10/03
12:59

Escola sem censura

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

No fim de 2018, foi arquivado por razões regimentais o projeto de lei chamado "escola sem partido" na Câmara de Deputados, em Brasília. Os autores da antiga proposta ficaram de reapresentá-lo em 2019 com seu conteúdo praticamente intocado. Por que a necessidade de aprovar uma lei desse tipo? Segundo seus defensores, o sistema escolar público brasileiro (aqui incluídas as universidades públicas) se transformou em espaços usados por professores para, com suas ideologias de esquerda, doutrinar estudantes, "fazer a cabeça dos alunos". Os professores seriam agentes partidários dentro das instituições escolares. Querem, por isso, uma escola sem partidos. Caso essa proposta seja aprovada, em toda sala de aula, um cartaz deverá ser pregado na parede no qual estejam escritos os deveres dos professores, para que os mestres não façam proselitismo ideológico e partidário. Se o fizerem, serão denunciados pelos próprios alunos, que ao mesmo cartaz terão acesso. Essa medida antidemocrática tem um nome: censura do magistério, algo que nos foi familiar durante o regime militar de triste memória.

Nós consideramos que a ideia de “escola sem partido” constitui um triplo atentado. Em primeiro lugar, é um atentado à escola pública no Brasil. A intenção dos que a defendem visa a desqualificar a escola pública e assim ir criando condições para impor uma visão autoritária e (na ausência de palavra mais precisa) fascista do mundo, bem diferente da visão liberal prevalecente nos dias de hoje. O marxismo a que se refere essa gente vive em declínio desde a queda do Muro de Berlim e o fim do comunismo na antiga União Soviética no fim século passado. Se alguém quiser comprovar isso, basta procurar em qualquer loja especializada livros de autores e de conteúdos marxistas. Corre o risco de nada ou quase nada encontrar.

O segundo atentado é contra a razão e o bom senso. Com efeito, para que o sistema público de ensino seja esse suposto lugar de proselitismo e doutrinação esquerdista, o Brasil teria de ter um grande número de professores de esquerda e os produtos dessa educação com "viés ideológico", os estudantes, deveriam ser igualmente em quantidade expressiva de esquerda. Isso nada tem a ver com a realidade. É um delírio. Em todos os níveis de ensino público, os professores são de direita, liberais, de esquerda e recentemente professores de extrema direita, como essa turma ligada ao “escola sem partido”. Além disso, se os sindicatos de professores às vezes têm uma retórica agressiva é algo esperado de qualquer sindicato que não queira parecer pelego, e se os professores aderem a greves, paralizações etc., estas são, grosso modo, por aumento ou reajuste salarial.

Professores e estudantes são uma minoria de esquerda no espaço escolar público brasileiro. Observe o leitor que vivemos num país sem tradição partidária e cuja cultura política é aquela de acordo com a qual as pessoas votam no(a) candidato(a) e não no partido. Isso vale para as eleições dentro e fora das escolas e das universidades. Se houvesse seriedade da parte dos defensores do "escola sem partido" - e não pretexto para censurar professores-, eles saberiam que os votos dos estudantes são pulverizados, indo em diversas direções - aliás, como os votos da população em geral, daí resultando maiorias de representantes conversadores no país inteiro. O que se tem observado nos últimos tempo no espaço escolar público é o crescimento do número de estudantes de extrema direita. Justamente o contrário.

Por último, o movimento "escola sem partido" é um atentado à Constituição Federal brasileira que garante a liberdade de expressão, a liberdade de opinião, dito de outra forma, é um atentado à nossa frágil democracia. Esses projetinhos do “escola sem partidos” são portanto inconstitucionais e antidemocráticos. O espaço escolar tem de continuar sendo um lugar de pluralismo de ideias, de liberdade para expor, discutir, debater e não um lugar para o pensamento único do "escola sem partido" É num espaço de liberdades que pesquisas são avançadas, que visões críticas se desenvolvem e criam condições para novas descobertas científicas. As ideias do movimento "escola sem partido" vão no sentido do regresso e retiram o Brasil da estrada do progresso científico e tecnológico. Ao contrário do que querem as elites retrógadas e antidemocráticas desse movimento, a construção da nação brasileira passa pelo fortalecimento do sistema escolar público com liberdade e sem mordaça.


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 1
Por Kleber Santos
15/02
17:00

Vendas do comércio sergipano cresceram 3,6% em 2018

Crescimento foi constatado quando comparado ao ano anterior

Análise realizada pelo Boletim Sergipe Econômico, parceria do Núcleo de Informações Econômicas (NIE) da Federação das Indústrias do Estado de Sergipe (FIES) e do Departamento de Economia da UFS, com base nos dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do IBGE, apontou que as vendas do comércio varejista ampliado sergipano, no ano passado, assinalaram alta de 3,6% em relação a 2017.

Quanto à receita nominal do comércio ampliado, houve avanço de 5,9% em relação ao ano anterior.

As vendas e a receita nominal do comércio ampliado abrangem as atividades do varejo restrito, as vendas de material de construção e o comércio de veículos, motos, partes e peças.
 
Comportamento das vendas e receita do comércio em dezembro/2018

No último mês do ano que findou, as vendas do comércio ampliado registraram recuo de 2,5% na comparação com o mês anterior (novembro/2018), na série com ajuste sazonal (método que uniformiza os períodos de comparação).

Sobre a receita nominal, também na série ajustada, verificou-se queda de 4,1% em relação ao mesmo período.

Fonte e elaboração do gráfico: NIE/FIES
Fonte do gráfico: PMC/IBGE


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
10/02
12:27

Um Menino do Siqueira

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

Legalmente, eu não sou aracajuano. Fui registrado como natural de Salgado, pois lá residiam os meus pais. Mas aqui tem um porém. Eu não fui parido em Salgado, mas num trem (nasci em movimento) que levava minha mãe salgadense grávida  para me pôr no mundo em Itaporanga, cidade natal de meu pai na qual tinha acabado de ser inaugurada uma maternidade pelo governador Arnaldo Garcez. Meu pai me contou que o primeiro a nascer naquela maternidade teria com padrinho esse coronel conhecido como "vaqueiro", porque Arnaldo Garcez era um homem de poucas letras. Eu fui o segundo a dar entrada no maternidade. Entrei como "indigente". Fui batizado por um ferroviário e por sua filha lá em Salgado.

Depois de algum tempo vivendo em Salgado, meu pai ferroviário foi transferido para Pedrinhas, e minha família foi morar pela segunda vez perto de outra estação ferroviária. Isso merece um parêntesis. Sempre morei perto de estações de trem por que meu era ferroviário ou, por outra, perto do local de trabalho. Quando meu pai foi transferido para Aracaju, nós fomos morar no Siqueira Campos, primeiro na rua Amazonas e depois na rua Espírito Santo. É por isso que me considero aracajuano e menino do Siqueira, pois no Aribé vivi mais tempo. Nesse bairro morei duas vezes, primeiro como menino e depois como adolescente e jovem, com uma passagem de três anos por Laranjeiras.

Tive uma infância feliz no bairro Siqueira Campos. Essa passagem pelo bairro popular (alguns esnobes moradores do centro de Aracaju diziam que lá só tinha "ralé" e "gentinha") teve uma forte influência na minha formação em todos os sentidos. Vou tentar dar alguns exemplos. Foi no bairro Siqueira Campos, também conhecido como Aribé, que passei a frequentar a Igreja Nossa Senhora de Lurdes, em preparação para a minha primeira comunhão. Com efeito, todo o sábado ou domingo, eu e outros guris recebíamos aulas de catecismo com duas freiras, depois do que eu e um monte de crianças seguíamos de mãos dadas em direção ao Cinema Bonfim e, às vezes, ao Vera Cruz para assistir a diversos tipos de filmes. Dessa experiência nasceu o meu interesse permanente pelo cinema. Para a minha primeira comunhão usei o meu primeiro terno. A meninada me vendo caminhar com aquela roupa feita por alfaiate dizia: "Vai se casar, hein?" Foi aí que fui tornado cristão, como membro do catolicismo popular.

Outro momento muito importante de minha vida foi quando aprendi a ler. Tenho uma lembrança muito vívida dessa época. Minha primeira escola foi o Ginásio Senhor do Bonfim, dirigido por duas irmãs, dona Edinelza e dona Gió. A primeira tinha alguma ligação com o Quartel do 28 BC e a segunda era a pessoa que cuidava da disciplina e de quem a meninada tinha muito medo. Nessa escola, talvez por causa das ligações de Dona Edinelza com os militares, os alunos aprendemos muitas marchas militares. Bom, o que importa é que foi nesse ginásio privado é aprendi as minhas primeiras letras. Não me lembro do nome da professora, mas lembro muito que era minha mãe quem me ajudava com os deveres de casa. Levei muito cascudo e puxão de orelha de minha mãe. "Menino burro!", dizia. Passou algum tempo assim, até que um dia tive um susto maravilhoso. Um choque! Eu pegava qualquer livro, qualquer revista, qualquer gibi e sabia ler! Sem querer cair num lugar comum, foi um momento mágico e dele nasceu o meu interesse por livros, a vontade de querer ler sobre tudo!

Mais uma memória forte de minha infância eram os jogos da Portuguesa, meu primeiro time de futebol que ficava no Siqueira. O campo da Portuguesa estava localizado na minha rua, uma quadra adiante. Em frente ao campo ficava a sede da Portuguesa. Nos dias de jogos do meu time, muita gente ia ver o espetáculo. Jogadores? Não lembro de nenhum atleta, a não ser de Zé Veneno, porque ele morava por ali mesmo. Esse campo de futebol, com traves permanentes, ficava onde tem hoje um conjunto habitacional ao lado do posto do INSS, lá na rua Bahia. Foi ali mesmo que surgiu meu interesse pelo futebol. Joguei muita pelada, com o campo seco ou encharcado, mas nunca fui um craque. Dizendo isso, sou levado a falar de uma experiência de ver, mais tarde, documentário sobre a Copa do Mundo de 1970, no Cinema Aracaju. Saí maravilhado querendo ser jogador de futebol. Foi muita emoção!

Naturalmente eu fui o único menino do Siqueira. Havia muitos guris como eu com quem eu partilhava brincadeiras, jogos, brinquedos, etc. Eram todos de minha rua ou do Ginásio Senhor do Bonfim. Além do futebol, a gente brincava de pé em barra (dois times como no futebol, um traço no chão e em cada lado um ponto a ser alcançado sem ser tocado por algum competidor,), futebol de mesa (com "os jogadores" de plástico, ou de casco de coco ou de mica de avião), etc. Os brinquedos eram de madeira (o Mané gostoso), de madeira e de lata (carrinho), de barro (bois, cavalos), etc. Já existiam brinquedos de plástico e de metal como carros pequenos chamados de "rabo de peixe". Além de tudo isso, como meu pai era ferroviário, eu costumava ir brincar na Estação da Leste.

Nessa época a minha mãe ainda não tinha tido a “ninhada” de seus dez filhos. Mulher de fibra que sabia ler e escrever e que tinha que cuidar dos afazeres da casa, cuidar dos filhos e filhas e que ainda estava encarregada de administrar os nossos conflitos. Para ajudá-la nas suas tarefas, tinha uma palmatória pendurada na parede. Como meu pai era ferroviário, a gurizada tinha que "andar na linha". Meu pai não tinha escolaridade, nunca frequentou uma escola. O que lhe faltava em termos de cultura escolar, era compensado com a habilidade de excelente contador de histórias. Quando relatava um caso qualquer, parecia ter presenciado ou participado dele. Como ferroviário da Leste, era funcionário público federal, tinha um salário seguro, casa própria e nunca ficou desempregado. Isso nos permitia ter crédito na praça para comprar fiado. Tinha salário e era bom pagador. Mas houve fases excepcionais, em que o dinheiro não era suficiente para nossa alimentação e minha mãe improvisava um caneco de café, açúcar e farinha como refeição. Além disso, minha mãe usava a LBA para cuidados médicos dos filhos e de lá trazia pequenos sacos de um leite em pó da Aliança para o Progresso. Era um leite muito bem-vindo.

Comparando o Siqueira da primeira metade dos anos 1960 como o Siqueira de hoje, são duas coisas completamente diferentes. O Siqueira de hoje é um bairro de clínicas médicas e laboratórios, de oficinas para carros, lojas que vendem peças para automóveis, está todo pavimentado, tem lojas e ambulantes vendendo roupas, e por aí vai. Muito diferente do velho Aribé sem pavimentação, esgotos despejados nas ruas, possuía vazios entre casas numa mesma quadra, guardava pequenos sítios, exibia valetas e tinha uma população muito menor. Havia um lugar que eu especialmente gostava depois de bater uma pelada na Baixa Fria: era saciar a sede com a água na Xoxota da Veia, uma fonte que ficava perto da linha de trem. Aquele foi mesmo um tempo muito especial de minha vida!


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
08/02
20:22

Prefeitura de São Cristóvão lança programação oficial do Carnaval dos Carnavais 2019

Este ano a festa contará com apresentações musicais em palco, ampliando as festividades

Com vinte e dois dias faltando para o inicio da folia de momo, a Prefeitura de São Cristóvão por meio da Fundação de Cultura e Turismo João- Bebe-Água lançou nesta sexta-feira (08), a programação oficial do Carnaval dos Carnavais, que ocorrerá de 2 a 5 de março, com o tema: Mulheres de luta.  O município preserva a tradição dos bloquinhos de rua, dos brincantes e das personalidades que fizeram história. Assim, a festa acontecerá simultaneamente no Grande Rosa Elze e no Centro Histórico, homenageando Maria Gizelda Cardoso, mais conhecida como Dona Zil, fundadora do bloco dos ‘Sujos’ que alegrou por muitos anos os carnavais da cidade. 

Este ano a festa contará com apresentações musicais em palco, ampliando as festividades. No Centro Histórico o Palco será montado na Praça da Matriz e a área reservada para a festa levará o nome de Praça Carnavalesca Dona Zil. Já na Grande Rosa Elze, um trio elétrico será palco das atrações que se apresentarão no Conjunto Eduardo Gomes, na Praça Comercial que levará o nome de Mestre Jorge.  Os foliões mais animados já poderão curtir a folia momesca a partir do dia 22 de fevereiro, sexta-feira, haverá eventos pontuais. 

O presidente da Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe-Água, Gaspeu Fontes, explicou que a festa contará com o suporte das pastas municipais, com pontos de apoio e ações educativas e preventivas das secretarias de Saúde e de Assistência Social e do Trabalho e da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). 

Confira a programação: 
 
SEXTA-FEIRA (22/02)
ROSA ELZE
18h - BLOCO INFERNINHO (saída da Praça do Rosa Elze)

SEGUNDA-FEIRA (28/02) 
CENTRO HISTÓRICO
23h – ACORDA


SEXTA-FEIRA (01/03) 
CENTRO HISTÓRICO
15h – BLOCO DA CONVIVÊNCIA (concentração da Praça do Carmo) 

SÁBADO (02/03)
CENTRO HISTÓRICO
15h30 – BLOCO  SAÚDE TODO DIA
16h – BLOCO DOS ESTUDANTES 
16h15 – NÓS AJEITA
16h30 – ZÉ DA FOLIA 
17h – NEGROS DO ILÊ AXE
17h30 - LASKETAS 
18h- A PORTA 

DOMINGO (03/03)
POVOADO COLÔNIA MIRANDA
10h – SEM DESCULPA PRA BEBER

POVOADO CANTINHO DO CÉU
10h30 - BLOCO UNIDOS DO CANTINHO DO CÉU 

TIJUQUINHA
11h – BLOCO ALEGRIA (concentração na Igreja do Tijuquinha) 

ROSA ELZE
11h – BLOCO OS JHANFS (Rua Eupídio Batista Nere) 

POVOADO RITA CACETE
13h – BLOQUINHO DA RITA

BICA DOS PINTOS
13h – CIDADE HISTÓRICA 
15h – FERAS DO FREVO

CENTRO HISTÓRICO
13h – BLOCO MORDE FRONHA 
16h - BLOCO MOLEKADA 
16h30 – BLOQUINHO DO FASC 
17h - BLOCO DOS SUJOS DE DONA ZIL 
17h - BLOCO UNIÃO E PASTORAL DO IDOSO 

EDUARDO GOMES
10h – BLOCO AFRO REGGAE OXALUFÃ
11h – BLOCO DO SUJEIRA
11h - BLOCO PINGA-PINGA (Concentração no Espetinho do Pinga-Pinga)
13h - BLOCO KENGAS E MARIAS (concentração na Renatão) 
15h - FREVORANDO (concentração na Praça N. Srª do Loreto) 

SEGUNDA-FEIRA (04/03)
CIDADE HISTÓRICA
14h – BLOCO SOHDANOIS 
15h – BLOCO CASA AMARELA
15h30 – BLOCO NÓS AJEITA
16h – BLOCO FILHOS DE DEUS 
17h - BLOCO ZÉ DA FOLIA 
17h30 - LASKETAS 

TERÇA (05/03)
POVOADO COLÔNIA MIRANDA
04h30 – SACO DA MADRUGADA 

EDUARDO GOMES
10h - TÔ NEM AÍ 
11h - PINGA-PINGA 

BICA DOS PINTOS 
13h – BANDA CIDADE HISTÓRICA 
15h – BANDA DO GUGU

BAIRRO APICUM MEREM
15h – BLOCO AS PIRANHAS

POVOADO RITA CACETE
15h30 - BLOCO CARNACATÓLICO 

CENTRO HISTÓRICO
16h - BLOCO MOLEKADA 
16h30 – BLOQUINHO DO FASC 
17h - A PORTA 
17h30 – BLOCO AFOXÉ DI PRETO

PRAÇA DA MATRIZ
PRAÇA CARNAVALESCA DONA ZIL
DIA 03/03
HORARIO    ATRAÇÃO
19:00    GRUPO PERCUSSIVO BURUNDANGA 
21:30    AFRO REGGAE OXALUFÃ

DIA 04/03
HORARIO    ATRAÇÃO
19:00    SAMBA DE MOÇA SÓ 
21:30    ANDERSON DANTAS E BANDA

DIA 05/03
HORARIO    ATRAÇÃO
19:00    ZANNY A MUSA
21:30    BANDA TRAKINAGEM 

PRAÇA CARNAVALESCA MESTRE JORGE
EDUARDO GOMES – PRAÇA COMERCIAL
DIA 03/03
HORARIO    ATRAÇÃO
19:00    AFOXÉ DI PRETO
21:00    BANDA TRAKINAGEM 

DIA 05/03
HORARIO    ATRAÇÃO
16:00    ANNE CAROL E OS AFRODRUMS
18:00    AFRO REGGAE OXALUFà

*FEIRA SÃO CRIATIVOS TODOS OS DIAS

Fonte e foto: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São Cristóvão


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Redação
04/02
19:19

Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa detalhará prisão de acusados da autoria de homicídio em ônibus coletivo

O crime foi praticado no interior de um ônibus do transporte coletivo na capital
 
A Polícia Civil, por meio do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), irá detalhar, nesta terça-feira, 5, as 11h, as investigações que resultaram nas prisões de Paulo Roberto dos Santos e Jefferson Williames Santos Marques. Ambos são acusados de participação no homicídio cometido no último dia 31 de janeiro no interior de um ônibus do transporte coletivo.
 
Na ocasião, serão fornecidas maiores informações sobre as investigações que identificaram os autores, localização e prisão dos acusados. O crime foi praticado dentro de um coletivo, na avenida Santa Gleide, na Zona Norte da capital. As prisões contaram com o apoio de policiais da Divisão de Combate a Roubos e Furtos de Veículos (DRFV).
 
Fonte: SSP-SE


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Redação
27/01
11:00

Uma visita ao "Gabinete Maruinense de Leitura"

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

No começo de 2019, conseguimos realizar um projeto de turismo cultural, visitando o Gabinete Maruinense de Leitura, localizado na cidade de Maruim, em Sergipe. Já tínhamos estado lá em 2018, só que num fim de semana, quando essa instituição fundada em 1877 fica fechada. Essa viagem perdida aconteceu porque pensamos que o famoso gabinete fosse uma atração turista.
 
Antes de prosseguir, devemos explicar ao leitor o que é um "gabinete de leitura". Em quase todas as províncias brasileiras foram criados esses espaços culturais tomando como modelo Real Gabinete Português de Leitura, um exemplo de beleza arquitetônica por fora e, por dentro, muitos objetos de arte por toda a parte, além de preciosidades em termos de livros e impressos em geral. Depois dessa rápida aproximação, precisamos fazer uma parada na França, onde esses gabinetes de leitura conheceram uma expansão impressionante, superando a Inglaterra e a Alemanha, e cobrindo grandes partes do território francês.

É preciso destacar que, na França, a expansão dos gabinetes de leitura ocorreu depois da Revolução Francesa(1789), como modo de difundir a cultura letrada numa sociedade em que o letramento da população estava longe de ser universalizado. Outro ponto que merece ênfase é que os gabinetes franceses de leitura, conhecidos como boutiques à lire eram privados e os seus proprietários alugavam livros, entre outros impressos a pessoas que não podiam comprar esses bens culturais. Voltemos a Sergipe.

Na literatura consultada sobre o assunto, ficamos sabendo de dois casos de gabinetes de leitura no Ceará e Alagoas permitiam o acesso gratuito aos interessados e, além disso, estavam ligados ao sistema de ensino. Esse não foi bem o caso do Gabinete Maruinense de Leitura, idealizado pelo cônsul alemão Otto Schramm, morador de Maruim, num contexto de economia escravista. Com efeito, foi criado para ser um clube social e cultural privado ao qual só tinham acesso os membros da instituição, ou seja, pessoas da aristocracia rural, de comerciantes, estrangeiros e diversos tipos de funcionários públicos. A sua natureza classista é inegável. É verdade que essa condição foi sendo modificada do século XIX ao século XXI, sendo transformado o gabinete de espaço particular a espaço público, primeiro federal, depois estadual e municipal, até ser o que é hoje: uma biblioteca pública municipal. Dito de outro modo, seu itinerário evoluiu de biblioteca privada de elites sociais, profissionais e culturais a uma biblioteca pública em condições precárias que espera mais atenção dos seus gestores. Tratemos mais precisamente de nossa visita recente.

O Gabinete Maruinense de Leitura está situado na praça principal da cidade, a Praça Barão de Maruim, de frente para a linda Catedral, tendo a seu lado esquerdo o prédio da Prefeitura pintado todo de azul e branco, exatamente como o gabinete. O prédio em que está o gabinete foi comprado e doado, em 1926, pelo governador Maurício Gracho Cardoso, o político que mais contribuiu para a educação e a cultura na história de Sergipe. De imediato, percebemos que o prédio do gabinete não era obra do governador que mais contribuiu para o desenvolvimento da educação e da cultura, por causa da ausência da águia que é a marca de suas construções.

Para entrar no recinto, é preciso vencer alguns degraus e, de um lado e de outro de sua porta principal, ainda do lado de fora, estão expostas duas estátuas, uma de Clio simbolizando a História e outra de Minerva representando as artes, a cultura. No seu saguão, tem um busto de mármore de João Rodrigues da Cruz, patrocinador do gabinete, e algumas placas sobre as quais mais adiante falaremos. O visitante fica então com duas opções. Se entrar pela porta direita, encontrará uma pequena biblioteca moderna com livros mais recentes e um espaço usado por estudantes para fazer tarefas escolares. Essa parte nada tem de interessante. Ao entrar pela porta esquerda, lá está o que sobrou do famoso gabinete de leitura. Devemos confessar que esperávamos mais, mas não nos impediu apreciar a beleza do gabinete de leitura.

O chão é feito é de azulejos brancos e pretos, cuja procedência nos é desconhecida. Não perguntamos e ninguém nos respondeu se, quando da sua construção, o assoalho era de madeira - como costuma acontecer com instituições desse tipo. O forro abaixo do teto é de material contemporâneo (PVC), e possui diversas placas faltando. Se o telhado não for bem cuidado, chuvas fortes podem pôr em risco o seu acervo que serve para contar a história dos livros, das leituras e dos eleitores em Sergipe e, por conseguinte, a história das elites dirigentes sergipanas.

A sala do acervo possui mais ou menos uns sete metros de cumprimento, enquanto, em termos de largura, tem uns três ou quatro metros. De um lado e de outro da sala, existem dez estantes de madeira de lei, originais, todas com vidro, o que permite ao visitante com algum esforço identificar os nomes dos livros e de seus autores. Dentro das estantes, os livros estão dispostos em posição vertical e horizontal. Os livros em estado mais precário estão na horizontal. Fizemos um tour das dez estantes e reconhecemos muitos autores e títulos. Tem livros que têm a ver com profissões ou técnicos; alguns livros são de filosofia e outros mais são romances. Ali podem ser encontrados livros em português e francês, a língua estrangeira mais importante à época em termos culturais. Não avistamos livros em outras línguas. Notamos a falta de romances brasileiros do século XIX.

Os livros mais antigos estão dispostos nas primeiras estantes, de um lado e de outro da sala. No fundo estão expostos livros de referência como dicionários, enciclopédias e outras obras recentes. Não podemos deixar de dizer que, no centro da sala, existem quatro ou cinco mesas com cadeiras que parecem ser aquisições bem recentes e que, entre a terceira e quarta estantes do lado esquerdo, lá está outro busto que, segundo funcionária, é do barão de Maruim, um rico latifundiário e político da cidade.                        

Não podemos afirmar que não existem certos documentos no Gabinete de Maruim que nesses espaços são geralmente encontrados. Sentimos a falta de um livro de atas, de um estatuto (ou mais de um porque o gabinete mudou de forma jurídica ao longo do tempo) da instituição, um livro antigo com as assinaturas dos tomadores de empréstimos de livros, entre outros. Coisa muito mais grave: não existe um catálogo com todas as obras e impressos! Sabemos que existiu um jornal literário (Revista Literária) que teve curta duração.

Muito acima, antecipamos que há algumas placas no saguão do gabinete. Uma delas é da Academia Maruinense de Letras. Pensamos que não havia lugar mais apropriado para uma academia, com membros locais e de outras cidades. É nesse mesmo gabinete que são realizadas as reuniões da academia - da mesma forma que nesse espaço eram realizadas conferências, palestras etc. de muitos intelectuais sergipanos, a exemplo de Tobias Barreto, Felisbelo Freire, entre outros, nos tempos de glória do gabinete. Foi isso, aliás, que nos deixou um tanto decepcionado. Como é que homens e mulheres intelectuais, membros das elites sergipanas, se permitem deixar que aquele tesouro fique abandonado, a deteriorar-se com o avanço do tempo?

Não coletamos a informação sobre o fato de o Gabinete Maruinense de Leitura ter sido ou não tombado pelo IPHAN. Sabemos, sim, que esse gabinete de leitura é, aparentemente, o único sobrevivente das demais instituições do gênero que existiram em Sergipe, também no século XIX, nas cidades de Laranjeiras, Estância, Itabaiana e Riachuelo. Em nossa opinião, transformar esse gabinete de leitura que tem atravessado três séculos (o século XX inteiro e duas fatias históricas parciais dos séculos XIX e XXI) num museu seria a coisa acertada a ser feita. O que as autoridades culturais e políticas municipais e estaduais estão a esperar para fazer o que já deveria ter sido feito?

PS: Nossos agradecimentos a Joelma Ferreira Martins, diretora do gabinete que nos concedeu duas entrevistas por telefone e que não é responsável por nada do que foi dito no texto acima, e aos demais funcionários que nos atenderam muito gentilmente.


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
20/01
12:50

Síntese da homilia na posse do governador do estado

Dom João José Costa
Arcebispo Metropolitano de Aracaju

Felizes as pessoas que, diante de Deus, sabem render ação de graças. Felizes as pessoas que, ao render ação de graças a Deus, têm em mente ser solidárias com todas as outras pessoas, especialmente com as mais necessitadas. 

Felizes os que recebem poderes do povo, para lhes conduzir em busca dos fins do estado, que, em síntese, revestem-se do bem comum. E no bem comum está a justiça social.Nesta tarde, quando o sol se prepara para nos deixar envolver pelos véus da noite, que nós possamos esperar da nova gestão do governo estadual muito trabalho para vencer a crise que se arrasta na vida pública, tangida pelo descompasso entre a economia, a política e a moral administrativa, que, infelizmente, se abateu sobre o país. 

As dificuldades para a gestão pública, em 2019, ainda devem ser grandes, pelo que se antevê através dos prognósticos apontados pelos especialistas. Não tem sido fácil a ação dos governos, nos últimos anos. Não tem sido fácil a vida de milhões de brasileiros, que sofrem com a desigualdade na distribuição de renda, no acúmulo desproporcional da riqueza e no desemprego. 
Às vezes, podemos enxergar em boa parcela da população a situação que Jesus Cristo constatou ao ver as multidões, quando Ele proferiu o sermão da montanha: Jesus se compadeceu daquela gente porque viu ali um rebanho como que sem pastor. Um povo sofrido, espoliado pela prepotência do Império Romano, pela indiferença dos líderes religiosos do Templo de Jerusalém e das sinagogas. O povo pobre abandonado à sua própria sorte, esperando apenas pela misericórdia de Deus.

Há ainda, meus irmãos e minhas irmãs, no seio do povo brasileiro, muita gente sofrida, para quem falta segurança, saúde, educação, moradia, transporte público de qualidade, dignidade e o exercício pleno da cidadania, que são fundamentos da República Federativa do Brasil, como afirma o art. 1º da Constituição Federal.

Precisamos de políticas públicas que possam atender ao clamor do povo pela justiça social. Que possam contribuir de forma decisiva para a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, erradicando a pobreza e a marginalização e, ainda, reduzindo as desigualdades sociais, como apregoa o art. 3º da Magna Carta. 

A história administrativa de Sergipe, quer como província imperial, quer como estado-membro, na era republicana, quase sempre foi cercada de problemas que, muitas vezes, angustiaram os governantes e os governados. Mas, ao longo dos tempos, a altivez do povo e a sua luta no trabalho árduo deram suporte aos que nos governaram para poder encontrar caminhos por entre as pedras, que levassem à estabilidade administrativa. 

Nos dias de hoje, em que muitos governantes estaduais têm encontrado dificuldades financeiras para suprir as necessidades básicas da máquina administrativa, é preciso exercer o múnus público com a devida atenção a esta exortação de Santo Tomás de Aquino:“Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir”. 

Que, Vossa Excelência, senhor governador, possa se inspirar nessas palavras do Doutor Angélico. Que saiba escolher bem os seus auxiliares para que, sob o seu comando seguro, encontrem em suas respectivas pastas os meios de propiciar benefícios para todos.

Que as ações do governo, neste novo começar, sejam igualitárias e equânimes, mas, de uma igualdade que iguale os iguais, na medida em que se igualam, e desiguale os desiguais na medida em que se desigualam. Nesse sentido, poderá ser alcançada a justiça social, que tanto aspiramos. 

Voltemo-nos, agora, para a liturgia deste primeiro dia do ano. Civilmente, é o dia da Confraternização Universal. Dia da paz. Liturgicamente, é o dia consagrado a Maria de Nazaré, a Mãe de Deus, que na pessoa do seu Filho Jesus Cristo revelou-se a nós, por amor.Na leitura do livro dos Números foi dito que Deus falou a Moisés para que os sacerdotes assim o dissessem, abençoando o povo:“O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz”!

Esta bênção nós a proferimos, nesta santa celebração, para todos os fiéis, e, muito especialmente, para o senhor governador e sua equipe de cooperadores diretos, a fim de que possam trabalhar sem descanso para o bem do povo sergipano. Que encontrem em Deus forças necessárias, para que jamais vacilem no cumprimento do dever, assegurando os direitos e garantias fundamentais que constam do art. 3º da Constituição Estadual. 

Na segunda leitura de hoje, da carta de São Paulo aos Gálatas, o apóstolo dos gentios afirma com precisão que “Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sujeito à lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à lei e para que todos recebêssemos a filiação adotiva”. 
Maria, como todos nós sabemos, era uma jovem, filha de uma família piedosa, uma família pobre, que morava numa pequena e esquecida povoação da Galileia, região nunca bem vista pelos judeus de Jerusalém. Porém, foi àquela jovem que Deus enviou o seu Anjo, para lhe anunciar que seria a Mãe do Salvador. Hoje, a Igreja Católica celebra exatamente a Mãe de Deus, do Deus Filho, que, vindo do ventre bendito de Maria, cresceu em graça, estatura e sabedoria, para nos resgatar de todo mal, de todo pecado e das sombras da morte. Maria é a nossa Mãe, que como tal nos foi dada pelo próprio Jesus, quando, do alto da cruz, a entregou aos cuidados de João, o mais jovem dos apóstolos, dizendo-lhe: “Eis a tua Mãe”. Entregando Maria como Mãe de João, Ele a entregava como Mãe de todos nós. 
E do Evangelho de São Lucas, que hoje se proclama, temos que “os pastores foram às pressas a Belém e encontraram Maria, José e o recém-nascido deitado na manjedoura”. 

A primeira reflexão que devemos fazer é sobre quem inicialmente foi ao encontro da Sagrada Família. Foram os pastores, ou seja, foram pessoas pobres, que lutavam para vencer os desafios da vida. E é para pessoas assim, sobretudo, que os governantes devem voltar o seu olhar e as suas ações.A segunda reflexão é sobre o lugar onde os pastores foram encontrar o Santo Menino: numa manjedoura.

 Nascido pobre, simples e humilde, ali, naquela gruta de Belém, estava, todavia, a Divindade, a Onipotência de Deus. O Pai Eterno nos mostra, assim, a necessidade de sermos simples e humildes, como foi o nascimento do Salvador da humanidade. 

Quem exerce o poder, por mandato popular, que, originalmente, é do povo, deve fazê-lo sem prepotência e sem autoritarismo, mas, sim, com autoridade e simplicidade. O exercício do poder tem prazo certo, ou seja, ele é efêmero. O poder só é bem exercido quando se volta para satisfazer as necessidades e as utilidades a serem usufruídas pelo povo. 


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
13/01
12:52

Elites médicas e política

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

Certa vez, em entrevista ao jornalista Osmário Santos, o ex-deputado estadual Leopoldo Souza declarou que pensou em estudar Medicina para fazer a carreira de político. Essa era compreensão que se tinha/se tem da profissão médica, para aqueles que fazem o clientelismo político. Com efeito, nas sociedades em que predomina a política clientelística, o exercício da Medicina permite que médicos transformem redes de pacientes em redes de clientes ou de eleitores. Imagine você médico trabalhando por anos, a serviço da Secretaria Estadual da Saúde e de prefeituras, atendendo a pacientes que são economicamente de baixa ou nenhuma renda e de baixa escolaridade.

Essas atividades médicas geram laços pessoais de dívida pessoal dos pacientes para com profissionais da Medicina, mesmo que se trate de serviço público. Ou ainda reflita o leitor sobre médico que trabalha para empresas privadas e sindicatos com grande número de empregados e filiados. Nos dois casos, esses pacientes podem não ter ideia do que é ter direitos, entendendo a prestação de serviço médico como um favor - coisa que é, sutilmente ou não, reforçada por prefeitos, empregadores e lideranças sindicais de um modo geral. Era nisso que pensava o político mencionado acima. Não é demais lembrar que até hoje políticos contratam médicos para a prestar serviços médicos a seus eleitores, quando não usam a própria máquina pública para fins eleitorais. Mesmo que essa prática médica não seja bastante para conquistar um mandato eletivo, nem exclusividade de Sergipe, ela serve para o candidato dizer que tem um “serviço social” para mostrar. Evidentemente, esse não é o único caminho trilhado por médicos que fazem política partidária e nem todos os médicos da esfera pública e privada recorrem a essa estratégia para ingressar e permanecer na política.

Foi pensando nessas práticas médicas que nós lemos o dicionário biográfico de médicos sergipanos organizado por Antônio Samarone de Santana, Lúcio Antônio Prado Dias e Petrônio Andrade Gomes, publicado em 2009 (SANTANA, Antônio Samarone et al.  Dicionário biográfico de médicos de Sergipe. Aracaju: Academia Sergipana de Medicina, 2009). O livro tem duzentas e cinquenta e cinco páginas e é todo de luxo (capa, contracapa e páginas). Os três organizadores são médicos e, salvo engano de nossa parte, apenas o professor universitário e servidor público do Ministério do Trabalho Antônio Samarone de Santana tem tido militância na política sergipana.

O livro está estruturado da seguinte forma: a) pequenos textos usados como apresentação do livro (Débora Pimentel: “Apresentação”; Luiz Antônio Barreto: “Dicionário Biográfico de Médicos”; Antônio Samarone de Santana: “Os Médicos Sergipanos”; Lúcio Antônio Prado Dias: “Lembranças que não fenecem”; Petrônio Andrade Gomes: “Dr. Augusto Leite na Medicina de Sergipe”); b) quatrocentos e vinte e um (421) verbetes biográficos de médicos, c) e mais quarenta (40) verbetes biográficos de médicos pertencentes à Academia Sergipana de Medicina, entre os quais estão os organizadores do livro. Como o leitor pode imaginar, os quatrocentos e vinte e um verbetes biográficos são a parte principal e mais importante do livro. Na construção dos verbetes biográficos os organizadores utilizaram três critérios, isto é, médicos vivos, falecidos e membros da Academia Sergipana de Medicina. Entre vivos e mortos, o livro contém verbetes biográficos de médicos sergipanos que aqui praticaram a Medicina, médicos sergipanos que se radicaram em outros estados e médicos de outros estados que em Sergipe se instalaram. O lapso temporal coberto pelo livro vai do século XIX ao XX e começos da atual centúria.

Esse é tipicamente um livro que serve como fonte para pesquisas acadêmicas. Certamente, o objetivo de seus organizadores foi aquele de resgatar a memória de um grande número de médicos sergipanos, fazendo-lhes uma homenagem em forma de livro. O livro traz em seu bojo dois tipos de fontes: fotos de pessoas, fotos de hospitais, médicos da Faculdade Medicina da Bahia, fotos de salas de cirurgia, foto de aula de anatomia e de eventos importantes na Medicina, e,  verbetes biográficos apresentados em ordem alfabética. Quanto a esses verbetes biográficos, têm um problema: ninguém fica sabendo quem escreveu os tais verbetes. É verdade que, na parte chamada de “bibliografia”, fontes bibliográficas são citadas, além dos arquivos do Conselho Regional de Medicina do Estado de Sergipe, sindicato semelhante à OAB dos advogados. Temos a impressão de que as principais fontes utilizadas foram o dicionário biobibliográfico de Armindo Guaraná e as fichas com dados pessoais e profissionais existentes no sindicato referido.

O dicionário biográfico de médicos sergipanos traz muitas informações interessantes mesmo para quem não pertence à poderosa corporação médica. Ficamos sabendo, por exemplo, da participação de médicos sergipanos na Guerra do Paraguai. No dicionário, são referidos alguns desses médicos: Antônio Pancrácio de Lima Vasconcelos, Eugênio Guimarães Rebello, Eusébio Góes, José Ignácio Pimentel, Manuel Baptista Valadão, Manuel Lobo etc. Quando submarinos alemães torpedearam, em 1942, navios brasileiros e corpos foram trazidos pelas águas à Praia do Mosqueiro, em Aracaju, médicos sergipanos (Carlos Moraes de Menezes, Jessé Fontes, Pedro Soares, etc.) tiveram uma atuação importante no seu resgate e depois no acompanhamento da construção do Cemitério dos Náufragos, local ainda à espera de um memorial.

Uma vez que a Faculdade de Medicina da UFS foi inaugurada em 1961, não é difícil concluir que os médicos das famílias geralmente abastadas sergipanas eram treinados, principalmente, na conservadora Faculdade de Medicina da Bahia – exatamente como aconteceu com os bacharéis em Direito, depois de a Bahia ter criado sua faculdade de Direito com o fim do Império, mas com a diferença de a Faculdade de Medicina ter sido fundada em 1808. Como foram muitos os médicos formados na Bahia e que aqui não tinham o que fazer, muitos desses profissionais sergipanos se transferiram para outros estados, sobretudo São Paulo. Na história da Medicina em Sergipe, muitos médicos vieram da Bahia, de Alagoas etc. e aqui fincaram raízes.

O que contém cada verbete biográfico? Basicamente, dados pessoais e profissionais como data e local de nascimento, pertencimento a instituições sociais, locais de estudos e especializações, empregos principais, livros publicados etc. As informações são desiguais, ou seja, em alguns casos são bem pequenos perfis biográficos e em outros maiores. Vistos em conjunto, todos os perfis não são grandes. Existem também informações sobre aqueles que exerceram cargos políticos, obtidos por nomeação política e através de eleições. É isso que nos interessa nesse livro.

Certamente, não têm sido poucos os médicos que têm ocupado cargos políticos por nomeação. Como se sabe, existe uma reserva de mercado na máquina estatal para os médicos. Eles ocupam, geralmente, os ministérios e as secretarias da saúde do Estado federal, dos Estados Federados e dos Municípios. Existe uma crença ingênua na população segundo a qual eles sabem como administrar os problemas da saúde em qualquer nível estatal pelo simles fato de serem médicos. “Gestor da saúde tem ser médico”, dizem por aí. Não indicar um médico para a pasta da saúde significa não prestigiar essa corporação profissional. Nesse sentido, muitos foram os secretários da saúde no Estado em Sergipe. Citaremos alguns nomes que nos são mais familiares: Everton de Oliveira, José Machado de Souza, Lauro Augusto do Prado Maia e Lucilo Costa Pinto. Entre os secretários de estado ocupando pastas que não a saúde, eis aqui alguns nomes: Nestor Piva, Walter Cardoso, Iracema Barbosa Carneiro Leão e João Cardoso Nascimento Junior, É preciso acrescentar que muitos médicos têm ocupado cargos políticos que são geralmente ocupados através de eleições mas que, por causa de períodos autoritários da nossa política, foram simplesmente indicados.

A lista de médicos tendo ocupado cargos políticos eletivos não é extensa, se comparação for feita com os bacharéis em Direito. Mesmo assim, entre esses profissionais podem ser apontados governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e vereadores. Não é demais lembrar que, visto que os verbetes biográficos também cobrem o período da monarquia, esses mesmos cargos recebem outras denominações – as quais por sua vez, em alguns casos, foram mantidas com a época republicana (presidentes de província, intendentes, etc.) Eis a seguir a lista de muitos desses nomes de médicos que ocuparam postos eletivos por um ou mais mandatos e de médicos que fizeram da política a sua profissão.

Entre os governadores, mencionamos Felisbello Freire (o primeiro governador sergipano), Rodrigues Dória, Eronildes Carvalho, Augusto Franco e Lourival Batista; procurando não repetir os nomes daqueles profissionais que também foram governadores (o que vale para os demais citados adiante), foram senadores os médicos Augusto César Leite, Durval Rodrigues da Cruz, Lauro Dantas Hora,Gilvan Rocha, Francisco Rollemberg etc.; entre os deputados federais: o grande pensador social brasileiro Manuel Bonfim, Joviniano Joaquim de Carvalho (pai de Carvalho Neto) , etc.; entre os deputados estaduais: Marcelo Ribeiro, Airton de Mendonça Teles, Armando Domingues, Octávio Penalva, Edelzio Vieira de Melo, Eraldo Lemos; entre os prefeitos (Cleovansóstenes Pereira de Aguiar, Carlos Firpo,  etc.; e entre os vereadores (Antônio Garcia Filho, Emerson Ferreira, Gonzaga, e muitos outros).

Voltando ao livro, queremos dizer que esse o tipo de trabalho que não envelhece, a exemplo do famoso trabalho pioneiro de Armindo Guaraná ou, mais recentemente, do livro com memórias de políticos produzido por Osmário Santos que tem tornado possível um considerado número de monografias, dissertações e teses acadêmicas. Apesar dos preconceitos de algumas pessoas, da mesma forma que precisamos conhecer mais os  grupos subalternos sergipanos, também necessitamos saber sobre as suas elites dirigentes.
 


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