07/05
05:50

Quem respeita a fila no Brasil?

Afonso Nascimento  -  Advogado e Professor do Departamento de Direito da UFS

 

É preciso alguém viver no exterior para compreender o Brasil? A essa pergunta um tanto ridícula a resposta é "claro que não", pois existem no país profissões, intelectuais e instituições culturais que nos permitem compreender e explicar a sociedade brasileira sem tirar o pé daqui.  Mas é inegável que, morando no estrangeiro, os indivíduos têm a chance de comparar instituições e seu funcionamento, o comportamento das pessoas, etc. Além do rico aprendizado universitário, eu, jurista treinado em Sergipe e Santa Catarina, aprendi muito sobre o Brasil vivendo na Europa. Deixando de lado a minha experiência, acho mesmo que existem intelectuais brasileiros cuja produção bibliográfica não seria possível sem essa vivência internacional. Penso que esse é o caso do antropólogo Roberto Da Matta, cuja obra (que só li depois de voltar ao Brasil) é parcialmente um bom exemplo do que estou escrevendo. Com efeito, sem retirar o valor desse intelectual, vivendo na França, fiz e ouvi muitos comentários com base em comparações entre Brasil e França que encontrei depois "reproduzidos" em forma de livros e artigos desse grande intelectual brasileiro.

 O formalismo da cultura europeia é o primeiro que gostaria de comentar. Muito bem. Os europeus são um "povo" exageradamente formal, sendo que os países da Europa Latina e do Mediterrâneo tendem a ser mais descontraídos, relaxados. Resumindo, quanto mais você sobe no mapa da Europa menos você encontra descontração e mais formalismo. Geralmente, brasileiros sentem esse choque cultural na hora. Depois aprendem (ou não) a apreciar a importância de certos formalismos, em oposição à excessiva informalidade brasileira. Mas o formalismo tem o seu bom, especialmente quando a gente percebe a importância desses formalismos para a afirmação de direitos iguais para todos - inclusive para imigrantes estrangeiros apesar dos problemas conhecidos. Mesmo os norte-americanos com a suposta informalidade de país também novo como o Brasil, têm muitos formalismos que o democrático "you" inglês (em oposição ao "tu" e "vous" francês) pode às vezes esconder. A propósito, dentro desse mesmo espírito de trocas culturais, certa vez um professor francês formalista definiu o brasileiro como um "mediterrâneo exagerado". Parece uma boa definição.

Quando eu vivi na Europa, eu não era o que chamam de "deficiente físico". Foi nessa fase de minha vida que aprendi a importância da fila - sim, fila - como elemento de civilização. O problema que os brasileiros têm com a fila mostra como temos um longo caminho a seguir antes de tornarmos esse país mais civilizado. E isso nada tem a ver com "mentalidade de colonizado". Em diversas situações do cotidiano brasileiro existem pessoas furando fila. Por exemplo, na padaria, na repartição pública, no açougue, na hora de pagar numa loja e por aí vai. Até parece que furar a fila é a regra e a exceção é respeitá-la. O desrespeito à fila aparece como sinônimo de desigualdade entre as pessoas, o que vale para quem fura a fila, para quem está na vez e deixa alguém furar fila e para quem está do outro lado do balcão. Significa isso dizer ainda que o tempo de um é vale mais que o do outro ou então, por alguma outra razão cultural e de poder, aquele que está atrás pode passar na frente daquele da vez.

 Nessa fase de minha vida agora enquanto "deficiente físico", eu e pessoas como eu temos de lidar com esses problemas quase que diariamente, no trabalho ou fora. Na UFS, muitas vezes fui designado para dar aulas no primeiro andar das didáticas, o que me obrigava a subir escadas que sequer tinham corrimãos. Hoje já não acontece mais. Aliás, a UFS melhorou muito em termos de atenção a pessoas com dificuldades: elevadores serão instalados pelos prédios do Rosa Elze, corrimãos foram colocados no percurso das escadas, as calçadas têm pisos rugosos para orientar quem não têm visão, rampas estão espalhadas para o acesso a escadas, etc. Falta dar um atendimento especial a estudantes com "deficiências" desde o vestibular até a conclusão de seus cursos.

 Tempos atrás, depois que decidi que não queria dirigir mais carros, resolvi ir ao trabalho tomando ônibus. Teoricamente, era a coisa mais fácil do mundo. Embora não exista até hoje ônibus direto do Terminal da Atalaia até o Terminal da UFS, a operação parecia não colocar problemas. Tomaria o ônibus na Atalaia, desceria no Terminal do Dia ou da Rodoviária Nova e, "rapidinho", estaria na UFS de São Cristóvão. Na prática, porém, a coisa foi bem outra, pois não existe fila em nenhum dos terminais. Mesmo entrando pela porta da frente no terminal de partida, eu era carregado nos braços e pés da multidão em todos eles, subindo ou descendo do ônibus - como técnico cujo time de futebol que ganha um campeonato. Eu não sei como acontecia, mas, sem perceber, eu subia e descia "sem fazer o menor esforço". Por conta disso, tomei a decisão de ir trabalhar de "transporte escolar" ou de táxi. O leitor percebeu a importância da fila para "deficientes" e "normais"?

 Semelhante problema eu encontro com filas quase todos os meses quando vou pagar contas no meu banco todo o mês. Existem duas senhas, uma para "normais" e outra para "deficientes" ou "prioritários".  É assim que acontece. Depois de pegar senha, você entra e senta aguardando ser chamado. A fila dos "normais" funciona mais rapidamente, mas  os empregados do banco se esquecem de chamar os "deficientes". Até que resolvo me levantar e perguntar por que as senhas de pessoas como eu e Lucas Aribé não são chamadas. Aí, o funcionário me faz furar a fila porque fui reclamar, me fazendo passar na frente de outros "deficientes" que chegaram antes de mim. Eu digo que não é assim e que façam a coisa certa. Adianta? Mais tarde, quando estou sendo atendido na minha vez (eu ou qualquer outra pessoa), vem o gerente ou algum alto funcionário e estende para o caixa a conta de algum outro cliente que, por alguma razão, tem direito a furar a fila. Ou então chega o empresário ou o mensageiro de alguma loja do shopping center com o seu malote de dinheiro e literalmente fura a fila numa boa.

 Como introduzir ou reforçar entre nós a cultura do respeito à fila? Não sei, mas não tenho dúvida de que esse negócio de cultura é muito mais sério do que os velhos marxistas imaginavam. Observo que muitas vezes as pessoas se revoltam e armam um barraco em bancos e outros lugares porque estão sendo preteridas - coisa que "equivale" a um quebra-quebra por conta de atrasos dos trens no Rio e em São Paulo. Depois, a padrão cultural de furar a fila é restaurado. Mais leis (o velho populismo legislativo brasileiro resolve?) para dizer o que as pessoas sabem que é errado? Multas para os prestadores de serviços? Maior cobrança dos órgãos encarregados desse tipo de fiscalização? Não tenho resposta, mas acho que seria bom começar educando as elites brasileiras. Penso assim porque, certa vez morando no Rio de Janeiro, Chico Buarque, o grande compositor, furou a fila em que estava numa padaria do Leblon e Leandro Konder, um grande filósofo marxista, furou igualmente uma fila em que eu estava numa papelaria que fica ao lado da PUC, sem o menor pudor. (publicado originalmente no Jornal da Cidade)



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
05/05
18:54

A economia de Sergipe em 1970, 2ª parte

Ricardo Lacerda


A economia de Sergipe apresentou uma notável aceleração de crescimento nos anos setenta cujo sentido somente pode ser apreendido em um cenário mais amplo de transformações da economia brasileira. Ao final da década, o seu Produto Interno Bruto [segundo estimativas da SUDENE] era 2,6 vezes maior do que quando ela se iniciou, marcando um dos mais intensos períodos de crescimento da história moderna do estado. A sua produção industrial em 1980 era 3,6 vezes maior do que em 1970.

Transformações de tal magnitude somente tiveram paralelo nos primeiros anos da década de oitenta, quando o aproveitamento do gás natural viabilizou a instalação de grandes plantas industriais de propriedade de empresas estatais para a produção de fertilizantes. Partindo de uma base produtiva bem mais simples e impulsionado pela rápida expansão da economia brasileira nos primeiros anos da década, todavia, o crescimento dos anos setenta se deu em ritmo bem mais acelerado do que nos anos oitenta.

Se os avanços da estrutura produtiva na década de oitenta estão associados à implementação relativamente tardia dos investimentos definidos no âmbito do II Plano Nacional de Desenvolvimento do governo de Ernesto Geisel (1974-78), a expansão econômica na década de setenta responde a outros fatores, como a ampliação da exploração de petróleo, a implementação pela SUDENE da política de desenvolvimento industrial para o Nordeste e aos efeitos da expansão de renda proporcionados pelo chamado Milagre Econômico (1969-1973).

SUDENE
 
Ao findar a década de cinqüenta, o Brasil contava com uma estrutura industrial robusta, após a implantação de diversos segmentos da indústria pesada durante os governos Vargas e de Juscelino Kubitschek.
 
Como a quase totalidade dos investimentos nos novos setores industriais se concentrava na região Sudeste, em torno do eixo definido entre São Paulo e Rio de Janeiro, as disparidades de desenvolvimento em relação ao Nordeste, a outra região de elevada densidade demográfica, se ampliaram muito. A criação da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste – SUDENE foi a resposta dada pelo governo JK à aspiração da região de se inserir no processo de intensa modernização do país. 

Criada em dezembro de 1959, a SUDENE dedica-se nos primeiros anos da década seguinte à tarefa de se instrumentalizar internamente e construir as bases do planejamento para promover uma mudança estrutural na economia regional. Todavia, o período de intensa instabilidade no país, que culminou com a ruptura institucional em abril de 1964, e os desequilíbrios macroeconômicos que se seguiram ao ciclo de investimentos do final da década anterior retardaram para a segunda metade dos anos sessenta os primeiros impactos mais perceptíveis de sua atuação.  


Os incentivos fiscais criados, assentados principalmente na opção dada às empresas instaladas em qualquer parte do território nacional de utilizarem parte do imposto de renda a ser pago para a implantação de novos empreendimentos ou para ampliação e modernização das unidades produtivas já existentes, impulsionaram os investimentos na região.

A estimativa elaborada pelo então Departamento de Contas Regionais da SUDENE para as taxas de crescimento do PIB sergipano nos anos setenta, que diferem bastante dos resultados do IBGE, é importante que se registre, encontra-se apresentada no gráfico 1. A média anual para o período 1971-1980 é de notáveis 10,8%, bem mais elevada entre 1971 e 1973, e abaixo dessa média entre 1974 e 1980.
 
Estrutura Setorial

O setor industrial cresceu a taxas mais aceleradas do que a média da economia, 13,5% ao ano entre 1971 e 1980. Determinante para esse crescimento mais intenso da atividade industrial foi a ampliação da extração mineral, com destaque para a exploração de petróleo, mas outra parcela importante se deveu à maior diversificação da indústria de transformação. Foi importante para Sergipe o programa de reestruturação do setor têxtil, que descapitalizado e defasado tecnologicamente, usufruiu dos incentivos regionais e de outros estímulos. Mais do que a recuperação/modernização das unidades já existentes, foi especialmente importante a implantação de unidades de grande porte no ramo de confecções. Novas atividades industriais também foram instaladas no estado.

O rápido crescimento industrial nos anos setenta, incluindo a extração mineral, antes mesmo da instalação da planta de gás natural e das grandes unidades de fertilizantes, nos anos oitenta, fez com que a participação da atividade industrial no PIB a custo de fatores, segundo a estimativa da SUDENE, saltasse de 30% para 44%, entre 1970 e 1980 (ver Gráfico 2). 

No próximo artigo examinaremos as principais transformações da atividade agropecuária na década de setenta.
 

 


*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
01/05
07:40

CTB/SE promove ato em praça pública no 1º de Maio

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB/SE) pretende comemorar com um ato público, na Praça do Conjunto Sol Nascente, Bairro Jabutiana, nesta quarta-feira. A manifestação começará às 8 horas com muita música e shows de artistas sergipanos. Durante o ato, a CTB/SE fará o sorteio de dezenas de brindes entre os trabalhadores. A expectativa é de que a festa promovida pela entidade termine às 13 horas. Para Edival Góes, presidente da CTB/SE, esse é o momento de os trabalhadores unirem forças para continuar avançando na campanha pela valorização do trabalho e na defesa da Consolidação das Leis Trabalhistas - CLT - que completa 70 anos


Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
25/04
21:38

Movimento Intersindical faz mobilização nesta sexta e se reúne na Câmara de Vereadores na segunda


O Movimento Intersindical dos Servidores Público de Aracaju, no qual o Sintasa faz parte, irá participar de uma sessão especial na Câmara dos Vereadores de Aracaju nesta segunda-feira (29) a fim de debater com os vereadores sobre o reajuste salarial de 5% concedido pela Prefeitura de Aracaju aos servidores, sem negociar com os sindicatos. Essa decisão foi tomada nesta quinta-feira (25), durante a Assembleia Geral Unificada dos servidores, realizada na sede do Sindicato dos Bancários.

Na reunião desta quinta, combinou-se também que cada servidor presente estaria motivando a levar mais um servidor para a mobilização desta sexta-feira (26), que acontece, às 7 horas, no Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos. A ideia é sensibilizar o prefeito para uma conversa. Ficou acertado ainda que haverá uma nova Assembleia Geral Unificada já com o indicativo de greve, na próxima sexta-feira (3 de maio), caso o prefeito João Alves não se reúna com o Movimento Intersindical.

Diálogo
“A nossa expectativa com a mobilização desta sexta-feira é que o prefeito e os secretários possam perceber a força dos servidores de Aracaju”, disse a diretora do Sintasa, Maria das Graças, que acompanhou ativamente da Assembleia Unificada. Quem faz coro com ela é o presidente do Sintasa, Augusto Couto. “Queremos que o prefeito se sensibilize porque não podemos admitir essa posição antidemocrática que ele tomou. Não podemos concordar com um reajuste de apenas 5%. Acreditamos que dá para aumentar este índice”, diz Augusto.

Fonte: www.sintasa.com.br
 


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
23/04
11:09

CVC oferece três mil pacotes durante a 'Semana Sergipe CVC'

 
A CVC lança hoje a “Semana Sergipe CVC” com a oferta de três mil pacotes com desconto de até 15% de desconto entre esta segunda-feira (22) e a próxima segunda, dia 29 de abril. Estão previstas 88 saídas com embarques de São Paulo, Florianópolis, Fortaleza, Foz do Iguaçú, Londrina e Rio de Janeiro para viagens nos meses de maio, junho e agosto.

A operadora ofecere 10 opções de hospedagens em hotéis e resortes no território sergipano, com roteiro tradicional de 8 dias e sete noites (incluso bilhetes aéreos, traslado e hospedagem) ou pela categoria “Brasil Fácil”, pela qual o cliente pode montar pacotes segundo sua preferência.

Mais informações pelo site www.agentescvc.com.br.

Fonte: Mercado e eventos


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
23/04
10:33

Sergipão 2013: Real Moitense vence a terceira seguida


Três jogos e três goleadas. Esta a campanha do Real Moitense no Campeonato Sergipano de Futsal. A equipe de Moita Bonita marcou 19 gols e sofreu seis. É o melhor ataque disparado do campeonato. O pivô Ureia é o artilheiro isolado do certame com sete gols.

A última vitória dos moitenses aconteceu fora de casa diante da forte equipe do Confiança. Goleada por 7 a 4 com direito a três gols do pivô Ureia. Este resultado garantiu ao time de Wilson Mendonça (Galego) a vaga antecipada nas quartas-de-final.

Na próxima sexta-feira, dia 26, o Real Moitense visita Itaporanga de olho no primeiro lugar do grupo. Um empate já é suficiente. “Vamos entrar para conquistar a vitória, mas de qualquer forma um 0 x 0 está de bom tamanho, pois nos permite jogar com algumas vantagens na próxima fase”, disse o técnico moitense.

Outro grupo
Na chave A, o Lagarto, atual campeão, é o líder com duas vitórias em dois jogos, seguido do Modelo e Rio Branco, ambos com três pontos na tabela. O Internacional de Ribeirópolis é o lanterna com nenhum ponto marcado.

Da Assessoria
 


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
21/04
14:04

As sete maravilhas de Sergipe

Afonso Nascimento
Advogado e Professor de Direito da UFS


Inventariar as sete maravilhas sergipanas – eis aí uma tarefa muito difícil. Eu sei que a palavra “maravilhas” pode parecer um exagero, mas também me dou direito de exagerar de quando em vez. Escolhi dois critérios, a saber, maravilhas da natureza ou naturais e maravilhas artificiais ou de criação humana. Ao final da leitura, peço ao leitor que não inclua esse artiguinho no rol de textos para fomentar o turismo em Sergipe ou entre coisas do sergipanismo. Não mencionarei as omissões, porque elas são inevitáveis num tal exercício.

Começo as maravilhas com que nos presentou a natureza sergipana. Os
manguezais sergipanos são a minha primeira das sete maravilhas. São bonitos, são muito verdes, bem tropicais. Além de Aracaju, eles estão espalhados pelas beiras dos rios sergipanos, como Cotinguiba. A minha segunda maravilha são os canaviais. Tudo bem, eu sei que eles são plantações humanas etc. É uma pena que os pintores das coisas sergipanas ainda não tenham percebido a sua beleza. Nos países do Caribe plantadores de cana de açúcar, pintores “naifs” constroem telas incríveis retratando essas belezas. Agora, os intermináveis canaviais de Alagoas e de Pernambuco são cansativos, pouco importando se a gente está viajando de avião ou de carro, porque só vemos aquele verde sem fim. Felizmente em Sergipe, os canaviais são em número menor.

Os
canyons de Xingó não poderiam faltar em qualquer lista das maravilhas de Sergipe. Na verdade, todo o Rio São Francisco é muito legal. Quando for construída uma ponte ligando Sergipe a Alagoas, na foz do mesmo rio, eu a incluirei como outra maravilha. Uma quarta maravilha natural são os cajueiros de Aracaju. É provavelmente a árvore mais bonita do mundo e ela dá a Aracaju um marketing turístico espontâneo, natural, mas mal aproveitado. É lamentável que essas árvores estejam desaparecendo da cidade. Deixarei de elencar a Serra de Itabaiana porque os governos e o setor empresarial de Sergipe ainda não souberam explorar a sua beleza potencial.

Entre as maravilhas que são criações humanas, as primeiras são
as cidades históricas de Laranjeiras e São Cristóvão – e um pouco de Estância. Quinta maravilha então. Realmente, elas são conjuntos arquitetônicos belíssimos que englobam igrejas barrocas, sobrados, ruas, pontes, entre outros destaques, resultados históricos de muita riqueza derivada da cana de açúcar. As demais cidades sergipanas, afora Aracaju, são – vou criar coragem para dizer - horrorosas! Parece até que os prefeitos sergipanos competem entre si pela medalha de ouro de ter a cidade mais feia – quando deveriam fazer o contrário. E isso nada tem a ver com pobreza das cidades. Tome, por exemplo, Itabaiana, cidade próspera, mas onde são construídas “casas caixotes” com uma parte de baixo e um andar. Tudo igual. Falando de um modo geral e sem querer insultar ninguém daquela e de outras cidades semelhantes, comerciantes têm bom gosto em qualquer área?

A sexta maravilha criada pelos sergipanos são algumas
casas-grandes que ainda estão em bom estado de conservação. Elas são muitas no Rio de Janeiro ou em São Paulo, transformadas em locais de turismo e lazer. Em Sergipe, destacarei apenas aquela de Santa Luzia de Itanhy. Tudo bem, eu sei que elas têm uma associação negativa por causa da escravidão (idem os canaviais), mas como conjunto arquitetural elas me agradam muito. Se o leitor ainda não estiver ficado satisfeito com o meu adendo, colocarei mais outro. Certo, certo, essas belezas arquitetônicas foram todas levantadas pelos escravos sergipanos!

A sétima maravilha sergipana são as
mulheres sergipanas. Escolhi falar delas no fim para terminar o artigo no melhor estilo, mas bem que poderia ter feito isso no seu começo, pois elas também fariam parte da natureza. Sergipe tem as mulheres mais bonitas do Brasil. É certo que existem certos lugares com mulheres bonitas por aí afora, mas aí elas parecem todas iguais. Em Sergipe, ao contrário, existe uma diversidade muito grande de mulheres, com beleza para todos os gostos. Concursos de beleza deveriam ser incentivados em todas as favelas, em todos os bairros e em todas as cidades sergipanas para haver uma valorização maior das mulheres. Mas essa valorização precisa estendida ao respeito dos seus direitos. A presidenta Dilma Roussef ainda pode ajudar – e muito – nesse processo de afirmação dos direitos da mulher sergipana e brasileira.



Coluna Afonso Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
21/04
13:45

A opção pela indústria

Ricardo Lacerda*

Nos anos noventa, a indústria de transformação perdeu cinco pontos percentuais de participação no Valor Adicionado Bruto (o PIB excluindo os impostos). O ano mais crítico foi o de 1998. Naquele ano, a participação da indústria de transformação (a preços básicos) se situou 7,5 pontos abaixo do resultado de 1990 e 9,8 pontos abaixo de 1985 (ver Gráfico). A abertura comercial acelerada e o câmbio fortemente valorizado fizeram o trabalho. Milhares de postos de trabalhos foram destruídos e a produção doméstica foi substituída pela importação em um grande número de setores da atividade industrial. Ninguém há de esquecer nem a euforia do consumo de produtos importados causada pelo real forte, nem a ressaca da quebra do país em 1998, na esteira da crise no sudeste asiático.

Abertura comercial
A abertura comercial significou, nesse sentido, uma opção pela perda de participação da indústria no desenvolvimento brasileiro. À época, as autoridades econômicas entenderam e os especialistas alinhados não escondiam a opinião de que o peso da indústria na formação do PIB era tido como excessivo e somente se mantinha à custa de elevada proteção, que onerava os consumidores e restringia a competitividade e a modernização da economia brasileira.

Fonte: IBGE. Obs. As participações da indústria de transformação na série com ano base de 2002 em razão da nova classificação das atividades econômicas em que foi ampliado o escopo do setor de serviços

Operava também, como em outros momentos de nossa história recente, o apelo popular do subsídio implícito ao consumo proporcionado pelo real forte mesmo que em troca de menos geração de emprego e de produção interna mais frágil. Nesse sentido, a valorização cambial foi também uma opção, todavia não confessada nesse caso, de reduzir o peso da indústria.

Com a mudança de regime cambial e a abrupta desvalorização do real em 1999, a participação da indústria de transformação subiu alguns pontos até 2000 (ou até 2001, dependendo da série), ficando distante, todavia, dos patamares dos anos oitenta. Com a nova desvalorização provocada pelo temor dos mercados em relação ao governo eleito em 2002, a indústria da transformação voltou a elevar o peso no valor adicionado bruto em 2003 e 2004, agora já se aproximando da participação de 1985.

Ciclo e crise
A emergência da China no cenário internacional e a explosão de demanda pelas nossas commodities produziram crescentes saldos comerciais, que aliados à intensa entrada de capital de risco, inauguraram um novo ciclo de valorização do real. O ciclo de crescimento econômico iniciado em 2004 foi impulsionado, em um primeiro momento, pela expansão das exportações, mas ganhou fôlego com a expansão do crédito e com o crescimento do poder de compra da faixa de população situada na base da pirâmide de renda.

Entre 2005 e 2008, a atividade industrial cresceu em ritmo intenso, mas inferior ao do PIB, o que levou à perda de peso do setor no total da economia. Depois de 2008, a atividade não conseguiu manter a trajetória de crescimento, apesar do desempenho de 2010.

Nos últimos dois anos, diante do agravamento da crise financeira internacional e ainda com o real valorizado, a indústria de transformação sofreu novo baque, o que fez não apenas a atividade industrial perder peso no PIB como ter visto o seu nível de produção cair.

Diferentemente dos anos noventa, a redução da participação da indústria de transformação na formação da riqueza a partir de 2005 não é apresentada como objetivo de governo e resulta, em um primeiro momento, do efeito das exportações de nossas commodities sobre o câmbio. Como a indústria crescia em ritmo intenso por conta da acelerada expansão do mercado de consumo, a perda de sua participação do PIB não era vista como problema. No segundo momento, após 2008, quando urgia a decisão de desvalorizar o câmbio, contou o renovado apelo consumista do câmbio valorizado.

Nova Matriz
Somente em meados de 2011, quando ficou claro que a economia mundial caminhava para o segundo mergulho, com fortes impactos sobre o nível de atividade interna, especialmente sobre as atividades industriais, iniciou-se um movimento de maior amplitude em favor do desenvolvimento industrial.

Desde então, por meio de instrumentos como desvalorização cambial, redução dos juros, desoneração da produção e da implementação de programas específicos voltados para o desenvolvimento de capacitação tecnológica e para a internalização de atividades produtivas, iniciou-se uma nova política de desenvolvimento produtivo que revela uma opção pela indústria.

Em meio ao temporal da crise financeira internacional, as medidas têm demorado a mostrar seus efeitos, mas elas podem ser um início de uma nova etapa de aumento da participação da atividade industrial na economia brasileira, que caiu muito além do desejável.

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe
A
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Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
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