15/04
08:03

O declínio americano

Afonso Nascimento
Advogado e Professor de Direito da UFS

O filosofo alemão Jorge Guilherme Frederico Hegel (1770-1831) escreveu que a historia ou o movimento da historia começou no Oriente e depois foi se deslocando para o Ocidente até chegar à Europa do seu tempo. Quando escreveu, ele não sabia, provavelmente, da existência de civilizações sofisticadas no hemisfério sul da Terra. Pouco importa. Àquela afirmação acrescentou outra que se confirmou mais tarde pela historia: que, da Europa, o movimento da historia se deslocaria para os Estados Unidos. Embora isso não passasse de Filosofia Política (provavelmente influenciada pela história do cristianismo), o fato é que o século XX foi o século americano: ganharam duas grandes guerras, fizeram muitas outras guerras menores, ajudaram a reconstruir a Europa e o Japão, colocaram suas empresas e suas mercadorias em todos os continentes, afirmaram-se como potência militar e grande fabricante de armas, tornaram-se hegemônicos cultural (Hollywood à frente) e cientificamente. É pouco?

Dessa hegemonia ou supremacia no mundo, nasceu o antiamericanismo. Esse comportamento está associado geralmente à esquerda, porque os Estados Unidos passaram a representar a liderança do capitalismo em escala mundial. Da mesma forma que a esquerda era contra os capitalismos nacionais antes e depois da ascensão dos EUA, ela continuou com a mesma atitude, mas dirigindo especial atenção ao capitalismo ianque. Razões para isso não faltavam nem faltam: os americanos e suas empresas quebraram muitas empresas em muitos lugares pelo mundo afora, fizeram-se "polícia do mundo", invadiram países, colocaram frotas em todos os oceanos (podendo intervir em qualquer país, se necessário, a qualquer momento), organizaram e financiaram golpes de Estado, etc. E também transformaram o mundo um pouco em sua cópia distorcida e países e povos passaram a imitá-los. Não é à-toa que os norte-americanos se acham "o número um" ("the number one") em tudo. O seu nacionalismo está fundado nessa evidência.

Quando morei lá, muitas coisas e atitudes dessa superpotência me chamavam a atenção. A primeira dela é a sua poderosa democracia. São mais de duzentos anos com um único regime político: a democracia. Nada de ditaduras. Muitas críticas podem lhes ser dirigidas por conta de sua política externa imperial, mas não existe país mais livre no mundo internamente. A sua sociedade é muito bacana. Por isso sei que sou suspeito para falar dela, pois adorei viver lá e, embora sem nunca deixar de ser brasileiro, estou identificado com a sua cultura até hoje. Mas, como brasileiro dentro do Brasil, não me agrada entrar numa livraria e observar que a maioria dos livros mais vendidos é de livros americanos; pensar em ir ao cinema e saber que a maioria dos filmes vem dos EUA; admitir que muitos produtos que precisamos comprar são de empresas ou de franquias norte-americanas; e a lista continuaria com muitos outros exemplos dessa presença. E isso não é só no Brasil: isso vale para o resto do mundo. O mundo virou um grande "quintal americano" na segunda metade do século passado.

Vivendo dentro da "grande nação do Norte", não escapava de minha observação a cobertura que era feita pela mídia dos eventos merecedores de destaque. Enquanto a França, por exemplo, fazia e faz a cobertura de seu próprio país, da União Europeia (hoje em dia com mais razão), das ex-colônias pela África, a mídia norte-americana cobre o mundo inteiro, seja porque suas empresas e portanto seus interesses nacionais estão por toda a parte, seja porque os seus interesses estratégicos cobrem todo o planeta. Agora pense o leitor na cobertura internacional da mídia (especialmente da TV) brasileira: o foco está nos centros econômicos e políticos na Europa, nos EUA e no Japão (só recentemente incluindo a Argentina por conta do Mercosul). Isso só mostra ainda a sua condição subordinada no concerto das nações e que a influência brasileira no mundo ainda está por vir.

Ainda do interior da "barriga da baleia", outra coisa não me passava despercebida. Reportando tensões e conflitos entre o seu país e outros, a mídia, quando entrevistava e entrevista autoridades públicas, coloca abertamente o conceito de "regime change" (mudança de regime). Dito de outra forma, quando não dá mais para dialogar com país "peso leve", eles falam, com naturalidade e arrogância, em derrubar governos. Impressionante! Isso também vale, cuidados à parte, para a França, a Rússia, a Inglaterra, etc. Era assim também com a Roma Antiga: se não adiantava falar suavemente, dava no país incômodo uma porretada, parodiando de novo os EUA. Agora, convido o leitor de novo a pensar no Brasil por ocasião daquela tensão não muito antiga com a Bolívia sobre gás ou petróleo: só alguns malucos falaram em "invasão" e coisas que tais. Felizmente, a maioria dos brasileiros pensou como governo federal em diálogo, etc. Tradição pacífica brasileira? Não, o Brasil ainda não é um peso pesado.

Muitos tonéis de tinta já foram gastos para tratar do declínio americano. Há declínio? Com certeza, há. A segunda metade do século XX marcou a sua hegemonia espetacular sobre o mundo e o seu relativo declínio depois do seu paroxismo com fim da Guerra Fria. Eles ainda têm supremacia em tudo: econômica, militar, científica e cultural. Mas, economicamente, os EUA enfrentam concorrência das velhas e novas potências econômicas – aí incluído o Brasil. Militarmente, idem. Apesar de fazerem parte e de liderarem a maior e mais importante aliança militar do mundo, a hoje imbatível OTAN, o aparelhamento nuclear de diversos países impede que os EUA posem tão abertamente como "polícia do mundo". É por isso que se pode dizer que o século XXI não será outro século americano. Mas dos EUA e de outros países – embora guardando o posto de liderança na área científica, cultural e militar. É aí que eu acho que a tese do historiador norte-americano Paul Kennedy, segundo a qual os impérios começam a declinar quando precisam ter mais despesas militares não acompanhadas de muito sucesso econômico, faz sentido. Os EUA são cada vez mais ameaçados economicamente no mundo inteiro. Essa "trégua" com o mundo que faz agora o presidente Barack Obama é um sinal claro da chegada a esse ponto. E disso os norte-americanos têm consciência. Somente a direita ianque faz questão de ignorar perigosamente essa evidência.

Immanuel Wallerstein, outro historiador americano, escreveu que, no século XVI, quando os europeus começaram o movimento de conquista do mundo, a China era a potência mundial pronta para fazer o mesmo. Não fez ou foi impedida de fazer pela dianteira tomada pelos europeus. No final do século XX e começo deste, já existe consenso sobre a ascensão da China à condição de superpotência mundial – tendo a seu lado outra potência econômica oriental que é o Japão. Mesmo com o seu capitalismo selvagem (comprando terras na África, exportando empresas, vendendo mercadorias a preço de banana, etc.), a China terá um longo caminho a seguir antes de impor alguma hegemonia cultural para além de sua culinária no mundo. Quando isso acontecer, o velho Hegel poderia acrescentar, se estivesse vivo, que o movimento da história voltou para o Oriente. E a gente também poderia completar: pois é, sabe-se lá por que, às vezes a Filosofia acerta.


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
07/04
18:38

Afonso Nascimento - Choques culturais

Afonso Nascimento
Advogado e Professor de Direito da UFS

Viver no exterior é uma fonte de choques culturais. É também oportunidade de comparar os costumes de seu país de origem com aqueles do lugar onde alguém está a viver. Depois de algum tempo, aquelas diferenças começam a tornarem-se naturalizadas e, quando você volta ao seu país de verdade, dá-se o contrário: você conhece algum estranhamento dentro da sua própria cultura. Quem viveu fora do Brasil conhece essa sensação. Na verdade, nem é preciso sair do Brasil. Aqui mesmo no Brasil isso acontece, posto que, em razão das nossas heterogeneidades culturais, nesse território existem vinte e sete "países". Sim, mas os choques culturais não chegam a ser tão fortes quanto os de morar no exterior.

Quando eu vivi nos Estados Unidos nos anos 1990, eu experimentei vários choques culturais. Relatarei três desses choques. O primeiro diz respeito à cultura jurídica norte-americana. Enquanto brasileiro com formação jurídica, eu estava acostumado com a cultura de que juízes são recrutados através de concursos públicos – uma das razões que fazem que a magistratura não seja uma corporação democrática e, sim, burocrática. Nos EUA, para minha surpresa, eu observei campanhas para juízes federais em outdoors, em emissoras de rádio, etc. Eu achava e acho muito legal aquele procedimento de seleção e gosto até hoje contar para meus alunos essa história e noto que a reação deles é sempre de desconfiança. "Isso não daria certo no Brasil", sempre dizem. Eu concordo com eles, mas acrescento que idealmente seria bom combinar a seleção meritocrática com a democrática de juízes como forma de reduzir o déficit de legitimidade que tem o Judiciário brasileiro.

Da cidade em que eu vivi, Oak Park, no estado de Illinois no meio-oeste americano, vem de novo o segundo choque cultural. Para que o leitor tenha uma ideia superficial dessa cidadezinha, ela é um subúrbio de Chicago de classe média, em cuja terra nasceram o escritor Ernest Hemingway e o arquiteto Frank Lloyd Wright. Pois bem, nessa cidade, com sua pequena população, não tem Câmara de Vereadores, só Prefeito. Eu me perguntava então: como é que pode isso? As pessoas me diziam com naturalidade: "Para que Vereadores?" Além do Prefeito, tinha só um "manager" (um administrador técnico) e, claro, a máquina administrativa da Prefeitura. E a cidade funcionava incrivelmente bem, com o Prefeito eleito prestando com frequência contas de suas ações administrativas a seus constituintes.

Peço ao leitor que pare um minuto e pense nas pequenas cidades do interior de Sergipe. O que pode ser encontrado? Cidades com economias irrelevantes e, por conseguinte, com arrecadação baixíssima de impostos, vivendo de repasses do governo federal. A despeito disso, essas cidades elegem Prefeitos e muitos Vereadores. Para que servem esses Vereadores que levam uma grande fatia do orçamento municipal com seus altos salários e cujo retorno em termos de trabalho é praticamente nulo? Nessas cidades não ter Vereadores significa uma enorme economia para suas populações. Infelizmente, não faz muito tempo, para piorar a situação, o corporativismo da classe política brasileira brigou e conseguiu aumentar o número de edis nas Câmaras de Vereadores do país. Indo ao que interessa: nesse caso, esse arranjo institucional caberia para o Brasil? Não me posiciono como Bob Fields ( "o que é bom para os EUA é bom para o Brasil"), mas estou seguro de uma coisa: esse rigorismo de engenharia institucional ("tem que ter uma Câmara de Vereadores") pode ser motivo para desvirtuar o sentido da democracia representativa e de uma boa governança.

A última amostra de choque cultural desse brasileiro na terra de Tio Sam tem a ver com o uso da biblioteca pública de Oak Park. Qual era o uso que os moradores dessa cidade faziam de sua biblioteca municipal, localizada em frente à sua praça principal, no centro da cidade? Ela era (ainda está lá) uma biblioteca que ficava aberta todos os dias da semana, desde a manhã até lá pelas dez da noite. Era um espaço com aparelhos de ar condicionado, dividido em diversos outros, a saber, sala de leitura, sala de brinquedos para crianças, cabines para ouvir música, salas de projeções, salas com estantes de livros, filmes, DVDs, video-games, etc. Quem frequentava essa biblioteca? Embora fosse um subúrbio afluente, a impressão que guardei foi a de que pessoas de todas as classes por lá passavam por diversas razões. Adultos, homens e mulheres, iam tomar emprestados livros, filmes etc. Pais e filhos também buscavam livros, etc. Outros iam ler os jornais diários e revistas de todos os tipos. Mais outros lá ficavam só por lazer, conversando uns com outros. Trocando em miúdos, era um espaço de vivência e de convivência dos moradores.

Vamos de novo pensar em Sergipe? Todas as cidades sergipanas têm bibliotecas públicas estaduais e municipais? Nas grandes cidades, todos os bairros grandes possuem bibliotecas públicas? De vez em quando são publicadas informações do MEC que tratam das dificuldades sergipanas no seu setor de bibliotecas públicas. Mas eu acredito que toda cidade de Sergipe pode ter, pelo menos, uma biblioteca pública cumprindo essa função de espaço de vivência e de convivência para os seus moradores e cidadãos. Imagine o leitor esse tipo de biblioteca, hoje acrescida de internet, instalada especialmente nos grotões sergipanos em que as pessoas não têm o que fazer, tendo que lidar com o calorzão de suas casas ou de suas praças. Essa poderia ser uma política cultural, absolutamente factível porque barata, para governos estaduais e municipais. Nos vinte anos que ainda quero viver, partiria feliz recebendo esse mesmo choque cultural em Sergipe.


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
01/04
05:10

Como era ser pobre em Sergipe

Afonso Nascimento
Advogado e Professor de Direito da UFS


O leitor já teve a oportunidade de encontrar pessoas indignadas com a concessão da bolsa-família para algum miserável sergipano? Pois é, essas pessoas existem e estão sempre armadas com bons argumentos contra aqueles que dizem que a bolsa fomenta a preguiça, "vicia o cidadão" ( como na música de Luiz Gonzaga), etc. De vez em quando, porque esses comentários são frequentes, eu pergunto a essas pessoas se elas têm ideia do que recebem os pobres dos países europeus com o seu estado-providência. Então eu lhes digo que na Europa rica as pessoas, além dos seus salários em situação ordinária ou de seus generosos seguros-desempregos, ganham escola, transporte, saúde ( com direito a retorno com gastos com médicos e remédios) de qualidade, ajuda com aluguel, boas aposentadorias e muitas outras alocações em relação aos filhos, à maternidade, etc.

Apesar da ameaça de destruição do estado de bem-estar social, esses europeus "pobretões" fretam aviões e vêm passear em países como o Brasil como se fossem "ricos". Aí eu não posso deixar de dizer como somos mesquinhos fazendo questão com a ninharia da bolsa-família ( pouco mais de cem reais) que custa outra micharia ( em torno de quinze bilhões ) no orçamento da União. Naturalmente, por aquelas bandas não existe o estardalhaço dessa política social que termina por transformar os seus beneficiários em uma gigantesca clientela eleitoral - o que é uma coisa muito lastimável.

Eu sou um ex-pobre. Eu e minha família fizemos parte da questão social do Brasil. Por isso, sinto-me à vontade para escrever com experiência e reflexão sobre o assunto. É preciso dizer, para início de conversa, que a pobreza pode ser e que pode não ser uma condição ontológica. Trocando em miúdos, existe a diferença entre ser pobre e estar pobre. Aquelas pessoas que são pobres a vida inteira, vivem na pobreza e a pobreza moram nelas. As duas coisas se confudem. Porém, quando pessoas mudam de sua condição material, aparentemente a probreza descola delas. No meu caso, a pobreza não morou em mim.

Avançando no assunto, afinal, o que é a pobreza? A pobreza tem uma dimensão objetiva. Com efeito, ela está sempre associada à privação de bens materiais e culturais. As pessoas consideradas pobres moram em bairros periféricos, (quando têm) têm baixa renda, muitos filhos (às vezes, não), o seu consumo de bens materiais e culturais é de qualidade baixa, etc. Levam uma vida material e cultural que as impedem de terem uma completa dignidade humana. São pessoas normais, como quaisquer outras, que têm desejos materiais, mas não conseguem satisfazê-los. Existe nesse sentido uma conexão entre necessidades e frustrações na definição de pobreza.

E a dimensão subjetiva da pobreza? Geralmente, os pobres são sempre frustados ou revoltados - a menos que sublimem essas necessidades com outros bens. No caso brasileiro, com nossa pouca tradição de rebeldia, os pobres estão sempre se colocando como vítimas num mundo social para o qual não tem solução. Mas quase nunca se revoltam. Quando morei nos Estados Unidos, li um livro que me impressionou muito sobre a pobreza de lá ( "The hidden injuries of class" ou "As feridas escondidas de classe", de Richard Sennett e Jonathan Cobb) para o qual os autores entrevistaram americanos pobres sobre o seu "inferno" subjetivo. Guardei que muitos reclamavam que a economia de mercado americana não cumpria as promessas divulgadas no país, que dizia oferecer oportunidades para todos. Aí eu pensava no Brasil, um país que não pode dizer que dava ou dá oportunidades a todos, como fica isso?

Deixe-me falar um pouco sobre minha experiência de quando eu era pobre. Dentro das camadas de pobres sergipanos, a minha família moradora do Aribé não era das mais pobres, porque meu pai foi ferroviário público federal a vida inteira, a gente podia comprar fiado em muitos lugares ( bodegas, mercado, etc.) porque meu pai nunca ficou desempregado e a minha família tinha casa própria, não precisando pagar aluguel - e eu nunca trabalhei como criança ou adolescente. Mas era só o salário de meu pai para alimentar quatorze bocas ( pai, mãe, dez irmãos e dois meio-irmãos). Além disso, meu pai possuía um terreno no Bairro Santos Dumont onde tinha plantação de abóbora, melancía, etc. Família de famintos? Claro que não, mas minha mãe, não poucas vezes, preparava deliciosos pratos como leite em pó da Aliança para o Progresso, café açucarado com farinha, caranguejo ou guaiamum para o almoço, vários tipos de tripas, pilombetas,etc. A mortalidade infantil não chegou a ser um problema para nossa família, porque nos mudamos de Salgado para Aracaju - onde existiam ( ainda que precários ) serviços médicos públicos na LBA do Bairro Siqueira Campos), e onde pessoas como eu tiveram a sorte de estudar em escola pública com problemas mas num tempo em que ainda não existia educação de baixa qualidade para massas.

O meu problema começou quando eu estava terminando a escola secundária. O que fazer para ganhar a vida? A minha avó materna insistia para que meus pais me colocassem numa oficina mecânica para eu aprender um ofício ( no caso de mecânico). Já o meu pai e a minha mãe, sempre altivos mesmo com suas limitações culturais e sem possuírem bons relacionamentos ou contatos, tinham outros planos para mim: entrar para a Escola Agro-Técnica do Quissamã no interior de Sergipe ou ir para o Exército (Academia Militar de Agulhas Negras), no estado do Rio de Janeiro. Parece um típico itinerário para um filho de família trabalhadora? No mesmo período em que isso tinha lugar, eu me preparava para fazer o exame vestibular da UFS, depois de ter estudado no Colégio Costa e Silva ( onde tinha professores que eram geralmente estudantes universitários ) e estudava no Colégio de Aplicação, uma escola-laboratório da UFS, para a qual entrara depois de fazer exame ( parte da política educacional da ditadura militar), a qual tinha excelente quadro de professores efetivos e que ajudou a melhorar e a aumentar a minha bagagem de conhecimentos.

O leitor me desculpe por fazer todo esse relato biográfico, mas o seu objetivo não é estragar o seu domingo falando de miséria, pobreza, etc, nem passar dica sobre como escapar da pobreza. Embora eu não desse tanta importância de ter um diploma universitário ( na Europa rica não existe tanto essa obessão brasileira do diploma universitário, mas eles fornecem educação de qualidade para todos ), eu tinha consciência de que a minha sorte estava lançada, em qualquer direção, naquele processo seletivo, visto que, ainda que eu me considerasse um grande jogador de futebol, ninguém mais pensava como eu. Era muito azar! Ademais, como afrodescendente não tinha talentos artísticos para cantar ou dançar - e a criminalidade econômica nunca fora considerada como alternativa. Assim, ou passava no exame vestibular ou ia ser classe trabalhadora como meus pais, meus avós, etc, reproduzindo uma tradição de muitas gerações.

Para minha surpresa, não fui reprovado. E é isso que me dá autoridade para falar que, numa sociedade como a sergipana que não dá oportunidade ao viveiro de talentos ( este não é bem o meu caso, pois não passo de um professor ordinário ) existentes no interior da população de baixa renda, ser pobre em Sergipe era e é não ter perspectiva de uma vida melhor - exceções postas de lado. E o sergipano pobre sofre o pior e o mais naturalizado dos preconceitos sociais: o de classe social.Eu sei que a educação não resolve tudo, mas tenho certeza que garantir escola pública de qualidade é um bom começo para sacudir o passado colonial e "republicano" dos sergipanos de injustiça econômica, social e cultural. Para além disso, não perco a esperança de que os sergipanos possam ter um dia um Museu da Pobreza, como fez a Noruega não tem muito tempo, para lembrar as suas novas gerações como era ser pobre por lá. Enquanto isso, por aqui, ainda somos um quase-museu da pobreza a céu aberto.


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 2
Por Eugênio Nascimento
01/04
05:00

A crise de referências da esquerda

Afonso Nascimento
Advogado e Professor de Direito da UFS


A passagem recente da dissidente política cubana Yaoni Sanchez pelo Brasil forneceu uma ótima chance para, quem quis ver, observar um espetáculo lamentável. Com efeito, de um lado, estava a direita brasileira se divertindo, a pedir que ela falasse, ou seja, que ela criticasse a velha ditadura do Caribe, e, de outro, membros da esquerda a hostilizar a bloguera sem graça, chegando até a impedi-la de participar de evento em Feira de Santana, na Bahia. No fim das contas, até onde tive paciência para acompanhar as demonstrações patéticas de besteirol político, ela não criticou o regime de seu país, fazendo, como era de esperar, elogios à democracia brasileira. Mas a coisa não ficou nisso: pessoas apresentaram, na internet, números positivos de indicadores sociais como forma de justificar o totalitarismo tropical cubano. Em seguida ocorreu a morte do presidente Hugo Chávez da Venezuela. A estória também se repetiu nesse caso. De fato, a direita brasileira fazendo o seu melhor para falar o pior do ditador ou do caudilho "bolivariano" e do seu legado, enquanto a esquerda, por sua vez, apresentava outros números também positivos de indicadores sociais para legitimar o regime quase ditatorial venezuelano.

Que reflexões fazer desses dois episódios em relação à esquerda? A primeira delas é que a esquerda não é sincera quando diz que, depois das experiências totalitárias na Rússia, na China e da Albânia (só para ficar com alguns exemplos), converteu-se incondicionalmente à democracia. Isso mesmo. Em nome de alguma espécie de igualitarismo, ela parece estar disposta ainda a defender ditaduras completas e incompletas. Qual seria a atitude correta de uma esquerda de fato democrática? Seria o comportamento político que tiveram forças políticas de países do Leste Europeu, depois do fim totalitarismo, de defender a preservação de seus direitos sociais e bater-se pela gestão democrática da sociedade. O que isso significa dizer? Isso quer dizer colocar no mesmo patamar valores como a igualdade e a liberdade. Não pode haver confusão: o valor igualdade é tão importante quanto o de liberdade. Embora seja possível chegar a alguma forma de igualdade pelo autoritarismo, é melhor que isso aconteça pela via democrática. A democracia é fim, e não meio como pensava antigamente (e pelo visto ainda hoje) pensava a esquerda.

No caso de Cuba, ela é uma ditadura completa em fase de definhamento definitivo. O seu "modelo" de sociedade tornou-se insustentável e, com um pouco de liberdade, quebra-se totalmente. As pessoas podem acusar o embargo norte-americano como o responsável pelo fracasso econômico cubano, mas isso não basta. Cuba foi o mais importante peão da Guerra Fria nas Américas e durante muito tempo sobreviveu por conta da cooperação econômica e dos subsídios da antiga URSS. Depois que esta deixou de existir, a situação cubana se tornou inviável. Para sua sorte, todavia, Hugo Chávez passou a ajudar Cuba com petróleo da mesma forma que apoiava a Nicarágua de Daniel Ortega. Hoje em dia o problema de Cuba é tão difícil hoje que, se não ocorrer uma abertura mais rápida na direção da democracia, os cubanos terminarão por fazer outra revolução (neste caso, democrática) contra a revolução de Fidel e de Guevara. Mais ainda: dependendo de como seja conduzido esse processo de abertura, a ilha do Caribe poderá conhecer uma migração em massa de cubanos com competências técnicas aproveitáveis noutras partes do mundo, reproduzindo de forma alargada os "boat people" de tempos atrás.

No caso da Venezuela, a situação é diferente. Ali o que está em jogo é um retrocesso político muito grande, que pode levar a uma ditadura de direita. Os problemas de governantes populistas são dois: enfraquecimento das instituições democráticas existentes, por cima das quais os populistas navegam para governar diretamente com as massas populares. Pois bem. Muito antes da morte biológica de Chávez (a sua morte política é para mais tarde, não se sabe quando), eu sempre me colocava, só para argumentar, a questão: estará ele construindo fortes instituições democráticas para resistir à ofensiva que virá da direita daquele país? Depois de sua morte, quando vi na TV as demonstrações de apoio ao regime chavista pelo chefe das forças armadas, de punho erguido, e da presidente da suprema corte daquele país vizinho e grande parceiro comercial brasileiro, não pude deixar de concluir: a Venezuela, com as duras lutas políticas que virão, ou tenderá para uma ditadura de direita ou para uma ditadura de esquerda. O caminho para a democracia não me parece evidente em virtude da forte polarização daquela sociedade.

A segunda reflexão diz respeito à crise de referências da esquerda brasileira. Essa crise tem três aspectos: crise de referências em termos de autores e livros que a esquerda lia e lê; crise de referências quanto às experiências históricas concretas que orientam seguidores da esquerda; e crise de referências quanto ao próprio exercício do poder pela esquerda brasileira. Pelo que sei de minha aproximação com militantes de esquerda, pela leitura de documentos públicos e por falas em eventos públicos, os autores e livros consultados são os de sempre: o brilhante e arrogante intelectual Marx, o ditador e intelectual Lênin, o lunático Trotsky, etc. Nada mudou. Só tentativas - às vezes nem isso - de interpretação de velhos cânones muito empoeirados.

Quanto às experiências históricas concretas, saudosistas ainda mencionam a imperialista Rússia. Outros mencionam as altas taxas de crescimento econômico da China, esquecendo-se de que esse país pede para ser chamado de economia de mercado e que pratica uma nova forma de capitalismo selvagem no mundo. Envergonhados, alguns nem mais citam a abominável ditadura albanesa. Todavia, a referência maior parece continuar sendo Cuba. Muitas pessoas dão a impressão de terem parado no tempo, depois de lerem o famoso livrinho do comunista Fernando Morais ("A Ilha") nos anos 1970 ou após terem feito alguma visita àquele país e terem conhecido a boa música cubana (a turma do Buena Vista Social Club, Pablo Milanês, Sílvio Rodriguez, etc.). Em que o país caribenho pode servir de modelo para forças políticas que se querem democráticas? O mesmo diga-se em relação aos irmãos Castro. Indo além, também vale perguntar: em que o espalhafatoso coronel Hugo Chávez podia e pode ser fonte de inspiração para a esquerda brasileira que se quer democrática? Difícil imaginar algo.

Quanto às práticas políticas da esquerda no poder, em nome de uma real politik ou de um pragmatismo político (supostamente sinônimo de maturidade política), os costumes políticos brasileiros não têm sido melhorados: nepotismo em larga escala (com direito a citação de decisão do STF), mensalões, práticas clientelistas e assistencialistas, etc. Não chegou a hora de repensar esse conjunto de referências da esquerda brasileira? O que fazer? Por onde recomeçar? Considero que o melhor caminho é abandonar completamente a ideia de que existe ditadura boa. Nenhuma ditadura presta. Em seguida, o negócio é estudar a literatura contemporânea sobre a democracia e mergulhar na história social e politica brasileira esvaziada do ranço das narrativas da velha guarda.

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Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
19/03
17:24

Equipe da auditoria interna do Banese realiza treinamento

Ferramenta de análise informatizada de dados tornará mais ágil o trabalho da equipe

O Banco do Estado de Sergipe (Banese) está realizando o treinamento de toda a sua equipe de auditores no uso de uma ferramenta de análise informatizada de dados que permite uma exclusiva combinação de acesso, análises e apresentação de informações gerenciais. Trata-se do software chamado ACL, desenvolvido no Canadá, e que tem como principais características revisar 100% das transações da organização, trabalhar com arquivos sem limite de tamanho e comparar dados de diferentes aplicações e sistemas, entre outras.

Segundo o superintendente da Auditoria Interna do Banese (Suadi), Gilvan de Sousa, a utilização do ACL por todos os auditores tornará mais ágil o trabalho da equipe, porque o sistema possibilita a
extração e análise das bases de dados do Banco com mais rapidez.

O treinamento do Banese está sendo ministrado pela instrutora Fabiana Thomazelli, da empresa fornecedora do software, a Tech Supply. Ele conta com 21 participantes e, devido à sua complexidade, será desenvolvido durante três dias: teve início nesta quinta-feira, 14, e vai até o próximo sábado, 16, com carga horária de oito horas por dia, num total de 24 horas.

Da Assessoria


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
17/03
23:36

Os brasileiros pelo mundo: sergipano marca na Espanha

Diego Costa, sergipano, comemora o gol

Dois homens da tropa ofensiva de Luiz Felipe Scolari foram decisivos para suas equipes somarem mais três pontos nas duras ligas européias: Diego Costa, pelo Atlético de Madri, e Hulk, pelo Zenit. O parceiro de Falcao Garcia, no entanto, acabou sentindo um problema físico e virou dúvida para os próximos amistosos da Seleção Brasileira. De todo modo, muito além dos escolhidos de Felipão, muitos brasileiros de destacaram no fim de semana, espalhados pelo globo. Confira uma longa jornada com o FIFA.com:

- Espanha: Convocado para a Seleção Brasileira para os amistosos contra Itália e Rússia, Diego Costa, do Atlético de Madrid, foi o destaque brasileiro pelo Campeonato Espanhol neste fim de semana ao marcar os gol da vitória por 2 a 0 sobre o Osasuna, garantindo três pontos para o time colchoeiro, que chegou aos 60 pontos, e, na terceira colocação, segue na cola do rival Real Madrid, vice-líder. O problema é que o atacante, depois, teve de ser substituído ao sentir um problema físico, virando dúvida para a esquadra de Luiz Felipe Scolari. Pelo Valencia, Jonas voltou a anotar contra o Betis: 3 a 1, acertando a pontaria nos acréscimos do segundo tempo. Antes, o zagueiro Paulão havia marcado um gol contra a favor do time de Los Che.

- Rússia: outro jogador presente na convocação mais recente de Felipão, o atacante Hulk, importantíssimo na classificação contra o Liverpool de Coutinho pela UEFA Europa League, definiu a vitória do Zenit por 1 a 0 sobre o Mordovia Saransk, depois de ter passado em branco nas últimas três partidas pelo clube. O clube de São Petersburgo segue, desta forma, ainda com chances na liga russa, em terceiro, com oito pontos de desvantagem para o líder CSKA Moscou e a apenas um do vice Anzhi.

- Inglaterra: o jovem meia-atacante Philippe Coutinho vai ganhando mais cartaz na Premier League, embora, desta vez, ele não tenha conseguido proporcionar um resultado melhor ao Liverpool. No embate contra o Southampton, os Reds acabaram derrotados por 3 a 1, e o gol de honra de um dos maiores vencedores do futebol inglês foi o brasileiro, que vem sendo bastante elogiado pelos companheiros de equipe, incluindo Steven Gerrard. 

- Ucrânia: um pouco de mais do mesmo, já que Shakhtar Donetsk venceu mais uma, fazendo 3 a 0 no Chornomorets Odesa, e os brasileiros marcaram presença, claro. O polivalente volante Fernandinho fez o primeiro, enquanto o centroavante Luiz Adriano guardou o terceiro. Mas houve mais gente se destacando, como o atacante Danilo Cirino de Oliveira, paulista de Sorocaba, de 26 anos, e boa rodagem no futebol europeu. Ele fez dois gols do Zorya Luhansk na vitória sobre o Volyn Lutsk, por 3 a 1. Por fim, o zagueiro Matheus, de quase 1,90 m de altura e ex-jogador de Ipatinga, Grêmio e Atlético-PR, fez o de empate do Metalurh Zaporizhzhya contra o Karpaty L'viv: 1 a 1.


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
14/03
16:05

Real Moitense tem novo amistoso esta semana

Depois de aplicar três goleadas seguidas nos três primeiros testes do ano, o Real Moitense faz mais um amistoso preparativo para Taça Brasil de Futsal, marcado para  ocorrer entre os dias 24 e 30 de março, em Moita Boniita. Neste sábado, 16, os moitenses encaram a seleção de Simão Dias, às 20h30, na casa do rival.

A Taça Brasil de Futsal – 1ª divisão acontece pela primeira vez em Moita Bonita.  Nove equipes disputarão o título e a chance de subir para uma das principais categorias do futsal brasileiro.
 
O torneio contará com o Lagarto Futsal (SE) e AABB (SP), atuais campeões da Liga Nordeste e Liga Sudeste, respectivamente. Eles estão no grupo P1, que também tem os paraenses da Esmac/Ananindeua e os baianos do Esporte Clube Ajax.

Já o grupo P2 contará com cinco equipes. São Lucas (RO), Abílio Nery (AM), João Pessoa Futsal (PB), Cajuína (PI) e o sediante Moita Bonita (SE) medirão forças para seguir firme no caminho para o título e evitar o descenso para a Segunda Divisão.

Modelo de disputa
O formato do torneio é o já adotado tradicionalmente nos certames da Confederação Brasileira de Futsal. Os dois primeiros colocados de cada grupo passam para as semifinais, quando o primeiro colocado de uma chave enfrenta o segundo da outra. As duas equipes com as piores posições na classificação geral farão com que o Estado que elas representam dispute a Segunda Divisão em 2014. Os finalistas darão o acesso à Divisão Especial ao seu Estado.

Palco dos duelos
O ginásio que receberá as partidas da Taça Brasil Correios será o Governador Albano Branco, com capacidade para 2 mil pessoas. A quadra possui 40 m por 20 m de dimensão, e o piso é feito de Paviflex.

A cidade de Moita Bonita, localizada a 64 km da capital Sergipe, vem conquistando espaço no futsal nacional. Além de receber a Taça Brasil Correios, a cidade sediará a Liga Nordeste em outubro e a edição 2013 da Superliga em dezembro

Da Assessoria


Coluna Afonso Nascimento
Com.: 0
Por Kleber Santos
14/03
15:20

Dezenas de servidores fazem mobilização com o Sintasa


Foi realizada a primeira mobilização do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Sergipe (Sintasa), nesta quinta-feira pela manhã, para chamar a atenção do poder público sobre as deficiências que a categoria vem passando e que acabam prejudicando os usuários das unidades de saúde. O ato, que movimentou dezenas de servidores, aconteceu das 7h às 10 horas, na frente da Secretaria de Estado da Saúde, no centro de Aracaju. Até o dia 4 de abril haverá mais três mobilizações.

Para o presidente do Sintasa, Augusto Couto, cada vez mais os servidores da saúde estão se conscientizando da importância de se unir para conseguir os objetivos da categoria como a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) e Plano de Emprego e Remuneração (PER). 

“A luta não é apenas do sindicato, mas de todos os servidores da saúde. Com a união das forças nós conseguiremos avançar em tudo aquilo que foi prometido. Vemos muitas denúncias, como a CELOG (Centro de Logística) com uma série de medicamentos que é jogada fora por falta de climatização adequada, sem contar a falta de medicamento constante nas unidades de saúde”, declara o presidente, chamando atenção aos outros problemas enfrentados com o assédio moral.

O líder sindical destaca ainda que a luta atual não é sobre o aumento salarial, mas do plano de carreira, uma vez que a luta pelo aumento salarial será a partir de maio. “Vamos continuar lutando pelas demandas que temos recebidos, como a falta de gerenciamento. Vamos mostrar ao governo do estado para sentar com a categoria e direcionar estas questões”, completa o presidente.

Possiblidade de greve
Por sua vez, a diretora do Sintasa, Maria das Graças, lamenta o fato de que durante a mobilização da Secretaria da Saúde não houve nenhum representante do órgão para poder atendê-los na frente do prédio. “Queremos que a Secretaria se manifeste, que convide os sindicatos para retomar a mesa de negociação para que possamos estabelecer o PCCV, infelizmente, a Secretaria não enviou nenhum representante, mas o movimento continua, e observamos que está crescendo. O trabalhador está entendendo que o próprio sindicato está aberto para um movimento de greve, porque se este governo não ceder, nós vamos chegar ao extremo”, diz a diretora. 

Agenda de mobilizações (das 7h às 10 horas)
Dia 21 de março – Secretaria de Planejamento
Dia 27 de março - Palácio do Governo
Dia 4 de abril - Assembleia Legislativa

Fonte: www.sintasa.com.br


Coluna Afonso Nascimento
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