06/11
22:13

Salgado: população se une para pedir retorno do Banco do Brasil

Na próxima quarta-feira, 8 de novembro, às 9h, na Praça da Bíblia* (em frente ao posto de combustíveis), moradores do município de Salgado, na região Sul de Sergipe, farão uma grande audiência pública ao ar livre para pedir o retorno da única agência bancária que havia na cidade. É que há mais de 10 meses que o Banco do Brasil fechou as portas no município, alegando falta de segurança. De lá para cá, mesmo com os vários apelos, população e clientes estão sem nenhum serviço bancário, já que essa era a única agência bancária de Salgado. Com isso, os moradores são obrigados a viajar para cidades vizinhas, como Boquim, Itaporanga ou Lagarto para fazer uso de qualquer serviço bancário. A audiência pública contará com a participação de representantes da  Ordem dos Advogados do Brasil/Sergipe.



Variedades
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Por Eugênio Nascimento
05/11
21:52

Mendonça Prado defende aliança do PPS com o DEM, PSB e PV

“Não tenho conversado com o DEM. Mas integrantes do PPS sim”.  A declaração é do ex-deputado federal Mendonça Prado e foi feita quando indagado sobre a possibilidade de uma aliança envolvendo as duas agremiações. Ele acrescentou: ” Estamos de portas abertas para o DEM, PSB e PV”.

Mendonça informou que não há qualquer restrição ao DEM, que tem como presidente sua ex-mulher, Ana Alves, filha do ex-governador João Alves com a senadora Maria do Carmo. “Não rejeitaremos apoio de ninguém. As restrições são apenas em relação aos Amorim e ao Moura”.

Ele deixou claro ainda que “queremos união (aliança) em torno de um projeto sério para organizar a administração pública estadual. Nada de promessas, queremos dar freio de arrumação, fazer o básico”.



Política
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Por Eugênio Nascimento
05/11
13:28

Meirelles aos trancos e barrancos

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

O debate sobre economia na grande mídia e nas redes sociais não é muito distinto dos enfrentamentos do mundo político, quando se pensa no grau de desfaçatez e de dissimulação que guarda. Se no ambiente acadêmico tende a se preservar certo rigor de argumentação e no tratamento dos dados, no embate cotidiano das opções de política econômica é comum se atropelar a lógica e apelar para repetições de argumentos com o intuito de atender expectativas e reforçar preconceitos, que muitas vezes apenas buscam defender interesses de segmentos específicos. Mesmos os canais ditos especializados no debate econômico não costumam fugir a esse padrão, apenas retocam a maquiagem com mais cuidado para evitar deixar as rugas muito aparentes. 

Do alto de suas poderosas plataformas, os especialistas massacram o público com repetições de argumentos que mesmo dissociados da realidade ganham estatura de verdades absolutas, sem chance para contrapontos. No momento, tais características se exacerbam no debate sobre a tibieza da retomada no curto prazo e o fôlego que poderá ter o crescimento da economia brasileira no longo prazo. 

O impulso da demanda
Nesse jogo de fingimento, repetiu-se à exaustão que o afastamento da Presidente eleita e os compromissos firmados no documento Uma Ponte para o Futuro de promover os valores de mercado e de buscar a sustentabilidade fiscal teriam o condão de provocar um choque de confiança que estancaria de imediato a queda do nível de atividade e em seguida impulsionaria o crescimento. 

Há um ano atrás propagava-se que o novo ciclo expansivo da economia seria comandado pelo investimento privado, que vinha despencando desde o 2º trimestre de 2014, posto que a baixíssima taxa de poupança vigente indicava que o papel do gastos das famílias no crescimento havia sido exaurido no ciclo de crescimento anterior baseado no populismo. 

A luta ideológica no debate econômico pode levar a proposições tão obscurantistas que os apologetas da fé de mercado nem mesmo distinguiam as tendências de longo prazo, nas quais inevitavelmente o consumo deverá perder peso no PIB brasileiro, até por uma questão óbvia de que em algum momento os investimentos deverão reagir com alguma intensidade, com o funcionamento dos mecanismos que no curto prazo estancariam a queda da demanda agregada. 

A argumentação cega nem mesmo reconhecia abertamente que estancar a queda no nível de atividade era uma questão de demanda e sem o impulso dela a retomada não se iniciaria, nem mesmo se asseguraria o crescimento de longo prazo (que obviamente requer a retomada no curto prazo), para o qual teriam que se somar outros aspectos que se relacionam de fato também com as forças de oferta. 

Pragmático
Nesse contexto pouco edificante, o ministro Meirelles é, sobretudo, um pragmático.  Adotou medidas, a exemplo do contingenciamento das despesas previstas no orçamento, para deter a rápida deterioração das contas públicas, e a edição da Lei do Teto dos gastos, a fim de sinalizar o compromisso com o ajuste fiscal, mesmo que em horizonte de tempo muito largo. Mas o Ministro tem consciência que tais medidas são pró-cíclicas, que operam no curto prazo no sentido de aprofundar a recessão, e que não existe na vida real nada parecido com uma “contração fiscal expansionista”, sem que, todavia, a desfaçatez vigente no debate público permita que ele assim as reconheça. 

Como o choque de confiança não produziu a esperada retomada dos investimentos que impulsionaria o crescimento da economia restou ao Ministro tirar coelhos da cartola para impedir que a continuidade da queda da renda disponível das famílias postergasse ainda por mais tempo o início da retomada do nível de atividade. 

Para atenuar a rigidez do orçamento, aos trancos e barrancos, Meirelles recorre a expedientes que permitem algum alívio para o gasto público. Do ano passado para cá, o Ministro contou com receitas extraordinárias (não recorrentes), como a tributação sobre os recursos repatriados e mais uma edição de Refis de dívidas tributárias e previdenciárias. Para 2018 postula a devolução de R$ 150 bilhões do BNDES para reforçar o caixa do tesouro. Reconhecendo o papel crucial do consumo na recuperação, impulsionou os gastos das famílias liberando recursos do FGTS e do PIS/PASEP. Todas medidas que procuram atenuar as restrições de demanda.

Meirelles se equilibra entre os objetivos de sustentabilidade fiscal de longo prazo e a necessidade de não restringir excessivamente a demanda no curto prazo. Faz isso com certa competência, mas os resultados, como não poderiam deixar de ser, têm sido relativamente minguados e a retomada do crescimento tem sido lenta e vacilante. Afastem-se, pois, as ilusões de uma retomada exuberante do crescimento do nível de atividade e de retorno robusto do emprego. Nossa via crucis está longe de terminar.  Meirelles revela-se assim o comandante hábil dessa travessia em direção a uma sociedade mais excludente e apartada; menos por convicção própria do que por ter se mostrado o caminho de menor resistência.

Foto de Edilson Rodrigue/ Agência Senado

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
05/11
13:24

Sociedade de Sonhadores Fracassados

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE

No início do poema Explico Algumas Coisas, provavelmente dedicado aos poetas Rafael Alberti, Federico Garcia Lorca e Raúl Silva Castro, Pablo Neruda faz três perquirições: - Onde estão os lírios? E a metafísica coberta de papoulas? E a chuva que muitas vezes golpeava suas palavras enchendo-as de frestas e pássaros? As perguntas – duras, é verdade – não ficam sem respostas a uma tensa realidade vivida na Espanha nos idos da ditadura de Franco. O país foi totalmente destroçado, estimando-se que mais de um milhão de pessoas tenha morrido durante o período compreendido entre a guerra civil espanhola, de 1936 a 1939, e a ditadura franquista, de 1939 a 1975. Mas Neruda, no final da poesia, faz uma última indagação: Por que os seus poemas não falam dos sonhos, das folhas e dos grandes vulcões de seu país natal? Ele responde, repetindo por três vezes: Venham ver o sangue pelas ruas! Os sonhos desse grande poeta chileno não foram perdidos, mas adiados. John Lennon foi fundador de um dos maiores fenômenos da história da música, The Beatles. Quando ele se desligou da banda, o primeiro ato foi devolver a sua medalha de Membro do Império Britânico à rainha da Inglaterra, como protesto pela atuação do Reino Unido no conflito de Biafra e o seu envolvimento no apoio à guerra do Vietnã. 

Uma de suas mais belas composições é Imagine, onde o sonho de um mundo melhor e mais irmanado é sublimado: Imagine não haver o paraíso, é fácil se você tentar. Nenhum inferno abaixo de nós. Acima de nós, só o céu. Imagine todas as pessoas vivendo o presente. Imagine que não há nenhum país. Não é difícil imaginar. Nenhum motivo para matar ou morrer e nem religião, também. Imagine todas as pessoas vivendo a vida em paz. Imagine que não existam posses e eu me pergunto se você pode viver sem a necessidade de ganância ou fome. Como uma irmandade dos homens. Imagine todas as pessoas partilhando todo o mundo. Você pode dizer que eu sou um sonhador, mas eu não sou o único. Espero que um dia você junte-se a nós e o mundo será como um só. O seu assassinato não matou os seus sonhos. Também os seus sonhos não foram perdidos, mas adiados. Clarice Lispector dizia que ainda bem que sempre existe outro dia. E outros sonhos. E outros risos. E outras pessoas. E outras coisas. A Bíblia diz que Deus, criador do Paraíso no jardim do Éden, prometeu fazer da terra um paraíso de novo. De que forma? O profeta Isaías descreve como vai ser a vida no paraíso: todas as coisas ruins que existem hoje vão deixar de existir. O próprio Alcorão prevê a existência desse paraíso: os justos entre os Meus servos vão herdar a terra.

Fernando Pessoa considerava a poetisa Florbela Espanca como uma “alma sonhadora Irmã gêmea da minha!” Essa belíssima mulher, precursora do movimento feminista em Portugal, multifacetava-se ora como a “endiabrada bela”, como a “Napoleão de saias”, a “princesinha” e ora como “trouxa de farrapos”, tudo isso personificado nos seus contos e poemas marcados por uma vida inquieta, tumultuada e, sobretudo, carregada de sofrimentos. Assim foi a curta vida de Florbela Espanca, encontrada morta no dia do seu aniversário, 8 de dezembro de 1930, aos trinta e seis anos. Um de seus grandes textos encontra-se na obra “Diário do último ano”, de 1981, com prefácio de Natália Correia, onde sua alma sonhadora se revela. Ela diz: Que me importa a estima dos outros se eu tenho a minha? Que me importa a mediocridade do mundo se Eu sou Eu? Que importa o desalento da vida se há a morte? Com tantas riquezas por que me sentir pobre? E os meus versos e a minha alma, e os meus sonhos, e os montes, e as rosas, e a canção dos sapos nas ervas úmidas, e a minha charneca alentejana, e os olivais vestidos de Gata Borralheira, e o assombro dos crepúsculos, e o murmúrio das noites... então isso não é nada? Napoleão de saias, que impérios desejas? Que mundos queres conquistar? Estás, decididamente, atacada de delírios de grandezas! 

Toda vez que leio e procuro entender a alma de Florbela lembro-me de F. Scott Fitzgerald. A frase final da sua principal obra, O Grande Gatsby, diz mais ou menos o seguinte: remamos todos contra a corrente, em busca dos dias passados. Foi assim como viveu Florbela Espanca. O lamentável da sua vida foi a onda de acusações que ela sofreu da ditadura salazarista e da igreja católica e que possivelmente contribuiu para o seu suicídio. Não perdoavam o seu espírito libertário, que não se adequava aos padrões impostos. Mas, eles não entendiam de loucura, de poesia, de amor, de sonho e de fantasia. E, lembrando Shakespeare, “Enquanto houver um louco, um poeta e um amante haverá sonho, amor e fantasia. E enquanto houver sonho, amor e fantasia, haverá esperança”. Tabacaria é considerado um dos mais ricos poemas de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do grande poeta lusitano Fernando Pessoa. O mundo do cotidiano com suas angústias disputa o espaço com os sonhos libertários: Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. Mas seus sonhos se desfazem diante de uma realidade dura, a estupidez humana: O mundo é para quem nasce para o conquistar e não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.

Uma experiência marcou bastante a minha vida: ter conhecido e convivido com Darcy Ribeiro. Ele tem tudo a ver com o tema aqui abordado. Era um verdadeiro cruzado na defesa dos seus sonhos, que se transformaram em luta até a sua morte. Como era gostoso conversar com ele. Sempre deixava uma dúvida, uma frase de efeito, uma tese que a gente carregava para reflexão. Era um homem tremendamente preocupado com o Brasil. Por que o Brasil ainda não deu certo? Era a pergunta que ele fazia sempre, desde a sua chegada ao exílio, no Uruguai, em abril de 1964. Com essa idéia na cabeça começou a pensar numa forma de responder à pergunta. Trinta anos depois produziu, talvez, a sua maior obra, com o título de “O povo brasileiro – a formação e o sentido do Brasil”, que, para ele, foi a melhor forma de influenciar as pessoas que aspiravam ajudar o Brasil a se encontrar como nação. Mas, infelizmente, até hoje sua pergunta continua sem resposta. O seu sonho de transformar o Brasil sempre encontrava barreiras na elite brasileira, considerada por ele uma das mais opulentas, antissociais e conservadoras do mundo: O Brasil, último país a acabar com a escravidão, tem uma perversidade intrínseca na sua herança, que torna a nossa classe dominante enferma de desigualdade, de descaso. 

Na manhã do dia 18 de fevereiro de 1997 soube de sua morte em Brasília. Imediatamente segui para o Rio de Janeiro, local do enterro, para lhe dar o meu último adeus. Na viagem e antes de chegar à Academia Brasileira de Letras, no Castelo, onde seu corpo foi velado, um filme passou em minha mente e passei a me lembrar das nossas conversas durante os parcos momentos de convivência. Desde 1995 que ele enfrentava um câncer nos ossos. No nosso último encontro, até tratamos sobre o assunto e eu falei de alguns amigos que tive e que também sofriam desse mal. Depois da doença, conheci um Darcy que tinha pressa em terminar alguns projetos, como a fundação que levaria o seu nome e que teria a sede na sua residência, em Copacabana. Lá estava eu, anonimamente, no Salão dos Poetas Românticos da Academia Brasileira de Letras, observando as pessoas e autoridades que tinham ido prestar a última homenagem. O escritor Dias Gomes foi quem melhor traçou o seu perfil: “O Darcy era um homem feito só de amor. Ele não tinha ódio no coração”. Enquanto o som de Bach contribuía para a nossa melancolia, chegava uma coroa de flores mandada por Fidel Castro com a frase “ao eterno amigo”. Era um cenário de tristeza, principalmente quando a presidente da ABL, escritora Nélida Piñon, fez o discurso de despedida. 

Na hora do enterro, ainda na sede da Academia, um quiproquó foi gerado pela falta de um veículo que levaria o caixão. Foi o que bastou para ataques e xingamentos serem desferidos contra o então governador do Rio de Janeiro, Marcelo Alencar. Os ânimos foram acalmados e o enterro saiu da ABL até o Cemitério São João Batista, num trajeto de 7 km, onde no mausoléu dos acadêmicos, já à noite, Darcy foi enterrado. Darcy disse certa vez: “Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu”. No Brasil do mensalão e da Lava Jato, as teses de Darcy se revestem de grande atualidade, onde as ideias dominantes continuam sendo produto das elites que “asfixiam as massas mantendo-as na escuridão da ignorância”, onde a classe política tornou-se aviãozinho de uma casta de empresários que se uniu para roubar descaradamente o país. Darcy esqueceu da sua própria tese sobre a crueldade da elite. Ele viveu e nós continuamos vivendo em tempos difíceis para os sonhadores. É... O Brasil não é um lugar aconchegante para aqueles que são acostumados a sonhar.    

Clóvis Barbosa escreve aos domingos, quinzenalmente.


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
05/11
13:18

Eficiência Energética na UFS

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da Universidade Federal de Sergipe

Nos últimos anos, a Universidade Federal de Sergipe enveredou pelo caminho do crescimento com sustentabilidade. Foi uma decisão devidamente planejada desde que assumimos a reitoria. Externamente, intensificou as relações interinstitucionais, possibilitando maior ingresso de recursos e maior divulgação de suas potencialidades. Em alguns aspectos, a UFS parecia encolhida, embora tivesse tanto o que mostrar fora de seus muros. Melhorias nas estruturas físicas foram ou estão sendo realizadas nas suas treze unidades graças, sobretudo, à captação de recursos para o processo de expansão e melhoramento.

Nesse sentido, além de ações em outras áreas que nos levam à sustentabilidade, diversas ações dentro do Programa de Eficiência Energética da UFS já foram implementadas e outras importantes propostas para o crescimento e desenvolvimento estão sendo discutidas e aplicadas, como é o caso do projeto de construção da subestação elétrica SE UFS 69kV e da implementação dos sistemas fotovoltaicos do Departamento de Engenharia Elétrica – DEL, da Biblioteca Central – BICEN e do prédio da Didática V no Campus São Cristóvão. É apenas o início de uma etapa.

O maior dispêndio da Universidade Federal de Sergipe com a aquisição de serviços é o de fornecimento de energia elétrica. No ano de 2016 foram gastos cerca de R$ 9,75 milhões com esse insumo (considerando os impostos federais, responsáveis por R$ 517 mil). Isto representou uma elevação de 29% em relação a 2014, quando a UFS gastou aproximadamente R$ 7 milhões em energia elétrica.

Para diminuir esse impacto, a UFS está executando projetos estruturantes de grande envergadura, como a construção da subestação de alta tensão 69kV, acima citada, a um custo de R$ 5.318.736,91, e os projetos de geração elétrica limpa de origem fotovoltaica instalados nos prédios do DEL, BICEN e DIDATICA V a um custo aproximado de R$170.000,00 cada. Todos esses projetos permitirão reduzir em aproximadamente 35% os custos atuais com energia elétrica do campus de São Cristóvão. E não haveremos de parar por aí. 

A UFS atualmente também está desenvolvendo projetos importantes que serão implementados em 2018-2019 como a Usina Térmica a Gás Natural em parceria com a SERGÁS e o Parque Fotovoltaico de 1MW que será instalado no Campus do Sertão.

Com a evolução da sociedade e o avanço das tecnologias, a demanda mundial por energia cresce de maneira exponencial, formando um grande descompasso entre a geração e o consumo. Com a proximidade da diminuição e possível esgotamento da fonte hidráulica, o encarecimento das fontes fósseis e o risco da utilização de fontes nucleares, defendidas por alguns e contestadas por outros, as energias renováveis sem queima estão se tornando cada vez mais competitivas tanto em custo quanto em ganho de escala por não gerarem resíduos, não dependerem de combustíveis produzidos pelo homem e não afetarem de forma dramática a atmosfera terrestre. Em suma, é a busca pela sobrevivência humana e do próprio planeta Terra. Uma Universidade que se preza deve estar atenta a tudo isso. 

Das energias renováveis, a que melhor se adapta para aplicação em meios urbanos é a solar fotovoltaica por não requerer manutenção constante, não afetar a vida cotidiana das pessoas e ainda, não necessitar de um local específico para sua instalação, podendo ser inserida em coberturas de edificações, sobre telhados de estacionamentos, áreas não produtivas próximas ao local de consumo etc.

O Sistema Fotovoltaico Conectado à Rede (SFCR) instalado no prédio de Engenharia Elétrica – DEL da UFS tem uma potência nominal de 42,24kWp e usa uma estrutura sub-base com suportes fixos metálicos de alumínio galvanizados inox. O sistema esta constituído de 128 placas fotovoltaicas de 330Wp cada e 2 inversores de 27kW. Esse sistema haverá de gerar uma energia mensal aproximada de 5.700 kWh/mês suficiente para fornecer energia elétrica a 30 residências familiares, como afirma o professor Milthon Serna Silva, que está à frente de uma equipe trabalhando nessa área. 

A responsabilidade que nos pesa, a todos nós que temos uma parcela por mínima que seja da gestão universitária, é muito grande. E dela não abriremos mão. É nosso dever, em conjunto, lutar cada vez mais pelo crescimento com sustentabilidade. Na UFS encontra-se um quadro de professores/pesquisadores da melhor qualidade. Mestrandos e doutorandos com os seus respectivos orientadores devem estar imbuídos de oferecer à sociedade sergipana produtos eficazes e eficientes advindos de seus projetos de pesquisa, inclusive em diversas áreas que nos levem ao crescimento com sustentabilidade. 

As Instituições de Ensino Superior não devem se furtar a servir de modo o mais consentâneo possível à comunidade acadêmica e à sociedade em geral. Do contrário, estarão fadadas a se tornar Instituições do tipo caramujo, que se fecham em torno de si mesmas. Não é isso o que queremos para a UFS. Queremos estar na dianteira, abrindo portas e iluminando caminhos.


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Por Kleber Santos
05/11
13:17

A salvação de Ticinha

José Lima Santana
Professor da UFS

Marcinho de Zeca Tabuleiro voltava do roçado de milho, que começava a embonecar. Partidão de milho. O verde escuro perdia-se no horizonte. O inverno tinha demorado, mas quando veio, veio de tinir. Safra da melhor possível a caminho. As chuvas regulares impediam o surgimento das lagartas, que, nos dois anos anteriores, devoraram quase tudo. Pestes! As borboletas vieram azedas. Botaram os ovos, que se transformaram em lagartas esfomeadas. 

Não. Naquele ano, não. O sol quando aparecia era para dar bom dia ou boa tarde e, logo, se recolhia. O tempo não esquentava muito. Não faltavam borboletas, mas, as chuvas matavam as lagartas mal e mal saídas do casulo. Os plantadores de milho e feijão não teriam, naquele ano, as sócias miseráveis e comilonas. Marcinho de Zeca Tabuleiro tinha, sim, que dar graças a Deus. Uma safrona estava para chegar. Casado de novo, a mulher, Ticinha, esperava o primeiro filho. Eram bênçãos sobre bênçãos. 

O milho tinha aumentado de preço nos últimos anos. Muita gente estava deixando de lado outras lavouras para se dedicar ao plantio do milho. Sementes selecionadas e novas formas de plantio garantiam uma produtividade nunca antes vista por aquelas bandas. Marcinho era possuidor de boas terras, propícias para a lavoura. Jovem bem aquinhoado quer pelos esforços próprios, quer pelo legado de uma tia solteirona, que o tivera como filho e para quem deixara seus pertences, inclusive boa parte das terras que ele possuía. 

Ticinha, sua jovem esposa, era, na verdade, Ticiana. Filha de Alfredo Pires Peixoto, gente de Pernambuco, e conhecido como Alfredão Cospe Fogo, porque quando ele falava era como um vulcão em erupção. Soltava fogo e fumaça. E se estivesse brabo, eram labaredas da altura dos céus. Tinha, porém, um coração molim, molim, molim, como caldo de doce de banana em rodinhas. 

A esposa de Marcinho era uma beldade. Linda moça. Prendada e estudada. Tinha tirado o ginásio. E estudava para ser professora. Marcinho fora seu colega ginasiano. Largara os estudos para dedicar-se à vida no campo. Gado e roçados para cuidar. 

Naquele fim de tarde, Marcinho regressava para casa. Desde a madrugada, um pé d’água intermitente enchia o mundo. Parecia um dilúvio. Talvez apenas um pouco menor do que aquele de que fala a Bíblia, o dilúvio da arca de Noé. O riacho do Zabelê botava água sobre os galhos dos pés de paus. Um verdadeiro mar. Ainda bem que ventava pouco. Do contrário, os pés de milho seriam virados pela ventania. Um prejuízo danado! Mas, graças a Deus, isso não acontecia. Ruim mesmo era para o feijão que estivesse em floração. As chuvas fortes derrubavam as flores e a plantação se perderia. Marcinho não plantava feijão, a não ser uma mão cheia de sementes no fundo do quintal, que era grande, quase uma chácara. 

No fundo da casa de Marcinho e Ticinha passava um córrego. Coisa de pequena monta. Corregozinho tísico, que vinha da fonte de “seu” Alcides Boca Mole, cortando malhadas e quintais e desembocando lá adiante, coisa de meia légua abaixo da morada de Marcinho, no riacho do Zabelê. 

Havia algo estranho na casa de Marcinho quando ele apeou do cavalo castanho. Montaria mimosa. Quarto de milha. Comprado por um dinheirão. Aliás, daquele ele tinha alguns. Gostava do que era bom e bonito. E tinha posses para tanto. Um jovem promissor com uma família em formação e, igualmente, promissora. Ao encontro dele correu uma irmã, Margarida. Eram, ao todo, seis irmãos, sendo ele o único varão. Cinco irmãs que lhe paparicavam e das quais ele gostava com o amor próprio de irmão mais velho e zeloso. Antes que a irmã lhe dirigisse a palavra, ele ouviu vozes agoniadas e prantos. “O que foi, Margozinha?”, indagou Marcinho. E ela: “Uma desgraça!”. E, aos atropelos, relatou-lhe o ocorrido. 

Ticinha fora socorrer o cãozinho que Marcinho tinha lhe dado duas semanas antes. Era, por enquanto, a companhia dela, nas necessárias ausências. Apolo tinha caído no córrego, cujas águas tinham engrossado em demasia. A esposa de Marcinho buscou resgatar o cãozinho tentando fazer com que ele subisse numa tábua que ela estendeu ao seu encontro. Todavia, as águas estavam muito ligeiras. Ela acompanhou a descida de Apolo por uns trinta metros ou mais. De repente, escorregou e também desceu nas águas escuras. Tentou segurar-se nas ramagens, mas não conseguiu. Ela não sabia nadar e, ainda que soubesse, talvez não encontrasse valimento. O córrego estava brabo. Ela submergiu e emergiu algumas vezes. Mariano de Soarino do Cerro Azul e Chiquinho de Maria Bole-Bole, que por acaso passavam por ali, a socorreram. Lançaram-se ao córrego e conseguiram resgatá-la. Mais morta do que viva. Engolira um pote de água. 

Os dois salvadores chamaram os pais e as irmãs de Marcinho, cuja casa era logo ali. Fizeram com que ela expelisse boa parte da água engolida. Porém, ela não deu cor de si. E foi naquele estado que Marcinho encontrou a sua jovem esposa. 

Namoro nascido na escola. Primeiro encantamento dele e dela. Casal formoso. Marcinho encontrou a esposa prostrada. O pulso quase a zero. Desfalecida. Se não fosse o minguado pulso, dir-se-ia que estava morta. Talvez não durasse muito. A morte poderia ocorrer a qualquer segundo. Um cunhado de Marcinho, João Tripa, magro como um caniço, acabara de chegar com o carro do sogro. “Vamos para a cidade. Lá o Dr. Milton poderá salvar a vida dela!”. Dr. Milton era um médico de fama. Um médico como poucos. A cidade era bem pertinho. Légua e meia de distância. 

Com jeito, Marcinho tomou a mulher nos braços. Duas lágrimas escorreram-lhe face abaixo. Com ele e o cunhado foi a sua mãe, Dona Cristina. No carro de Marcinho foram o pai e as irmãs. Alguém da família foi avisar aos pais de Ticinha, no povoado vizinho, logo abaixo da residência do jovem casal.

Ao chegarem à cidade, o Dr. Milton não se encontrava. Estava em viagem. No pequeno hospital, encontrava-se apenas uma auxiliar de enfermagem, por sinal, prima de Ticinha. Uma vez posta no leito, a prima, muito nervosa, tomou-lhe o pulso. Uma, duas, três vezes. Estava cada vez mais nervosa. “Não bate mais, gente! Não bate mais!”, disse ela, que desandou a chorar. Choro geral. Marcinho ajoelhou-se diante da esposa. Segurou a mão direita dela. Com a outra mão, alisou o ventre onde o primeiro filhinho estava abrigado. Não chorava. Lembrou-se do que dizia a tia que lhe deixara a herança em terras e gado. “Não houve no mundo dor maior do que a de Maria Santíssima diante do seu Filho na cruz”. Ele apertou com firmeza a mão de Ticinha. Era um jovem crente e temente a Deus. Fazia suas orações diárias, como lhe ensinara sua mãe e sua tia, com quem ele morou nos tempos de ginásio, na cidade. Rezou. Duas orações corridas. Pai Nosso e Ave Maria. Era, contudo, o que saía do mais íntimo do coração, expressão de uma fé ainda rude, porém, a fé de alguém que, confiante, esperava por um milagre. 

A mãe de Marcinho compreendeu aquele momento de intimidade do seu filho com o Criador. Fez com que todos se retirassem dali. Ela, porém, ficou encostada no portal. Depois, também, ajoelhou-se. Orou. Lágrimas escorreram dos seus olhos. A dor do filho era a dor da mãe. Como Maria. De repente, Marcinho gritou: “Ela está viva! Ela está viva!” Estava sim. O pulso batia levemente. Mas, batia. Ticinha salvou-se. O cãozinho também, pois alguém lhe retirara da água do córrego, ofegante, mas vivo. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
05/11
12:11

Valadares preocupado com situação do “Velho Chico”

O lago de Sobradinho, vazão ainda mais baixa. Daqui a pouco, se não chover,  atinge volume morto. Sinal vermelho.  Por causa disso, assim se manifestou o senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE) . Ele disse: O rio São Francisco morrendo. E as ações de revitalização? Os ribeirinhos pedem socorro e as providências não chegam. A Agência Nacional de Águas autorizou a redução de 600 para 550 metros cúbicos por segundo.



Política
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Por Eugênio Nascimento
05/11
11:50

Machado teme crise que atinge RJ, RS e MG em Sergipe

“Se não encontrarmos alternativas a médio prazo, Sergipe pode passar por situações idênticas: salários de ativos, aposentados e pensionistas atrasados. Com a palavra, o governador”. O comentário foi feito pelo ex-vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado, após ler no jornal Folha de São Paulo (Caderno Mercado) que  “Sufocados por Previdência, RJ, RS e MG não saem da crise”. Machado que  o caos chjegue por aqui por causa da Previdência, que tem um déficit de R$ 1 bilhão.



Economia
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Por Eugênio Nascimento
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