28/02
08:30

Goisinho, o militante

Afonso Nascimento - Professor do Departamento de Direito da UFS

Antônio José de Gois é meu conhecido há quase quarenta anos. È meu conhecido e acho que nos temos como amigos. As pessoas o tratam por Gois ou por Goisinho, sendo que Goisinho é o nome preferido pela maioria das pessoas que o conhecem. Esse apelido deve vir, certamente, de sua estatura, que não é das mais altas. Entretanto, em termos de integridade moral, Goisinho é um gigante.

Ele é, para mim, um exemplo emblemático do militante político de esquerda, com seus erros, acertos e contradições. Eu o conheci na primeira metade dos anos 1970, ele estudante de Economia e eu estudante de Direito. Naqueles tempos, mais que os outros, os estudantes de Economia e Direito disputavam a hegemonia do movimento estudantil no processo de reabertura do DCE e tinham forte presença no Ala Jovem do MDB. Havia uma nítida diferença entre esses dois grupos de estudantes.

Os estudantes de Economia tinham, grosso modo, formação com leituras marxistas – até por estudarem Economia - e estavam ligados ao clandestino Partido Comunista Brasil (PCB). Entre os nomes de que me lembro, dele faziam parte Josué, Camo, Goisinho e talvez Raimundo. O grupo de Direito era maior e composto estava por Elias Pinho, Carlos Alberto Menezes, Agamenon Araújo, Francisco Dantas, Francisco Ramos, Walter Calixto, entre outros mais. Essa turma tinha algo em comum: eram todos liberais, possuíam talentos de grandes oradores e tinham interesse indisfarçável pela política.  Juntos com os estudantes de Economia, eram resistentes contra a ditadura militar no Brasil, atuando em Sergipe.

Goisinho era o líder dos estudantes de Economia, mas não sei dizer se foi ele quem recrutou os demais para as fileiras do movimento estudantil e do PCB de seu tempo. Ele é filho de trabalhador rural de Itabaiana, trabalhou no cabo da enxada como seu pai e seus muitos irmãos, até mudar-se para Aracaju para continuar os estudos – o que faz da sua uma história comum. Aqui trabalhou em diversos empregos antes de fixar-se pelo resto de sua vida profissional no BANESE. Como funcionário público estadual e portador de diploma superior, o seu trajeto é de mobilidade social. Virou classe média.

Além dos espaços universitários, juntamente com outros amigos, eu me encontrava com frequência com Goisinho no Cacique Chá, o bar e restaurante que ficava em frente ao Tribunal de Justiça de então. Por lá ele sempre aparecia com um ou dois jornais debaixo do braço. Como brincadeira, entre cervejas e altos papos, os amigos sempre diziam: “O que atrapalha a vida de Goisinho são esses jornais!”. Os jornais a que se referiam eram O Pasquim, Em Tempo, Movimento – inclusive a Folha de São de Paulo que tinha mudado a sua posição em relação á ditadura militar. Se não me falha a memória, ele já usava barba, tinha uma moto e sempre usava calças jeans (uma concessão sua ao imperialismo ianque que ele tanto combatia?).

Ele foi um militante que nunca se afastou de suas convicções políticas. Disso ele tem um orgulho muito grande. Chama isso de “coerência”. Os amigos e outros arrumaram outro nome para essa mesma atitude: “rigidez ideológica”, “dogmatismo”, “incapacidade de compreender as mudanças no mundo”, etc. Os amigos ainda hoje também o acusam de querer ser “o dono da verdade”. Ele tem sempre razão. De onde ve essa sua visão estática e quase religiosa da sociedade e da política parada no tempo? Do marxismo-leninismo, suponho eu, aprendido ao ser recrutado para o PCB pela geração anterior de comunistas, com leituras geralmente chamadas de marxismo vulgar.

Ele foi militante estudantil por duas vezes. A sua militância como estudante de Economia ligado ao PCB foi a primeira. Isso ocorreu nos anos 1970. Por conta dessa militância estudantil e partidária no MDB, sob a grande bandeira do PCB, ajudou a reestruturar associações estudantis e a dar direção política contra a ditadura militar, e conheceu a prisão no quartel do 28 BC no Bairro 18 do Forte, juntamente com companheiros comunistas e não comunistas. Sobre as torturas que lhe foram infligidas, não costuma falar. Apenas diz: “pense em todos os tipos de tortura utilizados naquela época”. Marca visível dessas violências estão no seu nariz até hoje.

Nos anos 1980, fez outro exame vestibular e ingressou no Curso de Direito da mesma UFS. Ali foi de novo militante estudantil. Os tempos eram de abertura política e de criação do multipartidarismo. Na condição de militante estudantil de Direito, fazendo parte de um grupo composto por outros estudantes do mesmo curso como Diógenes Barreto, Giselda Barreto e Marcelo Déda, ajudou a fundar o Partido dos Trabalhadores em Sergipe. Foi fundador do PT. Mais tarde, reunindo o seu capital político de militante contra a ditadura militar e de ex-preso político torturado, fez-se eleger vereador por Aracaju, uma eleição, eu arriscaria dizer, conquistada unicamente com votos dos amigos, de militantes e de simpatizantes. Qual teria sido a sua base eleitoral mais importante além das mencionadas? Os bancários de Aracaju, na minha opinião , já que ele também foi militante sindical durante a maior parte de sua vida profissional.

Como vereador de Aracaju, teve um desempenho fora do comum, caracterizado por importantes discursos, denúncias, projetos leis, polemicas, entrando em choque com interesses estabelecidos na economia e na política aracajuanas. Nesse mesmo processo, Goisinho foi perdendo amigos, simpatizantes e aliados devido a sua conhecida intransigência, dureza, etc. Tentou, mas, naturalmente, não conseguiu reeleição. Aposentado, retirou-se para a sua bela casa de praia, cheias de árvores carregadas de frutas o ano interior. Mais tarde, rompeu com o PT e se aproximou de pequenos partidos da extrema esquerda, mas essa militância não prosperou.

Esse político chamado Goisinho foi anistiado e recebeu indenização ou uma “bolsa ditadura” de cem mil reais. Quem o visita em casa, encontra sempre aquela pessoa com a sua inconfundível risadinha e com uma análise pronta sobre a política nacional e estadual na ponta da língua, numa perspectiva que sempre destaca os interesses de classes envolvidos. Posso estar enganado, mas acho que, dos velhos militantes de esquerda, é a única pessoa que ainda usa o conceito de “burguesia” em Sergipe.

Hoje sessentão, é casado com uma ex-bancária como ele, uma pessoa muito querida com quem tem um filho, aos quais trata com muito carinho. Malgrado toda a amizade e todo o respeito que tenho por Goisinho, eu não gostaria de morar numa sociedade que ele conseguisse fundar. Por que não? Porque a socialização dos meios de produção só degenerou em marasmo econômico e tirania política; porque uma teoria da história alçada à condição de verdade é totalitária; porque os homens nas sociedades históricas (aquelas que saltaram da "comunidade" tribal) são o que deles conhecemos e que Hobbes tão bem retratou; porque o "homem novo" só existe no Kremlin ou nos cemitérios. Essa sociedade “nova” de Goisinho nunca me pareceu democrática.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
24/02
20:57

Rogério Carvalho confirma armação política usando sua senha para filiação ilegal

O deputado federal Rogério Carvalho confirmou agora há pouco ao blog que, na tentativa de regularizar, ainda que ilegalmente, a filiação da ex-primeira dama Eliane Aquino,  alguém usou a senha que ele tinha no período em que presidiu interinamente o partido, acessou o filia web e colocou o nome dela lá, em 9 de dezembro do ano passado com a data de 26 de setembro de 2002. Carvalho, que é presidente do PT, não apresentou nomes, mas considerou o ato como “coisa de gente maldosa, uma armação política”. Ele lembrou que a deputada estadual Ana Lúcia percebeu que Eliane não tinha registro de filiação em Brasília. Procurou aqui e não encontrou. Procurou os registros da participação dela na vida partidária e não encontrou. Não participou do PED, não pagava ao partido. “Esse tipo de comportamento é preocupante, é coisa de gente capaz de fazer qualquer coisa para atrapalhar o crescimento do PT e até mesmo atrapalhar as vidas das pessoas. Isso é, no mínimo, decepcionante. Quem fez? Não sei. Mas é algo grave”, explicou. Cada partido tem uma senha de acesso ao filia web, página da internet criada pelo TSE para o acompanhamento de filiações partidárias e relacionamento com as agremiações políticas.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
17/02
22:00

Jackson Barreto cobra aprovação do ProRedes e destaca crescimento de Sergipe na abertura dos trabalhos da AL

O governador Jackson Barreto participou da abertura dos trabalhos na Assembleia Legislativa de Sergipe (AL/SE) na tarde desta segunda-feira, 17. Na primeira sessão legislativa do ano, ele apresentou os avanços econômicos e sociais de Sergipe durante o ano de 2013 e cobrou celeridade na aprovação do ProRedes.

Na mesa de votação da Casa legislativa desde agosto, o programa consiste no financiamento de U$100 milhões de dólares do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e U$40 milhões em contrapartida o Governo do Estado para fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo geral deste programa é contribuir para a melhora da saúde da população de Sergipe, especialmente a mais vulnerável, por meio do fortalecimento da gestão do SUS e do SUAS e da expansão da rede física de serviços especializados de saúde de média e alta complexidade.

“Em nome das famílias mais carentes, por favor, aprovem o ProRedes. Esse projeto está aqui na Assembleia desde agosto do ano passado. São recursos de mais de R$200 milhões. Mostrei de forma objetiva como esses recursos serão utilizados no hospital do Câncer, no fortalecimento da assistência materno-infantil, do Sistema Único de Saúde, enfim, toda a área de saúde do estado. É um financiamento que precisa da aprovação da Secretaria do Tesouro Nacional, que depende da capacidade de endividamento do Estado. O no último dia 11, o representante do BID nos mandou um alerta ‘ou aprova, ou Sergipe vai perder o recurso’. O ProRedes está pronto, é preciso apenas que a Assembleia aprove e permita ao Estado dar início ao trabalho. No entanto, o prazo está se esgotando, e se ele não for aprovado em tempo hábil, Sergipe perderá R$ 240 milhões. Aqui, os grandes prejudicados serão justamente as camadas mais carentes da população. Aqueles que, por dever e por compromisso, cabe a nós proteger e zelar”, diz.

Os recursos do ProRedes serão utilizados na estruturação do Centro Especializado em Reabilitação, na aquisição de equipamentos do Centro de Atenção Integral à Saúde das Mulheres; reestruturação do sistema estadual de Saúde, com reforma e ampliação dos Centros de Especialidades do SUS em Lagarto, Itabaiana, Nossa Senhora do Socorro, Propriá e do conjunto Augusto Franco, em Aracaju, e a construção do Laboratório Central do Estado, resolvendo um dos principais gargalos do sistema de saúde de Sergipe, que é a marcação de exames.

O Proredes também destina recursos para equipar melhor e ampliar os serviços oferecidos por todas as 9 maternidades do Estado, como por exemplo a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes e Santa Isabel, as maternidades de Lagarto, Itabaiana e Capela, e os setores materno-infantil dos hospitais de Nossa Senhora do Socorro, Nossa Senhora da Glória, Propriá e Estância.

A deputada estadual e presidente da Assembleia, Angélica Guimarães, falou sobre a independência harmoniosa entre os poderes Executivo e Legislativo. “É sempre positivo receber o governador do Estado na abertura dos trabalhos da Assembleia. Os Poderes são independentes, mas são harmoniosos. Existe uma estreita relação entre o Legislativo e o Executivo”.

Carnalita

Jackson Barreto também solicitou o apoio dos deputados a favor do projeto Carnalita. O projeto da Vale do Rio Doce para explorar potássio em Sergipe depende da autorização do prefeito de Capela, município detentor de parte das minas de potássio. Com a execução do projeto, estima-se que serão gerados 4.000 empregos diretos e 10.000 indiretos na fase de construção, e 1.000 empregos diretos e 2.750 indiretos na fase de operação.

“Peço licença para fazer um apelo. Receio que a radicalização nos leve a um confronto que coloque em risco os interesses de Sergipe. Estejam advertidos para o risco de perdermos uma das maiores oportunidades de desenvolvimento que nos foi oferecida. Com a responsabilidade do cargo que exerço, continuo buscando um denominador comum para o projeto Carnalita. Não haverá como justificar ao povo de Sergipe a perda de R$4 bilhões. Além disso, a péssima impressão causada pelo projeto Carnalita pode afastar novos investimentos de Sergipe. Não permitamos que isso aconteça. Ninguém sairá vitorioso com a perda do projeto Carnalita”, afirmou.

Economia

O crescimento econômico de Sergipe durante o ano de 2013 também foi destaque durante o pronunciamento do governador.  Ano passado, o Estado atraiu grandes investimentos nos setores de serviços, automóveis e energia, como a instalação de um refinaria de petróleo no município de Carmópolis e a descoberta de um campo de petróleo na costa sergipana, capaz de produzir mais de 100 mil barris de petróleo por dia.

“Tenho orgulho de dizer que, apesar dos prognósticos sombrios, conseguimos fazer de 2013 um ano de realizações. Nos últimos anos, através do Programa Sergipano de Desenvolvimento Industrial, Sergipe vinha vivendo um processo de acelerado crescimento econômico, atraindo novas empresas e indústrias e distribuindo-as por todo o Estado, como a Leite de Rosas, a Crown e a Duchas Corona. Mas 2013 se revelou um ano acima de qualquer expectativa. Tivemos a instalação da Yazaki, uma das maiores multinacionais do ramo de peças automotivas, que se instalou em Nossa Senhora do Socorro e deve gerar até 1600 empregos diretos. A Bull Motors, fábrica de motocicletas e ciclomotores, anunciou a sua instalação em Socorro, devendo gerar mais de 800 empregos e a Amsia Motors anunciou a sua instalação na Barra dos Coqueiros, onde deverá produzir automóveis híbridos. Essas empresas do ramo automobilístico internalizarão um importante elo da cadeia produtiva, que certamente terá impacto muito importante na economia de Sergipe e do Nordeste. Acima de tudo, colocam Sergipe em um novo patamar. Vão longe os tempos em que a economia de Sergipe era movida pelo pequeno comércio e pelos engenhos de açúcar."

“Vale a pena destacar ainda a chegada da Saint Gobain, empresa francesa que vai se instalar em Estância, investindo R$ 228 milhões e gerando 1400 novos empregos. A Almaviva, empresa italiana de telemarketing, se instalou em Aracaju com a previsão de gerar 3500 empregos, já contratou mais de 5 mil pessoas, mudando a face e a vocação do Bairro Industrial, que de localidade em processo de esvaziamento econômico se viu integrando a moderna área de serviços tecnológicos”.

Infraestrutura

As obras de infraestrutra como a construção de adutoras para ampliação da uma rede de abastecimento de água comprovam o empenho do Governo do Estado em melhorar a qualidade de vida dos sergipanos.

“O que dá sentido ao trabalho é fazer mover todo o governo para cuidar do nosso povo. Temos um ritmo de entregas, inaugurações e serviços inédito na história recente deste Estado. Todas as semanas, em algum ponto do Estado, estamos entregando à população uma nova Clínica de Saúde da Família, uma escola reformada, uma nova praça, estamos oferecendo um novo serviço que torna melhor a vida de um sergipano ou uma sergipana. Equilibramos as contas públicas e afastamos o fantasma do não pagamento dos servidores e do descumprimento dos contratos. Com as finanças normalizadas, pudemos acelerar o rimo das obras públicas.”

O governador disse ainda que o Governo está fazendo uma revolução no abastecimento de água do com as adutoras do Alto Sertão, Sertaneja e Umbaúba-Tomar do Geru, além da duplicação da Adutora do São Francisco. "Nós já tínhamos dado um passo importantíssimo para garantir água para todos os sergipanos. Conseguimos mudar uma situação que se repetia a cada verão, e já há alguns anos a Grande Aracaju, por exemplo, não sofre racionamento de água. Em 2013 finalmente concluímos e fechamos as comportas da Barragem do Rio Poxim, uma obra de importância estratégica imensurável, que vai garantir o abastecimento de água da Grande Aracaju pelos próximos 30 anos e, incidentalmente, ainda vai oferecer à região metropolitana, finalmente, um local adequado para a prática de esportes aquáticos, o que posteriormente se tornará uma nova atração turística, esportiva e de lazer”.

Estiagem

Conforme Jackson, a estiagem é historicamente um dos mais graves problemas que Sergipe atravessa periodicamente. O ano de 2013 se insere nesse contexto como um dos momentos de estiagem mais grave. "A seca que afligiu nosso Estado atingiu seu nível máximo no ano passado. E por isso foi tão importante a atuação do Governo. Além de uma série de obras de infraestrutura e prevenção, como limpeza de barragens e construção de açudes, o Governo cuidou melhor de cada sergipano afetado pela seca. Levou água, garantiu comida na sua mesa e ajudou a preservar os rebanhos, garantindo o fornecimento de alimento para os animais. E só quem viu sabe o que isso representa para o homem do campo. Nas minhas viagens pelo interior do Estado, poucas coisas são tão reconfortantes quanto ver a alegria do pequeno produtor, do pequeno lavrador, ao ver chegar a ração que o Governo fornece para os seus animais”. (Da assessoria)



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
13/02
07:41

Eduardo Amorim destaca 25 anos da Fundação Pedro Paes Mendonça

O senador Eduardo Amorim (PSC-SE) destacou no Plenário do Senado na noite da quarta-feira, 12, os 25 anos da Fundação Pedro Paes Mendonça (FPM) comemorado em sua base no Povoado Serra do Machado, em Ribeirópolis. “Uma verdadeira referência quando se trata do ramo supermercadista no Nordeste e no País”, disse Amorim ao afirma ainda que “mantendo-se como uma referência empresarial positiva de um Brasil que dá certo, que acredita, que investe”.

O senador destacou a responsabilidade administrativa ao sergipano radicado em Pernambuco, João Carlos Paes Mendonça. “Além de orgulho de ser conterrâneo desse empreendedor visionário, a grande satisfação em comemorar a essas duas décadas e meia de funcionamento da fundação veio mesmo dos resultados práticos que ela proporciona aos moradores da Serra do Machado e de toda a região”, disse Amorim.

A Fundação Pedro Paes Mendonça administra o Lar Dona Conceição, que garante acolhida aos idosos, possui o Centro Educacional Auxiliadora Paes Mendonça e também proporciona atendimento médico e odontológico à população e povoados vizinhos, bem como organizou e administra uma Cooperativa de Artesanato e de Confecção.

“Além dessas importantes atividades, a FPM é responsável por um projeto modelo, que pode servir de modelo para todo o país. Trata-se do Bairro do Futuro, onde 65 casas foram construídas para beneficiar moradores do povoado que não tinham casa própria. Mas garantir moradia de qualidade foi apenas um dos passos para transformar a ida das pessoas na Serra do Machado”, destacou o senador.

“O que leva um empresário bem sucedido, cheio de tarefas e de obrigações, a gastar um precioso tempo de seu dia a dia para se dedicar a um projeto social dessa magnitude, bancado com recursos próprios, de forma a uma atividade de caráter absolutamente privado vir a servir de exemplo para o serviço público?”, indaga Amorim. Segundo ele, é a fé em Deus e nas pessoas, na capacidade criativa e empreendedora delas, que faz com que um homem se dedique a oferecer as condições propícias para que essas mesmas pessoas possam viver por sí.

“Que o exemplo de fé e de atuação prática de João Carlos Paes Mendonça seja seguido por empresários de todo o país. Mas que sirva, ainda de forma mais reforçada, para que todos os nossos governantes entendam de uma vez por todas: cuidar do nosso povo é cuidar do nosso futuro”, completou o senador ao finalizar “um povo só é bem cuidado de fato se tiver uma rede de proteção social eficiente, mas que junto a ela venha também a garantia de que cada um desses cidadãos poderá se desenvolver plenamente, de forma a realizar seus sonhos a partir de seus próprios esforços, de forma independente. Isso é o que garante o desenvolvimento pleno de cada ser”. (Da assessoria)



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
08/02
12:10

Celso de Carvalho e a ditadura militar

Afonso Nascimento
Professor do Departamento de Direito da UFS

Sebastião Celso de Carvalho foi um importante político sergipano que acreditava no “destino”. O que “acreditar no destino” quer dizer? Nada mais, nada menos, isso significa que tudo o que acontece nas nossas vidas é previamente traçado por algum ser sobrenatural ou forças sobrenaturais. Trata-se de uma espécie de fatalismo, algo inevitável, cujos acontecimentos positivos parecem ser os mais destacados. No caso de Celso de Carvalho (doravante sem o primeiro prenome), ele achava que fazia parte de seu destino ser governador. Nisso acreditava ele e, tanto é assim, que escreveu discurso a que deu o seguinte título: “o destino acontece”.

Eu tive a oportunidade de conhecer pessoalmente Celso de Carvalho e de fazer uma longa entrevista com ele dois anos antes de sua morte, no seu apartamento da Rua da Frente. Malgrado seus problemas de saúde, estava muito bem vestido e tivemos um papo muito agradável. Celso de Carvalho (1923 – 2009) nasceu em Simão Dias, o maior “celeiro” de governadores sergipanos. Viveu oitenta e seis anos. Nas palavras de Ibarê DANTAS, foi um misto de proprietário rural e banqueiro. Enquanto membro da elite social sergipana, ele recebeu a melhor educação possível. Com efeito, estudou em Simão Dias, mudou-se para Aracaju e finalmente se transferiu para Salvador, onde frequentou o tradicional Colégio Maristas e onde, na mesma cidade, obteve o diploma de bacharel em Direito.

De volta a Simão Dias, começou a sua carreira jurídica e política. Sem me ater a uma ordem cronológica de suas atividades profissionais, praticou advocacia voltada para a construção de clientela eleitoral – coisa muito comum entre advogados, médicos, entre outros profissionais liberais. Foi nomeado juiz substituto por indicação política. Afora essas duas ocupações, fez política profissional na maior parte de sua vida. Celso de Carvalho dizia que “tinha raízes de área política que vinha de meus parentes” (Marcelo Domingos SOUZA). O seu pai era João Carvalho, proprietário da Fazenda Mercador. Mas entrou na política pela mão de Gervásio Prata, seu tio e coronel político do PSD em sua cidade. Colecionou oito mandatos políticos, a saber, prefeito, duas vezes deputado estadual, vice-governador, governador e quatro vezes deputado federal. Em sua trajetória, sempre pertenceu a partidos conservadores: PSD, ARENA, PDS, PP e PDS.

Em minha opinião, a sua carreira política não desperta muitos interesses, quaisquer que sejam eles. Com efeito, Celso de Carvalho não passou de um político conservador (ele mesmo se dizia de direita) de uma sociedade conservadora como a sergipana. No parlamento federal, foi apelidado de “pavão” por conta de sua vaidade e de “barão” devido a querer-se aristocrata, descendente que era do barão de Santa Rosa. Revelou-me que sua concepção da política era a de que se tratava de uma atividade nobre, pois consistia na arte de homens liderar e comandar homens – o que converge com suas origens e com suas escolhas partidárias e ações políticas conservadoras. Segundo ele, o seu afastamento da política - ocorrido em 1987 - se deveu ao fato de a política ter-se tornado, durante a ditadura militar, uma atividade controlada pelo dinheiro.

A sua importância e o seu interesse na história politica sergipana e brasileira residem na sua associação com o golpe militar de 1964 que deu origem à ditadura militar (1964-1985). Celso de Carvalho não partilhava das mesmas ideias de Seixas Dória em relação às reformas de base que o governador e o presidente queriam para Sergipe e para o Brasil. Quando ocorreu o coup d´état, Celso de Carvalho ocupava o cargo de governador interinamente, uma vez que Seixas Dória estava ausentado de Sergipe. Segundo me declarou, assumiu por ordem do comandante do 28º BC – afinal de contas ele era o vice-governador de Sergipe e o governador fora deposto. Foi aí que “o destino aconteceu” para ele, já que admitia publicamente o seu sonho de tornar-se governador de Sergipe.

Como foi o processo político que o levou da condição de vice-governador a governador de Sergipe com o golpe militar de 1964? Qual foi a sua participação nesses eventos? Quais as suas opções políticas no momento do golpe militar? Como chamá-lo: conspirador, golpista e colaborador? Na literatura que li a respeito de Celso de Carvalho, o que encontrei? Escrevendo sobre ele, Manoel Correia de Andrade diz que a “grande parte dos sergipanos o consideravam traidor”. Traidor? Talvez esse adjetivo não lhe seja apropriado. De acordo com Souza, “o golpe para ele (Celso de Carvalho) e seus partidários foi uma revolução”. Segundo BELOCH e ABREU, ele foi um conspirador. Nas suas palavras, Celso de Carvalho “participou em seu estado das articulações conspiratórias que resultaram no movimento político-militar de 31 de março de 1964” (p.669). Pesquisas precisam ser feitas para apoiar com evidências documentais essas afirmações. Mas, tendo assumido interinamente o governo estadual por quatorze vezes num período de pouco mais de um ano, teve bastante tempo para conversar com pessoas e grupos interessados no golpe – sabendo que Seixas Dória se movimentava justamente para fazer as reformas de bases que ele não queria para Sergipe.

Celso de Carvalho não foi, portanto, uma adesista do golpe militar de última hora. Ele poderia responder ao convite vindo pelos militares para assumir a governadoria estadual dizendo: “Não, muito obrigado. Os senhores estão quebrando a ordem constitucional, usando a força armada para afastar um governador eleito pelo voto popular. Eu fico com a legalidade”. E o seu projeto de ser governador? Inclusive poderia ter acrescentado: “Uma vez que é quebrada a legalidade, eu deixo de ser legalmente vice-governador. O cargo de governador não está vago. O governador foi deposto”. Mas nada disso falou, porque era um político identificado com os valores dos golpistas de 1964. A sua atitude foi, assim penso, de puro oportunismo político.

Em relação a Celso de Carvalho ter sido colaborador da ditadura militar em Sergipe – também isso não deixa espaço para controvérsias. O contexto de seu governo muito bem descrito por Ibarê Dantas. O clima era de turbulência política, revanchismo, caça às bruxas, delações, vinganças, etc. Celso de Carvalho, que não era uma figura demoníaca, tentou em vários momentos conter exageros dos militares, mas operava num contexto de muita tensão vinda dos militares e da Assembleia Legislativa, espaço em que o partido que lhe fazia oposição, a UDN, tinha maioria (DANTAS). Para ficar no cargo de governador, ele tinha que obedecer aos comandos do 28º. BC, que passou a ser, rigorosamente falando, a sede do governo e não mais o Palácio Olímpio Campos.

Cumprindo ordens castrenses e simulando uma autonomia que não tinha, contribuía e colaborava para o sucesso do regime autoritário em Sergipe. Segundo Andrade, Celso de Carvalho “passou a ouvir os oficiais do 28º. BC, sediado em Aracaju, sobre a sua conduta”. Para o mesmo autor, o seu governo foi “sombrio, dúbio, tímido”. A despeito de ser chamado de governador, na verdade não passou de colaborador, no sentido de cumpridor de ordens de todos os comandantes militares que governaram Sergipe no período do seu mandato de 1963-1967. Com esse seu trabalho, Celso de Carvalho contribuiu para a instauração bem sucedida da ditadura militar em Sergipe.


Fontes consultadas:

ANDRADE, Manoel Correia de. 1964 e o Nordeste: golpe, revolução ou contra-revolução? São Paulo: Contexto, 1989.

BELOCH, Israel e Alzira Alves de Abreu. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro (1930-1983). Rio de Janeiro: Forense/FGV?CPDOC/FINEP, 1984.

CRUZ, José Vieira da. "Celso de Carvalho e a política em Sergipe na segunda metade do século XX". In: Jornal da Cidade. 20/03/2010.

DANTAS, Ibare. A tutela militar em Sergipe. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997.

SOUZA, Marcelo Domingos. Simão Dias: a transição da oligarquia ao populismo.(1940-1964). São Cristóvão: Monografia do curso de História da UFS,2002. Orientadora: Terezinha Alves de Oliva.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
17/01
07:00

Tesouro Nacional vai agilizar liberação de R$ 225 milhões para Sergipe

A verba, pleiteada por Jackson Barreto, vai ser aplicada na construção de moradias, em saneamento urbano e no transporte coletivo


O secretário do Tesouro Nacional (STN), Arno Augustin, prometeu ao governador Jackson Barreto agilidade na liberação de R$ 160 milhões para financiar as contrapartidas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e do Minha Casa, Minha Vida. Durante audiência nesta quinta, 16, em Brasília, o governador lembrou que os recursos são imprescindíveis para que as obras já iniciadas não sejam paralisadas.

Como forma de demonstrar seu empenho, o titular da STN pediu ao secretário da Casa Civil, José Sobral, que se reunisse com a equipe do Tesouro Nacional logo após a reunião desta quinta. Para reforçar o pedido, Jackson Barreto lembrou que o financiamento já foi autorizado pela Assembleia Legislativa sergipana.

Além de novas moradias, os recursos permitirão o aumento das redes de esgotamento sanitário e abastecimento de água. As verbas são provenientes do CPAC, programa de contrapartida do PAC.

Transporte coletivo

No mesmo encontro, o governador pleiteou outros R$ 65,5 milhões para infraestrutura de transporte e mobilidade urbana. Com estes recursos, o Governo de Sergipe pretende implantar dois grandes corredores de transporte coletivo na capital do Estado.

O governador lembrou, mais uma vez, que também esta operação de crédito ganhou o aval dos deputados estaduais sergipanos. A iniciativa atenderá prioritariamente áreas de baixa renda na capital de Sergipe.  (Da assessoria)



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
01/01
18:45

Missas lembram nesta 5ª feira um mês da morte de Marcelo Déda

Duas missas, a serem celebradas às 17h e 19h desta quinta-feira, na Igreja São José, localizada na praça Tobias Barreto, marcarão a passagem do primeiro mês da morte do governador de Sergipe, Marcelo Déda. Os atos religiosos serão celebrados por iniciativa das suas filhas Marcela, Yasmin e Luíza e demais parentes de Déda e serãp abertos à todos. Outras missas acontecerão atendendo a iniciativas de outros familiares dentro e fora do Estado, incusive em cidades como Itabaiana e outras, a pédido do PT e/ou de partidos aliados. A ex-primeira dama Eliane Aquino, que se encontra em Brasília, encomendou missa lá e vai com os seus parentes e alguns amigos. Nesta sexta-feira, 03 de janeiro, às 8h30, também será celebrada missa em memória do governador na Basílica de Aparecida do Norte, em São Paulo. Déda morreu no dia 2 de dezembro, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. Ele foi vítima de falência múltipla dos órgãos motivada por câncer.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
29/12
22:06

O reformador social que não deu certo

Afonso Nascimento  -  Professor do Departamento de Direito da UFS


Qual é a real estatura política de João de Seixas Dória (1917-2012)? Refletindo sobre a sua vida política, tenho a impressão de que foram criados certos exageros sobre ela. Considero que alguns desses exageros surgiram de esforços para homenageá-lo e que outros derivam do fato de ter sido apeado, manu militari, do poder pela ditadura militar. No segundo caso, coisa semelhante ocorreu em relação a militantes da esquerda armada e desarmada que foram transformados em heróis – mesmo aqueles que lutavam mesmo pela troca de uma ditadura de direita por outra de esquerda. Certamente, esse não foi o seu caso.

 

Quem foi João de Seixas Dória? Ele foi um membro das classes proprietárias rurais tradicionais sergipanas, nascido em Propriá. Essa sua alta origem social, permitiu-lhe frequentar as melhores escolas das elites baianas do seu tempo como o Colégio Antônio Vieira e o Colégio Maristas, bem como a Faculdade de Direito da Bahia. Em entrevista que me concedeu, não consegui entender por que razão decidiu transferir-se para Niterói onde concluiu seus estudos jurídicos. Nesse tempo, aderiu ao integralismo. Depois disso, ele resolveu voltar a Salvador e ali trabalhar como advogado. Mas não praticou a advocacia por muito tempo. Recebeu e aceitou o convite para exercer um posto político, como secretário de governo, na prefeitura udenista de Aracaju.

 

O referido convite partiu de ninguém mais, ninguém menos, que Leandro Maciel, a principal liderança da União Democrática Nacional (UDN) que, em seguida, lançou-o e o elegeu deputado estadual. Para que o leitor tenha uma ideia do contexto partidário dos anos 1950, a UDN era um dos três partidos da aristocracia rural sergipana, ao lado do Partido Social Democrático (PSD) e do Partido Republicano (PR). Seixas Dória não ficou satisfeito com um mandato. Na eleição seguinte, foi reeleito para o mesmo posto. Como parlamentar estadual por dois mandatos (1947 e 1950), teve um desempenho muito ativo na tribuna e na imprensa.

 

Antes de lançar-se na política nacional, trabalhou em outra ocupação que facilita o ingresso na política (por conta do uso da fala, como também é o caso da advocacia): fez radialismo político. Lançando-se candidato deputado federal, foi eleito sem dificuldades. Nos dois mandatos exercidos (1955 e 1959), tornou-se, inegavelmente, um político nacional, defendendo causas e bandeiras de seu partido conservador e golpista, a UDN, mas que também sustentava teses consideradas progressistas para o seu tempo como o nacionalismo, entre outras. Fazia parte do alto clero da política brasileira. As suas habilidades como orador de alto nível abriu portas políticas para aquele homem público de pouco mais de um metro e meio de altura, chegando, naqueles tempos turbulentos, ao cargo de vice-líder do seu partido, sendo muito assediado pela imprensa nacional e animando dois blocos parlamentares, a saber, a Frente Parlamentar Nacional e a Bossa Nova da UDN.

 

Com esse seu brilho parlamentar em Brasília, pensou que isso lhe dava as credenciais para candidatar-se a governador de Sergipe. Recebeu um “não” do chefe partidário Leandro Maciel, que tinha outros planos. Insatisfeito com o veto, não desistiu. Foi persuadido a fazer parte de um esquema político mediante o qual se filiava ao PR e, com o apoio decisivo do PSD, o partido que combatera como deputado estadual e federal, Seixas Dória concorreu e ganhou a eleição para a governadoria estadual. Com essa vitória, alcançou o auge de sua carreira política. O que queria fazer? Tinha planos de um verdadeiro reformador social católico, ao adotar para si, como projeto de governo, as “reformas de base” de João Goulart que, para Sergipe, incluíam uma agenda que vinha sendo ignorada desde o fim da escravidão e da introdução da República, a saber, reforma agrária bem moderada (nas beiras de estradas estaduais e federais), erradicação do analfabetismo, etc.

 

Eleito governador, ali estava um descendente direto das elites oligárquicas falando outra língua social e política diferente daquela usada por seus pares de origem – da mesma forma que o fazendeiro sul-rio-grandense e presidente da República, o outro João, o Goulart. Em Sergipe, isso provocou a ira das classes proprietárias rurais como, de resto, no Brasil inteiro. Seixas Dória tinha se tornado comunista, por adotar essas novas bandeiras? Ele fundamentava a imperiosidade dessas reformas sociais no catolicismo que tinha aprendido em casa e nas escolas de Salvador. Em discurso fundamentando essa sua escolha, ele dizia não ter nada a ver com o marxismo e com o comunismo ateu e que na sua religião encontrava bases doutrinárias mais abrangentes para implementar essas reformas sociais em Sergipe.

 

Nos quatorze meses em que foi governador, passou parte de seu tempo viajando e emprestando seus recursos oratórios às causas defendidas por ele, Jango, Miguel Arraes, entre outros. Tinha noção da complicação em que se havia metido? Participou, inclusive, do famoso comício no Rio de Janeiro em março de 1964, que selou a sua sorte e a de seus correligionários. Aí veio o golpe militar, perdeu o emprego de governador, foi mandado como preso político para Ilha de Fernando de Noronha, na costa de Pernambuco, e mais tarde foi libertado através habeas corpus. Na prisão não sofreu torturas e coisas do gênero. Para mim, o momento mais importante de Seixas Dória como político foi, já sabendo que estava perdido, fez pronunciamento ao povo sergipano dizendo-se ser contra a quebra da legalidade institucional e em seguida ter recusado o mesmo emprego de governador sob a condição de apoiar o novo regime político. Aí ele adquiriu a estatura de um verdadeiro estadista.

 

Como era um homem rico, penso que Seixas Dória deveria ter acabado sua carreira política naquele ponto. Mas ele quis mais. Ao recuperar os seus direitos políticos, filiou-se ao MDB e logo em seguida ao recém-criado PMDB. Eram outros os tempos. Candidatou-se duas vezes a mandatos federais e sofreu duas derrotas eleitorais. Na condição de suplente, concluiu um mandato federal. Da mesma forma que não tivera bases sociais para as reformas pretendidas no começo dos anos 1960, Seixas Dória não tinha base eleitoral para eleger-se. Disso resultarão os dois fracassos eleitorais seguidos. Diferentemente dele, Miguel Arraes foi eleito duas vezes governador de Pernambuco.

 

Com a via eleitoral complicada, terminou a carreira política como secretário do conservador presidente José Sarney, antigo companheiro e compadre da velha UDN e, em Sergipe, foi secretário dos transportes de dois governadores sergipanos, ou seja, Antônio Carlos Valadares e João Alves Filho. Além disso, usou o seu declinante capital político para ocupar, juntamente com parentes, espaço em empresas estatais. Seixas Dória soube entrar na política, mas foi incapaz da fazer a leitura correta da nova realidade política para saber sair da política. Da primeira vez saiu do poder pela força das armas e da segunda pela rejeição dos eleitores. O único político candidato a reformador social da história política sergipana, Seixas Dória merecia ter tido um fim político melhor.

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Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
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