08/10
14:55

Sereia de US$ 1 milhão

Um milhão de dólares americanos, quase quatro milhões de reais, a quem se habilitar. Quer melhor em superação de crise? Vamos ao “como” ganhar.

No nascer da navegação, já os marujos noticiavam visões imaginárias e míticas de entes e monstros marinhos. A tradição vocalizada da realidade desses seres viajava pelos mares e portos.

Os babilônicos, em 2000 a.C, idolatravam o deus Ea, representação hibrida de homem e peixe.

Homero (século XVII a.C.), na Odisséia, narra que Odisseu tamponou com cera os ouvidos dos marinheiros e amarrou-se no mastro do navio, para ouvir o cântico das sereias, sem poder delas se aproximar. O poeta, no poema, as referia mulheres dos grandes dragões marinos.


Na mitologia grega, eram filhas do rio Achelous e da musa Terpsícore e habitavam entre a ilha de Capri e a costa da Itália.


No século I, Caio Plínio Segundo, mais conhecido por Plínio, o Velho (23-79), dedicou literatura sobre as nereidas, ninfas viventes e adoradas dos oceanos.


Lenda da ilha de Guam conta que a mãe de inda jovem amaldiçoou-a a virar peixe. Por intervenção da avó, só a metade do mal ocorreu, a moça tornou-se
protetora dos navegantes e tratada por sirene, espécie de sereia.


O “peixe-mulher”, da Guiné, descrito com “cara de besta feia e disforme” e “corpo de mulher” é mito tradicional dos marítimos.


Aborígenes australianos, além de crerem existentes, afirmavam belos e hipnóticos seus cantos.


Cristovão Colombo (1451-1506), navegador italiano, no Haiti em 1493, garantiu ter visto sereias e destacou três formas femininas deparadas nas Caraíbas. E relatou: “Elas não eram tão bonitas como pareciam ser nas pinturas, embora até certo ponto, tinham uma aparência humana na cara.”.


Ulisse Aldrovandi ou Aldrovandus (1522-1605), naturalista italiano, em tomos de história, destinou privilegiado espaço às sereias.


O aventureiro mercante Sir Richard Whitburne (1561-1635), ao descobrir a Terra Nova, em 1610, registrou a visão de uma. E, novamente em 1620, na beira da
baia de St. John, outra. Descreveu-a de bonito rosto, “com listras azuis no lugar do cabelo” e cauda “como uma flecha de farpas largas”.


Os documentários “Sereias – A maior evidência de sua existência” e “As Sereias – A nova evidência”, divulgados no Discovery Channel e Animal Planet,
exibindo cenas e sons de humanóides aquáticos, feitas por cientistas nos estudos em águas profundas, trazem discussões relativas à temática.


“... uma imagem extremamente convincente da existência das sereias, aparência que têm e por que permaneceram ocultas... até agora.” – registra o primeiro canal.


Há sereiologistas asseverando as evoluções a partir da árvore genealógica humana primitiva.


Submetido o assunto à Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera (NOAA), em face dos vídeos mostrados no site do Serviço Nacional Oceanográfico (NOS), houve negativa quanto à existência de sereias.


Ao pensar dos órgãos, as “lendárias criaturas fazem parte da cultura marinha oral desde tempos imemoráveis”, sendo “questão para historiadores, filósofos e
antropológicos”.


Ah! Voltemos ao início do artigo, oferecendo dica aos ledores interessados a embolsar a grana.


Na cidade costeira israelense Kiryat Yam, várias pessoas informaram avistar a “mulher-peixe” no mar, atraindo curiosos.


A emissora TV Sky News divulga e o jornal Israel Nation News, edição de 5/6/2013, publica: “a cidade de Kiryat Yam está oferecendo um prêmio de um
milhão de dólares para quem conseguir obter uma imagem da sereia.”.


Ninguém recebeu o desejado prêmio, portanto...


Via: Jornal da Cidade
Autor: Geraldo Duarte / Advogado, administrador e dicionarista



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Por Redação
03/10
15:46

Irreverente Tio Pio

Irreverente, boêmio, poeta satírico, chistoso, tropeiro, delegado, merceeiro, tabaquista, bebedor de tragos e causoeiro. Assim viveu Pio Carvalho Brito, tio-avô do coronel da Polícia Militar, professor da UECE e escritor Ronald Brito.

Em livreto dedicado ao ancestral, narra suas peripécias de viagens por nossa terra e paragens outras.

Sendo homem da lei, nunca prendeu ninguém. Na bodega sempre lotada, não de fregueses, mas de desocupados, citava feitos.

Perto de quem come e longe de quem labora, parecia-lhe lema. Carvalhinho, seu genitor, admoestou-o no sentido de trabalhar, recebendo resposta que se tornou realidade: “Deixe estar, meu pai! Eu vou-me casar para não precisar trabalhar.”. Casou-se com moça rica e prendada.

Abriu farmácia em Bodocó, onde além de vender, preparava fórmulas.

Um senhor se queixou de sentir um “bolo no estambo”. Pio desconfiou ser gases e preparou um “xarope espumante”: limonada e bicarbonato de sódio. Entregou a manipulação, usando a denominação popular de flato e garantiu: “que ele sai ou tora pelo meio!”.

Vindo do sítio, descavalgou num boteco da vila, objetivando “queimar o dente” e deu-se a contar causos. Passou da medida e, na hora de montar, risada geral. “Meu tio, está montando ao contrário!” – disse alguém e logo ouviu: “Por isso eu estava achando este diabo enfreado!”.

Em andanças no Sudeste, assistiu aos desentendimentos políticos entre estados. Ao retornar, perguntado pela situação lá, respostou: “Uma ‘greve’ de santo danada. São Paulo se revoltou contra Santa Catarina e para resolver a ‘coisa’ foi preciso à intervenção do Espírito Santo!”.

Autor: Geraldo Nascimento; Advogado e administrador 



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Por Redação
29/09
12:30

A Europa foi Hitler e Mussolini. E o Brasil?

 Muitos livros têm o péssimo hábito de nominar, elogiar ou responsabilizar uma única pessoa por acontecimentos históricos, mesmo quando eles são praticados coletivamente ou por meio de um emaranhado de infindáveis atos e múltiplas ações. É como se toda a complexidade da vida em sociedade pudesse ser definida por uma só pena escritora, independentemente da criação coletiva que inspira, motiva, ensina ou colabora com o artista eleito condutor da narrativa anotada. Assim, apontam Hitler e Mussolini como escritores exclusivos das páginas mais violentas, genocidas, intolerantes, racistas e obscuras da história contemporânea.

Esses personagens são registrados no “túnel do tempo” como desprezíveis espécimes que impuseram o nazifascismo no dicionário político internacional. Indica-se que eles, por exclusivos predicados individuais, conquistaram o cobiçado “Cinturão do Terror”, especialmente por terem promovido, em suas respectivas categorias, o extermínio, o assassinato, a perseguição, a intolerância e a propaganda da supremacia racial à milhões de judeus, comunistas, trabalhadores, religiosos, negros, gays e opositores às suas ideias. Além de terem patrocinado a Segunda Guerra Mundial.

A pessoalidade pela conquista do repugnante título, entretanto, não encontra amparo na leitura mais aprofundada dessas mesmas páginas. No mundo coletivizado alemão e italiano, Hitler e Mussolini conquistaram aliados, reuniram conluiados dos mesmos pensamentos, arrebanharam ódios comuns, arremataram a paixão de milhões e milhões de eleitores, motivando-os a também entrarem no ringue do desprezo à pessoa humana tida como diferente.

Esses cúmplices, não raro, transformaram os seus punhos e garras sem qualquer pudor ou remorso, em armas postas à disposição dos ditadores que tanto amavam. E amavam porque também professavam os mesmos quereres, os ódios propagandeados e a supremacia racial declamada em versos e prosas.

O Brasil, repentinamente, como no prelúdio da tragédia europeia, se vê inundado por mensagens de ódio, machismo, racismo, homofobia, misoginia, preconceitos regionais e toda forma de intolerância para com aqueles ou aquelas que consideramos “diferentes”. Inimigos imaginários são criados e mentiras são repetidas como verdades, fazendo ruborizar até mesmo Joseph Goebbels, o ministro da propaganda nazista.

Essas mensagens são criadas ou repassadas por vários moralistas assumidos, religiosos ativistas, pessoas comuns tidas de bem, membros de famílias respeitáveis, parte da classe trabalhadora e desempregados, fardados e não fardados, profissionais que integram a advocacia, medicina, engenharia, economia e diversos outros ramos, enfim, grande parcela da população brasileira. Não raro, a essas mensagens são acrescidos comentários pessoais, concordantes ou até estimuladores de mais ódio.

Hoje, o povo alemão reconhece que Hitler não implantou o nazismo sozinho, assim como os italianos compreendem que Mussolini não espalhou o fascismo pelo mundo comandando um exército em que era simultaneamente o único oficial-soldado. Sabem que todos eles foram eleitos, apoiados e estimulados pela maioria dos homens e mulheres de seus países. Aceitam que, embora os livros, diplomaticamente, escrevam sobre a culpabilidade dos dois vilões pelos graves crimes cometidos contra a humanidade, o nazismo e o fascismo não teriam prosperado se não tivessem habitado os corações de milhões e milhões de congregados nazifascistas. Conhecem, sabem, compreendem, aceitam e lutam para que a tragédia humanitária nunca mais se repita.

Agora o que nazismo e o fascismo voltam a bater em suas portas, os europeus os têm enfrentado, relembrando o holocausto, denunciando os saudosistas e não hesitando em promover frentes de resistência democráticas. Eles não mais aceitam a teoria da “delegação da responsabilidade pelo crime” ao líder autoritário e dizem, sem pestanejar, que os novos nazifascistas são e serão responsáveis pelos atos praticados pelo “escolhido”. Não querem mais sofrer, em consequência da permissividade ou omissão, qualquer complexo ou sentimento de culpa por terem escolhido mal.

Tampouco querem ser outra vez lembrados por terem apoiado ou concordado com o governante enquanto a “prosperidade” sorria para cada um deles, mesmo quando sabiam ou suspeitavam de que outros morriam, sofriam ou eram agredidos para que fossem “felizes”.

E o Brasil?

Artigo originalmente publicado em: https://congressoemfoco.uol.com.br/



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Por Eugênio Nascimento
20/09
07:57

Canal do Panamá

Geraldo Duarte*

1958. Colégio Lourenço Filho. Aula do professor de Geografia João Hipólito Campos de Oliveira. Tema: Canal do Panamá.

Depois, o Instituto Brasil - Estados Unidos (IBEU) exibiu filme, no auditório do Colégio, narrando a história da construção da obra.

Imaginada pelo colonizador do Panamá Vasco Núñez de Balboa, no século 16, somente teve início com os franceses em 1880. Problemas de engenharia e a mortandade de perto de 20 mil trabalhadores, vítimas da malária e febre amarela, levaram a França a parar os serviços.

Os USA assumiram a empreita em 1904 e, em 15/08/1914, inauguraram o Canal. Mais de 5 mil operários faleceram nessa fase.

Ligando o Atlântico ao Pacífico, com 77,1 km de extensão, suas eclusas elevam ou baixam embarcações, compensando os 26 metros de desnível entre aqueles oceanos.

O S.S. Ancon, na data inaugural, foi a primeiro navio a atravessá-lo. Já o Norwegian Blis, de 168.800 toneladas brutas, capacidade de 5 mil pessoas, medindo 325,9 metros de comprimento, 41,4 de viga e 8,3 de calado, até o presente, é o maior na travessia.

A transposição, dura de 8 a 10 horas, evitando um trajeto de 20 mil km que seria necessário para contornar o extremo da América do Sul.

Cerca de 14 mil barcos, anualmente, fazem a passagem. Quase 30 mil empregos, sendo aproximados 10 mil diretos, participam da movimentação de 9 US$ trilhões em mercadorias transportadas.

Mês passado, viajando ao Canadá, fiz conexão de um dia na Cidade do Panamá, visitei o Canal nas eclusas de Miraflores, onde há, também, um museu sobre aquela maravilha do mundo moderno.

Realizado, assim, sonho de sessenta anos.

*Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.  


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Por Kleber Santos
17/09
09:07

Campus do Sertão e impulso desenvolvimentista

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

A luta da Universidade Federal de Sergipe para a instalação e a consolidação do Campus do Sertão, todo ele voltado para cursos nas áreas agropecuária e agroindustrial, tem como razão maior de ser a consciência de que o desenvolvimento e o progresso de uma região começam com o processo educacional. Não é admissível que, na segunda década do século XXI uma região tão sofrida como a sertaneja ainda passe por percalços que a afligem desde os tempos remotos. 

A região sertaneja sergipana não deve ser condenada a continuar presa ao subdesenvolvimento, quando a sua população é trabalhadora, corajosa e esperançosa de que os tempos e as situações mudem para melhor. A região, como todos sabem, destaca-se não apenas na produção de cereais, mas, também, na produção de carne, leite e seus derivados, com rebanhos que se afirmam dentre os maiores e melhores do estado: bovinos, caprinos e ovinos, notadamente.

O Campus do Sertão não é mais um sonho. É, sim, uma realidade, mas, que precisa de consolidação. Para tanto, a EMBRAPA nos cedeu, por 20 anos, uma área de terra de 70 hectares, dentro de sua fazenda experimental situada entre os municípios de Nossa Senhora da Glória e Feira Nova. Ali deverá ser construído o referido Campus, que, por ora, funciona provisoriamente na cidade de Glória. 

Professores qualificados e alunos animados, que, na sua maioria, têm origem na própria região, aguardam, ansiosos e confiantes, por gestões de quem nos possa ajudar a conseguir a liberação de recursos federais para a implementação das primeiras obras, que dizem respeito à parte de infraestrutura, como pavimentação da área a ser edificada, iluminação, rede de esgotamento sanitário, rede de escoamento de águas pluviais etc. A partir dessa infraestrutura, no segundo momento, virão as obras dos prédios administrativos, didáticos e técnicos (laboratórios, matadouro modelo etc.). 

A população de todo o sertão-norte de Sergipe precisa dos efeitos da educação superior ali inserida, a fim de concorrer para o aprimoramento das práticas utilizadas no manejo do solo, para incrementar a produtividade das lavouras ali cultivadas, na otimização dos rebanhos e no aprimoramento da indústria rural tão presente em alguns municípios. 

A sociedade sertaneja terá a sua face mudada. Até mesmo questões urbanísticas e ambientais passarão a ser tratadas de forma mais eficiente. Um Campus Universitário é um ganho ímpar para qualquer localidade. E quando tal Campus é voltado para as vocações produtivas locais, o ganho é ainda mais alentado. Os profissionais formados no Campus do Sertão, originários dali mesmo, serão os semeadores de um novo tempo, empregando as técnicas aprendidas para mudar definitivamente a face de uma região que precisa espancar de uma vez por todas a miséria que ainda rondam muitas famílias e minorar a pobreza, que ainda é gritante em muitos casos. Filhos da terra bem formados para formarem uma nova terra. 

O que nos falta, concretamente? Recursos financeiros. De onde eles poderão vir? Unicamente do orçamento da União. E quem nos poderá ajudar? Os nossos parlamentares federais, alguns dos quais já têm nos ajudado de forma reconhecidamente extraordinária em várias das nossas atividades. 

Para as obras de infraestrutura acima mencionadas, os recursos necessários giram em torno de R$ 8.000.000,00 (oito milhões de reais), a serem desembolsados paulatinamente. Porém, será preciso que os desembolsos tenham início ainda este ano, considerando-se as dificuldades para iniciar uma obra dessa importância no início do próximo ano, ou seja, no início de um novo governo. Iniciando-se agora, a sequência ficará muito mais fácil. E o sertão já esperou demais. 

Este é o momento para algum dos nossos parlamentares federais, deputado ou senador (a) tomar a dianteira e, assim, apadrinhar estas obras, que se constituirão no pilar para a arrancada da consolidação do Campus do Sertão e, por conseguinte, do próprio processo de desenvolvimento e progresso do sertão sergipano. 

A Universidade Federal de Sergipe completou 50 anos, devidamente integrada à sociedade sergipana e a sua história. A arrancada desenvolvimentista do nosso estado teve suas bases muito mais fincadas a partir da instalação da UFS, em 1968, comprovando-se, sobejamente, o quanto é importante e valioso o processo educacional para levar adiante as aspirações do povo e para atender as suas vitais necessidades. 

Haveremos de, em nome dos nossos professores, técnico-administrativos e alunos do Campus do Sertão, mas, também, de toda a população sertaneja, das autoridades e lideranças políticas, econômicas e comunitários de toda aquela região, bater às portas dos nossos representantes no Senado e na Câmara dos Deputados. Tais portas jamais se fecharam para a Universidade Federal de Sergipe. E temos convicção de que, no mínimo, uma delas, agora, nós a encontraremos aberta. 

O Campus do Sertão da UFS será, sem dúvida, o motor propulsor das mudanças sociais e econômicas que o povo sertanejo tanto espera, quanto merece. Lutaremos. E temos convicção de que a nossa luta não será em vão. 


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Por Kleber Santos
13/09
10:48

Arroto choco

Geraldo Duarte*

Zeca Vaqueiro vinha, nos últimos tempos, amofinado e tristonho pelos cantos da morada. Nem aboiar, sua paixão, dava ânimo.

Bastava alimentar-se, em pequena ou grande quantidade, e sofrer o que jamais sentira em seu viver. Aos vizinhos e amigos contava os sintomas. Chás e mezinhas de todos os tipos usou. Rogou milagres, com promessas a realizar, aos santos e santas. Mas alívio, que era bom, nada. A queixa continuava a mesma.

“Premêro u’a gastura danada na boca. Adispois, u’a dor da molesta bem no entre peito. E aí, u’a água quente e fedorenta subindo da boca do estombo inté a guéla, queimando tudo lá dentro. É o diacho atanazando este fiel cristão!”.

Até que, não mais resistindo, desceu a serra e foi consultar-se no posto saúde da cidade.

Ao médico, relatou aquele padecer, inclusive, usando mímica no complementar de cada detalhe.

Depois de meticuloso exame e perguntas, o doutor diagnosticou a enfermidade como refluxo. Medicou comprimidos a serem ingeridos durante quinze dias. Recomendou tomar com “constância” e, quando o medicamento terminasse, voltasse, trazendo a receita e informando o resultado.

Zeca apanhou o medicamento e retornou para casa.

Passada uma semana, procurou novamente o clínico, dizendo que remédio havia acabado.

“Impossível! Você recebeu trinta unidades e recomendação de ingerir duas diariamente, portanto, não findariam em sete dias.”.

O respostar veio imediato: “O dotô num diche qui eu tumasse cum Constança? A muié, mermo sendo muito teimosa, tomô a força bruta, mais tomô! Cuma si vê, prus dois só deu pra u’a sumana! Vim buscá mais!”.

Coitada de dona Constância...
 
 *Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista


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Por Kleber Santos
01/09
15:18

Sergipe avançará com trabalho

Edvaldo Nogueira
Prefeito de Aracaju


Já afirmei várias vezes, desde o início do meu atual mandato, que minha intenção, ao decidir pelo retorno à disputa eleitoral e, com o aval da população, ao comando da Prefeitura de Aracaju, foi transformar a realidade da cidade, através de uma nova forma de fazer política. Assim tenho agido em todos os momentos. Por isso, não seria diferente agora quando declaro o meu apoio a Belivaldo Chagas para o governo estadual.


Entendo que o quadro político atual local e nacional exige de nós um posicionamento muito claro, sem subterfúgios. Lógico que diante do trabalho que venho realizando na cidade, dos avanços que já são sentidos por todos, eu, que ainda tenho dois anos e quatro meses de mandato, poderia me abster de participar do pleito e esperar o resultado final. Mas este não é o meu perfil.

Sempre me posicionei claramente. E o fiz desde que comecei a minha militância política no PCdoB, na década de 1980. Na eleição deste ano, não poderia ser diferente, porque entendo que o projeto iniciado por Marcelo Déda e que agora está nas mãos de Belivaldo Chagas, trouxe progresso para Sergipe, mas o ciclo de desenvolvimento que ele representou se encerrará em dezembro deste ano.

É preciso agora que este projeto passe por uma atualização, para enfrentar as dificuldades do presente e preparar o Estado para o futuro. Sergipe precisa se abrir para um novo ciclo, com uma nova matriz de desenvolvimento econômico, com novas estratégias, mais inclusão social, mais geração de emprego, racionalização da máquina pública, um severo programa de redução de despesas e foco no investimento que atenda as necessidades do cidadão.

Por isso, na última quinta-feira, 30, no ato que realizamos no Iate Clube, com a presença de mais de 3 mil pessoas, oficializei o que já havia verbalizado em declarações diversas: meu apoio integral ao projeto que está em curso em Sergipe. Mas não foi uma simples adesão. Naquele evento, apresentei ao candidato a Carta de Aracaju, documento que reuniu os pleitos principais do município à futura administração estadual.

Aracaju é o motor do desenvolvimento de Sergipe, por isso deve ser ouvida pela gestão estadual para a construção das políticas públicas. E mais do que isso: deve ser incluída nas definições das ações do futuro governo em áreas estratégicas, como Segurança, Saúde, Educação, Desenvolvimento Urbano e Turismo. Como capital e concentrando as principais atividades da vida econômica, política, social e cultural, Aracaju desempenha papel decisivo para os novos rumos e caminhos futuros.

Diante desta realidade, decidi que era preciso pactuar com Belivaldo uma pauta conjunta de ações, em favor do nosso povo. Ele concordou e se comprometeu com aquilo que expus na Carta. Assim, Aracaju ocupará o lugar que merece na agenda do futuro governador. Assim como fizemos na capital, ao assumir a administração em 2017, é preciso, de maneira arrojada e pensando fora da caixa, encontrar novas soluções para os velhos problemas do nosso Estado.

Enfrentei, ao lado de uma equipe muito competente e focada, todas as dificuldades da etapa da reconstrução da cidade, priorizando a regularização dos salários dos servidores e garantindo o funcionamento dos serviços públicos essenciais, como a limpeza, a educação e a saúde, além de iniciar um programa ousado de retomada de obras. Agora, num novo momento de avanços, temos trabalhado firme no projeto de construção de uma Aracaju inteligente, Humana e Criativa.

Não há receita pronta, mas é preciso disposição e planejamento para que Sergipe supere este momento de dificuldades e volte a crescer. Belivaldo possui a melhor plataforma de gestão para Sergipe e é capaz de levar o Estado novamente ao desenvolvimento. Para isso, Sergipe tem que descobrir sua vocação, encontrar seus caminhos e com a participação da sociedade organizada, da iniciativa privada, das universidades, enfim de toda a população, iniciar um novo ciclo de crescimento econômico, progresso social e distribuição de renda. Como escreveu Fernando Pessoa, navegar é preciso.



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Por Eugênio Nascimento
05/08
14:56

Um ganho coletivo

Angelo Roberto Antoniolli
Reitor da UFS

No decorrer da semana que se finda, a imprensa e as redes sociais deram ênfase à história de um aluno do curso de Medicina da Universidade Federal de Sergipe, no Campus de Lagarto, que chegou à conclusão da etapa do ensino superior. Prepara-se, pois, para a colação de grau. Trata-se de João Santos Costa, cuja história comoveu quem dela teve conhecimento. João é negro, natural do interior de Simão Dias, vem de uma família pobre e recentemente fez uso da internet para contar a sua história e tudo que enfrentou até chegar ao término do curso, cuja formatura dar-se-á no mês de setembro. Aplausos para João e votos de muito sucesso na vida profissional que se avizinha. Bravos, João! Bravos, Doutor! 

A história de João Santos Costa repete-se por centenas ou milhares de histórias. Muitos jovens pobres, rapazes e moças, podem contar uma história parecida com a do João. Nos mais diversos cursos e nos vários Campi da UFS. Eles vêm das chamadas cotas reservadas para os alunos das escolas públicas e para determinadas minorias ou camadas sociais até bem pouco tempo excluídas do ensino superior. Por exemplo: quantos egressos da escola pública conseguiam lograr êxito nos vestibulares realizados pela Universidade Federal de Sergipe? Quantos negros, pardos, índios ou portadores de necessidades especiais o conseguiam? E quantos adentravam nos cursos de mais procura ou mais cortejados pela sociedade, como Medicina, Direito, Engenharias etc.? As estatísticas mostravam números residuais. E assim o era nas demais Universidades federais ou noutras públicas, como as estaduais, onde elas existem. 

As famílias mais pobres, que não podiam pagar escolas mais qualificadas para os seus filhos e filhas estudarem, não conseguiam vê-los (as) portando facilmente um diploma do ensino superior. A exclusão era grande e absolutamente injusta. Afinal, as escolas públicas de ensino superior são custeadas pelos recursos públicos que advêm dos tributos que todo o povo paga. Mas, nem todas as camadas da população, no geral, viam os seus jovens nas universidades públicas. Todos pagavam e pagam tributos, mas, nem todos podiam deles usufruir em termos de educação superior. 

As camadas mais abastadas da população, que podiam pagar as melhores escolas para os seus filhos, viam-nos acabarem ocupando a maioria esmagadora das vagas nos cursos superiores mais concorridos. “Aos melhores, o melhor”.  Esse era o jargão. Melhores, não. Mais preparados pelas boas escolas do ensino básico, fundamental e médio. 

As cotas causam urticária em muitas pessoas. Estas requerem as vagas das cotas para os seus filhos que estudam nos colégios “top” de linha. Os que nasceram em berços de ouro ou de parta, que têm tudo, ou quase tudo, do bom e do melhor, seriam os legítimos ocupantes das vagas nos cursos mais conceituados ou mais procurados. Porém, de onde brotaria essa legitimidade? Do poder econômico? Da condição social mais acalentada? 

Anos de exclusão dos mais pobres, por exemplo, não causavam a menor compreensão dessa dura realidade por parte dos mais favorecidos. Uma sociedade desigual em que os desiguais de cima não conseguiam enxergar os desiguais de baixo, mesmo que os olhassem com lupas. 

As cotas nas escolas superiores públicas ensejaram a inclusão de muitos e muitas jovens, que se arrastavam nas periferias, nos subúrbios das pequenas cidades, nos povoados mais distantes, sem que pudessem vislumbrar oportunidades de terem uma vida digna através do trabalho profissional qualificado. 

Numa democracia, a luta pela igualdade, e, mais ainda, pela igualdade proporcional, deve ser uma finalidade do estado. É isso que se pode chamar de justiça social. Dar mais é quem menos tem e dar menos a quem mais tem. E assim, aos poucos, a sociedade vai se ajustando, isto é, vai-se tornando mais justa. Quão triste é vier numa sociedade injusta!

No país inteiro são milhões de jovens, rapazes e mocas, que percorrem os corredores das Universidades públicas, que adentram em suas salas de aula, para se lançarem na busca do conhecimento, da afirmação da dignidade humana, da cidadania e da oportunidade de enfrentar o mercado de trabalho em condições de disputar com todos os outros. 

A história comovente, sim, do jovem João Santos Costa, negro, quilombola, disposto, lutador, digno de sua conquista, é a história de muitos jovens dos dois sexos, parecidos com ele. Que muitos outros tenham a coragem e a firmeza de mostrar a sua face, de mostrar o seu valor. A belíssima vitória de João não é um ganho individual. É, deveras, um ganho coletivo. São muitos os Joãos. São muitas as Marias. Parabéns ao João de Simão Dias. Parabéns aos outros e às outras que ainda estão no anonimato. O ganho é coletivo. É de toda a sociedade sergipana. 


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Por Kleber Santos
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