07/07
11:51

Síndrome de jabuticaba

Cezar Britto - Ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil


Certa vez, ao conceder uma entrevista a uma emissora nacional, perguntou-me o âncora do programa jornalístico se não era uma “jabuticaba” a tese que eu defendera na tribuna do STF, na qualidade de representante do Movimento de Combate à Corrupção (MCCE). Referia-se ele ao julgamento da 
ADI 4650, ajuizada pela OAB para declarar a inconstitucionalidade dos dispositivos legais que autorizavam as contribuições de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais. Antes de responder sobre a importância de se impedir o financiamento (investimento) privado das eleições, perguntei a ele a razão do preconceito contra a jabuticaba, uma das especiais frutas nativas da Mata Atlântica. Disse-lhe que eu adorava jabuticaba, mas se ele gostava de peras, morangos, maçãs, pêssegos e outras frutas estrangeiras eu respeitaria. Mas que não concordava com a premissa de que as coisas do Brasil não mereciam ser respeitadas.

O grave é que esse desprezo pela jabuticaba (leia-se: coisas do Brasil) tem se espalhado como um mantra impressionante. Escuto-o a todo tempo ou lugar. Até mesmo no onisciente STF a fruta brasileira já constou como elemento depreciativo de um texto constitucional, dizendo-se que deveria ele ser reinterpretado por ser fruto do “pecado original” cometido pelo constituinte tupiniquim. Tenho a impressão de que, caso pudessem, eles receitariam o “jejum de jabuticaba” como caminho ideal para a conquista do nirvana brasileiro. Ou, recitando o mantra com outras palavras, diriam eles que o Brasil somente melhoraria se copiasse o modelo trilhado pelo nobre padrão europeu ou pelo "arrojado" sistema democrático estadunidense.

Aconselho aos amantes das frutas importadas que leiam o livro: Pilhagem. Quando o Estado de Direito é Ilegal. Nele, o italiano Ugo Mattei, professor de direito internacional nas universidades da Califórnia, de Hastings e de Turim, em coautoria com a estadunidense Laura Nader, professora de antropologia da Universidade da Califórnia, explicam as consequências deste “encantamento” nada inocente. O livro, escrito ainda na era do general George W. Bush, explica o desmonte das políticas públicas, a privatização das riquezas nacionais, a coisificação da pessoa humana, os retrocessos sociais, o uso dos meios de comunicação, o ativismo judicial e, enfim, o "Reinado do Mercado". Qualquer coincidência com o Brasil não é, portanto, mera coincidência. Eis o que alertam:


“Os subordinados, ou pelo menos parte significativa deles, devem ser convencidos da natureza superior da ordem e da civilização dominante em comparação com a deles. Sem este componente ideológico, a opressão seria um exercício mais dispendioso.”
“Os países periféricos são, assim, intelectualmente humilhados, criando-se as condições psicológicas para a aceitação da hegemonia estrangeira.”

“A ideia da hegemonia revela, por parte do sistema jurídico dominador, de ser “admirado” pela periferia, obtendo, assim, mero consenso junto a nação dominada.”

“Para conseguirem esse resultado final, uma espécie de paraíso neoliberal em que poderosos agentes de mercado podem transformar todas as pessoas do mundo em consumidores e todo trabalhador não especializado em bem de consumo, os programas de desenvolvimento indicam cinco áreas e imperativos principais de reforma: 1- Permitir que os mercados livres determinem os preços. 2 – Diminuir o controle estatal dos preços. 3 – Transferir os recursos mantidos pelo Estado para o setor privado. 4 – Reduzir o orçamento do Estado ao máximo possível. 5 – Reformar as instituições estatais (tribunais e burocracia) a fim de facilitar o setor privado (boa governança e Estado de Direito).

É evidente que os “adoradores das frutas estrangeiras”, em providencial amnésia argumentativa, não apontam que fora o “modelo europeu de democracia” quem produzira Hitler, Mussolini, Franco, Salazar, Dollfuss, Ceau?escu e vários sistemas autoritários, genocidas, racistas e separatistas desprezados pela História. Também esquecem que provocou duas grandes guerras mundiais, usufruiu-se do tráfico de pessoas humanas e ainda elege discursos fundados nos mesmos crimes do passado. Não citam, ainda, que a “liberdade democrática estadunidense” organizou, apoiou, ensinou, torturou e lucrou com Pinochet, Saddam Hussein, Stroessner, Fujimori, Idi Amin Dada, Videla, Fulgêncio, Papa Doc, Noriega Castello, Costa e Silva, Médici, Geisel e Figueiredo e tantos outros ditadores. Não lembram que os EUA não aceitam a jurisdição do Tribunal Penal Internacional, da Corte Interamericana de Direitos Humanos e, mais recentemente, da Comissão de Direitos Humanos da ONU, substituindo-a pela justiça de Guantánamo, Abu Ghraib e do Patriot Act. Não relembram, certamente, a lição já antecipada por Rui Barbosa, quando, resumidamente, ensinou que A tirania muda de amantes.

Evidentemente não rejeito ou desgosto de outras frutas, pessoas, culturas ou histórias. Gosto também dos sabores delas, alimentando-me, diariamente, dos prazeres, das informações e das coisas que derivam de suas exclusivas características. Até porque os sabores e os saberes são plurais, nenhum melhor ou pior do que o outro, apenas diferentes. Erros e acertos integram todas as páginas escritas no evoluir da humanidade. Eles acompanham todos os povos, todas as raças, todos os espaços do tempo. Mas, confesso, não posso aceitar o argumento de inferioridade expresso na acusação de que as coisas do Brasil são desprezíveis e, em razão disso, elas são piores do que os acontecimentos forasteiros.

Na verdade, o que abomino é a Síndrome de Jabuticaba, a doença social em que a vítima nacional aceita e subordina a validade de seu pensamento à aprovação de seu verdugo internacional. Não concordo, portanto, que se reinterprete a Carta de Pero Vaz de Caminha, retirando a jabuticaba do rol das frutas que “em se plantando tudo dá”. Afinal, como alertado pelos professores Ugo Mattei e Laura Nader, o efeito colateral da Síndrome de Jabuticaba é devastador para o Brasil, gostando-se ou não da fruta brasileira. E, com não abro mão da minha jabuticaba, seguirei defendendo-a nas tribunas da vida.



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Por Eugênio Nascimento
16/06
21:12

Memórias de Copas do Mundo

Luciano Oliveira - Professor aposentado da UFPE

 

Chego a mais uma Copa do Mundo na minha vida. A primeira foi no longínquo ano de 1962, em Itabaiana, interior de Sergipe. Brasil bicampeão mundial de futebol. Dela, tenho apenas lembranças muito vagas. Era um menino, e como lá em casa papai não tinha o menor interesse pelo assunto, tudo o que lembro resume-se a um bando de torcedores (feito um “bloco de sujos”) bebendo e soltando fogos na calçada de um armarinho que ficava em frente da “Farmácia de Oliveirinha” – meu pai – onde, naquele tempo, dava expediente nos horários em que não tinha escola. Um rádio instalado do lado de fora do armarinho transmitia não sei que partida. Foi também pelo rádio, na casa de uns e outros, que escutei, no meio dos chiados das “ondas médias, curtas e frequência modulada” da época, a decepção de 1966, na Inglaterra, onde o Brasil chegou como favorito e voltou com o rabo entre as pernas, eliminado já na primeira fase da competição pela seleção portuguesa, a sensação daquela Copa. Depois veio a apoteose de 1970, no México. Era a época da repressão barra-pesada aos grupos (armados ou não) de esquerda, sob a presidência de Médici, e os opositores ao regime se sentiam embaraçados ante o dilema de torcer ou não pela Seleção, cuja vitória seria (como foi) capitalizada pela ditadura militar. “Ninguém segura esse país!”, havia dito o presidente – e realmente ninguém segurou a Canarinho. A defesa era meio fraquinha, mas do meio de campo pra frente (Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Jairzinho, Tostão e Pelé) a seleção brasileira foi o que muitos consideram o melhor time de futebol que já se formou no mundo.

Até onde dou crédito à minha memória, confesso que não me lembro de ter sido presa desse dilema. Eu era ainda um secundarista e torcia pelo Brasil. Era só isso. Morava em Aracaju e, embora a televisão já tivesse chegado por lá, Sergipe ainda não tinha sido integrado pela Embratel à Rede Globo. Tudo o que tínhamos era uma torre retransmissora que captava, disputando com o que chamávamos de “chuva de arroz”, as imagens geradas em Recife pela TV Jornal do Comércio. Em Aracaju, no começo dos anos 70, a “chuva”, estava para o visual assim como o “chiado” estava para o áudio em Itabaiana no começo dos anos 60. Uma emissora local, se bem me lembro, retransmitia, sem “chiado”, a transmissão da Rádio Globo, onde Waldir Amaral e Jorge Cury se alternavam na transmissão do jogo, um irradiando o primeiro tempo, e o outro, o segundo. Aí, a gente ligava a televisão, mas tirava o som, e ligava também o rádio. E assim não lembro direito o que “vi”, pois as lembranças daquela tarde de junho de 1970, um domingo, embaralham-se com o que – aí sim! – vi alguns dias depois da Copa: um especial do inesquecívelCanal 100com os melhores momentos de todas as partidas, exibido nos cinemas. Brasil tricampeão mundial de futebol. Uma lembrança curiosa: na noite daquele domingo, com a cidade toda em festa, fomos eu, meu irmão e um amigo ao Cine Palace de Aracaju, onde assisti pela primeira vez a My Fair Lady. Era junho e chovia. Que me lembre, no cinema só havia nós três perto da tela e, lá atrás, um casal de namorados – provavelmente pouco interessados no que se passava na casa do professor Higgins, tirânico e misógino, enfiando um inglês de Shakespeare à iletrada Eliza Doolittle!

Fazendo as contas, vou para a minha décima-quinta Copa do Mundo. Olhando ao redor, a minha impressão é a de que o evento não desperta mais o interesse que já teve entre nós. Talvez não seja só impressão. Afinal, algumas semanas atrás, a imprensa divulgou uma pesquisa mostrando que 41% dos brasileiros não se interessam por futebol. E isso às vésperas de uma Copa. Como a mesma pesquisa informa que o percentual já foi muito menor, deduzo que muitos dos indiferentes de hoje já se interessaram um dia. Penso no meu caso. Já de algum tempo venho perdendo o afeto que sempre tive pela seleção. Lembro que em 2002 ainda vibrei muito com o time – sobretudo com Rivaldo, para mim o seu maior jogador. Mas, seguidamente, as decepções de 2006 e 2010 nem de longe se compararam à desolação que senti com a derrota daquele time sensacional de 1982. Em 2014, terminei de ver aquela acachapante humilhação de 7 a 1 imposta pela seleção alemã aos risos. Claro que aquilo foi risível, mas acho que não foi só isso. Quando, não faz muito tempo, a Canarinho ganhou dos alemães na casa deles por 1 a 0, nem cheguei a vibrar com o gol do Brasil (segundo uma brincadeira dos jornalistas alemães, agora o placar está 7 a 2…). A que será que devo essa quase indiferença?

Uma Copa do Mundo, hoje em dia, não é mais um campeonato entre seleções dos países e suas diferentes escolas de futebol, mas praticamente um torneio que reúne os melhores jogadores do mundo que jogam em times europeus! Antigamente, nossos craques, jogando aqui, de quatro em quatro anos se preparavam para ir jogar contra aqueles branquelos alemães e ingleses que jogavam lá. (Um amigo meu me advertiu de que havia um racismo [ainda que às avessas] embutido na minha fala, quando lhe disse que bom mesmo era o tempo em que nossos mulatos iam para a Suécia e davam um banho naqueles loiríssimos arianos… Será?) Nesse caso, a “culpa” é da globalização. E da mercantilização sem limites das relações que se dão nesse novo espaço mundial. Nas relações esportivas, onde o público consumidor, via TV, se conta por milhões (pensem num jogo Real Madrid X Barcelona), quiça bilhões (pensem numa final de Copa), as cifras envolvidas são astronômicas. As tentações, também. Um jogador fora de série como Neymar, por exemplo, vive tendo de explicar junto ao fisco espanhol, mas também brasileiro, “jogadas” típicas de sonegador milionário. Dir-se-á: “Ah… mas é todo mundo! Messi também andou encalacrado lá na Espanha”. Ok, tudo bem. Eu responderei que: a) Messi não é brasileiro, e nunca torci pela seleção argentina – assim, seu caso não me compete; b) sonegador ou não, Messi não é um boçal como nosso Neymar – e tenho dificuldades em torcer por boçais mimados por gente como Galvão Bueno… (Aliás, até dizem que Messi é autista. Se for, que bom!) Mas o diabo é que Neymar – independentemente da empresa chamada Neymar Jr.– joga bem pra caralho! Este artigo já estava quase pronto quando, no sábado da semana retrasada (02/06), assisti ao amistoso Brasil X Croácia, preparativo para a Copa. Neymar, depois de uma cirurgia no pé e de três meses no estaleiro, entra no segundo tempo e faz um gol de craque. Quando é ontem, domingo (10/06), último jogo preparativo: Brasil X Áustria. Neymar, que dessa vez atuou quase o jogo inteiro, faz outro gol mágico! Parodiando Zagallo, acho que vou ter de engoli-lo…

Repetindo-me: chego a mais uma Copa do Mundo na minha vida. De 1962 a 2018 (até me assusto!), são cinquenta e seis anos de existência… De lá pra cá já vi tanta coisa! Nunca fui daqueles torcedores de bandeirinha no carro, e não sou um patriota no sentido babaca do termo. Quando o Sargentão Dunga dizia que quem não torcia pela seleção não amava o Brasil, eu fazia um esforço danado para continuar torcendo pela Canarinho. É mais ou menos assim que estou me sentindo nesta véspera de Copa. Não sei qual será meu sentimento quando o juiz apitar o início do jogo do Brasil contra a Suíça domingo próximo – depois de depois de amanhã. Mas, sinceramente, estou torcendo para me emocionar pela décima quinta vez na minha vida.

***

Nílton Santos era lateral esquerdo do Botafogo e da seleção, campeão mundial em 1958, na Suécia, e bicampeão no Chile. Era apelidado de “A Enciclopédia”, porque se dizia que sabia tudo de futebol. Foi uma criatura amável. Dizia que se considerava um sortudo, porque fazia na vida aquilo de que mais gostava: jogar futebol – e ainda lhe pagavam para isso! Da minha infância pra cá, o mundo mudou.



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Por Eugênio Nascimento
04/06
20:44

Homens e Instituições

Angelo Roberto Antoniolli - Reitor da UFS


Não posso renegar o sacrifício de lutar e defender os ideais de toda a minha vida”, disse um dos ícones da imprensa brasileira, Barbosa Lima Sobrinho. Um homem de profundo discernimento em relação à vida e aos diversos fatores que a compõem. Um jornalista ético e assoberbado de dignidade em tudo o que abraçou. Presidente, por três vezes, da Associação Brasileira de Imprensa – ABI. Um brasileiro respeitado por quem se dá ao respeito. Em qualquer tempo, em qualquer lugar e em qualquer situação.

Assim como o acadêmico Barbosa Lima Sobrinho, eu também não poderei jamais deixar de lutar e defender os ideais que absorvi e propaguei em toda a minha caminhada, desde os tempos estudantis, sempre na luta em defesa dos princípios democráticos. De São Paulo, onde nasci e galguei os bancos escolares até o doutorado, a Sergipe, terra que escolhi, dentre muitas opções, para viver, constituir família, trabalhar, respeitar as pessoas e esperar delas, no mínimo, o mesmo respeito.

Fiz do magistério a minha opção de vida profissional. Na Universidade Federal de Sergipe, em mais de vinte anos como professor e pesquisador, construí e/ou aprimorei o que eu tenho, o que eu sei e o que eu sou. Com trabalho sério, dedicado, comprometido e com o sentimento de pertencimento em relação à UFS, aos meus colegas e aos meus alunos. Fora da UFS, à minha família, especialmente ao meu filho, a quem amo e a quem tenho procurado legar um exemplo de vida limpa e digna, mas, também, aos meus amigos, que são muitos, e a quem divide comigo os momentos de intimidade familiar.

Ao longo de muitos anos, na gestão do meu Departamento, do meu Centro, como vice-reitor em dois mandatos e, enfim, como reitor, agora, quase nos meados do segundo mandato, graças ao apoio da comunidade acadêmica – professores, técnico-administrativos e alunos – tenho procurado servir à Universidade Federal de Sergipe com a mesma serenidade com que ministro aulas e realizo pesquisas, ou executo projetos de extensão. Jamais me deixei levar por sentimentos que pudessem constranger as pessoas ou constranger-me. Tenho uma vida serena, simples, como a vida de um professor em tempo integral. Ao longo da caminhada, tive a honra de ver e sentir que muitos me seguiram, ajudando-me a servir à comunidade que me acolheu generosamente. A todos, eu hei de ser sempre grato.

Com o apoio decisivo dos meus colegas de trabalho em diversos escalões da hierarquia administrativa, na UFS, e com a colaboração de pessoas externas, a exemplo de autoridades governamentais, no âmbito dos três Poderes, tenho conseguido êxitos na caminhada gerencial. Mesmo nesses últimos anos de crise política, econômica e moral que se abateu sobre o país, não desisti de lutar, de buscar meios para tocar a vida universitária. Não tem sido fácil. A partir de uma gestão participativa, a UFS vem conseguindo equilibrar-se, otimizando gastos no custeio e nos investimentos.

Não tem faltado à UFS o apoio, quando é preciso, do governo estadual, como ocorreu, explicitamente, no caso da abertura do Campus do Sertão, bem como de vários parlamentares federais – senadores e deputados – que, sensibilizados com as carências da Universidade, e que, em última análise, são carências da própria sociedade sergipana, representada na UFS por cerca de trinta mil estudantes, além dos trabalhadores – professores, técnico-administrativos e terceirizados – que convivem em nossos Campi, no dia a dia, não têm medido esforços para ajudar, quer conseguindo liberar recursos do Orçamento Geral da União, especialmente do MEC, quer consignando recursos por meio de emendas parlamentares. A todas essas pessoas, o meu agradecimento já foi registrado em algumas oportunidades, nos artigos que publiquei no Jornal da Cidade, e que continuarei a publicar, quando for preciso, e o espaço me for facultado.

No momento, graças ao trabalho diuturno dos colaboradores, que, com reconhecida competência, comigo dividem os fardos da gestão, e graças aos recursos recebidos com a ajuda de representantes sergipanos no Parlamento Nacional, que atuam em diversas agremiações políticas, muitas obras estão sendo concluídas ou em fase de conclusão para os próximos dias ou meses. Somente entre 2016 e 2018, ou seja, neste segundo mandato como reitor, os investimentos em obras somam R$ 59.030.096,02, com áreas construídas de 97.662,85m². Nesse período, já são vinte (20) obras em termos de construções, reformas significativas ou ampliações. E tudo isso nos diversos Campi da UFS.

Apenas para ilustrar, dentre as obras merecem destaque as seguintes: conclusão da Didática VII, edifício com seis pavimentos e área de 11.295,94m²; construção da moderníssima pista de atletismo com área de 6.300,00m²; reforma da Praça do Campus/sede e construção do Memorial da Democracia com área de 17.900,00m²; reforma do prédio de Engenharia Civil com área de 1.194,09m²; reforma do prédio do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, no Hospital Universitário; implantação do grupo gerador e reforma elétrica do Campus de Itabaiana com área de 19.000,00m²; Centro de Imagem do Hospital Universitário; reforma e acessibilidade do Campus de Itabaiana com área de 20.621,63m²; cercamento do Campus de Lagarto com área de 4.066,00m²; reforma e ampliação das instalações elétricas do Campus Rural; reforma e conclusão do Anexo Hospitalar do HU com área de 2.681,56m²; construção do Centro de Simulações e Práticas do Campus de Lagarto com área de 9.922,74m²; reforma do Campus do Sertão; infraestrutura para instalação de 38 módulos para atender ao Departamento de Letras/Libras com área de 1.022,40m².

Devo registrar a minha gratidão, em nome da UFS, a quem tem emprestado o seu apoio para que essas obras possam ser concluídas, como, realmente, estão sendo. Críticas, eu as recebo, mas, de quem tem dignidade para manifestá-las e de quem as manifesta de forma ética. Do mesmo modo, recebo e sou grato a quem reconhece o trabalho desenvolvido, e a quem se solidariza comigo, como está ocorrendo no decorrer desses últimos dias. Sou grato a todos. Porém, não permitirei que assaquem contra a minha honra. A vida limpa que eu construí ninguém jogará na lama. O destempero de ninguém mudará o rumo da minha vida e do meu trabalho.

Os homens e as instituições devem estar sempre a serviço da vida. E a vida deve servir como processo de aperfeiçoamento.



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Por Eugênio Nascimento
03/06
16:29

A quem pertence a Petrobras?

Cezar Britto
Ex-presidente da OAB

A greve dos caminhoneiros transportou para o mundo real o debate sobre o papel da Petrobras, da compreensão estratégica do petróleo enquanto patrimônio do povo brasileiro e quem deve ser o real destinatário dos serviços gerados pelas empresas estatais. Deste debate, entre placas de “pare e siga” para umas e outras análises, perguntas são ligadas, freadas ou estacionadas em locais não pavimentados por respostas sólidas. Mas todos, com raríssimos derrapes excludentes, assumindo a condição de motorista, passageiro, mecânico ou transeunte assumiram o direito de opinar sobre a nova crise gerada pelo governo plantonista. E eu sigo pela mesma estrada opinativa.

Da imensa carroceria de perguntas que acarreto para o debate, descarrego, de logo, as seguintes: A quem pertence a Petrobras e o petróleo extraído do solo brasileiro? É correto submeter os interesses do povo brasileiro ao apetite insaciável do “Mercado”? Quem lucra com os absurdos preços dos combustíveis praticados no Brasil pelo governo plantonista, ardorosamente defendidos por seu porta-voz Pedro Parente? Qual o sentido de lucro em uma atividade estatal? Qual a relação da crise com a política de desmonte, privatização e entrega do patrimônio nacional aos interesses do capital estrangeiro?

A questão da propriedade brasileira sobre o petróleo parecia ter sido resolvida quando a Petrobras foi criada pela Lei 2004, sancionada por Getúlio Vargas em 03 de outubro de 1953. Vencia-se, ali, a velha batalha do O petróleo é nosso!, iniciada quando descoberta as reservas da?Bahia, no bairro soteropolitano de Lobato, ainda em 1938. A?Campanha do Petróleo, unindo forças da direita e esquerda, apoiada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, PCdoB, PTB, União Nacional dos Estudantes, militares, trabalhadores, intelectuais e nacionalistas chegara ao fim, inscrevendo que a propriedade do petróleo era um monopólio do povo brasileiro e da sua estatal Petrobras.  Em palavras da época: vencida estava a proposta que pretendia entregar o petróleo aos investidores estadunidenses.

Vencida, mas não derrotada. A ganância internacional sobre o petróleo, patrocinadora de guerras, genocídios e ditaduras, não descansaria enquanto não se apossasse da Petrobras e quebrasse o monopólio conquistado em 1953. Não encontrando aliados nos autores das leis outorgadas de 1967 e 1969, tampouco nos constituintes de 1988, os entreguistas persistiram por décadas. Até que encontraram um forte aliado no então presidente Fernando Henrique Cardoso, que, aceitando a missão estrangeira, mandou esquecer a história que escrevera e, na mesma canetada, rasgou a história do seu pai Leônidas Cardoso e a de seu tio Felicíssimo Cardoso, dois dos generais nacionalistas da Campanha do Petróleo.

Da Era FHC a Emenda Constitucional 9/1995, a Lei do Petróleo n° 9.478/97 e a criação da?Agência Nacional do Petróleo (ANP), todas com o firme propósito de se quebrar o monopólio da Petrobras sobre o petróleo, abrindo-o para a exploração internacional. Daquele tempo, ainda, a tentativa de aniquilar a resistência nacionalista dos petroleiros, utilizando-se do Poder Judiciário, em método depois condenado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), assim resumido pelo então ministro das Minas e Energia, Raimundo Brito, em reportagem da revista Veja, edição 1.394, página 23: “O segredo dessa estratégia é semear o medo da demissão em todo mundo. Numa refinaria todos se conhecem. Se um funcionário exemplar é demitido, quem está em dúvida quanto à determinação do governo vai pensar duas vezes antes de aderir”. Estratégia também exercida, no ano 2000, na frustrada tentativa de mudar o nome da Petrobras para Petrobrax, na vã esperança de que, com um nome estrangeiro, não fosse ela mais defendida pelos brasileiros.

Não é obra do destino o então presidente da Petrobras ter integrado, em ministerial posição de destaque, a equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso. Não é coincidência a repetição da política de desmonte da Petrobras, a venda de seus ativos e entrega do pré-sal ao capital internacional. Não se pode atribui ao acaso o ”acordo” de US$ 2,95 bilhões para encerrar ação coletiva em benefício de “investidores estrangeiros”, que corria em Nova York. Não tem outra causa a atual política de diminuir a produção nacional e aumentar a dependência brasileira através de estranhas importações estadunidenses.  Não é outra a motivação de se aumentar os lucros dos “investidores internacionais” com a precificação volátil dos combustíveis, ainda que tal prática traga como consequência a destruição da economia nacional.

O petróleo deve ser compreendido como uma riqueza do país, para que se possa, com os recursos dele oriundos, retirar os nossos atrasos, os atrasos educacionais, de infraestrutura e os que provocam em muitas Nações alta concentração de renda. Em consequência, o lucro da Petrobras deveria ter como fundamento a lucratividade social do Brasil, e não o aumento das riquezas pessoais que se disfarçam em nomes sem rostos, apelidados de “mercado” e “investidores”.

A Petrobras e o petróleo devem pertencer ao povo brasileiro, como advertira o escritor?Monteiro Lobato, na famosa?Carta a Getúlio, em que afirmava ser um escândalo o Brasil não perfurar e não deixar que perfure. A Petrobras completará 65 anos no dia 03 de outubro de 2018, exatamente no dia em que o Brasil escolherá os seus novos governantes entre candidatos nacionalistas e entreguistas. Como se vê, a estrada ainda é longa e árdua!


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Por Kleber Santos
27/05
14:18

O Painel de Porto da Folha: Além dos traços e das cores

José Paulino da Silva
Professor Emérito da UFS

Há cerca de duas semanas fiquei sabendo pelas redes sociais e agora, mais recentemente pela imprensa sergipana que o padre Melchizedeck, atual pároco da Igreja de Porto da Folha, município mais antigo do sertão sergipano, está querendo destruir um painel existente no fundo do altar-mor daquela Igreja.  O painel, datado de 1970, é de autoria do franciscano Frei Juvenal Vieira Bomfim. A obra de arte retrata a vida laboriosa do povo sertanejo: vaqueiros tangendo o gado, homens carreando carro de bois, outros trabalhando na enxada, mulheres fazendo renda, pessoas trabalhando em lagoas de cultivo de arroz, professora dando aula. Cenas da vida interiorana que tem como centro a representação do Espírito Santo e Jesus com o seu Coração Santo e Amoroso. Enfim, o artista traduziu com muita beleza uma importante ideia: Igreja, mais do que quatro paredes, é o povo de Deus que caminha em meio aos seus afazeres cotidianos e assim constrói um mundo melhor. 

O contexto histórico em que aquela obra foi feita, início da década de setenta, era um dos momentos em que a Igreja Católica se encontrava mais engajada na defesa do povo pobre e oprimido da América Latina. Com a realização do Concilio Vaticano II (em 1962) e a Conferência Episcopal dos Bispos da América Latina, ocorrida na cidade de Medelín (Colômbia) em 1968, a Igreja Católica consolidou  sua pregação e sua prática pastoral focada na opção preferencial pelos pobres. Esta opção acarretava um profundo compromisso transformador para o cristão como membro mais atuante na sociedade em que vivia. Como diz Leonardo Boff “para o cristão não é suficiente a pura fé, mas a fé que se mostra libertadora das servidões aqui na Terra”.

Em nenhuma época da história da Igreja desde o descobrimento das Américas, esta instituição religiosa reuniu em suas fileiras tantos bispos e padres comprometidos com a defesa do povo pobre e oprimido do continente latino americano. Dom Helder Câmara (PE), Dom Evaristo Arns (SP), Dom José Maria Pires (PB, Dom Pedro Casadaglia (TO), Dom Fragoso (CE), Dom José Vicente Távora e Dom José Brandão, ambos de Sergipe, são alguns nomes do episcopado que acreditavam e pregavam que a salvação do cristão não é assunto para depois da morte. A salvação começa com a libertação de tudo aquilo que o oprime aqui na Terra.

O painel em questão permite que se veja além de suas formas e suas cores. Segundo analistas, aquela obra artística traduz toda uma época de efervescência da Igreja inspirada nas Comunidades Eclesias de Base. Na década de 1970, o governo brasileiro mantinha com mãos de ferro uma forte repressão coa o povo e seus líderes populares. Era um período nebuloso que envolvia numa espécie de manto de trevas, a sociedade com suas instituições. Neste período, as dioceses daqueles bispos corajosos tornaram-se fortalezas de esperança para os que eram perseguidos. A diocese de Propriá fazia parte da ala corajosa e atuante da Igreja Católica do Nordeste. Quantas vezes o bispo Dom Brandão se posicionou firmemente em defesa da justiça social e dos direitos humanos do seu povo! Quero crer que os religiosos que pretendem demolir o painel não estejam devidamente conscientes da história de luta do povo daquela diocese na qual se insere a Igreja de Porto da Folha.

É de se perguntar: Naquele ano em que o painel veio à lume, onde estariam estes religiosos que querem destruí-lo? Mas, certamente, fizeram seu curso de Teologia como exigência de sua formação seminarística. Tanto o padre quanto o bispo, quando estudaram Direito Canônico devem ter aprendido que, uma paróquia não é propriedade de um pároco e nem a diocese é propriedade de um bispo. O painel da Igreja de Porto da Folha, portanto, não é propriedade do padre Melchizedeck, nem  pertence ào bispo Vitor Menezes. Trata-se de um bem material e imaterial que constituiu um patrimônio histórico-cultural do povo de Porto da Folha.

Afinal, por que querem destruir o painel? Informações que têm chegado até ao meu conhecimento, querem destruir o painel porque não gostam daquela pintura. Melhor dizendo, não concordam com a mensagem explícita nas imagens ali contidas. Destruir uma obra de arte porque não concordam ou não gostam de sua mensagem é um péssimo exemplo de obscurantismo. Uma ofensa grosseira à história da fé comprometida de um povo que teve à frente um bispo respeitado como Dom |José Brandão. Imaginem se cada papa que não concordasse ou não gostasse de alguma obra de arte da Capela Sistina mandasse destruir aquela obra, por exemplo, o painel do Juízo final!

A destruição do painel da Igreja de Porto da folha, não é uma querela paroquial que acabará se o painel for extinto. Se tamanha ofensa ao povo de Porto da Folha vier a se concretizar, o que não acredito que aconteça, esta atitude dos eclesiásticos abrirá um profundo fosso entre eles e o povo da região sertaneja, incluindo os fiéis da diocese de Propriá. Não há castigo pior para um pastor do que sentir-se só em meio ao seu rebanho!

Aprendi com minhas leituras sobre problemas que afetam a vida dos padres e bispos, que se eles não tiverem a humildade e a coragem de caminharem junto ao seu povo, mais cedo ou mais tarde a solidão virá ao seu encontro. Cairão no ostracismo que pode leva-los ao vazio espiritual e a outros problemas de degenerescência humana. Por uma questão de humanidade e de piedade cristã torço para que esta município de Porto da Folha, o Conselho de Cultura e o Departamento de Patrimônio do Estado, o Departamento de História da UFS, cada um dentro de suas competências se somem para salvar o painel em questão. E assim ajudem a estes religiosos a remover suas decisões, deixando intacta aquele painel, que pertence ao patrimônio cultural, histórico do povo de Porto da Folha.

Doutor em Filosofia e História da Educação


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Por Kleber Santos
25/05
20:56

Gratidão e transparência

Angelo Roberto Antoniolli – reitor da UFS

 

Ao longo de alguns meses, foram veiculados vários artigos na imprensa sergipana em agradecimento e reconhecimento ao apoio de parlamentares federais – senadores e deputados –, à UFS, independente da filiação partidária deles, pois se entende que a gratidão é um sentimento que não deve conhecer barreiras ou ideologias.

Em razão da natureza do cargo, o reitor da UFS não apoia especificamente nenhum candidato a cargo eletivo, seja ele qual for, nem defende bandeira ou posição partidária de ninguém.

A UFS e os seus representantes não podem ser vítimas dos discursos de ódio e intolerância de quem quer que seja.

A crítica construtiva e o debate plural e democrático são fundamentais no ambiente universitário e na própria sociedade, mas, não deve ter lugar para a crítica desonrosa e vil.

As manifestações públicas de agradecimento realizadas pelo reitor demonstram a transparência com a qual a gestão da Universidade Federal de Sergipe tem administrado a coisa pública, e assim continuará ocorrendo. Nada se faz nem se fará às escondidas, sob o manto da covardia.

Nos últimos anos, a Universidade Federal de Sergipe foi contemplada com ações de homens públicos que demonstraram reconhecer a nossa luta e a causa pelo crescimento da nossa instituição de ensino.

Somos gratos à toda bancada federal de Sergipe, mas destacaríamos os deputados Adelson Barreto, André Moura, Fábio Reis ,Jony MarcosJoão Daniel e Valadares Filho, os senadores Eduardo Amorim e Antônio Carlos Valadares e ainda o ex-governador
Jackson Barreto. Ao apresentar e defender a liberação de recursos para a UFS, todos defenderam interesses de Sergipe.

A UFS é maior do que quaisquer discursos raivosos que, porventura, venham a atingir maldosamente quem a administra. E será sempre assim.



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Por Eugênio Nascimento
25/05
10:54

“É hora da greve geral e de tomar as ruas”

Vera Lúcia  -  Pré-candidata a Presidente da República pelo PSTU 


O jogo de cena do Temer vampiro com alguns falsos representantes dos trabalhadores caminhoneiros não deu certo.  A greve segue em todo o país. Reforçamos nosso apoio e solidariedade à greve e fazemos um chamado ao conjunto da classe trabalhadora brasileira a se unir: é hora da greve geral e de tomar as ruas.

 

Essa mobilização dos caminhoneiros se soma a várias lutas que estão ocorrendo. É hora de unificar essas lutas, construir uma pauta comum que some as justas reivindicações dos caminhoneiros com às dos demais trabalhadores e chamar uma Greve Geral que pare o Brasil. Para baixar o preço do combustível, mas também para baixar o preço do gás de cozinha.

 

A crise que está sendo jogada nas costas dos trabalhadores faz com que muitas famílias tenham que voltar aos fogões a lenha para cozinhar. Isso é reflexo da política de privatização da Petrobrás, levada a cabo pelos governos do PT e aprofundada pelo governo-zumbi Temer.

 

A alta dos preços é causada pela política de privatização da Petrobrás. O governo tenta privatizar e desnacionalizar o refino, vendendo só óleo cru para fora. Quatro refinarias estão na mira da privatização. A serviço dessa política, a direção da empresa, do PSDB, estabeleceu uma política de reajustes diários de acordo com a variação do câmbio e dos preços internacionais.

 

É preciso reestatizar a Petrobrás e coloca-la sob o controle dos trabalhadores e não de políticos corruptos, que produza para a população e não um punhado de acionistas da bolsa de Nova Iorque.

 

A greve geral está na ordem do dia. As centrais sindicais, em particular a CUT e a Força Sindical, devem atender ao chamado da CSP Conlutas para a construção da greve, que paute o fim do desemprego em massa, que lute pela redução da jornada de trabalho sem a redução dos salários; que revogue a reforma trabalhista que só precariza direitos e aumenta o desemprego; contra qualquer tipo de reforma da Previdência; que revogue o teto dos gastos públicos. E para botar pra fora Temer já!

 

Nas lutas dos trabalhadores em defesa de seus direitos e reivindicações, continuaremos fazendo um chamado à rebelião e defendendo um projeto socialista. Para mudar de vez essa situação, impedir a entrega do país, acabar com o desemprego, com a violência, com a corrupção e garantir condições dignas de vida para a maioria, será preciso derrotar os de cima (os banqueiros e as grandes empresas multinacionais e nacionais) e conquistar um governo socialista dos trabalhadores que governo por conselhos populares.

 

 



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Por Eugênio Nascimento
23/05
07:57

Frei Vidal da Penha

Geraldo Duarte*
Advogado 

Oriundo da província de São José de Leonise, Itália, o missionário conhecido por Frei Vidal de Frescollero ou Vitale de Frescorello, depois de peregrinações em Rodelas, Bahia, encaminhou-se a serra Baixa Verde, hoje Triunfo, município de Pernambuco, no início de 1803.

Acompanhado de índios Cariris, o capuchinho conseguiu a doação de terreno do senhor Domingos Pereira Pita. Ali, fixou morada e fez o aldeamento dos silvícolas.

Em novembro daquele ano, concluída a missão, transferiu a responsabilidade do empreendimento para o irmão capuchinho Frei Ângelo Maurício Niza, conterrâneo vindo do Piemonte.

Vitale, mais tarde, rumou a Cabobró. Em seguida, destinou-se a Recife e ingressou no Convento de Nossa Senhora da Penha. A partir de então, adotou o nome ritualístico de Frei Vidal da Penha e, como devoto das Dores de Maria Santíssima, deu-se às romagens denominadas Santas Missões.

Considerado profeta e paranormal, ante suas vaticinações catastróficas e impressionantes, chegou a ser comparado com Michel de Nostredame (1503-1566), popularmente denominado Nostradamus.

Assim, o Nordeste dos séculos XVIII e XIX incorporou mais um pregador sertanista, divulgador de alegorias e crendices, dado o misticismo religioso arraigado nas populações interioranas.

Dentre as cidades visitadas pelo franciscano, destacaram-se Recife, Cabobró, Triunfo (PE); Fortaleza, Santana do Acaraú, Ibiapaba, Sobral, Meruoca, Itapajé, Bela Cruz, Crateús, Aracati, Icó e Independência (CE) e São Rafael (RN).

Em seguintes artiguetes, o historiar de alguns dos cataclísmicos vaticínios do vidente.

*Administrador e dicionarista.


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Por Kleber Santos
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