28/08
20:39

TJ de Sergipe divulga salários acima do teto nacional

A presidente do STF e do Conselho Nacional de Justiça, Cármen Lúcia, determinou que todos os tribunais do país passem a divulgar de maneira atualizada e detalhada os valores de remuneração dos juízes. A decisão foi tomada em 18 de agosto e o prazo concedido para cumprimento da medida foi de 10 dias. No STF, a determinação é para que a regra já seja implantada já: quem acessar o menu ‘Transparência’ poderá ver os gastos com remuneração, passagens e diárias, entre outros itens (via Poder360). Dos 15 Tribunais de Justiça que permitem acesso de maneira facilitada, está o de Sergipe.

Seguem os dados:
https://graficos.poder360.com.br/0LHIs/2/

 



Política
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Por Eugênio Nascimento
28/08
16:17

Amorim trata, no TCE/SE, da vinda de João Dória para Sergipe

O senador Eduardo Amorim (PSDB-SE) solicitou audiência na manhã desta segunda-feira, 28, com o presidente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE) Clóvis Barbosa, com o presidente do Instituto Voz Brasil, Rodrigo Pereira Vasco, e com o presidente da Empresa de Capacitação e Treinamentos 'Livres Mentes', Jorge Gomides. O objetivo da reunião foi traçar toda logística de como será a vinda do prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), para Sergipe. O tucano será um dos palestrantes do Simpósio: Drogas, Políticas Públicas e Direito dos Dependentes Químicos, que já está agendado para o dia 27 de outubro.


Política
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Por Eugênio Nascimento
28/08
11:23

Coluna Primeira Mão

Tempo quente

 

A " guerra " na Assembléia Legislativa deve continuar na semana que vem. Sinal dos tempos...  eleitorais. Antigamente o ex-vereador Agamenon Sobral chamava o SÍNTESE de " comitê eleitoral " da deputada Ana Lúcia.  Agora o seu colega Gualberto se referiu ao sindicato dos professores estaduais de " escolinha do mal".  Alguém precisa jogar água nessa fervura.



Enfrentamento aliado

 

E verdade que o governador Jackson Barreto recebeu vaias da ala petista ligada à deputada Ana Lúcia em Estância e em Glória. É verdade também que,  depois das primeiras vaias,  o governador foi preparado para o encontro de Glória. Ao grupo que ensaiou as novas vaias, ele atacou afirmando que eles tinham ajudado a apressar a morte de Marcelo Deda ao fazerem o enterro simbólico do saudoso governador. Por essa resposta o grupo não esperava. Mas vem

 

Coqueiral com dignidade

 

A comunidade do Coqueiral, na zona norte de Aracaju, que historicamente cobra ações do poder público para resolver problemas de infraestrutura, ganhou na manhã desta sexta feira (25) um verdadeiro pacote de grandes realizações. Trata-se de um projeto de 6 milhões e 100 mil reais, o maior desenvolvido na nova gestão do prefeito Edvaldo Nogueira e que inclui terraplanagem, pavimentação, contenção, drenagem pluvial, esgotamento sanitário, sistema de abastecimento de água e execução de passeios em 23 ruas do bairro. Uma iniciativa que melhora enormemente a qualidade de vida no bairro.



Ibarê Dantas



Começa na próxima semana seminário visando a estudar a obra política do historiador Ibare Dantas. O evento terá lugar no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.

 

Lero, lero



Balões de ensaios e boatos são muito comuns em períodos pré-eleitorais. Um desses balões diz que  a viúva do governador Marcelo Deda, Eliane Aquino,   seria cabeça de uma chapa para o governo de Sergipe. Todo o.mundo sabe que o Partido dos Trabalhadores não marchará sem o PMDB no Estado e Eliane não pensa nisso.



Para onde vai o dinheiro?

 

Qual a destinação dos 120 milhões que o senador Antônio Carlos Valadares colocou em emendas para a Codevasf,  agora que esse político parece ter perdido o controle da estatal? 

 

É de pior a pior



Qual é a notícia pior?  Saber que não poderá participar das eleições de 2018  por conta de decisão judicial antes do próximo ano ou  ficar sabendo que perderá o mandato por decisão da mesma autoridade depois de reeleito deputado estadual ou federal por causa do escândalo das verbas de subvenção da Assembléia Legislativa de Sergipe? Sei não, viu...

 

Será?

 

Está garantido o desfile militar de 7 de setembro na avenida Barão de Maruim. Existem limites para gastos em tempos de vacas magras. O dia da independência brasileira é um deles.

 

Ausência sentida



Embora natural de Lagarto,  cidade em que foi construído um campus da UFS,  o deputado federal Fábio Reis não compareceu à cerimônia acadêmica que concedeu o título de doutor honoris causa ao ex- presidente Lula. A sua ausência foi percebida. Lá estavam presentes, entre outros, o deputado estadual Gustinho Ribeiro,  o presidente do PT Rogério Carvalho e prefeito da cidade, Valmir Monteiro.

 

Abriu o jogo

 

Vamos parar de fingir que pagamos o médico e o médico vai parar de fingir que trabalha”. O comentário feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, irritou os médicos brasileiros. O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a notificação  de Barros para que ele explique o que quis dizer com essa frase.

 

Privatização

 

Embora o BNDES continue realizando estudos sobre a situação da Deso, está cada vez mais claro que o governador JB não tem o menor interesse em se desfazer da estatal. Iria se queimar no processo eleitoral de 2018 e, ainda por cima, não teria como gastar os mais de R$ 1 bilhão.



Política
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Por Eugênio Nascimento
28/08
11:10

Jackson Barreto diz que não vai destruir a previdência

O governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), declarou hoje que não irá destruir a Previdência do servidor público do Estado e que o projeto de lei para fusão do Funprev e Finanprev é a única saída para pagar subsídio da PM e regularizar pagamento dos aposentados. JB aposta no pré-sal e na usina termoelétrica para garantir as aposentadorias futuras. O chefe do Executivo foi entrevistado com exclusividade pelos radialistas George Magalhães e Magna Santana, da Fan FM Aracaju, na manhã desta segunda-feira, 28.

Jackson Barreto lembrou que não é o culpado pela atual situação da Previdência do Estado e informou que vem administrando Sergipe com muita dificuldade e com a mesma verba de custeio de 2015.

A única saída para regularizar o pagamento dos aposentados é fazer a fusão dos dois fundos previdenciários, um superavitário, o Funprev, e o Finanprevi, deficitário. “Vamos democratizar esse fundo”, informou JB ao se referir ao Funprev.

O Funprev tem  apenas seis servidores aposentados e R$ 600 milhões em caixa. Já o segundo, de acordo com o que disse o governador, tem cerca de 30 mil pessoas e um déficit que consome mensalmente R$ 120 milhões do erário.

O Fundo Financeiro Previdenciário de Sergipe foi criado para servidores que se aposentaram antes de 2008. Já o Fundo Previdenciário do Estado de Sergipe (Funprev) é superavitário porque trabalha no regime de capitalização voltado aos servidores que foram admitidos a partir de janeiro de 2008.

“Se eu não tivesse o rombo da Previdência, teria como pagar os salários em dia”, justificou o governador ao pedir a compreensão dos deputados. Segundo ele, este rombo consome mensalmente R$ 120 milhões do erário.

Subsídios – Jackson Barreto pediu o apoio diretamente dos policiais militares. “Me ajudem por favor”, exclamou. O governador disse que se a fusão não for aprovada, não haverá condições de o Governo pagar o subsídio em abril. Segundo JB, com a fusão do Funprev ao Finanprev, o Estado fará uma economia mensal de R$ 12 milhões “para atender às demandas dos servidores e garantir a regularização dos salários e das aposentadorias”, reforçou.

A Lei do subsídio foi sancionada em 1º de dezembro do ano passado e assegura benefícios aos policiais militares e aos bombeiros militares. Entre as vantagens garantidas pela nova lei, está a promoção de 25% do efetivo em abril e mais 25% em agosto.

Aposta no futuro – Jackson Barreto afirmou que é preciso pensar nos problemas atuais e garantir o pagamento das aposentadorias, porque, segundo ele, há receitas futuras que irão contribuir para afastar a crise que o Estado atravessa. JB citou os royalties do Pré-Sal de Sergipe e da termoelétrica, “são fórmulas para daqui a 20 anos para outras situações nem parecidas com essa”, destacou. 

Votação - O Projeto de Lei do Executivo deve ser votado nesta quinta-feira, 31. Segundo JB, ainda não há nenhuma expectativa acerca do resultado da votação. “Ainda não temos nenhuma estatística, mas estamos caminhando muito bem”, falou.



Política
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Por Eugênio Nascimento
27/08
20:46

Sergipe – PT discute quinta-feira embates entre Gualberto e Ana Lúcia

Na próxima quinta-feira à tarde, quando será realizada a reunião da Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) deverá entrar em pauta, caso isso seja solicitado, os últimos embates entre os deputados Francisco Gualberto e Ana Lúcia/Sintese, na Assembleia Legislativa de Sergipe, conforme informações do presidente do partido, Rogério Carvalho.

“A reunião terá pauta ampla, inclusive a visita do ex-presidente Lula a Sergipe”, explicou Carvalho. Os dois parlamentares petistas andam se desentendendo sobre votos em matérias encaminhadas à Alese pelo governo. A deputada e membros de seu grupo assumem discursos críticos em relação ao governo do aliado Jackson Barreto (PMDB).

O deputado estadual Francisco Gualberto (PT) disse na quinta-feira, claramente, que mudará de posição em relação aos constantes ataques que vem sofrendo do grupo político ligado à deputada Ana Lúcia, também do PT. “Ana Lúcia nem será minha bússola e nem aceitarei ela como a palmatória que irá me bater todos os dias. Até então as manifestações do agrupamento dela sempre foram para mim algo, que por respeitar demais, me calei, recuei, busquei não fazer muito confronto, principalmente quando estão no palanque do adversário, como no caso de certas emissoras de rádio. Mas agora resolvi mudar”, disse Gualberto.

As divergências políticas acontecem há bastante tempo, principalmente por conta do comportamento da deputada na Assembleia Legislativa, que apesar de ser do PT, partido da base aliada, está sempre contrária às proposituras do governo, conforme comentou Gualberto. Todavia, na sessão desta quarta-feira (23) integrantes do Sintese ligados a Ana Lúcia hostilizaram Gualberto no plenário e teriam até manifestado o desejo da morte do deputado, que retribuiu depois dizendo que o Sintese é a “escolinha do mal”.

 

(Com dados da Agência Alese)



Política
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Por Eugênio Nascimento
27/08
19:07

João Tarantela pretende se filiar ao PEN e comandar a campanha de Bolsanaro em SE

João Tarantela, ex-candidato a prefeito de Aracaju em 2016, deverá seguir para o PEN (Partido Ecológico Nacional) junto com um grupo de amigos e passará a apoiar a pré-candidatura de Bolsanaro para a Presidência República.

O PEN está hoje sob o comando do deputado estadual Robson Viana, que ampliou a sua presença no Estado (tem diretórios em 73 dos 75 municípios), 20 vereadores e trabalha um projeto de receber novas adesões de vereadores, prefeitos e vice-prefeitos ainda no decorrer deste ano.

Tarantela, que coordenadora a campanha de Bolsanaro, deseja ser candidato a governador em 2018 pelo PEN e disse que “o PEN poderá abrigar também o deputado estadual Robson Viana, mas se ele se enquadrar no projeto de Bolsanaro e assumir a campanha estadual da agremiação”.

João Tarantela comentou com o blog que “não dá certo é ele (Robson Viana) ficar no PEN e ir para a campanha de políticos de outros partidos”, afirmou, numa referência à proximidade de Viana com o governador Jackson Barreto (PMDB).

Ele informou ainda que Bolsanaro virá a Sergipe dentro de 60 dias para fazer contatos políticos e fortalecer o PEN, além de inaugurar a sede do seu comitê em Aracaju.



Política
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Por Eugênio Nascimento
27/08
17:08

Meu nome é ninguém

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE

Uma música, um filme. A música, um samba-canção, mais para o bolerão. O filme, um bangue-bangue, numa mistura de spaghetti italiano e comédia. A música é brasileira, o filme é francês, italiano e alemão. A música é de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, o filme de Sérgio Leone e Tonino Valerii. Miltinho e Altemar Dutra foram os grandes intérpretes da música. Henry Fonda e Terence Hill os foram no filme. A música dura 3 a 4 minutos e é de 1962, o filme, 111 minutos e é de 1973. A música trata do encontro entre dois amantes, considerados “ninguém”, que se transformam em “alguém” e, depois do desencontro, voltam a se sentir como “ninguém”, pelo menos um deles. O filme, fala de um jovem pistoleiro de nome “Ninguém”, que é fã de um velho bandido conhecido como o Rei do Gatilho, cujo nome é Jack Beauregard e está se aposentando. Desapontado com a atitude do seu ídolo, “Ninguém” resolve preparar uma cilada com os piores bandoleiros do Oeste. Ele quer ver, pela última vez, antes do descanso, a atuação do seu ícone. A música: “Foi assim / A lâmpada apagou / A vista escureceu / Um beijo então se deu / E veio a ânsia louca / Incontida do amor / E depois / Daquele beijo então / Foi tanto querer bem / Alguém dizendo a alguém / Meu bem, só meu bem, meu bem / Nosso céu onde estrelas cantavam / De repente ficou mudo / Foi-se o encanto de tudo / Quem sou eu, quem é você / Foi assim / E só Deus sabe quem / Deixou de querer bem / Não somos mais alguém / O meu nome é ninguém / E o teu nome também, ninguém”. É claro que, em tese, tanto o conteúdo da música quanto do filme é tido como mera ficção. Ou não. Em um ou outro está comprovado que os traços humanos são imutáveis. Maquiavel, por exemplo, em “O Príncipe”, no cap. XVII, diz que os homens são geralmente ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro e, enquanto lhes fizeres bem, todos estão contigo, oferecem-te sangue, bens, vida, filhos, desde que a necessidade esteja longe dele. Mas, quando ela se avizinha, voltam-se para outra parte e passam a cuspir no prato que sempre lhe encheu a barriga.

Em política, por exemplo, é onde a perversidade das paixões humanas mais se manifesta, até porque a história possui um ciclo repetitivo de ordem para desordem e depois ordem, e assim sucessivamente. Não está entendendo patavina de nada? Lembre-se que estou falando de “ninguém”, um pronome indefinido e invariável, que significa nada e em outros momentos todos. Como? Nada, quando você fala, por exemplo, em “terra de ninguém”, que é aquele espaço existente entre as trincheiras de duas forças beligerantes, ou seja, um lugar neutro. Na Primeira Guerra Mundial, de 1914 a 1918, o termo foi muito usado, assim como durante a Guerra Fria, mais precisamente na área próxima à Cortina de Ferro, cuja zona, apesar de pertencer ao bloco do leste europeu, aliado da União Soviética, era uma área inabitada, sem qualquer atenção dos países ali situados. E quando “Ninguém” é tudo e todos? Quando você diz que “ninguém quer colaborar com você”, “que ninguém é feliz”, “que ninguém viajou”, “ninguém sabe o duro que dei” e assim por diante. Veja o exemplo dos criminosos, não os impetuosos, ocasionais, habituais e fronteiriços, mas os loucos, como o esquizofrênico Won, chinês, natural de Hong Kong, cujo crime, ocorrido numa casa do Bairro Itaim Bibi, abalou à época a capital paulista. Won era um jovem de 23 anos quando matou o próprio pai, a quem chamava de “ninguém”. No dia 9 de fevereiro de 1978, após enfiar um fio no olho do pai, o espancou e decepou-lhe a cabeça. Inquirido sobre o bárbaro crime cometido, relatou: “Certa vez assisti um filme, que me deixou muito impressionado. Não sei bem, mas parece que era uma organização que pegava os inteligentes e fortes e matava. Matava enfiando dois ferros nos lados da cabeça. Aí comecei a pensar que meu pai era personagem do filme. A televisão faz a gente desconfiar muito, pelo pensamento, e então fiquei muito desconfiado. Eu pensei que o meu pai ia me matar e aí eu matei ele. Pensei que ele era outra pessoa e matei do jeito que vi na televisão”. 

Ao ser indagado para falar sobre os detalhes do crime, disse: “Não gosto de falar sobre isso, acho que esqueci. Meu pai estava me perseguindo há muito tempo, me assustava, e era bravo comigo. Mas tudo isso não tem importância. Agora não tem mais ‘ninguém’ que me persegue”. O interessante é que em dado momento do seu depoimento, ele afirmou: “Não consegui gostar de ‘ninguém’, e nunca tive relação com mulheres. Tenho medo de doenças, que as pessoas falam. Acho que só depois dos 25 anos”. Won, segundo consta do exame psíquico, sofria da chamada esquizofrenia paranóide, que é caracterizada pelas alucinações auditivas e delírios. A mania de perseguição impulsiona esses indivíduos a cometer os mais bárbaros crimes. Vejamos outro caso ligado a “ninguém”, ocorrido recentemente no pequeno município de Quarai, Rio Grande do Sul. A 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça daquele Estado confirmou a sentença de absolvição decretada em favor de um homem acusado de manter relações sexuais com uma menor de 12 anos de idade. Na sua decisão, a desembargadora Naele Ochoa Piazzeta, embora considerasse a conduta do réu típica na forma da Lei que criou a figura do “estupro de vulnerável”, ou seja, quando a relação sexual é mantida com menor de 14 anos, afirmou que o conceito de vulnerabilidade não pode ser entendido de forma absoluta, simplesmente levando-se em conta o critério etário, o que configuraria hipótese de responsabilidade objetiva. Este deve ser mensurado em cada situação trazida à apreciação do Poder Judiciário, considerando as particularidades do caso concreto. A prova, segundo a magistrada, demonstrou que as relações sexuais aconteceram de forma voluntária, consentida e fruto de aliança afetiva; que a menor não era mais virgem e já contava com certa experiência sexual; que em nenhum momento houve violência ou grave ameaça à vítima; e, por fim, que as condutas sexuais do réu não se amoldavam a nenhuma previsão típica e, por isso, deveria ser absolvido. 

O curioso, nesse caso, é que num depoimento da Conselheira tutelar que atendeu o caso, ela confirmou que a menina se encontrava de espontânea vontade com o rapaz, que era rebelde e que se envolvia com meninos desde os 11 anos de idade. Em síntese, era uma menina ‘‘largada’’, uma “ninguém”, que fugia da residência da mãe para se refugiar em outras casas. Mais duas notícias que envolvem o Brasil e que “ninguém” deu importância: a primeira é de que os brasileiros invadiram Miami e estão comprando de tudo, principalmente imóveis cujos preços são bem inferiores aos praticados no Brasil e com muito mais qualidade. Não, não, a notícia não foi dada por algum portal esquerdista, mas pelo New York Times que, aliás, também disse que o Canadá é o país que manda mais gente para a Flórida, mas gasta muito menos em relação aos brasileiros. De mim, Miami pode ficar tranquila que ali não vou nunca. Primeiro porque não tenho tanto dinheiro para gastar e comprar bens; segundo porque, por uma questão de princípios, enquanto existir a exigência humilhante do visto para ali entrar, ali não vou. Outra notícia alvissareira é o Brasil figurar como a sexta economia do mundo, superior à Grã-Bretanha. Também não, a notícia não foi veiculada pela esquerda capa preta, mas por uma instituição séria, o Center for Economic and Business Resesearch, organização londrina que fornece previsões econômicas independentes e análise a empresas privadas, organizações do setor público e terceiros. “Ninguém”, na película, embora jovem, era um tremendo cara de pau. Basta ver o filme para verificar o que ele fez para concretizar o duelo final, onde o seu ídolo da infância teria o seu último e definitivo ato no mundo da pistolagem antes de se aposentar. Pois é, só Deus sabe quem deixou de querer bem. Quem? Claro que não foi ninguém, pois ele voltou a ser o que era. Lembram-se do que eu disse no início: a ordem sucede a desordem e esta se transforma numa nova ordem. Enfim, cada um é único, ninguém é de ninguém. E ninguém é perfeito.

(Este artigo foi escrito em 2012).
Clóvis Barbosa escreve quinzenalmente aos domingos 


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
27/08
17:06

A viúva de Zé de Tibertino

José Lima Santana

Morreu. Zé de Tibertino do finado Vavazão das Caraibeiras acabara de bater as botas. Morreu sem quê nem pra quê. De repente. E nem doente estava. Ou era o que se pensava. A morte que vinha ligeira, num piscar de olhos, tinha por trás si alguma coisa. Ninguém morria por acaso. Não sem mais nem menos. Tudo na vida tinha um quê e um por quê. E não adiantava ficar de trololó, de conversê por ali ou acolá. “A morte quer uma desculpa”, vivia a dizer e repetir Dona Mocinha Zanôia, viúva de Totoinho do Farelo. Não, ela não estava certa. A morte nunca quis uma desculpa. Ela simplesmente fazia a sua faxina. Era duro ter que falar assim, mas era exatamente assim que falava Pedro Corcunda, poeta repentista e maior filósofo popular do agreste da Malhada da Ribeira, um sapecão de terra esparramado por bem umas cinquenta léguas em quadra, pegando do Baixio das Borboletas ao Tôpo da Serra, das Embiribeiras ao Remanso de Zé Charuto. Eitha mundão de terra boa pra danar!

O certo mesmo foi que Zé de Tibertino bateu a caçoleta. Bem batida. Tibertino, na verdade, era tio Bertino. Bertino de “seu” Valdemar, filho, neto e bisneto de afamados fazendeiros. Vavazão das Caraibeiras. Quanto ao nome Tibertino, era a junção de tio e Bertino, zerando o “o” de tio. Pronto. Era mais fácil, na língua curta dos matutos, pronunciar Tibertino. E Zé, filho de Tibertino, morreu de madrugadinha. O orvalho ainda derramava pérolas de lágrimas sobre o gramado de sua casa avarandada. Graminha nativa, que na mais braba seca, não podia sentir um chuvisco ou umas gotas de orvalho, que enverdecia, para logo mais secar com a brabeza do sol. Era uma verdadeira fênix, a nascer, morrer, renascer e tornar a morrer, num ciclo interminável. Mas, quando a chuva vinha de verdade, quando as torneiras de São Pedro eram abertas, aí a graminha virava gramão de dar gosto.

Pois Zé de Tibertino deixou as alegrias e as tristezas deste mundo sem estar doente. O coração lá dele pifou. Coraçãozinho fraco como um palito de fósforo. Bastou um apertozinho para o coitado mudar-se de gente para corpo sem vida e sem alma em despedida. Acabou-se. Zé era um sujeito chegando ao maduro. Tinha lá os seus quarenta e tantos anos quando se meteu de namoro com uma neta de Valter Valença do Pau Ferro de Cima. Neta que os avós criaram, pois os pais tinham morrido numa enchente do riacho Boa Morte, que quando botava água subia nos olhos dos pés de pau de suas ribanceiras. Riachinho tísico nos meses de estiagem, porém, um bitelão de rio nos dias de enchentes das brabas. 

No que poderia dar o casamento de um homem beirando os cinquenta anos com uma meninota de seus dezessete anos? Casamento arranjado, tudo se tendo feito por interesse. Era que Zé de Tibertino não era homem desapracatado na vida. Era, sim, bem aquinhoado. Possuía boas terras, bom gadinho de leite e de corte, fartura de roçados de algodão e outros bens mais. Era muito bem arranchado. Cobiçado por moças solteiras e viúvas ainda em ponto de bala. Naquele tempo, muitos homens morriam cedo demais, vários deles surpreendidos em tocaias. Brigas de famílias, brigas em cachaçadas, questões de terras e desavenças por causa de mulheres. Eram estes os principais motivos para as mortes matadas no agreste. No sertão era ainda muito pior. Sangue quente, tempo quente, quentura de bala ou frieza de faca peixeira. Um horror! Muitas mulheres ainda no viço da juventude ficavam viúvas, disputando casório com as solteiras. 

O morto foi pranteado durante todo o dia. O enterro seria no fim da tarde. A jovem viúva, agora na flor dos seus dezenove anos, pois casada há dois anos, cobriu-se com um véu negro. Vestiu-se de preto da cabeça aos pés. Vestido vistoso. Choro perene. Dava pena de ver a pobrezinha naquele pranto desmedido. Todo mundo comentou. Nunca se tinha visto por aquelas bandas uma viúva tão novinha abrir um berreiro daquele. Choro sentido. As famílias do morto e da viúva compareceram em peso. Famílias numerosas com gente em vários povoados e em duas ou três cidades circunvizinhas. Magotão de gente. 

Um primo da viúva de nome Marcão de Alfredo parecia superintender tudo. Dava determinações às mulheres, recebia quem chegava, discutia detalhes com o agente funerário, socorria a viúva. Moço distinto, prestativo. Muito bem apessoado. Dois dias antes, Sá Matilde de Porfírio Dente de Caititu dera com aquele moço saindo da casa do falecido, despedindo-se da que seria e já agora era uma viuvinha bem arranchada. O moço era professor numa escola municipal, no povoado fronteiriço às Caraibeiras. E era uma espécie de alquimista, manipulador de fórmulas químicas, que chamava a atenção de todos que o conheciam. Até servia à Prefeitura Municipal, preparando venenos para matar cães vadios atacados pela raiva ou pelo calazar. Um rapaz de futuro se ganhasse os caminhos da cidade grande. 

No fim da tarde, como anunciado, deu-se o sepultamento de Zé de Tibertino, após o padre ter celebrado a missa de corpo presente. A mãe do defunto e a viúva estavam inconsoláveis. Na hora de baixar o corpo à sepultura, as duas se atracaram com o esquife. Foi duro para arrancá-las do caixão. A viuvinha desmaiou. Foi um chega-chega danado. “Acode aqui, acode aqui”, gritou alguém, assim que a jovem viúva estatelou-se no chão. O primo Marcão de Alfredo e mais duas mulheres acudiram-na. Em pouco tempo, ela estava restabelecida. O primo professor conduziu a viúva até a entrada do cemiteriozinho carente de limpeza. 

Foi-se, então, Zé de Tibertino, deixando uma viúva muito jovem e bem situada em teres e haveres. O luto fechado, como naquele tempo convinha a uma viúva, durou até a missa de sétimo dia, celebrada na capela do povoado. A partir dali, uns vestidos de cores sóbrias. Algumas línguas ferinas descascaram em cima da viúva. Ao cabo de três meses, o primo Marcão de Alfredo aportara de mala e cuia na casa da prima viúva. Dois meses depois, casaram-se. 

Sá Matilde passou a dizer, à boca miúda, que a morte de Zé de Tibertino fora preparada pelo novo marido da viuvinha. Então, ela não viu o tal sujeito saindo da casa do falecido dois dias antes do mesmo bater as botas? Só podia ser morte arranjada. Mas, no agreste da Malhada da Ribeira, conversas à boca miúda transmudavam-se para bocas graúdas. Marcão de Alfredo tomou conhecimento do falatório de Sá Matilde. Fez-lhe uma visita sorrateira. Dois dias depois, por coincidência, Sá Matilde morreu. De repente. O coração dela pifou como o coração de Zé de Tibertino. Nada de anormal, a não ser a cor azulada da água posta no copo onde Sá Matilde guardava, à noite, a dentadura postiça. Uma estranha água azulada.

Não chegou ao meu conhecimento se alguém fora à polícia para averiguar as duas mortes. Provavelmente, não. Coincidências? Elas sempre existiram. Ou não? 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
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