08/07
11:54

Superar a crise institucional é mais determinante para crescimento do que resultado das eleições

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Virou lugar comum afirmar que o ano de 2018 já estaria perdido e que restaria esperar que o bloco político ungido nas eleições de outubro próximo venha a ter capacidade de reorganizar o país e prepará-lo para deixar para trás o período de instabilidade política e institucional que nos imobiliza nos últimos anos. Do ponto de vista do crescimento econômico, o governo eleito teria a legitimidade para propor as mudanças necessárias para superar a crise de confiança que estaria na raiz da debilidade da recuperação do nível de atividade. 

Essa narrativa pode fazer sentido, mas é preciso matizar melhor o que se encontra em jogo para, mais uma vez, não vender ilusões. Não ver ser fácil conferir um mínimo de estabilidade institucional e coesão interna para retirar o país da atual situação de entropia. 

A ponte que ruiu
Não esqueçamos de que o governo atual, com o respaldo estridente da banda de música da imprensa e do mercado financeiro, dava como certo que o programa de reformas e de ajuste fiscal sintetizado no documento Uma Ponte para o Futuro conduziria à redenção do país. 

Dois anos depois, vimos que não foi bem assim. Pelo contrário, continuamos nos afundando mais e mais na crise política e institucional, com evidentes implicações na vida econômica. Há quem defenda, em simplismo exacerbado, de que a transição conduzida pela dupla Temer-Meirelles não foi bem sucedida porque a gravação da JBS comprometendo pessoalmente o presidente da república em denúncias de corrupção jogou por terra as condições de promover as reformas propostas. 

O que em outras palavras essa linha de argumentação está afirmando é que a implantação das reformas previstas no documento citado imporia a distribuição de perdas que o ajuste fiscal exigiria, superando a situação de impasse, como também definiria as condições de sustentabilidade fiscal no médio e longo e estabeleceria regras de regulação econômica mais amigáveis ao mercado. Depois de um período delimitado de purgação, mais dolorosa para uns do que para outros, o paraíso estaria logo ali na frente: a economia retomaria e o emprego voltaria a se expandir, conferindo legitimidade e apoio ao plano de transição. O padrão raso dessa perspectiva indica não apenas o quanto os economistas podem ser prepotentes, como reflete os equívocos a respeito da gravidade da crise institucional em que estamos enredados.  

Crise institucional
O fracasso do plano Temer-Meirelles não foi em vão. Afastada a abordagem mais simplista, que procura reduzir a dinâmica social, política e institucional à dimensão de mercado, vão assentando posições mais refletidas sobre a natureza da nossa crise e, por conseguinte, dos caminhos de sua superação. 

Foram ganhando maior presença na grande imprensa manifestações de articulistas revelando preocupações com os embaraços institucionais em que fomos nos enredando e que criaram disfuncionalidades não apenas na operação da economia, como também no sistema judicial e nos mecanismos de controle de despesa pública.  

Tais disfuncionalidades decorreram, em sua essência, da proposição de soluções ad hoc para problemas que ganhavam visibilidade, como os desvios nos gastos públicos e a disseminação de conluios entre políticos e agrupamentos empresariais. Na busca de enfrentar tais desvios, atropelou-se a constituição federal, judicializou-se a política, desequilibrou-se a relação entre os poderes e fez-se pouco caso dos direitos individuais, conferindo inclusive mais instabilidade nas relações contratuais e não mais segurança institucional como o funcionamento dos mercados demanda. 

As eleições são sim uma oportunidade para o país buscar retomar o rumo do desenvolvimento econômico e social, o que pressupõe equacionar a distribuição dos custos dos ajustes econômicos. Mas isso não é automático. É uma construção política. Apostar no retrocesso institucional em nome do reequilíbrio fiscal e do combate à corrupção é uma opção equivocada e uma conta que em parte cabe aos economistas. 

*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
09/06
21:16

O Mercado procura

Ricardo Lacerda
Professor da UFS

Depois do peso argentino, foi a vez do real enfrentar um ataque especulativo.  Ao longo da semana que passou, o real desvalorizou-se 5% (até quinta-feira ) em relação ao dólar,  cuja cotação de venda fechou em 3,925 reais, mesmo diante da forte atuação do Banco Central para estabilizá-la. O ataque encontra-se em pleno andamento, aguardando-se novos lances na semana entrante. 

Pressionado a elevar a taxa básica de juros para conter o ataque especulativo, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, declarou que a política monetária,  que define o tratamento a ser dado aos juros, e o câmbio são questões que serão enfrentadas separadamente, ou seja, que a instituição não promoverá elevações na taxa Selic para enfrentar a onda especulativa, como já fez em  episódios especulativos anteriores. E antecipou que o banco central ofertará US$ 20 bilhões em swaps cambiais até sexta-feira,  14 de junho. Quem viver verá, mas muitos apostam que o Banco Central terminará cedendo.

O ataque a moedas de paises periféricos no sistema mundial iniciou-se após a mais recente elevação  na taxa de juros dos títulos do tesouro norte-americano, sinalizando a aceleração do fim do período da política de juros anormalmente baixos que o banco central daquele país adotou depois da crise financeira de 2008. 

Turquia e Argentina foram os primeiros alvos, mas o mercado passou a apontar suas apostas contra o real, visto por muitos analistas como a bola da vez.  A incerteza eleitoral é componente decisivo na instabilidade reinante.

As voltas que o Mundo dá

O Mundo gira, a Lusitana roda. Nas voltas que o mundo dá,  as turbulências politicas se sucedem com frequência intensa desde que o período da grande moderação deu lugar à instabilidade e ao baixo crescimento característicos do pós-2008. 

Seria de grande utilidade que levantamentos exaustivos elaborados por cientistas politicos informassem a frequência de alternâncias de blocos no poder, por via democrática ou não, depois da deflagração da crise financeira internacional naquele ano.

Na Nuestra América, governos de vertente popular, que haviam sido eleitos na esteira das crises cambiais da segunda metade dos anos noventa e que surfaram nas ondas favoráveis do longo ciclo de commodities com cotações favoráveis iniciado nos primeiros anos do novo século, foram varridos do poder, por via eleitoral ou não, depois que a crise econômica se aprofundou no subcontinente a partir de 2013; no Chile, na Argentina, no Equador, no Paraguai, no Brasil e em repúblicas centro-americanas.

No momento atual, governos que contaram com amplo apoio do mercado, essa entidade aparentemente abstrata, mas que sabe defender como poucos, de forma muito concreta, seus interesses e pontos de vista, como Maurício Macri, na Argentina, e Michel Temer, no Brasil, enfrentam ondas de descontentamento popular.   


Orfandade 

No Brasil, o ocaso do governo Temer é melancólico e frustra, mais do que a parcela da população que foi às ruas pelo afastamento de sua antecessora, os fiadores da transição para o novo governo em 2019. 

Claro que não foi só o mercado o fiador do projeto de transição entre o governo afastado e o novo mandato presidencial; foi uma aliança maior, cuja abrangência fique mais bem delimitada sendo definida como o establishment, que atualmente se ocupa em  buscar construir uma alternativa eleitoral a partir do que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sempre precioso na sua criatividade em dourar a pílula, denominou de o Centro Democrático e Refomista.

A paralisação dos caminhoneiros instalou a percepção  de falta de rumo no país, que é agravada pelas incertezas em relação à disputa presidencial em outubro próximo.  

O chamado Mercado se sente órfão de candidato com efetivas chances eleitorais que tenha compromisso com a estabilidade fiscal; em outras palavras, que seja capaz de implementar as reformas que afastem os riscos de crescente descontrole fiscal.

Diante da dificuldade da candidatura do ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckimin deslanchar, o mercado está em busca frenética de alternativas eleitoralmente viáveis.

O mercado já namorou as candidaturas de outsiders do mundo político, como  o apresentador de TV Luciano  Huck e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, mas que já foram descartadas. 

Na falta de opção de um candidato que defenda medidas de austeridade   que vêm sendo massivamente rejeitadas pela população mas que tenha potencial eleitoral, lideranças associadas ao establishment  buscam sondar e tentar arrancar  compromissos de presidenciáveis tidos por elas proprias como populistas. 

No momento, essas lideranças estão se acercando da candidatura de Ciro Gomes, que, todavia, mesmo afirmando compromisso com o ajuste fiscal duro,  mantém o discurso desenvolvimentista, o que causa forte reação contrária  na turma vinculada ao setor financeiro e rentistas.
 
 
 


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
03/06
18:18

Fracassou o Plano de transição, mas a demissão de Pedro Parente pode zerar o jogo

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Sob qualquer perspectiva adotada, o Plano Temer-Meirelles fracassou e o Brasil se encontra órfão de projeto de transição para o novo governo que assumirá em 2019. O fracasso foi geral: econômico, político e social. A paralisia de norte ao sul do país durante uma semana, provocada pela mobilização dos caminhoneiros, apenas cristalizou para a ampla massa da população a percepção de que nos espera um cenário de débil recuperação da atividade econômica, insuficiente para encerrar o período já demasiadamente longo de elevadas taxas de desocupação e de penúria social.

Ainda que a mútua alimentação das causas econômicas e políticas da crise brasileira sempre suscite a indagação sobre o que surgiu primeiro, atualmente não restam dúvidas de que a instabilidade política e a insegurança jurídica constrangem as possibilidades de recuperação econômica. Pairam incertezas até mesmo sobre as condições e as regras em que serão realizadas as eleições gerais marcadas para outubro próximo. Se há uma ilusão que se desvaneceu ao longo do 1º semestre de 2018 foi a de que a economia e a política seguiriam descoladas até o final do atual governo, aguardando o desenlace das eleições. 

Pontes em ruína
Para ser justo, o fracasso não é propriamente da dupla Temer-Meirelles e sim do projeto de transição que respaldou o afastamento da presidente eleita Dilma Rousseff dois anos atrás e que buscou se legitimar na promessa de entregar para o novo governo que assumisse em 2019 o país pronto para dar partida a um novo ciclo de crescimento, que se acreditaria responsável e sustentável fiscalmente. Era o que pretendia acenar o documento Uma Ponte para o Futuro. Por circunstâncias diversas, domésticas e externas, não vai entregar o prometido. O governo que assumir em 2019 vai ter que construir suas próprias bases de legitimidade e encontrar as forças que possam retirar a economia da armadilha de baixo crescimento e agravamento do quadro fiscal. 

Restou a sensação de que, além dos atropelos causados pelas denúncias de desvio contra a cúpula do poder federal, o plano de transição engendrado subestimou os riscos de esgarçamento do tecido social. A apresentação da carta de demissão de Pedro Parente à presidência da Petrobras, na última sexta-feira (01/06/2018) talvez seja a melhor síntese desse momento, de fracasso da transição e da rejeição por parte da população à falta de sensibilidade política e social com que ela foi conduzida. 

Contraditoriamente, com ela abre-se com uma oportunidade, mesmo que tênue, de construir um novo pacto para a transição do país, em bases mais realistas e menos excludente na questão social. Cabe reconhecer, todavia, considerando a amplitude das diferenças políticas estabelecidas, o imbróglio jurídico-policial em que se encontra a classe política, além da miopia prevalecente, que a probabilidade maior é de continuarmos imersos na pasmaceira, sem falar que o risco de uma solução por cima não está afastado.  

PIB e emprego
Os dados mais recentes do nível de atividade econômica e de geração de emprego confirmaram a desaceleração do ritmo de recuperação da economia, configurando um cenário de crescimento muito lento do PIB e de baixa capacidade de geração de postos de postos de trabalho. 

Do ponto de vista do emprego, dois pontos chamam a atenção na edição de abril da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar: o primeiro é que, até o trimestre fevereiro-abril de 2018, o emprego com carteira de trabalho no setor privado continuou caindo, ou seja, nem mesmo encontrou seu ponto de estabilização, na média de doze trimestres móveis; o segundo é que as formas alternativas de ocupação, como as atividades por conta própria, vem apresentando desaceleração na taxa de crescimento.  

O resultado do PIB do 1º trimestre confirmou indicadores parciais que mostravam a retração no ritmo de crescimento do nível de atividade econômica. Na comparação com o 4º trimestre de 2017, na série livre de efeitos sazonais (ver Gráfico 1), o crescimento do PIB se limitou a 0,4%, atribuído em sua quase plenitude ao aumento da agropecuária, porquanto as atividades industriais e de serviços se mantiveram estagnadas.  

Do ponto de vista dos dispêndios, o desempenho dos investimentos (FBCF) foi decepcionante, o consumo do governo continua declinando e o consumo das famílias vem se apresentando aquém do esperado. 

A série que compara com igual trimestre do ano anterior (Gráfico 2) mostra com mais clareza a inflexão do ritmo de crescimento do PIB trimestral. Nessa série, o consumo das famílias confirma-se como o principal sustentáculo de crescimento, ainda que modesto, da economia. 



*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe
 


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/05
13:21

Estamos sentados em um paiol de pólvora?

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe
 
Sim e não. Há sim uma insatisfação generalizada entre a população pobre e uma grande frustração da classe média que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas a probabilidade que o atual cenário de desalento conforme um quadro de convulsão social de grandes proporções ou que ocorram manifestações gigantes de rua, como em 2013 e em 2016 (tipicamente mobilizações de classe média) ainda é relativamente baixa. 
 
A greve dos caminheiros, com o suporte de locaute das transportadoras, paralisou, em um pouco mais de 24 horas, o país de Norte a Sul. O impacto sobre o suprimento de combustíveis, de alimentos e de componentes para as linhas de produção de atividades industriais foi quase que imediato. Direta e indiretamente todos os principais modais de transporte foram afetados; seja por conta da falta de combustíveis, seja por dificuldade de acesso, a operação de portos, aeroportos e rodovias foi prejudicada. Nos centros urbanos, as redes de postos de combustíveis, supermercados e centrais de abastecimentos não tardaram a ser afetadas por problemas de suprimento.
 
A possibilidade de desabastecimento, mais do que o desabastecimento em si, não chegou a provocar pânico, mas gerou um frenesi que se alastrou feito pólvora, em uma velocidade espantosa, mobilizando a atenção de toda a população. Apesar dos constrangimentos e desconfortos causados, a maioria da população, aparentemente, foi simpática à paralisação, como se os protestos dos caminhoneiros em relação às seguidas elevações nos preços do diesel traduzissem a insatisfação generalizada da população, que foi amplificada nas últimas semanas em razão dos aumentos quase diários nos preços da gasolina. Pairou um sentimento de catarse coletiva, como que cristalizando a insatisfação generalizada com os rumos do país. 
 
Onda de insatisfação
Sob certo sentido, havia uma percepção de que uma onda de insatisfação com a crise econômica, com tudo que ela vem representando de desemprego e perdas de rendimento, com milhões de famílias sem alternativas de renda, poderia estourar a qualquer momento, para além da espiral de violência urbana que presenciamos. Nem o mais desavisado dos cidadãos deixou de perceber que as ruas das cidades médias e grandes se encheram nos últimos dois anos de biscateiros, de vendedores de balas, frutas e legumes e de malabaristas e flanelinhas nos semáforos. 
 
Ainda que improvável, a onda de insatisfações poderia ter surgido como convulsão social, brotada por meio de saques a supermercados e feiras livres, invasões em massa de prédios abandonados ou imolações públicas, a exemplo do que aconteceu na Tunísia em 2011, ainda que essa última não seja uma modalidade de protesto encontrada no hemisfério ocidental. Ou por meio de ações de setores mais estruturados, como greves gerais de trabalhadores ou, como se deu, a partir de paralisação dos caminhoneiros e transportadoras. Ou ainda, por meio de nova rodada de manifestações de rua. 
 
Não dá nem mesmo para afirmar que a mobilização dos caminhoneiros antecipe ou vá se desdobrar em outros movimentos de reinvindicação ou de protesto, mas a alma dos brasileiros está plena de insatisfações, ainda que não pareça que esteja pronta para explodir como um barril de pólvora.
 
Juros, câmbio, óleo e eleições 
Em um cenário de penúria e desalento da população pobre e de frustração e de queda do poder de compra de amplas parcelas da classe média, por um período que já se estende por mais de três anos, novos fatores negativos estão se sobrepondo e podem ser sintetizados em quatro elementos básicos: juros, câmbio, preço do barril de petróleo e instabilidade política interna. 
 
A expectativa de elevação da taxa de juros básicas dos EUA provocou desvalorização generalizada das moedas dos países periféricos e pôs em perspectiva dificuldades crescentes para as economias desses países se financiarem externamente. Desvalorização cambial e elevação dos juros externos impactam diretamente o endividamento em dólar de empresas brasileiras e podem gerar algum impacto sobre os preços internos, ainda que a recessão venha cuidando de manter os preços bem comportados. 
 
Brent
A cotação do barril de petróleo vem em uma espiral ascendente desde maio do ano passado por conta de acordo entre alguns dos principais países fornecedores para limitar a oferta mundial. Mais recentemente, a ameaça de que os EUA rompa unilateralmente o acordo internacional de controle do programa nuclear do Irã, o que pode alijar a oferta desse país do mercado, trouxe novo impulso aos preços, de forma que a cotação do barril do brent esteja se aproximando celeremente de US$ 80. 
 
Diante da política de preços adotada pela Petrobras de repassar imediatamente para os preços as variações da cotação do produto no mercado internacional corrigidas em reais pelas oscilações diárias do câmbio, o preço médio da gasolina ao consumidor subiu algo em torno de 18% desde julho de 2017. Quando, recentemente, o preço do litro de gasolina na bomba ultrapassou cinco reais em algumas cidades o sinal de alerta acendeu, patenteando que algo não ia bem com uma politica de preço que implica remarcações para cima quase diárias.
 
A nova política da Petrobras para os preços dos derivados de petróleo talvez não se sustente por muito tempo. Assim como o controle político do preço trouxe diversos prejuízos à empresa e consequências duras para o país, a modalidade de liberação adotada, acoplando os preços internos de forma imediata e sem mediação aos preços internacionais corrigidos pelo câmbio causa forte instabilidade e imprevisibilidade. Ficou patenteado que o sistema adotado pela Petrobras não se adequa à realidade de um país sujeito a fortes oscilações no câmbio.  
 
Finalmente a forte e prolongada crise política interna, que a permanência do ex-presidente Lula na prisão somente agrava, é o ultimo e talvez o mais importante, ingrediente do cenário de instabilidade que toma conta do país.

 
Extraído de https://br.investing.com/commodities/brent-oil-historical-data
 
*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
13/05
11:26

Nova quadra de dificuldades pela frente

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

O humor em relação às perspectivas de aceleração da velocidade de recuperação da economia brasileira definitivamente azedou nas duas últimas semanas. O estopim foi a desvalorização generalizada das moedas das economias ditas emergentes, como desdobramento da mais recente elevação das taxas de juros da economia norte-americana (em 21 de março), indicando que o fim progressivo, mas há muito tempo anunciado, do longo período de manutenção de juros em níveis extremamente baixos nos países centrais finalmente chegou. 

A perspectiva de aceleração do ciclo de altas dos juros dos títulos do tesouro norte-americano, tão esperada quanto temida, pode ter se iniciado antes que a recuperação da economia brasileira ter ganho músculos suficientes para atingir velocidade de cruzeiro e assegurar sua irreversibilidade. Para as economias emergentes, as consequências mais imediatas da normalização da política monetária nos países centrais, depois de um longo período de taxas excepcionalmente baixas, são a desvalorização cambial, a elevação do custo de captação e menor facilidade de acesso a recursos externos. 

A turbulência causada pela crise cambial na economia argentina fez acender o sinal de alerta. O governo brasileiro, por deve de ofício, assegura que o risco de crise argentina contaminar o Brasil é pequeno., mas paira um clima de incerteza sobre os seus próximos desdobramentos e será necessário aguardar as próximas semanas para avaliar com mais acuidade as implicações do novo cenário externo.

Perspectivas
Algumas análises são francamente negativas, como a apresentada pelos economistas Gilberto Borça Jr. e Letícia Magalhães, em artigo publicado no último dia dez no jornal Valor Econômico. Os articulistas listam os seis fatores decisivos que explicariam porque o crescimento da economia brasileira não teria engrenado nesse início de 2018, depois do otimismo gerado pela aceleração do nível de atividade no segundo semestre de 2017: os níveis de incerteza, apesar de terem recuado em 2017, permanecem muito elevados, inclusive por conta da imprevisibilidade do quadro político-eleitoral; as taxas de juros de longo prazo mantiveram-se elevadas, mesmo diante da forte queda nos juros de curto prazo; o custo do dinheiro para o tomador final continua excessivamente elevado, restringindo a expansão do crédito; e, a recuperação da construção civil, com todo o peso que tem a cadeia produtiva na geração de emprego e renda, encontra-se muito atrasada em relação aos demais setores da economia. 

Os outros dois fatores são: o processo de desalavancagem financeira das empresas está sendo muito lento, limitando a recuperação dos investimentos; e, finalmente, a intensa depreciação do câmbio nas últimas semanas, relacionada às já citadas mudanças na politica monetária norte-americana. 

Os autores se mostram muito pessimistas sobre as perspectivas de retomada mais forte da economia brasileira e se arriscam a concluir que “o comportamento da taxa de câmbio joga, de forma quase definitiva, uma pá de cal na já incipiente recuperação da economia. Embora um câmbio mais depreciado estimule as exportações líquidas, seu efeito tende a ser contracionista para a atividade econômica no curto prazo.”

Reynaldo Rubens Ferreira Júnior, professor de macroeconomia do curso de mestrado da Universidade Federal de Alagoas, consultado, destaca quatro fatores que deverão tornar mais anêmico do que previsto anteriormente o crescimento da economia brasileira em 2018: incerteza no cenário político interno; elevação dos juros nos EUA; efeito da crise argentina sobre as nossas exportações; e a pressão da desvalorização cambial sobre o grau de endividamento já muito elevado de empresas brasileiras. E lembra que algumas consultorias que apostavam em crescimento próximo de 3% para 2018 já estão revendo as projeções para taxas inferiores a 2%.

As perspectivas para o crescimento da economia argentina são ainda piores, com previsões de queda do PIB em 2018 e recuperação modesta em 2019. Frente à recessão e a pressão para atenuar a crise cambial no país vizinho, as exportações brasileiras para aquele destino poderão sofrer um importante revés.

Exportações
A Argentina é o terceiro maior destino das exportações brasileiras, depois da China e dos Estados Unidos. As vendas externas para aquele país atingiram US$ 17,6 bilhões em 2017, equivalente a 8,1% do total de nossas exportações, mas representaram 12,9% do incremento em relação ao ano anterior (ver Gráfico). 

Para alguns produtos, como automóveis, o mercado argentino é crucial. As vendas externas de automóveis para o mercado argentino, entre janeiro e abril de 2018, representaram 78,7% do total do bem, ou seja, quase oito em cada dez automóveis exportados tiveram como destino a Argentina. Caso se confirme uma retração acentuada das importações argentinas, algumas atividades internas poderão ser muito impactadas. 

Ainda assim, o fator comercial talvez não venha a ser o principal impacto da crise argentina sobre a nossa economia, caso a instabilidade econômica fuja do controle, o que não parece ser o caso, por conta do pronto socorro do Fundo Monetário Internacional. Nova quadra de dificuldades se afigura para a recuperação da economia brasileira. Ao fim das contas, o caminho do crescimento do PIB e da melhoria do mercado de trabalho pode se apresentar mais lento e árduo do que antevisto anteriormente.


*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
05/05
11:33

Turbulências externas e desemprego restringem a recuperação

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

A expectativa de mercado para o crescimento do PIB de 2018 subiu seguidamente entre o início de fevereiro até a penúltima semana de março; desde então ela entrou em trajetória descendente, com a projeção mais recente (de 27 de abril) retornando ao patamar de meados de fevereiro (ver Gráfico 1). As estimativas para a produção industrial e para o nível de atividade do setor de serviços, ainda que indiquem continuidade do crescimento, vem sendo revistas para baixo.

Não foi um declínio assombroso, mas a reversão de trajetória revela frustração em relação às perspectivas anteriores de melhoria sustentada no ambiente político, econômico e social no futuro próximo. Pode ser uma percepção momentânea, que venha a ser revertida nas próximas semanas, mas não é fora de propósito afirmar que ela pode se cristalizar em um final de ano melancólico.






Sim, é verdade que, em parte, as revisões para baixo no crescimento do PIB representam ajustes em expectativas anteriores demasiadamente otimistas; mas, em grande parte, elas respondem também aos seguidos resultados aquém do esperado das pesquisas setoriais ao longo dos três primeiros meses do ano e da ausência de reanimação do mercado de trabalho, consolidando a sensação de desalento em relação às possibilidades de melhoria do quadro social.
É prematuro concluir que a recuperação do nível de atividade da economia brasileira vai entrar em banho-maria, mas acontecimentos externos e internos nas duas últimas semanas somente concorreram para deprimir as expectativas.

Em artigo publicado no dia 03 de maio no portal Poder360, o jornalista Alon Feuerwerker fez, em nosso entendimento, a melhor síntese do momento econômico e político, quando pespegou o título magistral “Ortodoxos de mau humor, um sintoma de que as coisas não vão bem”, para assinalar que a frustração com a retomada do crescimento em bases mais firmes pôs em cheque o projeto político da ortodoxia liberal.

Turbulências
Ingredientes externos recentes, com as turbulências provocadas pelas perspectivas de aceleração na elevação dos juros dos títulos do tesouro norte-americano, a imposição de quotas de exportações do aço pela administração Trump e os sinais de crise cambial na vizinha Argentina poderão induzir nas próximas a novas revisões para baixo na estimativa do crescimento do PIB brasileiro para 2018.

Firmando-se o crescimento da economia da norte-americana, acompanhado pelas perspectivas de incrementos nas taxas de juros internacionais, o capital externo deverá se tornar mais avesso ao risco, exigindo prêmios mais elevados para continuar fluindo para os países emergentes, com consequências ainda não bem dimensionadas sobre o comportamento do PIB e dos preços internos.

Não menos importante tem sido a sensação de que o país perdeu o prumo: a plataforma de transição apresentada no documento Uma Ponte para o Futuro pouco resultados alcançou; o governo central se encontra imobilizado com as denúncias de corrupção; e a crise social se agravou.

Mercado de trabalho
Após seis trimestres de crescimento do PIB, a contar do último trimestre de 2016, a taxa de desocupação no Brasil no trimestre janeiro-março manteve-se em patamares alarmantes (13,1%), redução quase imperceptível em relação aos 13,7% do mesmo trimestre de 2017.

Ainda que a ocupação total tenha aumentado em 1,6 milhão de pessoas nessa comparação, o emprego formal no setor privado não vem reagindo. Pelo contrário, o contingente de pessoas ocupadas com carteira de trabalho no setor privado encolheu em 493 mil na comparação entre os primeiros trimestres de 2017 e de 2018 (ver Gráfico 2). É especialmente preocupante que a desaceleração do ritmo de queda desse vínculo tem sido muito lenta, indicando que ainda poderá demorar alguns trimestres até que o emprego de melhor qualidade volte a crescer.

Como sintoma adicional da fragilização do mercado de trabalho, os dados do Cadastro de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, que registra as movimentações nos vínculos celetistas, apontaram que o contingente de empregados formais somente vem crescendo nas faixas salariais mais baixas, de até 1,5 salários mínimos, enquanto continuam se retraindo nas faixas médias e altas.




*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
22/04
14:41

A recuperação econômica esfriou no 1º trimestre de 2018?

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

A publicação dos principais indicadores de evolução da atividade econômica trouxe preocupação sobre os riscos de que a retomada da economia brasileira tenha esfriado nesse início de 2018. Os desempenhos ruins de atividades setoriais nos dois primeiros meses do ano parecem mesmo sinalizar uma atenuação do crescimento que se apresentava com perspectivas mais robustas no segundo semestre de 2017. As consultorias especializadas se apressaram para rever para baixo as projeções para o crescimento do PIB de 2018, mas a mediana das estimativas permaneceu relativamente alta, de 2,76%, para 2018, mantendo-se a taxa de 3% para 2019. 

Os dados sobre a evolução do mercado de trabalho têm se apresentado relativamente piores do que os de volumes de atividade setoriais, com a continuidade da queda no contingente de pessoas ocupadas com vínculos formais (nos resultados da Pnad Contínua) e a desaceleração de certa intensidade na expansão dos vínculos informais.  

A retração do ritmo de crescimento do nível de atividade fez acender o sinal de alerta sobre a possibilidade, mesmo relativamente remota, de que a retomada da economia se revele muito mais frágil do que a prevista anteriormente. Ainda mais quando aumentaram a instabilidade e a imprevisibilidade do cenário político interno e, no cenário externo, apesar de o ritmo de crescimento econômico se manter robusto, o ambiente político apresentou forte deterioração e a espiral do protecionismo ensaia seus primeiros episódios. 

Voo de galinha
Para os analistas menos otimistas, parte expressiva do crescimento de 2017 foi causada por fatores não recorrentes, que não deverão se repetir em 2018 e anos seguintes, como a liberação de recursos do FGTS e os fortes incrementos da produção agrícola e das vendas externas. 

A continuidade do crescimento da economia brasileira em 2018 estaria basicamente assentada na expansão do consumo, mas a continuidade do incremento desse componente da demanda estaria sob risco.  Diante do súbito esfriamento do mercado de trabalho, a sustentação no ritmo de incremento do consumo, e assim, do conjunto da economia brasileira, estaria à mercê dos impactos da redução dos juros nominais, impulso quase solitário sobre o nível de atividade nesse momento. 

Moderação
A perspectiva mais pessimista sobre a evolução de nossa economia não é a dominante, pelo menos não é ainda. A avaliação mais aceita até o momento é de que a desaceleração na evolução dos indicadores nos meses de janeiro e fevereiro pode simplesmente refletir uma correção em relação aos resultados acima dos esperados no período imediatamente anterior e que o ritmo do crescimento tendencial nem é aquele mais elevado do final do ano passado, nem tampouco a quase estagnação desse início de 2018. Nessa perspectiva, deverá prevalecer um resultado intermediário. Somente os resultados setoriais dos próximos meses deverão esclarecer qual o cenário que deverá prevalecer. 

Indústria, serviços e varejo
No acumulado de janeiro e fevereiro, a produção física da indústria de transformação recuou 2,6%, em relação a dezembro de 2017, e as atividades de serviços recuaram 3,29%. Mesmo os índices de confiança setoriais sobre o futuro passaram a apresentar maiores oscilações. O volume de vendas no varejo, até o momento, manteve nesse início de ano a trajetória de crescimento. 

No acumulado de janeiro e fevereiro, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Banco Central (IBC-BR) recuou 0,56%, em relação dezembro de 2017. A linha continua dupla no Gráfico mostra a evolução do IBC-BR no acumulado de dois meses, na série livre de efeitos sazonais. Nessa série fica evidente a desaceleração do ritmo de crescimento em janeiro e fevereiro, depois da aceleração entre outubro e dezembro de 2017. A linha pontilhada mostra a comparação com os mesmo bimestres do ano anterior: depois de acelerar até outubro de 2017, o IBC-BR manteve até janeiro taxas de crescimento em patamar superior a 2%, e em fevereiro recuou para 1,8%. 

Finalmente a linha contínua simples apresenta uma perspectiva de prazo mais largo, com a taxa do crescimento acumulado em doze meses, em comparação aos dozes meses anteriores. Nessa série, há claros sinais de que o ritmo de aceleração de crescimento perdeu ímpeto nos últimos resultados, mas se mantém relativamente elevado. 

Em síntese, constatou-se um esfriamento do crescimento do nível de atividade econômica nesse início de 2018. Aparentemente, houve uma correção em relação ao crescimento mais robusto do último trimestre de 2017; mas pode não ter sido apenas isso. 



*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
15/04
16:56

Renda média caiu em 2017 e mais 1,5 milhão de pessoas ingressaram na situação de miséria

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

A continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho em 2017, com a queda do emprego formal e o incremento de vínculos precários, impactou os rendimentos da população; a renda média do brasileiro caiu e a miséria aumentou. 

O IBGE publicou na semana passada os resultados de 2017 da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio Contínua- PNADC referentes aos rendimentos da população. A pesquisa mostrou, entre outras coisas, que a renda entre os mais pobres caiu bem mais do que entre as pessoas mais ricas. 

Em termos regionais, o Nordeste e o Sudeste foram as áreas mais atingidas pela crise no mercado de trabalho; a primeira região por ter sido a única em que o contingente de pessoas que obtinham rendimento com trabalho caiu na comparação com o ano anterior; a segunda pelos efeitos mais acentuados da precarização dos vínculos de trabalho, com a substituição do emprego formal por formas precárias de inserção no mercado de trabalho, que fizeram com que fosse a única região cujos rendimentos médios das pessoas que estavam ocupadas tivessem recuado. Nordeste e Sudeste também foram as regiões em que as quedas do rendimento do trabalho das pessoas de rendas mais baixas foram mais acentuadas do que a média do país. 

A queda de renda nos estratos de mais baixos rendimentos provocou uma nova leva de pessoas que ficaram abaixo da linha demarcatória de pobreza extrema. Segundo estimativa da empresa de consultoria LCA, mais 1,5 milhão de pessoas no Brasil engrossaram o contingente de pessoas em situação de pobreza extrema. 

Ocupação e rendimentos
Em 2017, trezentos e dez mil pessoas deixaram de ter rendimentos do trabalho no Brasil. O número de pessoas que obtiveram rendimento do trabalho registrou queda acentuada no Nordeste, incremento residual no Sudeste e Sul e aumentos um pouco mais expressivos no Centro-Oeste e Norte. Enquanto no Nordeste o contingente de pessoas com rendimento do trabalho se retraiu em 448 mil pessoas, a região Sudeste registrou aumento em 4 mil pessoas e a região Sul, em 8 mil pessoas; o Norte agregou mais 20 mil pessoas com rendimentos do trabalho e o Centro-Oeste, mais 107 mil pessoas.

O rendimento médio real mensal do trabalho no Brasil, em 2017, se retraiu 1,4%, passando de R$ 2.268,00, no ano anterior, para R$ 2.237,00 (Ver Gráfico 1).  A região Nordeste manteve-se como a de menor rendimento médio (70,2% da média nacional), enquanto a região Sul (114,7% da média nacional) substituiu a região Sudeste como a de rendimento de trabalho mais elevado.

Segunda a pesquisa, o Sudeste foi a única região que registrou queda do rendimento médio do trabalho e também da massa de rendimento. O Sudeste apresentou, em 2017, queda do rendimento mensal em todas as classes de percentual de rendimento, retrações que foram mais acentuadas nos estratos de renda extremos, os mais baixos e os mais altos, e menos acentuadas nos estratos intermediários. O comportamento dos rendimentos da região Sudeste divergiu de todas as demais regiões brasileiras, cujas quedas se concentraram nas classes de percentuais de renda mais baixos.




Pobreza extrema
A partir dos dados da PNADC, a consultoria LCA estimou que o número de brasileiros que se encontram abaixo da linha da pobreza extrema aumentou 11,2% em 2017, adotando-se a linha de corte do Banco Mundial para países de nível médio-alto desenvolvimento de US$ 1,90 de renda domiciliar per capita por dia, corrigida pela paridade de poder de compra. Mais um milhão, quatrocentos e noventa mil brasileiros passaram a ter rendimentos inferior a esse limite. Aumento tão expressivo do contingente de pessoas nessa situação, quando o rendimento médio real de todas as fontes declinou tão somente 0,6%, reflete principalmente a queda muito mais acentuada dos rendimentos das faixas mais pobres da população. 

Em termos regionais, os maiores contingentes de pessoas que ingressaram na pobreza extrema em 2017 residiam no Nordeste (mais 800 mil pessoas) e no Sudeste (mais 400 mil pessoas), mas em todas as regiões a pobreza extrema se expandiu (Ver Gráfico 2).


*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


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