20/09
15:54

Queda no FPE causa efeitos indiretos na indústria sergipana

O Ministro da Fazenda Henrique Meirelles disse em reunião na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), na última segunda-feira, 19, que aumentar os repasses aos estados pode prejudicar a já combalida economia do país, aumentando o já estratosférico rombo das contas públicas previstos para este ano.

Mesmo com a promessa de catorze estados prestes a decretar situação de calamidade pública, inclusive Sergipe, a situação é irredutível no momento.

Para se ter uma ideia da queda nesses repasses, o Boletim Sergipe Econômico, elaborado pela Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) em parceria com a Universidade Federal de Sergipe (UFS), apontou que até julho deste ano, o repasse do Fundo de Participação dos Estados (FPE) somou R$ 1,5 bilhão ao estado, registrando queda real de 10,1% se confrontado com o mesmo período de 2015.

Para o coordenador do Gabinete de Interesses e Legislação da FIES, Luís Paulo Dias Miranda, essa queda brusca nos repasses do governo federal aos estados pode ser prejudicial ao setor industrial. “Diretamente não há problema, porque essas transferências apesar de serem originadas de tributos que atingem o setor industrial, como IR e IPI, num primeiro momento não o afeta, visto que elas não foram alteradas. Contudo, como a arrecadação desses impostos está extremamente baixa, a União dispõe de menos recursos para os estados e municípios, que causa um efeito indireto na indústria, com a consequente edição de normas por parte dos estados que busquem reter parte dos benefícios fiscais já concedidos ou mesmo aumentar alíquotas de insumos ou dos produtos finais produzidos pela indústria; tudo isso em um período onde a produção está extremamente fraca e a demanda no mesmo patamar”, aponta Miranda.

O certo é que há uma queda de braço entre o governo federal e os estados, na busca por recursos financeiros, a fim de fechar as contas públicas de ambos. Nesse jogo de empurra-empurra, resta saber como as partes interessadas entrarão num acordo e começarão os entendimentos para que o país possa sair desse difícil momento em que está passando.


 



Economia
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Por Eugênio Nascimento
20/09
15:37

Heitor Mendonça Canta Belchior no Che

No próximo  sábado, dia 24/09, Heitor Mendonça acompanhado do multi-instrumentista James Bertish ao Teclado, de Odílio Saminez, na Bateria,  e do Maestro Muskito,  no Contrabaixo,  traz as canções do sumidão Belchior ao palco do Che Music Bar! Com as participações especiais de Julico (The Baggios) e Júlio Rêgo (Café Pequeno). O espetáculo começa 22hs! Show de Abertura: Gabriel Farani.



Variedades
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Por Eugênio Nascimento
18/09
19:01

O Burro que Espirrava Dinheiro

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE

Quando o consagrado fabulista alemão Ludwig Bechstein, nascido em Weimar no ano de 1801 e falecido em Meiningen em 1860, publicou O burro que espirrava dinheiro, ele supôs que apenas as crianças acreditariam na estória, afinal de contas, seu papel era entreter os jovens leitores. Passados quase cento e cinquenta anos da morte do escritor, é possível ver que alguns adultos, mais burros que o burro da fábula, acham crível espirrar dinheiro. Ludwig Bechstein também é conhecido pelo famoso texto “Der Rattenfaenger Von Hameln” (O caçador de ratos de Hameln), onde ilustra a biografia de uma cidadela que, após ficar livre de uma praga de ratos, por conta da ação paranormal de um mago flautista, não o recompensou segundo aquilo que ficara acordado. Consequentemente, o músico, irritado, acabou por enfeitiçar todas as crianças da cidade, levando-as embora para sempre. Bechstein foi sutil, mas o conteúdo que se esconde por trás de suas fábulas é acachapante: a visão capitalista do sistema, que arquiteta as coisas tão-somente sob o prisma do controle financeiro. Parece que, às vezes, é melhor arrancar o dedo de alguém a privar-lhe de cinquenta centavos que sejam. Os cidadãos de Hameln preferiram perder as suas crianças a pagar o que prometeram ao flautista, caso ele os livrassem dos ratos. Isso, historicamente, tem gerado um desconforto incrível na relação entre governos de esquerda e o proletariado, em tese responsável pelo surgimento desse núcleo de poder. É que a luta de classes teria dado corpo ao aparecimento de uma filosofia nacional-socialista, deturpada aqui e acolá.

Houve, aliás, quem chegasse a crer que a dominação do sistema por parte dos donos do poder impediria um diálogo isonômico entre estes e os trabalhadores. Isso se deu ali na década de 1920, quando alguns intelectuais de língua alemã resolveram fundar o Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt, que entrou para a História da Filosofia como A Escola de Frankfurt, cujo principal mote está consubstanciado na denominada teoria crítica. Mas o que vem a ser tal teoria? Simples. Consistente em uma fusão de conceitos marxistas e freudianos, tal teoria difundiu o ponto-de-vista de acordo com o qual a sociedade de massa seria guiada pelos controladores da tecnologia, posta à disposição da defesa de uma perspectiva única e exclusivamente capitalista. Noutras palavras, quem detém o capital (leia-se poder) controla o proletariado, hipnotizado pela instrumentalidade das cifras. Em síntese, para a Escola de Frankfurt, não há razão, não há dialética, não há esclarecimento. Há, apenas, o desencantamento do mundo. Manda quem pode e obedece quem tem bom senso. Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno e Max Horkheimer são os mais radicais na diagramação dessa tese. De acordo com eles, morreu a razão crítica do proletariado, ao qual, homogeneizado, massificado e sem consciência revolucionária, só restaria a indústria cultural. E a teoria crítica teria que abrir espaço para a teoria estética. Walter Benjamin arrematou tal estigma, afirmando que o proletariado poderia ser politizado apenas pela ingerência de movimentos artísticos a ele dirigidos. Parece que o proletariado apontaria para um amontoado de patetas, que ficariam o dia inteiro tomando chibatada, enquanto escutariam ou um poema de Brecht ou uma sinfonia de Mozart. Valendo-se, inclusive, da filosofia de Herbert Marcuse, o proletariado acabaria por traduzir o “homem unidimensional”, algemado e sem condições de digladiar com o sistema que, em tese, o oprime.

Sorte do proletariado e de segmentos avançados politicamente da humanidade que não acreditam nessa lenga-lenga. Abaixo Frankfurt! Afinal, Adorno, Horkheimer e os demais membros dessa cambada de pessimistas estão totalmente superados. E para enterrar de vez no lixo da história as teses da Escola de Frankfurt, é que surge como texto de cabeceira a obra Modernidade versus Pós-Modernidade, de Jurgen Habermas. Para ele, razão, verdade e democracia têm de ser enxergadas de outra maneira. Não defendo o capitalismo, mas, nem por isso, creio que ele crucificou a razão. De forma alguma. Habermas, como o último grande racionalista, provou que a razão crítica de Adorno cede campo para a “razão dialógica”, onde a linguagem e a argumentação preponderam. Daí a necessidade, nos embates diuturnos que se travam no mundo dos conflitos, de se dispor dos alicerces da liberdade comunicativa. Mas não é isso que tem acontecido ultimamente na sociedade brasileira. Forjada nos porões do baixo clero da política brasileira, uma crise sem precedentes tomou conta do país, iniciada após a eleição da presidente Dilma e deixando um vácuo de poder desde o início de 2014. A grande consequência dessa irresponsabilidade tem sido o caos gerado na economia do país, acarretando em problemas para a maioria do povo brasileiro, como desemprego, aumento da violência e a institucionalização da corrupção como regra de comportamento. E mais: a razão dialógica deu lugar ao discurso impositivo. Nada de razão, nada de dialético, nada de esclarecimento. Como já dito, manda quem pode e obedece quem tem bom senso.

O estadista e jornalista francês Georges Benjamin Clemenceau, foi um político destemido, atuante, de força discursiva invejável, irreverente e bastante firme na defesa de seus ideais. Estava como Primeiro-Ministro no fim da Primeira Guerra Mundial quando da conferência de paz de Paris, que culminou com o “Tratado de Versalhes”. Pois bem. Dizia Clemenceau que, em matéria de desonestidade, a diferença entre o regime democrático e a ditadura é a mesma que separa a chaga que corrói as carnes, por fora, e o invisível tumor que devasta os órgãos por dentro. Para ele, as chagas democráticas curam-se ao sol da publicidade, com o cautério da opinião livre; ao passo que os cânceres profundos das ditaduras apodrecem internamente o corpo social e são, por isto mesmo, muito mais graves. Em outras palavras, na democracia, é muito mais fácil detectar o submundo da corrupção e as suas influências nefastas. Essa lição do líder político francês é mais uma tentativa de explicar a importância da preservação do Estado de Direito Democrático. Somente quem viveu durante o período autoritário pode avaliar as consequências e os males sofridos. As experiências do Brasil (1937-1945 e 1964-1985), Portugal (1926-1933 e 1933-1974) e Espanha (1939-1976), para não falar em outras, atestam como é restringido o exercício da cidadania e como se dá a repressão aos movimentos de oposição, quase sempre com violência. Para se ter ideia, basta ver o grau de desenvolvimento e melhoria das condições de vida após a redemocratização nos três países citados. 

Para Aristóteles e Platão, os tiranos são ditadores que ganham o controle social e político despótico pelo uso da força e da fraude. A intimidação, o terror e o desrespeito às liberdades civis estão entre os métodos usados para conquistar e manter o poder. Se a ditadura é o regime de desrespeito às leis, às instituições e às liberdades civis, a democracia, ao contrário, faz o caminho inverso: o respeito às normas e às instituições é o mais importante passo para a solidificação de uma sociedade que tende a avançar no campo da civilidade, da solidariedade e do respeito mútuo. Claro que sei que a democracia não é um regime inerte, mas dinâmico, sempre estando em transformação. Como diz Bobbio, “o estar em transformação é seu estado natural”. Sei, também, que a democracia não goza no momento de ótima saúde, estando sempre em ebulição. Mas isso faz com que todos aqueles que têm compromisso com a sua preservação, com seu avanço, na busca do seu aperfeiçoamento, estabeleçam canais de reflexão com os setores da sociedade que ignoram que é preciso respeitar as regras do jogo. Para o bem de todos, é preciso que haja preponderância da “razão dialógica” de que nos fala Jurgen Habermas, onde a linguagem e a argumentação preponderam. Mas não basta a intenção. As armas devem ser deixadas em casa. O argumento é o que deve prevalecer, ou seja, a razão dialógica. Dizia Winston Churchill, premier inglês, que a democracia é a pior forma de governo, exceto todas as outras que têm sido tentadas de tempos em tempos.

Celso Antônio Bandeira de Mello, um dos maiores juristas do nosso País, recentemente falou em uma revista especializada em direito. E lá pras tantas, resolveu filosofar sobre as relações humanas. Disse: “O fato de ser racional não faz o homem diferente dos animais que vivem em manada, que têm uma cabeça que guia e os outros vão atrás. Na sociedade humana é igual, há os que pensam, e eles são poucos; os outros parecem que pensam, mas não pensam, repetem. Eles não têm coragem de pensar. O mundo tem que ser assim, alguns pensam e os outros acompanham o pensamento. Nós vivemos um momento em que é a escória que pensa, que dirige. Mas claro que sempre existem seres notáveis que lutam contra a escória e dizem o que deve ser feito. São seres humanos maravilhosos”. Infelizmente, hoje, o que vemos são pessoas que simplesmente desistiram de pensar. E por não pensarem, acreditam até que centavos são mais importantes que a vida, como os habitantes de Hameln, ou mesmo que um burro pode espirrar dinheiro. 

Clóvis Barbosa escreve aos domingos, quinzenalmente.


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
18/09
18:46

A presença norte-americana em Sergipe

Afonso Nascimento 
Professor de Direito da UFS

Quando começou a presença americana em Sergipe? Que evidências disso podem ser trazidas ao leitor? Elas são muitas. Não temos certeza, mas supomos que ela deve ter começados nos tempos da II Guerra Mundial, afinal foi por causa do bombardeio alemão de navios brasileiros em costas sergipanas que o Brasil entrou na guerra ao lado dos americanos. Com o fim desse conflito bélico que corajosos sergipanos ajudaram a pôr um termo, os americanos fincaram bandeira por aqui e foram substituindo aos poucos mas firmemente a presença europeia por essas terras. Hoje, em 2016, a sua presença está por toda a parte. Comecemos pela economia.

Os dois modernos centros comerciais de Aracaju (que os americanos chamam mais de malls) são invenções americanas que estão espalhadas por todo o mundo. Dentro e fora deles estão muitos traços de Tio Sam por aqui, isto é, Subway, MacDonalds, Pizza Hut, Burger King, carros nas ruas estradas de Sergipe, postos de gasolina, aparelhos domésticos, etc. Acreditamos que o interesse econômico americano pela economia sergipana veio com a exploração de petróleo, quando especialistas ianques vieram pesquisar as possibilidades de exploração desse recurso mineral, sendo seguidos mais tarde por empresas e trabalhadores dos EUA que aqui se instalaram até hoje.

Na área da cultura, a presença americana é perceptível por toda a parte. Nos meios de comunicação de massa, a hegemonia americana é gritante: a literatura de massa nas poucas livrarias de Aracaju, a música tocada nas emissoras de rádio e os filmes exibidos nas TVs, nos cinemas, as ondas da Voz da América e na Internet, só para início de conversa.

Nas universidades, muitas disciplinas, o famoso acordo MEC-USAID dos anos 1960, métodos e tecnologias de ensino, uma grande parte da bibliografia estudada, a oferta dos cursos de inglês, o Colégio Americano Batista, o sistema de créditos etc. são importados dos Estados Unidos. O turismo dos sergipanos é bem mais voltado para a terra da "grande nação do Norte", como se dizia antigamente. A segunda língua mais falada por sergipanos é a inglesa (Os cursos de inglês incluem também a introdução de tradições americanas entre nós). Da mesma forma que os demais estados brasileiros, Sergipe é um grande importador de cultura americana e o estado americano “irmão” de Sergipe é o também pequenino Rhode Island, situado na Nova Inglaterra.

Em termos de sociedade, instituições como o Rotary Club, Lyons Club e o escoteirismo vieram de lá. O sindicalismo brasileiro e sergipano tem abandonado o modelo ideologizado europeu e se aproximando do sindicalismo de resultados dos Estados.

Na religião, vemos diariamente jovens mórmons americanos caminhando pelas ruas de Aracaju com jovens sergipanos vestidos de camisas brancas, calças azuis e sapatos pretos. Missionários americanos trouxeram para Sergipe a igreja presbiteriana. A influência nas igrejas evangélicas não pode ser esquecida.

No direito, nada poderia ser mais diferente. Com efeito, as instituições jurídicas sergipanas seguem o modelo europeu continental, diferente da common-law. Todavia, em termos de literatura jurídica, mais e mais autores americanos têm sido lidos (Rawls, Dworkin, Mangabeira Unger, etc.) nos meios jurídicos, ameaçando a hegemonia europeia nessa área. Além disso, reformas institucionais têm sido implementadas seguindo orientação do Banco Mundial como os métodos privados de resolução de conflitos, o modelo de defensoria pública, o tipo de escola de direito da Fundação Getúlio Vargas, o modelo de firma advocatícia em lugar do velho escritório de advocacia e assim por diante.

Na política, brasileiros e sergipanos copiaram o federalismo e o republicanismo americanos, instituições políticas importadas no finzinho do século XIX. As campanhas eleitorais têm seguido, ao seu jeito, padrões americanos como, por exemplo, no marketing político, nas pesquisas de opinião para medir tendências do eleitorado, etc. No Brasil, os líderes de nossas instituições privadas e públicas são "presidentes".

Ainda tratando de política, sabemos da influência americana na organização e no apoio à ditadura militar. O Nordeste brasileiro mereceu especial atenção da CIA e de outros órgãos estatais americanos no período anterior ao regime militar, pois consideravam ser a região sensível do país em termos de agitação social e de potencial de reformismo político, que eles e os militares brasileiros chamavam de "revolucionário" para justificar a ruptura institucional em 1964.

Desconhecemos até agora a existência de documentação americana sobre lideranças políticas sergipanos como Dom José Vicente Távora e Seixas Dória nos arquivos do Departamento de Estado e de universidades americanos. Mas certamente ela existe. Instaurado o regime militar, o programa Aliança para o Progresso do presidente John Kennedy enviou muito leite em pó para os sergipanos, que era distribuído pela Legião Brasileira de Assistência (LBA).

De igual forma, membros jovens do Corpo da Paz estiveram nas cidades do interior de Sergipe. Não sabemos se a USAIDS também esteve em Sergipe com seus programas de ajuda externa. A última notícia que temos dessa agência americana data da administração de Marcelo Déda, quando este pediu ajuda à embaixadora americana no Brasil, em Salvador, juntamente com outros governadores nordestinos.

Parece exagerado dizer que Sergipe é pequena fatia da grande semicolônia americana que é o Brasil? Acho que não. Primeiro foi Portugal, depois Inglaterra e França e hoje em dia com mais força são os Estados Unidos.


Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
18/09
13:21

Falece o ex-deputado estadual Fernando Prado Leite


Na madrugada deste domingo (18), faleceu o ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), Fernando Prado Leite, que já estava hospitalizado. O velório acontece agora pela manhã, até as 16hrs, no hall de entrada da casa legislativa. Depois, todos seguirão para o sepultamento marcado para às 17 h no Cemitério Colina da Saudade conjunto Santa Lúcia, em Aracaju.

Filho do ex-senador da República por dois mandatos, Júlio Leite e pai do deputado federal pelo Rio de Janeiro, Otávio Leite, Fernando chegou a assumir o governo de Sergipe, enquanto deputado.

Segundo seus amigos e colegas, ele era um exímio orador, que quando começava a falar, prendia a atenção de todos que estivessem presentes.

Sobre Fernando Prado

“Fernando Prado Leite nasceu a 11 de março de 1932, em Aracaju, Sergipe. Seus pais: Júlio César Leite e Carmem do Prado Leite. Aos dois anos e meio de idade, foi entregue para ser criado por Otávio Aciole Sobral e Luíza Prado Sobral, hoje com noventa anos de idade.

Herdou do pai o dom da conversa, de um homem que dizia que da conversa, a luz e o entendimento. Da mãe Carmem, Fernando nutre uma admiração especial pelo interesse que ela tinha pela política, sempre estando ao lado do marido em todas reuniões políticas que aconteciam em sua casa.

O primeiro contato com os livros aconteceu na Usina Outerinho, através de uma professora rural, mãe da juíza Carmem Rosa. Posteriormente, quando tinha sete anos de idade, foi internado no Colégio do Salvador, onde cursou o primário. Em sua cabeça, ainda povoam lembranças do rigor do colégio que primava no ensino, mas que, em sua época, existia uma disciplina ferrenha.

Entrando na campanha política, disse que foi o primeiro sergipano a fazer uso do rádio com um programa especificamente político. Comprou um horário na Rádio Cultura e levou ao ar o programa “Conheçam um Candidato”, para divulgar mensagens da sua campanha política.

Eleito para a legislatura 1963/1967, no início do mandato, foi escolhido pelos colegas deputados para ocupar a presidência da Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe. Na condição de presidente do poder legislativo estadual, foi peça integrante das cassações de deputados pela própria Assembléia Legislativa que prontamente atendia todos os pedidos dos militares do golpe.

Como presidente da Assembléia Legislativa, afirmou que deu a todos os deputados cassados o direito de defesa, atitude que contrariou o Exército, que não queria que isso acontecesse.

As reuniões deveriam ser com a presença de todos deputados, sem o público, portas fechadas e o resultado informado. Cada parlamentar cassado pela Assembléia, que eu presidi, tiveram o direito de defesa, atitude que contrariou o Exército. Nossas reuniões plenárias foram abertas ao público, irradiadas e com processo individuais de cada um.

Todos os processos enviados pelo Exército, ele os fazia passar pelas comissões da Assembléia Legislativa para seus pareceres até dia final, com promoção de votação de forma aberta e nominal. Fui chamado altas horas da noite e fui interrogado.

Fernando contou que os comandantes militares do golpe de 1964 queriam fazer de Sergipe um grande campo de concentração.

Casou com Violeta Santos Silva Leite no primeiro dia de dezembro de 1958. Do casamento, seis filhos: Ricardo, Fernando, Otávio,Carmem Luiza, Maria Antônia e Violeta Santos Silva Leite. Tem seis netos”.


(Trechos retirados do livro “Memórias dos Políticos de Sergipe”, de Osmário Santos, disponível em: http://usuarioweb.infonet.com.br/~osmario/memorias-politicos-sergipe.asp)
Fonte: Agência Alese
 


Política
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Por Eugênio Nascimento
18/09
13:19

Limão Galego

José Lima Santana
Professor do Departamento de Direto da UFS

Limão Galego morreu. Um mundão de gente foi ao enterro. O caixão envernizado de tampa de espelho, por onde se olhar a cara do morto, seguia muito lentamente, arrastando-se pelo chão lamacento entre a Rua do Biriba e a Rua do Caga-Sebo. Limão Galego não sofreu. Não morreu de doença braba, nem de morte matada. Morreu de morte morrida, na cama, sem acordar naquela manhã de chuva miúda. Morreu do coração. Teve lá ele um ataque fulminante, que lhe botou na cova aos setenta e um anos de idade. Deixou mulher, Dona Geralda de Maria Mocinha, e uma penca de filhos e filhas. Todos casados. E casadas. Netos e netas? Uma imensidão. Família que, sozinha, deu para encher a igreja, no tempo em que a missa de sétimo dia ainda era celebrada na Igreja Matriz. Hoje, não. Celebra-se na capela do cemitério. 

O defunto provinha de numerosa família das beiras do sertão. Era ele da família dos Cardoso do Araticum. Gente provida de dinheiro e desprovida de medo. Quem, ainda que recém-chegado, não conhecia a fama da família Cardoso, na cidade? Ora... Todo mundo numa quadra de dez léguas para lá e para cá sabia quem era a família Cardoso do Araticum. Gente de fama e de valentia comprovada. Gente trabalhadora. Gente caprichosa nos fazeres. E muito bem aquinhoada nos teres. 

De onde vinha o apelido Limão Galego? Bem. É chegada a hora de dizer essa procedência. Certo dia, na feira semanal da cidade, eis que de repente Maurício Verde de Souza Cardoso gritou no meio da rua: “Não usem limão galego. Pra nada. Não usem que o bicho é um poço de malefício”. Essa pregação de Maurício, marido de Dona Tita do finado Pedro Grande, chamou a atenção de todos. Abro um pequeno parêntese para dizer que Dona Tita era a coordenadora da equipe de liturgia da Paróquia do Senhor das Misericórdias. Por isso mesmo, o sermão do padre Virgílio Morcegão, apelido que a gentalha lhe dera em face de suas enormes orelhas de abano, foi direcionado muito mais à viúva do que ao falecido. Voltando ao velho Limão Galego, após a sua falação contra o dito cujo limão, as pessoas passaram a lhe chamar por aquele apelido. No início, ele vociferava ao ouvir a expressão. Aos poucos, contudo, ele foi cedendo. Acostumou-se, como ocorre, em geral, com todos os apelidos e os apelidados.
Falta dizer o motivo pelo qual Maurício Verde de Souza Cardoso voltara-se contra o limão galego. Vamos lá. A sua pregação contra o limão galego continuou dia após dia. Até parecia o anúncio do fim do mundo. Maurício estava mais para o autor do novo apocalipse do que para comerciante de cereais na feira da cidade, que ele era. Pobre limão galego, sem serventia na boca meio banguela de Maurício!

Ora, quais os malefícios causados pelo limão galego, segundo a voz de trombeta de Maurício? Voz, aliás, mais forte do que o soar das trombetas de Josué diante das muralhas de Jericó, como relata o Livro Santo. Segundo ele, o limão galego, tão amarelinho na casca, era um produto híbrido. Hibridez de fundo de quintal. Como assim? Lá vai. Tal produto teria brotado do limão comum, que, num determinado quintal, teve alguns frutos caídos sobre as fezes de algum menino, que fazia suas necessidades fisiológicas debaixo do limoeiro. De tanto cair sobre os dejetos, foi ficando descorado, perdendo o verde e tornando-se amarelo. Na casca, bem entendido! Logo, contaminação pura! E, uma vez contaminados na origem, contaminados estariam por toda a vida. Era uma lorota de Maurício Verde. Conversa sem pé nem cabeça. 

Houve, porém, quem botasse fé no dito de Maurício. E não foi pouca gente não. Dor de cabeça para a velha Domitila do finado Fonsequinha. Era possuía no vasto quintal uns cinco ou seis pés de limão galego. E os vendia na janela de casa e na feira. Fazia um bom dinheirinho, pois o limão galego era muito procurado por causa do suco delicioso que dava. Aos poucos, os limões galegos de Dona Domitila foram ficando na bandeja da janela e no saco, na feira. As pessoas que davam ouvidos a Maurício Verde, não mais consumiam os limões galegos. 

Um dia, numa roda de animada conversa entre amigos, enquanto Maurício abria a bocarra contra o limão galego, Marcolino de Filó de Zé Pereira disse: “Maurício Verde, não dá pra você deixar de ser tão safado e mentir menos?”. Gargalhada geral. Pedro de Constância de Miralda de Joca Alfaiate emendou: “Vá ver que você também vai amarelar Maurício Verde. Nem que seja na hora da morte, ou depois de morto”. Nova gargalhada geral. Um terceiro, cujo nome eu não lembro, disparou: “Vige, tu vai virar limão galego depois de morto? Danou-se!”. Aquela foi uma tarde de muitas gargalhadas. 

Pois bem. Morto Maurício Verde, não faltou quem fosse matar a curiosidade. Olhando pelo espelho do caixão, já na saída do féretro de casa para a igreja, Maria Gomadeira espantou-se e não resistiu: “A cara de Maurício Verde amarelou. Tá da cor do limão galego de Domitila”.  

Um gozador, não se sabe quem, escreveu numa tabuleta o seguinte epitáfio e o colocou sobre o mausoléu da família Cardoso: “Aqui jaz Maurício Verde / Vulgo Limão Galego / Que, morto, amarelou / E, agora, pede arrego.// Quem por aqui passar / Um consolo deixe ao defunto / Traga uma limonada / Pra cidade de pé junto.// Espero que muitos atendam / Espero que façam fila / Pra trazer boa limonada / Dos limões de Domitila”.

Só lembrando ao leitor menos atento, que Domitila era a dona dos pés de limão galego, que Maurício Verde tanto combateu. Ah, são coisas do interior, do meu interior e do qual eu não abro mão! Bom fim de semana. Vai uma boa limonada aí? De limão galego, claro. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
18/09
08:57

Coluna Primeira Mão

Calamidade financeira em SE

 

 

Quando o Estado é colocado contra o muro, que se empurre o muro! A analogia pode ser aplicada para retratar o momento por que passa o Governo de Sergipe diante da situação financeira que beira o colapso. Presentes à reunião com o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, na última terça-feira, dia 13, dezessete governadores das regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste – entre eles Sergipe – receberam mais uma negativa da Presidência da República quanto à possibilidade de ajuda financeira para socorrer os Estados, alegando não haver espaço fiscal para comportar o pleito. O clima da reunião foi bastante tenso, pois o Governo Federal havia assumido quinze dias antes o compromisso, através do líder do governo na Câmara, o deputado federal André Moura (PSC/SE), de promover um auxílio financeiro aos Estados. Com a negativa, os chefes dos Executivos estaduais tomaram a decisão: ou o presidente Michel Temer se sensibiliza no socorro financeiro, ou os Estados decretarão estado de calamidade financeira ainda esse mês. Neste caso, é o muro sendo empurrado.

 

 

Somente o essencial – Ao decretar estado de calamidade financeira – e sendo reconhecida pelo Governo Federal –, o Poder Executivo oficializa a incapacidade financeira de suportar suas despesas. Com isso, encontra uma solução jurídica para acessar recursos extraordinários da União e priorizar a destinação de recursos exclusivamente para pagamento da folha dos servidores, além de aplicar nas áreas essenciais, como Saúde, Educação, Segurança Pública e Sistema Prisional. Ou seja, os Estados se desobrigam de honrar compromissos não essenciais e colocam o bode na sala, criando um problema político para o presidente da República. Aos olhos dos investidores internacionais, isso é muito ruim.

 

 

Ao menos R$ 380 milhões - Com esse valor, o secretário Jeferson Passos (Fazenda) afirma que há a possibilidade de organizar o pagamento ao funcionalismo. “É uma boa ajuda, um fôlego necessário para seguirmos em frente e reorganizar as finanças prioritárias do Estado. Todo o esforço está concentrado em regularizar da folha dos servidores”, afirmou. Sem muita esperança quanto à ajuda do Governo Federal, o governador reuniu a equipe econômica e determinou a adoção de medidas drásticas, dentro do que a lei permitir, para tentar solucionar o problema do pagamento da folha até o final do ano.

 

 

Vender o quê?

 

 

O governador Jackson Barreto (PMDB) garante que o Banese não está à venda. Mas há insistentes comentários na mídia lhe recomendando fazer isso. Até mesmo alguns aliados lhe dizem que a hora é agora. A venda do Banese seria a única alternativa, a médio prazo, para que o governo de Sergipe solucione a crise financeira atual e pague os salários em dia. Mas parece existir clara pretensão em se desfazer da Sergas e tem quem recomende vender a Deso, uma empresa avaliada em pouco mais de R$ 1 bi.

 

 

TV Atalaia adia debate

 

 

Inicialmente previsto para acontecer no próximo dia 25, o debate que seria realizado pela TV Atalaia (Record em Sergipe) foi cancelado e a emissora pensa na possibilidade de realizar o enfrentamento entre candidatos apenas no segundo turno, quando terá apenas dois nomes para expor ideias e propostas para Aracaju.

 

 

João explica cassação

 

 

A Coligação para "Aracaju ter qualidade vida" entrou com uma ação judicial contra a Coligação "Aracaju em Boas Mãos". O juiz entendeu que algumas placas da gestão configuram o ato como conduta vedada. Desta forma, concedeu a pena e a multa máxima, mas a assessoria jurídica da coligação Aracaju em Boas Mãos já entrou com um recurso no TRE e aguardará o resultado.

 

 

Edvaldo: cada dia com a sua agonia

 

 

"Meus olhos, cabeça e coração estão focados neste momento no dia 2 de outubro. Como diz o Eclesiastes, há tempo para tudo. Cada dia com sua agonia. Então, prefiro não me antecipar. Estou envolvido com a campanha, dialogando com a população, apresentando nosso projeto para reconstruir Aracaju. Após o resultado da eleição de 2 de outubro, é que iremos refletir sobre o que irá ocorrer". A declaração é do prefeiturável Edvaldo Nogueira (PC do B) ao ser indagado sobre a ampliação do leque de alianças em um possível segundo turno na disputa da Prefeitura de Aracaju.

 

 

Valadares Filho aberto a apoios  

 

 

Convencido de que a disputa eleitoral de Aracaju será definida no segundo turno, o prefeiturável do PSB, deputado Valadares Filho, disse que conversará com todos os segmentos políticos que possa lhe dar apoio. Não pretende forçar ninguém.

 

 

João cassado 1

 

 

O juiz da 27ª Zona Eleitoral de Aracaju, Hélio de Figueiredo Mesquita Neto, determinou o cancelamento da candidatura à reeleição do prefeito João Alves Filho (DEM). Ele acatou uma representação da coligação ?Para Aracaju ter qualidade de vida?, que incluía além de João e seu vice, Jailton Santana (PSDB), a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb).

 

João Cassado 2


Pela decisão do magistrado, João Alves foi condenado a pagar multa de R$ 106.410,00. Em sua sentença, o juiz afasta as candidaturas de João Alves e Jailton Santana. O prefeito também poderá responder por improbidade administrativa. A decisão judicial, que foi pautada contra prática de conduta vedada, cabe recurso junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SE).

 

 

Recurso de João

 

 

A Coligação para "Aracaju ter qualidade vida" entrou com uma ação judicial contra a a Coligação "Aracaju em Boas Mãos". O juiz entendeu que algumas placas da gestão configuram o ato como conduta vedada. Desta forma, concedeu a pena e a multa máxima, mas a assessoria jurídica da coligação Aracaju em Boas Mãos já entrou com um recurso no TRE e aguardará o resultado.

 

 

Ultrapassagem – Por falar em Valadares Filho, os comentários de seus seguidores dão conta de que ele estaria pronto para ultrapassar Edvaldo Nogueira na próxima pesquisa do Ibope. Parece muito difícil. Na última pesquisa Ibope/TV Sergipe, divulgada na noite da quinta-feira passada,  o placar estava assim: Edvaldo 36% e Valadares Filho 26%

 

 

Os vices – O prefeiturável do PC do B Edvaldo Nogueira deu sorte na escolha de Eliane Aquino (PT) para sua vice. Ela não atrapalha a campanha, é sempre presente e é bem aceita por todos os segmentos da sociedade, inclusive os jovens. João Alves (DEM) e Valadares Filho (PSB) gostariam de ter uma vice assim.

 

 

A cantiga é uma só - O próximo prefeito de Aracaju, assim como João Alves (DEM), dirá, quando assumir o cargo, que pegou o município falido, cheio de dívidas e vai realizar aquilo que for possível. Mas manterá os compromissos assumidos em campanha. João diz hoje que assumiu a PMA com dívidas acumuladas de R$ 163 milhões. Vai deixar com quanto?

 

 

Sem favelas? -  Aracaju é uma das poucas capitais brasileiras que não aparece no relatório nacional das favelas;. Isso quer dizer que, para os demais brasileiros, a cidade é sem favela. Mas temos uns bairros...

 

 

Último recurso – De um economista que preferiu o anonimato: “A decretação de Calamidade Financeira é um recurso de desespero. Um recurso a que somente se recorrer em último caso”

 

 

Salário em dia - O governo do estado divulgou que está buscando encontrar formas para pagar o salário do mês de agosto dentro do mês e uma parte do salário de setembro ainda dentro do mês de setembro. As confirmações e informações adicionais serão divulgadas na próxima semana.

 

 

Mobilidade urbana

 

O BRT de João, que ainda não foi concluído, o VLT de Valadares Filho, que foi temas da sua campanha para a PMA em 2012, deveriam estar na pauta dos candidatos em 2016. Mas todos silenciaram.



Coluna Eugênio Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
17/09
16:15

O que diz o Ibope

Marcos Cardoso
Jornalista

Como era de se prever, o Ibope identificou um número expressivo de eleitores em Aracaju que demonstram pouco ou nenhum interesse nesta eleição. A pesquisa foi divulgada pela TV Sergipe na última quinta-feira, 15.

O Ibope observou nenhum interesse pela eleição entre os mais velhos (atingindo 45% na faixa dos 35 aos 54 anos), os menos escolarizados (44% dos que têm apenas o ensino fundamental) e os de renda familiar menor (49% entre os que ganham até um salário mínimo).

Mas uma informação positiva para Edvaldo Nogueira foi identificada logo no início da pesquisa, quando se questiona o eleitor sobre em quem vai votar sem lembrá-lo quem são os candidatos.

Nessa questão cega, Edvaldo é lembrado espontaneamente por 28% dos eleitores, contra 19% que lembram de Valadares Filho e apenas 9% que citam João Alves, apesar deste ser o atual prefeito.

E 44% a 45% dos jovens, na faixa dos 16 aos 34 anos, lembram de Edvaldo espontaneamente e querem votar nele. Enquanto 17% dos que têm mais de 55 anos lembram de João e dizem votar nele.

Quando confrontado com os nomes dos candidatos, o eleitor confirma a liderança confortável de Edvaldo, com 36%, seguido de Valadares, 26%, e João, 11%. Os outros quatro candidatos, Dr. Emerson, Vera, Tarantela e Sônia Meire, somam 12%.

No fechamento do questionário — o Ibope entrevistou 602 eleitores de Aracaju entre os dias 12 e 14 deste mês —, Edvaldo obteve 36% das intenções de votos contra 49% dos outros seis candidatos somados.

Nessa pesquisa, observou-se que as intenções de votos nulos e brancos caíram fortemente (de 19% para 11%), bem como caiu a preferência por João (de 18% para 11%), enquanto 4% se mantiveram indecisos (antes eram 5%).

Como na reta final da eleição, cresce a tendência pelo voto útil, quando aqueles eleitores desinteressados, indecisos ou que resolvem mudar de candidato na última hora optam pelo que lidera a disputa, não é demasiado propor que Edvaldo conquiste um bom naco desses votos, podendo fechar a fatura ainda no primeiro turno.

Nada é tão simples, mas pode acontecer. Vamos considerar somente os votos válidos, descartando os brancos, nulos e indecisos. No momento em que foi feita a fotografia dessa paisagem eleitoral, Edvaldo já estava com exatos 43% dos votos válidos, enquanto Valadares tinha 30% e João tinha somente 13% dos votos válidos. Somando os seis adversários de Edvaldo, todos juntos tinham 57%.

Portanto, apenas pouco mais de 7 pontos percentuais separam Edvaldo da vitória no primeiro turno. É fácil conquistar esse montante de votos nos 15 dias finais de campanha? Não. Mas, não é impossível.

No eleitorado da faixa de idade dos 25 aos 34 anos, Edvaldo já possuía 52% dos votos válidos. E 46% entre os ainda mais jovens, dos 16 aos 24 anos, e o mesmo entre aqueles eleitores com menor grau de formação escolar.

Lembremos que a margem de erro é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos. Quem conta que Valadares já poderia estar com 30% das intenções de votos, também não pode descartar que Edvaldo já poderia estar com 40%.

É certo que o Ibope identificou um importante crescimento de Valadares, que saltou 11 pontos, de 15% para 26%, enquanto o crescimento de Edvaldo foi menor, de 8 pontos, de 28% para 36%.
A velha ideologia explica. Pela sua formação política, de centro-direita — por isso mesmo tendo atraído apoiadores ideologicamente de direita, como Eduardo Amorim e André Moura — é natural que os votos de João migrem mais para Valadares do que para um candidato de centro-esquerda, como é Edvaldo.

E não se descuide da influência de Jackson Barreto nesta eleição, para o bem ou para o mal. Se o governador, que encara uma das piores crises financeiras já vividas pelo Estado, está desgastado com os servidores — o que, de certa forma, pode beneficiar Valadares —, JB ainda é uma liderança muito forte em Aracaju, principalmente na periferia da capital, onde sempre esteve o seu principal reduto eleitoral.

Por ser um político mais experimentado e por ser aliado de JB, Edvaldo aparece com uma rejeição maior do que a de Valadares, 24% a 15%. Mas nada que possa preocupar seus eleitores e atrapalhar sua bem encaminhada vitória.

Edvaldo encontra maior rejeição, 28%, entre aqueles eleitores com mais de 55 anos, justamente onde se acha o maior eleitorado de João. No entanto, Valadares é rejeitado por 20% dos eleitores de nível escolar superior, maiores formadores de opinião.

Mas quem deve estar preocupado mesmo com os eleitores que não votam nele de jeito nenhum é João, com uma rejeição estratosférica de 63% — chegando a 70% entre os jovens eleitores de 25 a 34 anos.

Portanto, pela campanha consistente de Edvaldo, mostrando que seu desempenho está calcado no que já fez — na boa gestão de 2008 a 2012, que agora é reavivada na cabeça do aracajuano — e projetado em compromissos possíveis e factíveis para o futuro de Aracaju, não é inadmissível prever que a eleição pode ser decidida já no dia 2 de outubro.


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Por Kleber Santos
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