29/12
19:44

Banese já liberou quase R$ 40 milhões em empréstimos do 13º para o servidor

Mais de 21 mil servidores públicos estaduais já tiveram seus pedidos de empréstimo aprovados pelo Banese
 
Até o meio-dia desta terça-feira, 29, mais de 21 mil funcionários públicos do Estado já haviam obtido no Banese a antecipação da segunda parcela do 13º salário referente ao ano de 2015. Segundo o banco, esses funcionários, que representam cerca de 40% do total de servidores habilitados a realizar as operações de antecipação, obtiveram mais de R$ 39,7 milhões em empréstimos.

As operações de antecipação do 13º podem ser feitas pelo servidor nas 63 agências do Banese, em todoo Estado, bem como nos terminais de autoatendimento do banco e pelo Internet Banking.

O Banese elaborou uma série de perguntas e respostas para esclarecer as principais dúvidas sobre a antecipação do 13º salário para o servidor público estadual. Veja a seguir:

1 - De que forma pode ser solicitado o empréstimo?
R - Há quatro formas: nas agências do Banese, nas Centrais de Negócios localizadas nas agências Antônio Carlos Franco, Central, Gentil Barbosa e Siqueira Campos, em Aracaju, nos terminais de autoatendimento e pelo Internet Banking.

2 - Em que casos é preciso procurar a agência?
R – Em duas situações o servidor não poderá fazer o empréstimo pelos terminais eletrônicos ou pelo Internet Banking:
a) Litígio com o banco: Correntista terá de renegociar sua dívida para sair do cadastro negativo. Feita a renegociação, ficará livre para tomar o empréstimo;
b) Portabilidade: Quem desejar obter a antecipação pelo Banese, dispondo das vantagens ofertadas, deverá procurar uma das unidades do banco para suspender a portabilidade e tornar-se apto à contratação da operação.Quem não desejar antecipar, ficará recebendo de forma parcelada em seu novo domicilio bancário.

3 - Quem fez a antecipação do 13º salário de 2015 no início deste ano, como deve proceder?
R - Deve procurar o Banese para fazer o empréstimo e, com o dinheiro recebido, quitar o débito.

4 - No caso do servidor que fez o adiantamento do 13º salário em 2015 e não quer optar pelo empréstimo, como será o desconto previsto agora para dezembro? 
R - Os que contrataram a antecipação e não procurarem o banco, ficarão inadimplentes. Portanto, estarão sujeitos às sanções cabíveis. Portanto, quem já contratou deverá obrigatoriamente procurar o Banese para fazer o empréstimo e liquidar a operação anterior. 
 
5 - Será possível antecipar o 13º salário de 2016?
R - Sim. A partir do dia 21.01.2016, o Banese abrirá uma linha de crédito para quem quiser antecipar o 13º salário do próximo ano.

6 - Se tomar o empréstimo do 13º, esse valor é abatido do limite de crédito?
R - Não. Essa é uma operação extra limite. Ou seja, o servidor mantém os mesmos limites de cheque especial/credi conta e crédito consignado.

7 - Se o servidor não quiser tomar empréstimo, como vai receber o 13º salário?
R - Em seis parcelas, de fevereiro a julho de 2016, conforme o anúncio do Governo.

Da assessoria
 


Economia
Com.: 0
Por Kleber Santos
29/12
19:35

Padre cinzento

Geraldo Duarte*

Dizer-se dona Cecília religiosa praticante e devotada, a mim não parece bastar. Pouco significa ante sua dedicação ao culto professado e ao labor ofertado.
Na rua onde morávamos, Antônio Augusto, também residia o padre e capelão do Exército Joaquim Jesus Dourado e, semanalmente, como visitador, encontrávamos outro clérigo, o padre Francisco de Assis Pita.

Presenças de regozijo e enaltecimento, em especial, para a devota. Antes de acompanhar Pita no arrecadar de óbulos destinados à Igreja de Santa Luzia e as Obras das Vocações Sacerdotais, oferecia-lhe lanche. Salada de frutas, café donzelo, leite, tapioca e cuscuz.

Afora pertencer à Ordem das Filhas de Maria e integrar o Coral da Igreja do Cristo Rei, assumia encargos funcionais do templo.

Década de cinquenta. Ali próximo, situava-se a Vila Bofete. Os domiciliados preparavam festa. De desagravo, até, pois se replicavam críticas às rugas e, de quando em vez, a intervenção da polícia.

Prenunciava-se novo modo vivencial, porquanto residiria um sacerdote paulista.

Sabedora da notícia, Cecília e umas suas confreiras lideram um movimento de recepção.

Sobre a porta de entrada do domicílio lia-se, em faixa: “Sede bem-vindo Pastor. O rebanho o aguarda”.

Em traje festivo, o Coral exercitava as cordas vocais, dado o recital.

Chegou um Chevrolet do Posto Pará. Desembarcaram um senhor, trajando batina cinza, uma senhora e duas crianças. Apresentações: Adriel, sua esposa Diana e seus filhos Pedro e Paulo. Ele, padre e representante da Igreja Católica Apostólica Brasileira.

Foi um Deus nos acuda. Todos desapareceram. E o apelidaram “Padre Cinzento”.
* Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.


Colunas
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
29/12
19:15

Novo recorde: Irrigação Pública Estadual colheu 119 mil ton/ano em SE

Levantamento feito nos seis perímetros irrigados mantidos pelo Governo do Estado eadministrados pela Companhia de Desenvolvimento de Recursos Hídricos eIrrigação de Sergipe (Cohidro), mostrou uma produção anual na ordem de 119.049 toneladasde alimentos em 2015, novo recorde que supera em quase 4 mil toneladas a do anopassado, um alta de 3,28%. O Perímetro Califórnia, em Canindé de São Francisco,continua sendo o que mais produz: 40.419 toneladas, mas o maior aumentopercentual foi registrado no Perímetro Piauí, de Lagarto, 11,5% a mais dealimentos gerados. Neste último, a alta que mais se destacou foi na produção dequiabo: 1.116 toneladas, 216 a mais em um ano.
 
Embora 2015 tenha sido um ano de crise econômica, a produção dos seis perímetros irrigadosfoi avaliada como positiva, com um valor aproximado de R$ 112 milhões, R$ 7milhões acima do registrado em 2014. Se este valor fosse igualmente divididoentre os 14.355 trabalhadores rurais, empregados e familiares, ou seja, todapopulação diretamente envolvida, seria extraída a rentabilidade de R$ 7.810 percapita/ano, sem considerar os custos de produção. Mas analisando que o maior doscustos, para estes produtores, é a contratação de mão de obra complementar àfamiliar, é possível prever que quase a totalidade desta riqueza gerada seconverta em renda direta.
 
O sistema deirrigação pública possibilita uma produção agrícola que tanto é continuada, ondese planta durante todo ano, quanto de baixo custo para o agricultor irrigante. Issoreduz o preço final dos alimentos e reflete diretamente no bolso da populaçãosergipana, conforme o último estudo do Departamento Intersindical deEstatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), publicado em dezembro. Segundo oinforme, em Aracaju se adquire a cesta básica mais barata (R$ 291,80) dentre as18 capitais pesquisadas pela instituição no Brasil, posição que a cidade ocupa desde2009.
 
Diretor deIrrigação e Desenvolvimento Agrícola da Cohidro, João Quintiliano da FonsecaNeto explica que, para o agricultor irrigante, o risco para plantar nosperímetros irrigados é mínimo, diante de toda estrutura disponibilizada paratal. “Mesmo que ele passe a custear os 50% dos gastos de energia elétrica parao bombeamento de água para irrigação, o que estamos propondo aos produtorespara 2016. Ainda assim existe toda uma estrutura física e de pessoal paraatendê-lo, seja na parte da engenharia hídrica, seja na assistência técnicarural. E isso quem mantêm é o Governo do Estado, como forma de incentivo à agriculturairrigada”.

Da assessoria
 


Variedades
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
28/12
10:28

Luzes nesse fim de ano

João Daniel é deputado federal pelo PT/SE

 

Chegamosao final de um ano Legislativo, um ano conturbado por uma crise real e crisesartificiais. Com relação à crise real, podemos dizer que com toda dificuldadede uma conjuntura mundial adversa, com o avanço da direita em todo o mundo,provocado por “uma economia que mata”, por um “capital transformado em ídolo”,e por uma “ambição sem limites do dinheiro que comanda”, como diz o PapaFrancisco, chegamos a um momento de renovação de esperanças.

 

Esperançaque se renova quando temos um movimento social formando a Frente Brasil Popularcom objetivos claros de defender os direitos dos trabalhadores e dastrabalhadoras, a melhoria das condições de vida, emprego, salário,aposentadoria, moradia, saúde, educação, terra e transporte público.

 

Uma Frenteque luta contra o atual ajuste fiscal e contra todas as medidas que retiramdireitos, eliminam empregos, reduzem salários, elevam tarifas dos serviçospúblicos, estimulam a terceirização, ao tempo em que protegem a minoria rica. UmaFrente que defende uma política econômica voltada para o desenvolvimento comdistribuição de renda.

 

Esperançaque se esboça quando a presidenta Dilma Rousseff, ouvindo essas forças,estabelece que uma das tarefas do novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, ede Valdir Simão, novo ministro do Planejamento, será a de “contagiar asociedade com a crença de que o equilíbrio fiscal e o crescimento econômicopodem e devem andar juntos”.

 

Comrelação à crise artificial, criada desde o momento da reeleição da presidenta Dilma,com tentativas permanentes de desestabilização de um Governo legitimamenteeleito e que, por conta dos desvarios dos tucanos e de seus aliados golpistas,além de uma grande mídia que sempre defendeu os interesses da burguesia, vemprovocando com suas ações desmedidas, uma tensão e um esforço redobrado nosentido da governança.

 

Asatitudes do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, maculado queestá por denúncias comprovadas de desvio de conduta ética, além de criar umainstabilidade interna, vêm provocando, juntamente com seus aliados, uma criseinstitucional que a cada momento mancha o nome do Brasil lá fora, cria umainstabilidade no mercado interno e gera toda uma retração forte da economia.

 

Foi umano formado por chicanas jurídicas, por um vai e vem nas decisões tomadas emcomissões internas e até em decisões de Plenário. Hoje se tem notícias de quenem a decisão do Supremo está sendo considerada por esses senhores que queremse apoderar do poder sem se submeterem ao voto popular. Querem, sim, dar umgolpe em nossa democracia.

 

O maisinteressante é que a tese que defendem para provocar o impedimento da presidentaDilma, referente ao que chamam “pedaladas fiscais”, foi açodadamente usada combase num parecer do Tribunal de Contas da União, que já foi derrubado pelorelator do processo no Congresso Nacional.

 

No meiode tudo isso vão aprovando as suas teses retrógradas contra o povo brasileiro,seja avançando nos direitos dos povos indígenas e sem-terra, criando condiçõesfavoráveis ao agronegócio e beneficiando as empresas multinacionais queproduzem e vendem seus venenos com agressividade cada vez maior, promovendomortes e doenças no campo.

 

Mas, porfim surgiram algumas luzes nesse fim de ano.

 

Osmovimentos sociais foram às ruas defender o mandato da presidenta contra ogolpe, defender a economia contra a redução de empregos e a retomada dosavanços sociais e políticos dos últimos anos.

 

E nomundo em que vivemos temos uma luz, um holofote de verdade que vem da IgrejaCatólica, com o Papa Francisco que, no Brasil, pediu às pessoas que atuassemcomo revolucionárias e que sejam contra a degradação ambiental e social, contrao neoliberalismo, o tecnocentrismo e contra um sistema econômico de efeitosnefastos da uniformização de culturas e globalização da indiferença.

 

Mas,enfim, é Natal, tempo de reflexão, num país como o nosso, aonde o cristianismoreúne milhões de pessoas e que nos traz os raios dessa esperança. Esperança quese personificará em nossa luta constante por uma sociedade mais justa e um paíscada vez menos desigual e mais solidário.

 

Uma lutapor uma Reforma Política que promova um maior empoderamento do nosso povo, coma retomada dos projetos de reforma agrária e com o fortalecimento do Ministériodo Desenvolvimento Agrário e do Incra. 

 

Umarenovação que leve ao afastamento em definitivo de Eduardo Cunha e traga oretorno do papel político da Câmara, com o definitivo respeito ao mandatolegítimo da presidenta Dilma e com a consolidação definitiva da nossa luta poruma Frente Brasil Popular que aglutine todos os movimentos populares que lutampor democracia e justiça e por maiores conquistas no campo, com o crescimentode movimentos como a Via Campesina e o MST, que vêm formando quadro técnicos epolíticos  para a qualificação de nossasconquistas sociais.

 

João Daniel, deputado federal PT/SE




Colunas
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/12
22:40

Betume/Neópolis bate recorde nacional na produção de arroz por hectare

Com 10,5 toneladas de produtividade media por hectare, o perímetro do Betume, em Neópolis, bateu mais uma vez o recorde nacional, com valor bruto de R$ 20 milhões. A informação foi divulgada pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf). O recorde anterior, desde 2013, era da mesma área de Sergipe, com 9,5 toneladas por hectare.

A produção sergipana ajuda a abastecer os mercados consumidores de Alagoas, Pernambuco, Bahia, além do Estado de origem, onde gera cerca de 4 mil empregos, além das 750 famílias que atuam no próprio perímetro do Betume, conforme informações da Codevasf. Toda produção é de pequenos produtores da agricultura familiar.

Vale lembrar que o maior produtor de arroz do Brasil continua sendo o Rio Grande do Sul.



Economia
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/12
17:09

Zé de Totico

José Lima Santana - Professor do Departamento de Direito da UFS

 

            Último artigo do ano. Exatamente este. Fechando a conta e passando a régua. 2015 está se escafedendo. Já vai tarde. Não sei por que, eu não gosto de números ímpares. Todavia, eu nasci em um dia ímpar, mês ímpar e ano ímpar. Não gosto de ímpares. Pronto. Quem gostar, que goste! Não eu. Nesse ponto, eu sou igual a Zé de Totico, meu vizinho há muito tempo. E lá se vai um magote de anos. Mais de quarenta. Ora, muito mais... Éramos meninos quando fomos vizinhos. Zé de Totico detestava números ímpares. Ele não contava 1, 2, 3, 4... Ele contava de 2 em 2. Era uma mania lá dele, ou sei lá o quê.

            Zé de Totico era, ou é, pois dele eu não tenho notícias, José Ferreira dos Santos Souza, filho de Antônio dos Santos Souza e de Maria Júlia Ferreira. Neto do velho Totonhão do Baburubu, povoado na pista que sobe de Dores para Glória e o sertão todo. Não sei qual a razão de os vereadores, um dia, desses dias em que os sujeitos amanhecem com as cuecas às avessas, terem mudado o nome do povoado para Bravo Urubu. Ôia! Eu nunca vi um urubu bravo. Dizia-se, no passado, que Baburubu era o nome de um antigo chefe indígena dali das bandas das terras extensas dos Enforcados, primitivo nome de Nossa Senhora das Dores. Quando eu era menino, as pessoas mais velhas não gostavam desse antigo nome. Eu ainda gosto. Totonhão, antigo cambalafoice de políticos do começo do século XX, era o avô de Zé de Totico pelo lado paterno. Diziam até que Totonhão andou matando uns sujeitos no Dandá e nas Caraúnas, que na boca do povo soa “Craúna”, povoados que foram fenecendo, a ponto de quase desaparecer. Do lado materno, ele era neto de “seu” Jaconias de Mané Pulo de Gato. Este, o Mané Pulo de Gato, era amansador de burros e cavalos brabos, como poucos foram vistos de Dores a Canindé.

            Zé de Totico... Devia ser uns três ou quatro anos mais velho do que eu. Mas era mirrado, sonolento, parecendo um bem-te-vi com sono. Porém, quando se tratava de pular cerca ou valado de macambira para apanhar frutas em quintais ou sítios alheios, ele era um gato. Sujeito arisco danado. E quando ele encrencava com alguém? Não respeitava tamanho. Não tinha sobrosso de pernas de calça. De caqui ou de mescla. De nada. Mirradinho enxofrado da moléstia! Canela de sabiá, braço de graveto, mas tinha um soco certeiro e dolorido, diziam, possivelmente em face da mão ossuda. Vi Zé de Totico botar pra correr muito moleque mais velho do que ele. Devia ser o sangue azougado de Totonhão, o avô paterno. Não era de puxar brigas, mas era turrão. Se mexessem com ele, o pau quebrava.

            Festa de Ano Novo em Dores. Festança afamada, que batia de longe a festa de Natal, ambas na Praça da Matriz. A praça cheia. Entupida de gente. Gente de todo tamanho. Gente de vários lugares. Festa de amanhecer o dia fervilhando de gente, na praça e nas ruas. Muita gente voltando pra casa, nos povoados e nas cidades vizinhas. Como se dizia no vulgo, festa acabada, tabaréu na estrada. Pois foi numa festa de fim de ano que Zé de Totico fez história. Eu estava com ele. Eu e um magote de meninos da nossa idade, uns mais e outros menos, mas todos já adolescentes. É que os leitores não conheceram a casa da quina da Praça da Matriz descambando para a pracinha de “seu” Tota, onde ficava a casa de Valdete, irmã de Ismael, que era dono de um bem-te-vi que cantava o Hino Nacional. Valei-me! Diziam que ele tinha vendido o passarinho a um gringo, no Aracaju. Disso eu não dou prova. Vejam bem os leitores: eu sei de muita coisa da minha terra! E ainda dizem os meus amigos Artêmio Barreto, desembargador aposentado com raízes nos Enforcados, e Carlos Pina, conselheiro do TCE, que eu invento esses causos. Eles não sabem o quanto eu sei! Das coisas da minha terra, claro. E só. De outras coisas, sim, eu não devo saber mesmo não.

            Pois bem. Só conheceu a tal quina quem era de Dores. Hoje, é a casa de dona Ivanilde do finado Berilo. A casa é outra. Foi ali, na quina. Descendo rente à casa de Valdete ia-se dar num beco, que ainda existe, pra onde vão dar os fundos de algumas casas da Praça da Matriz, do lado em frente à igreja e das casas da Rua da Prefeitura. Nesse beco, os meninos e os homens se desapertavam, quando tinham necessidade de fazer um pipizinho. Pois naquela noite de Ano Novo, uns adolescentes tomaram a direção do beco para despejar um tanto das bebidas ingeridas: jade, gasosa e refresco de tintura de groselha, que eram adquiridas nos botecos de guloseimas. Coisas que as crianças e os adolescentes adoravam. Foi na quina que os adolescentes pararam para uma conversa. Bem no meio da calçada de Valdete, Zé de Totico estava parado, dizendo coisas pra os outros rirem. É que ele também era dado a contar lorotas, piadas, e o fazia com uma graça inigualável. Quando ele fazia aquilo, nem parecia que tinha aquela cara de bem-te-vi com sono. Animava-se todo e animava os companheiros. Então, estava ele contando uma léria quando Bertino de Sá Florinda de Pedrinho da Maria do Ó, que já devia ter bebido umas cinco ou seis doses de erva cidreira no boteco de Poin Quente, pediu passagem. Zé de Totico fez que não ouviu. Os outros se afastaram, pois Bertino era dado a malvadezas. Não era um cabra valente. Não. Era malvado. Ele insistiu: “Vai sair da frente, ou quer levar pancada?”. Zé de Totico parou. Olhou pra cara do malvado e soltou essa, fazendo um gesto de giro com a mão direita: “Tu tá avexado? Arrodeie!”.

            Dito isso, Zé de Totico fechou o punho esquerdo, que ele chamava de cemitério. O direito, menos potente, ele o chamava de hospital. Imaginem! Um sujeito seco, um varapau desses que uma boa ventania seria capaz de tanger lá pras bandas do Ceará de um tanjo só. Porém, disposto quando era preciso ser. Bertino, o malvado, fez que ia agarrar Zé de Totico pelo pescoço, quando recebeu um direto de esquerda no nariz achatado. Pancada seca, certeira. O sangue desceu. Um dos outros adolescentes catou logo uma pedra que se achava ali perto e ficou com a mesma na mão, caso fosse necessário ajudar o companheiro. Ninguém correu. O malvado urrou e praguejou: “Fio do cabrunco da peste. Vou comer seu ‘figo’ cru!”. E foi então que recebeu uma pedrada no quengo. Cambaleou zonzo. Já não praguejou. Só urrou. Nisso, o pai de um dos adolescentes voltava do beco onde fora despejar a cerveja consumida e tomou conta do pedaço. Ciente do ocorrido, o recém-chegado deu uns chutes no traseiro gordo de Bertino e o mandou dormir mais cedo: “Se eu ainda lhe encontrar por aqui, vou lhe dar uma surra de botar salmoura no seu lombo, cabrunquento. E se mexer com os meninos, eu vou vazar seus olhos”. Não era ninguém não: era o cabo Fortunato, pai de Janjão, o que tinha atirado a pedra. Êh, cabo Fortunato! Dizia-se que ele tinha dado conta de uma família inteira de ladrões de gado na Boca da Mata. Ele sozinho. Matou um por um.

            Que Ano Novo inesquecível! A partir dali, quando a gente queria encarnar em um dos companheiros de folguedos e traquinagens, dizia: “Tu tá avexado? Arrodeie!”. Era gargalhada na certa.

            Bem. Para todos os leitores, um Ano Novo arretado de bom!

 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 27/12/2015.



Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/12
10:49

O Bonde na Literatura Sergipana

Amâncio Cardoso.[1]

           

Ao prof. Francisco José Alves (UFS-Dept. História),

por me apresentar o bonde na literatura. 

 

Houve um tempo em que o aracajuano andava de bonde. Entre 1908 e 1925, os puxados por burros; e entre 1926 e 1951, os bondes elétricos.

            Os bondes deixaram fundas marcas na vida e na memória dos citadinos. Isto se expressa, sobremaneira, nos escritos literários que evocam os antigos veículos; textos que apresentam o tempo dos bondes em Aracaju de forma lírica, saudosista, realista e até satírica. São sonetos, quadras, crônicas, monólogo e memórias. Estas obras rememoram aquele meio de transporte que mudou hábitos e estabeleceu costumes.

            Iniciemos com a visão lírica e saudosista expressa por Jacintho de Figueiredo (1911-1999), publicada no livro Motivos de Aracaju, em 1955; uma homenagem, em versos, aos 100 anos da capital. O primeiro poema é “Crônica”. Nele, o poeta lembra com lirismo e saudade os bondinhos de tração animal na sua pitoresca lentidão, vencendo dunas e apicuns da antiga e tranquila Aracaju. Leiamos: “Os bondinhos de burro... – que poesia! .../ “Fundição”, “Santo Antônio”, “Circular” .../ Tempo feliz aquele! Não havia/ Essa pressa da hora de chegar! .../ (...)/ Mas a cidade, aos poucos, foi crescendo .../ Transpondo as dunas, apicuns vencendo,/ Tornando imprescindível a condução./ E em consequência, pelas ruas,/ Que ao tempo do bondinho eram tão nuas .../ Não mais aquela placidez de então!”.[2]

 

O segundo poema é “O Último Bonde”, no qual Figueiredo refaz o trajeto do bonde elétrico que rodava até 11 horas da noite, entre os bairros Santo Antônio e Fundição (final da atual avenida Ivo do Prado), e se recolhia no Aterro do Tecido (atual avenida João Rodrigues); onde se encontrava a garagem e a casa de força que transmitia energia aos bondes da E.T.E.A. (Empresa de Transportes Elétricos de Aracaju). Eis as duas últimas estrofes: “O último bonde, como era chamado,/ Vinha do Santo Antônio, acelerado,/ Fazendo a volta pela Fundição;/ Rua da Frente, Aterro do Tecido,/ Em busca do repouso merecido,/ Depois de percorrer léguas de chão”.[3]

           

É sintomático que o bonde seja o único tema abordado por duas vezes num livro de homenagem ao centenário de Aracaju. Assim, vê-se como o velho transporte tinha importância na vida da cidade e na sensível alma do poeta.

            Mas o bonde não foi objeto apenas da poesia lírica. Poemas satíricos aparecem nos jornais. Em 1926, por exemplo, um certo “Léo” escreve cinco quadras (estrofes de quatro versos) satíricas sobre os defeitos e descarrilamentos dos novos elétricos: “Engasgado traz antonte,/ Na rua de Itabaiana,/ Encontrava-se um bondão,/ Da boa dona ÉTÉANA!.../ Trepados por sobre o cujo/ Os pobres dos condutores/ Gritavam desesperados:/ Que bondes encrencadores!/ (...) /Quando menos se esperava/ Um Jones apareceu,/ Que é isto, meus rapazes?!/ O que foi que aconteceu?/ - O bonde pulou da linha,/ E o arco se arrebentou!.../ Vosmecê seu Jone, vá/ Chamar seu Jone doutô!...”.[4]

            “Boa Dona Étéana” é a ETEA, empresa que operava os bondes elétricos à época, como vimos. Os condutores eram funcionários que faziam cobrança das passagens e os “Jones” é uma alusão jocosa aos sócios proprietários da ETEA, João Campos e João Andrade. Um deles, se arvorava de engenheiro para consertar os bondes, mas o acusavam de não ter formação para tal, daí a alcunha irônica de “Jone doutô”.

A sátira se justificaria porque os sócios da “boa Dona Étéana” teriam sido privilegiados na concessão dos serviços dos bondes elétricos da capital pelo então governador Graccho Cardoso (1874-1950), que se tornara inimigo político tanto do diretor do Sergipe-Jornal, onde se publicaram as quadras, o deputado federal Antônio Batista Bittencourt (1893-1940); quanto do ex-governador, senador e líder do Partido Republicano, Pereira Lobo (1864-1933). Batista Bittencourt e Pereira Lobo fizeram pesadas críticas ao governo Graccho, de 1922 a 1926. Dentre elas, acusavam de corrompido o contrato de concessão dos serviços de bonde; o que motivou graves denúncias e sátiras políticas em diversas edições do Sergipe-Jornal controlado por eles.[5]

Ainda no campo da sátira, encontramos o monólogo “No bond”, publicado no jornal humorístico “O Espião”, editado em Aracaju de 1909. O autor, José Rodrigues Vianna, recitou os versos no Teatro Carlos Gomes (depois Cine Teatro Rio Branco, no centro da capital), trajando a farda dos condutores de bonde.

Rodrigues Vianna era diretor da Companhia Dramática, Lírica e Cômica, e fez diversas apresentações no antigo teatro. Seu monólogo faz o caminho inverso das reclamações neste serviço, pois eram comuns denúncias dos passageiros contra os condutores. Mas aqui temos um raro momento em que o condutor expõe, com humor, as desventuras de sua faina contra os passageiros. Dentre elas se destacam

- a cobrança do fiscal: “N’um bond cheio de gente/ Faço a cobrança geral,/ Destaco cupons a ufa/ Quando me surge o fiscal/ Tomando no assentamento/ Depois de várias contagens/ Sempre nos diz: Condutor;/ Olhe, faltam três passagens”.

- a solicitação de parada longe do ponto: “Não é só. Qualquer velhusca/ Quando lhe dá na ideia/ Manda parar de Palácio/ O bond lá na Cadeia”.

- o ensino aos idosos a pongar (subir no bonde em movimento): “Inda é preciso que a gente/ Cortês se faça mostrar/ Em ensinar à velhusca/ Como se deve ... trepar”.

- o não pagamento da passagem por algum malandro: “Qualquer pelintra querendo/ uma passagem engolir/ Pergunta com a cara dura:/ Condutor já vai partir?/ Ao nosso sinal se trepa/ Com a maior descaração.../ Mas quando o cobre pedimos/ Nos responde alevantado:/ Condutor, não seja ousado/ Deixe de amolegação!”.

Por tantos dissabores, o condutor por fim desabafa: “Não posso mais esta vida,/ Muita desventura esconde/ Por isso não quero ser/ Condutor, jamais de bond./ Vou entregar o apito/ Sacola, cupons e prego/ E com o doutor Venâncio/ Renovamente me emprego”.[6]  

 

            Saindo dos versos e passando para prosa, temos a crônica “Os Bondinhos” do professor e magistrado Bonifácio Fortes (1926-2004), publicada no Sergipe-Jornal em 1950; nos últimos suspiros dos bondes aracajuanos. Assim, todo o texto é um lamento por conta da iminente extinção dos “bondinhos” na capital. Por isso, escreve o autor, a cidade perdera seu “sentido poético”. O título da crônica no diminutivo já exprime certo afeto pelo veículo. Prova disso é que Bonifácio Fortes personifica os bondes, chamando-os de “heroicos bondinhos”, pelo fato de rodarem mais horas que o de outras cidades em ruas arenosas e de não terem seu maquinário renovado. Aracaju sempre possuiu os mesmos dez bondes elétricos e um reboque, desde 1926 a 1951, período em que o número da população aumentou significativamente.

Vamos a um trecho da crônica: “Heroicos bondinhos de Aracaju, infatigáveis veículos que giravam desde as seis horas da manhã até as 11 da noite, quase sem paradas, subindo a poeirenta rua do Bomfim ou as constantes areias da Pedro Calasans”. Em outra passagem, Bonifácio Fortes revela o amor dos aracajuanos pelos bondes: “O aracajuano ama os bondinhos no que eles têm de mais pitoresco, no que eles oferecem de mais anedótico, no seu próprio inconforto e vagareza”.[7]

Encontramos outras crônicas, mas agora numa página clássica de nossa literatura, “Roteiro de Aracaju”, de Mário Cabral (1914-2009), com primeira edição de 1948. O livro reúne diversas crônicas sobre a cidade, formando um guia sentimental. Extraímos duas em que os bondes são personagens principais.

Na primeira, “Os Transportes”, apesar do título Cabral aborda apenas sobre os bondes a burro e elétricos; deixando de lado outros meios. Fica patente, mais uma vez, como os bondes vincaram a memória dos escritores. Ele relembra linhas, trações, defeitos, horários e superlotação. Escreve: “Mesmo assim os bondes andam superlotados, gente em todos os lugares, pendurada dos lados, gente equilibrada, atrás, sobre o dorso do engate”.[8]

 

Ao contrário da primeira, a segunda crônica, “Os Bairros”, destaca o romântico passeio de casais de namorados nos bondes. Cabral relembra o “bonde dos namorados” que passava pelas fábricas do bairro Industrial, onde rapazes, inclusive o autor, esperavam a saída das operárias para levá-las nos bondinhos. Vejamos uma passagem: “Ali é Piturita que toma o bonde. Mais adiante é Neto, é Walter, é Armando da Farmácia, sou eu próprio, é mais meia dúzia de namorados. E o bonde segue dançando, aterro afora, rumo da cidade, cheio de namorados, exclusivamente de namorados”.[9]

Saindo da crônica passemos para memorialística; outro gênero literário que tomou o bonde de Aracaju como tema. Levantamos dois autores, Genolino Amado (1902-1989) e Murilo Melins (1928- ).

O imortal da Academia Brasileira de Letras, Genolino Amado, escreveu “Um menino sergipano” em 1977. Um dos capítulos de suas memórias (passadas na cidade natal, Itaporanga, e em Aracaju) se intitula “O Bonde”. Ele remonta ao tempo dos bondes puxados a burro em Aracaju. Na primeira frase sentencia com pilhéria: “Na terra dos inteligentes, bonde de burros”. Alude à plêiade da inteligência nacional nascida em Sergipe como Tobias Barreto (1839-1889), Silvio Romero (1851-1914), Manoel Bomfim (1868-1932), Fausto Cardoso (1864-1906), João Ribeiro (1860-1934), Gumercindo Bessa (1859-1913), Felisbelo Freire (1858-1916), entre outros.

Embora inicie com um chiste, o texto de Genolino é atravessado por líricas memórias dos bondinhos de tração animal. Escreve que o veículo foi um de seus “deslumbramentos” quando aportou em Aracaju ainda menino. E afirma que “a qualificação há de parecer excessiva, mas quem é pequeno engrandece as coisas. E aquele bondinho me maravilhou”.

Conta Genolino que o que mais o “encantou” não foi o bonde comum, mas o bonde especial, exclusivo do presidente (atual governador) do Estado. Relembra embevecido: “Era o bonde especialíssimo do Presidente, que, em noites de verão, nele passeava com algumas excelências da sua roda. Sem os bancos duros do bonde plebeu, tinha jeito de um pequeno salão, paródia de carro pullman, com poltronas de vime e iluminação que me parecia feérica. Dava gosto olhar. Dava também inveja. Que beleza!”.[10]

 

Outro memorialista dos bondes de Aracaju é Murilo Melins. Suas memórias evocam os bondes elétricos nos idos de 1940. Elas foram publicadas no livro “Aracaju romântica que vi e vivi, anos 40 e 50”, cuja primeira edição é de 1999. Assim como Mário Cabral, ele dedica aos bondes dois textos, quais sejam “Bondes” e “De bonde para o Bairro Industrial”.

Em “Bondes”, o autor apresenta fotos dos veículos e da usina geradora de energia que movia os vagões. Ele Confirma a procedência alemã dos elétricos de Aracaju. Nossos bondes foram comprados à fabrica Van der Zypen & Charlier, na cidade de Köln (Alemanha).[11]

Melins segue descrevendo os vagões, o funcionamento e as linhas, além da tripulação (motorneiro e condutor) e funcionários da empresa (limpadores de trilhos). O autor tem uma prosa graciosa e leve. A exemplo do trecho em que a empresa, para justificar a paralisação dos bondes por falta de energia, dizia em nota que havia quebrado o eixo do motor; com isso Melins nos brinda com a seguinte anedota: “Conta-se que um vendedor de quebra-queixo, que era tato, passando pelo estabelecimento do Diretor da Luz e Força, anunciando seu produto, gritou: ‘quebra eixo’, omitindo o ‘Q’ devido a sua deficiência. Funcionários do Diretor levaram o pobre homem à presença do chefe, e depois das devidas explicações ele foi liberado”.[12]   

 

No texto “De bonde para o Bairro Industrial”, Melins sugere a um amigo um passeio imaginário de bonde por Aracaju dos anos 1940. Eles partem do Centro, próximo à praça Fausto Cardoso, em direção à avenida Augusto Maynard, apreciando paisagens, monumentos, instituições, hotéis, casarios, palácios, fábricas, estação de trem, ruas e praças até chegar ao ponto final, na praia do Bairro Industrial, mais precisamente na velha construção da “Chica Chaves”, antiga moradora que emprestara seu nome ao primitivo topônimo do bairro.

Melins em suas memórias e “passeio” alude também ao “bonde dos namorados”, ao tempo em que nos informa como se fazia o retorno do bonde no fim da linha. Ouçamo-lo: “É hora de o ‘Bonde dos Namorados’ voltar. O condutor e o motorneiro viram os bancos e o arco que leva energia para o velho motor ‘Siemens’. O nosso bondinho rodará em direção ao centro da cidade”.

 

Aqui, neste ponto final, peço licença a Murilo Melins para encerrar esse texto com suas próprias palavras: “Vamos fazer o retorno, (...), pois o Bonde do Passado já passou, deixando apenas boas reminiscências”.[13]

 

Os bondes de Aracaju, como vimos, vincaram a literatura sergipana. Ele foi representado não apenas como um meio de transporte, mas também como um patrimônio sentimental da cidade. Nada se preservou dos românticos bondinhos. O tempo do bonde passou; ficaram, todavia, os registros literários.



[1] Professor dos Cursos de Turismo do IFS. E-mail: acneto@infonet.com.br

[2] FIGUEIREDO, Jacintho de. Motivos de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Funcaju, 2000. p. 31.

[3] FIGUEIREDO, Jacintho de. Motivos de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Funcaju, 2000. p. 77.

[4] LÉO. Piparotes. Sergipe-Jornal. Aracaju, nº 1.400, 18 de agosto de 1926. p. 01.

[5] Ver críticas ao governo Graccho Cardoso e ao serviço de bondes no Sergipe-Jornal de fev. de 1925 a out. de 1926.

[6] VIANNA, Rodrigues. No bond. O Espião. Aracaju, nº 37, 21 de março de 1909. p. 01.

[7] FORTES, Bonifácio. Os Bondinhos. Sergipe-Jornal. Aracaju, nº 12.477, 24 de maio de 1950. p. 04.

[8] CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001. p. 113-114.

[9] CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001. p. 176.

[10] Amado, Genolino. Um menino sergipano. 2. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978. p. 104-105.

[11] Disponível em: <http://www.tramz.com>. Acesso em: 14 de set. 2015.

[12] MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 195-201.  

[13] MELINS, Murilo. Aracaju romântica que vi e vivi. 3. ed. Aracaju: Unit, 2007. p. 317-322.  

 



Colunas
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
27/12
10:37

Sergipe pode se transformar em um De(sertão)

Eugênio Nascimento

Com uma área de 21.915.116 quilômetros quadrados, Sergipe é o menor Estado brasileiro e um dos que têm maior parte do seu espaço territorial (algo em torno de 74%) correndo o risco de se encaminhar para ser transformado em deserto. O percentual parece assustador, pois atinge mais de 16 mil km², o que representa dizer que seriam mais atingidos todo o sertão e a maior parte do agreste sergipano e teríamos uma área que quase corresponde a dois desertos do Saara, que tem um total de 9.400 km². N’outras palavras, Sergipe se tornaria um De(sertão) só.

Os dados são alarmantes. Mas ainda podem ser revertidos. E sem muito sacrifício. Como chegamos a esse estágio perigoso por causa do mau uso de recursos hídricos, destruição de caatingas e degradação do solo, será preciso adotar medidas protecionistas em relação à natureza, ao meio ambiente que foi duramente atingido ao longo dos anos de exploração humana nessas áreas, conforme alertam biólogos, ambientalistas e estudiosos do tema.

Os números no Brasil são mais assustadores do que se possa pensar. Vivem hoje em áreas sujeitas à desertificação 31 milhões de brasileiros. Eles não estão apenas no Nordeste, mas também no Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Sul. A responsabilidade pela degradação não é apenas de quem mora nessas áreas, mas também do desenvolvimento humano, que joga cada vez mais partículas de carbono no nosso planeta e produz cada vez mais o aquecimento global.

Um mapeamento feito por satélite pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas (UFAL/Lapis), que cruzou dados de presença de vegetação com índices de precipitação ao longo dos últimos 25 anos, mostra que se espalha por todo o Nordeste a desidratação do solo a tal ponto que pode torná-lo imprestável.

Os dados revelam que a região tem hoje 230 mil km² de terras atingidas de forma grave ou muito grave por esse fenômeno. A área degradada ou em alto risco de degradação é maior do que o estado do Ceará. Conforme estudos de especialistas, o Ministério do Meio Ambiente já reconhece quatro núcleos de desertificação no semiárido brasileiro. Somados, os núcleos de Irauçuba (CE), Gilbués (PI), Seridó (RN e PB) e Cabrobó (PE) atingem 18.177 km² e afetam 399 mil pessoas.

Voltemos então para Sergipe, Estado em que já são sentidos os efeitos da seca desde outubro último e os prefeitos propagam exageradamente que “estamos vivendo a pior seca dos últimos 60 anos”. Pelo seu pequeno espaço territorial, Sergipe é uma das poucas unidades da federação que poderia ser classificada como “salvável”. Dezenas de rios cortam os municípios, sendo os maiores deles o São Francisco, Sergipe, Vaza Barris, Piautinga, Poxim e Piauí, entre outros que precisam ser melhor tratados.

É difícil o trabalho de salvamento, até por que o instinto de destruição é muito mais forte e ágil nos humanos, consciente ou inconscientemente. Mas Sergipe, através de sua Secretaria de Estado do Meio Ambiente Recursos Hídricos (SEMARH) executa um programa que tem por objetivos a Implantação de infra-estrutura de abastecimento de água bruta para o aproveitamento dos recursos naturais, melhoria do nível tecnológico da população econômica ativa, com profissionalização da população jovem e treinamento dos pequenos produtores, melhoria das condições de habitação na zona rural, nos serviços de saúde e erradicação do analfabetismo e Implantação de programa de fortalecimento institucional, visando capacitar os órgãos municipais para a gestão financeira, territorial e ambiental.

A Semarh está na fase de diagnosticar todas as ações e iniciativas postas em prática na área de combate à desertificação no Estado de Sergipe, priorizar as ações indicadas, pelos atores sociais, nas oficinas preparatórias do PAE/SE, caracterizar as áreas susceptíveis à desertificação no Estado de Sergipe, estabelecer as estratégias do Programa de Ação Estadual de Combate à desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca e identificar e formular propostas de Ação Estadual de Combate a desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca dentro dos eixos:

– redução da pobreza e da desigualdade;

– ampliação sustentável da capacidade produtiva;

– preservação, conservação e manejo sustentável dos recursos naturais ;

– gestão democrática e fortalecimento institucional.

Para evitar termos um Saara em Sergipe, todos devemos estar conscientes da necessidade de colaborar com as iniciativas desse projeto, torcer para que tudo dê certo e nos próximos anos não venhamos a ter a pior cerca dos últimos 60 anos novamente.


(Com dados da UFAL/Lapis, IBGE e Semarh/SE)



Coluna Eugênio Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
Primeira « Anterior « 1 2 3 4 5 6 7 » Próxima » Última

Enquete


Categorias

Arquivos