28/03
06:35

Rogério pede CPI para investigar “ Máfia” de vendas de Próteses e Órteses no Brasil

O deputado federal Rogério Carvalho( PT/SE) requereu a instalação de Comissão Parlamentar Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a Cartelização na Fixação de Preços e Distribuição de Órteses e Próteses. O pedido abrange também investigação da Criação de Artificial de Direcionamento da Demanda e Captura dos Serviços Médicos por Interesses Privados. O título da CPI seria: “ MÁFIA DAS ÓRTESES E PRÓTESES NO BRASIL, suas causas, consequências e responsáveis no período 1994 – 2013”.

“Dados recentes indicam que as órteses e próteses são responsáveis por gastos elevados que afetam o Sistema único de Saúde (SUS). Há disparidade em relação aos preços praticados na venda de órteses e próteses de mesmo material e até mesma marca em diversas regiões do país, em alguns casos alcançando a discrepante proporção de um aumento de até 900%. A mesma discrepância de preço muitas vezes é observada na mesma região entre as aquisições promovidas pelo setor público e o setor privado”, informou Rogério, que acrescentou: “ Aliás, existem setores do SUS (público e privado) que foram capturadas por interesses privados, uma vez que há um crescimento acima da média do mercado de equipamentos e materiais (comparado com outros países emergentes)”.

“Tal fato determinado exige que se investigue: Quem são esses que criam falsas necessidades (produtores? Importadores? Distribuidores?), como o fazem? (meios ilegais de cooptação do serviço público de saúde para comercialização? Meios que ferem a  robidade/moralidade administrativa?) quem são os que participam (médicos, clínicas, hospitais, atores jurídicos?), É preciso esclarecer”, e acrescenta: também produzir propostas para o combate, a prevenção e fiscalização dessa forma de ilícito e de violação do direito à saúde, apresentando assim, uma resposta à sociedade brasileira. O requerimento é assinado também pelo deputado Deputado Ricardo Izar do PSD/SP.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
26/03
10:19

Pan-Americano Juvenil de Ginásticavai começar hoje


Provas artísticas acontecem no Ginásio Constâncio Vieira até domingo


A nova geração da ginástica artística estará no Ginásio de Esportes Constâncio Vieira, hoje até domingo, na disputa do Campeonato Pan-Americano Juvenil. A competição começa com os treinamentos oficiais, que seguem até às 20h30, horário que começa a cerimônia de abertura, tudo com entrada gratuita. O evento é importante, já que, além da busca por medalhas por equipe, individual geral e por aparelhos, os ginastas vão disputar vaga nos Jogos Olímpicos da Juventude, que serão realizados em agosto, na China.

Esta é a segunda vez que Aracaju recebe a competição. A primeira foi em 2009, quando revelou talentos como Sérgio Sasaki, que está na capital sergipana para treinamentos preparatórios, Petrix Barbosa, Caio Souza, Arthur Nory Mariano e Letícia Costa.
Na época, foram dez medalhas conquistadas durante os três dias de apresentações. Agora, pelo masculino, as apostas são Gabriel Farias, Lucas Cardoso, Luís Porto e Yannick Santos. Bernardo Miranda e Marcus Paulo Silva são os reservas. Entre as meninas, Flávia Saraiva, Lorenna da Rocha, Milena Theodoro, Rebeca Andrade e Thauany Araújo são as representantes femininas.

A presidente da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG), Luciene Resende, está muito feliz em ter a oportunidade de realizar a competição no Brasil pela segunda vez consecutiva. .

O Campeonato Pan-Americano Juvenil contará também com a participação da Argentina, Bermudas, Bolívia, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Equador, Guatemala, Ilhas Caimã, México, Panamá, Peru, Porto Rico, Venezuela e Uruguai.

Na programação de abertura, consta desfile das representações, pelotão de bandeiras, apresentação da Seleção Brasileira de Ginástica Rítmica, que acaba de retornar de competições na Europa, apresentação do Quinteto Sanfônico, hasteamento das bandeiras e apresentação da Banda de Carmópolis.  


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
26/03
07:18

Hospital de Propriá atendeu quase 200 mil pessoas em 2013, diz Gualberto

Durante debate sobre a saúde pública no Estado, o deputado Francisco Gualberto (PT), líder da bancada de governo na Assembleia Legislativa, enfatizou que reconhece as deficiências do setor, mas apontou avanços. Na sessão desta terça-feira (25), Gualberto levou para a tribuna números que mostram a eficiência do Hospital Regional de Propriá, conhecido como São Vicente de Paula, durante o ano de 2013.

No total, foram registrados 187.771 atendimentos. É o balanço mais expressivo da história daquela unidade de saúde num município com cerca de 30 mil habitantes. Foram efetuados procedimentos clínicos com 1.125 partos normais e 547 cesarianas; 42.430 exames, sendo mais de 200 cirurgias eletivas (programadas); foram 2.358 internamentos, além de duas etapas de mutirões de cirurgia de catarata (junho e agosto), e outra já em 2014, beneficiando mais de 80 pessoas.

“É bom lembrar que o hospital não atende somente os pacientes de Propriá, mas também de todo o Baixo São Francisco, sertão sergipano e pessoas de estados vizinhos como Alagoas, Bahia e Pernambuco”, disse Francisco Gualberto. “Como todos sabemos, o Brasil é um dos poucos países no mundo que tem a saúde pública universalizada através do SUS”, informou.

O deputado fez duras criticas aos governos anteriores a 2007 que deixaram inúmeros hospitais regionais fechados. Entre eles, o de Propriá, Ribeirópolis, Glória, Lagarto, Maruim e Nossa Senhora do Socorro. “Nosso governo percebeu que era preciso fazer algo nas regiões para desafogar o atendimento no Hospital de Urgência, que é de alta complexidade”, disse. “E se hoje ainda existe superlotação no Huse, imagine o que seria daquele hospital se não fosse esse modelo de regionalização implantado por Marcelo Déda?”.

Para Francisco Gualberto, mesmo com os problemas registrados, tudo o que vem sendo feito pelo governo representa um avanço significativo na saúde pública. “Não estou dizendo que a saúde é uma maravilha, mas se o governo não tivesse realizado esse trabalho nos hospitais regionais, seria bem pior”, enfatizou, cobrando mais uma vez da Assembleia Legislativa a tramitação do Proredes, projeto que garante recursos na ordem de R$ 240 milhões para investimento na saúde pública.

“O Proredes é importante para o Estado de Sergipe, não para o governo de Jackson Barreto. É dinheiro para criar programas específicos para controle de doenças crônicas, por exemplo. É mais um avanço que o governo busca”, garante o deputado. O pronunciamento de Gualberto foi acompanhado pelo diretor do hospital, Paulo Campos, além de assessores e integrantes do corpo administrativo do hospital de Propriá que estavam nas galerias da Assembleia. (Da assessoria)



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
16/03
18:05

Elites sociais sergipanas: Os fazendeiros

Afonso Nascimento
Professor de Direito da UFS

Recentemente, o historiador Ibarê Dantas publicou um novo livro que enfoca a trajetória de quatro membros de sua família, todos eles fazendeiros de lá das bandas de Riachão, em Sergipe. É uma obra de memórias familiares que recebeu três resenhas positivas publicadas neste mesmo jornal. Em razão disso, resolvi não escrever mais uma, porém fazer um comentário geral sobre esse que é o seu décimo livro (DANTAS, Ibarê. Memórias de Família. O Percurso de Quatro Fazendeiros. Aracaju: Editora Criação, 2014).

Nada direi sobre o seu autor - a não ser no último parágrafo deste texto - pois se trata de um intelectual assaz conhecido dos leitores interessados em história política sergipana. Entrarei diretamente no livro. Ele tem duzentas e sessenta e seis páginas, contendo quatro anexos. Na capa e na contracapa são expostas duas fotografias da Fazenda Boqueirão, uma tomada pelos fundos e outra que mostra a frente da casa alta e com telhas romanas. A foto da capa, além da casa e do curral, exibe um rio e vastas extensões de terras com árvores esparsas. A outra foto expõe, no alpendre da casa, cinco gaiolas de passarinhos, uma porta e quatro janelas. O livro está estruturado em quatro capítulos correspondentes aos quatro fazendeiros cujos percursos são revelados. O terceiro capítulo, referente ao pai do autor, é, de longe, o mais alargado. A sua filha Sílvia Dantas escreveu o prefácio.

O livro é uma mistura de obra de historiador e de memorialista. Além de narrador, Ibarê Dantas é personagem e, naturalmente, fonte, pois, num tipo de trabalho que se quer de memórias, deve ter ouvido muitas histórias de sua família ao longo de sua vida - como acontece com qualquer família de qualquer classe social. Enquanto membro de uma família de fazendeiros, como era de se esperar, o autor mostra um grande conhecimento sobre como vivem os fazendeiros, os quais menciona como "elite local", o que, dito com outras palavras, significa "aristocracia rural" sergipana do gado. Voltando a falar de fontes, Ibarê Dantas recorre a fontes orais na forma de depoimentos de parentes seus e de outras pessoas, do seu arquivo privado sobre a sua família, de documentação familiar e de instituições públicas a que teve acesso, de jornais, entre outras.

O livro trata de um universo social que me é completamente desconhecido, ou seja, o mundo dos fazendeiros sergipanos. Quem são pessoas que compõem essa fração da classe dominante sergipana mais antiga, posto que Sergipe nasceu como uma grande fazenda que produzia gado para abastecer, no período colonial, aos mercados de Pernambuco e da Bahia? Cuja importância econômica foi diminuída quando o território sergipano foi transformado numa grande plantation de cana de açúcar? E que voltou a ter a sua relevância no PIB sergipano quando a economia canavieira perdeu espaço na competição com a produção de cana de São Paulo nos anos 1930 e 1940?

Pelo que entendi (se entendi) da leitura do livro, as famílias dos fazendeiros lembram "empresas" ou "organizações" com fins lucrativos. Com efeito, os fazendeiros, além de venderem as mercadorias produzidas em suas terras (gado, leite, cavalos, produtos agrícolas diversos, etc.), também compram e vendem fazendas. Existe, mesmo, um mercado de fazendas. Aqueles fazendeiros bem sucedidos aumentam seu patrimônio adquirindo propriedades rurais de outros membros desse grupo social. É por conta disso que, na narrativa de Ibarê Dantas, há um grande espaço dedicado às heranças, aos cartórios, à transmissão de terras de parentes para parentes e não parentes, aos inventários, etc. Não deixou de chamar a minha atenção o seu recurso feito por fazendeiros aos bancos públicos para empréstimos, os lucros e as perdas, bem como a necessidade de lidar com problema como secas, estiagens, doenças dos animais, etc.

O problema da mortalidade infantil entre as famílias de fazendeiros não passou desapercebido. A ideia que eu tinha era a de que essa questão tinha a ver somente com as classes trabalhadoras rurais. Todavia, com leitura do livro de Ibarê Dantas, ficou a impressão de que a mortalidade infantil também afetava as classes abastadas sergipanas. Nessa mesma linha, a existência de grandes proles entre famílias de fazendeiros era algo muito corrente, no período tratado pelo livro, a saber, da primeira metade do século XIX a fins do século XX. Por conta disso, posso imaginar o problema que deveria ser a questão da transmissão de bens aos herdeiros - muitas vezes realizada antes da morte desses grandes latifundiários. Se os futuros herdeiros não se casassem com pessoas da mesma classe, inevitavelmente ocorreria um relativo empobrecimento dessas pessoas. Embora não coubesse num trabalho de memórias, o livro poderia ficar muito mais rico se pudesse explicar as estratégias matrimoniais dos fazendeiros para seus filhos e suas filhas, como formas de manter ou aumentar os seus patrimônios e reproduzir a sua classe social.

Ibarê Dantas pouco fala sobre os vaqueiros desses fazendeiros. Em relação ao primeiro parente cujo percurso é reconstituído, o autor diz que ele tinha uma escravaria e sobre isso mostra documentação. Na parte do livro em que trata de seu pai, disse que teve pequenos problemas com vaqueiros na Justiça do Trabalho. Vale lembrar que os vaqueiros somente neste século XXI estão sendo reconhecidos como profissão, ou seja, quase quinhentos anos depois de se firmarem como classe oposta àquela dos fazendeiros. Nada também escreveu sobre a questão da reforma agrária tão importante que foi nos anos 1950 e 1960 no Brasil. Mas menciona antes o problema da falta de braços advindo com o fim da escravidão em Sergipe - um problema também abordado por Josué M. dos Passos em seus dois livros sobre a história econômica de Sergipe.

A política dos fazendeiros é tratada nos três capítulos – embora ele tente minimizar o papel de sua família na política sergipana. O maior destaque dado por Ibarê Dantas é a respeito de seu pai, político ligado à UDN. Faz, a respeito dele, uma longa prestação de contas documentada de desempenho como prefeito da cidade que carrega o seu sobrenome, ou seja, Riachão do Dantas. Por outro lado, Ibarê Dantas insiste sobre a atenção dada por seus parentes fazendeiros à educação de seus filhos. Isso merece uma reflexão alongada que não pode ser feita aqui. Penso que a educação superior passa a ser central na socialização de pessoas de sua classe e de sua geração, quando Sergipe entra num rápido processo de modernização nos anos 1950 e 1960,momento em que o diploma universitário adquire um alto valor numa sociedade que vai se tornando muito competitiva. Membros de sua classe que não souberam fazer essa transição, perderam o trem da história.

Aparentemente sem ter tido essa pretensão, Ibarê Dantas escreveu um livro sobre as elites sociais sergipanas, colocando-se ao lado do trabalho de Orlando Dantas (A vida patriarcal em Sergipe), que se refere às elites ligadas às plantations de cana-de-açúcar, ao passo que o historiador consagrado aborda as elites sociais criadoras de gado. Em minha opinião, Ibarê Dantas memorialista aparece menos que o Ibare Dantas historiador. Notei muito bem o memorialista quando ele descreve a sua casa ou as brincadeiras de meninos. Esse aspecto da narrativa surge com força quando ele traça perfis de pessoas queridas dele. Aí Ibarê Dantas, sempre reservado e contido, mostra quais os valores que ele aprecia nas pessoas, logo os seus valores. Na biografia de seu pai, ele se deixa aparecer várias vezes, torna-se personagem da história familiar que conta, inclusive através de fotografias. Isso me fez pensar: por que ele não escreve suas próprias memórias como indivíduo, como professor, como pesquisador, como intelectual, etc., na primeira pessoa? Tenho certeza que tem muito a dizer. A sua participação tímida na biografia de seu pai foi um bom começo. Os seus amigos, leitores e admiradores já estão no aguardo.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
12/03
14:47

Valadares e JB jantam e discutem o futuro da aliança política hoje à noite

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) e o governador Jackson Barreto (PMDB) se encontrarão hoje à noite para jantar e conversar sobre o futuro da aliança política entre os seus grupos, tendo em vista as eleições deste ano. Até agora não foi definido o local. Fala-se na possibilidade da reunião-jantar acontecer em um hotel ou em um restaurante de Brasília. Há indícios de que o senador leve o consigo o deputado federal Valadares Filho, presidente estadual do PSB. As relações andam estremidas entre o PSB e o PMDB, mas ninguém acredita na possibilidade de que venha a ocorrer um racha. Valadares vai insistir na indicação do vice da chapa encabeçada por JB, que anda se jogando todo para o deputado federal Mendonça Prado (DEM), com quem fez "rolezinhos" no Pré-Caju e no Carnaval.


Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
12/03
06:05

Mulheres protestam hoje contra assédios moral e sexual na Petrobras em Sergipe e Alagoas

Hoje,  o Movimento Mulheres em Luta (MML) realiza protesto contra a violência às mulheres e exige audiência com o governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), para debater políticas públicas de combate à violência machista. O protesto tem inicio às 6h30, em frente à Sede da Petrobrás (Rua Acre). A Secretaria de Mulheres do Sindipetro AL/SE vai lançar a campanha ‘Basta de Assédio e violência contra a mulher’. Será distribuído um kit para as petroleiras com uma bolsa, uma camisa e jornal da campanha. “Enquanto que as empresas homenageiam as mulheres com flores e presentes, chamamos as trabalhadoras a lutar. Precisamos dizer que a condição das mulheres tem piorado.

Estatísticas apontam que 15 mulheres morrem por dia de forma violenta no Brasil. Dentro da Petrobrás a situação também não é boa. Trabalhadoras enfrentam condições péssimas de trabalho, com muito assédio moral, sexual, e outras práticas violentas. De dezembro do ano passado pra cá, na base de Sergipe e Alagoas, o sindicato já registrou três denúncias”, disse Gilvani Alves, da Secretaria de Mulheres do Sindipetro AL/SE e da coordenação estadual do Movimento Mulheres em Luta (MML). 

CAMINHADA
Após o lançamento da campanha ‘Basta de Assédio e violência contra a mulher’ na Sede da Petrobrás, as mulheres seguem em caminhada até o Palácio do Governo Estadual. “No dia 25 de novembro apresentamos ao governo estadual uma pauta reivindicatória exigindo políticas públicas de combate à violência a mulher. A cada dia são cometidos crimes bárbaros fruto do machismo. Infelizmente, os governos não avançam em medidas concretas. São muitos discursos, muitas propagandas e pouca ação. Queremos ser recebidas pelo governador e queremos compromisso por escrito e assinado de medidas de combate à violência a mulher que serão adotadas, com prazos determinados. Não podemos mais conviver com assassinatos diariamente”, questiona Gilvani Alves.

A manifestação está sendo organizada pelo Movimento Mulheres em Luta (MML) e contará com a presença de mulheres de diversas categorias como petroleiras, agricultoras rurais, pescadoras, servidoras públicas e estudantes. Entidades como a Central Sindical e Popular (CSP) – Conlutas, Sindipetro AL/SE, Confederação dos Agricultores Familiares (Conafer), Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL) e o Sindipesca apoiam a manifestação. (Da assessoria)



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
28/02
08:30

Goisinho, o militante

Afonso Nascimento - Professor do Departamento de Direito da UFS

Antônio José de Gois é meu conhecido há quase quarenta anos. È meu conhecido e acho que nos temos como amigos. As pessoas o tratam por Gois ou por Goisinho, sendo que Goisinho é o nome preferido pela maioria das pessoas que o conhecem. Esse apelido deve vir, certamente, de sua estatura, que não é das mais altas. Entretanto, em termos de integridade moral, Goisinho é um gigante.

Ele é, para mim, um exemplo emblemático do militante político de esquerda, com seus erros, acertos e contradições. Eu o conheci na primeira metade dos anos 1970, ele estudante de Economia e eu estudante de Direito. Naqueles tempos, mais que os outros, os estudantes de Economia e Direito disputavam a hegemonia do movimento estudantil no processo de reabertura do DCE e tinham forte presença no Ala Jovem do MDB. Havia uma nítida diferença entre esses dois grupos de estudantes.

Os estudantes de Economia tinham, grosso modo, formação com leituras marxistas – até por estudarem Economia - e estavam ligados ao clandestino Partido Comunista Brasil (PCB). Entre os nomes de que me lembro, dele faziam parte Josué, Camo, Goisinho e talvez Raimundo. O grupo de Direito era maior e composto estava por Elias Pinho, Carlos Alberto Menezes, Agamenon Araújo, Francisco Dantas, Francisco Ramos, Walter Calixto, entre outros mais. Essa turma tinha algo em comum: eram todos liberais, possuíam talentos de grandes oradores e tinham interesse indisfarçável pela política.  Juntos com os estudantes de Economia, eram resistentes contra a ditadura militar no Brasil, atuando em Sergipe.

Goisinho era o líder dos estudantes de Economia, mas não sei dizer se foi ele quem recrutou os demais para as fileiras do movimento estudantil e do PCB de seu tempo. Ele é filho de trabalhador rural de Itabaiana, trabalhou no cabo da enxada como seu pai e seus muitos irmãos, até mudar-se para Aracaju para continuar os estudos – o que faz da sua uma história comum. Aqui trabalhou em diversos empregos antes de fixar-se pelo resto de sua vida profissional no BANESE. Como funcionário público estadual e portador de diploma superior, o seu trajeto é de mobilidade social. Virou classe média.

Além dos espaços universitários, juntamente com outros amigos, eu me encontrava com frequência com Goisinho no Cacique Chá, o bar e restaurante que ficava em frente ao Tribunal de Justiça de então. Por lá ele sempre aparecia com um ou dois jornais debaixo do braço. Como brincadeira, entre cervejas e altos papos, os amigos sempre diziam: “O que atrapalha a vida de Goisinho são esses jornais!”. Os jornais a que se referiam eram O Pasquim, Em Tempo, Movimento – inclusive a Folha de São de Paulo que tinha mudado a sua posição em relação á ditadura militar. Se não me falha a memória, ele já usava barba, tinha uma moto e sempre usava calças jeans (uma concessão sua ao imperialismo ianque que ele tanto combatia?).

Ele foi um militante que nunca se afastou de suas convicções políticas. Disso ele tem um orgulho muito grande. Chama isso de “coerência”. Os amigos e outros arrumaram outro nome para essa mesma atitude: “rigidez ideológica”, “dogmatismo”, “incapacidade de compreender as mudanças no mundo”, etc. Os amigos ainda hoje também o acusam de querer ser “o dono da verdade”. Ele tem sempre razão. De onde ve essa sua visão estática e quase religiosa da sociedade e da política parada no tempo? Do marxismo-leninismo, suponho eu, aprendido ao ser recrutado para o PCB pela geração anterior de comunistas, com leituras geralmente chamadas de marxismo vulgar.

Ele foi militante estudantil por duas vezes. A sua militância como estudante de Economia ligado ao PCB foi a primeira. Isso ocorreu nos anos 1970. Por conta dessa militância estudantil e partidária no MDB, sob a grande bandeira do PCB, ajudou a reestruturar associações estudantis e a dar direção política contra a ditadura militar, e conheceu a prisão no quartel do 28 BC no Bairro 18 do Forte, juntamente com companheiros comunistas e não comunistas. Sobre as torturas que lhe foram infligidas, não costuma falar. Apenas diz: “pense em todos os tipos de tortura utilizados naquela época”. Marca visível dessas violências estão no seu nariz até hoje.

Nos anos 1980, fez outro exame vestibular e ingressou no Curso de Direito da mesma UFS. Ali foi de novo militante estudantil. Os tempos eram de abertura política e de criação do multipartidarismo. Na condição de militante estudantil de Direito, fazendo parte de um grupo composto por outros estudantes do mesmo curso como Diógenes Barreto, Giselda Barreto e Marcelo Déda, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores em Sergipe. Foi fundador do PT. Mais tarde, reunindo o seu capital político de militante contra a ditadura militar e de ex-preso político torturado, fez-se eleger vereador por Aracaju, uma eleição, eu arriscaria dizer, conquistada unicamente com votos dos amigos, de militantes e de simpatizantes. Qual teria sido a sua base eleitoral mais importante além das mencionadas? Os bancários de Aracaju, na minha opinião , já que ele também foi militante sindical durante a maior parte de sua vida profissional.

Como vereador de Aracaju, teve um desempenho fora do comum, caracterizado por importantes discursos, denúncias, projetos leis, polemicas, entrando em choque com interesses estabelecidos na economia e na política aracajuanas. Nesse mesmo processo, Goisinho foi perdendo amigos, simpatizantes e aliados devido a sua conhecida intransigência, dureza, etc. Tentou, mas, naturalmente, não conseguiu reeleição. Aposentado, retirou-se para a sua bela casa de praia, cheias de árvores carregadas de frutas o ano interior. Mais tarde, rompeu com o PT e se aproximou de pequenos partidos da extrema esquerda, mas essa militância não prosperou.

Esse político chamado Goisinho foi anistiado e recebeu indenização ou uma “bolsa ditadura” de cem mil reais. Quem o visita em casa, encontra sempre aquela pessoa com a sua inconfundível risadinha e com uma análise pronta sobre a política nacional e estadual na ponta da língua, numa perspectiva que sempre destaca os interesses de classes envolvidos. Posso estar enganado, mas acho que, dos velhos militantes de esquerda, é a única pessoa que ainda usa o conceito de “burguesia” em Sergipe.

Hoje sessentão, é casado com uma ex-bancária como ele, uma pessoa muito querida com quem tem um filho, aos quais trata com muito carinho. Malgrado toda a amizade e todo o respeito que tenho por Goisinho, eu não gostaria de morar numa sociedade que ele conseguisse fundar. Por que não? Porque a socialização dos meios de produção só degenerou em marasmo econômico e tirania política; porque uma teoria da história alçada à condição de verdade é totalitária; porque os homens nas sociedades históricas (aquelas que saltaram da "comunidade" tribal) são o que deles conhecemos e que Hobbes tão bem retratou; porque o "homem novo" só existe no Kremlin ou nos cemitérios. Essa sociedade “nova” de Goisinho nunca me pareceu democrática.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
24/02
20:57

Rogério Carvalho confirma armação política usando sua senha para filiação ilegal

O deputado federal Rogério Carvalho confirmou agora há pouco ao blog que, na tentativa de regularizar, ainda que ilegalmente, a filiação da ex-primeira dama Eliane Aquino,  alguém usou a senha que ele tinha no período em que presidiu interinamente o partido, acessou o filia web e colocou o nome dela lá, em 9 de dezembro do ano passado com a data de 26 de setembro de 2002. Carvalho, que é presidente do PT, não apresentou nomes, mas considerou o ato como “coisa de gente maldosa, uma armação política”. Ele lembrou que a deputada estadual Ana Lúcia percebeu que Eliane não tinha registro de filiação em Brasília. Procurou aqui e não encontrou. Procurou os registros da participação dela na vida partidária e não encontrou. Não participou do PED, não pagava ao partido. “Esse tipo de comportamento é preocupante, é coisa de gente capaz de fazer qualquer coisa para atrapalhar o crescimento do PT e até mesmo atrapalhar as vidas das pessoas. Isso é, no mínimo, decepcionante. Quem fez? Não sei. Mas é algo grave”, explicou. Cada partido tem uma senha de acesso ao filia web, página da internet criada pelo TSE para o acompanhamento de filiações partidárias e relacionamento com as agremiações políticas.



Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
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