22/09
19:17

Em agosto foram trocados R$ 400 milhões em cheques trocados no estado

Análise realizada pelo Boletim Sergipe Econômico, parceria do Núcleo de Informações Econômicas (NIE) da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e do Departamento de Economia da UFS, com base nas estatísticas do Banco Central, apurou que, em agosto desse ano, o valor de cheques trocados, em Sergipe, foi de R$ 400 milhões, sendo 12,2% maior que o valor dos cheques compensados no mês anterior, julho último. Porém, na comparação com o mesmo mês de 2015, houve recuo, ficando 6,8% menor.

No tocante aos cheques devolvidos, em Sergipe, no mês analisado, o valor atingiu R$ 85 milhões, sendo 0,9% inferior ao valor apresentado no mesmo mês do ano passado. Entretanto, comparando com o último mês de julho, o valor dos cheques devolvidos foi maior, ficando 12,3% acima.

Os cheques sem fundos, que representaram pouco mais de 80% do valor total de cheques devolvidos, no mês em análise, totalizando R$ 70,7 milhões, volume 4,1% inferior ao valor registrado em agosto de 2015. Em relação ao mês imediatamente anterior, julho desse ano, o valor de cheques sem fundos cresceu 11,5%. Todas as variações são em termos nominais, ou seja, sem levar em consideração o efeito da inflação no período.

UNICOM/FIES


Economia
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Por Kleber Santos
22/09
19:16

OCDE revisa previsões para o Brasil em 2016 e 2017

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), revisou na última quarta, 20, as previsões para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2016 e 2017. Para a entidade, o país seguirá em recessão neste e no próximo ano, mas com uma intensidade menor do que as previsões divulgadas no mês de junho. Dentre os fatores que melhoraram as expectativas destacaram-se a estabilização do mercado de matérias-primas e uma menor incerteza com a entrada do novo governo do Presidente Michel Temer.

Em números, a pesquisa da OCDE espera que o PIB do país registre queda de 3,3% neste ano – contra 3,4% da última previsão. Já para 2017 espera-se queda de 0,3%, uma redução de 1,4 pontos percentuais em relação à última estimativa. Dentre os países analisados, essa foi a maior revisão de destaque no estudo, contrastando com as expectativas negativas para a maior parte das economias mundiais.

Segundo Luís Paulo Dias Miranda, coordenador do Gabinete de Interesses e Legislação da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES), "a expectativa de melhora do cenário econômico brasileiro observado pela OCDE é positiva. No entanto, para que isso se torne realidade, é preciso combater o desassossego causado pela desordem nas contas públicas, através da aprovação da PEC 241/2016 que trata do teto do gasto público, complementando esta, com a reforma da previdência".

PEC 241/16
O presidente Michel Temer enviou ao Congresso Nacional a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241/16, com o propósito de instituir um teto para o gasto público, que terá como limite a despesa de 2016 corrigida pela inflação deste ano. A regra de limitação do gasto público em termos reais valerá por 20 anos, podendo ser alterada no décimo ano. O intuito da PEC é reduzir a trajetória explosiva da dívida pública brasileira que em pouco tempo poderá se tornar insustentável.

Unicom/FIES


Economia
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Por Kleber Santos
22/09
19:14

Enigmático Castanhão

Geraldo Duarte*
Advogado

Leiguice afasta-me do trato como ciência hidrológica. Apenas o perquirir da curiosice devido ao fenômeno da seca.

O Castanhão, mesmo distante de milagre, nomina-se Açude Público Padre Cícero e, dele, avolumam-se preocupantes notícias.Antes, durante e depois da construção, os idealizadores e empreendedores diziam-no a solução hídrica do Ceará e do Nordeste. Os ultraeufóricos mostravam-no exemplo de engenharia mundial. Quintessência da açudagem.

Os rios Jaguaribe e Salgado abasteceriam, de forma perene, os 6,7 bilhões de m3 de potencialidade de armazenagem d’água.

Realizaram a gigantesca obra, ao que se comenta, sem projeto técnico concluído. Hoje, 13 anos decorridos, a vazão regularizada ainda é assunto discutível. Quanto à evaporação, dado ao imenso espelho d’água, afirmavam seus realizadores ser da ordem de 1700 milímetros, diferente dos 2500 milímetros, noticiados atualmente.

Alegações existem de situar-se o reservatório em área de risco sismal.

Para erigi-lo, Jaguaribara foi alagada. Mais de dez mil pessoas deslocadas. Dali e dos municípios de Jaguaretama e Alto Santo. Desapropriações vultosas. Edificação de nova cidade e problemática impensável.

Conceituados estudiosos defenderam que, por um terço do custo, construir-se-iam de 10 a 12 açudes de médio porte, com capacidade aproximadas de 500 milhões de m3, fundações de 2 a 4 metros de profundidade, em regiões de cristalino nos afluentes do rio Jaguaribe.

Em 2009, final do inverno, o represamento aproximou-se do máximo, acima do nível de alerta de controle de enchente, sem que se abrissem as comportas. A sorte - no asseverar dos especialistas - foi inexistir, na ocasião, forte chuva e possível rompimento de um dos diques.

Agora, vê-se o gigantão quase seco, servido pelo Orós, com a piscicultura quase extinta e preocupante fissura na barragem.

Tais cenários indesejáveis e arriscados poderiam ter sido evitados? Ou, a tecnologia atestada e de há muito usual do Dnocs não seria bastante em resultados ideais e seguros?

Ao constatado, anteriormente à feitura do açude, manifestações de renomados profissionais fizeram-se contrárias à localização, a concepção, dimensionamento e outros aspectos pertinentes.

Em 1999, o ex-diretor do Dnocs, engenheiro Cássio Borges, lançou o livro A Face Oculta da Barragem do Castanhão: em Defesa da Engenharia Nacional. Trabalho de estudos e análises críticas, detalhamentos específicos e concatenação expositiva capaz de entendimento dos ledores em geral.

Somados quase vinte anos, comprovou-se em Cássio um realístico futurólogo. Todos os erros apontados hão, realmente, demonstrados. A segunda edição, com inéditas apreciações, em breve estará nas livrarias, garante o autor. Será tempo de polêmicas na certa!

*Geraldo Duarte é também administrador e dicionarista.


Colunas
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Por Kleber Santos
22/09
19:11

Reunião na FIES discute projeto de lei que prejudica setor industrial

Com o objetivo de rebater o impacto que provocaria no segmento industrial a aprovação do projeto de Lei 71/2016, recentemente remetido à Assembleia Legislativa pelo Governo do Estado, a Federação das Indústrias convocou uma reunião de emergência nessa quinta-feira, 22, conseguindo reunir os mais importantes representantes industriais de Sergipe.

Além dos empresários, estiveram presentes o deputado Zezinho Guimarães, presidente da Comissão de Economia e Finanças e relator do projeto, e o Secretário Estadual do Desenvolvimento Econômico, da Ciência e da Tecnologia (Sedetec), Francisco Dantas.

Pelo projeto, o governo institui o Fundo Estadual de Equilíbrio Fiscal do Estado de Sergipe (FEEF) com recursos oriundos de um mínimo de 10% do valor do benefício fiscal concedido pelo próprio Estado para que empresas se instalem em território sergipano.

Para os empresários, o projeto representa uma sangria inconcebível, num momento em que a economia ainda patina sobre as incertezas do atual governo da república. Para o próprio deputado Zezinho Guimarães, é uma “quebra de contrato”, já que, pelo projeto, são modificadas as regras dos benefícios que incentivaram empresários a optarem por Sergipe. “Se soubessem que seria dessa forma, teriam optado pelo nosso Estado?”. Para o empresário Roberto Vieira, do Grupo Constâncio Vieira, o “benefício fiscal não se configura um incentivo, mas uma sobrevivência às empresas”. Para o empresário Ricardo Franco, “é chegado o momento do estado apertar o cinto como a indústria já apertou o seu”. Foi dele a principal proposta apresentada durante a reunião, na qual seriam examinadas propostas de emendas ao texto original. O empresário sugeriu que apenas uma proposta fosse levada ao Governador: a de sobrestar o projeto por 90 dias, permitindo que um comitê de empresários, representantes do Governo e técnicos da FIES, elaborasse proposta consentânea com o interesse geral.

Foi consenso na reunião que o momento vivido pelo país é de grande incerteza. Há expectativas de melhoria da economia, mas sem evidentes sinais concretos dessa realidade. Acreditam todos eles que se a economia não melhorar a aprovação desse projeto seria “o começo do fim”.

Unicom/FIES


Economia
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Por Kleber Santos
22/09
09:42

Dieese promove Jornada de Debates do Setor Público em SE

O Departamento Intersindical  de Estatísticas e Estudos Sócioeconômicos  (Dieese) realiza nesta sexta-feira, 23,  a 3ª Jornada de Debates do Setor Público – Desafios Diante do Ajuste Fiscal na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT) .

 

A jornada, que começará às 8h,  é uma promoção conjunta com as centrais sindicais CUT, CGTB, CTB, UGT, Intersindical, CSP, CSB e NCST.  O Dieese informou que  os interessados em participar devem  confirmar presença ainda hoje, 22, pelo email relacionamento@dieese.org.br .



Política
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Por Eugênio Nascimento
22/09
06:18

TCE alerta prefeituras para exigências da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Por meio de ofício circular encaminhado no último dia 13 a todos os gestores dos municípios sergipanos, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE) alerta para o atendimento a uma série de determinações relacionadas à Lei nº. 12.305/2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Decorrente de uma decisão do Pleno, o documento salienta a necessidade de elaboração de um Plano Municipal de Gestão de Resíduos Sólidos, com a imediata inutilização dos “lixões”.

O Tribunal orienta ainda os gestores a priorizarem soluções consorciadas para a gestão dos resíduos sólidos e, quando não for possível, realizar estudo de viabilidade técnica e econômica antes de contratar o gerenciamento individualizado. Entre as demais determinações, o ofício cita a necessidade de se observar a clareza e requisitos técnicos durante a elaboração de projetos básicos, para evitar deficiências e falhas quando da contratação e execução do serviço público.

Também conforme o texto, assinado pelo conselheiro-presidente Clóvis Barbosa e pelo diretor técnico Gustavo Gurgel Maia, o não cumprimento das determinações delineadas poderá ensejar a rejeição das contas ou a implicação de ressalvas, a depender do conjunto e gravidade das infrações.

Irregularidades A emissão do alerta foi motivada pelo relatório consolidado elaborado pela Diretoria de Controle Externo de Obras e Serviços (DCEOS) contendo os processos em andamento no Tribunal acerca da matéria. Nele constam irregularidades encontradas pela Corte de Contas ao avaliar a gestão de resíduos sólidos em 15 municípios sergipanos.

Entre os destaques estão as contratações sem a devida fundamentação técnica, indícios de sobrepreço, dispensa indevida de licitação, entre outras.


Política
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Por Eugênio Nascimento
22/09
06:04

Discussões marcam aprovação do Funprev no plenário da Alese

Foi aprovado ontem, por maioria de votos e apenas dois contrários das deputadas Ana Lúcia Vieira (PT) e Maria Mendonça (PP), o Projeto de Lei Complementar nº 06/2016, de autoria do Governo do Estado, que autoriza a utilização de créditos tributários decorrentes da cobrança do Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, para a capacitação do Fundo Previdenciário do Estado de Sergipe – Funprev/SE. Discussões calorosas marcaram a votação no plenário da Alese.

Primeiro o projeto foi aprovado nas Comissões de Constituição e Justiça; de Economia, Finanças, Orçamento e Tributação.

O líder do Governo da Assembleia Legislativa de Sergipe, deputado Francisco Gualberto (PT), explicou que a utilização dos recursos conforme a lei não traz prejuízos para o Fundo.

“A recomposição do que for utilizado está garantida. São os créditos liquidados e em execução. Já sabemos até o valor mensal que é a média do pagamento: próximo de 7 milhões por mês. Significa dizer que entre 50 e 55 mensalidades estará devolvido todo o recurso utilizado. Esses recursos serão remunerados conforme a Taxa Selic que está hoje em 14.3 ao ano e estão aplicados num banco com a mesma remuneração. O Governo está aumentando de 20 para 26% a sua participação na contribuição do Fundo Previdenciário para capitalizar ainda melhor o Funprev”, explica.

Francisco Gualberto acrescentou que “não existe qualquer risco de prejuízos e nem qualquer dúvida sobre a recomposição. O que está sendo colocado à discussão da recomposição do Fundo não é uma aventura, um questionamento, é o existente, o liquidado, o que está negociado no Poder Judiciário e todo mês o Estado recebendo as parcelas”.

Explicações

Do mesmo partido do líder do Governo, a deputada Ana Lúcia Vieira (PT), explicou da tribuna, o voto contrário ao projeto de lei complementar de autoria do Executivo.

“É uma das decisões mais difíceis nos meus 14 anos de mandato. O grande problema desse projeto é a insegurança que temos ao longo da história. Essa situação está acontecendo diante da falta de compromisso dos ex-governadores. Nunca foi prioridade para esse Estado, o funcionário público. Sempre fomos chamados de servidores e vivemos hoje uma situação de irresponsabilidade e o companheiro Marcelo Déda encontrou um Fundo falido e estabeleceu outro Fundo Previdenciário para que os novos que ingressassem na rede tivessem um futuro mais assegurado e não passassem por uma instabilidade que aposentados estão passando”, diz.

Ana Lúcia reconheceu que o Governo vai ter com esse projeto um fôlego para pagar os aposentados. “Mas tentei apresentar quatro emendas para que se tenha segurança financeira para o Funprev e não conseguimos. Tenho que dizer aqui que professor e professora têm que ter coragem de dizer o que pensa e mesmo assumindo um cargo político eletivo, não podemos mentir e manipular por interesse eleitoreiro ou por interesse conjuntural. Aqui votarei não ao projeto porque estão todos inseguros; uma insegurança não só para esse governo, mas para os futuros porque não tem prazo determinado”, entende.

O deputado Venâncio Fonseca (PP), também usou a tribuna, rebatendo o discurso da deputada Ana Lúcia. “Quem vê a deputada Ana Lúcia falar, diz que agora ela está no lugar certo, na oposição. Se foi um Governo que mais tirou direitos dos trabalhadores e da Educação foi o de Marcelo Deda e hoje Déda é o salvador da pátria. Quem viu o discurso da deputada Ana Lúcia no Governo de Déda, acha que agora é outra pessoa; agora chama os outros Governos de irresponsáveis. Tem professores aqui (nas galerias) que estão fora das salas de aula, passo a vista e são as mesmas pessoas do sindicato. Eu voto com responsabilidade e não vou votar porque a senhora quer. Todo Governo que passou deixou a sua contribuição, o seu trabalho e a sua marca.Voto a favor do projeto, entendendo que o Governo do Estado tem quem tomar providências para colocar o funcionalismo em dia, seja os servidores da ativa ou inativos, que estão passando por necessidades; eram os primeiros que recebiam e hoje são os últimos, e, parcelado. Esse projeto não vai resolver, mas vai amenizar”, justifica.

Ana Lúcia voltou à tribuna e rebateu: “O projeto teve uma coisa boa pra trazer Venâncio pra tribuna, mas no Governo Jackson ele é uma oposição envergonhada. Ele traz as contradições dizendo que o Governo Marcelo Deda que mais prejudicou. O Parlamento é para fazer análises de conteúdos políticos e ideológicos. A formação do deputado Venâncio é de que o Estado pertence aos agrupamentos econômicos e é por isso que o Governo de Marcelo Déda era meu. Nós nunca rompemos. O deputado tem uma caminhada e eu tenho outra; não uma disputa agressiva. Os dirigentes do Sintese trabalham, foram liberados parcialmente, mas continuam pisando os chãos da escola”. (Da assessoria - Alese)

Oposição

O líder da oposição na Assembléia Legislativa de Sergipe, deputado Antônio dos Santos (PSC) mostrou preocupação com a aprovação do projeto de lei complementar do Governo, autorizando a utilização de créditos tributários decorrentes da cobrança de Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, para capitalização do Fundo Previdenciário do Estado de Sergipe – Funprev/SE.

“Essa cena a gente já viu no passado: a utilização de fundos previdenciários que são garantias para o trabalhador que se inseriu no mercado do trabalho. O Governo Marcelo Deda após exatamente um ano que assumiu e viu estrangulada a conta pública, criou o Funprev. O que estamos vendo é a economia em recessão, então é extremamente preocupante e grave. O Estado tem a seu favor crédito de mais de 5 bilhões para receber, de devedores. O que estamos fazendo é levar por quatro meses uma tranquilidade e depois não sei como o Estado vai fazer para pagar aposentados e nativos, que são aqueles com quem o Estado tem obrigação”, ressalta o Pastor Antônio dos Santos, que votou favorável.

O deputado Luciano Pimentel (PSB), disse se tratar de um momento de dificuldades. “Assim que recebi o projeto, cancelei os compromissos e me debrucei no mesmo. É um momento de dificuldades porque pode impactar a vida das pessoas, dos aposentados e dos que irão se aposentar mais à frente. O Estado não se preparou para enfrentar a crise e agora eu voto mais com o coração do que tecnicamente”, completa.

Fisco

O presidente do Sindicato do Fisco do Estado de Sergipe (Sindifisco), Paulo Pedroso esteve na Assembleia e mostrou preocupação.

“É uma medida drástica, tirando recursos do Funprev, que se destinam às futuras aposentadorias. Os concursados desde 2008 estão com essa reserva da ordem de 600 milhões de reais. É descobrir um santo para cobrir outro. É uma medida polêmica, apesar de os recursos do ICMS serem transferidos, mas não deixa de ser uma preocupação porque o Funprev é um fundo superavitário, possui em caixa 600 milhões para pagar as futuras aposentadorias e diante da impossibilidade de pagar em dia os inativos de hoje, dá a garantia de transferir esse crédito. Mas temos que ver como fica a situação dos inativos atuais”, afirma.

(Da Agência Alese)


Política
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Por Eugênio Nascimento
21/09
21:04

Um terço dos aposentados acima de 60 anos ainda trabalha, revela pesquisa do SPC Brasil

Três em cada dez idosos chegaram a essa fase da vida sem terem se preparado para a aposentadoria; pesquisa mostra algumas dificuldades, mas 66% dos idosos têm uma visão positiva sobre a terceira idade

Além de ver a expectativa de vida aumentar nos últimos anos, um número elevado de brasileiros continua trabalhando mesmo após a aposentadoria. A constatação é de uma pesquisa realizada em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) com idosos acima de 60 anos. De acordo com o levantamento, mais de um terço (33,9%) dos idosos que já estão aposentados continuam exercendo alguma atividade profissional. O destaque fica por conta dos profissionais autônomos (17,0%), trabalhadores informais ou que fazem bicos (10,0%) e profissionais liberais (2,1%). Os que ainda atuam como funcionários da iniciativa privada, contudo, são apenas 1,7% do total de entrevistados. Considerando os aposentados que tem entre 60 e 70 anos, o percentual dos que trabalham sobe para 42,3%.

A decisão de seguir trabalhando a esta altura da vida está relacionada, principalmente, à necessidade financeira, embora essa não seja a única razão. A principal justificativa é o complemento da renda, uma vez que a aposentadoria não é o suficiente para pagar as contas (46,9%). Dois em cada dez (23,2%) idosos continuam trabalhando para manter a mente ocupada e 18,7% para se sentirem pessoas mais produtivas na sociedade. Há ainda 9,1% dos idosos que alegaram não ter parado de trabalhar para poder ajudar os familiares financeiramente.

Idosos que trabalham sentem satisfação e orgulho por continuarem ativos

O fato de ainda trabalharem mesmo sendo aposentados gera sentimentos positivos em 70,7% dos idosos como satisfação pessoal (38,8%) e orgulho (19,7%). Para os que avaliam o trabalho nessa idade como algo negativo (28,3%), os sentimentos mais compartilhados são o de indignação (9,3%) e cansaço (8,1%).

A ampla maioria dos idosos (76,1%) até consegue se satisfazer financeiramente com a renda que possui, mas em 42,0% dos casos trata-se da “conta certa”. Ou seja, o dinheiro serve apenas para cobrir os gastos mais importantes. Em sentido contrário, quase um quarto (23,4%) dos idosos entrevistados admitem que com a renda atual não conseguem atender todas as suas necessidades. Ainda assim, nove em cada dez (95,7%) idosos contribuem ativamente para o sustento financeiro da casa, sendo que em mais da metade dos casos (59,7%) eles são os principais responsáveis. De modo geral, a aposentadoria e o recebimento de pensão (74,6%) são a principal fonte de renda dos idosos brasileiros, neste caso incluindo aqueles que estão aposentados ou não.

35% chegaram a aposentadoria sem terem se preparado

Um dado preocupante do estudo e que, em certo modo, explica o fato de tantos idosos ainda se sentirem na necessidade de trabalhar, é 35,1% dessa população acima de 60 anos chegaram a terceira idade sem ter se preparado para a aposentadoria. No caso das mulheres e dos idosos das classes C, D E, o percentual é ainda maior: 39,5% e 41,5%, respectivamente.

Seis em cada dez (61,5%) idosos entrevistados fizeram algum tipo de preparo e as principais atitudes foram a contribuição compulsória do INSS pela empresa em que trabalhavam (40,8%) e o pagamento do INSS por conta própria (17,4%). Uma parcela reduzida de apenas 8,4% teve o cuidado de investir na previdência privada. Outros tipos de preparo ainda mencionados, mas com menos intensidade, foram o depósito na poupança (4,5%) e o investimento em imóveis (4,4%) – neste último caso, não se leva em consideração o imóvel em que o entrevistado reside. Para a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti, “é sempre importante lembrar que a contribuição compulsória para o INSS via empresa não pode ser considerada uma preparação suficiente para atravessar a terceira idade sem grandes dificuldades. Contar somente com a previdência pública é algo bastante temerário e que deve ser evitado”, alerta a economista.

A maior parte dos idosos que se prepararam para uma aposentadoria tranquila disse que o fizeram por serem pessoas precavidas (31,6%). Há ainda aqueles que foram intuitivos e tiveram a iniciativa por conta própria, sem contar com a influência de terceiros (15,0%) e os idosos que se prepararam porque viram casos de pessoas próximas que não tiveram o mesmo cuidado e acabaram passando por momentos difíceis neste estágio da vida (12,3%).

Quando indagados se o padrão de vida que possuem atualmente é melhor ou pior do que quando eles tinham 40 anos, a população idosa mostra-se dividida, com uma leve vantagem para os mais otimistas. Quatro em cada dez (39,6%) idosos avaliam viver melhor hoje do que no passado, enquanto 32,3% acreditam que a passagem do tempo também trouxe piora nas condições de vida, sentimento presente com mais força entre os idosos que pertencem à classe C (36,1%).

De acordo com o educador financeiro do SPC Brasil, José Vignoli, o aumento da expectativa de vida dos brasileiros impõe uma série de mudanças nos hábitos financeiros. “Com as pessoas vivendo cada vez mais e fazendo planos para novas conquistas, torna-se fundamental estar preparado financeiramente para essa nova fase. Além disto, os tratamentos de saúde são onerosos e costumam aumentar com a terceira idade”, afirma Vignoli.

Quatro em dez idosos não controlam as finanças; 11% delegam a função a terceiros

A pesquisa do SPC Brasil também investigou os hábitos de vida financeira dos idosos brasileiros e descobriu que apenas 42,7% admitem fazer um controle sistemático de suas finanças pessoais, adotando métodos como anotações regulares em caderno (33,8%), uso de planilhas (7,9%) ou de aplicativos digitais (1,0%). Os idosos desatentos com o orçamento somam 45,9% do total da amostra, sejam porque usam métodos pouco confiáveis como fazer tudo de cabeça (32,1%) ou simplesmente por não terem qualquer tipo de controle daquilo que é gasto (13,8%). A pesquisa mostra ainda que 11,5% dos idosos delegam a terceiros a tarefa de cuidar das finanças.

Para quem não controla o fluxo de receitas e despesas, as principais razões são não ver necessidade ou importância nessa tarefa (33,6%), seguido da falta de hábito e de disciplina (14,8%). O desconhecimento é citado por somente 9,1% da amostra de idosos entrevistados.

Gastos com alimentação (82,9%), compromissos com serviços de luz (73,6%) e telefonia (47,2%), além de despesas com produtos de higiene (44,0%) e saúde, tais como remédios, exames e médico (41,2%) são os mais frequentes entre os brasileiros que têm acima de 60 anos, de acordo com o levantamento.

Diminuição da renda e empréstimo de nome faz idoso atrasar contas e ficar inadimplente

Nos últimos 12 meses, três em cada dez (30,1%) idosos brasileiros deixaram de pagar ou pagaram alguma conta com atraso – principalmente as de luz (13,9%), cartão de crédito (7,5%), telefone (6,9%) e água (6,7%). O índice é semelhante ao percentual de pessoas acima de 60 anos que tiveram o CPF inscrito em cadastros de inadimplentes no último ano: 30,3% da amostra, sendo que 13,9% ainda se encontram nessa situação. A diminuição da renda (22,5%) lidera entre as principais razões que levaram à inadimplência, seguida do empréstimo de nome a terceiros (12,2%) e da falta de planejamento e gastos excessivos (11,7%). Pelo menos uma vez a cada três meses, o limite do cheque especial e do cartão de crédito, além de empréstimos, acabam sendo a estratégia adotada por 7,2% dos idosos para fechar as contas.

66% dos idosos têm visão positiva sobre a terceira idade. Nota média de felicidade é de 8,2

A pesquisa revela que mesmo com algumas dificuldades inerentes a terceira idade, a maioria dos idosos brasileiros encara essa nova fase da vida com entusiasmo, sobretudo como uma etapa em que ainda se pode trabalhar e concretizar planos. A nota média autoatribuida pelos idosos para felicidade nesta atual fase da vida é de 8,2 pontos – entre as mulheres a nota sobe para 8,5.

De acordo com o levantamento, seis em cada dez (65,8%) idosos entrevistados têm uma percepção positiva sobre estar na terceira idade, sendo as principais vantagens terem a sensação de dever cumprido (20,0%), ter sabedoria (16,0%) e dispor de tempo para fazer o que gosta aproveitando a vida (15,3%). Os idosos que têm uma percepção negativa sobre a velhice somam 30,8% e os problemas mais associados são a perda da saúde (11,9%), a dependência de outras pessoas (5,4%) e o fato de serem frequentemente desrespeitados pelos mais jovens (5,3%).

89% da população acima de 60 anos têm planos para o futuro; 34% já sofreram preconceito por causa da idade

Engana-se quem imagina que nesta fase as pessoas se acomodam e deixam de ter objetivos e sonhos. O dado é alto e impressiona: 89,0% dos idosos garantem ter algum plano para os próximos cinco anos, sendo que os mais desejados são aproveitar a vida ao lado da família e amigos (47,3%), viajar pelo Brasil (23,5%), reformar a casa própria (17,6%), deixar os filhos bem financeiramente (16,9%) e pagar as dívidas (16,6%). Otimistas, 69,2% dos entrevistados esperam viver mais de 90 anos.

A passagem do tempo, contudo, não deixa de impor certos efeitos físicos e na mante: a maior parte dos entrevistados (71,7%) afirma vivenciar limitações no dia a dia que não sentiam quando eram jovens, sendo que 28,5% evitam fazer algumas atividades por conta disso. Em contrapartida, 43,2% não deixam de fazer suas tarefas do dia a dia em função dessas dificuldades. Os idosos que reconhecem ter a mesma produtividade que na juventude somam 26,5% da amostra.

Ainda que a representatividade dos idosos venha aumentando significativamente na população brasileira, e que essas pessoas sejam cada vez mais ativas, muitos ainda enfrentam preconceito por causa da idade. Mais de um terço (33,9%) dos idosos brasileiros já sentiram na pele algum caso de discriminação, independentemente da classe social e gênero.


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Por Kleber Santos
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