15/02
18:15

Novas tecnologias em saúde: a telemedicina na UFS

Angelo Roberto Antoniolli – Reitor da Universidade Federal de Sergipe

A telemedicina basicamente pode ser descrita como o uso de modernas tecnologias de informação e comunicação para auxiliar no cuidado da saúde das pessoas, onde a distância seja um fator crítico. Possibilita a troca de informações entre médicos e outros profissionais de saúde com seus pacientes para facilitar o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de doenças e agravos à saúde e, com recentes avanços, a realização de procedimentos. No mundo inteiro, com peculiaridades devendo ser observadas em relação ao arcabouço legal, tem salvado muitas vidas por encurtar as distâncias e levar o conhecimento técnico especializado a locais onde não existem esses profissionais.

A UFS foi pioneira no Estado de Sergipe e esteve na vanguarda do uso dessas tecnologias e se prepara para coloca-las à disposição dos futuros profissionais de saúde. Eles precisam saber da existência das tecnologias disponíveis e, em suas formação técnica, limitações legais e alcance nos cuidados em saúde. No ano de 2013 a UFS iniciou um projeto piloto vinculado a uma ação mundial com a Cisco Systems denominado “Connected Healthy Children”, coordenada pelo Prof. Dr. Mario Adriano dos Santos.


Neste projeto, utilizou-se da telepresença e de consultas colaborativas (com médicos nas duas localidades). Clínicas de saúde da família localizadas nos municípios de Lagarto e Tobias Barreto receberam equipamentos e conectividade para que pudessem transmitir áudio e vídeo em alta resolução e se conectarem com o Hospital Universitário de Sergipe, onde especialistas prestaram apoio específico aos médicos da Estratégia de Saúde da Família - ESF. A comunicação em tempo real, com imagem e som, além da disposição dos ambientes, permitiu que ambas as equipes compartilhassem virtualmente o mesmo local, apesar da distância que os separava. Especialistas e responsáveis pela ESF encurtaram as distâncias e, juntos, minimizaram o sofrimento decorrente dos grandes deslocamentos, além de produzirem impactos no absenteísmo escolar das crianças atendidas e redução de perdas de dias de trabalho de seus familiares. Diversos outros impactos foram primariamente identificados, pois os municípios e familiares costumam ter gastos com deslocamentos, abrigo e alimentação de pacientes e familiares, além do absenteísmo citado.


Quando colocamos à disposição do médico generalista um especialista, através da Telemedicina, que avaliava a criança juntamente com ele, identificamos uma marcante redução nas solicitações de avaliações presenciais nas duas especialidades pediátricas que participaram do projeto, com nenhuma criança necessitando o posterior deslocamento para o serviço especializado em Aracaju. Outro ponto relevante que destacamos foi a redução no tempo necessário a tomada de decisões, uma vez que as crianças tiveram seus planos terapêuticos implementados logo após a consulta na clínica de saúde da família, com o generalista incorporando, quando cabíveis, medidas discutidas com o especialista.


A presença das tecnologias de informação e comunicação em rincões e lugares distantes merece destaque, também, na redução de custos na capacitação dos profissionais realizada de forma direta em cursos formais e indireta, nas discussões para a solução dos casos específicos. Atualmente a UFS, que dispõe de dois Hospitais Universitários, continua utilizando a tecnologia em benefício da população atendida. O Hospital Universitário de Lagarto atende uma elevada demanda de usuários (em torno de 160 pacientes de clínica médica por dia) e seu corpo clínico ainda está sendo formado. O Hospital Universitário de Aracaju possui um corpo de especialistas maior e para dar uma continuidade e maior celeridade aos processos no HUL utilizamos a telemedicina para os pacientes internados na Clínica Médica quando identificada a necessidade de uma avaliação de especialistas nas seguintes áreas clínicas: dermatologia, hematologia e pneumologia.


Como dispomos de programa de residência médica em Clínica Médica, os nossos residentes acompanham os pacientes para as consultas colaborativas com os especialistas. Mais uma vez denotamos que conseguimos capacitar nossos quadros e prover uma resolutividade maior e mais rápida para nossos usuários uma vez que são avaliados em tempo real com especialistas que auxiliam na condução de seus casos. Todas as ações descritas e realizadas até o momento atenderam às normas éticas e legais vigentes, principalmente no que concerne à presença de dois médicos: um ao lado do paciente e discutindo a situação clínica com o outro médico localizado em espaço geográfico diferente. Destacamos que os objetivos da consulta colaborativa e de todo o processo são explicados previamente ao paciente ou seu responsável legal, que autorizam a realização. Existe uma preocupação muito grande com a confidencialidade e com a preservação do sigilo das informações dos pacientes.


Para realização desses procedimentos temos toda a equipe de profissionais da enfermaria de Clínica Médica do HUL, juntamente com os residentes do programa de Clínica Médica do HUL (coordenado pela Gerência de Ensino e Pesquisa do HUL) e o Setor de Gestão de Processos e Tecnologia da Informação dos dois HUs. Ainda temos a Unidade de Telessaúde do HU de Aracaju e médicos especialistas do HU agindo para que o projeto transcorra em sua normalidade e sucesso.

Estamos em um importante momento de discussão sobre a utilização e alcance da telemedicina com os profissionais e a sociedade se debruçando sobre sua regulação, usos e limites. Independente dos normativos a serem estabelecidos, a telemedicina e o conjunto de tecnologias envolvidas estão sendo progressivamente incorporados às práticas e rotinas de trabalho trazendo importantes avanços nos cuidados em saúde.



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Por Eugênio Nascimento
14/02
16:57

Novas tecnologias em saúde: a telemedicina na UFS

A telemedicina basicamente pode ser descrita como o uso de modernas tecnologias de informação e comunicação para auxiliar no cuidado da saúde das pessoas, onde a distância seja um fator crítico. Possibilita a troca de informações entre médicos e outros profissionais de saúde com seus pacientes para facilitar o diagnóstico, o tratamento e a prevenção de doenças e agravos à saúde e, com recentes avanços, a realização de procedimentos. No mundo inteiro, com peculiaridades devendo ser observadas em relação ao arcabouço legal, tem salvado muitas vidas por encurtar as distâncias e levar o conhecimento técnico especializado a locais onde não existem esses profissionais.

A UFS foi pioneira no Estado de Sergipe e esteve na vanguarda do uso dessas tecnologias e se prepara para coloca-las à disposição dos futuros profissionais de saúde. Eles precisam saber da existência das tecnologias disponíveis e, em suas formação técnica, limitações legais e alcance nos cuidados em saúde.


No ano de 2013 a UFS iniciou um projeto piloto vinculado a uma ação mundial com a Cisco Systems denominado “Connected Healthy Children”, coordenada pelo Prof. Dr. Mario Adriano dos Santos. Neste projeto, utilizou-se da telepresença e de consultas colaborativas (com médicos nas duas localidades). Clínicas de saúde da família localizadas nos municípios de Lagarto e Tobias Barreto receberam equipamentos e conectividade para que pudessem transmitir áudio e vídeo em alta resolução e se conectarem com o Hospital Universitário de Sergipe, onde especialistas prestaram apoio específico aos médicos da Estratégia de Saúde da Família - ESF. A comunicação em tempo real, com imagem e som, além da disposição dos ambientes, permitiu que ambas as equipes compartilhassem virtualmente o mesmo local, apesar da distância que os separava. Especialistas e responsáveis pela ESF encurtaram as distâncias e, juntos, minimizaram o sofrimento decorrente dos grandes deslocamentos, além de produzirem impactos no absenteísmo escolar das crianças atendidas e redução de perdas de dias de trabalho de seus familiares.


Diversos outros impactos foram primariamente identificados, pois os municípios e familiares costumam ter gastos com deslocamentos, abrigo e alimentação de pacientes e familiares, além do absenteísmo citado.


Quando colocamos à disposição do médico generalista um especialista, através da Telemedicina, que avaliava a criança juntamente com ele, identificamos uma marcante redução nas solicitações de avaliações presenciais nas duas especialidades pediátricas que participaram do projeto, com nenhuma criança necessitando o posterior deslocamento para o serviço especializado em Aracaju.


Outro ponto relevante que destacamos foi a redução no tempo necessário a tomada de decisões, uma vez que as crianças tiveram seus planos terapêuticos implementados logo após a consulta na clínica de saúde da família, com o generalista incorporando, quando cabíveis, medidas discutidas com o especialista.


A presença das tecnologias de informação e comunicação em rincões e lugares distantes merece destaque, também, na redução de custos na capacitação dos profissionais realizada de forma direta em cursos formais e indireta, nas discussões para a solução dos casos específicos.


Atualmente a UFS, que dispõe de dois Hospitais Universitários, continua utilizando a tecnologia em benefício da população atendida. O Hospital Universitário de Lagarto atende uma elevada demanda de usuários (em torno de 160 pacientes de clínica médica por dia) e seu corpo clínico ainda está sendo formado. O Hospital Universitário de Aracaju possui um corpo de especialistas maior e para dar uma continuidade e maior celeridade aos processos no HUL utilizamos a telemedicina para os pacientes internados na Clínica Médica quando identificada a necessidade de uma avaliação de especialistas nas seguintes áreas clínicas: dermatologia, hematologia e pneumologia. 


Como dispomos de programa de residência médica em Clínica Médica, os nossos residentes acompanham os pacientes para as consultas colaborativas com os especialistas. Mais uma vez denotamos que conseguimos capacitar nossos quadros e prover uma resolutividade maior e mais rápida para nossos usuários uma vez que são avaliados em tempo real com especialistas que auxiliam na condução de seus casos. Todas as ações descritas e realizadas até o momento atenderam às normas éticas e legais vigentes, principalmente no que concerne à presença de dois médicos: um ao lado do paciente e discutindo a situação clínica com o outro médico localizado em espaço geográfico diferente. Destacamos que os objetivos da consulta colaborativa e de todo o processo são explicados previamente ao paciente ou seu responsável legal, que autorizam a realização. Existe uma preocupação muito grande com a confidencialidade e com a preservação do sigilo das informações dos pacientes.


Para realização desses procedimentos temos toda a equipe de profissionais da enfermaria de Clínica Médica do HUL, juntamente com os residentes do programa de Clínica Médica do HUL (coordenado pela Gerência de Ensino e Pesquisa do HUL) e o Setor de Gestão de Processos e Tecnologia da Informação dos dois HUs. Ainda temos a Unidade de Telessaúde do HU de Aracaju e médicos especialistas do HU agindo para que o projeto transcorra em sua normalidade e sucesso.


Estamos em um importante momento de discussão sobre a utilização e alcance da telemedicina com os profissionais e a sociedade se debruçando sobre sua regulação, usos e limites. Independente dos normativos a serem estabelecidos, a telemedicina e o conjunto de tecnologias envolvidas estão sendo progressivamente incorporados às práticas e rotinas de trabalho trazendo importantes avanços nos cuidados em saúde.

Angelo Roberto Antoniolli



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Por Redação
10/02
12:14

O degredo da transparência no Brasil

Cezar Britto
Ex-presidente da OAB

"O problema é quando o alheamento sobre a política ganha ares de artifício governamental, retirando da população o direito de escolher entre o saber ou a própria amnésia espontânea"

Não é segredo que as eleições presidenciais provocaram um grande racha na sociedade, no trabalho, nas famílias e em toda espécie de agrupamento social. O mês natalino serviu para amenizar várias das desavenças, especialmente aquelas em que as diferenças ideológicas não descambaram para a violência, física ou não. Mas o curto lapso temporal entre a posse do eleito e os atos presidenciais por ele já externados parece ter interferido na rápida harmonia presenteada pelo bom velhinho. Talvez porque Noel – como escutei de alguns – gere algum tipo de desconfiança na sua persistência pelo uso do traje vermelho. Talvez até – como ouvi de vários outros – porque não se poderia esperar mensagens de paz da metralhadora ideológica do governante de então.

Não há vidente que possa antever qual será o resultado final de um país que faz da arma de fogo a melhor forma de resolver querelas, no mesmo tiro em que pretende abater a Justiça do Trabalho e o seu histórico papel solucionador dos conflitos sociais. Não se sabe o que esperar do habitat em que vivemos, quando a mineração é apontada como exemplo de “desenvolvimento sustentável” para Minas Gerais, Amazônia e demais cantos do país, mirando-se as pessoas humanas nascidas nas florestas como inimigos do “novo modelo nacional”. Como entender que Ulysses Guimarães falhou em seu prognóstico ao querer, com a sua Constituição de 1988, “assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias”.

E assim, entre polêmicas e disputas, o Brasil dividido segue sem ter clareza do que será feito do seu futuro. É bem verdade que alguns já desenvolveram métodos antecipatórios dos resultados pretendidos, não os compreendendo como polêmicos ou incertos. Um conhecido de velhos tempos, defensor ferrenho da moralidade pública, anticorrupto de primeira panela, adotou uma fórmula mágica para assegurar a si mesmo que não mudara no seu rumo em defesa de um Brasil ético. Diante das graves acusações contra o senador Flávio Bolsonaro – que ardorosamente defendera durante o pleito eleitoral – resolveu a parada proibindo que todas as pessoas de sua casa assistissem aos noticiários, inclusive escondendo os controles remotos. Assim, desconhecendo a realidade exposta ao seu olhar, seguirá de consciência limpa no seu impoluto combate aos crimes atribuídos às pessoas alheias ao seu gostar. O esdrúxulo método individual de auto alienação consciente é daquele que costuma render animada e divertida conversa de mesa de bar.

O problema é quando o alheamento sobre a política ganha ares de artifício governamental, retirando da população o direito de escolher entre o saber ou a própria amnésia espontânea. É o que fez o novíssimo Decreto 9.960, de 23 de janeiro de 2019, publicado no auge das investigações “esquecidas” pelo citado conhecido, que permite aos servidores comissionados e de confiança dos governantes tornarem ultrassecretos ou secretos, respectivamente por 25 ou 15 anos, documentos públicos por eles próprios assinados ou executados. O Banco Central não tardou a seguir o péssimo exemplo ao propor que o Coaf não mais seja notificado das transações superiores à 10 mil reais ou monitore os parentes dos políticos eleitos para o Executivo e Legislativo federais, membros da alta corte do Judiciário, governadores, prefeitos e presidentes de tribunais de Justiça e de Contas estaduais.

Conscientemente a normativa presidencial tornou ineficaz a Lei 12.527/2011 – conhecida como Lei de Acesso à Informação – e o Decreto 7.724/2012 que a explicitava, especialmente na parte que vedava delegação de esconder do olhar público o destino das coisas públicas. Sabe-se que a constitucional publicidade dos atos públicos tem sido importante mecanismo de combate à corrupção posto à disposição da cidadania e da imprensa investigativa. Conhece-se, ainda, que as relações de parentesco e o compadrio são portas abertas para o ingresso dos corruptores e instrumentos de camuflagem do dinheiro público privatizado. Daí porque as medidas divulgadas, salvo para amnésicos, significam que a transparência no trato da coisa pública começa a ser uma degredada no solo brasileiro. Tanto quanto a moral na velha e conhecida forma de “fazer política”.


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Por Kleber Santos
05/02
10:32

Aracaju em versos, 1949

Amâncio Cardoso -  Professor de História e Patrimônio Cultural dos Cursos de Turismo do IFS. E-mail: acneto@infonet.com.br


Há 70 anos, em janeiro de 1949, Aracaju foi presenteada com uma publicação em versos populares. Falo do “ABC de Aracaju”, do cordelista alagoano Rodolfo Coelho Cavalcante.


“ABC” é um dos gêneros de composição da literatura de cordel, em que cada estrofe é iniciada por uma letra do alfabeto. Registram-se em forma de ABC’s temas ou fatos considerados de merecida perpetuidade. Quando algo tem relevância, se diz: “fizeram até um ABC”, como sinônimo da importância do objeto.

O autor do “ABC de Aracaju”, Rodolfo Coelho Cavalcante, nasceu em Rio Largo, Alagoas, em 1919. Além de escrever cordéis, ele foi editor de folhetos e também considerado um grande defensor e líder dos poetas populares, batalhando 45 anos pela valorização dos trovadores.

Aos 13 anos, deixou a casa paterna e percorreu os estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Piauí e Maranhão, trabalhando de camelô, palhaço de circo, dentre outras atividades. Em Parnaíba-PI, adquiriu folhetos do poeta e editor João Martins de Ataíde (1880-1959) para revender, começando assim sua vida de folheteiro.

Tempos depois, fixou-se em Salvador-BA e desde 1945 escreve suas histórias em versos. O poeta alagoano atuou também na imprensa. Foi fundador da Associação de Imprensa Periódica da Bahia e filiado à Associação Baiana de Imprensa. Criou os periódicos A Voz do Trovador, O Trovador e Brasil Poético.

Como editor e poeta, Rodolfo Cavalcante formou uma grande rede de agentes e distribuidores em toda a região Nordeste. Em julho de 1955, com Manuel d'Almeida Filho (1914-1995) e outros expoentes da poesia popular, ele realizou o 1º Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros, ocasião em que foi fundada a Associação Nacional desses artistas populares, hoje Grêmio Brasileiro de Trovadores, com sede em Salvador. A obra de Rodolfo Coelho Cavalcante é extensa e possui variados temas. O poeta morreu em 1986, vitimado por um atropelamento em Salvador-BA.

Certamente, Rodolfo Cavalcante escrevera o “ABC de Aracaju”, em 1949, por sua proximidade com o poeta paraibano Manuel d'Almeida Filho, que passara a residir na capital sergipana desde 1940, mantendo uma banca de venda de folhetos de cordel no mercado municipal. 


Retornando ao “ABC” dedicado à capital sergipana, examinemos seus aspectos formais e de conteúdo.

Com relação à forma, o “ABC de Aracaju” é composto por 25 estrofes iniciadas de A a Z, faltando apenas as estrofes relativas às letras W e Til. Geralmente os ABC’s incluem o til como sendo uma letra; e fazem um verso especial para ele. 

O “ABC” da nossa capital obedece a um padrão tradicional de estruturação dos folhetos. As rimas dos versos são em ABCBDDB, com estrofes em septilhas; estrofes com sete versos.

Com relação à métrica, os versos também têm sete sílabas. Esta forma tornou-se a de maior aceitação na literatura popular do Nordeste. Em resumo, o “ABC de Aracaju” é escrito na forma tradicional em septilhas setessilábicas em ABCBDDB, com períodos, sintaxe e vocábulos simples; próprios para serem memorizados e, por conseguinte, compreendidos. Neste sentido, as septilhas em ABCBDDB são usadas predominantemente nos folhetos que narram fatos circunstanciais ou “jornalísticos”. Esse tipo de rima regular ou padronizada foi estabelecido para apresentações orais em que os versos deveriam ser memorizados.

Portanto, os ABC’s estão inseridos entre as poesias mnemônicas. Numa cultura oral, a memória é o único recurso de conservação de produções intelectuais. Sabe-se que a regularidade é um auxiliar mneumônico poderoso. Assim, a produção de folhetos no Nordeste situa-se numa encruzilhada: entre a escrita e a oralidade. 

Quanto ao conteúdo do “ABC de Aracaju”, ele exalta a cidade como uma capital menina (1ª estrofe), com 93 anos à época; majestosa e divina (1ª estrofe); simples e pobre, de aspecto interiorano ou sertanejo (1ª estrofe); mas cujo progresso se ensaia para glória dos sergipanos. Ou seja, Aracaju é alçada a uma cidade ideal: tem a tranquilidade de recanto provinciano, mas que está em marcha para alcançar o progresso. Glosa o poeta na 23ª estrofe, versos 3 a 7: “Aracaju, tenho dito/ É uma cidade sem par/ Seu progresso é de valor/ É a cidade leitor/ Do Brasil a prosperar”.

É próprio dos ABC’s o elogio fácil e farto por ser, geralmente, um trabalho de homenagem ou encomenda. Sendo assim, expressões como “clima maravilhoso” (7ª estrofe); progresso elevado (5ª estrofe); Glorioso Aracaju (7ª estrofe); cidade garbosa (8ª estrofe), entre outras, atravessam o folheto. Ademais, os versos desse “ABC” elevam Aracaju a um espaço

sideral: “Celeste por Natureza” (2ª estrofe).

Efetivamente, o “ABC de Aracaju” apresenta os principais aspectos urbanos e atrativos da então emergente capital, tais como: o centro comercial e o mercado; a feira; o trem e as estações ferroviárias (a antiga e a nova em construção); o Palácio do Governo; os cinemas; avenida Beira Mar; as marinetes; Jardim Olímpio Campos (atual praça Almirante Barroso); e as ruas João Pessoa e Laranjeiras. Destaquemos, porém, para efeito de contextualização, a Feira e o Mercado; as Estações Ferroviárias; e o Palácio de Governo.

No “ABC de Aracaju”, escrito em meados do século XX, a feira da capital e seus mercados, construídos em 1926 e 1949, tinham valor significativo porque era um dos poucos lugares onde se encontrava uma síntese da cultura popular sergipana.

Para confirmar a importância da feira e dos mercados para a cidade, lembremos apenas que a “feira gigantesca” (4ª estrofe, verso 3) também foi representada em obras coevas e significativas como o livro ‘Roteiro de Aracaju’, de Mário Cabral, 1948; e a crônica ‘Aracaju Cheia de Graça’, de Joel Silveira, publicada na então importante Revista de Aracaju, em 1943.

Assim, uma série de bens materiais e imateriais, que formam o que se pode chamar de usos e costumes dos sergipanos, era encontrada nesse “comércio gloriosíssimo”, no dizer do poeta (3ª estrofe, 1º verso), tais como: produtos domésticos, artesanatos, alimentos, bebidas; além do vozerio, das cores, dos hábitos, dos lugares e dos tipos populares que então existiam na feira de Aracaju. Sendo assim, “feira igual [a] de Aracaju/ no Nordeste outra não há”, exalta Rodolfo Coelho Cavalcante (6ª estrofe, versos 1 e 2). Ele reconhece na feira e mercados de Aracaju o que chamaríamos hoje de patrimôniocultural da cidade.

O segundo equipamento urbano destacado no “ABC de Aracaju” são as estações ferroviárias. O “ABC” foi publicado num período de nascente urbanização da capital. Faltavam seis anos para o centenário de Aracaju (1955). A proximidade do centenário transformou Aracaju num canteiro de obras. Dentre elas, a da então nova estação ferroviária, ainda finalizando sua construção quando da publicação do ABC de Rodolfo Cavalcante.

A antiga estação férrea que ficava “defronte do mercado” (5ª estrofe, verso 2) fazia parte do trecho inicial, de Tomar do Geru a Aracaju, e ligava as linhas do sul com as do norte do estado; por isso seu maior movimento de passageiros. Ela se localizava próxima ao mercado e funcionou de 1913 a 1950. Essa antiga estação foi desativada porque estava pequena para uma capital em franco crescimento populacional. Mas há muito, ela se encontrava abandonada; sem zelo. O cronista Mário Cabral (1914-2009), por exemplo,


escreveu sobre as más condições dessa primeira estação de Aracaju. Ele a classificou de “pardieiro”, em alusão ao “descaso e desmazelo” em que se encontrava. 5 Essa antiga estação férrea possuía uma relação umbilical com a feira de Aracaju devido à proximidade física. Pois os feirantes usavam o trem de linha como meio de transporte de seus produtos trazidos do interior do estado para serem comercializados na capital; como nos informa o ABC: “Gente de outras cidades/ Regressam no trem de linha” (4ª estrofe, versos 6 e 7).

Assim como o cordel de Rodolfo Cavalcante, outro exemplo do uso dos trens de linha pelos feirantes de Aracaju está registrado no romance “Os Corumbas”, de Amando Fontes (1899-1967). A obra, publicada em 1933, conta a saga da família Corumba (o casal, quatro  filhas e um filho) que foge da seca no interior sergipano e migra num trem para Aracaju. Num passo do livro, lê-se: “(...) gente do interior, empoeirada e mal vestida. Eram feireiros [sic], na sua maioria pequenos lavradores, que haviam trazido seus produtos para vender na capital e agora retornavam a seus lares”. 6

Com o aumento do fluxo de pessoas e mercadorias na antiga estação férrea do mercado de Aracaju, foi preciso construir uma nova e maior estação, ainda em construção à  época do testemunho de Rodolfo Cavalcante. A nova estação ferroviária de Aracaju foi inaugurada em 1950, “no bairro das Oficinas” (atual Siqueira Campos, 5ª estrofe, verso 5). Ao contrário da antiga, Rodolfo Cavalcante reconhece a beleza e a imponência arquitetônicas da nova estação; “outro prédio formosíssimo” (5ª estrofe, verso 3). Há anos, essa estação se encontra desativada por conta do abandono por parte tanto do poder público quanto do privado, os quais não investiram numa malha ferroviária para trens de passageiros interestaduais para alavancar a economia e promover o turismo da região.

Outro patrimônio de Aracaju presente na nossa fonte literária é o “Palácio do Governo” (9ª estrofe, versos 5 a 7). Sobre ele, verseja o poeta: “... E o Palácio do Governo/ Apesar de não ser moderno/ Tem a sua majestade”. A ausência do “moderno” no edifício, anotada pelo autor, se deve supostamente a seu estilo neoclássico que recupera elementos da antiguidade greco-romana instaurados pela missão de artífices italianos contratada em 1920, durante a comemoração dos 100 anos de emancipação política de Sergipe. Quanto à referida “majestade”, ela está patente na imponência, suntuosidade e volumetria do monumento, o que infunde respeito e veneração ao paço oficial de Aracaju.



Conforme Urbano Neto (1905-1990), o projeto de reforma externa do palácio naracajuano foi realizado por Oresti Cercelli, que teria se inspirado num palácio de Florença, Itália. Daí as características neoclássicas percebidas pelo poeta popular. Sobre as estátuas que ornam a platibanda, elas foram moldadas pelo escultor Pascoal del Chírico e fundidas por Fiori. Já as grinaldas, balaústres, capitéis e demais ornatos, tanto exteriores quanto interiores, foram executados por Belando Belandi e Oresti Gatti. Das pinturas, se encarregou Oresti Cercelli; auxiliado por seu filho Bruno. Gatti também teria esculpido as estátuas de Netuno da escadaria, no hall do palácio, as quais representariam os rios São Francisco e Real. Neste sentido, a estética que ainda encanta os visitantes do velho prédio é herança da passagem dos artistas italianos por Sergipe, vindos de Salvador-BA, no festivo ano de 1920. 7

Como vimos, o cordel “ABC DE ARACAJU” pode ser usado como fonte histórica que nos indicia elementos significativos a respeito da época em que foi produzido. Dessa forma, o documento testemunha a transição de Aracaju quando deixava de ser uma pequena capital provinciana do século XIX e se transformava, paulatinamente, numa cidade com feições urbanas e arquitetônicas fiéis aos padrões em vigor no meado do século XX. Talvez por isso, o poeta Rodolfo Cavalcante tenha declarado que “Aracaju (...) tem alma, progresso e vida”, na 12ª estrofe de sua obra precursora, que era um misto de cordel e guia sentimental e turístico da cidade.


2 QUINTELA, Vilma M. Biografia de Manuel d’Almeida Filho. Disponível: http://www.casaruibarbosa.gov.br.

Acesso: 30 dez. 2018.

3 CASCUDO, Luís da Câmara. Literatura oral no Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp,

1984. p. 353.

4 ABREU, Márcia. Histórias de Cordéis e Folhetos. Campinas-SP: Mercado de Letras, 1999. p. 87 et passim.

5 CABRAL, Mário. Roteiro de Aracaju. 3. ed. Aracaju: Banese, 2001. (1ª ed. 1948 e 2ª ed. 1955).

6 FONTES, Amando. Os Corumbas. 23. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1999. p. 170.

7 LIMA NETO, Urbano de Oliveira. O palácio Olímpio Campos: 1855-1964. Revista do IHGSE, Aracaju, v. 21, n. 26b, p. 79-96, [1965]. 



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Por Eugênio Nascimento
04/02
20:40

Ensino, pesquisa e extensão: o caráter formador do Programa de Educação Tutorial na UFS

Ana Beatriz Santana Andrade - Secretária Executiva PROGRAD/UFS

Ações de educação tutorial em cursos de graduação são uma realidade na Universidade Federal de Sergipe. Essas ações visam o desenvolvimento, no aluno, do caráter crítico e pesquisador. Uma dessas ações é o Programa de Educação Tutorial PET, que consiste numa iniciativa do Ministério da Educação - MEC para difundir, entre os alunos dos cursos de graduação, o interesse pela pesquisa, pela extensão e pelo ensino, além de promover a melhoria dos cursos através de atividades extracurriculares.

Cada grupo é formado por até 12 bolsistas, conhecidos, carinhosamente, como petianos, orientados por um professor tutor. Atividades realizadas dentro e fora da universidade, participação em eventos em outros estados e instituições, crescimento pessoal, intelectual e uma melhor formação profissional fazem parte do que o PET proporciona aos petianos e comunidade acadêmica e não-acadêmica.

O caminho para a criação de novos grupos passa por duas etapas. A primeira, uma seleção em cada Instituição de Ensino Superior (IES). As propostas aprovadas são enviadas à comissão de seleção do MEC para a segunda etapa do processo. As aprovadas se tornam grupos PET. Esse caminho é balizado por Edital lançado pela Secretaria de Educação Superior – (SESU/MEC).

Na UFS, há cinco grupos PET: Serviço Social, Enfermagem, História, Geografia e Educação, nesta ordem de criação, sendo os dois últimos em atividade no Campus da cidade de Itabaiana, compondo um total de 58 bolsistas e 04 voluntários, além dos 120 que já fizeram parte do Programa ao longo de 13 anos. Há vários relatos de ex-petianos que deram prosseguimento à vida acadêmica, ingressando em cursos de mestrado e doutorado.

O acompanhamento desses grupos é de responsabilidade da Pró-Reitoria de Graduação, com o suporte de um Comitê Local de Acompanhamento e Avaliação, que, como o próprio nome sugere, acompanha o desenvolvimento das ações através de análise e aprovação, ou não, de planejamentos, relatórios e prestações de contas anuais de cada curso, além e homologar seleções de bolsistas e tutores. Contudo, o último edital da SESU/MEC para criação de grupos PET foi lançado no ano de 2012. Uma lacuna de sete anos, portanto. Um longo intervalo que alimenta, na comunidade acadêmica, o anseio pela oportunidade para a criação de novos grupos. 

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Por Eugênio Nascimento
15/01
12:33

O patrono da praça Olímpio Campos

Amâncio Cardoso  -  Professor dos Cursos de Turismo do IFS (Instituto Federal de Sergipe). E-mail: acneto@infonet.com.br

 

Uma das praças mais emblemáticas do Centro Histórico de Aracaju homenageia um dos mais influentes líderes políticos do final do século XIX e início do século XX de Sergipe. Refiro- me à praça Olímpio Campos, onde se localiza a Catedral Metropolitana de Aracaju. Olímpio de Souza Campos, nasce em 26 de julho de 1853, no engenho Periquito, município de Itabaianinha, sul de Sergipe. Em 1860, Olímpio Campos frequenta aula particular do professor Ricardo Montargil no mesmo município. De 1861 a 1863, ele se matricula nas aulas públicas de  primeiras letras do professor Izaias Horácio de Souza, no bairro Além da Ponte, na cidade de Estância, sudeste de Sergipe. Em 1864, de volta à Itabaianinha, Olímpio estuda latim com o professor José dos Santos Bomfim. Logo depois, muda-se para Lagarto-SE para continuar o curso com o mesmo professor, até o fim de 1865.

 

O jovem Olímpio estuda preparatórios no Recife entre 1866 a 1868. Depois, muda-se para  Salvador e resolve adotar a vida eclesiástica em 1869, frequentando o Seminário da Bahia como aluno externo, residindo na casa do professor estanciano Severiano Cardoso (1840-1907). Ainda no Seminário, Olímpio faz o curso de Ciências Eclesiásticas, entre 1870 e 1873. Nesse tempo, aos 20 anos, por não possuir a idade canônica para ser presbítero, espera até 1877 para receber as Ordens Menores e celebrar sua primeira missa na igreja do Seminário da Bahia.

 

Em outubro de 1877 a julho de 1878, o padre Olímpio volta à Itabaianinha para coadjuvar o pároco local. De 1878 a fevereiro de 1880, torna-se vigário encomendado da freguesia de Vila Cristina (atual Cristinápolis). Em seguida, assume a Paróquia de Aracaju, onde passa 20 anos, de 1880 a 1900, com as interrupções exigidas por cargos políticos.

 

Quanto a sua atuação na política de Sergipe, Olímpio Campos se candidata a deputado provincial pelo Partido Conservador. Nessa ocasião, vence duas legislaturas seguidas: 1882/1883;

1884/1885. Nesse período, o padre político se destaca na luta pelo retorno do ensino religioso na Escola Normal de Sergipe, excluído pelo presidente da província em 1881. No período de 1885 a 1889, Olímpio Campos foi eleito e reeleito ao cargo de Deputado Geral do Império.

 

Já durante a República, ele adere imediatamente ao novo regime, e é saudado na porta de sua casa em Aracaju por correligionários do tempo da monarquia e por republicanos históricos; dentre eles Fausto Cardoso (1864-1906), que faz oração ao novo regime e aos novos adeptos.

 

Em julho de 1890, o padre Olímpio organiza o Partido Católico. Em 1891, ele é eleito deputado à Constituinte do Estado. Sendo a 1ª Constituinte dissolvida pela Junta Governativa, ele foi eleito deputado à nova Constituinte, presidindo a primeira Assembleia que elaborou as leis orgânicas do Estado de maio de 1892. Em 1893, Olímpio Campos assume a vaga de deputado federal deixada por Felisbelo Freire (1858-1916), sendo reeleito para as legislaturas de 1894-1896 e 1897-1899.

 

Entre 1899 e 1902, monsenhor Olímpio Campos assume o governo do estado de Sergipe. No comando executivo de Sergipe, Monsenhor Olímpio tentou trazer paz num estado que vivia tempos de caos político-administrativo, evitando o que classificou de “estreito partidarismo na  administração, a desídia no funcionalismo, a subserviência na magistratura, a fraude no sufrágio eleitoral, a malversação nas finanças e a anarquia em todos os ramos do serviço público”.  (2)

 

É a partir de 1902, com a indicação de seu secretário geral, Josino Menezes (1866-1939), ao governo por monsenhor Olímpio, que lideranças políticas do tempo do Império cindiram com o líder conservador. Desse modo, ele rompe com os poderosos oligarcas do tempo da monarquia, José Luiz Coelho e Campos (1843-1919) e Leandro Ribeiro de Siqueira Maciel (1825-1909), que passaram a fazer campanha contra o grupo olimpista durante o governo de Josino Menezes, de 1903 a 1905.

 

Para o governo seguinte, Olímpio Campos indica seu irmão mais velho, Guilherme Campos (1850-1923), para suceder Josino Menezes num mandato de 1905 a 1908; ao tempo em que elege seus aliados para a Câmara Federal, e ele próprio, Olímpio, ocupa o Senado. Neste contexto, evidencia-se a predominância do grupo olimpista, mas também amplia-se a indisposição dos seus adversários...”. (3)

 

O descontentamento com essa sucessão radicaliza a oposição. Em 10 de agosto de 1906, tem início a revolta armada que depõe e prende Guilherme Campos (governador), Pelino Nobre (vice) e o senador Olímpio Campos. Esse fato foi denominado pela historiografia de “Revolta de Fausto Cardoso”.

 

Entretanto, pressionado pelo Congresso Nacional, o presidente Rodrigues Alves (1848- 1919) envia tropas federais para intervir e repor o governo de Sergipe, reprimindo os revoltosos durante evacuação do Palácio do Governo. Nesse momento, há resistência da oposição e o deputado federal Fausto Cardoso é morto com um tiro de fuzil disparado por um militar da força interventora no dia 28 de agosto de 1906.

 

Por conseguinte, pouco mais de dois meses depois, em 9 de novembro de 1906, o monsenhor e então senador Olímpio Campos foi assassinado, com vários tiros e duas facadas, pelos filhos de Fausto, Humberto e Armando Cardoso, na praça 15 de Novembro, centro do Rio de Janeiro. Com estes episódios, nossa memória política é marcada pelo que se denomina de Tragédia de Sergipe.

 

Em 1916, é erguida uma estátua em homenagem ao líder conservador católico, esculpida por Rodolfo Bernardelli e localizada na praça que leva o nome do homenageado, Olímpio Campos.

 

2 CAMPOS, Olímpio. Política de Sergipe. Revista de Aracaju, Prefeitura de Aracaju, n. 02, p. 23-42, 1944. Citação p. 31.

3 DANTAS, Ibarê. História de Sergipe. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2004. p. 30-31.



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Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
10/01
16:41

Selo OAB Recomenda e Outros Temas

Angelo Roberto Antoniolli - Reitor da Universidade Federal de Sergipe

É, sem dúvida, motivo de júbilo para a Universidade Federal de Sergipe, e, mais de perto, para todos que fazem o Departamento de Direito. E, especialmente, para os nossos alunos. O fato é que recebemos o Ofício nº 250/2018-GAC do presidente do Conselho Federal da OAB, datado de 18 de dezembro último, convidando para a Cerimônia de Entrega da 6ª Edição do Selo de Qualidade OAB Recomenda – “Instrumento em Defesa da Educação Jurídica Brasileira”, a realizar-se no dia 30 de janeiro, às 14 horas, na sede do referido Conselho, em Brasília.
 
De acordo com as palavras do Presidente Nacional da OAB, Cláudio Lamachia “Idealizada com o intuito de contribuir para o aprimoramento do ensino jurídico no País, a mencionada distinção expressa reconhecimento às instituições de educação superior cujo curso de graduação em Direito apresente elevado padrão, conforme critérios estabelecidos pela Comissão Especial para Elaboração do Selo OAB Recomenda”
 
A Universidade Federal de Sergipe é a única ganhadora, no estado, do Selo de Qualidade OAB Recomenda, tendo recebido, inclusive, todos os seis Selos. É um feito memorável para qualquer Universidade e, claro, para o curso de Direito. São os nossos alunos brilhando mais uma vez. São os nossos professores, no conjunto, saboreando o êxito dos seus discípulos.
 
Em 2011, por ocasião da entrega do Selo OAB Recomenda o então presidente Nacional da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou: “A formação educacional deve transcender ao desejo de oferecer uma boa técnica profissional. O foco deve estar na formação de verdadeiros cidadãos. Por isso a OAB leva tão a sério o desafio permanente de zelar pela qualidade do ensino aos cidadãos que vão fazer e administrar a Justiça em nosso país”. Essa afirmação do então presidente reflete como deve ser ministrado o curso de Direito em qualquer instituição de ensino superior. É o que a Universidade Federal de Sergipe tem procurado fazer. E os nossos alunos têm consciência do quanto devem aprender. São bons alunos, que se esforçam para aprender o máximo, e, com certeza, saem da Universidade prontos para enfrentar o mercado de trabalho em quaisquer carreiras jurídicas.
 
Por outro lado, no último Exame Unificado da OAB os nossos alunos, mais uma vez, mostraram o seu valor, obtendo a segunda colocação e ficando atrás apenas dos alunos da Universidade de São Paulo – USP, do Campus de Ribeirão Preto, que, outra vez, bateram os alunos da famosíssima Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, na capital. Este feito dos nossos alunos mostra uma boa sequência, inclusive, em anos passados já obtiveram mais de um primeiro lugar (2009 e 2011) e, dentre mais de mil cursos de Direito, jamais deixaram de ficar entre os primeiros colocados, após a unificação do Exame.
 
Na última avaliação feita pelo Ministério da Educação, em 2017, o curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe recebeu nota quatro (4), em uma escala que vai até cinco (5). A avaliação é realizada a cada três anos. A nota quatro (4) coloca o curso entre um dos melhores do país. A prova da sua qualidade está estampada tanto no Selo OAB Recomenda, quanto no Exame da OAB.
 
Para completar este artigo, o jornal Folha de São Paulo publica periodicamente o Ranking Universitário Folha (RUF). No ranking de 2018, publicado no fim do ano, a Universidade Federal de Sergipe, dentre 196 Universidades pesquisadas, obteve a 38ª colocação, ficando à frente de Universidades Federais como as de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, Alagoas (UFAL), Amazonas (UFAM), Piauí (UFPI), Mato Grosso do Sul (UFMS), Triângulo Mineiro (UFTM), Rio Grande (UFRG), Tecnológica do Paraná (UFTPR), Maranhão (UFMA), Rural de Pernambuco (UFRPE), dentre outras.
 
No RUF, nenhuma Universidade particular do Nordeste ficou entre as 83 melhores colocadas.
 
Os critérios da avaliação feita pelo RUF levam em consideração os seguintes itens: ensino (42%), pesquisa (32%), mercado (18%), inovação (4%) e internacionalização (4%).
 
Apenas para fins de ilustração, o item mercado considera a opinião de 5.444 profissionais de RH consultados pela Datafolha em 2016, 2017 e 2018 sobre preferências de contratação.
 
O curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe continuará na vanguarda das aferições. E a própria UFS, ainda pequena em estrutura, agiganta-se no que está fazendo e se agigantará no que está para fazer. Resta-nos parabenizar os que integram o nosso curso de Direito pelos contínuos êxitos obtidos. E também a todos que compõem a nossa comunidade acadêmica.




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Com.: 0
Por Redação
07/01
12:10

Selo OAB Recomenda e Outros Temas

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

É, sem dúvida, motivo de júbilo para a Universidade Federal de Sergipe, e, mais de perto, para todos que fazem o Departamento de Direito. E, especialmente, para os nossos alunos. O fato é que recebemos o Ofício nº 250/2018-GAC do presidente do Conselho Federal da OAB, datado de 18 de dezembro último, convidando para a Cerimônia de Entrega da 6ª Edição do Selo de Qualidade OAB Recomenda – “Instrumento em Defesa da Educação Jurídica Brasileira”, a realizar-se no dia 30 de janeiro, às 14 horas, na sede do referido Conselho, em Brasília. 

De acordo com as palavras do Presidente Nacional da OAB, Cláudio Lamachia “Idealizada com o intuito de contribuir para o aprimoramento do ensino jurídico no País, a mencionada distinção expressa reconhecimento às instituições de educação superior cujo curso de graduação em Direito apresente elevado padrão, conforme critérios estabelecidos pela Comissão Especial para Elaboração do Selo OAB Recomenda”.

A Universidade Federal de Sergipe é a única ganhadora, no estado, do Selo de Qualidade OAB Recomenda, tendo recebido, inclusive, todos os seis Selos. É um feito memorável para qualquer Universidade e, claro, para o curso de Direito. São os nossos alunos brilhando mais uma vez. São os nossos professores, no conjunto, saboreando o êxito dos seus discípulos. 

Em 2011, por ocasião da entrega do Selo OAB Recomenda o então presidente Nacional da OAB, Ophir Cavalcante, afirmou: “A formação educacional deve transcender ao desejo de oferecer uma boa técnica profissional. O foco deve estar na formação de verdadeiros cidadãos. Por isso a OAB leva tão a sério o desafio permanente de zelar pela qualidade do ensino aos cidadãos que vão fazer e administrar a Justiça em nosso país”. Essa afirmação do então presidente reflete como deve ser ministrado o curso de Direito em qualquer instituição de ensino superior. É o que a Universidade Federal de Sergipe tem procurado fazer. E os nossos alunos têm consciência do quanto devem aprender. São bons alunos, que se esforçam para aprender o máximo, e, com certeza, saem da Universidade prontos para enfrentar o mercado de trabalho em quaisquer carreiras jurídicas. 

Por outro lado, no último Exame Unificado da OAB os nossos alunos, mais uma vez, mostraram o seu valor, obtendo a segunda colocação e ficando atrás apenas dos alunos da Universidade de São Paulo – USP, do Campus de Ribeirão Preto, que, outra vez, bateram os alunos da famosíssima Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, na capital. Este feito dos nossos alunos mostra uma boa sequência, inclusive, em anos passados já obtiveram mais de um primeiro lugar (2009 e 2011) e, dentre mais de mil cursos de Direito, jamais deixaram de ficar entre os primeiros colocados, após a unificação do Exame. 

Na última avaliação feita pelo Ministério da Educação, em 2017, o curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe recebeu nota quatro (4), em uma escala que vai até cinco (5). A avaliação é realizada a cada três anos. A nota quatro (4) coloca o curso entre um dos melhores do país. A prova da sua qualidade está estampada tanto no Selo OAB Recomenda, quanto no Exame da OAB. 

Para completar este artigo, o jornal Folha de São Paulo publica periodicamente o Ranking Universitário Folha (RUF). No ranking de 2018, publicado no fim do ano, a Universidade Federal de Sergipe, dentre 196 Universidades pesquisadas, obteve a 38ª colocação, ficando à frente de Universidades Federais como as de Campina Grande (UFCG), na Paraíba, Alagoas (UFAL), Amazonas (UFAM), Piauí (UFPI), Mato Grosso do Sul (UFMS), Triângulo Mineiro (UFTM), Rio Grande (UFRG), Tecnológicado Paraná (UFTPR), Maranhão (UFMA), Rural de Pernambuco (UFRPE), dentre outras. 

No RUF, nenhuma Universidade particular do Nordeste ficou entre as 83 melhores colocadas. 

Os critérios da avaliação feita pelo RUF levam em consideração os seguintes itens: ensino (42%), pesquisa (32%), mercado (18%), inovação (4%) e internacionalização (4%). 

Apenas para fins de ilustração, o item mercado considera a opinião de 5.444 profissionais de RH consultados pela Datafolha em 2016, 2017 e 2018 sobre preferências de contratação.

O curso de Direito da Universidade Federal de Sergipe continuará na vanguarda das aferições. E a própria UFS, ainda pequena em estrutura, agiganta-se no que está fazendo e se agigantará no que está para fazer. Resta-nos parabenizar os que integram o nosso curso de Direito pelos contínuos êxitos obtidos. E também a todos que compõem a nossa comunidade acadêmica. 


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Por Kleber Santos
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