07/04
08:34

Projeto Pôr do Sol é realizado no Mosqueiro


A Prefeitura Municipal de Aracaju, através da Secretaria Municipal da Indústria, Comércio e Turismo, deu início neste sábado, 05, ao Projeto "Pôr do Sol de Aracaju" na Orla Pôr do Sol no bairro Mosqueiro.

A comunidade inteira se movimentou e esteve presente, fortalecendo o evento, participando da feirinha de comidas típicas e artesanatos, bem como de tradicionais grupos folclóricos que se apresentaram na tarde deste sábado: Samba de Coco, Reisado e quadrilha junina da terceira idade.

O evento iniciou as 17h20 com a apresentação do sanfoneiro Valtinho do Acordeom, que em um barco nativo percorreu parte do rio Vaza Barris tocando o bolero de Ravel e canções típicas do Nordeste brasileiro e de artistas sergipanos, e em seguida, já às 18h, encerrou sua participação tocando no palco a Ave Maria, emocionando a todos os presentes. Tudo isso sob a mais bela imagem do pôr do sol que chamou a atenção dos turistas que não paravam de filmar e fotografar.

Após as apresentações culturais, o público presente curtiu a noite ao som de Luciene Melo (ex-cantora da banda Magníficos) e Élio Lima, que encerrou a primeira noite do projeto, que segue durante todos os sábados do mês de abril. Para o secretário Fábio Andrade, o projeto aconteceu de acordo com os anseios do prefeito de Aracaju, João Alves Filho.

"Foi um grande sucesso e isso devemos ao trabalho de toda a equipe da SEMICT, do coordenador do projeto, Hugo Esoj, da Polícia Militar, Smtt, Guarda Municipal, que nos deram todo o aparato para que tudo ocorresse na mais perfeita ordem. Agradecemos a imprensa e também a todo o trade que esteve presente no evento, desde representantes do receptivo às presidências de grandes entidades do setor como Hamilton da Nozes Tour, João Ávila do Conventios & Bureau Aracaju e Daniela Mesquita da ABIH/SE. Sem esquecer do nosso grande secretário Walker Martins Carvalho, que por motivo de saúde, não esteve presente, mas que sentimos muito forte sua presença, tamanho foi seu desempenho para que este projeto fosse realizado, a ele o nosso mais vibrante muito obrigado", finalizou Fábio Andrade.

Para a turista Carla Maranhão, do Rio de Janeiro, o projeto serviu para completar o dia de lazer. "Estava em um passeio na Croa do Goré e quando retornasse iria pro hotel buscar o que curtir em Aracaju. Quando chegamos na Orla Pôr do Sol encontramos tamanha festa e animação que todo o grupo resolveu ficar e curtir o evento do local. Estamos adorando e o lugar é lindo. Quero retornar mais vezes a Orla Pôr do Sol", disse a carioca Carla.

Dona Ana Maria, moradora do bairro Mosqueiro, disse que há tempos a comunidade não via festa deste tipo: boa e tranquila. "Eu estou nesta idade, 78 anos, e te digo com toda minha alegria que há tempos não acontece festa como esta aqui na comunidade. Estamos muito felizes e agradecemos ao prefeito João Alves por lembrar da gente. Estou aqui com minha família, minha nora e meus netinhos. Tem divertimento pra todos. Eu não vejo esta orla tão movimentada faz tempos", enfatizou dona Ana.

O Projeto Pôr do Sol de Aracaju prossegue durante todos os sábados do mês de abril, a partir das 16h, na Orla Pôr do Sol.

Presenças

Também prestigiaram o evento os secretários municipais Georlize Teles (Defesa Social), Gláucia Guerra (Fundat), Josenito Vitale (Cultura), a secretária adjunta da Cultura, Aglaé Fontes, e o diretor geral da Guarda Municipal de Aracaju, Enilson Aragão.

Da assessoria
Foto: Ascom/Semict


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
31/03
02:15

O encolhimento do saldo comercial brasileiro – parte 3

Ricardo Lacerda e Thiago Souza

Como vimos nos dois artigos anteriores, o encolhimento do saldo comercial brasileiro em 2012 e 2013 se deveu em grande parte à inversão abrupta da trajetória das exportações. A tese central é que as exportações brasileiras, depois de apresentarem uma forte aceleração entre 2002 e 2008, ainda lograram manter taxas de crescimento elevadas entre 2008 e 2011, mesmo que em ritmo menos acentuado do que no período anterior.

A continuidade do crescimento das exportações, após o início da crise internacional, exigiu a reorientação das vendas externas para os mercados emergentes, com destaque para os mercados os asiáticos. Tal reorientação favoreceu o crescimento das exportações de produtos básicos e de menor intensidade tecnológica. Assim, a crise propiciou que a mudança que já vinha ocorrendo na pauta exportadora e nos mercados de destinos das exportações brasileiras fosse acentuada.

Todavia, quando a economia mundial entrou no segundo mergulho da grande recessão, a partir de meados de 2011, os mercados emergentes sofreram,com alguma defasagem temporal, impacto intenso. O Brasil já não contava com a válvula de escapa de exportar para os emergentes. Entre 2011 e 2013, as exportações brasileiras recuaram. Como efeito colateral da interrupção do crescimento das exportações, as mudanças no perfil da pauta e do destino se tornaram menos acentuadas.

Destinos

A mudança da pauta exportadora mostrou-se fortemente associada ao perfil dos parceiros comerciais.À medida em que as vendas para China e para o conjunto do bloco asiático ganharam participação, os produtos industrializados e, dentre eles,os produtos de alta e média alta intensidades tecnológicas,reduziram seus pesos no total,enquanto os produtos não industrializados e os industrializados de baixa e média-baixa intensidade tecnológica aumentaram suas participações.

No extremo oposto, as exportações para a economia americana, que já vinham apresentando desempenho bem inferior à média dos destinos no período de intenso crescimento das exportações brasileiras, entre 2002 e 2008, simplesmente pararam de crescer após o início da crise financeira internacional, concorrendo para reduzir o peso das exportações industrializadas e de intensidade tecnológica mais favorável.

Industrializados e não industrializados


É importante destacar que a classificação segundo intensidade tecnológica considera apenas os produtos industrializados, que representavam, em 2013, 62,4% do total exportado pelo país, cerca de três em cada cinco dólares exportados. Em 2013, esse grupo respondia por 80,6%, ou cerca de quatro em cada cinco dólares exportados.

O Gráfico 1 mostra que a redução na participação das exportações não industrializadas se acentua a partir de 2008, mas mostra também que ela deixou de ser ampliada nos últimos dois anos.


Intensidade tecnológica

A mudança na pauta exportadora, associada à mudança no perfil de destino e à reversão na trajetória do crescimento pós-2011, pode ser captada também no perfil das exportações dos produtos industrializados segundo a intensidade tecnológica.O movimento não foi linear, com exceção da participação dos produtos de alta tecnologia que declinou durante todo o período 2002-2013.

Os produtos da indústria de alta tecnologia, que representavam 9,8% das exportações totais, em 2002, perderam mais de cinco pontos percentuais de participação e, em 2013, representavam apenas 4,1%. As exportações de média-alta tecnologia, com destaque para veículos automotivos, apresentaram bom desempenho até 2008 e tiveram dificuldades nos anos seguintes (ver Tabela). 



Por sua vez, os produtos de média-baixa tecnologia ganharam participação até 2008, têm um rebaixamento importante, em 2009 e 2010, e apresentaram tendência de recuperação de participação nos anos seguintes, trajetória inversa a da participação dos produtos de baixa tecnologia.

Notável mesmo é o desempenho das exportações não industriais, que resistiram à ao agravamento do cenário externo até 2011, recuando, todavia, nos dois anos seguintes.

Na etapa mais recente (2011-2013), de dificuldades mais acentuadas no comércio exterior, o único grupo que aumentou as exportações foi o de média-baixa tecnologia, enquanto as exportações de alta tecnologia, de média-alta tecnologia e de baixa tecnologia e de produtos não industriais apresentaram quedas muito expressivas.

Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/




Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
28/03
06:35

Rogério pede CPI para investigar “ Máfia” de vendas de Próteses e Órteses no Brasil

O deputado federal Rogério Carvalho( PT/SE) requereu a instalação de Comissão Parlamentar Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a Cartelização na Fixação de Preços e Distribuição de Órteses e Próteses. O pedido abrange também investigação da Criação de Artificial de Direcionamento da Demanda e Captura dos Serviços Médicos por Interesses Privados. O título da CPI seria: “ MÁFIA DAS ÓRTESES E PRÓTESES NO BRASIL, suas causas, consequências e responsáveis no período 1994 – 2013”.

“Dados recentes indicam que as órteses e próteses são responsáveis por gastos elevados que afetam o Sistema único de Saúde (SUS). Há disparidade em relação aos preços praticados na venda de órteses e próteses de mesmo material e até mesma marca em diversas regiões do país, em alguns casos alcançando a discrepante proporção de um aumento de até 900%. A mesma discrepância de preço muitas vezes é observada na mesma região entre as aquisições promovidas pelo setor público e o setor privado”, informou Rogério, que acrescentou: “ Aliás, existem setores do SUS (público e privado) que foram capturadas por interesses privados, uma vez que há um crescimento acima da média do mercado de equipamentos e materiais (comparado com outros países emergentes)”.

“Tal fato determinado exige que se investigue: Quem são esses que criam falsas necessidades (produtores? Importadores? Distribuidores?), como o fazem? (meios ilegais de cooptação do serviço público de saúde para comercialização? Meios que ferem a  robidade/moralidade administrativa?) quem são os que participam (médicos, clínicas, hospitais, atores jurídicos?), É preciso esclarecer”, e acrescenta: também produzir propostas para o combate, a prevenção e fiscalização dessa forma de ilícito e de violação do direito à saúde, apresentando assim, uma resposta à sociedade brasileira. O requerimento é assinado também pelo deputado Deputado Ricardo Izar do PSD/SP.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
26/03
10:19

Pan-Americano Juvenil de Ginásticavai começar hoje


Provas artísticas acontecem no Ginásio Constâncio Vieira até domingo


A nova geração da ginástica artística estará no Ginásio de Esportes Constâncio Vieira, hoje até domingo, na disputa do Campeonato Pan-Americano Juvenil. A competição começa com os treinamentos oficiais, que seguem até às 20h30, horário que começa a cerimônia de abertura, tudo com entrada gratuita. O evento é importante, já que, além da busca por medalhas por equipe, individual geral e por aparelhos, os ginastas vão disputar vaga nos Jogos Olímpicos da Juventude, que serão realizados em agosto, na China.

Esta é a segunda vez que Aracaju recebe a competição. A primeira foi em 2009, quando revelou talentos como Sérgio Sasaki, que está na capital sergipana para treinamentos preparatórios, Petrix Barbosa, Caio Souza, Arthur Nory Mariano e Letícia Costa.
Na época, foram dez medalhas conquistadas durante os três dias de apresentações. Agora, pelo masculino, as apostas são Gabriel Farias, Lucas Cardoso, Luís Porto e Yannick Santos. Bernardo Miranda e Marcus Paulo Silva são os reservas. Entre as meninas, Flávia Saraiva, Lorenna da Rocha, Milena Theodoro, Rebeca Andrade e Thauany Araújo são as representantes femininas.

A presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Luciene Resende, está muito feliz em ter a oportunidade de realizar a competição no Brasil pela segunda vez consecutiva. .

O Campeonato Pan-Americano Juvenil contará também com a participação da Argentina, Bermudas, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Equador, Guatemala, Ilhas Caimã, México, Panamá, Peru, Porto Rico, Venezuela e Uruguai.

Na programação de abertura, consta desfile das representações, pelotão de bandeiras, apresentação da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica, que acaba de retornar de competições na Europa, apresentação do Quinteto Sanfônico, hasteamento das bandeiras e apresentação da Banda de Carmópolis.  


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
26/03
07:18

Hospital de Propriá atendeu quase 200 mil pessoas em 2013, diz Gualberto

Durante debate sobre a saúde pública no Estado, o deputado Francisco Gualberto (PT), líder da bancada de governo na Assembleia Legislativa, enfatizou que reconhece as deficiências do setor, mas apontou avanços. Na sessão desta terça-feira (25), Gualberto levou para a tribuna números que mostram a eficiência do Hospital Regional de Propriá, conhecido como São Vicente de Paula, durante o ano de 2013.

No total, foram registrados 187.771 atendimentos. É o balanço mais expressivo da história daquela unidade de saúde num município com cerca de 30 mil habitantes. Foram efetuados procedimentos clínicos com 1.125 partos normais e 547 cesarianas; 42.430 exames, sendo mais de 200 cirurgias eletivas (programadas); foram 2.358 internamentos, além de duas etapas de mutirões de cirurgia de catarata (junho e agosto), e outra já em 2014, beneficiando mais de 80 pessoas.

“É bom lembrar que o hospital não atende somente os pacientes de Propriá, mas também de todo o Baixo São Francisco, sertão sergipano e pessoas de estados vizinhos como Alagoas, Bahia e Pernambuco”, disse Francisco Gualberto. “Como todos sabemos, o Brasil é um dos poucos países no mundo que tem a saúde pública universalizada através do SUS”, informou.

O deputado fez duras criticas aos governos anteriores a 2007 que deixaram inúmeros hospitais regionais fechados. Entre eles, o de Propriá, Ribeirópolis, Glória, Lagarto, Maruim e Nossa Senhora do Socorro. “Nosso governo percebeu que era preciso fazer algo nas regiões para desafogar o atendimento no Hospital de Urgência, que é de alta complexidade”, disse. “E se hoje ainda existe superlotação no Huse, imagine o que seria daquele hospital se não fosse esse modelo de regionalização implantado por Marcelo Déda?”.

Para Francisco Gualberto, mesmo com os problemas registrados, tudo o que vem sendo feito pelo governo representa um avanço significativo na saúde pública. “Não estou dizendo que a saúde é uma maravilha, mas se o governo não tivesse realizado esse trabalho nos hospitais regionais, seria bem pior”, enfatizou, cobrando mais uma vez da Assembleia Legislativa a tramitação do Proredes, projeto que garante recursos na ordem de R$ 240 milhões para investimento na saúde pública.

“O Proredes é importante para o Estado de Sergipe, não para o governo de Jackson Barreto. É dinheiro para criar programas específicos para controle de doenças crônicas, por exemplo. É mais um avanço que o governo busca”, garante o deputado. O pronunciamento de Gualberto foi acompanhado pelo diretor do hospital, Paulo Campos, além de assessores e integrantes do corpo administrativo do hospital de Propriá que estavam nas galerias da Assembleia. (Da assessoria)



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
16/03
18:05

Elites sociais sergipanas: Os fazendeiros

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

Recentemente, o historiador Ibarê Dantas publicou um novo livro que enfoca a trajetória de quatro membros de sua família, todos eles fazendeiros de lá das bandas de Riachão, em Sergipe. É uma obra de memórias familiares que recebeu três resenhas positivas publicadas neste mesmo jornal. Em razão disso, resolvi não escrever mais uma, porém fazer um comentário geral sobre esse que é o seu décimo livro (DANTAS, Ibarê. Memórias de Família. O Percurso de Quatro Fazendeiros. Aracaju: Editora Criação, 2014).

Nada direi sobre o seu autor - a não ser no último parágrafo deste texto - pois se trata de um intelectual assaz conhecido dos leitores interessados em história política sergipana. Entrarei diretamente no livro. Ele tem duzentas e sessenta e seis páginas, contendo quatro anexos. Na capa e na contracapa são expostas duas fotografias da Fazenda Boqueirão, uma tomada pelos fundos e outra que mostra a frente da casa alta e com telhas romanas. A foto da capa, além da casa e do curral, exibe um rio e vastas extensões de terras com árvores esparsas. A outra foto expõe, no alpendre da casa, cinco gaiolas de passarinhos, uma porta e quatro janelas. O livro está estruturado em quatro capítulos correspondentes aos quatro fazendeiros cujos percursos são revelados. O terceiro capítulo, referente ao pai do autor, é, de longe, o mais alargado. A sua filha Sílvia Dantas escreveu o prefácio.

O livro é uma mistura de obra de historiador e de memorialista. Além de narrador, Ibarê Dantas é personagem e, naturalmente, fonte, pois, num tipo de trabalho que se quer de memórias, deve ter ouvido muitas histórias de sua família ao longo de sua vida - como acontece com qualquer família de qualquer classe social. Enquanto membro de uma família de fazendeiros, como era de se esperar, o autor mostra um grande conhecimento sobre como vivem os fazendeiros, os quais menciona como "elite local", o que, dito com outras palavras, significa "aristocracia rural" sergipana do gado. Voltando a falar de fontes, Ibarê Dantas recorre a fontes orais na forma de depoimentos de parentes seus e de outras pessoas, do seu arquivo privado sobre a sua família, de documentação familiar e de instituições públicas a que teve acesso, de jornais, entre outras.

O livro trata de um universo social que me é completamente desconhecido, ou seja, o mundo dos fazendeiros sergipanos. Quem são pessoas que compõem essa fração da classe dominante sergipana mais antiga, posto que Sergipe nasceu como uma grande fazenda que produzia gado para abastecer, no período colonial, aos mercados de Pernambuco e da Bahia? Cuja importância econômica foi diminuída quando o território sergipano foi transformado numa grande plantation de cana de açúcar? E que voltou a ter a sua relevância no PIB sergipano quando a economia canavieira perdeu espaço na competição com a produção de cana de São Paulo nos anos 1930 e 1940?

Pelo que entendi (se entendi) da leitura do livro, as famílias dos fazendeiros lembram "empresas" ou "organizações" com fins lucrativos. Com efeito, os fazendeiros, além de venderem as mercadorias produzidas em suas terras (gado, leite, cavalos, produtos agrícolas diversos, etc.), também compram e vendem fazendas. Existe, mesmo, um mercado de fazendas. Aqueles fazendeiros bem sucedidos aumentam seu patrimônio adquirindo propriedades rurais de outros membros desse grupo social. É por conta disso que, na narrativa de Ibarê Dantas, há um grande espaço dedicado às heranças, aos cartórios, à transmissão de terras de parentes para parentes e não parentes, aos inventários, etc. Não deixou de chamar a minha atenção o seu recurso feito por fazendeiros aos bancos públicos para empréstimos, os lucros e as perdas, bem como a necessidade de lidar com problema como secas, estiagens, doenças dos animais, etc.

O problema da mortalidade infantil entre as famílias de fazendeiros não passou desapercebido. A ideia que eu tinha era a de que essa questão tinha a ver somente com as classes trabalhadoras rurais. Todavia, com leitura do livro de Ibarê Dantas, ficou a impressão de que a mortalidade infantil também afetava as classes abastadas sergipanas. Nessa mesma linha, a existência de grandes proles entre famílias de fazendeiros era algo muito corrente, no período tratado pelo livro, a saber, da primeira metade do século XIX a fins do século XX. Por conta disso, posso imaginar o problema que deveria ser a questão da transmissão de bens aos herdeiros - muitas vezes realizada antes da morte desses grandes latifundiários. Se os futuros herdeiros não se casassem com pessoas da mesma classe, inevitavelmente ocorreria um relativo empobrecimento dessas pessoas. Embora não coubesse num trabalho de memórias, o livro poderia ficar muito mais rico se pudesse explicar as estratégias matrimoniais dos fazendeiros para seus filhos e suas filhas, como formas de manter ou aumentar os seus patrimônios e reproduzir a sua classe social.

Ibarê Dantas pouco fala sobre os vaqueiros desses fazendeiros. Em relação ao primeiro parente cujo percurso é reconstituído, o autor diz que ele tinha uma escravaria e sobre isso mostra documentação. Na parte do livro em que trata de seu pai, disse que teve pequenos problemas com vaqueiros na Justiça do Trabalho. Vale lembrar que os vaqueiros somente neste século XXI estão sendo reconhecidos como profissão, ou seja, quase quinhentos anos depois de se firmarem como classe oposta àquela dos fazendeiros. Nada também escreveu sobre a questão da reforma agrária tão importante que foi nos anos 1950 e 1960 no Brasil. Mas menciona antes o problema da falta de braços advindo com o fim da escravidão em Sergipe - um problema também abordado por Josué M. dos Passos em seus dois livros sobre a história econômica de Sergipe.

A política dos fazendeiros é tratada nos três capítulos – embora ele tente minimizar o papel de sua família na política sergipana. O maior destaque dado por Ibarê Dantas é a respeito de seu pai, político ligado à UDN. Faz, a respeito dele, uma longa prestação de contas documentada de desempenho como prefeito da cidade que carrega o seu sobrenome, ou seja, Riachão do Dantas. Por outro lado, Ibarê Dantas insiste sobre a atenção dada por seus parentes fazendeiros à educação de seus filhos. Isso merece uma reflexão alongada que não pode ser feita aqui. Penso que a educação superior passa a ser central na socialização de pessoas de sua classe e de sua geração, quando Sergipe entra num rápido processo de modernização nos anos 1950 e 1960,momento em que o diploma universitário adquire um alto valor numa sociedade que vai se tornando muito competitiva. Membros de sua classe que não souberam fazer essa transição, perderam o trem da história.

Aparentemente sem ter tido essa pretensão, Ibarê Dantas escreveu um livro sobre as elites sociais sergipanas, colocando-se ao lado do trabalho de Orlando Dantas (A vida patriarcal em Sergipe), que se refere às elites ligadas às plantations de cana-de-açúcar, ao passo que o historiador consagrado aborda as elites sociais criadoras de gado. Em minha opinião, Ibarê Dantas memorialista aparece menos que o Ibare Dantas historiador. Notei muito bem o memorialista quando ele descreve a sua casa ou as brincadeiras de meninos. Esse aspecto da narrativa surge com força quando ele traça perfis de pessoas queridas dele. Aí Ibarê Dantas, sempre reservado e contido, mostra quais os valores que ele aprecia nas pessoas, logo os seus valores. Na biografia de seu pai, ele se deixa aparecer várias vezes, torna-se personagem da história familiar que conta, inclusive através de fotografias. Isso me fez pensar: por que ele não escreve suas próprias memórias como indivíduo, como professor, como pesquisador, como intelectual, etc., na primeira pessoa? Tenho certeza que tem muito a dizer. A sua participação tímida na biografia de seu pai foi um bom começo. Os seus amigos, leitores e admiradores já estão no aguardo.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
12/03
14:47

Valadares e JB jantam e discutem o futuro da aliança política hoje à noite

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) e o governador Jackson Barreto (PMDB) se encontrarão hoje à noite para jantar e conversar sobre o futuro da aliança política entre os seus grupos, tendo em vista as eleições deste ano. Até agora não foi definido o local. Fala-se na possibilidade da reunião-jantar acontecer em um hotel ou em um restaurante de Brasília. Há indícios de que o senador leve o consigo o deputado federal Valadares Filho, presidente estadual do PSB. As relações andam estremidas entre o PSB e o PMDB, mas ninguém acredita na possibilidade de que venha a ocorrer um racha. Valadares vai insistir na indicação do vice da chapa encabeçada por JB, que anda se jogando todo para o deputado federal Mendonça Prado (DEM), com quem fez "rolezinhos" no Pré-Caju e no Carnaval.


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
12/03
06:05

Mulheres protestam hoje contra assédios moral e sexual na Petrobras em Sergipe e Alagoas

Hoje,  o Movimento Mulheres em Luta (MML) realiza protesto contra a violência às mulheres e exige audiência com o governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), para debater políticas públicas de combate à violência machista. O protesto tem inicio às 6h30, em frente à Sede da Petrobrás (Rua Acre). A Secretaria de Mulheres do Sindipetro AL/SE vai lançar a campanha ‘Basta de Assédio e violência contra a mulher’. Será distribuído um kit para as petroleiras com uma bolsa, uma camisa e jornal da campanha. “Enquanto que as empresas homenageiam as mulheres com flores e presentes, chamamos as trabalhadoras a lutar. Precisamos dizer que a condição das mulheres tem piorado.

Estatísticas apontam que 15 mulheres morrem por dia de forma violenta no Brasil. Dentro da Petrobrás a situação também não é boa. Trabalhadoras enfrentam condições péssimas de trabalho, com muito assédio moral, sexual, e outras práticas violentas. De dezembro do ano passado pra cá, na base de Sergipe e Alagoas, o sindicato já registrou três denúncias”, disse Gilvani Alves, da Secretaria de Mulheres do Sindipetro AL/SE e da coordenação estadual do Movimento Mulheres em Luta (MML). 

CAMINHADA
Após o lançamento da campanha ‘Basta de Assédio e violência contra a mulher’ na Sede da Petrobrás, as mulheres seguem em caminhada até o Palácio do Governo Estadual. “No dia 25 de novembro apresentamos ao governo estadual uma pauta reivindicatória exigindo políticas públicas de combate à violência a mulher. A cada dia são cometidos crimes bárbaros fruto do machismo. Infelizmente, os governos não avançam em medidas concretas. São muitos discursos, muitas propagandas e pouca ação. Queremos ser recebidas pelo governador e queremos compromisso por escrito e assinado de medidas de combate à violência a mulher que serão adotadas, com prazos determinados. Não podemos mais conviver com assassinatos diariamente”, questiona Gilvani Alves.

A manifestação está sendo organizada pelo Movimento Mulheres em Luta (MML) e contará com a presença de mulheres de diversas categorias como petroleiras, agricultoras rurais, pescadoras, servidoras públicas e estudantes. Entidades como a Central Sindical e Popular (CSP) – Conlutas, Sindipetro AL/SE, Confederação dos Agricultores Familiares (Conafer), Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL) e o Sindipesca apoiam a manifestação. (Da assessoria)



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
Primeira « Anterior « 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 » Próxima » Última

Enquete


Categorias

Arquivos