15/12
13:18

Reforma da Previdência é ainda mais perversa para trabalhadores rurais, avalia João Daniel

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287/2016, que trata da Reforma da Previdência, recebeu críticas do deputado federal João Daniel (PT/SE), que a classificou como parte de um grande golpe para dar aos ricos mais dinheiro e ainda dar direito à previdência privada de usar e abusar do povo brasileiro. Para ele, a PEC 287/2016, juntamente com a PEC 55, que congela os investimentos públicos em setores básicos durante 20 anos, já aprovada na Câmara e no Senado, completa a exclusão dos grupos mais vulneráveis da população. O parlamentar acrescentou que para os trabalhadores e trabalhadoras rurais as medidas previstas nessa proposta são ainda mais perversas.

“Queremos defender aqui o que há de mais justo e mais digno, que são as conquistas do povo brasileiro. Parabenizamos as entidades de classe que têm se levantado contra essa reforma”, disse. O parlamentar comparou a proposta de Reforma da Previdência à Lei do Sexagenário, promulgada em 1885, que determinava que todo escravo que completasse 65 anos estava livre. No entanto, raros eram os escravos que chegavam a essa idade. Por isso ficou conhecida como lei da gargalhada.

“Hoje estamos diante de uma nova medida legislativa que pode ser considerada a PEC da gargalhada. Pelo menos para a burguesia será assim. Só que agora é com relação à aposentadoria. O governo golpista de Temer decidiu que o trabalhador e a trabalhadora só poderão se aposentar com 65 anos”. Além disso, ressaltou o deputado, para ter direito à aposentadoria integral a pessoa terá que ter 49 anos de trabalho. “Com relação aos agricultores e agricultoras familiares e trabalhadores e trabalhadoras rurais as medidas são muito mais perversas, pois terão que ingressar no sistema do INSS, com pagamento mensal e a comprovação de contribuição por 25 anos”, acrescentou João Daniel.

Segundo o deputado, com isso, chega-se à constatação de que o que pretende o golpismo é não conceder mais o benefício da aposentadoria a nenhum trabalhador ou trabalhadora, principalmente diante das declarações do relator da PEC, que chegou a dizer que “vagabundo remunerado não receberá”, referindo-se à situação atual das aposentadorias.

Exclusão
Para o deputado petista, a PEC 287/2016, juntamente com a PEC 55, completa a exclusão dos grupos mais vulneráveis da população e, considerando que a idade está sendo considerada pela média da expectativa de vida da população, a maioria contribuirá, mas não terá acesso aos benefícios. “As pessoas morrerão antes de alcançar esse direito ou viverão muito pouco depois de aposentados”, disse, acrescentando que a PEC da Previdência tem o intuito de viabilizar a PEC 55. Isso porque, ressaltou João Daniel, a Previdência é um dos itens mais importantes das despesas primárias, daí fica difícil impedir que suas despesas se mantenham congeladas por 20 anos, com o crescimento da população de idosos.

Além disso, destacou o deputado, por trás de tudo isso estaria também o interesse de ajudar os bancos privados a lucrarem centenas de bilhões de reais nas próximas décadas vendendo planos de previdência privada, uma vez que a Previdência pública não mais existirá. “A própria articulação do secretário de Previdência construiu a proposta se reunindo só com bancos, instituições financeiras e associações patronais, antes de mandar para o Senado o seu projeto, o que aponta para os interesses rentistas da proposta, sem a menor preocupação com trabalhadores e trabalhadoras”, disse João Daniel.

Em seu discurso, o deputado João Daniel registrou o Manifesto dos Movimentos do Campo contra a Reforma da Previdência, em que mostram os impactos negativos dessa medida para toda a sociedade, especialmente com o aumento da idade mínima para aposentadoria aos 65 anos de idade para homens e mulheres e tempo de serviço para 49 anos de trabalho para ter direito a aposentadoria integral. Entre as entidades que assinaram estão a Via Campesina, o MST, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a Confederação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Contraf), Comissão Pastoral da Terra (CPT).


Política
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Por Kleber Santos
12/12
13:00

Edvaldo anuncia titulares da Saúde, Governo e Emsurb


O prefeito eleito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PCdoB), anunciou, em ato realizado na manhã desta segunda-feira, 12, no Sindicato dos Bancários, três integrantes que comporão sua equipe de governo a partir de 1º de janeiro de 2017. Farão parte do secretariado Carlos Cauê (Governo), Mendonça Prado (Empresa Municipal de Serviços Urbanas) e André Sotero (Saúde).

Detalhando a dificuldade vivida pela população de Aracaju no momento, com ênfase na precariedade do recolhimento de lixo, falta de remédios e cuidado com a administração pública, ele disse que 2017 será um ano de “reconstrução da cidade”, e apontou a Saúde, Limpeza Urbana e pagamento dos salários dos servidores e Segurança Pública como “prioritários”. O prefeito eleito também ponderou que fará o enxugamento da máquina, com redução de cargos e de secretarias.

anuncio-secretarios-foto-janaina-santos-9Em coletiva à imprensa, acompanhado da vice-prefeita eleita Eliane Aquino (PT), Edvaldo Nogueira anunciou que a Secretaria de Governo ficará a cargo do jornalista e publicitário Carlos Cauê, que já ocupou a pasta da Comunicação na PMA e no governo do Estado.

“Cauê terá uma função muito importante, com a junção da coordenação política e administrativa do governo municipal”, cravou Nogueira, ressaltando que a atual Secretaria de Articulação Política será extinta.

Para a Empresa Municipal de Serviços Públicos (Emsurb), ele recebeu a indicação do PMDB, com a anuência do governador Jackson Barreto, do ex-deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública, Mendonça Prado, que participou ativamente do processo eleitoral.

“Faço isso não somente pelo que combinamos com o governador, mas, sobretudo pela competência, dedicação e capacidade de gestão que tem Mendonça Prado. É preciso colocar a cidade nos trilhos e a Emsurb carece de um homem realizador”, emendou.

anuncio-secretarios-foto-janaina-santos-6Preocupado com as atuais condições da Saúde municipal, Edvaldo Nogueira anunciou como secretário da pasta o médico, cardiologista e funcionário concursado da PMA, André Sotero, que, para ele, cumprirá “um papel mais que importante na área”.

“Não fui buscar um político e nem ninguém ligado a grupos econômicos e sim um técnico gabaritado para recuperar urgentemente a saúde de Aracaju. Vamos ter muito trabalho, mas estou confiante que iremos reverter a situação de penúria em favor da saúde do povo aracajuano”, disse. Com a indicação de Sotero, o prefeito eleito cumpre um dos seus compromissos de campanha de indicar para a Saúde um secretário sem vinculação política.

Edvaldo salientou que até o dia 31 de dezembro fará o anúncio de todo o seu secretariado. Participaram da coletiva o secretário estadual da Fazenda, Jefferson Passos (que já foi anunciado secretário de Finanças de Aracaju), o deputado federal Fábio Mitidieri (PSD) e o presidente estadual do PCdoB, Hallison Souza, além de vereadores eleitos e lideranças políticas.

Foto: Janaína Santos


Política
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Por Kleber Santos
11/12
20:23

Banese injeta mais de 145 milhões na economia no final do ano

O Banco do Estado de Sergipe, Banese, cumprindo o seu papel de agente de desenvolvimento do Estado disponibilizou mais de R$ 145 milhões em recursos para o servidor resgatar a 2ª parcela do seu décimo terceiro de forma integral.

Para o presidente do Banese, esses recursos são importantes para o aquecimento das compras de final do ano. "O servidor que contrata a operação geralmente tem o intuito de saldar uma dívida para voltar a consumir no mercado ou adquirir bens ou serviços, fortalecendo a cadeia de consumo do Estado. A ausência desses recursos poderia causar enorme prejuízo para o setor do comércio e serviços", afirma o presidente do Banese.

A linha de crédito do Banese para antecipação da segunda parcela do 13º conta com as menores taxas do mercado e  pode ser contratada diretamente dos Caixas Eletrônicos, Internet Banking ou agências da Rede Banese.



Economia
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Por Eugênio Nascimento
11/12
19:00

Carta aos Iluminados

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE
 
A luz subverte os olhos. Daí, muitos optarem pela noite. É que o ato de enxergar envolve interpretação. Disso, decorre a necessidade de saber ver, conseguir entender e ser capaz de traduzir. A primeira etapa (essencialmente sensorial) contempla a acomodação do objeto na retina. Só isso, porém, não significa nada. Intrincados itinerários até a mente, que o decifrará, precisarão ser percorridos, pois, nela, se aperfeiçoará a compreensão. Com efeito, é o cérebro, pulsando engrenagens lubrificadas à base de serotonina, que nos permitirá distinguir, por exemplo, uma cadeira de um livro. Vencido esse momento intermediário, advém o epílogo: verbalizar a percepção. Aqui reside o instante de maior angústia para idiotas (os mais primitivos e selvagens, dentre os oligofrênicos). O requinte na arte de ofender não consiste em designar o desafeto como demente ou imbecil. O ápice do ultraje está no termo “idiota”.

Há duas espécies de idiota, infiltradas nos mais diversificados nichos sociais, a causar danos às vezes irreparáveis. A primeira é aquela composta pelos idiotas que enxergam menos do que se lhes mostra (os míopes). Já na segunda se encontram arregimentados aqueles que enxergam mais do que se põe à sua frente (os hipermétropes). A cinematografia hollywoodiana, em 1991 (numa das mais refinadas películas sobre a genialidade), estampou, com singular êxito, o protótipo do idiota míope. Trata-se do filme “Mentes que Brilham”, dirigido e estrelado por Jodie Foster. No original, o título da obra é “Little man Tate”, clara alusão ao nome da personagem protagonista, Fred Tate, um garotinho superdotado de sete anos. A cena que consagra a idiotia (que fica entre as mais burlescas do longa-metragem) se dá quando a professora de Fred rabisca uma série de números no quadro-negro. Uns são pares, outros ímpares.

O pequeno Fred nem bulhufas dava à sua pífia aula. Assim, a inconsequente “tia” do maternal acha por bem desafiar o guri: “Quais desses números podem ser divididos por dois?” O moleque, com indiferença, nem se dá ao trabalho de levantar a cabeça. Mas, a contragosto, entre um quê de obrigatória submissão e ironia, com voz modorrenta e arrastada por quilos de desprezo, responde: “Todos”. A toupeira da professora, achincalhada pelo episódio, volta-se para a lousa, esbugalha os globos oculares e, silenciosamente, grita para dentro de si: realmente, qualquer número (e não só os pares, como supôs) pode ser dividido por dois. A questão é se o quociente será número inteiro ou decimal. Não fosse a iluminação do pimpolho, a idiota da professora morreria intelectualmente cega. Os números até que eram cravados na retina e sua massa encefálica os hospedava como tais. Onde, então, morava o problema?

Estava ali, onde a docente teve que compor ideias com eles [os números]. Seu cérebro entrou em curto-circuito. Excesso de luz para uma idiota míope. Como, todavia, conceber o mecanismo “irracional” de um idiota hipermétrope? Saiamos do terreno da cinematografia e encaminhemo-nos ao campo da literatura. Malba Tahan. No fim da década de 1930, Tahan publicou seu festejado livro “O homem que calculava”, no qual narra as façanhas matemáticas de Beremiz Samir. Numa das histórias vivenciadas por Samir, Tahan conta que ele, acompanhado do amigo, ia pelo deserto, montado num camelo. De súbito, depararam-se com o que parecia ser uma caravana recém-saqueada. Entre homens e animais mortos, contudo, emerge uma voz. Era um príncipe, o chefe da caravana, que, ao perceber que os meliantes que se lançavam sobre ela matariam a todos, jogou-se entre os que tinham sido abatidos, passando-se por morto.

Vendo que, nos forasteiros, estava a tábua de salvação, implorou que eles o levassem até seu principado e, rogou água e pão. Samir trazia consigo cinco pães; seu amigo, três. O príncipe pediu que os dividissem com ele, prometendo que, assim que alcançassem seu palácio, daria uma moeda de ouro por cada um dos pães, o que totalizaria oito moedas de ouro. Chegando à casa do nobre, em Bagdá, este cumpriu imediatamente o pactuado. Deu cinco moedas de ouro a Samir e três ao amigo deste. No entanto, Samir redarguiu a divisão, afirmando que o correto seria ele receber sete moedas de ouro, enquanto o amigo receberia tão-somente uma. Espantado com a declaração, o príncipe exigiu uma justificativa do matemático. Samir, desse modo, explicou que toda vez que iam comer, pegavam um dos pães e o partiam em três pedaços: um para o príncipe, um para ele [Samir] e outro para o seu amigo.

Como Samir possuía cinco, seus pães foram partidos em quinze pedaços. Como seu amigo tinha três pães, os seus foram partidos em nove pedaços. Totalizavam-se, por conseguinte, vinte e quatro pedaços (15+9=24). Como eram três a comer dos pães, a cada um foram destinados oito pedaços (24÷3=8). Sendo assim, como o amigo de Samir comeu oito pedaços, dos nove resultantes da divisão de seus três pães, ele acabou por contribuir com apenas um pedaço para o príncipe. Como Samir também comeu oito pedaços, mas dos quinze resultantes da divisão de seus cinco pães, ele acabou por contribuir com sete pedaços para o príncipe. Somando os sete pedaços de Samir com o único pedaço de seu amigo, atingimos os oito pedaços de pão, degustados pelo príncipe. Portanto, Samir, de fato, tinha de receber sete moedas (referentes aos sete pedaços); já seu amigo, uma moeda (referente a um pedaço de pão).

A visão iluminada de Beremiz Samir lhe rendeu honrarias e um alto cargo naquele principado, exatamente porque não foi um idiota hipermétrope, que atropela a sofisticação do raciocínio e esburaca a manta asfáltica por onde trafega a lucidez do pensamento. Idiotas, a rigor, não esgrimam com números. Ora não veem números onde eles existem, ora veem números onde eles não existem. O Brasil, por exemplo, está padecendo de esclerose matemática, em ambas as modalidades (míope e hipermétrope). 

Basta interpretar a crise criada por segmentos políticos que não se conformaram com a derrota nas urnas. Instituíram uma crise política que destruiu a economia. Agora, depois de afastar uma presidente eleita pela escolha popular, estão com dificuldades de reconstruir o país destruído por eles mesmos. Mas, como dizia o cronista Nelson Rodrigues, “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos”. 

  
Post Scriptum
O Azar

Alfredo era advogado em um grande banco de Salvador, onde chefiava um grupo de oito colegas. Bom sujeito, senso de humor extraordinário, sempre estava alegre e disposto. Aliás, a sua vida se resumia ao trabalho e aos encontros de fim de semana com as famílias de seus colegas de banco. Tinha por eles uma grande afeição e a recíproca era verdadeira. Casado, vivia bem com Emília, uma perfeita dona de casa. Mas ele tinha uma predileção maior pela Dra. Irene, responsável pela área trabalhista. Era um pedaço de mulher! Os homens viviam embevecidos por ela, mas a amizade que os unia fazia com que ninguém avançasse qualquer sinal, em termos de assédio, na sua direção. Qualquer um não! Alfredo avançava o sinal, às vezes discretamente, outras abertamente para dar a impressão que era somente brincadeirinha perante todos. Irene era casada com Fernandez, corretor de imóveis, filho de espanhóis, muito simpático e que fazia parte do grupo. As “brincadeirinhas” de Alfredo eram sempre de elogios -  ora ao corpo de Irene, ora às pernas, ora aos olhos verdejantes, ora à boca gulosa – e sucessivamente terminavam com a frase “Ai se você fosse minha só uma vez...” Irene, apenas ria e dizia “Alfredo, Alfredo, deixe Emília saber...” A verdade é que ela também levava na brincadeira. O tempo foi passando e, certo dia, Lourdinha, mulher de outro causídico do banco, resolveu olhar um terreno acima de Lauro de Freitas, cidade vizinha de Salvador, num condomínio hoje chamado de “Busca Vida”, um lugar que na época só ia quem tinha negócio. A chegada ao local era uma viagem, pois ainda não tinha sido inaugurada a “Estrada do Côco”. Para tanto, Lourdinha chamou para a viagem a mulher de Alfredo, Emília, e foram ver o terreno na companhia de Fernandez. Neste mesmo dia, ao chegar ao trabalho, Alfredo foi logo elogiando a beleza de Irene e, antes que ele dissesse “ai se você fosse minha...”, ela respondeu: “Vai ser hoje, quero ser sua...” Alfredo empalideceu! – Meu Deus, será verdade o que estou ouvindo? Logo marcaram para sair à tarde. Após o almoço, o casal saiu no carro de Alfredo. Ele já tinha pensado onde levá-la, um lugar bem longe, mas discreto e perto do mar. E qual o lugar escolhido? Exatamente... o hoje condomínio “Busca Vida”. De repente, a mulher de Alfredo, que estava com Lourdinha e Fernandez, balbucia: - Oxente, vejam ali. Aquele é o carro de Alfredo? O que ele está fazendo aqui? Os dois olharam e ratificaram o balbucio de Emília. Aproximaram-se do carro e o que viram?! Os dois nus, atracados sexualmente. – Alfreeedo???!!! – Ireeeeene???!!! O que é isto???!!! Gritaram ao mesmo tempo, Fernandez e Emília. Espavorido, Alfredo respondeu na hora: - Azar, simplesmente azar!            

Clóvis Barbosa escreve quinzenalmente, aos domingos.


Coluna Clóvis Barbosa
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Por Kleber Santos
11/12
18:59

Resgatando a dignidade do produtor rural do Nordeste

Marcos Costa Holanda
Presidente do Banco do Nordeste do Brasil

Traços comuns das regiões semiáridas de países em desenvolvimento são o baixo crescimento, altos níveis de pobreza e maior exposição a mudanças climáticas. Tais regiões apresentam-se particularmente suscetíveis a períodos de secas e chuvas irregulares, além de apresentarem baixa produtividade, infraestrutura deficiente, escassez de água e acesso limitado a diferentes tipos de mercados.

Entre os dias 30 de novembro e 2 de dezembro últimos,  realizou-se no Banco do Nordeste, em Fortaleza, sob a organização do  Banco Mundial, o seminário “Avaliação da Seca de 2010-2016 no Semiárido”. Uma conclusão fundamental foi que, ao longo do tempo, os formuladores de políticas alcançaram um diagnóstico mais acurado do problema das secas, o que tem proporcionado planejamento e desenho de políticas mais efetivas. Soluções inovadoras têm sido construídas neste sentido. 

O evento serviu, ainda, de espaço para o lançamento do FNE Água, cujo objetivo é o financiamento de projetos para o uso sustentável da água, iniciativa que torna o Fundo Constitucional melhor e permite ao Governo Federal, por meio do Banco do Nordeste, criar oportunidades para a solução de problemas.

Mesmo com esforços empenhados em melhorar diagnósticos, planejamento e políticas, o período prolongado de cinco anos de seca, associado à maior recessão econômica já registrada no país, minaram fortemente a capacidade dos produtores rurais e dos formuladores de políticas em gerenciar situação tão adversa. Em suma, o limite da resiliência rural da região foi definitivamente ultrapassado.

É neste espírito que a Lei 13.340/2016 autoriza a liquidação e renegociação de dívidas de crédito rural, possibilitando a regularização de 861,7 mil operações do Banco do Nordeste que envolvem, sobretudo, aproximadamente 90% de estabelecimentos rurais de mini e pequeno porte e agricultores familiares.

Dessa forma, 675 mil produtores (cerca de 2,7 milhões de pessoas, considerando a unidade familiar com quatro membros) podem retomar o curso da normalidade creditícia, garantindo livre acesso aos diversos mercados essenciais para a boa operacionalidade de seus negócios.

Portanto, a assinatura do Decreto Regulamentador da Lei 13.340/2016 pelo presidente Michel Temer é especialmente providencial, pois demonstra a sensibilidade do Governo Federal para a grave situação por que passa a Região devido ao prolongado período de estiagem, um dos mais longos da história do Nordeste. 

Esta Lei, por fim, resgata a dignidade de milhares de produtores rurais, devolvendo-lhes sua capacidade de geração de renda e melhoria da qualidade de vida.


Colunas
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Por Kleber Santos
11/12
16:28

Coluna Primeira Mão

Questão de prestígio


Na semana passada, o líder do Governo Michel Temer na Câmara Federal, deputado  André Moura (PSC) declarou que o governador Jackson Barreto (PMDB) não tem prestígio em Brasília para conseguir as coisas para Sergipe. Pode até ser verdade, mas cabe um questionamento: quem de Sergipe  tem prestígio junto ao Planalto? Pergunta difícil de responder, pois só  migalhas chegam por aqui. Aliás, em todos os Estados.


Mas...



Apesar de todos os seus problemas com a justiça,  o deputado André Moura é o representante político sergipano mais importante em Brasília hoje. O seu lugar no pódio político não é seguro.  A qualquer momento pode cair, conforme comentários que circulam com muita frequência na chamada Grande Imprensa.


Mudanças no Governo



Há comentários entre os governistas dando conta da saída de João Augusto Gama da Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag) para a pasta do Desenvolvimento Econômico (Sedetec), hoje sob o comando de Francisco Dantas, que iria para a cadeira atual de Gama. Trata-se de um rodízio. Dizem também que o presidente da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), Almeida Lima, vai para um cargo do primeiro escalão. Almeida garante que não sabe nada sobre esse assunto.


Sem quadros



O prefeito eleito Edvaldo Nogueira vai anunciar mais nomes do seu secretariado, provavelmente,  nesta segunda -feira. A carência de quadros no PC do B é o seu principal problema. Mas os partidos aliados têm muita gente disponível e doidinhos por um bom CC.


Sob orientação



É boa a iniciativa do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe, Clóvis Barbosa de Melo,  de realizar seminário com todos os prefeitos eleitos e reeleitos de Sergipe, no sentido de orientá-los em termos de responsabilidades,  leis etc. Fazer isso é muito mais importante do que simplesmente criminalizar a classe política brasileira.  Muitas vezes mal-feitos são cometidos por ignorância e desconhecimento das leis regulamentando o seu trabalho.


Padre Zé Lima



O ex- secretário de Estado e colunista deste jornal,  José Lima Santana,  foi ordenado padre obtém em Nossa Senhora das Dores. Grupo de amigos e colegas se deslocou até Dores para prestigiar o novo padre sergipano. Grande intelectual e grande orador, as suas futuras missas e sermões serão sinônimo de alto nível.


Tempos difíceis



Os oficiais de justiça sergipanos não gostaram do que ocorreu com seu colega brasiliense,  que recebeu um "gelo" do presidente do Congresso Nacional, Renan Calheiros. Alguns lembraram que nos tempos da UDN e do PSD isso acontecia com frequência. Aliás, era bem pior. Nos dias bons, os políticos soltavam os cachorros atrás dos oficiais de justiça, que saiam pelas ruas correndo e o povo mangando. Nos moimentos de raiva


Só boatos



A força dos boatos na política brasileira não para de crescer nesses tempos de turbulência política. Isso tem motivado o surgimento de boateiros profissionais no Brasil e em Sergipe também. As têm pressa de informações e com a mesma pressa repassam boatos como se fossem fatos verdadeiros.


Mais pobreza



Roda de políticos estava discutindo durante café da manhã,  em conhecida padaria de luxo de Aracaju,  o futuro dos trabalhadores rurais sergipanos se a reforma da previdência proposta de governo for aprovada como está.  Entre um gole e outro de café com leite,  previram o aumento da pobreza em Sergipe.


Repatriação



Tem muita gente ainda curiosa em saber quantos empresários e políticos fizeram a repatriação de fundos  investidos no exterior. Fontes informais dizem que o número não é desprezível. Será?


Contentamento



Os lojistas de Aracaju ficaram muito contentes com a decisão do TCE que obrigou a prefeitura pagar os salários dos servidores municipais.  Dizem que foi o seu melhor presente de Natal até agora.


Homenagem



O bispo D. José Palmeira Lessa, da Arquidiocese de Aracaju, e D. Mário Rino Sivieri, da Diocese de Propriá, serão condecorados nesta segunda-feira, 12, com a Medalha de Direitos Humanos ?Dom José Vicente Távora?. O ato acontecerá na Assembléia Legislativa de Sergipe, que aprovou as condecorações.



Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
11/12
13:32

2016, o ano terrível

Ricardo Lacerda* 

Aproximando-se do fim, o ano 2016 não vai deixar saudades. Na política, o ano se iniciou com o cerco final ao governo eleito e está findando com uma crise entre os poderes da república reveladora do grau de esgarçamento institucional do país. Nessa dimensão, 2016 talvez possa ser sumariamente caracterizado como o ano do golpe parlamentar que afastou a presidente da república e como o ano em que a Operação Lava Jato acuou o mundo político e sua interface empresarial. É no mínimo difícil antecipar quais serão os desdobramentos da crise política e institucional em que estamos enredados, da mesma forma como o roteiro da crise tem fugido ao controle dos principais atores intervenientes.

Na dimensão econômica, o ano de 2016 ficou marcado pelo aprofundamento da recessão e pela nova tentativa de aprovar no congresso nacional as duras medidas de ajuste fiscal, em meio a quedas contínuas nas receitas públicas. Frente ao quadro de recessão profunda, restou a opção de adotar uma estratégia de ajuste gradualista em que os resultados fiscais somente começarão a ser produzidos ao custo de duradoura recessão. 

A síntese do ano em termos sociais é o ingresso de 2,96 milhões de pessoas no contingente de trabalhadores desocupados. Em termos empresariais, a retração no faturamento e o crescimento do endividamento consolidaram perspectivas difíceis. 

Recessão longa e abrangente
Não bastassem os efeitos da compressão da demanda e da crise de confiança sobre o nível de atividade, a estiagem que assola o país fez com que a safra de grãos recuasse mais de 10% em comparação ao ano anterior e, no caso da região Nordeste, que a queda na produção do setor alcançasse cerca de 40%. Ao fim de 2016, indústria, agricultura e serviços, solidariamente, terão despencados na comparação com o ano anterior, em uma queda simultânea inédita na série estatística iniciada em 1996. No acumulado de quatro trimestres completados no 3º trimestre, em relação ao mesmo período anterior, o PIB agropecuário declinou 5,6%, a atividade industrial, 5,4%, e o setor de serviços, 3,2%. 
Do ponto de vista do dispêndio, nessa série de quatro trimestres acumulados, até o mês de setembro o consumo das famílias encolheu 5,2%, o investimento em capital fixo, 13,5%, e o consumo do governo, 0,9%. 
O setor exportador, ainda que não tenha concorrido para deprimir o PIB, não foi capaz de gerar um impulso de maior significado sobre o conjunto da economia. Nessa série, o PIB total manteve quedas de mais de 4% ao longo de todo o ano de 2016 (ver Gráfico).
  

Chances de reversão
É sempre custoso interromper o ciclo vicioso de declínio do nível de atividade a fim de retomar o crescimento e dar início a um novo ciclo virtuoso. Algumas abordagens mais pessimistas apontam que o caminho do crescimento é como “o fio da navalha”, ao longo do qual pequenos desvios para baixo poderiam dar origem a mecanismos de autorreforço que empurrariam a economia mais e mais para a recessão. Somente fatores exógenos ao sistema, como a melhoria do cenário internacional ou a ação de estímulo promovida pelo setor público, seriam capazes de sustar o declínio. Ou que, pelo menos, a duração e o custo da recessão seriam muito maiores na ausência desses estímulos. 

Outras abordagens, menos pessimistas, argumentam que o ciclo de negócios conta com mecanismos próprios de amortecimento da crise que, com o tempo, seriam capazes de reverter a trajetória de descendente para ascendente. A crise seria uma oportunidade para sanear finanças públicas e privadas para que o peso do passado não restringisse a retomada da economia e para que ela voltasse a crescer em bases mais saudáveis, no novo ciclo que se avizinhasse. O período de ajuste é, também, o momento em que se definem os ganhadores e perdedores no ciclo seguinte, em termos de setores, segmento de classes sociais e regiões. Em outras palavras, quem paga o pato do ajuste e quem se beneficiará mais no período seguinte.

Ao findar 2016, estaremos ainda na metade do percurso entre a interrupção do ciclo vicioso e as bases de uma retomada. São muitos, incertos e potencialmente desestabilizadores os percalços nesse caminho, tanto os de origem externa quanto os oriundos do cenário doméstico, dentre os quais, certamente, o mais grave é o esgarçamento do ambiente político e institucional. Meus votos para que, ao final de 2017, tenhamos um balanço mais promissor de nossas perspectivas.

*Professor da Universidade Federal de Sergipe e Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Eugênio Nascimento
10/12
20:12

Sonho de placa

Geraldo Duarte*
Casinha de três vãos, no dizer. Porta de entrada e janela ao lado. Frente de tijolos e fundos de taipa. Pequena coberta fronteiriça, que chamavam latada, servia ao ofício do morador.
Ali, Pereirinha ganhava o pão dele, da mulher, Lica, dos dois “barrigudinhos" e pagava a esperança diária trazida, no meio do dia, pelo velho Arnóbio.
Enquanto aguardava o palpiteiro com a sempre esperada e, ainda, não chegada sorte, no tamborete cujo tampo as nádegas polira, laborava à luz do Sol.
Com vime de tipos vários cobria estruturas de cadeiras, fixas e de balanço, cestos para usos diversos, molduras - em especial de espelhos - e tudo o que se lhe encomendassem.
Trabalho, ao contrário de dinheiro, não lhe faltava. De suas mãos calosas, porém sensíveis, produziam-se cuidadas peças de artes para adornos nos mais finos ambientes dos anos cinquenta.
“Se gostar de bichos é vício, viciado sou!”, dizia. E, culpa, atribuía ao barão João Batista Viana Drummond, inventor do Jogo do Bicho em 1892, aos sonhos de todas as noites e, ao Arnóbio, por ser cambista e não saber interpretar corretamente os palpites oníricos. Não o perdoou nunca por continuar pobre.
Fez a misteriosa Oração da Cabra Preta e sonhou com o automóvel do doutor Quirino.
“Não tem dúvida! Vai dar a placa! Jogue ‘puro e seco’ no milhar 1267!”. À época, a identificação dos veículos dava-se por quatro algarismos.
Sexta-feira. 16 horas. Extração da Loteria Estadual do Ceará. Primeiro prêmio: 1948.
Sonho de Pereirinha certo. Interpretação de Arnóbio errada. O milhar não era o da placa, mas, o do modelo do luxuoso Chrysler - Town & Country 1948.
*Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.


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Por Kleber Santos
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