20/12
08:56

Federação das Indústrias faz almoço de confraternização

O tradicional almoço aconteceu na manhã desta segunda-feira (19) na sede da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e reuniu empresários, industriais, diretores, superintendentes e presidentes de órgãos do Estado. Estiveram presentes ainda o governador do Estado, Jackson Barreto, o vice-governador, Belivaldo Chagas e o presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe, Luciano Bispo.

Na oportunidade foi assinado um acordo de cooperação técnica entre o Banco do Nordeste e a Federação das Indústrias que prevê a ampliação do Financiamento de Sistemas de Micro e Minigeração distribuída de energia renovável com base no FNE Sol oferecido pelo BNB. ?O ano de 2016 foi um ano que tivemos um crescimento bastante significativo das aplicações do Banco no setor industrial e queremos continuar com esta parceria em 2017. Estamos firmando aqui hoje a ampliação de uma linha de crédito voltada para a aquisição e montagem de sistemas de energias renováveis, uma oportunidade a mais para que as empresas sergipanas possam diminuir os seus custos?, explica o superintendente do BNB, Saumíneo Nascimento, que assinou o acordo juntamente com o presidente da Federação das Indústrias, Eduardo Prado, e o governador do Estado, Jackson Barreto.

Para o governador Jackson Barreto, o encontro anual com os empresários ressalta a importância de toda a classe para o desenvolvimento econômico de Sergipe. ?Momento de fazer uma avaliação do que foi realizado em 2016, refletir sobre as principais dificuldades enfrentadas e pensar em melhores projetos para que 2017 seja melhor, esse diálogo entre os setores econômicos e produtivos, sendo intermediado pela Federação das Indústrias é fundamental?.

O presidente da Federação das Indústrias de Sergipe, Eduardo Prado, comentou sobre a atual situação financeira do Estado e do Brasil, mas ressalta que a classe está otimista pela retomada do crescimento. ?Exemplos como este, o qual assinamos, um acordo importante que disponibiliza ao empresário uma nova ferramenta de trabalho, nos faz acreditar que a retomada do crescimento está próxima. Desejamos um 2017 de novas perspectivas para o mercado financeiro e para a indústria?, destacou.

Unicom/FIES


Economia
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Por Kleber Santos
20/12
08:56

Professor da UFS é selecionado para edital nacional

 O Prof. Paulo Boa Sorte, do Departamento de Letras Estrangeiras da UFS, foi selecionado em um edital nacional da Comissão Fulbright Brasil, que concedeu bolsas a 10 professores doutores efetivos de Universidades brasileiras para atuarem como Professores Visitantes em Universidades Norte-americanas. A partir de janeiro de 2017, o prof. Paulo trabalhará, por um período de 4 meses, no Departamento de Estudos Educacionais da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, sob supervisão do Prof. Donald Freeman.

Dentre as atividades a serem realizadas pelo professor, em Michigan, estão a participação em grupos de pesquisa na Faculdade de Educação, participação em eventos, atuação na instituição de formação de professores denominada "Teaching Works", e a participação em disciplinas dos cursos de graduação da Universidade.

Este edital em que o prof. Paulo Boa Sorte foi selecionado é parte de um acordo mútuo entre os governos federais do Brasil e dos Estados Unidos, firmado em 2010, que permite a ida de professores brasileiros e a vinda de professores americanos para a realização de ensino, pesquisa, extensão e intercâmbio cultural. 

O professor Paulo Boa Sorte revelou estar muito feliz em ter sido contemplado com uma das 10 bolsas em uma grande concorrência com professores de universidades federais de todo o Brasil: “atuar como professor visitante na Universidade de Michigan será muito gratificante para mim. Quando retornar, terei a honra e o dever de compartilhar com os meus alunos e colegas da UFS a experiência vivida nos EUA. Procurarei firmar parcerias com a Universidade de Michigan e levar também a eles um pouco da nossa experiência de atuação no campo de formação de professores aqui na UFS ”, completou o professor.


Variedades
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Por Kleber Santos
20/12
08:54

Estudos apontam redução de mangabeiras em Sergipe

A Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju, SE) apresentou na quinta-feira (15) o ‘Mapa do extrativismo da mangaba em Sergipe: situação atual e perspectivas'. A audiência, realizada em parceria com o Ministério Público Federal (MPF) – Procuradoria da República em Sergipe, reuniu pesquisadores e analistas da Embrapa e agentes do MPF, além de representantes dos movimentos organizados de catadoras de mangaba, gestores públicos e parlamentares, pesquisadores de universidades e estudantes.

O mapa, que será publicado no início de 2017, é uma atualização dos estudos de monitoramento do ambiente em que está inserida a população tradicional das catadoras de mangaba em suas áreas de ocorrência, no litoral do estado. A versão anterior foi publicada em 2010, e já apresentava um cenário preocupante, com diversas áreas de conflito e restrição de acesso pelos proprietários, além de uma forte especulação imobiliária. Os resultados dos estudos de atualização do cenário apontam uma redução de áreas de ocorrência da mangabeira em torno de 30% nos últimos seis anos.

Desenvolvida dentro do projeto em rede ‘Plataforma Nacional de Recursos Genéticos Vegetais', a pesquisa tem a parceria da Embrapa Amazônia Oriental (Belém-PA). Apoiam o projeto, ainda, o Incra, Universidade Federal do Pará (UFPA), Movimento das Catadoras de Mangaba de Sergipe e Emdagro.

Com acompanhamento da procuradora da República Lívia Tinôco, os trabalhos de atualização envolveram visitas de agentes da Embrapa às comunidades de catadoras no Litoral Sul, Região Metropolitana de Aracaju e Litoral Norte. Com uso de mapas georreferenciados e metodologia de entrevistas dirigidas com as catadoras, foi possível comparar as áreas de coleta atuais com aquelas observadas na primeira edição do estudo.

Os estudos foram coordenados pelo pesquisador e a analista da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Josué Francisco da Silva Junior e Raquel Fernandes, respectivamente, além da pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental (Belém, PA) Dalva Mota.


Economia
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Por Kleber Santos
19/12
20:43

Coluna Primeira Mão

Intromissão


Os políticos reclamam da excessiva intromissão do Judiciário na esfera do Legislativo. Eles têm razão. Mas os políticos não contribuem para que o judiciário fique longe dos conflitos envolvendo membros do legislativo. Em vez de resolverem seus problemas através de negociações entre seus pares, estão sempre a recorrer ao judiciário. Precisava o vereador Iran Barbosa ir ao judiciário contra o aumento dos vereadores de Aracaju? Resultado: intervenção do judiciário no funcionamento da Câmara de Vereadores. Mas isso não é só coisa de Aracaju. Acontece nos três níveis de governo.

Fim de governo


O clima é deprimente entre os servidores municipais de Aracaju, ao apagar das luzes da gestão de João Alves Filho. Servidores se queixam de que parte da imagem negativa do prefeito tem sido muitas vezes transferida para eles. Eles dizem não aceitar isso e acrescentam que entre eles a popularidade de JAF é também baixíssima. Mas os amigos insistem em tê-lo como candidato em 2018, pois entendem que João tem força no interior.


Velhos hábitos


Final de Governo é sempre assim. Tem prefeitos queimando ou rasgando documentos. Mas há também aqueles que costumam levar para suas casas as provas do que fizeram de errado.

 

 

IPTU reduzido


Em um breve bate papo com a coluna, o prefeito eleito e diplomado de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B) garantiu que assim que assumir o comando político e administrativo da cidade vai criar uma comissão para avaliar a política de reajuste do IPTU adotada pelo prefeito João Alves, que prevê reajuste de 30% ao ano até 2022. A ideia é revogar essa lei e promover reajustes com base na inflação.


Bem cotados

 

 

Os nomes mais cotados para a Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Aracaju são os dos jornalistas Elton Coelho e Luciano Correia. Mas também são lembrados Max Augusto e Valter Lima.


Aposentados


Aposentado e pensionista que não atualizarem os dados terão pagamentos bloqueados. Para evitar que isso aconteça, o Sergipeprevidência está convocando os aposentados e pensionistas que ainda não participaram do Censo Funcional 2016, para comparecerem à sede do Instituto, localizado na Praça da Bandeira, n° 48, bairro São José, até o dia 15/01/2017. O não comparecimento dentro deste prazo, resultará no bloqueio do pagamento do benefício, até que seja regularizada a situação, conforme estabelece Artigo 12, § 3 do Decreto 30.232, de 19 de maio de 2016. A lista dos convocados encontra-se disponível, no Diário Oficial N° 27.599 de 16 de dezembro de 2016.

Sobre o Uber


Os sergipanos que usam o sistema privado de transporte Uber em outros estados fazem os maiores elogios. Dizem, por exemplo, que os motoristas são mais educados e atenciosos, guardam os seus nomes e as placas dos carros, são pontuais e, mais importante, cobram a metade da fatura que apresentariam taxistas tradicionais. Além disso, os táxis são limpos. Pra que tanta reserva de mercado em Sergipe?

Direitos humanos em questão


A Comissão Estadual da Verdade parece ter feito grandes avanços nos últimos tempos. Fala-se que o número de vítimas de violação de direitos humanos entre 1947 e 1964 chega a 200 nomes. Entre 1964 e 1985, esse número vai a 800. Progressos também têm sido a identificação dos nomes dos agentes públicos envolvidos em tais violações. Segundo membros da CEV, grandes revelações sobre dedos-duros civis e militares podem não abalar a República Sergipana, mas pequenos abalos sísmicos poderão acontecer.



Sinal da crise


A falta de dinheiro no mercado sergipano tem levado empresários a continuar usando a velha afirmação ‘o movimento está parado’.


Gastos com Saúde 1


Em conversa com a coluna, o governador Jackson Barreto destacou que o estado gasta muito para manter operando a sua rede de hospitais. Ele se queixou ainda que as deficiências na Saúde em Aracaju sobrecarregam e aumentam os gastos da rede estadual, que não deveria atender casos de baixa complexidade.


Gastos com Saúde 2

 

 

“Os médicos de Aracaju entraram em greve 14 vezes só este ano. Toda vez que a rede para o Huse e o governo tem que manter a assistência ao povo. A dor não tem partido e não podemos fechar as portas para a população pobre de Aracaju, que é quem procura o Huse quando estão fechados as duas Upas e os 42 postos de saúde. Agora mesmo o Huse está com superlotação. E para manter isso funcionando são necessários muitos recursos”, desabafou o governador.


Estacionamento


Tem servidor que confunde, mas os espaços dos estacionamentos das repartições são prioritariamente para veículos oficiais. Não existe nada garanta o uso por veículos pessoais (privados).


Fim de ano


Começou a fase de ‘Feliz Natal e Próspero Ano Novo’ nas redes sociais. Um saco.


Diretas já


Diante do desgaste cada vez nas esferas do Executivo e Legislativo, a OAB/SE está na campanha pelas Diretas Já. E Gerais.



Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
18/12
20:14

Ibarê Dantas: A fonte que não seca

Afonso Nascimento - Professor de Direito da UFS


 

 

 

A emergência da classe operária parece guardar, postas de lado diferenças geográficas, históricas, culturais e sociais, processos semelhantes que lembram um marco zero em termos de direitos trabalhistas. Mais precisamente, estamos a falar de ausência de regulamentação das relações entre empregados e empregadores e, por conseguinte, longas jornadas de trabalho para homens, mulheres e crianças, demissões arbitrárias, truculências patronais e policiais e indiferença e descaso da Justiça estadual em relação a essas primeiras lutas por direitos dos trabalhadores.

 

 

 

 

 

 

 

Certa vez, morando no continente europeu, fizemos questão de fazer uma viagem de turismo e de estudos ao berço da revolução industrial, em Iron Bridge, na Inglaterra, para ter uma ideia mais concreta do que tínhamos lido em livros de História da Europa e em romances de autores ingleses e franceses sobre os horrores das condições de trabalho e de existência da classe operária. Essa foi a primeira associação que nos veio à mente com a leitura do novo livro do historiador Ibarê Dantas sobre a imprensa operária em Sergipe que cobre, justamente, o período da formação da classe operária sergipana (DANTAS, Ibarê. Imprensa Operária em Sergipe (1891-1930). Aracaju: Editora Criação, 2016).

 

 

 

 

 

 

 

A segunda associação, que deveria ter sido a primeira, é que nós somos filho e produto da classe operária brasileira (avô e pai ferroviários sergipanos) e que fomos durante uma vintena de anos também parte desse grupo social e do qual, de certa forma, nunca deixamos de pertencer. Seria o caso de dizer: você tira o homem da classe operária, mas essa classe não sai de dentro do homem? Achamos que sim. Temos bem clara a lembrança de que nosso pai fazia muito bem a distinção entre as condições de trabalho e os salários da classe operária antes e partir da Justiça e do Código do Trabalho (também conhecido impropriamente como CLT) impostos pelo ditador Getúlio Vargas. Depois disso é que, sem essa racionalidade obviamente, pudemos organizar as ideias trazidas pelo livro desse importante historiador brasileiro nascido em Sergipe.

 

 

 

 

 

 

 

Como o título do livro acima está a indicar, trata-se de uma obra sobre jornalismo social referente ao surgimento da classe operária sergipana que começa em 1891, treze anos depois da abolição legal do trabalho forçado e não assalariado, indo até 1930. Para evitar confusões em termos de interpretação, devemos destacar que a classe trabalhadora sergipana já existia por cerca de três séculos e que, então, estava-se diante de uma fração nova da classe trabalhadora que era composta de operários urbanos e assalariados – com o reordenamento do trabalho desde o fim da escravidão em Sergipe, como destacou o historiado econômico Josué Modesto dos Passos. Voltando ao nosso fio da meada, esse livro mais recente de Ibarê Dantas tem como fontes principais jornais dirigidos a um público específico de trabalhadores urbanos. Além dessa matéria-prima (da qual ela fez reproduzir exemplares no anexo anexo do seu livro), o historiador de Riachão do Dantas se serviu de duas fontes orais, as quais foram entrevistadas em 1974 e 1975.

 

 

 

 

 

 

 

Na introdução do seu livro, o autor informa ao leitor que já tinha se debruçado sobre a classe operária sergipana em três livros anteriores sobre a política estadual (DANTAS, Ibarê. O Tenentismo em Sergipe (da revolta de 1924 à revolução de 1930). Petrópolis: Vozes, 1974; DANTAS, Ibarê. A Revolução de 1930 em Sergipe: dos tenentes aos coronéis. São Paulo: Cortez, 1983; e DANTAS, Ibarê.  Os Partidos políticos em Sergipe (1889-1964). Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989) e em um artigo (DANTAS, Ibarê. Notícias de greves em Sergipe (1915-1930). Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Aracaju, no.31, 1992). Embora ele não o diga, tivemos a impressão de que essa passagem equivaleu a afirmar que o autor também reivindica créditos, justos aliás, no domínio da história social sergipana, cobrindo assim praticamente todas as áreas da historiografia, ou seja, a política, mas também a administração, a economia e a cultura – como pode ser observado no seu livro-síntese “A república em Sergipe”.

 

 

 

 

Esse é um livro da fase do “jovem Ibarê”, elaborado incompletamente em 1974, nos tempos da ditadura militar, que se antecipava à onda vindoura de trabalhos sobre a classe operária puxada por intelectuais ligados à Universidade Estadual de Campinas (Michael Hall, Paulo Sérgio Pinheiro, etc.), instituição na qual ele fará seus estudos de pós-graduação. Retomando a antiga pesquisa, Ibarê Dantas encontrou uma bibliografia relevante sobre a classe operária sergipana (MOURA, Maria das Graças. 1984. Levantamento da imprensa operária em Sergipe. Aracaju: PDPH, 1984; OLIVEIRA, Jorge Marcos de. O ideal anarquista em “O Operário” (1896). Revista do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Aracaju, no.29,1987; SOUSA, Antônio Lindivaldo de. Disciplina e resistência. Cotidiano dos Operários Têxteis em Aracaju (1910-1930). São Cristóvão: TCC em História pela UFS, 1991 e SOUSA, Antônio Lindivaldo de. Em nome do progresso e da liberdade: “ordem” e “rebeldia” no emergente processo urbano-industrial de Aracaju (1910-1930). São Cristóvão: Monografia de Especialização em Ciências Sociais/UFS, 1993; GUEDES, Cristiana Montalvão. A exploração patronal sobre o operariado têxtil em Sergipe (1889-1930). São Cristóvão: TCC em História pela UFS, 1997; e ROMÃO, Frederico Lisboa. Na trama da história: o movimento operário de Sergipe (1871-1935). Aracaju: J. Andrade, 2000) de que fez uso para atualizar o trabalho parado desde 1974.

 

 

 

 

O “Ibarê maduro” estruturou o seu livro quarenta e dois anos depois do seu esboço em 1974 e fez isso apresentando-o em seis capítulos. No primeiro deles (“Estrutura social de Sergipe-1889-1930”) introduz o leitor ao contexto social dentro do qual fará a sua análise da imprensa operária sergipana. Os demais capítulos estão organizados em torno dos jornais operários por ele encontrados, isto é, “O Operário”-1891, “O Operário” – 1896, “O Operário” – 1910-1911, “O Operário”-1915-1916 e “Voz do Operário”-1920-1930. Prestando atenção às datas dos jornais, pode-se imaginar como deve ter sido arriscado e difícil publicar jornais desse tipo numa sociedade recém-saída da escravidão, predominantemente agrária e rural e controlada por mandões políticos, herdeiros de costumes escravocratas.

 

 

 

 

Não entraremos nos detalhes da narrativa de Ibarê Dantas sobre cada capítulo e respectivos jornais. É mais interessante que o leitor leia e reflita sobre as questões tratadas em cada período. Diremos, entretanto, que o historiador tarimbado montou um esquema bem operacional para a coleta de informações nos jornais pesquisados que consistiu em levantar, nas suas palavras, “a posição de cada folha diante da política, do patronato e da Igreja Católica”. Além disso, destacou a contribuição dos periódicos na “defesa e conquista dos direitos, (no) fortalecimento da classe”, bem como explicitando “suas tendências ideológicas”. Dito com nossas palavras, o autor mostra os usos feitos pelos jornais operários na doutrinação dos operários e na denúncia das condições de trabalho, das arbitrariedades patronais, dos momentos de rebeldia e de radicalismo retórico, das formas paternalistas de relação entre o patronato e os operários, dos atos de cooptação das autoridades constituídas estaduais e assim por diante. No que se refere às “tendências ideológicas”, Ibarê Dantas sustenta que os jornais operários pesquisados evoluíram (sem valoração de nossa parte) de posturas anarquistas para posicionamentos comunistas. Essa é a tese principal desse novo livro de Ibarê Dantas.

 

 

 

 

E por falar em comunistas, Ibarê Dantas também discute o problema da origem do Partido Comunista Brasileiro em Sergipe. Afinal, quando foi fundado? Ele afirma não ter encontrado nos jornais operários examinados qualquer informação sobre datas e nomes indicando a constituição dessa organização em solo sergipano. Se a direção nacional do PCB foi criada em 1922 no Rio de Janeiro, isso não significa que o mesmo também tenha acontecido em Sergipe. Essa é uma questão que continuará sem resposta até que, quem sabe, algum outro pesquisador tenha mais sorte do que ele.

 

 

 

 

Voltando ao ponto das “tendências ideológicas”, chamou-nos a atenção o fato de doutrinas anarquistas serem consumidas em Sergipe, uma sociedade que não conheceu imigração europeia (italianos, espanhóis, etc.), como estados do Sudeste como São Paulo, por exemplo. Isso mesmo. A nossa classe operária era formada por descendentes de homens livres e escravos nascidos e criados por aqui mesmo e, pelo visto, tiveram acesso à circulação internacional de ideias e de doutrinas políticas europeias por essas bandas agrárias e rurais. Isso nos leva ao problema de saber quem eram os jornalistas ou, o que dá no mesmo, os intelectuais que escreviam esses jornais. Esses jornais tinham um ou mais intelectuais encarregados de fazer sua publicação, geralmente destinada a público composto de operários da construção civil, estivadores, pedreiros, carpinteiros, alfaiates, operários de fábricas têxteis, entre outros – os quais constituíam uma fração muito pequena quando comparada à população de trabalhadores rurais. Ibarê Dantas cita alguns dos nomes desses intelectuais, tais como João Ferro, Lourival Fontes, Luiz José da Costa Filho, Antônio Xavier de Assis, Arion Guimarães Pinto, Rodrigues Viana, Adeodato Maia, Olímpio Mendonça, etc. Infelizmente, em relação a esses intelectuais e outros, faltaram informações biográficas de que o historiador tanto necessitaria para tornar o seu livro mais completo. Ainda assim, construiu alguns bons perfis biográficos desses intelectuais mediadores.

 

 

 

 

 

 

 

A quem pode interessar a leitura desse livro? A muita gente. Estamos pensando em estudantes e profissionais do Direito do Trabalho, sindicalistas, estudantes de História e historiadores. Afora os grupos mencionados, Também teriam interesse todas as pessoas interessadas em saber como viviam os operários sergipanos nos anos de sua formação, especialmente agora quando se fala em uma reforma do Código do Trabalho programada pelo Poder Executivo para o próximo ano, que supostamente retiraria do seu bojo conquistas realizadas na década de 1930.

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o que será escrito o próximo livro de Ibarê Dantas? Não é possível saber. Pelas nossas contas, “Imprensa Operária em Sergipe” é o seu décimo primeiro livro. Quando alguém pergunta ao autor a respeito de que está escrevendo no momento, o incansável historiador desconversa e sempre diz que “a fonte secou”, que não tem mais nada para dizer. Se o leitor ouvir algo semelhante dele, pode acreditar que ele está preparando algum livro ou artigo novo. Isso faz sentido.

 

 

 

 

Sendo um dos mais importantes historiadores brasileiros, ele tem passado a sua vida lendo e escrevendo. Nesse processo tem feito muitas descobertas e aquisições aqui e acolá que não tem podido dar seguimento por estar focado em algum projeto, sendo obrigado, assim, a pô-las em banho-maria para adiante retomá-las e transformá-las em novos trabalhos. Da última visita que fez aos seus arquivos saiu esse livro sobre jornais operários. Vale a pena esperar a chegada de 2017 para saber o que ele pode estar preparando para os admiradores de sua obra.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
18/12
20:05

Dom Paulo Evaristo Arns: Servo de Deus , semeador do evangelho

José Lima Santana - Professor do Departamento de  Direito da UFS

 

            Quinta-feira. 15 de dezembro de 2016. 17h30m. Eis que adentro na Catedral da Sé, em São Paulo, para tributar minha homenagem ao Cardeal Arns. De passagem pela terra da garoa, aproveitei para me solidarizar com os milhares de fieis que foram prestar suas últimas homenagens ao Cardeal Arcebispo Emérito de São Paulo, falecido no dia anterior, vítima de uma broncopneumonia, aos 95 anos de idade.

            Dom Arns foi um homem singular. Ele foi arauto do Evangelho de Jesus Cristo numa época de dificuldades para o povo brasileiro: os tempos duros da ditadura militar. Aquele foi um tempo de grandes Cardeais: Dom Paulo Evaristo Arns, Dom Aloísio Lorscheider, Dom Avelar Brandão Vilela, sem esquecer Dom Eugênio Câmara, este nem sempre bem quisto, por ter sido tachado de conservador e direitista. Todos dignos do posto ocupado na Igreja. Ao lado desses grandes Cardeais, despontavam Dom Hélder Câmara, Dom José Vicente Távora, Dom José Maria Pires, Dom Ivo Lorscheiter, Dom Adriano Mandarino Hypólito (aracajuano), Dom Pedro Casaldáliga e tantos outros membros do episcopado brasileiro, que tinham nome e renome, que eram ouvidos dentro e fora do país, muitas vezes atormentando os milicos golpistas e sendo por eles atormentados. Cardeais, Arcebispos e Bispos que eram ouvidos, que sabiam o quê dizer, como dizer, onde dizer e quando fosse preciso dizer. Sem temor, como convém aos seguidores de Jesus.

            Pode-se mesmo afirmar que Dom Paulo foi o último dos moicanos. Desses moicanos que lutaram com bravura para anunciar o Evangelho de Jesus Cristo, para denunciar, para defender os direitos humanos, na raiz da Doutrina Social da Igreja, que enfrentaram os “donos do poder”, naqueles terríveis anos de chumbo, que alguns incautos vivem, hoje, a pregar a volta, numa maneira tresloucada própria de filhotes desmamados da famigerada ditadura. Estes são burros, imbecis. Abro um parêntese para dizer que a situação do país é muito ruim, sim, mas, nada justifica a pregação pela volta dos milicos. Que de seus quartéis eles nunca mais saiam para tomar o lugar reservado pela Constituição aos civis. A situação ruim em que vivemos, nós mesmos haveremos, aos trancos e barrancos, com sacrifício, de enfrentar sem precisar dos coturnos e das baionetas. Os militares merecem respeito enquanto “braços da Pátria”. Nada mais.

            Muito bem. Eu conheci pessoalmente Dom Paulo Evaristo Arns no dia 15 de agosto de 1981, durante o café da manhã, no Seminário da Arquidiocese de Recife e Olinda. Ali estávamos eu, o Padre Raimundo Cruz e Dom Hildebrando Mendes Costa, então Bispo Auxiliar de Aracaju. Fomos à celebração das Bodas de Ouro da Ordenação Sacerdotal de Dom Hélder Câmara. Ao meu lado, na mesa do café da manhã, sentou-se Dom Paulo. Bem perto, Dom Aloísio. Dom Paulo perguntou-me de onde eu era e se eu era padre. Eu lhe respondi, tomando, antes, a sua bênção, que era leigo e ministro da Eucaristia. Lembro que ele disse, mais ou menos, assim: “Exerça o seu ministério com fé e determinação”. Não lembro, exatamente, se ele disse “determinação” ou “firmeza”. Foi por aí. Aquela foi a única vez que eu o encontrei pessoalmente. Acompanhei, porém, a sua luta em favor do povo paulistano e brasileiro. Li muitos dos seus escritos. Vibrei com suas posições firmes. Dentre os legados por escrito que ele deixou, com a colaboração de outras pessoas, registro o livro “Brasil: Nunca Mais”.

O Projeto Brasil: Nunca Mais desenvolvido por Dom Paulo Evaristo Arns, Rabino Henry Sobel, Pastor presbiterianoJaime Wright e equipe, foi realizado clandestinamente entre 1979 e 1985 durante o período final da ditadura militar no Brasil, que gerou uma importante documentação sobre a história do Brasil, publicada em livro com o mesmo título do Projeto: “Brasil: Nunca Mais”, pela Editora Vozes.

O Projeto sistematizou informações de mais de 1.000.000 de páginas contidas em 707 processos do Superior Tribunal Militar (STM), revelando a extensão da repressão política no Brasil, que cobriu o período do arbítrio implantado pelos militares. Atualmente, constitui-se no fundo mais pesquisado do Arquivo Edgard Leuenrouth, na UNICAMP, em Campinas (SP).

O relatório completo, resultado do esforço de mais de 30 brasileiros que se dedicaram durante quase seis anos a rever a história do período no país, reescrevendo-a a partir das denúncias feitas em juízo por opositores do regime de 1964, bem como o livro publicado pela Editora Vozes, tiveram papel fundamental na identificação e denúncia dos torturadores do regime militar e desvendaram as perseguições, os assassinatos, os desaparecimentos e as torturas, bem como atos praticados nas delegacias, unidades militares e locais clandestinos mantidos pelo aparelho repressivo no Brasil.

Em resposta ao livro de Dom Paulo Evaristo Arns e outros, os militares escreveram o livro “Tentativas de Tomada do Poder”. Tal livro foi baseado em documentação produzida pelos órgãos de repressão do período, contendo uma versão policial sobre a história e as pessoas citadas no outro livro, ou seja, no “Brasil: Nunca Mais”. O livro de Dom Arns e outros se tornou um Best-seller, ao passo que o livro patrocinado pelos militares encalhou.

            Por fim, rendi, na quinta-feira, a minha homenagem, o meu preito de gratidão àquele que teve uma das vozes mais lúcidas da Igreja Católica brasileira em todos os tempos. E não venham, alguns filhotes do conservadorismo, católico ou não, dizer que Dom Arns era um Cardeal de esquerda. Dom Paulo Evaristo Arns foi um Cardeal compromissado com o Evangelho de Jesus Cristo. Um semeador. Um bom samaritano. Um servo bom e fiel, que não escondeu os talentos. Um que soube carregar a cruz e que ajudou muitos a também carregarem a sua cruz. Um destemido.

            Que Deus o receba na sua Glória! Amém.                   

 

 

            Uma indagação fora do texto acima: Diante de tantas bagunças de lado a lado, se fossem levados a leilão o Senado e o Supremo Tribunal Federal, em qual deles, caríssimo leitor, você daria o maior lance?

 



Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
18/12
16:13

A ficha caiu

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Depois de um terceiro trimestre com resultados muito ruins, a economia brasileira iniciou o ultimo trimestre de 2016 confirmando a trajetória de aceleração do ritmo de queda do nível de atividade, enquanto o aguardado choque de confiança simplesmente faltou ao encontro marcado.

Comércio varejista, indústria e serviços recuaram no mês de outubro e as edições dos índices setoriais de expectativas de outubro e novembro oscilaram entre estagnação ou queda na confiança de consumidores e empresas. Crise política e recessão se reforçam mutuamente e já ninguém arrisca prognóstico de quando o nível de atividade chegará ao fundo do poço.

A mudança do humor é patente, sendo constatada tanto nas sondagens de mercado quanto nas pesquisas de opinião junto aos eleitores. Com o chão abrindo aos seus pés depois de delações de crimes de corrupção envolvendo a alta cúpula da administração, o governo federal recorreu às pressas a arremedos de estímulos à economia por meio de alguma recomposição do poder de compra de famílias e de empresas, asfixiado pelo alto nível de endividamento.
As medidas anunciadas contemplam a reestruturação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), renegociação de dívida com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o diferimento no pagamento de tributos por parte das empresas. Em uma segunda etapa, poderá ser regulamentada a utilização de parcela do FGTS para abater dívidas das famílias.

Reação tardia
Analistas próximos ao governo alertavam já alguns meses que o ritmo de atividade da economia sinaliza o aprofundamento da recessão no terceiro trimestre e recomendavam que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) acelerasse o ritmo de redução da taxa básica de juros da economia. Por duas reuniões subsequentes, o comitê decidiu por limitar a queda dos juros em 0,25 ponto percentual.

Na reunião dos dias 18 e 19 de outubro, o Copom literalmente fez pouco caso do agravamento do quadro recessivo, comunicando na ata da reunião que não se impressionava com os números ruins do nível de atividade no terceiro trimestre e que, apesar da queda dos índices de preço ao consumidor, os preços dos serviços ainda resistiam a cair, exigindo “persistência” na política monetária. Ao final da reunião, o Copom decidiu pela redução de 0,25 pp na taxa básica, o que na prática sinalizou a elevação na taxa de juros reais, frente à perspectiva de queda acentuada nos índices de preço. Na reunião seguinte, nos dias 29 e 30 de outubro, mesmo com a forte deterioração desde a reunião anterior, o Copom manteve a política de redução de 0,25 pp, com a diferença que agora reconhecia o agravamento do quadro recessivo. Vale a pena comparar o item que trata do nível de atividade econômica nas atas das duas reuniões.

Na Ata da 203ª reunião do COPOM, de 18 e 19 de outubro de 2016, o Copom registrava que “3. Oscilações no atual estágio do ciclo econômico são comuns e provavelmente explicam os resultados recentes. No seu conjunto, a evidência disponível é compatível com estabilização recente da economia brasileira. Índices de confiança, expectativas de crescimento do PIB para 2017 apuradas pela pesquisa Focus e o comportamento de prêmios de risco e preços de ativos apontam para uma possível retomada gradual da atividade econômica.”

Seis semanas depois, na 203ª reunião do COPOM de 29 e 30 de novembro, reconhecia-se que os recuos dos indicadores de atividade não eram meramente flutuações naturais do ciclo de negócios “3. Após os recuos dos indicadores de atividade econômica relativos a agosto, a ausência de uma reversão nos meses seguintes torna menos provável o cenário em que esses movimentos refletiriam oscilações naturais da atividade econômica em torno de momentos de estabilização. Aumenta, portanto, a probabilidade de que a retomada da atividade econômica seja mais demorada e gradual que a antecipada previamente”.

Apesar do reconhecimento da piora do cenário, o Copom persistiu no ritmo de redução da taxa básica. Em eventos posteriores, o presidente do Banco Central teria declarado que estava sofrendo horrores de pressão para acelerar a queda da taxa de juros nas próximas reuniões do Copom.

Outubro
No mês de outubro, os indicadores do nível de atividade sinalizaram a continuidade do agravamento do quadro recessivo. O volume de vendas do comércio varejista recuou 0,8%, na série livre de efeitos sazonais, no pior resultado para o mês desde 2008. O volume de serviços e a produção industrial despencaram, respectivamente, 2,4% e 1,1%.

O Índice de Atividade do Banco Central sintetiza o movimento recente registrando a aceleração do ritmo de queda no cálculo trimestral. Na comparação entre o trimestre agosto-outubro e o trimestre anterior (maio-julho) o IBC-BR caiu 1%, quando havia se retraído 0,6% no trimestre encerrado em setembro. Na comparação do trimestre agosto-outubro com o trimestre móvel anterior (julho-setembro), o IBC-BR recuou 0,5%, frente a queda de 0,3% no trimestre encerrado em setembro (ver Gráfico).

Frente ao agravamento da crise política, a equipe econômica corre atrás do prejuízo. O prazo para mostrar resultados positivos na atividade econômica encurtou, a ficha caiu, e a equipe econômica soma-se à operação deflagrada para salvar o governo Temer.



*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 1
Por Kleber Santos
18/12
15:57

Há 80 anos sergipano fabricou a 1ª marinete


Em 2017, ano que começa dentro de 14 dias, o nome de Artur Rodrigues da Silva deverá ser lembrado no segmento empresarial do transporte coletivo de Sergipe. O que motivará a lembrança? Há 80 anos, ele, um marceneiro-carpinteiro nascido em Itabi em 03 de outubro de 1904, colocou em funcionamento a primeira 'marinete' (nome dado aos primeiros ônibus que operaram por aqui) fabricada no Estado. A marinete, com carroceira feita em madeira, passou a fazer a linha Rosário do Catete/Aracaju/Rosário do Catete e virou um marco na história do transporte coletivo do Estado.

Ainda adolescente ele deixou Itabi e foi morar no Cedro de São João e lá, aos 14 anos, estudou e passou a ser uma espécie de ajudante profissional do pai, Felinto Rodrigues da Silva, que atuava como carpinteiro, marceneiro, pescador, pedreiro e comboieiro de burros , transportando mel de engenho produzido por usinas de Sergipe para a Bahia.

Com a morte dos pais, resolveu ir morar em Rosário do Catete. Lá, ele comprou uma casa em frente a estação ferroviária e passou a usar o imóvel como moradia, ao lado de sua mulher, Celisa Ribeiro, e também espaço de trabalho como carpinteiro.

Dentro os inúmeros amigos do Artur, houve um de nome Pedro Pantaleão, que um certo dia lhe mostrou algumas fotografias tiradas de ônibus que circulavam em São Paulo e perguntou... Artur você tem a coragem de fazer uma marinete? E obteve a seguinte resposta: "Se você tem a coragem de perder a madeira? Eu tenho de perder meu trabalho".

Pantaleão calou-se e em determinado dia o procurou novamente e disse: "Artur, vamos à Aracaju, apanhar o chassi e a madeira para você fazer a marinete". Foi uma surpresa para o mesmo que junto com o Sr. Pedro Pantaleão vieram à Aracaju e dirigiram-se a agência Ford, situada na Praça General Valadão, onde é hoje a agência central do Banco do Brasil para apanhar o chassi e a madeira na serraria São Francisco na Av. Coelho e Campos, de propriedade do compadre e amigo João Costa, que também era fotógrafo profissional em Rosário do Catête.

Em 1937, circulava finalmente em linha regular Rosário/Aracaju e vice-versa, o primeiro ônibus fabricado em Sergipe.

Foi grande o sucesso, ao ponto de outros ônibus terem sido encomendados, deixando assim o Artur de fabricar móveis e dedicar-se a construção de carrocerias de ônibus.

Aproximadamente em 1942, ele foi convidado por João Costa a vir para Aracaju, pondo a sua disposição sem nenhum ônus um barracão modesto, mas onde ele poderia desenvolver suas habilidades profissionais, bem como financiaria toda a madeira necessária, aceito o convite inicialmente a família ficaria a residindo em Rosário e posteriormente transferindo-se para Aracaju, primeiramente morando em casa alugada e em 1945, mandou construir uma casa na Av. Simeão Sobral, onde fixou-se definitivamente.

Artur, começou a crescer não somente profissionalmente, bem como sua maneira íntegra e honesta de agir. Mudou-se para a Av. Coelho e Campos, denominando sua pequena fábrica de 'Carpintaria Rodrigues' e ficou conhecido como Artur das Marinetes. Os primeiros ônibus construídos em Aracaju, foram para empresa São José Mendonça, irmão de Mamede e Euclides Paes Mendonça, fazendo linha Paripiranga/Ba à Aracaju/Se. Logo surgiram outros empresários, a exemplo de Oviêdo Teixeira, trafegando de Itabaiana para Aracaju, Firmino Mendonça, Marinho Tavares, da Empresa Sr. do Bomfim, a qual posteriormente foi adquirida por José Lauro Menezes, Josias Passos, Aldon Figueirero, Luiz Prado e Josino Almeida da empresa N. Srª de Fátima, todos estes com linha regular para o interior do Estado de Sergipe e da Bahia, inclusive a capital Salvador.

O transporte coletivo na cidade de Aracaju, na época era feito por bondes os quais estavam se tornando lentos e obsoletos, daí então alguns empresários sergipanos fizeram encomendas de ônibus mais modernos para fazerem o transporte coletivo na cidade, dentre eles, Oliveira Martins, cuja frota fora quase construída em Aracaju, Hugo Cruz, Odilon Porto, e vários outros.

Em 1950, transferiu-se da Av. Coelho e Campos para rua Basílio Rocha, em prédio próprio, onde por alguns anos continuou a exercer suas atividades na fábrica, até 1956, quando resolveu parar com a fabricação de ônibus, vendendo a fábrica para José Lauro Menezes da empresa Sr. do Bomfim, que passou a utilizar as instalações para manutenção dos ônibus da empresa.

O Sr. Artur passou então a dedicar-se as atividades agropecuárias, atividade esta, exercida por pouco tempo, e em 1958, desfez-se da propriedade e passou a viver do resultado financeiro que lhes rendia seu capital aplicado.

Em casa e sentindo-se como um animal enjaulado e vendo suas finanças se debilitarem, resolveu então voltar a luta e passou a trabalhar em casa para a empresa Sr. do Bomfim na recuperação e construção dos estofados dos ônibus e assim foi até atingir os 81 anos de idade, quando sentindo-se cansado e atingido por insidiosa moléstia, sugestionado por seus familiares, resolveu então parar definitivamente.

Em 17 de fevereiro de 1988, após 45 dias de luta pela sobrevivência em um leito de hospital, sua inseparável companheira veio a falecer, e com este vazio em sua vida após 61 anos de vida conjugal, ele foi definhando e a arteriosclerose da qual era acometido, passou a degenerar rapidamente seu cérebro, finalmente aos 15 dias do mês de fevereiro de 1990, Sergipe perderia aquele que com sua simplicidades, muito contribuiu para seu desenvolvimento, Artur Rodrigues da Silva (Artur da Marinete).


Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
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