07/09
06:38

Coluna Primeira Mão

 Tempos ruins


Para o economista Luiz Moura, do Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese),  a crise econômica será amenizada em 2023, depois que se encerra o mandato do governador Belivaldo Chagas. Mas Chagas poderá ter dias melhores a partir de 2020, com a chegada dos recursos da cessão onerosa do petróleo e gás. Esses recursos – são mais de R$ 500 milhões – devem ter a sua destinação regular/legal e desafoga o Governo para pagar o 13º salário dos servidores em 2019. Pode ser um alívio.



Escolas militares


O governo estadual vai ter que decidir se aceita as escolas cívico-militar que vão ser levantadas pelo MEC. Ao todo serão 216 escolas, tendo professores supostamente normais militares da reserva cuidando da parte administrativa, segurança. O prazo para fazer a adesão é o fim deste mês. Esse tipo escola é muito polêmico.



Decisões duras



A Justiça Eleitoral em Sergipe não está para brincadeiras. Em cerca de quinze dias, cassou os mandatos do governador Belivaldo Chagas, de sua vice-governadora Eliane Aquino e agora foi a vez de Bosco Costa, eleito deputado federal nas eleições passadas. O relator dos casos foi o mesmo desembargador Diógenes Barreto, conhecido por sua retidão e por não passar a mão na cabeça de ninguém.



Sobre o suicídio



Por que as pessoas cometem suicídio? Muitas são as motivações, sendo as mais comuns as razões "egoístas". No Japão, quando ocorre a descoberta do envolvimento de políticos em escândalos de corrupção, não é incomum que cometam o suicídio. No Brasil, ora, no Brasil... Deixa pra lá! Sucesso para aqueles que estão engajados nessa campanha contra o suicídio em Sergipe!



Rapidez no gatilho



Também em Sergipe, as forças da ordem estão matando mais. Foi isso o que os jornais divulgaram na semana que passou. Não houve o estardalhaço, como aquele feito pelo governador do Rio de Janeiro, mas a nossa PM tem sido rápida no gatilho. Queremos crer que tudo isso está acontecendo dentro da lei.



Poluição



De 2019 a 2020, a ecologia e a poluição serão problemas presentes nas agendas dos governantes municipais e estaduais de Sergipe. Isso acontecerá como efeito das ações desastradas na Amazônia Legal. Isso é muito bom. O nosso sertão precisa receber árvores e plantas resistentes à seca. As nossas cidades, especialmente Aracaju, têm poucas árvores. As fontes dos rios que nascem em solo sergipano precisam ser visitadas e bem cuidadas por nossas autoridades.



Ratos de rede

 


Não é diferente de outros estados o que políticos sergipanos fazem nas redes sociais virtuais. Contratam dois ou três assessores para "bater" nos adversários e "rebater" às críticas que lhes são dirigidas. Essas redes, somadas aos programas políticos nas emissoras de rádios foram transformadas em "praças de guerra" dos políticos.

 



Quebrados, mas...

 


Municípios sem dinheiro, mas com gastos elevados, inclusive com a folha de pessoal. Temos muitos por aqui, na terra do cacique Serigy..



Bem armados



Ainda que tenha porte de arma legal, a lei da autoridade deveria proibir homens públicos, exceto policiais, usar armas de fogo nos locais de trabalho. Há muitos casos em Sergipe d’el Rei.



Riachão do Dantas



Simone Andrade, a prefeita eleita no domingo passado, em Riachão do Dantas, será empossada no dia 1º de outubro. Terá um mandato de 15 meses. Mas com, direito a disputar a reeleição.



Bolsonaro na ONU



Vocês querem emoção? No fim do setembro o presidente Jair Bolsonaro fará, como é tradição, o discurso de abertura dos trabalhos anuais do ONU. Esta coluna não quer nem pensar qual será o conteúdo de sua fala. Provavelmente algum ponto da agenda de governo de Donald Trump.



Trapalhão



Existe coisa mais chata do que alguém entrar na fila de atendimento, ficar esperando pacientemente a sua vez de ser atendido e, de repetente, chegar um representante de laboratório e passar na sua frente, chamado pelo próprio médico? Isso acontece o tempo todo, mesmo que o paciente esteja pagando uma consulta particular. Essa prática dá a entender que o tempo do representante é mais importante do que o do paciente. Há exceções.



Nossos rios



Qual é a situação dos rios, riachos e lagoas de Sergipe, em se tratando de poluição. Muitos adultos e crianças pegam coceiras, esquistossomose e outros verminoses neles com certa frequência.



Isso cansa



Políticos mantém assessores o dia inteiro nas redes sociais e ainda fazem lives duas ou três vezes por semana. Isso promove, mas também desgasta.



Nossas queimadas



A gente anda muito preocupado com as queimadas da Amazônia, mas aqui no Nordeste ocorrem muitas todo ano.



Velho Chico



O rio São Francisco vai bater no meio do mar sem que aproveitemos bem as suas águas. Dá para usá-las na reprodução de peixes e camarões,  em perímetros irrigados de produção de frutas, verduras,  legumes e raízes comestíveis, além de realização de competições e passeios turísticos. Esse rio tem muita história.



Sobrou para os negros



81% dos presos sergipanos são de afrodescendentes (pretos e pardos). Esses são muito altos. Parece haver uma seletividade dessas pessoas. As forças da ordem (polícia, ministério público e justiça) precisam refletir sobre esses números. À primeira vista, isso parece racismo.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
31/08
11:58

Coluna Primeira Mão

Sergipe também vai a China

O Governador Belivaldo Chagas, como fizeram os demais governadores nordestinos, visitou a cônsul getsl da China, Sra. Yan Yuqing. Na reunião, Sergipe apresentou projetos que podem interessar empresas chinesas como foco de investimentos, em especial nas áreas de energia, petróleo e gás e infraestrutura pública.

Técnicos de SE na China

Umas das medidas práticas desse encontro já se inicia na próxima semana: três técnicos do governo de Sergipe viajarão à China, com despesas pagas pelos chineses, para passar quinze dias em uma atividade de intercâmbio e cooperação técnica, conhecendo políticas públicas chinesas.

Internacionalização

A Fecomércio fará composição da Câmara de Comércio Brasil – China, que será instalada em Sergipe. O consultor para negócios internacionais da Fecomércio, Luizandré Barreto, será o presidente da entidade, que terá a participação ativa da Fecomércio em sua atuação.

65 mil currículos

De olho nos cerca de 3 mil empregos diretos e indiretos 65 mil trabalhadores mandaram seus currículos para um endereço eletrônico divulgado nas redes sociais pelo Aracaju Parque Shopping. Outras 500 pessoas levaram os currículos impressos em papel na sede da empresa, no bairro Industrial. O desemprego continua em alta no Estado de Sergipe. É lamentável.

Mercado de trabalho

Os táxis com aplicativo têm sido um mercado de trabalho muito procurado por sergipanos com diploma universitário. Gente de classe média em muitos casos. Às vezes duas pessoas numa mesma família usam carro que pode ser alugado. Pelo dia trabalha o filho e pela noite trabalha o pai. Não é incomum ver mulheres também como motoristas. Uma grande quantidade é de jovens. Na falta de empregos, as pessoas vão onde os empregos estão.

IPTU federal

Os sergipanos que estão em débito com o Serviço do Patrimônio da União (SPU) devem procurar resolver suas pendengas com o Leão. Sem caixa, o governo federal anda atrás dos devedores desse que pode ser chamado "o IPTU" federal. Um imposto que, aliás, não tem porque continuar a existir.

Riachão do Dantas

A situação política em Riachão do Dantas é um caso de polícia em mais uma eleição suplementar. Os ânimos estão exaltados da parte de muita gente. A Justiça Eleitoral deve dar atenção especial ao item segurança, para evitar possíveis tragédias políticas na cidade.

Feminicídios

Os feminicídios (9) e as denúncias de ameaças (1900) contra as mulheres continuam em alta em Sergipe. Isso só até agora. As igrejas de todos os tipos bem que poderiam ter uma ação educativa em relação à população masculina. A Polícia não pode parar de prender esses criminosos covardes e as mulheres devem continuar a fazer as suas denúncias. Está sendo travada a luta entre civilização (lei) e barbárie (comportamentos violentos masculinos).

Mendicância de volta

Já podem ser encontradas ao lado de semáforos de Aracaju mulheres carregando filhos que ainda não sabem caminhar e pedindo esmola. Essa cena é mais frequente nas festas de Natal e Ano Novo. Se isso acontece agora, pode ser que a miséria e a fome tenham alcançado essas pessoas. Muito lastimável.

Governo sem dinheiro

O governador Belivaldo Chagas diz que o tesouro estadual não tem dinheiro para pagar o décimo terceiro salário de seus servidores. Está dando essa notícia em fins de agosto, quatro meses antes de acabar o ano. O fim de 2019 e começo de 2020 não deverá ser bom para consumidores e comerciantes.

Complexados

Uma coisa é repudiar ações desagradáveis de um presidente do Brasil que tanto nos envergonham como nação civilizada, outra coisa é aproveitar a crise entre Brasil e França para expressar nas redes sociais o velho complexo de vira-latas de muitos brasileiros e brasileiras.

Parcelamento da dívida

Esta semana, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Sergipe em Aracaju (CDL/Aju), Brenno Barreto, esteve reunido com o secretário da Fazenda, Marco Antonio Queiroz, e manifestou o apoio da CDL ao parcelamento especial de dívidas de ICMS que o Governo está promovendo. “O parcelamento do ICMS é a oportunidade para recomeço junto à classe empresarial”, considerou o presidente da CDL. Há poucos dias Queiroz recebeu a diretoria do Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e das Empresas de Serviços Contábeis do Estado de Sergipe (Sescap/SE), com quem também reforçou as bases de um trabalho em parceria que já vem sendo realizado. No parcelamento especial o Governo trabalha a possibilidade de empresas regularizarem a situação tributária com parcelas entre 24, 36 e 48 meses, conforme o montante da dívida..

Show nos jogos

Nos Jogos Olímpicos ou nos Jogos Pan-Americanos os atletas brasileiros com deficiências sempre dão show de bola. Se alguém quer ter certeza de que o Brasil ganhará medalhas de ouro nessas competições internacionais, deve ter paciência e esperar o fim dos jogos pessoas "normais". Para quem não sabe, o Nordeste é a região que mais oferece esses "craques". É bacana ver tanta força de vontade e desejo de superação!

Relatório final

Segundo membro da Comissão Estadual da Verdade, de Sergipe, o relatório final está quase pronto. Tem pouco mais de 70% pronto. Até o fim do ano será entregue à sociedade sergipana. Não há mais nada que se possa fazer, só esperar.

Limpeza já

Como tornar o turismo uma opção de desenvolvimento econômico em Sergipe? Isso é difícil com os lixões a céu aberto. É mais difícil ainda com canal de líquido aquoso e fétido, atravessando uma das zonas mais chiques de Aracaju e despejando a sua podridão no Rio Sergipe. Não existe nenhum tratamento de esgoto para esse canal. O prefeito e o governador devem andar por essa área e pelos mangues com os vidros de seus carros abaixados. Isso não tem nem em Alagoas, nem em Salvador.

Campanha do dragão

Mais uma vez, torcedores do Confiança voltam às ruas e às arenas com a sua velha campanha "Vamos subir, dragão!" No passado tem sido assim: joga, joga e morre na praia. A nossa torcida é para que, dessa vez, seja tudo diferente!

Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
24/08
19:01

Coluna Primeira Mão

 Menos 443 empregos

 

 

Informações divulgadas pelo Caged, órgão do Ministério da Economia, revelam que Sergipe encerrou o mês de junho com -443 postos de trabalhos. No acumulado do ano, foram perdidos 3.856 postos de trabalho. Já a análise dos últimos 12 meses mostra um saldo positivo de 544 empregos. As informações fazem parte do Radar do Emprego, divulgado pelo Observatório de Sergipe/ Superplan.

 

 

Impulsionou

 

 

O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelos setores de Serviços e Comércio, e indústria de transformação. Entre os setores observados, tiveram ganhos: Agropecuária’ (+124), ‘Construção Civil’ (+62), ‘Indústria de Transformação’ (+53), ‘Extrativa Mineral (+47)’, ‘Administração Pública’ (+35) e  Serviços Industriais de Atividade Públicas’ (+5). Dois registraram perda de emprego: ‘Serviços’ (-469), e ‘Comércio’ (-300).

 

 

Mais e menos

 

 

O Observatório divulgou ainda os municípios, com mais de 30 mil habitantes, que mais geraram emprego: Estância (+99), Nossa Senhora de Socorro (+32) e Capela (+12) e aqueles com mais de 30 mil habitantes, que mais perderam emprego: Aracaju (-529), Itabaianinha (-18) e Itabaiana (-13).

 

As preferidas

 

 

As prefeituras mais disputadas nas eleições de 2020 serão as de Aracaju, Itabaiana, Lagarto, Barra dos Coqueiros, Nossa Senhora da Glória, Estância, Nossa Senhora do Socorro, São Cristóvão, Tobias Barreto, Boquim e Itabaianinha. Apesar de parecerem estar numa situação financeira melhor do que as demais, essas prefeituras também vivem suas crises.

 

 

Sobre o 6 a 1

 

 

Ao tomar conhecimento que o TRE-SE tinha cassado o seu mandato, o governador Belivaldo Chagas declarou o seguinte:" Não estou nem um pouco abalado". Essa coluna acredita que ele estava mesmo sendo sincero. Provavelmente, seus advogados devem ter tomado a temperatura dos magistrados sobre a cassação de mandato e a perda de seus direitos políticos. Já sabia também que teria de recorrer ao TSE para tentar reverter uma decisão quase unânime do tribunal eleitoral em Sergipe. Agora ele só depende das cortes superiores. É possível que possa completar o seu mandato, mas pode ser que não. Um certo grupo político da terra do governador vibrou com o placar de 6 x 1. É bom não haver precipitação da parte de ninguém. O governador ainda está no jogo.

 

 

Atingiu Sergipe

 

 

Os comentários de políticos que pensam um Sergipe melhor e mais desenvolvido garantem que o Estado sofre hoje as consequências das ações de Pedro Parente na Presidência da Petrobras. Parente desestimulou a produção no Nordeste para explorar mais no Sudeste, naquela região marítima entre São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. .

 

 

Sergipe bem na fita

 

 

Em volume, os Estados da Bahia, Ceará e Pernambuco lideram os investimentos. Mas Sergipe está bem na fita por conta dos projetos de energia elétrica e exploração de petróleo e gás.  Na agenda da infraestrutura, o saneamento ê a prioridade, e quase todos os estados iniciaram projetos de PPP para as concessionárias de água e esgoto.

 

 

Reunião ABDIB em Teresina

 

 

Belivaldo Chagas apresentou no fórum organizado pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base, as oportunidades de investimento em Sergipe e os seus projetos iniciais para parcerias público-privadas. Todos os estados do nordeste  estavam presentes no fórum, organizado também pelo Governo do Piauí. Todos estão dando prioridade a agenda de atração de investimentos, para amenizar os efeitos da crise econômica nos Estados.

 

 

Opção turismo

 

 

O turismo como opção de desenvolvimento econômico não pode ficar sendo apenas objeto de retórica das autoridades sergipanas. Os guias turísticos não dizem boas sobre Sergipe. Será que essas autoridades pararam para pensar sobre como turistas quando decidem ir a esse ou aquele lugar? Não é só problema de divulgação, de publicidade. Turistas querem se divertir, querem ter opções sobre o que fazer durante o período de sua visita, querem tirar fotos e mandar para parentes e amigos, enviar cartões postais, etc. E o que nós sergipanos apreciamos em nossa terra, não é necessariamente o gosto ou o interesse dos turistas.

 

 

Lampião

 

 

Insistimos que o local onde Lampião e seu bando foram mortos tem um potencial turístico muito grande. Visto que nada é feito nesse sentido, turistas que vão visitar Alagoas pedem para atravessar o Rio São Francisco para conhecer a Grota de Angicos. Os turistas que vão a Canindé teriam muito interesse em fazer uma parada no lugar morreu em 1938 o maior cangaceiro brasileiro. Nesse sentido seria importante abrir uma estrada asfaltada para os turistas que gostem do conforto dos seus carros e ônibus, e não apreciem a ideia de usar trilhas. 

 

 

Vacinação

 

É importante e urgente que pais e responsáveis levem suas crianças para tomar a vacina contra o sarampo nos postos. Vereadores e seus assessores e cabos eleitorais podem ajudar muito, já que são políticos que trabalham diretamente com seus eleitores. Tomar a vacina contra o sarampo é um alerta das autoridades sanitárias estaduais, posto que tem crescido o número de casos registrados em diversos estados brasileiros.

 

Poluição visual

 

A prefeitura de Aracaju está fazendo algo que já feito na capital paulista e deu certo. A medida é no sentido de acabar a poluição visual nas lojas do velho centro comercial de Aracaju, retirando cartazes e propaganda desses prédios. Quando for completado esse trabalho, os aracajuanos poderão apreciar a beleza de muitas casas comerciais. Bola pra frente!

 

Pautas encalhadas

 

O poder de agenda equivale ao poder detido por presidentes de instituições, políticas ou não, de determinar o que entrará em pauta nas suas reuniões. Na semana que passou, deputados estaduais reclamaram que só ficam sabendo qual a pauta praticamente em casa. O presidente da Assembleia Legislativa, Luciano Bispo, acatou o pedido de deputados para que a pauta seja fornecida com alguma antecedência, para que seus colegas tenham mais tempo para se preparar para a discussão dos projetos. O problema parece ter sido resolvido e, claro, não mexeu o poder de pautar. O mais interessante, todavia, é que, dessa reivindicação, fomos informados que existem "centenas" de projetos de lei que estão encalhados há muito tempo. Como tudo isso está no computador, seria interessante que o mesmo presidente divulgasse essa lista para a opinião pública.

 

 

Marechal Rondon

 

 

Se estivesse vivo, o marechal Cândido Rondon, militar e sertanista descendente de índios, não estaria nem um pouco contente com o que sido feito com a Amazônia e seus povos indígenas. É dele a frase em relação aos indígenas da grande floresta tropical, ameaçados pela invasão de suas terras: "Morrer se preciso for, mas não matar nunca".

 

 

Disputando a floresta 

 

 

As potências imperialistas ocidentais (norte-americanos e europeus) querem todas um pedaço da Amazônia brasileira - que também é colombiana e peruana. Mas o presidente boquirroto Jair Bolsonaro já optou por entregá-la aos americanos.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
17/08
12:15

Entre o canavial e a fazenda

Afonso Nascimento - Professor de Direito da UFS

 - 

Entre 1967 e 1969, eu vivi com minha família em Laranjeiras, deixando Aracaju por três anos. Na cidade dos orixás, estudei no Ginásio no Colégio Professora Possidônia Bragança. Foi outra etapa feliz de minha infância, então quase entrando na adolescência. Deixando o Bairro Siqueira Campos em Aracaju para trás, levei uma vida praticamente rural, sem ser menino de engenho ou menino de fazenda. O motivo da mudança de cidade foi que meu pai operário foi promovido de feitor de turma a mestre de linha da Leste Brasileiro. Naquele o período ele ficou responsável pela manutenção da estrada de ferro no trecho de Socorro a Capela.

 

Minha família passou a morar no território da Leste, pedaço de terra federal cercado no qual ficavam a estação de trem, tendo a ela anexada a casa do telegrafista e sua família, e uma caixa d´água que dava de beber às locomotivas de trens de passageiros e de carga. Um pouco mais de cem metros de lá ficava a casa da família do mestre de linha - em frente da qual, dividida pelos trilhos da estrada de ferro, o depósito onde eram guardadas as ferramentas de trabalho dos garimpeiros e uma casinha onde morava o encarregado da guarda das pás, picaretas, etc. Ao lado direito do depósito das ferramentas, havia um tanque na qual mulheres lavavam roupas, adultos davam banho em cavalos e meninos e jovens tomavam banho. A cor de sua água era meio esverdeada. O resto do espaço da Leste não tinha mais nada, a não ser dois portões permanentemente abertos para entrada e saída de pessoas e trens. E talvez dormentes empilhados.

 

Para mim, ainda criança, esse terreno parecia enorme - ao contrário da realidade percebida depois que a gente descobre quando se torna adulto. Do lado de fora do terreno da Leste, em frente à nossa casa, ficava um canavial e, atrás dela lá estava um hospital fechado tendo à sua direita uma frondosa mangueira. Para ir de nossa casa ao centro da cidade, havia duas opções, uma pela Rua da Palha e outra ladeando o mesmo canavial onde estava o Terreiro de Xangô do velho Alexandre. O centro da cidade era um museu aberto cheio de casas, casarões e sobrados dos tempos da riqueza trazida pelas plantações de cana e do seu comércio e a Catedral. Eu me lembro ainda de um cinema, cujos filmes eram rodados no primeiro andar de sobrado na rua principal, do mercado municipal de costas para o Rio Cotinguiba, da escola e da casa paroquial. As ruas do centro eram "pavimentadas" por pedras, construídas nos tempos em que cavalos eram usados e escravos eram meios de transporte. Laranjeira era uma bela cidade!

 

Para um menino urbano de bairro periférico de Aracaju, ali estava um mundo a ser descoberto e explorado, com a liberdade que eu não tinha em Aracaju. Na parte rural onde a minha família residia, eu e meus irmãos ficamos sabendo que naquele espaço havia guaiamuns. Assim, quase todo o dia, depois do café da manhã, saíamos de casa para verificar se as "ratoeiras" preparadas no dia anterior tinham pego esses “primos dos caranguejos” e, quando tudo corria bem, alegres voltávamos pra casa. Não necessariamente nessa ordem, quase todo o dia, de manhã ou de tarde, jogávamos bola, sol a pino, com outros meninos num pequeno campo de futebol que estava situado na ladeira que levava ao hospital atrás de nossa casa. Muitas vezes, depois da pelada, íamos tomar banho de rio em fazendas de proprietários desconhecidos em que o riacho mencionado ficava mais caudaloso. Nesse mesmo riacho fazíamos pescarias.

 

Voltávamos para casa coceiras no corpo e com a pele cinzenta de tanto sol. Acontecia também de tomarmos banho na lagoa ou “tanque” de água verde como faziam os meninos nativos. O resultado desses banhos é que todos nós contraímos esquistossomose e outras doenças. Além disso, mas raramente, caminhávamos pela linha de ferro até o Horto da Ibura, onde, entre eucaliptos, nos esperava uma piscina que parecia "olímpica". Como em frente de nossa havia um canavial, não poucas vezes, íamos com outros meninos "roubar" cana dentro do canavial. A gente ouvia histórias que empregados dos proprietários atiravam pra matar em pessoas que entravam no canavial sem permissão do dono. Verdade ou não, nunca fomos alcançados. Chupávamos as melhores canas, cujos nomes não consigo me lembrar.

 

Pela tarde e pela noite, eu, meus irmãos e minhas irmãs seguíamos a pé até o centro para frequentar a escola, localizada numa pracinha, onde também estava a biblioteca. Esse ginásio era dirigido por uma freira chamada Irmã Rute, nascida fora de Sergipe. Essa freira, juntamente com mais duas (Irmã Cristina e uma outra) religiosas moravam na Casa Paroquial e o Padre Raul, formavam o grupo de professores religiosos de nossa escola. Tinha um professor de Matemática chamado Zuzarte, auditor fiscal estadual e dono de um internato na sua casa para estudantes de outros municípios, que era o terror de todos nós. Era ele que nos ensinava a não gostar de Matemática, chamando-nos com frequência de tenebrosos e outros adjetivos. Tenho uma profunda gratidão pela freira Irmã Rute, que era professora de Português e me encorajou a estudar, emprestando-me livros. Um dele foi um tijolo escrito por Raissa Maritain, esposa do escritor católico francês Jacques Maritain, cuja leitura não cheguei nem à metade.

 

Essa mesma freira recrutava seus alunos para ajudá-la na Casa Paroquial e nos serviços da igreja e das missas. Não cheguei a ser coroinha, mas lia tirinhas de papel com frases em certo momento das missas. O padre Raul às vezes nos convidava para ir a sua casa onde tomávamos sucos e ouvíamos música clássica. Nos fins de semana, não era incomum a gente ir, pela noite, ao cinema da cidade. A vida social de meus pais não era movimentada. Lembro que às vezes a gente passava longas tardes em sítios nos quais os almoços e as conversas duravam um tempão.

 

Como a casa de nossa família estava dentro do terreno da Leste, éramos obrigados a ouvir o barulho e o apito dos trens de passageiros e de cargas praticamente todos os dias. Muitas vezes quando trens descarrilhavam, lembro do telegrafista procurando meu pai no meio da noite para tomar as providências cabíveis. Aí ele, colocando capa semelhante àquela que o personagem Antônio das Mortes usou em filme de Glauber Rocha, reunia feitor e garimpeiros para botar “o cavalo de ferro” nos trilhos. Ele era o chefe e eu tinha muito orgulho disso. Tinha o seu próprio trolley, com uma cadeira, que era empurrado por garimpeiros.

 

Quando chegavam as férias escolares, eu ia a Salgado para passar algum tempo com meus avós maternos. Aí meu pai me colocava no trem de passageiros e os fiscais do trem sempre vinham checar se tudo estava bem com "o filho de Zeca". Nessa época eu pegava um romance que ia lendo até chegar em Salgado onde meu avô, ferroviário aposentado me esperava na estação de trem. Fiz isso muitas vezes morando em Laranjeiras e mais tarde quando voltamos a viver em Aracaju. Naquele novo tempo era meu avô materno aposentado quem vinha me buscar em Aracaju para as minhas férias em Salgado. De Aracaju a Salgado, nas estações onde o trem parava, ele comprava pé de "moleque", peixinho assado em folha de bananeira, cocada, e outras guloseimas.

 

A cidade de Salgado que frequentei na década de 1960 era um lugar de fazendas de gado. Não sei se existiam plantações de laranjas nessa época.  Não era uma cidade especialmente bonita. Do centro da cidade, ligado por uma estrada de barro vermelho, que passava pelos fundos do cemitério, se chegava ao Bairro da Estação. Meus avós tinham uma casa na rua principal em frente da linha de ferro pelas quais corriam trens de passageiros ("O Horário") e trens de carga. A carga de que mais me lembro era a de mamona, que exalava um cheiro não muito bom. Do outro lado da casa de meus avós, lá ficava um outro depósito para guardar as ferramentas dos ferroviários. A seu lado, tinha um campinho de futebol. Não havia um terreno fechado de propriedade da ferrovia. Era um bairro. A estação ferroviária de Salgado era bem grande e nos horários dos trens de passageiros, um pequeno comércio movimentava a sua plataforma. Em torno da estação tinha nascido esse bairro, que tinha pensões para passageiros em trânsito, posto de gasolina, mercearias, salão de sinuca e bodegas. Também tinha um cinema que, diariamente, depois das seis hora da tarde tocava músicas e onde eu assisti a muitos filmes. Ali morava meus avós. Meu avô aposentado como feitor da Leste e minha avó dona de casa e mulher rendeira com seus bilros e uma tia que logo se casaria com um telegrafista baiano. Com eles vivia um filho adotivo então chamado de Carlinhos e hoje de Carlão. Numa casa bem próxima da residência deles, vivia uma tia costureira com seu marido e uma filha adotiva.

 

Minhas férias em Salgado eram quase sempre no verão. Me lembro disso por causa do calor e por causa do balneário para onde íamos tomar banho nas suas águas cristalinas cercadas de árvores altas e frondosas. Nos fundos da casa dos meus avós, estava a casa de um fazendeiro que tinha muitas filhas bonitas. No fim da tarde, todos os dias, os vaqueiros levavam a boiada para o curral que ficava ao lado da casa deles. Eu e outros meninos subíamos em cerca de madeira alta do curral curtíamos a entrada dos animais em direção aos seus "aposentos". Todas as manhãs, meu avô comprava leite na casa do fazendeiro quase que diretamente do peito da vaca.

 

A fazenda desse senhor estava situada a uns trezentos metros de sua casa, depois de atravessar a linha de ferro. Nela havia um portão alto para entrada e saída dos animais de manhã e de tarde. E uma outra entrada estreita, fazendo um “esse”, para pessoas. Dentro desse espaço onde se espalhava o gado bovino, havia um rio que atravessava toda a fazenda. Ali eu costumava pescar com Carlos e outros meninos da vizinhança e às vezes com primos que, de vez em quando, vinham da cidade baiana de Alagoinhas. Usava meu tempo ainda para ir brincar na estação ou jogar bola no campinho mencionado acima. Todos os sábados, eu e meu avô íamos fazer compras no mercado do centro da cidade - coisa que também fazia com meu pai morando em Laranjeiras. Aos domingos eu era levado, mesmo sem querer (já tinha perdido a fé cristã), à Igreja que ainda está erguida na praça principal da cidade, chegando mesmo a participar de procissões religiosas.

 

Mas a melhor coisa vivida nessas férias em Salgado eram as festas de Reis e de São João, uma no verão e outra no inverno. Nessas ocasiões, a praça que ficava entre a casa de meus avós, a casa do fazendeiro (que andava sempre no seu cavalo ou num jipe) e a casa de minha tia costureira se transformava, com luzes, bandeirolas, bancas vendendo fogos, comidas, bebidas, e às vezes até com circo. Lembro que certa vez, ao tentar saltar por cima da fogueira de São João, caí nela e a festa acabou pra mim. Hoje em dia, quando volto a Salgado de vez em quando, existem pessoas que se lembram de meu tio adotivo Carlão e raramente de mim. Encontro pessoas de minha geração casadas, envolvidas na política municipal, em outras atividades profissionais ou aposentadas e sou informado daquelas que “partiram”. Bons velhos tempos! Eu me lembro.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
28/07
14:38

A formação de elites intelectuais militares e civis pela Escola Superior de Guerra

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

Eu não sou especialista em questões militares. No entanto, tendo trabalhado na Comissão Estadual da Verdade de Sergipe (para apurar violações de direitos   humanos feitas pelo regime militar), lendo muitos documentos militares e policiais federais estaduais, passei a ter interesse pelo assunto. Para fazer essa conversa inicial mais curta, escrevo como um curioso muito interessado sobre assuntos militares. É nessa condição que resolvi botar no papel algumas anotações sobre a Escola Superior de Guerra, uma instituição escolar militar que, em 2019, completa setenta anos.

 A Escola Superior de Guerra (ESG) foi criada em 1949 pelo Exército brasileiro. Ainda hoje é apelidada de "Sorbonne" (nome de famosa universidade francesa) para se destacar das diversas escolas militares espalhadas pelo país. Como já escrevi alhures, ela teve como modelo o National War College, também fundado nos Estados Unidos depois do fim da II Guerra Mundial e com o início da assim chamada Guerra Fria entre as duas maiores potências nucleares, mais precisamente, a quebra de braços entre Estados Unidos e União Soviética, pela hegemonia militar em escala planetária. Três militares norte-americanos participaram, aqui no Brasil, do processo de construção da ESG. De sua criação em 1949 até 2019, a ESG tem estado sob a influência americana.

 Nesses setenta de existência institucional, a ESG tem mantido o seu objetivo de formar elites não apenas militares, mas também civis , todavia em menor número. Essas elites civis levam legitimidade a essa instituição escolar militar de alto nível – além de serem aliados estratégicos na sociedade civil brasileira. Não foi criada para servir, como serviu, somente à ditadura militar. Sua trajetória inclui os períodos antes do golpe militar de 1964, durante e depois do regime militar. Tenho consultado o sítio na internet dessa escola em diversas ocasiões, chegando mesmo a fazer uma visitinha a essa instituição de altos estudos no bairro da Urca no Rio de Janeiro. Dessa visita in locu, guardei como impressão a ideia de uma  escola para elites com salas de aula, biblioteca, com professores circulando, salas de leitura, cujo lema diz “Nesta casa, estuda-se o destino do Brasil”.

 O curso da Escola Guerra que nos interessa aqui é aquele chamado Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia (CEAPE), que é o primeiro e o mais importante entre todos os outros ofertados pela ESG. Esse curso era, até 1996, chamado Curso Superior de Guerra. Além dele, são ofertados outros cursos como os seguintes: Curso Avançado de Defesa Sul-Americano, Curso de Estado-Maior Conjunto, Curso de Gestão de Recursos de Defesa, Curso de Análise de Crises Internacionais, Curso de Logística e Mobilização Nacional, Curso Superior de Defesa, Curso Superior de Inteligência Estratégica, Programa de Extensão Cultural da Escola Superior de Guerra (PECESG), CDICA, Curso de Altos Estudos de Defesa, Curso de Direito Internacional dos Conflitos Armados, Curso de Diplomacia de Defesa, Arquivos Cursos e Regimento".  Além dos cursos mencionados, possui um Programa de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa (com equivalência universitária).

O CEAPE visa à preparação de elites intelectuais militares e civis para pensar a doutrina militar de defesa do Brasil. Como está escrito no sítio da instituição, a “destinação atual do CAEPE é preparar civis e militares, do Brasil e das Nações Amigas, para o exercício de funções de direção e assessoramento de alto nível na administração pública, em especial nas áreas de segurança e da defesa nacional”. Da citação acima, observa-se que houve um alargamento da oferta do curso para militares de “nações amigas” da América Espanhola e da África. Antes excluídas, as mulheres também passaram a fazer o referido curso a partir de 1983. Em adição a isso, é dito que os quadros formados por esse curso são para ocupar posições de poder e liderança nos altos escalões da máquina estatal brasileira.

O Curso Superior de Guerra teve o seu nome trocado para Curso de Altos Estudos de Política e Estratégia em 1985, tempo em que também teve lugar uma reforma do seu conteúdo programático - o que coincide com o fim da ditadura militar, mas não exatamente com aquele da Guerra Fria (1981). Não foi   encontrada no sítio da ESG a grade curricular do curso na sua primeira versão, mas somente a lista das disciplinas do currículo em vigor. O que precisam saber os estagiários (assim são chamados os seus “estudantes”; em inglês “interns”) militares e civis que frequentam o CEAP?

O curso está assim estruturado: uma fase básica, uma fase específica e  uma   fase de aplicação. De um modo geral, aos estagiários são oferecidas disciplinas cuja elaboração empresta elementos dos cursos de Sociologia, de Ciência Política, de Relações Internacionais, de Economia, Estudos Diplomáticos e de Estudos Estratégicos. Da leitura dos títulos das disciplinas, o curso multidisciplinar parece ser de alto nível e muito razoável (exemplos de disciplinas estudadas: elementos teóricos da guerra, expressão do poder militar nacional, suporte jurídico do emprego das forças armadas, elementos teóricos de inteligência e contra inteligência, fundamentos da análise de risco, fundamentos de geopolítica, pensamento geoestratégico norte-americano, entre outras), mas não encontrei ementas ou bibliografias do curso mencionado, nem tampouco sobre o enfoque que se supõe seja conservador ou de direita. Em se tratando de uma escola militar de elite para treinar intelectuais direitistas, não é de se esperar um enfoque de “pensamento crítico”. Mas existem nesse espaço militar,  claro,  lutas internas para definir a política de defesa nacional.

A ESG começou sendo dirigida por militares do Exército, passando em seguida a ter diretores oriundos das três forças armadas, em regime de rodízio. O quadro de professores da ESG inclui palestrantes militares ou não, bem como professores com titulação de especialistas, mestres e doutores em diversas áreas. Sobre o processo seletivo dos estagiários (homens e mulheres, brasileiros e estrangeiros), os critérios são misturados, ou seja, seleção social, profissional, por região, por força armada, por gênero e por nacionalidade. Não é demais chamar a atenção para o fato de que os selecionados, militares e civis, já são elites civis e estatais no Brasil e no exterior.

Como se trata de uma escola de elite para pensar problemas de segurança ou de defesa nacional, seria mais natural que os que a fazem se preocupassem com os “inimigos externos”. Todavia, como o Brasil somente tem fronteiras com países vizinhos do lado oeste de seu território (à exceção do Uruguai), e considerando as suas relações pacíficas depois da construção de estados nacionais no século XIX (de lado o problema com o Acre), a ESG pensa os problemas externos, mas a sua ênfase parece recair sobre os “inimigos internos”. No período iniciado com a fundação da ESG, o interesse dessa espécie de think-tank militar foi a luta contra o comunismo, real ou imaginário, dentro e fora do país. Com a queda do Muro de Berlim (1989) e, em seguida, com fim da União Soviética (1991), a sua atenção está mais focada em grupos armados em geral, a exemplo de traficantes e de terroristas, e também movimentos sociais que ameacem a ordem interna.

 A história da Escola Superior de Guerra compreende três períodos, isto é, antes, durante e depois da ditadura militar. O mais importante deles foi, sem dúvida, aquele do regime militar. Com efeito, naquele tempo esse curso da ESG era muito procurado por civis e militares, pois eles significavam ao mesmo tempo prova de lealdade aos governos autoritários, bem como uma “carta de recomendação” para as oportunidades bons empregos nos altos escalões do Estado de segurança nacional brasileiro. É necessário acrescentar que, nesse mesmo período, funcionaram as Associações de Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESGs), espécie de instituições que multiplicavam no país inteiro as ideias e os objetivos do principal curso da ESG, localizada no Rio de Janeiro. Nesse período, como já escrevi em outro lugar, tudo somado, foi a criada a maior rede de treinamento de elites intelectuais militares e civis no Brasil. No entanto, quando a ditadura militar começou a definhar por conta da crise econômica, não foram poucas as ADESGs fechadas pelo país inteiro. Há mais de uma década, as ADESGs começaram a ser reabertas nas capitais e nas cidades interioranas do Brasil.

 No sítio da Escola Superior de Guerra é mencionado que por lá passaram quatro presidentes da República e muitos ministros de Estado. Isso é pouco. É preciso acrescentar empresários, profissionais liberais, ministros dos tribunais superiores, governadores, políticos importantes na esfera federal e assim por diante. No momento em que escrevo esse pequeno texto, o Brasil, se já não é, parece estar em firme caminhada na direção de uma nova ditadura, com o golpe de 2016. Existem cerca de cem militares das forças armadas no atual governo federal. Quantos egressos da Escola Superior de Guerra, que fizeram o curso do CEAPE, estão incluídos na centena de militares do governo de Bolsonaro? Ainda não é possível dizer. Isso fica para um outro texto.

PS: A maior parte das informações usadas aqui foi extraída do sítio da ESG que é o seguinte: https://www.esg.br/.
 


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
30/06
10:21

A ascensão da extrema direita: comentários

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

Qualquer esforço para definir o que é a extrema direita requer uma prévia discussão sobre a famosa dicotomia entre esquerda e direita. O jurista e filósofo da política Norberto Bobbio escreveu um pequeno livro sobre o assunto. De acordo com ele, o que caracteriza a esquerda é o igualitarismo entre as pessoas e as classes sociais, ao passo que a direita põe ênfase na liberdade, ignorando as desigualdades sociais.

Se alguém radicaliza a importância do igualitarismo (comunismo, anarquismo etc.) torna-se de extrema esquerda, e o igualitarismo é transformado num projeto utópico de sociedade. Isso levou a que um historiador americano, Barrington Moore Jr., a admitir uma certa desigualdade para que cheguemos a uma sociedade mais próxima do igualitarismo. Ainda segundo Norberto Bobbio, a direita associada com a desigualdade, por sua vez, aposta nas pessoas livres porém desiguais. Quanto mais uma pessoa mais defende a desigualdade, mais de direita ela é. Esse é o bem caso da extrema direita em toda a parte. Se são reunidas mais desigualdade com menos liberdade ou falta desta, temos a extrema direita, geralmente tradicionalista, passadista, adepta de regimes ditatoriais (fascistas, nazistas, etc.) e de fortes hierarquias de todos os tipos e com uma indisfarçável simpatia pelo uso da violência simbólica e física.

A extrema direita fora do poder. O radicalismo ou o extremismo de direita começou com a invasão e a conquista por europeus dessa parte da América chamada Brasil. De meados do século XVI até o fim do século XIX, brasileiros nativos e africanos foram escravizados. A escravidão é uma forma de radicalismo social de direita porque nega completamente a liberdade e descarta qualquer ideia de igualdade. Escravos são comprados, vendidos e alugados como se fossem mercadorias. Proprietários de escravos, comprando ou vendendo, são pessoas de extrema direita.
Do encontro e do choque entre essas três civilizações (indígena, africana e europeia) que construíram o Brasil resultou o surgimento de uma cultura de hierarquias múltiplas de classes e de culturas, de intolerância religiosa e outras, de antissemitismo, de preconceitos, de patriarcalismo, de homofobia etc. cuja desconstrução permanece um desafio até hoje.

Para que o leitor tenha uma ideia da força desse legado da cultura colonial de direita e de extrema direita, é importante lembrar que o Brasil sem escravidão tem tido pouco mais de um século de sociedade de homens e mulheres livres, enquanto a cultura e a moral escravistas durou mais de três séculos! É lamentável que os historiadores só gostem de tratar do Brasil a partir da República deixando de lado o longo e pesado legado cultural autoritário social, cultural e político do período colonial. Muitos dos nossos piores valores, tão disseminados entre o povão e as elites, são herança direta da escravidão brasileira. Cultura é coisa séria e não é da noite para o dia que pode ser transformada.

É necessário dizer sem rodeios que a violência também foi a parteira da história e da cultura do Brasil e que a primeira república reproduz essas tradições de extremismos de direita, a despeito de condições materiais e políticas terem permitido alguma mudança superficial na sociedade civil e no Estado. Foi com o regime ditatorial de Vargas (1930-1945) que novos valores foram sobrepostos, porém sem a sua destruição, à velha cultura de autoritarismo social e cultural.

Do século XIX até meados da nova centúria, a cultura erudita, exceções à parte, estava impregnada de extremismo direitista como era o racismo científico de Sílvio Romero, Euclides da Cunha, Nina Rodrigues, entre tantos outros. Não estamos falando aqui do pensamento social conservador de muitos autores, que fique bem entendido.

Entre os anos 1930 e 1940, havia na máquina estatal autoridades civis e militares que se queriam simpatizantes (Eurico Gaspar Dutra, por exemplo) do extremismo de direita de Adolfo Hitler e Benito Mussolini. Na sociedade civil, também surgiram grupos de extrema direita, civis e religiosos, sendo os integralistas os mais destacados seguidores do radicalismo fascista. Comandados por Plínio Salgado, os integralistas se organizaram no país inteiro, imitaram a extrema direita fascista italiana através de muitos símbolos, tentaram um golpe de Estado e foram parados pelo ditador Getúlio Vargas. Grupos de imigrantes japoneses, italianos e alemães de extrema direita também esposaram ideias extremistas, mas foram contidos pelo regime autoritário varguista. Um nome muito famoso de um intelectual escancaradamente fascista foi o do jurista e reitor da USP Miguel Reale, cujos livros são ainda hoje usados por professores de Direito(a) no Brasil.

A extrema direita no poder. Quando, no começo do século XIX, foi construído um Estado e foi permitida a representação da população livre, deputados, senadores, ministros e reis, regentes e imperadores compunham uma classe política de extrema direita - mesmo que eles se rotulassem segundo conceitos importados da Europa de então. Soa isso esquisito? A monarquia brasileira era uma ditadura de extrema direita, que sustentava e era sustentada pelos grupos de proprietários escravocratas.

A ditadura militar foi o primeiro regime político de extrema direita nos governos dos generais Costa e Silva e Médici. Grupos de extrema direita grassaram o país. Dizendo de outra forma, a ditadura castrense, em si, não era de extrema direita, mas de direita. Por outro lado, grupos militares que praticaram tortura e terrorismo de Estado também podem ser classificados de extrema direita. Havia ainda indivíduos e grupos civis de extrema direita que apoiavam as ações extremistas do regime autoritário: Opus Dei, Tradição, Família e Propriedade, empresários que financiavam grupos estatais de extermínio, etc.

Ainda tratando do caso de muitos militares, o seu extremismo de direita estava ligado umbilicalmente a um anticomunismo que adotou a tortura como método para obter confissões, fez eliminação física de opositores e o desaparecimento de outros tantos, explodiu de bombas em bancas de revistas, em instituições, em espetáculos musicais, etc. Era a extrema direita militar (a linha dura) que não queria a abertura do regime autoritário.

Democracia, grande mídia e redes sociais virtuais. Com o fim do regime militar, houve um refluxo da extrema direita. A volta da democracia, especialmente com a Constituição Federal de 1988, possibilitou a emergência de novos movimentos sociais que têm lutado por igualdade econômica, por reconhecimento, por inclusão de todo o tipo, que tomaram por base direitos previstos na mencionada carta política. Com a chegada ao poder de um partido social democrata, o Partido dos Trabalhadores (PT), já no século XXI, progressos sociais, jurídicos e políticos foram feitos. O país parecia tomar uma direção mais livre e mais igualitária.

Paralelamente a esse movimento, a internet e as redes sociais virtuais proporcionaram um associativismo nunca visto no país. Todo o mundo tinha e tem o que dizer. O que tinha de pior em maior quantidade e de melhor em menor volume em termos de valores e de pessoas passou a atuar no pantanal das redes sociais. Grupos de extrema direita, letrada e iletrada, (neointegralistas, neonazistas, racistas, xenófobos, homofóbicos, misóginos, etc.) passaram, pouco a pouco, ao ativismo político, então de forma escancarada, sem vergonha de mostrar a cara como outrora. Esses grupos extremistas de direita passaram a fazer encontros e trocas com outros radicais americanos e europeus.

A eleição acusada de fraudulenta do obscuro e obtuso Jair Messias Bolsonaro em 2018, que representa a chegada da extrema direita ao poder, foi antecedida por grandes manifestações da direita mobilizadas pela grande mídia, com o propósito explícito de destruir a esquerda social democrata a pretexto de combater a corrupção. Esse processo terminou por levar ao impeachment golpista da presidente Dilma Rousseff em 2016, e a tomada do poder pelo golpista Michel Temer que passou a implementar um programa de regresso social e neoliberal de governo durante pouco mais de um ano.

A eleição presidencial de 2018 era esperada como um novo embate entre PSDB e PT. Depois que a Operação Lava-Jato comandada de fato pelo juiz de direita Sérgio Moro impediu a participação de Luís Ignácio da Silva, substituído por um professor universitário Paulo Haddad, a direita empresarial do PSDB foi surpreendida por um político desqualificado, populista de direita, abertamente fascista, que passou a polarizar com o PT. Numa eleição contestada por muitos, como foi dito acima, com o uso de recursos tecnológicos para influenciar eleitores cansados de tantos escândalos de corrupção, a população enraivecida depositou o seu voto na extrema direita.

Esse governo de extrema direita, em apenas seis meses de administração, tem sido uma fonte permanente de crises. Para a economia, o seu projeto consiste em aprofundar as reformas neoliberais começadas com Fernando Collor e aprofundadas por Fernando Henrique Cardoso. Trata-se de um governo entreguista, sem base parlamentar de apoio no Congresso e antipopular, que busca implementar uma agenda politicamente fascista. Infelizmente, generais e outros militares do Exército e das outras forças armadas têm erradamente participado desse governo que, com todo o seu extremismo direitista, é totalmente incompatível com o regime democrático e que pode estar levando à destruição do pouco que resta da débil democracia brasileira.
 


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
09/06
11:27

Márcio Rollemberg Leite: esse outro desconhecido

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

 
O jornalista e pesquisador, Gilfrancisco escreveu um artigo sobre Márcio Rollemberg Leite com dois títulos diferentes. Uma hora o chama de "jornalista" e em outra de "comunista". Até onde sabemos, esse autor baiano naturalizado socialmente sergipano é a pessoa que mais pesquisou e mais coletou informação sobre esse membro da mais famosa oligarquia sergipana. Ainda assim, o que nos é dado saber é muito pouco. Por que esse interesse por esse juiz de direito?
 
Pelo fato de ser, ao mesmo tempo, um genuíno representante da aristocracia rural estadual e ter sido um "comunista". Não temos informação para qualificá-lo de "ovelha negra", como acontece nesses casos de alguém pertencer a uma classe social proprietária e defender os interesses da classe chamada de "oprimida" ou "explorada". Carlos Marx, Frederico Engels, Vladimir Ilitch Ulianov (Lênin), Eduardo Suplicy, etc. Apesar das poucas informações sobre Márcio Rollemberg Leite, gostaríamos de fazer alguns comentários sobre esse artigo.
 
 
Para início de conversa, da leitura do artigo ficamos sabendo que Márcio R. Leite nasceu em 1919 e morreu em 1980, e que em 2019 é o ano de seu centenário. Menino de engenho, veio ao mundo na hoje decadente cidade de Riachuelo e os seus pais foram Sílvio César Leite e Lourença Dias Coelho e Melo. Seus irmãos mais conhecidos e poderosos são Francisco Leite Neto, comandante chefe do PSD sergipano e presidente da Comissão de Orçamento do Senado, José Rollemberg Leite, duas vezes governador de Sergipe, Gonçalo Rollemberg Leite, diretor da Faculdade de Direito da UFS por mais de uma década e sua irmã Maria Clara Leite, ex-desembargadora e ex-presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe. O atual vice-presidente do mesmo tribunal é o seu filho Alberto Romeu Gouveia Leite.
 
 
Márcio R. Leite exerceu três profissões. Foi jornalista - e portanto intelectual -, trabalhando para os seguintes jornais e revistas: "Revista Época", "Diário de Sergipe", "Correio de Sergipe e "Jornal do Povo", sendo esse último um jornal do Partido Comunista Brasileiro (PCB) em Sergipe. Trabalhar num jornal comunista é um indicador entre outros de que era mesmo comunista. Não sabemos dizer se esse seu trabalho jornalístico era remunerado ou não, mas o fez já na condição de bacharel em Direito.
 
 
Enquanto estudante secundarista, contribuiu para a imprensa estudantil nos jornais "Boletim no.2", "O Seminário", "A Juventude" e a " Voz do Estudante". Em 1978, durante o governo de seu irmão José R. Leite, lançou o que parece ser seu único livro, um livro de poesias, com o título "Flagelos e Esperanças". O leitor do artigo não fica informado se ele estava aposentado, todavia somente que então morava de novo no Rio de Janeiro.
 
 
Também ficamos a saber que, enquanto estudante de Direito no Rio de Janeiro, então ainda capital da República, Márcio R. Leite pode ter tido participação na fundação, em 1938, da União Nacional dos Estudantes (UNE), e com certeza que era contrário ao fascismo italiano e ao nazismo alemão e que mostra simpatia pela União Soviética.
 
 
Pouca ou quase nenhuma informação existe sobre o seu trabalho como advogado, sua segunda profissão em Sergipe. Para quem trabalhava? Era por acaso um advogado trabalhista? Nesse período ainda vivendo em Sergipe, Márcio R. Leite era um verdadeiro militante ou um simpatizante? Quais as suas atividades como militante comunista? Pelas nossas informações, salvo engano, ele não foi preso em 1952, depois de o PCB ter sido ilegalizado durante o governo autoritário do general Eurico Gaspar Dutra. Sabemos, sim, que ele foi contra a cassação do registro do PCB em 1947.
 
 
Por último, Márcio R. Leite foi juiz de direito na cidade pernambucana de Gameleira, em Pernambuco, mas não ficamos sabendo quando assumiu esse emprego. Por que essa escolha profissional tão longe de Sergipe? O artigo nos informa que, por ocasião do golpe militar de 1964, ele foi preso e enquadrado na Lei de Segurança Nacional, juntamente com mais dois juízes. Por quanto tempo ficou preso? Foi condenado ou absolvido pela Justiça Militar? Voltou a exercer a magistratura?
 
 
Márcio R, Leite publica dois artigos de 1946 e 1947 em que se posiciona claramente como comunista, ou mais precisamente, como marxista-leninista. E prestista! Sobre o que escreve ele? Tratando do "1o. de Maio e a fome", Márcio R. Leite diz que "o dia do proletariado mundial é também o dia da gloriosa história da luta contra a inflação, a miséria e a exploração de todo o nosso povo". Cita o "Cavaleiro da Esperança" e adiante, bem dentro da retórica do Partidão, afirma que as massas das cidades e dos campos conduzidas por legítimos dirigentes não deixarão mais as forças latifundistas e imperiaistas fecharem o nosso caminho para a democracia".
 
 
No artigo de 1947, intitulado "Uma das teclas da reação anticomunista", ele sustenta que a "ideologia do PCB é o socialismo científico, o marxismo-leninismo", que é "a expressão mais avançada da ciência moderna" e faz um pequeno histórico de como se chegou a essa ciência.
 
 
Diz que "Prestes estuda o período de marcha pacífica do proletariado e do povo do Brasil para a liquidação dos restos feudais e progresso capitalista e parlamentar, como condições essenciais para vitória ulterior do socialismo em nossa pátria". Esse é um discurso tipicamente caracterizado mais tarde como "marxismo vulgar". Se tinha mais leituras dos grandes pensadores marxistas, não é desses dois artigos jornalísticos que se pode perceber.
 
 
Como o leitor pode concluir, faltam muitas informações sobre a vida pessoal, a vida profissional e a vida de ativista comunista de Márcio R. Leite. É somente com mais dados que se poderá dizer que espaço esse senhor deve ocupar dentro da história jornalística, advocatícia, da magistratura e política de Sergipe.
 
 
Nota bene: Esse título foi emprestado de Aliomar Baleeiro, ex-ministro do STF escrevendo sobre a suprema corte brasileira.


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
21/05
19:50

Cedro de São João - Líderes políticos querem matadouro reaberto

Lideranças políticas de Cedro de São João se movimentam no sentido de sinalizarem para o prefeito Neudo Alves (DEM) a necessidade de regularizar a licença ambiental do matadouro local, como fizeram Lagarto, Itabaiana, Capela e Tobias Barreto. O abate de gado bovino no município é importante para viabilizar a produção de carne do sol, que tem qualidade reconhecida como das melhores de Sergipe.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
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