para avaliar a situação de cada área e medidas posteriores que se fizerem necessárias.



Política
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/05
18:45

Transporte coletivo - Três empresas anunciam frotas de 100% nesta segunda-feira

As empresas de transporte coletivo Progresso, Tropical e Paraíso  divulgaram comunicado conjunto revelando que atuarão com 100% de suas capacidades de dias utéis, nesta segunda-feira. Subscreve a  informação o empresário Adierson Monteiro.



Variedades
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/05
17:53

UFS reavalia posição e suspende as aulas desta 2ª feira, 28

 

Após uma nova avaliação da conjuntura nacional provocada pela paralisação dos caminhoneiros em todo o país e considerando as precárias condições de mobilidade urbana, além da divulgação do fim dos estoques de combustíveis no Estado, a Reitoria da Universidade Federal de Sergipe (UFS) decidiu suspender as aulas dos cursos da graduação e pós-graduação nesta segunda-feira, dia 28. Funcionarão apenas os serviços essenciais de manutenção, vigilância e saúde, incluindo os Hospitais Universitários de Aracaju e de Lagarto. A suspensão das aulas  vale para todos os campi da UFS  - Aracaju, São Cristóvão, Lagarto, Laranjeiras, Itabaiana e Sertão.

 



Variedades
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/05
14:18

O Painel de Porto da Folha: Além dos traços e das cores

José Paulino da Silva
Professor Emérito da UFS

Há cerca de duas semanas fiquei sabendo pelas redes sociais e agora, mais recentemente pela imprensa sergipana que o padre Melchizedeck, atual pároco da Igreja de Porto da Folha, município mais antigo do sertão sergipano, está querendo destruir um painel existente no fundo do altar-mor daquela Igreja.  O painel, datado de 1970, é de autoria do franciscano Frei Juvenal Vieira Bomfim. A obra de arte retrata a vida laboriosa do povo sertanejo: vaqueiros tangendo o gado, homens carreando carro de bois, outros trabalhando na enxada, mulheres fazendo renda, pessoas trabalhando em lagoas de cultivo de arroz, professora dando aula. Cenas da vida interiorana que tem como centro a representação do Espírito Santo e Jesus com o seu Coração Santo e Amoroso. Enfim, o artista traduziu com muita beleza uma importante ideia: Igreja, mais do que quatro paredes, é o povo de Deus que caminha em meio aos seus afazeres cotidianos e assim constrói um mundo melhor. 

O contexto histórico em que aquela obra foi feita, início da década de setenta, era um dos momentos em que a Igreja Católica se encontrava mais engajada na defesa do povo pobre e oprimido da América Latina. Com a realização do Concilio Vaticano II (em 1962) e a Conferência Episcopal dos Bispos da América Latina, ocorrida na cidade de Medelín (Colômbia) em 1968, a Igreja Católica consolidou  sua pregação e sua prática pastoral focada na opção preferencial pelos pobres. Esta opção acarretava um profundo compromisso transformador para o cristão como membro mais atuante na sociedade em que vivia. Como diz Leonardo Boff “para o cristão não é suficiente a pura fé, mas a fé que se mostra libertadora das servidões aqui na Terra”.

Em nenhuma época da história da Igreja desde o descobrimento das Américas, esta instituição religiosa reuniu em suas fileiras tantos bispos e padres comprometidos com a defesa do povo pobre e oprimido do continente latino americano. Dom Helder Câmara (PE), Dom Evaristo Arns (SP), Dom José Maria Pires (PB, Dom Pedro Casadaglia (TO), Dom Fragoso (CE), Dom José Vicente Távora e Dom José Brandão, ambos de Sergipe, são alguns nomes do episcopado que acreditavam e pregavam que a salvação do cristão não é assunto para depois da morte. A salvação começa com a libertação de tudo aquilo que o oprime aqui na Terra.

O painel em questão permite que se veja além de suas formas e suas cores. Segundo analistas, aquela obra artística traduz toda uma época de efervescência da Igreja inspirada nas Comunidades Eclesias de Base. Na década de 1970, o governo brasileiro mantinha com mãos de ferro uma forte repressão coa o povo e seus líderes populares. Era um período nebuloso que envolvia numa espécie de manto de trevas, a sociedade com suas instituições. Neste período, as dioceses daqueles bispos corajosos tornaram-se fortalezas de esperança para os que eram perseguidos. A diocese de Propriá fazia parte da ala corajosa e atuante da Igreja Católica do Nordeste. Quantas vezes o bispo Dom Brandão se posicionou firmemente em defesa da justiça social e dos direitos humanos do seu povo! Quero crer que os religiosos que pretendem demolir o painel não estejam devidamente conscientes da história de luta do povo daquela diocese na qual se insere a Igreja de Porto da Folha.

É de se perguntar: Naquele ano em que o painel veio à lume, onde estariam estes religiosos que querem destruí-lo? Mas, certamente, fizeram seu curso de Teologia como exigência de sua formação seminarística. Tanto o padre quanto o bispo, quando estudaram Direito Canônico devem ter aprendido que, uma paróquia não é propriedade de um pároco e nem a diocese é propriedade de um bispo. O painel da Igreja de Porto da Folha, portanto, não é propriedade do padre Melchizedeck, nem  pertence ào bispo Vitor Menezes. Trata-se de um bem material e imaterial que constituiu um patrimônio histórico-cultural do povo de Porto da Folha.

Afinal, por que querem destruir o painel? Informações que têm chegado até ao meu conhecimento, querem destruir o painel porque não gostam daquela pintura. Melhor dizendo, não concordam com a mensagem explícita nas imagens ali contidas. Destruir uma obra de arte porque não concordam ou não gostam de sua mensagem é um péssimo exemplo de obscurantismo. Uma ofensa grosseira à história da fé comprometida de um povo que teve à frente um bispo respeitado como Dom |José Brandão. Imaginem se cada papa que não concordasse ou não gostasse de alguma obra de arte da Capela Sistina mandasse destruir aquela obra, por exemplo, o painel do Juízo final!

A destruição do painel da Igreja de Porto da folha, não é uma querela paroquial que acabará se o painel for extinto. Se tamanha ofensa ao povo de Porto da Folha vier a se concretizar, o que não acredito que aconteça, esta atitude dos eclesiásticos abrirá um profundo fosso entre eles e o povo da região sertaneja, incluindo os fiéis da diocese de Propriá. Não há castigo pior para um pastor do que sentir-se só em meio ao seu rebanho!

Aprendi com minhas leituras sobre problemas que afetam a vida dos padres e bispos, que se eles não tiverem a humildade e a coragem de caminharem junto ao seu povo, mais cedo ou mais tarde a solidão virá ao seu encontro. Cairão no ostracismo que pode leva-los ao vazio espiritual e a outros problemas de degenerescência humana. Por uma questão de humanidade e de piedade cristã torço para que esta município de Porto da Folha, o Conselho de Cultura e o Departamento de Patrimônio do Estado, o Departamento de História da UFS, cada um dentro de suas competências se somem para salvar o painel em questão. E assim ajudem a estes religiosos a remover suas decisões, deixando intacta aquele painel, que pertence ao patrimônio cultural, histórico do povo de Porto da Folha.

Doutor em Filosofia e História da Educação


Colunas
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/05
13:50

Coluna Primeira Mão

Deso: onde vai parar?


A Deso mudou estatuto, mudou nome de diretoria para empossar pessoas que não preenchem os requisitos mínimos exigidos pelo seu estatuto bem como da nova lei das S.A's. Diretoria de Meio Ambiente e Engenharia passou a ser diretoria de meio ambiente e expansão. A diretoria de operações passou a ser diretoria de operações e manutenção. Para as diretorias acima citadas, o estatuto exigia formação de nível superior na área da engenharia, exigência que foi excluída para satisfazer os interesses de indicação política. Pior é que tudo isso acontece sob a omissão de instituições que no passado fizeram história como o CREA, o Sindicato dos Engenheiros e o próprio Sindisan.

Fim dos jetons

São muitos os conselhos estaduais disso ou daquilo na estrutura governamental do estado. Se o governador Belivaldo Chagas quer mesmo reduzir despesas e otimizar recursos, por que não cortar pela metade os jetons pagos a esses conselheiros? Para alguns membros do primeiro e do segundo escalões, essas gratificações são verdadeiros altos salários, especialmente quando os conselheiros participam de mais de um conselho.

Uso e abuso

Quando Belivaldo Chagas assumiu o governo estadual, o secretário da Saúde sabia que tinha seus dias contados. O novo governador arrumou um pretexto e esperou Jackson Barreto voltar de suas férias e demitiu o seu primo. Demitido, Almeida Lima saiu "atirando". E fez uma denúncia grave sobre o uso político da Secretaria da Saúde até por comunicadores.

Força dos caminhoneiros

Os caminhoneiros se tornaram o mais poderoso sindicato do Brasil. Salvo engano, essa é a segunda vez que eles param o país, que tem quase total dependência em relação ao transporte do PIB brasileiro. Cerca de um milhão de pessoas compõem essa categoria que, quando atua, conta com o apoio do sindicato patronal ligado a esse tipo de transporte rodoviário.


 

 

 

 

Roubo de celulares

 

O roubo de celulares é um dos crimes mais populares em Sergipe. Os bandidos que praticam essas transgressões da lei não o fazem para a montagem de coleções pessoais desses telefones. Ao contrário, eles os vendem a receptadores a preço de banana, que repassam a outros consumidores. Salvo engano dessa coluna, as investigações policiais não são bem-sucedidas quando se trata de receptação.


Quadro lamentável



É lastimável que os sergipanos tenham 250 cemitérios e apenas um esteja funcionamento legalmente. O MPE, fiscal da lei, precisa tomar providências a esse respeito. O odor de corpos em putrefação no Cemitério São João Batista já é forte para quem passa pelas sua calçada e insuportável para os defuntos enterrados nas "gavetas". Em lugares mais civilizados, as autoridades governamentais têm mais respeito pelos que se foram.


Fragilidade brasileira


Parte da mídia brasileira sempre bate na crise da Venezuela e lembra com frequência o problema do desabastecimento em termos de alimentos nos supermercados "bolivarianos". Com a crise provocada pelos caminhoneiros brasileiros, em apenas quatro dias o Brasil também tem sofrido uma crise profunda de desabastecimento em ceasas, feiras, supermercados, etc. A prudência é recomendável a todo o mundo.


De olho na Ordem


O advogado Cristiano Cabral pretende disputar a Presidência da seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), em novembro próximo.


Confederação


O deputado federal Laércio Oliveira em ritmo de dedicação total à campanha pelo comando da Confederação Nacional do Comércio (CNC).


Questão de grana


O contraste não poderia ser mais gritante. De um lado, temos o processo interminável de reforma da Catedral de Aracaju, enquanto de outro está a acelerada construção de um imponente templo do empresário da fé Edir Macedo perto do Terminal do D.I.A. Num caso, falta dinheiro e, no outro, a grana nunca foi problema.


Um novo HUSE


O Governo do Estado precisa organizar para pleno funcionamento esse sistema estadual de saúde ou construir um novo Hospital de Urgência para Sergipe. Esse HUSE precário que aí está funcionaria para atender Aracaju e Municípios vizinhos (São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro, Barra dos Coqueiros, Laranjeiras, Itaporanga D’Ajuda, Riachuelo, Divina Pastora e Pirambu) além de receber os casos mais complicados de todo o Estado, e um outro no interior, entre Itabaiana e Lagarto, capaz de dar atenção para os demais municípios sergipanos.


Sergipe ausente


A seleção brasileira de futebol não terá nenhum sergipano entre os seus jogadores na copa deste ano. Pela seleção canarinho só passou Clodoaldo, na Copa de 1970, nascido em Sergipe mas criado em Santos, em São Paulo. O sergipano Diego Costa jogará pela Espanha, uma das seleções favoritas ao título.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/05
13:43

O acaso do acaso

Clóvis Barbosa
Blogueiro e Conselheiro do TCE/SE

Em 1727, ou 1729, numa noite fria de sexta-feira santa, Leipzig, uma pequena cidade alemã, situada na região da Saxônia, iria testemunhar a apresentação da obra de Johann Sebastian Bach, Paixão Segundo São Matheus, que tratava do sofrimento e a morte de Cristo. A Igreja de São Tomás estava repleta e curiosa para ver e conhecer mais uma obra daquele que era um homem dos sete instrumentos da música erudita da cidade. Bach foi compositor, cravista, regente, kepellmeister, organista, professor, violista, kantor e violonista, mas nunca reconhecido fora dos limites de sua cidade. Muitos deixaram a igreja antes do término do espetáculo e o pequeno público que ficou até o final aplaudiu com cara enfadonha. Também, com mais de três horas de duração, tinha que ter muita paciência para aguentar as duas partes da peça, constituídas de 68 números alternados por coros, recitativos, ariosos, árias e corais. A obra teve mais algumas revisões e duas ou mais apresentações, sem qualquer repercussão. Mais uma vez ficava constatado que santo de casa não faz milagres. Bach morreu em 1750 sem ver qualquer reconhecimento ao conjunto do seu trabalho musical. Em 1829, 79 anos após a sua morte, o compositor, pianista e maestro alemão Felix Mendelssohn, o grande autor da suíte Sonho de uma Noite de Verão, interessou-se pela composição de Bach, tendo-a apresentado em Berlim uma versão abreviada da obra. Foi um sucesso estrondoso de público e de crítica. A partir daí a vida musical de Bach passou a ser escarafunchada, sendo descobertas extraordinárias peças de sua autoria, como O Cravo bem-Temperado, A Arte da Fuga, Concertos de Bradenburgo e tantas outras, que o levou ao patamar de o maior nome da música barroca de todos os tempos. E qual a lição de moral desse exemplo? É que nada foi planejado e o sucesso de Bach adveio de um acaso. 

Em 1968 a França era presidida por Charles De Gaulle. Um pequeno incidente sem maiores preocupações ocorreu na Universidade de Paris, em Nanterre, cidade próxima da capital francesa. Ao invés de dialogar com os estudantes, a direção da escola resolveu radicalizar com a meninada. Não deu outra, a reação foi violenta e daí iniciou-se uma série de conflitos no campus. Com os nervos à flor da pele, a administração resolveu fechar a escola e começar um processo de caça às bruxas para expulsar os líderes da insurreição acadêmica. Resultado: as medidas adotadas pelos dirigentes universitários resultaram numa das maiores ondas de protestos ocorridas em Paris, liderada inicialmente por estudantes da Universidade de Sorbonne, uma das mais tradicionais e respeitadas escolas do mundo, que de uma simples reivindicação, por reformas no setor educacional, culminou com uma greve de operários que teve a participação de mais de 9 milhões de pessoas. As chamadas passeatas de maio de 1968, com as suas barricadas, repressão violenta do aparelho policial, batalhas campais, e participação ativa da população, colocou Paris em pé de guerra. A vida parisiense só voltou ao normal a partir da renúncia de Charles De Gaulle à presidência e as eleições convocadas para o mês subsequente, junho de 1968. O simbolismo representado por maio/68 é o de que o mundo mudaria completamente a partir daquele momento. Aquele foi o ano que não terminou e que teve uma grande influência nos movimentos de transformação social que varreram a humanidade, ora avançando, ora retroagindo. A verdade é que tudo aquilo poderia ser evitado acaso a linguagem e a argumentação preponderassem entre o Reitor da Universidade de Paris e seus estudantes. Muitas vezes, no entanto, como foi maio/68, o acaso veio contribuir para um acontecimento que viria revolucionar o mundo contemporâneo.

Em 1922, um grupo de artistas brasileiros resolveu iniciar um movimento que propunha uma nova visão de arte, “a partir de uma estética inovadora inspirada nas vanguardas europeias”. Comemorávamos o centenário da Independência quando o poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista e ensaísta Mário de Andrade, o grande autor de Pauliceia Desvairada, junto com outros intelectuais, sem maiores intenções, fazia surgir um dos acontecimentos que revolucionaria o cenário cultural brasileiro e que ficou conhecido como a “Semana da Arte Moderna”. Realizada no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 11 e 18 de fevereiro de 1922, tinha como características a ausência de formalismo, a ruptura com o academicismo e tradicionalismo, crítica ao modelo parnasiano, influência das vanguardas artísticas europeias, ou seja, com o futurismo, cubismo, dadaísmo, surrealismo e expressionismo, valorização da identidade e cultura brasileira, fusão de influências externas aos elementos nacionais, liberdade de expressão, aproximação da linguagem oral, com utilização da linguagem coloquial e vulgar e a exploração de temas nacionalistas e cotidianos. Resumindo, a Semana de 22 constituiu-se no início da consolidação do modernismo em nosso país, rompendo completamente com os eventos anteriores. Evidente que o acontecimento chocou grande parte da população e o academicismo existente nas discussões artísticas até então. Para Di Cavalcante, um dos idealizadores dessa festa, seria uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulista. Mas nem tudo foram flores. A Semana de 22 sofreu forte reação de setores da inteligência brasileira de então, a exemplo do manifesto furibundo de Monteiro Lobato, e mesmo assim a Semana de Arte Moderna tornou-se um dos marcos mais importantes da história cultural brasileira. Um acontecimento sem maiores ambições que se transformou numa revolução.

Em 1956 um grupo de jovens fundava uma banda de rock na cidade de Liverpool, Inglaterra, com o nome de Silver Beetles. Eram eles: John Lennon (guitarrista e vocalista), Paul Mc Cartney (baixista, compositor e vocal), Ringo Starr (baterista) e George Harrison (guitarrista e vocalista). Mais tarde, a banda mudaria o nome para The Beatles e, a partir de 1960, uma verdadeira revolução tomou conta do mundo. Estava implantada uma nova forma de interpretar. As letras com temas marcantes e o estilo visual agradaram os jovens, influenciando todo o planeta. Ainda hoje, suas músicas são reverenciadas por todas as faixas etárias, numa prova cabal da supremacia do talento que nasce sem maiores pretensões. Para se tornar o mais bem-sucedido e aclamado grupo da história da música popular, foram agregados ao simbolismo representado pelos meninos de Liverpool os ideais de um mundo revolucionário e de transformação. E realmente a sua influência foi intensa nos movimentos sociais e culturais a partir da década de 60. O surgimento desse fenômeno chamado de The Beatles foi tão importante que os seus membros foram coletivamente incluídos na compilação da revista Times das 100 pessoas mais importantes e influentes do século XX. O que estou tentando demonstrar com esses exemplos é que os fatos ocorridos nem sempre são motivo de nossa aspiração. Eles acontecem, muitas vezes, pela conjunção de vários elementos influenciadores, conhecidos e desconhecidos, sentimentos bons ou maus, que se apossam dos nossos momentos. A rivalidade criativa entre John Lennon e Paul Mc Cartney, por exemplo, durante os anos da beatlemania, rendeu as mais belas músicas da discografia da banda. A vida é assim, cheia de encontros e desencontros. Um dia sofremos perdas, doenças, em outro, usufruímos conquistas, alegrias. O importante é aprender a suportar aquilo que não podemos evitar.  

A bossa nova foi um movimento musical que surgiu no Brasil na segunda metade dos anos 50 do século XX. Na década de 60 fez muito sucesso nos Estados Unidos. Os estudiosos consideram sua batida como uma mistura do jazz norte-americano, do samba, choro, blues e a moda de viola. A sua principal característica é o ritmo calmo e suave, músicas cantadas em tom baixo, como se fosse uma fala ou uma narração. João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes são considerados os pais desse ritmo que revolucionou a música popular brasileira. Um dos grandes hits da bossa nova é uma canção composta em 1956 por Vinícius de Moraes e Tom Jobim, Chega de Saudade, que após passar por vários intérpretes consagrou-se na voz de João Gilberto, um baiano de Juazeiro que estudou em regime de internato numa escola aracajuana. Era um homem excêntrico. Foi retratado no livro Ho-ba-la-lá, do alemão Marc Fischer, como uma pessoa que desde jovem tinha dificuldades em cumprir acordos financeiros, vivia com dores de dente e perdia empregos por não respeitar horários. O fim de vida de João Gilberto não tem sido fácil. Recentemente, foi despejado do apartamento onde vivia e foi morar de favor em outro local. Ao lado disso, uma dívida impagável com um produtor, com um banco e com seu ex-senhorio. Isso tudo nos leva a refletir sobre as barreiras que temos de ultrapassar no dia-a-dia. Os ventos favoráveis e desfavoráveis na vida de João Gilberto são frutos do acaso? Segundo Maquiavel, metade de nossas ações é guiada pela fortuna, metade pela virtù. A fortuna é o acaso, a sorte, o azar, o fato positivo ou negativo. A virtù significa o agir de forma viril, varonil, determinada. Explico: metade do que somos se deve à sorte ou azar, à fortuna ou ao infortúnio. A outra metade depende de nossas ações, do nosso empenho. Estamos, portanto, dependendo diuturnamente do embate entre o acaso e a razão. A questão é saber quem vai ser o vencedor nesse duelo.     

Clóvis Barbosa escreve aos domingos, quinzenalmente.


Coluna Clóvis Barbosa
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/05
13:21

Estamos sentados em um paiol de pólvora?

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe
 
Sim e não. Há sim uma insatisfação generalizada entre a população pobre e uma grande frustração da classe média que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas a probabilidade que o atual cenário de desalento conforme um quadro de convulsão social de grandes proporções ou que ocorram manifestações gigantes de rua, como em 2013 e em 2016 (tipicamente mobilizações de classe média) ainda é relativamente baixa. 
 
A greve dos caminheiros, com o suporte de locaute das transportadoras, paralisou, em um pouco mais de 24 horas, o país de Norte a Sul. O impacto sobre o suprimento de combustíveis, de alimentos e de componentes para as linhas de produção de atividades industriais foi quase que imediato. Direta e indiretamente todos os principais modais de transporte foram afetados; seja por conta da falta de combustíveis, seja por dificuldade de acesso, a operação de portos, aeroportos e rodovias foi prejudicada. Nos centros urbanos, as redes de postos de combustíveis, supermercados e centrais de abastecimentos não tardaram a ser afetadas por problemas de suprimento.
 
A possibilidade de desabastecimento, mais do que o desabastecimento em si, não chegou a provocar pânico, mas gerou um frenesi que se alastrou feito pólvora, em uma velocidade espantosa, mobilizando a atenção de toda a população. Apesar dos constrangimentos e desconfortos causados, a maioria da população, aparentemente, foi simpática à paralisação, como se os protestos dos caminhoneiros em relação às seguidas elevações nos preços do diesel traduzissem a insatisfação generalizada da população, que foi amplificada nas últimas semanas em razão dos aumentos quase diários nos preços da gasolina. Pairou um sentimento de catarse coletiva, como que cristalizando a insatisfação generalizada com os rumos do país. 
 
Onda de insatisfação
Sob certo sentido, havia uma percepção de que uma onda de insatisfação com a crise econômica, com tudo que ela vem representando de desemprego e perdas de rendimento, com milhões de famílias sem alternativas de renda, poderia estourar a qualquer momento, para além da espiral de violência urbana que presenciamos. Nem o mais desavisado dos cidadãos deixou de perceber que as ruas das cidades médias e grandes se encheram nos últimos dois anos de biscateiros, de vendedores de balas, frutas e legumes e de malabaristas e flanelinhas nos semáforos. 
 
Ainda que improvável, a onda de insatisfações poderia ter surgido como convulsão social, brotada por meio de saques a supermercados e feiras livres, invasões em massa de prédios abandonados ou imolações públicas, a exemplo do que aconteceu na Tunísia em 2011, ainda que essa última não seja uma modalidade de protesto encontrada no hemisfério ocidental. Ou por meio de ações de setores mais estruturados, como greves gerais de trabalhadores ou, como se deu, a partir de paralisação dos caminhoneiros e transportadoras. Ou ainda, por meio de nova rodada de manifestações de rua. 
 
Não dá nem mesmo para afirmar que a mobilização dos caminhoneiros antecipe ou vá se desdobrar em outros movimentos de reinvindicação ou de protesto, mas a alma dos brasileiros está plena de insatisfações, ainda que não pareça que esteja pronta para explodir como um barril de pólvora.
 
Juros, câmbio, óleo e eleições 
Em um cenário de penúria e desalento da população pobre e de frustração e de queda do poder de compra de amplas parcelas da classe média, por um período que já se estende por mais de três anos, novos fatores negativos estão se sobrepondo e podem ser sintetizados em quatro elementos básicos: juros, câmbio, preço do barril de petróleo e instabilidade política interna. 
 
A expectativa de elevação da taxa de juros básicas dos EUA provocou desvalorização generalizada das moedas dos países periféricos e pôs em perspectiva dificuldades crescentes para as economias desses países se financiarem externamente. Desvalorização cambial e elevação dos juros externos impactam diretamente o endividamento em dólar de empresas brasileiras e podem gerar algum impacto sobre os preços internos, ainda que a recessão venha cuidando de manter os preços bem comportados. 
 
Brent
A cotação do barril de petróleo vem em uma espiral ascendente desde maio do ano passado por conta de acordo entre alguns dos principais países fornecedores para limitar a oferta mundial. Mais recentemente, a ameaça de que os EUA rompa unilateralmente o acordo internacional de controle do programa nuclear do Irã, o que pode alijar a oferta desse país do mercado, trouxe novo impulso aos preços, de forma que a cotação do barril do brent esteja se aproximando celeremente de US$ 80. 
 
Diante da política de preços adotada pela Petrobras de repassar imediatamente para os preços as variações da cotação do produto no mercado internacional corrigidas em reais pelas oscilações diárias do câmbio, o preço médio da gasolina ao consumidor subiu algo em torno de 18% desde julho de 2017. Quando, recentemente, o preço do litro de gasolina na bomba ultrapassou cinco reais em algumas cidades o sinal de alerta acendeu, patenteando que algo não ia bem com uma politica de preço que implica remarcações para cima quase diárias.
 
A nova política da Petrobras para os preços dos derivados de petróleo talvez não se sustente por muito tempo. Assim como o controle político do preço trouxe diversos prejuízos à empresa e consequências duras para o país, a modalidade de liberação adotada, acoplando os preços internos de forma imediata e sem mediação aos preços internacionais corrigidos pelo câmbio causa forte instabilidade e imprevisibilidade. Ficou patenteado que o sistema adotado pela Petrobras não se adequa à realidade de um país sujeito a fortes oscilações no câmbio.  
 
Finalmente a forte e prolongada crise política interna, que a permanência do ex-presidente Lula na prisão somente agrava, é o ultimo e talvez o mais importante, ingrediente do cenário de instabilidade que toma conta do país.

 
Extraído de https://br.investing.com/commodities/brent-oil-historical-data
 
*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
Primeira « Anterior « 1 2 3 4 5 6 7 » Próxima » Última

Enquete


Categorias

Arquivos