Segundo o especialista “em Aracaju nós temos 30 mil dependentes químicos; em Sergipe chegamos a 120 mil. E para o tratamento o Estado disponibiliza apenas 10 vagas na Clínica São Marcelo. Essas pessoas precisam de tratamento especializado, é um assunto muito grave e precisamos unir forças para sairmos desta estatística. Participo de alguns encontros em Brasília sobre o tema e Sergipe não tem nenhuma pessoa para lhe representar”.

Em seguida ele ressaltou que o menor Estado da Federação poderia ser uma referência, mas esbarra na falta de equipamentos e de vontade política. “É preciso trazer as instituições para este debate. Precisamos de políticas públicas para promover a prevenção. Se investiu milhões na redução dos danos sociais e na saúde, mas esqueceram das pessoas portadoras de doenças”.

Por fim, Jorge Gomides disse que é preciso trabalhar mecanismos para o dependente parar de usar a droga em definitivo, porque ele nunca vai conseguir ter o consumo sob controle. “A vida do dependente tem que seguir sem o uso da droga”.  Ele defendeu que se promova um debate amplo com as autoridades e reconheceu que este não é um problema apenas de Segurança Pública. Há sete anos que moro aqui e tento ser ouvido pelo secretário de Estado da Saúde. “A gente precisa ajudar essas pessoas a encontrarem um novo amor”. (Agência Alese)

Rodrigo Vasco

Outro palestrante no evento foi o presidente do Instituto Voz Brasil, o advogado Rodrigo Vasco. Ele destacou que no dia 27 de outubro o Tribunal de Contas abrigará um amplo debate sobre o tema, voltado para prefeitos, secretários de Saúde e demais interessados. Ele lamentou o desinteresse de gestores públicos pelo debate.

ALM_4512“Infelizmente nem todo gestor público tem o perfil. Muita gente se dedica a reclamar da violência, mas se promove um debate e as pessoas não prestigiam, não participam. É preciso sair dessa inércia para mudarmos este quadro. Hoje estamos assustados com a falta de unidades terapêuticas para o tratamento desses dependentes”, pontuou o advogado.

Rodrigo Vasco seguiu com uma linha bastante crítica, pontuando que falta interesse em debater um assunto tão fundamental quanto o consumo de drogas. “Infelizmente a gente se depara com uma certa apatia do setor público. E o dependente não pode ser afastado de suas funções por conta do seu estado. Ele precisa do tratamento e deve ser feito como qualquer doença”.