30/11
09:58

Mestre Montserrat

Geraldo Duarte*
Advogado

Início dos anos sessenta, século passado. Serviço de Abastecimento D’Água de Messejana. Projeto e realização do secular Dnocs, entidade reconhecida como Departamento-Academia da Hidrologia Nacional.

Obra chefiada pelo engenheiro Clóvis de Araújo Janja, por nós auxiliado e com o mestre de obras Manuel do Montserrat na execução dos trabalhos de campo.

Depois de havermos dedicado encômios a aquele histórico construtor de ícones arquitetônicos de nossa Capital, seja este artiguete uma homenagem a outro homem desvelado, de formação escolar primária e de sabedoria deveras privilegiada. Encontrava-se sempre à frente do que lhe era instruído ou observado. Sua arte, nas áreas da construção civil e da mecânica, recebia inovações além das exigíveis.

Reconhecimentos aos devotados misteres emprestados por Messejana ao doutor Janja fazem-se justos e, também, merecidos a Montserrat.

Registro na memória um de seus criativos feitos, nascido do zelo e da simplicidade.

Teste da rede de distribuição. Vazamentos nas junções das tubulações. Tudo reexaminado. Montagens de acordo com especificações. Técnicos da marca decidiram por substituir os anéis de conexão e vedação. Problema replicado.

Dias após, com auxiliares, o mestre refez uma extensão e imprimiu força hidráulica máxima. Nenhuma vazadura.

Pasmo total. Mais, ainda, por sabido inexistir uso de qualquer produto.

“Só fogo! Só fogo!” – disse Montserrat ao enviado do fabricante. E, com ares professorais: “Simples. colocamos o anel de borracha na bolsa do flange. Metemos o tubo por pressão. Logo, com um maçarico, esquentamos o anel no lugar e pronto”.


*Administrador e dicionarista



Colunas
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Por Kleber Santos
30/11
09:52

IEL oferece vagas de estágio em todo estado

O estágio é a melhor forma do aluno colocar em prática o que aprende em sala de aula. Por meio dele, o discente também começa a ocupar seu espaço no concorrido mercado de trabalho. O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) busca ajudar o estudante na orientação e busca por uma vaga de estágio em diversas empresas no estado de Sergipe. A instituição tem convênios com as principais universidades e escolas locais e tem toda estrutura para realizar um bom intercâmbio entre as entidades acadêmicas e as indústrias.

Esta semana estão disponíveis as seguintes vagas de estágio:

- Curso Técnico em Edificações, a partir do 2º módulo; e

- Curso de Ciências da Computação, entre o 2º e o 7º período.

Os alunos interessados deverão entrar em contato pelo telefone (79) – 3226-7490 ou encaminhar o currículo para o e-mail estagio.iel@fies.org.br  Todos os dias surgem novas vagas para que os estudantes, de ensino médio, técnico ou superior, possam começar a trabalhar e aprender com a rotina profissional de uma empresa.


Variedades
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Por Kleber Santos
29/11
09:01

Jackson inaugura a nova Cadeia Pública Territorial de Estância

O governador também entregou a Avenida Roberto Constâncio Vieira, totalizando mais de R$ 10, 5 milhões investidos no município com estas duas obras

O governador Jackson Barreto inaugurou nesta segunda-feira, 28, a Cadeia Pública Territorial de Estância Tabelião Filadelfo Luiz da Costa e a Avenida Roberto Constâncio Vieira, também no município do Sul sergipano. As duas obras representam um investimento superior a R$ 10, 5 milhões.

A unidade possui uma área total de 10.988 m², sendo 3.557 m² de área construída, que deve abrigar 196 vagas para presos provisórios. A construção foi resultado de uma parceria entre Governo do Estado e Governo Federal, através do Ministério da Justiça, com financiamento pela Caixa Econômica Federal. O investimento total na obra foi de R$ 6,8 milhões, sendo a maior parte da verba, R$ 3.459.118,10, oriunda do Tesouro do Estado de Sergipe.

“Esta é uma obra que dá orgulho ao trabalho da Secretaria de Justiça. Estávamos precisando colocar essa unidade para funcionar para aumentar as vagas no sistema. Essa casa representa um investimento de 6 milhões e uma manutenção de R$ 1 milhão para auxiliar na garantia de segurança para o povo sergipano”, afirmou Jackson Barreto.

O início do funcionamento da unidade prisional já em novembro só foi possível, pois o Governo do Estado autorizou que a administração da Cadeia Territorial fosse realizada através de co-gestão. Assim, em contrato firmado, em 19 de outubro desse ano, foi assinado o Contrato Emergencial nº 16/2016 com a Empresa Reviver, para a operacionalização da Cadeia Pública de Estância.

“A inauguração dessa unidade demonstra o compromisso dessa gestão para diminuir o déficit carcerário. Essa cadeia conta com alta tecnologia na segurança prisional, a exemplo do scanner corporal, sistema de monitoramento de câmeras, serviços de assistência e cozinha industrial ", disse o secretário de Estado da Justiça, Antônio Hora.


Segurança

A cadeia territorial de Estância foi dotada de vários itens que devem garantir a segurança interna dos presos e dos agentes penitenciários. Entre eles estão muro com concertina, guaritas elevadas para monitoramento, reservatório elevado em concreto armado, celas com camas em concreto armado e grades de barra de aço, e pisos de alta resistência.

O material usado na obra e o próprio projeto também foram selecionados e pensados para dar suporte a essa segurança. Foram utilizados, fundação em concreto armado; alvenaria de bloco estrutural grauteado; lajes inclinadas maciças; cobertura em telha modulada; hidrossanitárias e sistemas de prevenção contra incêndio, de alarme e de prevenção contra descargas atmosféricas (SPDA).
 
Sistema prisional



Além da Cadeia Territorial de Estância, a gestão estadual realiza a construção da Cadeia Territorial de Areia Branca, que terá capacidade para 390 internos provisórios. O investimento de R$ 10.565.316,96 é realizado em parceira com o governo federal. O Governo do Estado promoveu, ainda, a reforma e ampliação do Presídio Senador Leite Neto em Nossa Senhora da Glória. A unidade prisional abriu 24 vagas, com investimento de R$ 2.038.150,46.

“Tivemos a coragem de pedir ao ministro da Justiça, mesmo neste momento de crise, apoio e recursos para mais duas unidades, uma para regime semiaberto e outra para o regime fechado, e assumimos o compromisso de abrir a Cadeia Pública de Areia Branca no início de 2017”, explicou o governador.

Em novembro, a gestão estadual apresentou ao Ministro da Justiça, Alexandre de Morais, a proposta de demolição da antiga penitenciária de Areia Branca e a construção, em seu lugar, de duas novas unidades prisionais (uma para o regime semiaberto e outra para o regime fechado). Se a medida for efetivada, vai possibilitar a criação de 500 vagas em cada unidade, totalizando mil novas vagas. O Governo do Estado sugeriu que a construção das unidades seja realizada através da metodologia de construção do Sistema Verdi (módulos), que executaria as obras no prazo máximo de oito meses, com um custo por vaga construída de R$ 45 mil.

“Nossa meta se volta agora para a inauguração da Cadeia de Areia Branca, que recebeu um investimento de mais de R$ 10 milhões e terá capacidade para 600 internos provisórios. Se considerarmos as vagas já criadas aqui em Estância e as que criaremos em Areia Branca, e em caso da aprovação da proposta apresentada ao Ministro da Justiça, ao final desta gestão praticamente zeraremos o déficit de vagas e eliminaremos a superpopulação carcerária em Sergipe”, ressaltou Antônio Hora.

O Sistema Prisional Sergipano é composto por sete unidades: Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho e Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, em Aracaju; Complexo Penitenciário Dr. Manoel Carvalho Neto, em São Cristóvão; Cadeia Pública Territorial de Nossa Senhora de Socorro e Presídio Feminino, em Nossa Senhora do Socorro; Presídio Regional Senador Leite Neto, em Nossa Senhora da Glória e Presídio Regional Juiz Manoel Barbosa de Souza, em Tobias Barreto.

Homenageado

 O tabelião Filadelfo Luiz da Costa, que dá nome à unidade prisional, nasceu em Arauá, em 25 de agosto de 1941, filho de Antônio Costa Carvalho e Antônia Nascimento Carvalho, mas logo se mudou para Estância, onde trabalhou e viveu por quase toda a vida. Foi casado com Maria Terezinha Freire Silva, e pai de Filadelfo Luiz da Costa Junior, Filadelfo Alexandre Silva Costa, Filadelfo Manuel Silva Costa, Filadelfa Caroline Costa Santana e Filadelfo Antônio Silva Costa. Em 2004, o tabelião Filadelfo Luiz da Costa faleceu e, doze anos depois, recebeu a homenagem do Governo do Estado pelos serviços prestados à sociedade.

“Tenho orgulho de emprestar o nome de meu pai ao sistema prisional de Sergipe. Esta é uma unidade segura, para presos de média periculosidade e que gera emprego para o povo de Estância", expôs o vice-prefeito do município e filho do homenageado, Filadelfo Alexandre.

Avenida Roberto Constâncio Vieira

Após inaugurar a Cadeia Pública Tabelião Filadelfo Luiz da Costa, o governador Jackson Barreto entregou a Avenida Roberto Constâncio Vieira, via que dará acesso tanto ao Polo Têxtil de Estância, quanto à Companhia Industrial Têxtil (CIT), além de facilitar o tráfego aos moradores do município de Estância e das cidades circunvizinhas.

“A obra de Constâncio Vieira é um legado para Estância. Feliz é o município que tem um empresário do empreendedorismo, da competência de Constâncio Vieira, um homem capaz de promover o desenvolvimento social e econômico, gerar emprego e renda. Essa é a história de Constâncio Vieira, a quem tenho a honra de homenagear com essa obra. Essa avenida era uma reivindicação do município, do prefeito e empresários desta área”, destacou o governador.

A obra corresponde a um investimento de R$ 3.791.010,26 e possui uma extensão total de 2.565 metros, e é dividida em três segmentos. Um deles tem uma largura total de 11 metros, sendo duas pistas de rolamento, com três metros e meio cada, e acostamentos dos dois lados, com largura de dois metros cada um.

O segundo segmento possui uma largura total de 13 metros, com duas pistas de rolamento de três metros e meio cada, e acostamentos com três metros de largura. Já o terceiro segmento, possui largura de oito metros. São duas pistas de rolamento com três metros de largura cada, e acostamentos laterais com um metro.

“O resultado imediato dessa obra é um investimento imobiliário na região. Nosso papel é criar infraestrutura para o crescimento do estado”, destacou o secretário de Estado da Infraestrutura, Valmor Barbosa.
 
Polo Têxtil de Estância

O polo que ganhou o novo acesso tem área total de 521 mil metros quadrados. A Indústria Sergitex (do grupo paulista Rovach), âncora do polo, que ocupará 421 mil metros quadrados, está em fase final de instalação e vai produzir fios têxteis e jeans.

Na unidade serão investidos mais de R$ 157 milhões. Quando estiver em plena operação serão gerados 1.546 postos de trabalho. A indústria recebe incentivo fiscal do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial – PSDI.

Também está em processo de implantação a empresa Ipatinga Têxtil Ltda, que gerará inicialmente 80 empregos diretos, com investimento de R$ 8 milhões e incentivos do Programa.

Próximo ao Polo Têxtil, funciona a Companhia Industrial Têxtil (CIT), empresa do grupo Constâncio Vieira. A CIT gera 500 empregos, com investimento que gira em torno de R$ 80 milhões.

 Roberto Constâncio Vieira

Com mais de 70 anos de empreendedorismo, o empresário Constâncio Vieira foi um dos maiores nomes do cenário empresarial de Sergipe. Foi diretor-presidente do Sistema Empresarial Constâncio Vieira, do qual fazem parte a Companhia de Refrigerantes do São Francisco (Ciresf), Constâncio Vieira Indústria S/A, Consórcio Têxtil de Acabamento S/A (CTA) e Companhia Alagoana de Refrigerante (CIAL). Era casado com Maria Cândida Campos Vieira, com quem teve quatro filhos: Roberto, Constância Virgínia, Ruy e Cândida Maria. Roberto Constâncio Vieira faleceu em 27 de junho de 2016.

Fotos: Victor Ribeiro/ASN e Jorge Henrique/ASN


Política
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Por Kleber Santos
29/11
08:46

Banese é destaque nacional

Reportagem do jornal Valor Econômico destaca pioneirismo do Banese com serviço de captura remota de cheques

 O jornal Valor Econômico divulgou na última sexta-feira, 25, matéria jornalística em que o Banco do Estado de Sergipe (Banese) é citado como o primeiro banco a ofertar o serviço de RDC (Captura Remota de Cheques) no Brasil. Em reportagem intitulada “Solução permite a compensação remota do cheque”, o Valor Econômico informa que o serviço de RDC foi apresentado no Brasil pela MultiCrédito, empresa de inteligência e segurança para mecanismos de crédito, com os parceiros Banese e a provedora de sistemas Recognition.

A reportagem na íntegra pode ser vista através do link: http://www.valor.com.br//empresas/4787157/solucao-permite-compensacao-remota-do-cheque. De acordo com o gerente da Área de Canais e Marketing do Banese, Édivam Clinger, o Banco do Estado, com o objetivo de fornecer serviços inovadores aos seus clientes, desenvolveu o serviço de RDC em 2015 e ampliou a sua comercialização em 2016.

“Através do RDC os clientes Pessoa Jurídica do Banese podem digitalizar cheques em seus próprios estabelecimentos e enviar as imagens para o banco, sendo os depósitos efetuados a qualquer hora do dia”, informou Clinger, ressaltando: “Com o RDC, o cliente não precisa ir ao banco para fazer a compensação dos cheques”.

Ainda segundo o gerente, os requisitos básicos para o serviço são um computador com internet e um scanner. “O sistema também possibilita um maior controle na gestão de cheques pelo cliente, redução de custos vinculados à guarda e depósitos de cheques e maior agilidade nos depósitos”, acrescentou Clinger.

Para o presidente do Banese, Fernando Mota, a solução RDC está alinhada com o direcionamento estratégico do banco de se posicionar como uma instituição moderna, que facilita a vida dos seus clientes através de produtos e serviços inovadores.


Economia
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Por Kleber Santos
29/11
08:19

Feridas da vida

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE

Ele tinha três aninhos. Estava todo arrumado. De sapatinho, camisinha vermelha, shortinho azul e cabelo cortado. Quem sabe, com aquele cheirinho gostoso de lavanda. Estava vestido como se fosse passear. Ou a uma festa de aniversário brincar com outras crianças. Exalava inocência e vida. De repente, levaram-lhe para atravessar o mar. Sem saber, a esperança de um mundo melhor o levaria à morte. O mar lhe trouxe intacto, como a mostrar para todos nós o quanto da nossa insensatez e da nossa maldade. Ah, como o mar é implacável! Por que fez isso? Logo ali, entre a areia e as ondas que vinham e iam? Ali onde muitas crianças brincam e são felizes com seus familiares? Mas, o impressionante foi a posição de suas mãozinhas. Ambas viradas para trás como a pedir socorro: - por favor, ajude-me, eu sou uma criança! Entretanto, a natureza é pródiga. Notem que nenhum peixe, nenhum animal marinho tocou no seu corpinho, como a homenagear a inocência. Deus! Onde estás que não te vejo? Por que permitiste que essa criança morresse nessas condições? É crime de lesa-natureza uma criança morrer. A criança não nasce para morrer. Ela nasce para irradiar alegria, para nos dar exemplos da força da ingenuidade e da pureza da alma. A criança é luz, é renovação, é a representação da esperança de um mundo melhor. A foto acima é do menino sírio Alan Kurdi. Ao vê-la, dá vontade de agasalhá-lo nos braços, afagando-lhe os cabelos. Ele estava com a família num pequeno bote que carregava 17 pessoas. O barco virou bem próximo ao balneário de Bodrum, na Turquia. Fugiam da maldade humana e de um mundo insensato, em busca de paz e na esperança de um novo amanhã. Escapavam da cidade de Kobane, palco de violentos embates entre militantes extremistas muçulmanos e forças curdas oficiais. Seu irmão Galip, 5 anos, e sua mãe, Rehan, também morreram afogados, mas seu pai, Abdullah Kurdi, sobreviveu. Ele disse: - meus filhos eram as crianças mais maravilhosas do mundo. Eles me acordavam todas as manhãs para brincar. Alguém, irresignado com a morte de uma criança, cunhou um dos mais contundentes petardos contra a humanidade, contra o mal existente em cada um de nós: “De cada criança morta nascerá um fuzil com olhos que terminará por lhe achar o coração”.

Em fevereiro do ano passado, aqui neste espaço, escrevi um ensaio sobre a origem do mal. Ali, tento fazer uma reflexão através de sete perguntas capitais: se Deus foi o criador de tudo, o mal também foi criado por Ele? Por que existe o mal? O bem e o mal são intrínsecos à natureza humana? O mal é uma criação do meio em que se vive? O que é, na verdade, o bem e o mal? Por que Deus tolera o mal? Como nasceu o mal? Todos conhecem o Hino da Criação do Universo. Ali está dito que Deus criou o céu e a terra, as águas do mar, a noite e o dia, plantas que geram sementes, árvores frutíferas, seres vivos nas águas e pássaros que voam abaixo do firmamento, animais domésticos, pequenos e selvagens, segundo suas espécies, monstros marinhos, e seres humanos à Sua imagem e semelhança. Tudo, portanto, foi criado por Deus. E a Bíblia arremata que tudo criado por Deus é bom, especialmente o ser humano – homem e mulher -, coroamento da criação. Depois dessa sentença bíblica, começam a fervilhar as perguntas que não saem da cabeça. São questionamentos para reflexão diante de um mundo de predomínio da maldade. De um mundo onde cada vez mais o homem faz questão de mostrar seus instintos primitivos. Aliás, na própria Bíblia, Habacuque questionou Deus sobre o mal: Tu [Deus] és tão puro de olhos, que não podes ver o mal, e a opressão não podes contemplar. Por que olhas para os que procedem aleivosamente, e te calas quando o ímpio devora aquele que é mais justo do que ele? E ali eu lembrava do perigo de se fazer tantas perguntas. Há cerca de 2.400 anos, em Atenas, por perguntar demais, um homem foi condenado à morte, obrigado a tomar veneno preparado com cicuta: Sócrates. Aliás, para ele, o mal seria resultado da ignorância, não teria existência real e, assim, o homem sábio deveria superá-lo. Mas, a sua morte, ao contrário do que se imaginava, fez estimular na história da filosofia o pensamento perquiridor. Epicuro, por exemplo, filósofo grego que nasceu no ano 341 e morreu em 270 a.C., foi bastante persuasivo ao falar sobre o mal moral, ou seja, o mal causado pelos seres humanos. Epicuro questionava como poderia um Deus bom e todo-poderoso admitir o mal? Ora, segundo ele, se Deus não pode impedir que isso aconteça, então não é verdadeiramente todo-poderoso.

Mas foi Santo Agostinho quem defendeu a tese de que a origem do mal estaria no livre-arbítrio concedido por Deus. Todo mal, para ele, seria resultado do livre afastamento do bem. O mal, assim, seria a ausência do bem. Durante muito tempo se acreditou que a bondade vinha da alma e o mal do corpo, com todas as suas contradições. E mais ainda, a religião maniqueísta explicava a existência do mal diante do confronto de duas forças antagônicas, uma representando o bem, Deus, outra o mal, o Diabo. Ambos seriam fortes e nenhum deles conseguiria destruir o outro. Embora maniqueísta na sua juventude, Santo Agostinho se afastou dessas teses, principalmente ao tentar explicar o motivo de Deus permitir o sofrimento em decorrência da prática do mal. Para ele, ao receber o livre-arbítrio, teria o homem o poder de escolha. Santo Tomás de Aquino repete Santo Agostinho, e vê o mal como ausência do bem. Segundo Aquino, o mal não tem perfeição nem ser. O mal só pode significar a ausência do bem e do ser; pois o ser, enquanto ser, é um bem. Por essa razão, o mal representa algo puramente negativo, ou melhor, ele não é nem essência nem realidade. Ele se apresenta como privação de uma propriedade que a substância deveria possuir. O mal, portanto, seria uma privação, ou seja, a falta daquilo que deveria estar presente. Num momento em que a igreja associava o mal à imagem do demônio e do pecado, Jean-Jaques Rousseau revolucionou a discussão da matéria, ao enunciar “que a primeira fonte do mal é a desigualdade” e que “O homem nasce livre, e em toda parte é posto a ferros. Quem se julga o senhor dos outros não deixa de ser tão escravo quanto ele”. Essa visão de que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe criou muitos problemas para ele, já que esse entendimento ia de encontro aos valores da época, principalmente aqueles defendidos pela igreja. A obra de Rousseau está consolidada em Discursos sobre as Ciências e as Artes, Discurso sobre a Origem da Desigualdade, O Contrato Social, Emílio e As Confissões e é tida como importante na história da filosofia política. Já Kant entende que o mal está enraizado na natureza humana, diante do poder de escolha que o homem tem para decidir o que fazer. Enfim, o bem é um imperativo categórico e tudo que vai de encontro a ele seria o mal.

E diz Kant: (...) o fundamento do mal não pode residir em nenhum objeto que determine o arbítrio mediante uma inclinação, em nenhum impulso natural, mas unicamente numa regra que o próprio arbítrio para si institui para uso da sua liberdade, i.e., numa máxima. O espiritismo também defende a pureza da alma e que nela está armazenada bilhões de anos de existência. Para essa doutrina, a origem do mal estaria na consciência do homem e na sua convivência com o bem, este sempre eterno e aquele temporário. Para os Espíritos da Codificação Espírita, o bem é tudo o que é conforme a lei de Deus, e o mal é tudo o que dela se afasta. Allan Kardec, no Livro dos Espíritos, enuncia: [...] os Espíritos foram criados simples e ignorantes. Deus deixa ao homem a escolha do caminho. Tanto pior para ele, se toma o mau caminho: sua peregrinação será mais longa. Se não existissem montanhas, o homem não compreenderia que se pode subir e descer; e se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros. É preciso que o Espírito adquira experiência e, para isso, é necessário que conheça o bem e o mal. O pensamento humano e a ideia do mal tiveram o seu ponto máximo na descoberta do inconsciente por Sigmund Freud. Para ele, grande parte das nossas ações é movida por desejos recônditos, formulados a partir de lembranças traumáticas reprimidas, tal qual um reservatório de impulsos eticamente inaceitáveis para o indivíduo. Retorno a Kant, que pertenceu ao grupo que defendia uma das matrizes do sistema ético, a chamada deontologia, onde o que importa são os princípios. Se as regras são “não matarás”, “não roubarás”, “não mentirás”, violará o sistema quem as descumprir, pois amparadas por ideais universais. Mas saiu de Czeslaw Milosz - poeta, romancista e ensaísta, de naturalidade polonesa, prêmio Nobel de literatura em 1980 - a ideia de que o bem e o mal só existem no homem. Assim, se a espécie humana deixar de existir, eles, o bem e o mal, também desaparecerão. É o mal existente em cada um de nós que mata as nossas crianças, que cria os nossos medos. O corpinho de Alan de rosto na areia, na beira do Mediterrâneo, parecia mostrar que ele dormiu cansado de tanto brincar... quem sabe com os peixinhos, sonhando que crianças como ele nunca mais morreriam. 
 
Post Scriptum
A Vendedora de Galinha

Não havia contestação. Todos os homens e mulheres, naquela pequena cidade do interior sergipano, eram uníssonos em reconhecer que Anabela era a mulher mais bonita do local. Corpo escultural, seios fartos e pele bronzeada como se estivesse saindo do mar, ela transbordava simpatia onde chegava. Era admirada e fonte inspiradora para o poeta Geraldinho de Fleury que, segundo ele próprio, tem mais de setecentos poemas dedicados a ela, todos de encômios à sua beleza. Desses, seiscentos e cinquenta são dedicados aos seus seios. Para ele, embora os seios de uma mulher carreguem o símbolo da maternidade, são também a imagem da fertilidade e da purificação. Na sua adolescência, Anabela  foi rainha de todas as festas da cidade: Milho, São João, São Pedro, Padroeira. Era invencível. Muito desejada pelos rapazes da capital, nunca deu bola para eles. Seu coração pulsava mais forte apenas por Pedro de Ieié, seu grande amor juvenil. Namorou com ele desde os onze anos e aos dezessete casou-se. Vivia feliz com ele, já com um casal de filhos. Possuíam uma granja e as coisas não vinham muito bem, quando então ela resolveu que iria vender as galinhas na feira. Foi um estouro. Os negócios cresceram rapidamente. De quinze a vinte galinhas que Pedro de Ieié vendia por feira, Anabela, passou a vender entre duzentas e cinquenta a trezentas galinhas. Filas enormes de homens se faziam na barraca de Anabela para comprar o galináceo. Mulher simples e despojada, vestia-se sempre com roupas sensuais que deixavam o seu corpo à mostra em toda a sua plenitude. Se o mesmo scouter que descobriu a modelo Naira Lili, uma vendedora de galinha do Espírito Santo, passasse na cidade sergipana e visse Anabela, não se teria qualquer dúvida que ela seria convidada para posar nos estúdios da Andy Models. O seu marido, Pedro de Ieié, estava maravilhado com a descoberta daquela nova faceta de sua mulher. Sempre que ia à feira, ficava observando a fila de homens comprando galinha. Qualquer pessoa que se aproximasse, ele logo ia falando: - Não sei o porquê, mas quando estou na barraca vendendo galinha ninguém compra, já Belinha! E ele mesmo respondia: - É o tino para o comércio, bestão!      


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
29/11
08:18

TCE aplica auto de infração e 13 prefeitos pagarão multa de R$ 30 mil por atraso nos salários

O Tribunal de Contas do Estado decidiu em sessão extraordinária nesta segunda-feira, 28, abrir auto de infração contra 13 prefeitos que atrasaram a apresentação do cronograma de pagamento dos salários dos servidores relativos aos três últimos meses do ano e mais 13º salário.

Os prefeitos de Cumbe, Feira Nova, Japoatã, Laranjeiras, Nossa Senhora da Glória, Pirambu, Poço Verde, Porto da Folha, Santo Amaro das Brotas, Santa Rosa de Lima, Tobias Barreto e Tomar do Geru pagarão multa de R$ 30 mil, mais R$ 2 mil por dia de descumprimento até a multa máxima de R$ 62.033,61. Os municípios também poderão ter as contas bloqueadas.

Na sessão do dia 17 deste mês, o TCE havia dado prazo até o dia 21 para que os prefeitos apresentassem os cronogramas. Depois, o prazo foi estendido até o dia 25, mas nem assim a obrigação foi cumprida. Alguns desses municípios ainda estão com os salários de outubro em atraso.

“Naquela oportunidade, registrei que seria prudente aguardarmos para que tivéssemos dados consolidados sobre quais municípios apresentaram o cronograma de pagamento, em cumprimento ao Ofício Circular 006/2016. Mas, infelizmente, eles não apresentaram os cronogramas ou não responderam ao Tribunal”, informou o presidente do TCE, Clóvis Barbosa.

Salários de outubro
Sete municípios que estão com os salários de outubro em atraso deverão quitar a pendência com os servidores até a próxima quarta-feira, 30, sob pena de terem suas contas bloqueadas pelo Tribunal de Contas. Cumbe, Gararu, Laranjeiras, Maruim, Pacatuba, Santo Amaro das Brotas e São Cristóvão deveriam comprovar o pagamento até o último dia 25. Rosário do Catete e Umbaúba estavam nessa lista, mas o TCE constatou que houve o pagamento.



Política
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Por Kleber Santos
29/11
08:18

TCE decide pelo bloqueio das contas da Prefeitura de Aracaju

Em sessão extraordinária do Pleno ocorrida na manhã desta segunda-feira, 28, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/SE) decidiu pelo bloqueio das contas do município de Aracaju até que a folha de pagamento referente ao mês de outubro esteja em dia. A medida cautelar prevê ainda que seja liberado o desbloqueio para pagamento de salários, tributos de quaisquer espécies e consignações.

A discussão da matéria, que teve como relator o conselheiro Ulices Andrade, foi motivada por representação formulada pelo procurador José Sérgio Monte Alegre, cujo conteúdo destaca os recorrentes e sucessivos atrasos no pagamento de verba remuneratória de natureza alimentar, o que, segundo o Ministério Público de Contas, vem trazendo sérios e irreversíveis prejuízos aos agentes públicos.

"Recebida a peça, este Tribunal adotou todas as medidas no sentido de instar o município inadimplente a regularizar o atraso remuneratório, mas, frise-se, não obstante o envide de todos os esforços, restaram infrutíferas todas as tentativas", diz o relatório apresentado pelo conselheiro.

É registrado ainda pelo relator que o instrumento utilizado não se deu por qualquer motivo, "mas por imperiosa necessidade de atendimento ao princípio da dignidade da pessoa humana, para garantir o direito de subsistência de agentes públicos que prestaram valorosos serviços públicos, tendo o direito de ver satisfeita a contraprestação pecuniária".

Conforme ficou decidido, serão oficiadas as instituições bancárias com as quais a Prefeitura de Aracaju mantém vínculo, a fim de que possam materializar a decisão, bloqueando as contas do ente até que o Tribunal expeça ofício comunicando acerca do adimplemento do crédito remuneratório que os agentes públicos têm com a municipalidade.


Política
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Por Kleber Santos
28/11
16:50

Amorim: “estou pronto pra disputar o governo em 2018”

“Estou pronto, me sinto mais preparado para disputar o governo de Sergipe, em 2018”, garantiu o senador Eduardo Amorim (PSC), no programa Liberdade Sem Censura desta segunda-feira (28). A resposta foi ao questionamento sobre quem será o candidato do bloco que faz oposição ao grupamento político liderado por Jackson Barreto. Em recente entrevista, o também integrante do PSC, deputado federal André Moura, fez críticas ao marketing e ao estilo adotado por Eduardo na campanha de 2014. 


Questionado sobre a declaração de Francisco Gualberto, que o seu agrupamento, junto com o do senador Valadares, queriam ganhar a eleição da prefeitura de Aracaju, “para tomar de assalto o governo do Estado em 2018”, Eduardo Amorim foi contundente, “Gualberto, pare de mentir”, disse indignado. Outra pergunta feita pelo radialista Marcos Aurélio, foi a respeito do compromisso que o senador Valadares teria feito, que não seria mais candidato na eleição de 2018. “Nós não somos de impor nada.  E não vamos impor. Conversamos sim com o senador Valadares, mas não podemos impor nada”, limitou-se a dizer Eduardo. 


Eduardo fez críticas aos modelos das políticas públicas aplicadas pelo atual governador Jackson Barreto, em especial nas áreas de segurança, saúde e educação. “Eu avisei antes de 2014 que Sergipe iria se tornar inviável com os empréstimos que foram tomados. Hoje no Brasil o cidadão pode conviver com três crises, da União, dos Estados e dos Municípios. Aqui, infelizmente temos no Estado, as duas crises, e estamos caminhando para nos tornarmos um Rio Grande do Sul, e logo, logo, um Rio de Janeiro”. Ao falar sobre suas ideias para solucionar tais problemas, Amorim sugeriu, como forma de solucionar as questões da segurança, o controle das fronteiras do Estado.



Política
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Por Eugênio Nascimento
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