30/08
06:34

Adierson: "Se eu pensasse só em mim não entraria na política"

Presidente do PSDB fala da oposição a Edvaldo e das articulações do partido em Aracaju e outros Municípios

 

O empresário Adierson Monteiro anunciou ontem que, embora esteja posicionado na oposição ao prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB), já que está prestes a assumir o PSDB de Sergipe, sua relação com o prefeito continua "harmoniosa de maneira institucional". Adierson acredita que não há coincidência em Edvaldo ter anunciado a licitação do transporte urbano justamente no período em que ficou definido que ele assumiria o ninho tucano. "O prefeito é um homem ético e sério, que eu tenho certeza que não vai misturar política com o serviço público do transporte de Aracaju", disse Adierson, que reafirmou o compromisso com DEM para as eleições de 2012 na capital, mas acentuando que os demais municípios estarão abertos a outros entendimentos.

 

"Se eu pensasse só em mim não entraria na política. Mas todo homem de bem, pessoas de Deus, e de família, tem que se envolver com a política, para contribuir com a cidadania. Como cidadão seria mais cômodo ficar só como empresário, mas eu não poderia ser covarde de não aceitar esse convite do ex-governador Albano Franco (PSDB)", afirmou Adierson, em entrevista a Rádio Ilha FM, nesta segunda-feira. Segundo ele, todos os vínculos de tucanos com a prefeitura de Aracaju serão cortados. Com exceção da vereadora Miriam Ribeiro (PSDB), que receberá carta branca para deixar a legenda sem que o partido reivindique seu mandato. "Palavra e honra têm que ser assumidas. Mas no caso da vereadora Miriam, que sempre foi situação, não tem como agora passar por cima da ética e ser oposição", comentou ele.

 

Adierson também acentuou que o acordo do partido com o DEM é exclusivo para Aracaju, e que "nos municípios em que o partido estiver coligado com outros partidos, isso continuará". Na capital, o tucano pretende emplacar um nome do partido para disputar como vice do ex-governador João Alves Filho (DEM). Por conta disso é que surgem as especulações de que o ex-deputado federal José Carlos Machado aceite migrar para o PSDB para ser esse tal nome. "Machado já foi convidado para ingressar no PSDB, e se ele estiver no partido o nome dele será um dos nomes a estar em apreciação para ser o vice na chapa com João em 2012", disse Adierson, já na Rádio Jornal AM.

O advogado Emanoel Cacho foi convidado para assumir o comando do PSDB em Aracaju. (Da assessoria)

 



Política
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Por Eugênio Nascimento
30/08
06:15

André Moura pede apo io do governador por causa dos agentes d e Saúde

O deputado federal André Moura (PSC), acompanhado do também deputado Domingos Dutra (PT/MA), pediu o apoio do governador Marcelo Déda (PT), na tarde dessa segunda-feira (29), para o pagamento do piso nacional dos agentes comunitários de saúde e de combate às Endemias, em uma audiência no Palácio de Veraneio. O governador se sensibilizou com a causa, se comprometeu em fazer o pleito a presidente Dilma Rousseff (PT) e pediu um tempo para analisar o impacto na folha do Estado.  

André Moura e Domingos Dutra (relator) são membros da Comissão Especial destinada a proferir parecer ao Projeto de Lei nº 7.495/96, que regulamenta as atividades dos agentes, define o piso nacional da categoria e que cria 5.365 empregos públicos de Agente, no âmbito do Quadro Suplementar de Combate às Endemias da Funasa.

Atendendo a um requerimento de André Moura a Comissão promoveu, pela manhã, no plenário da Assembleia Legislativa, um seminário para debater o assunto. O evento foi bastante prestigiado e contou com as presenças de agentes de Saúde e de Combate às Endemias de vários municípios, chegando a lotar as galerias da Casa, como vários servidores tendo que acompanhar a sessão através de um telão instalado na área externa da AL.

Diversas outras propostas tramitam em conjunto com o projeto 7.495/96, como a Emenda à Constituição 63, de fevereiro de 2010, que estabelece que uma lei federal definirá o regime jurídico, o piso salarial nacional, as diretrizes para os planos de carreira e a regulamentação das atividades de agente comunitário de saúde e agente de combate às endemias. Segundo essa emenda, caberá à União prestar assistência financeira complementar aos estados e aos municípios para o cumprimento do piso salarial.

Ao comentar o sucesso do evento na Assembleia, André Moura destacou que "o sentimento é de felicidade e a sensação de que estamos cumprindo com as nossas obrigações. Tivemos a satisfação de trazer o deputado Domingos Dutra, relator da Comissão, que veio a Sergipe para tirar todas as dúvidas das pessoas. Os agentes vieram, acompanharam os pronunciamentos, colocaram seus pontos de vista e participaram do debate".

"Nossa preocupação é buscar uma medida constitucional para garantir o pagamento desse piso e poder contribuir com os municípios. O problema do piso do magistério é que o governo federal não disponibiliza um tostão de contrapartida para ajudar no pagamento. Há sim aí um engodo. Nossa projeção é que o governo federal assuma os dois salários mínimos do piso, que os governos estaduais assumam os encargos sociais e que os municípios cubram com as despesas de estrutura, como material de trabalho, veículos, protetor solar e guarda-chuva", completou André Moura.

Por sua vez, o deputado Domingos Dutra destacou que "a Saúde pública brasileira precisa dos agentes. São os agentes de saúde que salvam as vidas das pessoas humildes e excluídas do Brasil. Valorizar os agentes é valorizar a população que precisa de Saúde. Desconheço na história recente do Congresso Nacional duas categorias que tenham alterado duas vezes o texto da constituição em cinco anos".

"Os agentes conseguiram. O governo federal repassa R$ 750 por cada agente. Faltam R$ 340. Nossa meta é que a presidente Dilma atenda o pleito e pague dois salários mínimos por trabalhador. Dinheiro tem! Se fechar as torneiras da corrupção vai sobrar dinheiro. O governo tem que ter prioridades e nós temos dar apoio a gestão da presidente. Se existe a denúncia, se o mal feito é denunciado, ela tem é que botar o corrupto para fora do governo mesmo", acrescentou o deputado petista.

Além de André Moura e Domingos Dutra, o Seminário também contou com a participação do deputado federal Mendonça Prado (DEM). "Quero parabenizar o deputado André Moura e vejo que os discursos proferidos aqui demonstram que vamos em busca de solução para os problemas. A União arrecada 64% de toda a receita do País. Temos que estabelecer uma ordem jurídica de direitos e deveres dos entes federados. É necessário compartilhar os recursos", disse.

Categoria - Pelos agentes de Saúde falaram o presidente da Federação das Associações Municipais dos Agentes Comunitários de Saúde do Estado de Sergipe, Ednilson Santana, e a presidenta do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes de Combate às Endemias do Município de Aracaju. "40% dos nossos agentes estão na informalidade e isso é grave. Eles não fazem parte do quadro de efetivo dos municípios.

O governo fala em despesa geradas com a gente, mas nunca chegou com dados do Ministério da Saúde sobre quanto ele já somou com o nosso trabalho", disse Ednilson.

Presenças - Também participaram da solenidade o procurador-geral do Ministério Público de Contas do Tribunal de Contas de Sergipe, João Augusto dos Anjos Bandeira de Mello; os deputados estaduais Gilson Andrade (PTC), Augusto Bezerra (DEM), Capitão Samuel (PSL), Antônio dos Santos (PSC), Goretti Reis (DEM), Ana Lúcia (PT) e Garibalde Mendonça (PMDB).

Também prestigiaram o presidente da Federação das Associações de Prefeitos do Estado de Sergipe, prefeito Fábio Henrique (PDT), além de vários gestores do Estado, além de vereadores e secretários municipais de Saúde, além do secretário de Estado da Saúde. O senador Eduardo Amorim, líder do PSC no Senado, não pôde comparecer por ter reunião com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais), em Brasília.(Da assessoria)




Colunas
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Por Eugênio Nascimento
29/08
20:40

Metralhadora giratória - João Fontes bate pesado no PPS em entrevista a Rádio Comércio

João Fontes critica a igreja, declara apoio ao casamento gay e diz que o PPS esteve mais em páginas de polícia do que de política


O ex-deputado João Fontes, sem partido, declarou, em entrevista a Rádio Comércio, no Programa Comércio em Debate, que o PPS nasceu torto em Sergipe e esteve mais envolvido em escândalos do que o PT. De acordo com o ex-parlamentar, o PPS esteve mais presente em páginas de polícia do que de política. Ele lembrou os envolvidos em escândalos que desfilaram em carro da polícia, durante operação da Polícia Federal. "Eu tenho uma experiência já na vida pública não só em Sergipe, mas nacional. Eu acompanho a vida política em Sergipe. Eu já sabia dos problemas que existiam dentro do PPS. O PPS em Sergipe nasceu totalmente torto. Se você fizer um histórico do PPS em Sergipe, o PPS ocupou muito mais as páginas da polícia do que da política. Faça uma retrospectiva e veja qual foi o partido que deu mais trabalho a Polícia e ao Ministério Público. O PPS", observou.

João Fontes lembrou ainda que o PPS esteve mais envolvido em escândalos do que o Partido dos Trabalhadores. "O partido esteve envolvido em escândalos mais do que o PT. "Aqui em Sergipe muito, muito mais. O desfile de pessoas presas que desfilaram em camburão, e os próprios problemas dentro daquele período do governo Albano no PPS, são coisas terríveis", relembrou.

Ainda na entrevista concedida ao jornalista Paulo Sousa, o ex-deputado afirmou que gostaria de ver Henry Clay candidato a prefeito de Aracaju e Cesar Brito ao Governo do Estado. "Eu gostaria de votar para prefeito de Aracaju no Henry Clay. Eu preferia até que fosse ele do que eu. Henri Clay tem mais condições de tempo do que eu e tem a linha de pensamento que eu tenho. Para governador eu gostaria de votar em Cesar Brito. Ele tem uma linha de pensamento que eu tenho. Seria dois grandes candidatos, aí eu ia trabalhar com gosto, com afinco", declara.

Ele também reconheceu Ana Lúcia e Iran Barbosa como excelentes nomes para disputar a Prefeitura de Aracaju. "São excelentes nomes. Eu tenho o maior respeito pela deputada Ana Lúcia. Sei das angustias de Ana Lúcia dentro do PT com essas mudanças todas. Eu tenho o maior respeito pelo ex-deputado Iran Barbosa, o maior carinho, o maior respeito ao Sintese, a entidade que representa os professores. O Iran foi um grande vereador, grande militante dos movimentos sociais, foi um grande deputado federal, mesmo estando no PT. Seriam pessoas que eu gostaria muito de votar", revelou.

Casamento Gay

Contrariando o pensamento da Igreja Católica, João Fontes declarou apoio ao Projeto de Lei que reconhece e legaliza o casamento gay no Brasil. O ex-deputado afirmou que cada um tem o direito de escolher com quem viver independente do sexo. "Eu acho que o casamento foi feito para ser de homem e de mulher. Agora a gente vive num estado laico, num estado onde a gente não pode impor aquilo que a gente pensa. O casamento gay não traz prejuízos para outros. Em relação à união homossexual eu votaria a favor sem ter nenhuma dúvida. O estado que é laico não tem que ser conduzido pela igreja. A igreja às vezes se equivoca em defesa de alguns temas que não tem nada a ver", criticou.

João Fontes ainda criticou a igreja por ter defendido na Câmara Municipal a reprovação do projeto que permitia a construção de motel dentro da cidade. "A igreja vai para a Câmara de Vereadores defender que não se aprove motel na região da Atalaia. Aí o sujeito muda o nome e coloca pousada e é o mesmo motel. Vai ao motel quem quiser, é melhor ter um motel em Aracaju do que ter um motel fora da cidade, que é arriscado. Então tem também muito equívoco da igreja em determinadas coisas. E eu não sou a favor de tudo que a igreja diz. Eu não engulo tudo do que deve ser aprovado pela igreja, por que tem muita coisa que eu não concordo. Então tem muita hipocrisia também, tem muito veado também dentro da igreja, tem muita pedofilia. Então a gente tem que ter cuidado naquilo que a gente defende e não exagerar por exacerbação", concluiu.(Rádio Comércio)



Política
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Por Eugênio Nascimento
29/08
19:12

Censo 2010: Onde está a extrema pobreza em Sergipe (II)


Na primeira parte do artigo, dissemos que a pobreza não pode ser tratada apenas na ótica  da renda, uma vez que ela tem múltiplas dimensões, e atualmente vários especialistas  corroboram cada vez mais com essa visão. Exemplo como as observações recentes de Sabina  Alkire e Maria Emma Santos do Departamento de Desenvolvimento Internacional, da
Universidade de Oxford , que buscam estabelecer a compreensão desse fenômeno através da  formulação de um índice multidimensional, considerando microdados de mais de 100 países  que apresentam alto percentual da população em condições precárias de renda e acesso aos  bens e serviços básicos, corroboram com esse comportamento científico. Essa questão  emerge com tanta força que constitui uma das metas do milênio (ODM), estabelecidas pelo  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) .


Segundo o Programa, “O objetivo global de até 21% de pobreza é um dos mais propensos a ser ultrapassado. Até  2015, segundo estimativas do Banco Mundial, a taxa global de pobreza (renda) é projetada  ao redor de 15%, ligeiramente acima dos 14,1% previstos antes da crise financeira  mundial, mas ainda superando as metas graças a ganhos acumulados no passado. De acordo  com o Banco Mundial, a crise teria levado um adicional de 64 milhões para o grupo dos  extremamente pobres ao final de 2010. Como resultado disso, estima-se que 53 milhões a  menos de pessoas terão escapado da pobreza até 2015.”


Dissemos também que o Brasil internalizou esse objetivo macro em seu planejamento  governamental. O plano Brasil Sem Miséria é reflexo do alinhamento do governo federal com  os organismos internacionais. O governo de Sergipe segue por essa vertente e caminha para  implantação do plano Sergipe Sem Miséria, que pretende retirar da linha de pobreza,
atualmente estabelecida pelo Ministério do Desenvolvimento Social, cerca de 300.000  habitantes.


Primeiros indicadores sociais: ampliando a leitura - As visões apresentadas a seguir,  trazem um detalhamento da situação da pobreza analisando indicadores sociais de  infraestrutura de saneamento básico considerados na definição da linha de pobreza nos  domicílios com rendimento nominal médio mensal per capita de até R$ 70,00. Com apenas esse exercício temos alguns elementos adicionais para a compreensão da  situação atual da pobreza em Sergipe, e nos dão indícios de padrões espaciais  (concentração, dispersão, distribuição).


A partir dos mapas construídos com os primeiros dados disponibilizados pelo Censo 2010,  foi trabalhado um extrato referente ao percentual de domicílios particulares permanentes  ocupados situados abaixo da linha de pobreza com acesso aos serviços de abastecimento de  água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e disponibilidade de banheiro, gerando visões
particulares de cada indicador, mas que, quando analisados conjuntamente, dão indícios  peculiares à extrema pobreza em Sergipe.


Abastecimento de água - No que se refere ao abastecimento de água, o IBGE considerou a  oferta de água em área urbana e rural de modo separado, definindo uma tipologia  específica para preservar as diferenças entre as duas realidades. Nos domicílios situados  em área urbana o abastecimento de água segue o mesmo padrão de comportamento que a renda
nominal média mensal per capita domiciliar, apresentando baixos percentuais de  abastecimento basicamente nas mesmas áreas onde a probabilidade de ocorrência de extrema  pobreza (no tocante a renda) é alta. Esse comportamento é demonstrado em praticamente  todo território do Alto Sertão, exceto para os municípios de Nossa Senhora da Glória e
Canindé de São Francisco, que apresentam 37,66 e 33,00 por cento respectivamente. Nos  municípios do Baixo São Francisco, Pacatuba (9,59%), Brejo Grande (22,26%), e Santana do  São Francisco (23,91%) apresentam comportamento semelhante ao padrão geral do Alto  Sertão. O município de Japoatã (20,22%), embora apresente baixo percentual de domicílios  em situação extrema pobreza em relação ao seu entorno, estando em situação menos severa  que Brejo Grande, Pacatuba e Santana do São Francisco, considerados os maiores  percentuais de domicílios em situação de extrema pobreza do território, no tocante ao  abastecimento de água em área urbana se encontra no mesmo patamar.


Outra observação se refere aos municípios do Sul, cuja maioria também apresentou baixos  percentuais de domicílios em situação de extrema pobreza com abastecimento de água em  área urbana. Os melhores índices (percentuais acima de 30%) são para os municípios de  Estância, Boquim e Itabaianinha.


Quanto ao abastecimento de água em áreas rurais alguns municípios como Ribeirópolis  (14,26%), Itabaiana (12,16%) e Moita Bonita (13,24%) no Agreste Central, bem como Simão  Dias (5,91%) no Centro Sul, apresentaram baixos percentuais de abastecimento, entretanto  demonstram uma situação menos severa que os demais em relação à renda domiciliar per
capita. Já no Sul, os municípios de Boquim (13,14%), Estância (10,13%), Itabaianinha  (7,71%), Tomar do Geru (6,50%), Umbaúba (2,71%) e Pedrinhas (2,24%) apresentam os  percentuais mais baixos de acesso a esse serviço.


Esgotamento sanitário - No tocante ao esgotamento sanitário, os melhores índices se  mantém no Agreste e Grande Aracaju. Entretanto, a porção noroeste do Baixo São Francisco,  mais exatamente os municípios de Telha (75,00%), Propriá (51,56%), Cedro de São João  (29,39%), São Francisco (30,30%), Muribeca (46,08%) e Santana do São Francisco (56,32%),  também apresentaram altos percentuais de domicílios abaixo da linha de pobreza com rede  de esgoto disponível. Já no baixo São Francisco e Leste cerca de 40% dos municípios  apresentam um comportamento mais severo, com percentuais variando de menos de 2% (Brejo  Grande e Siriri) a cerca de 13% (Capela) de domicílios com renda abaixo da linha de  pobreza com acesso à rede de esgoto.


Coleta de lixo e existência de banheiro - Em relação à coleta de lixo, foi percebido um  comportamento mais brando, onde os percentuais de domicílios abaixo da linha de pobreza com coleta de lixo, mesmo para a menor classe, apresenta valores elevados, variando entre  20 e 40%, destoando-se Pacatuba, que apresenta o menor percentual do Estado, com 12,55%.
Para o indicador de existência de pelo menos um banheiro de uso exclusivo, todos os  Territórios apresentam pelo menos um município com baixo percentuais exceto a Grande  Aracaju. Por sua vez, o Sul Sergipano apresenta uma situação inversa nesse indicador,  onde quatro dos onze municípios estão na classe percentual mais baixa.


Algumas considerações - Dissemos no início desta seção sobre a importância de estudar um  fenômeno tão complexo como a pobreza; que ela tem múltiplas dimensões a serem analisadas.  Seu conhecimento é condição essencial para o combate eficiente, a erradicação da miséria  e a redução da vulnerabilidade social. Por esta razão, o sucesso das políticas públicas,
da atuação governamental, ou mesmo da participação de qualquer organismo social nesse  processo, depende da capacidade de compreender a realidade geográfica da pobreza. Percebemos que os primeiros dados provenientes do Censo 2010 nos trouxeram além das  visões conhecidas de novas perspectivas de problemas historicamente conhecidos.


A questão do acesso à água, por exemplo, tem sido tratado por meio da priorização de  ações inscritas ao polígono da seca, ao domínio da regionalização do semiárido  brasileiro, que abrange os municípios do Alto Sertão e parte do Centro Sul Sergipano. Por  esta razão, as primeiras visões construídas com os dados do Censo 2010, a partir dos  indicadores de saneamento e acesso à água potável, nos chamam atenção para a necessidade  de investigar mais a fundo os territórios que se situam fora do semiárido, mas que se  encontram em situação de pobreza extrema com baixo acesso à água, como é o caso do Sul  Sergipano e o Baixo São Francisco.


Se tomarmos o município como unidade de análise, Pacatuba apresenta uma situação  preocupante. Segundo os dados do Censo 2010, a cada 100 domicílios particulares  permanentes, 36 estão em situação de extrema pobreza. De um total de 1.283 domicílios  situados abaixo da linha de pobreza, a cada 100, apenas 8 tem ligação a rede de esgoto,  13 tem coleta de lixo e 45 possuem pelo menos um banheiro de uso exclusivo. Essas percepções podem e devem ser aprofundadas com estudos técnicos que incentivem o  debate pela sociedade e auxiliem a atuação do estado no desenvolvimento de políticas
públicas que permitam alcançar uma melhoria efetiva da realidade social da população  sergipana.


Nessa direção, visando alcançar a meta mobilizadora, a erradicação da extrema pobreza no  estado, o governo de Sergipe está estabelecendo parcerias para a realização de estudos e  pesquisas envolvendo a temática. A Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e  Gestão (Seplag), através da Superintendência de Estudos e Pesquisas, vem desenvolvendo um
método de trabalho denominado Observatório de Sergipe, que tem por objetivo a implantação  e consolidação de uma infraestrutura informacional sobre o estado, abrangendo as áreas de  geografia, cartografia, economia, estatística e políticas públicas, capaz de subsidiar o  planejamento e a gestão governamental.


Através do Observatório de Sergipe, a Seplag vem realizando diálogos com as demais  Secretarias e órgãos da administração pública geral, com objetivo de fortalecer a Rede  Estadual de Planejamento através de uma atuação integrada e transversal. São iniciativas  como essas que permitem construir bases para o enfretamento da pobreza em suas múltiplas  dimensões, fazendo dos estudos técnicos ferramentas que contribuem para o cotidiano de  uma sociedade.


Economia
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Por Eugênio Nascimento
29/08
18:53

Vista cansada

Augusto Cezar Lobão Moreira


Acho que foi o Hemingway, em seu livro -“Tempo de Morrer”- quem disse que olhava cada  coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela  primeira vez foi outro escritor que disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo  de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o
Hemingway tenha acabado como acabou.


Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse-me certa ocasião, o poeta, o  pintor, o grande compositor, o músico e intérprete extraordinário, Júlio Cezar Lobão  Moreira (o meu inesquecível irmão, Julinho). Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O  diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não - vendo. Experimente ver pela  primeira vez o que você vê todo o dia, sem ver?


Parece fácil, mas não o é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta  curiosidade. O campo visual de nossa retina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que  você ver no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Um amigo meu, médico,  já falecido, passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do Edifício Sulacap, localizado na  Avenida Sete de Setembro com a Rua Carlos Gomes, em Salvador, onde tinha o seu  consultório.


Lá estava pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um  recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Como era a sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em  32 anos nunca o viu. Para ser notado o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar  estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua  ausência.


O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente,  principalmente as mulheres bonitas, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do
mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que  nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas.  Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É aí que se instala no coração o monstro da  indiferença.


PS: São 6h30 desta sexta-feira (26). Mesmo com a insistência das nuvens o sol lança os  seus raios sobre as águas mansas do meu Rio Sergipe, prometendo as surpresas de mais um  dia, com encontros e desencontros. As nuvens sempre passam... A minha amiga, a garça Ana  Montenegro, logo, logo, aparecerá, mostrando-me a sua beleza com seus passos magníficos. Ouço Maracangalha, do incomparável Dorival Caymmi, na voz do Tom Jobim. E aí Marcos Melo,  esta é boa? Nos anos 60, quando estava em Salvador, na sua casa do Rio Vermelho, aquele  batia uma viola com o velho João Moreira, meu pai. Eram amigos. Eu pegava a canja.


Li agora um e-mail que me foi enviado pelo Cidão, ei-lo:
“Ontem à noite não saí para a balada. Correu um boato que uns quatro bueiros iriam  explodir no Leblon e cercanias. Ô cara, você pode me informar qual o partido que o dr.  Albano escolherá, hoje pela manhã? O Sérgio Guerra, presidente do PSDB, afirmara que o  mesmo era ‘dispensável’, na semana passada. Ele (o Albano) chega por aí esta semana e diz  que, muito pelo contrário, que o Aécio Neves e o Sérgio patentearam que o mesmo é  imprescindível! Afinal que escarcéu é esse?


Eu, particularmente, torço que vá para o PCdoB. Já pensou a festa da filiação? A  Orquestra Sinfônica de Sergipe tocará o Hino da Internacional Socialista, no Teatro  Tobias Barreto. O novo filiado entrará portando a foice e o martelo e o prefeito Edvaldo
Nogueira o presenteará com dois livrinhos: O Capital, do Karl Max, e a biografia de  Lenine, das Edições Progresso-Moscovo. Que discurso ele fará? Será um barato! O Edvaldo  vai lotar a casa de espetáculo com os funcionários da prefeitura de Aracaju. Quem não  aparecer perderá uma graninha! Se fosse à época do PSD e UDN, na Velha República, o Albano jamais criaria esse rebu, já  teria tomado um chega-pra-lá, uns cocorotes.


Tchau, bicho. Vou me informar se algum bueiro explodiu no Leblon. Daqui a pouco o Rio chamar-se-á “Rio de Janeiro dos Bueiros”.


Variedades
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Por Eugênio Nascimento
29/08
06:18

Crise?

CRISE?

Luiz Moura -  coordenador do Dieese-SE


O estado de Sergipe nos primeiros seis meses do ano de 2011 teve uma Receita Liquida de 2,5 bilhões de reais, 13,56% superior que o mesmo período do ano passado. Foi com esses recursos que o Governo pagou seus compromissos (salário, fornecedores, e fez investimentos).

O emprego nos primeiros sete meses do ano em Sergipe teve um crescimento de 2,92%, esse crescimento possibilitou a entrada de 7.585 pessoas no mercado de trabalho sergipano.

As vendas de carro, motos, ônibus, caminhões novos em Sergipe no primeiro semestre de 2001 totalizou 25 mil unidades vendidas numero 13,5% superior que o mesmo período do ano passado.

O total de deposito em poupança dos sergipanos somam 3 bilhões de reais em junho de 2011.

Foram compensados 262 milhões de reais em cheques no mês de julho de 2011.

O consumo de gasolina no primeiro semestre de 2011 teve um aumento de 18,20% que o mesmo período do ano passado.

O consumo de energia da maior empresa de distribuição de Sergipe teve um crescimento de 6,3% de janeiro a Julho com vendas totais de R$ 531 milhões nesse período

Em 2012 poderemos ter dificuldade e grandes desafios a serem enfrentados pelos trabalhadores, governo, e empresários esses desafios podem conter oportunidades que possibilite a construção de alternativas para o estado. Teremos eleições municipais, oportunidade excelente para debatermos os problemas dos 75 municípios e buscar alternativas para nossa população.



Economia
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Por Eugênio Nascimento
28/08
17:49

RICARDO LACERDA ESCREVE SOBRE - O Pólo de fertilizantes de Sergipe

Ricardo Lacerda -  Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe

A base de recursos minerais de Sergipe, abrangendo petróleo, gás natural, calcário e sais de potássio, tem sido desde os anos sessenta um dos principais diferenciais do Estado e um dos fatores mais importantes que fizeram com que ele tenha crescido sistematicamente acima das médias do Nordeste e do Brasil a partir da década de setenta, com exceção de alguns anos da primeira metade da década de noventa, quando a desestruturação do setor produtivo estatal abateu profundamente sua economia.

Os melhores indicadores sociais de Sergipe frente aos demais estados nordestinos podem ser atribuídos a um conjunto de fatores, entre eles a maior taxa de população urbana, a menor parcela do território no semi-árido e a concentração fundiária menos acentuada, mas devem ser associados também à geração de renda e emprego propiciada pela exploração e transformação da base de recursos naturais. Tais atividades têm importantes impactos diretos e indiretos, financiando, inclusive, uma presença mais expressiva da administração governamental na economia estadual.

 

O Pólo de Fertilizantes

O Pólo de Fertilizantes de Sergipe tem como matriz fundamental a produção de amônia e uréia, a partir do gás natural pela Fábrica de Fertilizantes do Nordeste (FAFEN), de propriedade da Petrobras, e a produção de sais de potássio pela companhia Vale, a partir da extração da silvinita, com o que Sergipe oferta nitrogênio e potássio, dois dos três componentes do composto NPK. Em 2010, a FAFEN produziu 315 mil toneladas de amônia e 423 mil toneladas de uréia, e a mina de potássio da companhia Vale, 662 mil toneladas. A unidade da Fafen em Laranjeiras é uma das maiores plantas de nutrientes nitrogenados instaladas no território nacional e a mina de Taquari –Vassouras, da Vale, é a única fonte de potássio do Brasil.

Atraídas pela disponibilidade destes insumos, empresas misturadoras dos componentes como Heringer, Fertinor, Adubos Sudoeste, entre outras, instalaram-se em Sergipe, base a partir da qual comercializam para boa parte do mercado nacional, concentrando-se, todavia, no abastecimento da região Nordeste e Centro-Oeste.

Tanto a unidade produtora de amônia e uréia da FAFEN, em Laranjeiras, a antiga Nitrofértil, como a mina Taquari- Vassouras de extração da silvinita, no município de Rosário do Catete, foram instaladas ainda na década de oitenta, como desdobramento do II Plano Nacional de Desenvolvimento do Governo Geisel que buscava diminuir a dependência de insumos importados pela agricultura brasileira.

 

Novos Investimentos

Passados cerca de trinta anos, o Brasil não logrou diminuir significativamente a sua dependência de insumos importados para a produção de fertilizantes. Segundo dados da Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA), a agricultura brasileira importa 72% da uréia, 90% do potássio e 38% do fósforo consumidos (ver Gráfico). O grau de dependência externa deverá se agravar nos próximos anos por conta da rápida expansão da produção do milho e da cana-de-açúcar, duas das culturas dentre as que consomem mais intensamente fertilizantes nitrogenados.

 

 

 

Fonte: Anda. Obs: O dado de uréia refere-se a 2009, e os de Potássio e Fósforo são relativos a 2008.

Dois investimentos de grande porte na área de produção de fertilizantes estão definidos para Sergipe. Uma planta de produção de potássio a partir da exploração da Carnalita, pela companhia Vale, e a unidade de Sulfato de Amônio da Fafen. O investimento para a produção de potássio a partir da carnalita, segundo a Vale, pode alcançar US$ 4 bilhões, o maior investimento de uma empresa privada da história de Sergipe.

A mina de silvinita terá seu potencial de exploração esgotado em 2016, enquanto a nova unidade, com base na extração da carnalita, entrará em operação em 2015. Quando estiver em funcionamento pleno, aumentará a capacidade produtiva das atuais 700 mil toneladas/ano propiciadas pela extração de silvinita, para um mínimo de 1,2 milhão até o máximo de 2,4 milhões de toneladas/ano, com potencial de atender, ainda segundo a Vale, 40% da demanda brasileira.

 

Sulfato de amônio

A implantação da unidade de sulfato de amônio, nas instalações da Fafen, em Laranjeiras, envolve o investimento de US$ 130 milhões para produzir 303 mil toneladas /ano visando atender o mercado nordestino.

Em 2009, a agricultura brasileira consumiu 1.734 mil toneladas de sulfato de amônio, das quais cerca de 90% são importadas. Como mostra a figura a seguir, o Nordeste consumiu 450 mil toneladas do produto, em 2009, das quais 45% foram demandadas pela cana-de-açúcar e 27% pelas culturas do milho e do algodão.

Os sergipanos têm consciência, por conta da própria vivência, da importância tanto da exploração de petróleo e gás como da produção de nutrientes para a indústria de fertilizantes na geração de oportunidades de trabalho e na criação de renda na economia sergipana. Mais recentemente, começam a se dar conta do desdobramento que essa base produtiva, apoiada na exploração de recursos minerais, vem alcançando, com a formação do Pólo Sergipano de Fertilizantes. 

 

Fonte: Petrobrás (2009).

Extraída de apresentação de Paulo Lucena Petrobras – posicionamento atual e perspectivas de produção de fertilizantes nitrogenados, em 20/03/2010.

 




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Por Eugênio Nascimento
28/08
10:28

AFONSO NASCIMENTO ESCREVE - Preparando as elites para a ditadura militar em Sergipe

Afonso Nascimento

Professor do Departamento de Direito da UFS


Os historiadores pouco escreveram sobre a Escola Superior de Guerra (ESG) e a Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) em Sergipe. Aquele que mais se debruçou sobre o assunto foi Ibarê Dantas em dois livros “A tutela militar em Sergipe” e na “História da República em Sergipe”. Ariosvaldo Figueiredo, na sua “História” Política de Sergipe dedica vários parágrafos a essas duas instituições relatando cursos, conferências, visitas etc. – tudo consistindo em descrições retiradas dos jornais sergipanos da época.


Além desses dois autores é possível encontrar aqui e ali rápidas menções em monografias ou em artigos acadêmicos e jornalísticos. Eu não pretendo preencher essa lacuna com esse artigo, mas simplesmente pôr em pauta um debate público que tem sido adiado e que virá mais cedo ou mais tarde também em Sergipe – já que noutras partes teses e livros foram publicados - sobre as mencionadas instituições.


Para o leitor não familiarizado com o assunto, eu darei uma informação importante. Nunca houve, nem antes e nem depois da ditadura militar em Sergipe, uma experiência tão abrangente e tão numerosa de seleção, de treinamento e de inserção de elites em instituições públicas e privadas. Quando alguém se dá conta que esse movimento ocorreu em todos os Estados brasileiros, é possível notar a sua relevância para legitimar a ditadura militar em nível nacional e estadual. Se antes as elites brasileiras eram demasiado heterogêneas, com a ESG e as ADESGs estaduais teve lugar uma impressionante homogeneização de elites civis e militares em todo o país – muitas das quais ainda estão por aí bem atuantes também em Sergipe


Para avançar a conversa, então, convém perguntar: o que é a ESG? Essa é uma instituição fundada em 1949 que, até a criação do Ministério da Defesa, estava ligada ao Exército Brasileiro. Tomou como modelo o National War College, dos Estados Unidos, por aqui ficou conhecida como a “Sorbonne” (em referência à instituição francesa) e chamou para si a tarefa de treinar as elites militares (e civis também) brasileiras dentro da ideologia autoritária de segurança nacional. Essa escola de poder nunca deixou de funcionar no Rio de Janeiro desde sua fundação até hoje – embora tenha havido movimentação recente e sem sucesso no sentido de sua transferência para Brasília.


Durante o período da ditadura militar (1964-1985), a ESG treinou uma boa dezena de sergipanos. Escolhidos a dedo, esses sergipanos já eram membros das elites civis sergipanas e os seus nomes podem ser encontrados na página da ESG na internet:
http://www.esg.br/wordpress/a-esg/diplomados-da-esg/.


 A ADESG sergipana foi fundada em 1971 e fazia parte da Delegacia de Alagoas e Sergipe, estando a sua sede localizada em Maceió. Era uma instituição privada. De acordo com o seu regimento datado do mesmo ano, dois eram os seus objetivos, a saber, “congregar os adesguianos em Sergipe” e “arregimentar colaboradores”.  A administração da ADESG estava assim estruturada. Possuía um delegado e um coordenador, ambos nomeados pelo presidente da ADESG nacional.  Além desses dois membros, tinha dois secretários e tesoureiros, um diretor de relações públicas, um assessor de assuntos administrativos, um assessor de assuntos culturais e um assessor de assuntos jurídicos. Eram três os tipos de sócios: efetivos, colaboradores e temporários – sendo que os primeiros contribuíam financeiramente.

 

Um dado importante a ser destacado em relação ao recrutamento dessas elites era o fato de ser focado em lideranças profissionais com formação universitária e de ser carimbado pelo 28º BC. Segundo dados disponíveis na página da ADESG nacional (http://www.adesg.net.br/diplomados-por-estado), quinhentos e noventa (590) sergipanos foram treinados pelos cursos, ciclos e conferências da instituição em Sergipe.

 

Quais os usos que foram feitos dos diplomas e dos certificados por essas elites sergipanas? Eles tinham algum peso na inserção ou na progressão funcional ou profissional dessas pessoas? Nada posso afirmar, a não ser que é corrente ouvir-se que as pessoas portadoras dos diplomas da ESG e dos certificados da ADESG se deram bem profissionalmente e que muitos ainda ocupam postos de liderança dentro e fora da máquina estatal. Pesquisas precisam ser feitas para ver como funcionavam essas redes de esguianos e adesguianos em Sergipe.

 

Mas o que não pode (ou pode?) ser questionado era o papel legitimador dessas elites à ditadura militar em Sergipe. Com efeito, contando com esse exército de pessoas, todas portadoras de diploma universitário, bem treinadas para o autoritarismo,  e bem colocadas socialmente e dentro da máquina estatal, o regime militar pôde manter a farsa da representação política advinda de eleições regulares e com dois partidos artificiais.

 

A ESG nunca deixou de funcionar e até hoje oferece cursos para o mesmo perfil de “estudantes” – embora sem a mesma demanda e popularidade dos anos da ditadura militar. Espera-se que seu currículo esteja atualizado aos ventos da democracia e seja um veículo para enraizar a democracia no Brasil. Quanto à ADESG sergipana, ela foi reativada há poucos anos.

 

Em conversa por telefone com o seu atual diretor, fiquei sabendo que a documentação referente à instituição (“papéis velhos”, segundo ele) estava depositada em sala do antigo prédio da reitoria da UFS. Eu ainda não entendi porque a velha reitoria servia de “arquivo” para guarda de documentação de uma instituição privada que nada tem a ver com a UFS. Deixo também a busca dessa resposta para os historiadores sergipanos, com quem comecei aqui essas anotações.



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Por Eugênio Nascimento
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