17/03
15:06

RICARDO LACERDA - Crescimento e disponibilidade de mão-de-obra no Nordeste

Ricardo Lacerda*

A situação do mercado de trabalho brasileiro, com taxa de ocupação próxima ao pleno emprego, tem suscitado interessante debate sobre a restrição imposta pela escassez de mão-de-obra ao potencial de crescimento da economia.

O debate remete as contribuições teóricas do prêmio Nobel de economia de 1979, professor Arthur Lewis, que em 1954 publicou um importante artigo sobre as condições de oferta do mercado de trabalho e suas implicações para o desenvolvimento econômico nos países pobres.

Em essência o professor Lewis argumentava que, diferentemente dos países desenvolvidos, nos países pobres é persistente uma oferta ilimitada de mão-de-obra aos níveis de salários vigentes. Em seu modelo, a oferta ilimitada de mão-de-obra decorre, entre outros fatores, do caráter dual da estrutura econômica em que convivem um setor moderno (capitalista) e um setor de economia de subsistência, que supre continuamente o primeiro com mão-de-obra ao salário corrente, à medida que ele se expande e eleva a demanda por trabalho.

A disponibilidade ampla de mão-de-obra propicia que os salários se mantenham baixos mesmo quando a economia experimenta um período de intenso crescimento.

Ciclo
O ciclo econômico expansivo iniciado em 2004 provocou importantes avanços no mercado de trabalho do Brasil em que duas características podem ser destacadas. De um lado, a taxa desocupação nas regiões metropolitanas caiu de 12,2%, em 2002, para 5,5%, em 2012. De outro, o rendimento médio, impulsionado pelos aumentos reais de salário mínimo e pela formalização no mercado de trabalho, tem crescido acima da inflação.

Alguns especialistas têm apontado, sem apresentar, todavia, dados mais convincentes, que o período de oferta elástica e de baixo custo de mão-de-obra no Brasil teria se encerrado, o que traria, inclusive, grandes benefícios para um país que, historicamente, paga salários muito baixos.

Diante do crescimento demográfico mais moderado e da ocupação quase plena da força de trabalho, o potencial de crescimento do PIB nos próximos anos ficaria limitado à modesta taxa de expansão da população economicamente ativa e de incrementos de produtividade provenientes da elevação da qualificação profissional e de ampliação da taxa de poupança agregada.

Nessa contabilidade faltou considerar, todavia, o espaço ainda relativamente amplo de crescimento da produtividade decorrente da transferência de mão-de-obra do setor informal para o setor formal, ou ainda de atividades formais de menor produtividade para outras de produtividade mais elevada. Essa transferência não é automática. Não será bem sucedida sem um grande empenho na elevação da escolaridade e investimentos na qualificação profissional.

Outros aspectos também precisam ser considerados. O patamar da taxa de câmbio, que influencia o rendimento relativo entre as atividades, pode ter um peso significativo na alocação de força de trabalho em setores de maior ou menor produtividade.

Limites
A migração de pessoas das atividades informais para as formais, ou do setor de subsistência para o setor moderno, eleva o nível médio de produtividade da economia, amplia o mercado de consumo e pode dar origem a intenso processo de crescimento econômico. Enquanto perdura a oferta ilimitada de mão de obra, o limite superior de crescimento da economia é dado por outras restrições, como a disponibilidade de capital, de empreendedor, gargalos na infraestrutura, limitações de tamanho de mercado, má distribuição de renda, relações externas etc.

São muitos os exemplos, incluindo o Brasil do imediato pós-guerra, de processos de crescimento marcados pelo deslocamento de pessoas de atividades de baixa produtividade para outras de atividades de média ou alta produtividade.

Quando o processo de transferência de força de trabalho do setor de baixa produtividade para o setor moderno se exaure, o crescimento da economia pode desacelerar porque a produtividade média passa a crescer mais lentamente. A esse dilema o professor Otaviano Canuto vem denominado de “a armadilha da renda média”.

Nesse estágio, a continuidade do crescimento da produtividade da economia, e, portanto, a sustentabilidade do incremento da produção e do progresso social, passa a requerer uma transformação qualitativa mais complexa, em competição direta com os países de elevada renda, por meio de investimentos intensivos em qualificação de recursos humanos, em inovação e em capacitação empresarial. Na prática, os países precisam se antecipar, porque os processos correm paralelamente.

Nordeste
Cabe ter em mente que, apesar de, nos últimos dez anos, a geração de empregos formais ter sido bem mais intensa nas regiões mais pobres, a situação do mercado de trabalho é bem distinta nelas. Mais da metade da força de trabalho ocupada no Norte e Nordeste, em 2010, possuía vínculos informais no mercado de trabalho, entre empregados sem carteira de trabalho e empregadores e pessoas por conta própria não contribuintes da previdência.

Em termos absolutos, o contingente de pessoas ocupadas ema atividades informais no Nordeste é da mesma ordem de grandeza do presente na região Sudeste, 12,4 milhões de pessoas e 12,7 milhões respectivamente. Em termos relativos, 59,4% das pessoas ocupadas no Nordeste e 33,4% do Sudeste, em 2010, mantinham vínculos informais no mercado de trabalho (ver Tabela).

As empresas mais intensivas em mão-de-obra já se mostram atentas ao novo quadro de mercado de trabalho brasileiro e têm, crescentemente, buscado no Nordeste, além de incentivos fiscais e mercado em forte ampliação, a disponibilidade de força de trabalho, muitas vezes situada fora dos principais centros urbanos.

Para a região cabe, ao tempo em que atrai os investimentos intensivos em mão-de-obra, a fim de absorver o excedente estrutural de mão-de-obra, se preparar para a transição para atividades de maior produtividade média.


*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
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Por Kleber Santos
10/03
10:18

RICARDO LACERDA - Oferta e demanda

Ricardo Lacerda*

O anúncio do pífio PIB de 2012 pôs lenha no debate sobre os limites do crescimento brasileiro. Os críticos da política econômica insistem que o crescimento movido pela expansão do consumo já teria se esgotado.

O truque, assim se referem os críticos, não funciona mais por que as famílias estão endividadas e o mercado de trabalho já se encontra próximo ao pleno emprego. Em tais situações, acréscimos de consumo se traduziriam mais em aumento de preço do que em incremento da produção para atender a essa demanda acrescida. A hora é da oferta. A demanda já teria encontrado o seu teto.

Sofisma
Esse tipo de abordagem recorre, sob certo sentido, a um sofisma muito utilizado nos embates públicos. Elencam-se fatos amplamente conhecidos, como a ampliação do mercado de consumo, a baixa taxa de desocupação em vigor e a queda do investimento em 2012 e, sobretudo, apela-se a sensos comuns, como o de que é necessário ampliar os investimentos públicos e privados, para concluir, apressadamente, que o reduzido crescimento do PIB nos últimos dois anos se deve ao esgotamento do crescimento puxado pelo ciclo de consumo.

Não há como discordar que um dos principais pontos da agenda de desenvolvimento brasileiro é a necessidade de ampliação do seu potencial de crescimento, seja por meio da aceleração dos investimentos públicos e privados em infraestrutura, seja pelo aumento da capacidade produtiva e pela modernização do parque produtivo, fatores atinentes às condições de oferta. Na verdade, o governo está atento a essas questões e toda uma agenda de desenvolvimento produtivo e de infraestrutura está sendo implementada. Mas essa é somente uma parte do enredo sobre a evolução recente do PIB.

O equívoco não está em destacar que o crescimento liderado pelo consumo deve ser complementado pela expansão dos investimentos, que não apenas reforça a elevação da demanda como alarga a capacidade produtiva da economia. O problema é deixar em segundo plano ou simplesmente desconsiderar que movimentos do lado da oferta e da demanda, não necessariamente associados a restrições físicas ao crescimento, concorreram, se não determinaram, para o resultado do PIB de 2012.

Oferta
Do lado da oferta, convém examinar as taxas de crescimento dos setores em 2012, cuja média ponderada é o aumento de 0,9% do PIB. O setor agropecuário, que representa cerca de 6% do PIB, decaiu 2,3% no ano, a maior retração entre todos os setores. O setor industrial, com cerca de 24% do PIB, apresentou queda de 0,8% (sendo que a indústria de transformação recuou 2,5% e a construção civil cresceu 1%). Apenas o setor de serviços, responsável por quase 70% do PIB, registrou expansão, com taxa de crescimento de 1,7%.

O desempenho negativo do setor agropecuário, como é de conhecimento geral, esteve associado a problemas climáticos ou de comportamento dos preços no mercado externo, e dificilmente pode ser atribuído à escassez de mão-de-obra e a limitações físicas do potencial de crescimento.

O resultado ruim da indústria de transformação deriva sim de deficiências na produtividade, mas também está associado a questões do lado da demanda como o acúmulo de estoques e dos efeitos da sobreprodução mundial no setor em um quadro de câmbio ainda valorizado que deprimem a produção doméstica. Ao apresentarem queda na produção, indústria e agricultura contaminaram o desempenho de outras atividades. A Tabela 1 ilustra, do ponto de vista da produção, quais foram as atividades que puxaram o crescimento do PIB para baixo ao destacar com célula sombreada quais delas cresceram abaixo da média e perderam participação.

Demanda
A Tabela 2 apresenta o outro lado da moeda, com os dados sob a ótica da demanda. O comportamento das variáveis é muito esclarecedor do resultado ruim do PIB de 2012. Cresceram acima da média do PIB o consumo das famílias e as despesas correntes da administração pública e da educação e saúde públicas. Dois itens de despesas, fortemente associados entre eles, puxaram fortemente para baixo e com efeitos da mesma ordem de grandeza o crescimento do PIB de 2012: os investimentos em capital fixo (FBCF) e os estoques retidos nas empresas (ver Tabela 2).

Os comportamentos dessas variáveis, do lado da demanda, explicam na essência o desempenho do setor industrial em 2011. A variação fortemente negativa dos estoques significa que parte da expansão do consumo em 2012 não teve como contrapartida o aumento da produção e sim a redução nos estoques acumulados em anos anteriores. Por outro lado, não há como se esperar recuperação mais expressiva dos investimentos enquanto as empresas estão desovando bens elaborados em anos anteriores.

Tabela 2. Composição do PIB, em valores correntes, sob a ótica das despesas em 2011 e 2012.
(Em %)
















Do ponto de vista mais imediato, das causas de curto prazo, a evolução das variáveis do lado da oferta e da demanda sinaliza que o baixo de crescimento de 2012 se deve principalmente a uma combinação de problemas climáticos do setor agrícola com a queda acentuada dos investimentos em máquinas e equipamentos e a variação negativa de estoques, que comprometeram o desempenho do setor industrial.

Ainda que os gargalos de infraestrutura para o crescimento sustentado do Brasil sejam evidentes, não se pode atribuir exatamente a eles o baixo crescimento do PIB de 2012, mas corretamente associado a questões de choque de oferta agrícolas e à insuficiência da demanda, problemas que não devem se repetir em 2013, ano que em se espera taxas de crescimento do PIB mais expressiva.

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
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Por Kleber Santos
04/03
08:12

Produtividade e crescimento do Nordeste

Ricardo Lacerda*

O crescimento econômico do Nordeste nos últimos dez anos abriu uma janela de oportunidade para que a região estreite de forma significativa o largo hiato de desenvolvimento que acumulou historicamente em relação às regiões mais ricas. Ao apresentar no período mais recente taxas de crescimento da produção e do consumo acima da média brasileira, o Nordeste vem atraindo importantes investimentos que irão reforçar o ciclo virtuoso de transformações econômicas e sociais. 

Há poucas dúvidas de que nos últimos dez anos foi reduzido o hiato de desenvolvimento do Nordeste e as regiões mais prósperas, ou seja, de que avançou-se em um processo de convergência. A redução das disparidades se manifesta nos indicadores de renda, de emprego, de produção, de saúde e de escolaridade. 

Ainda que as disparidades sejam muito acentuadas, o Nordeste responde hoje por uma parcela maior da renda, do emprego formal, dos alunos cursando o terceiro grau comparativamente a uma década atrás, enquanto os níveis de renda média, PIB per capita, produtividade industrial (ver Gráfico) e da escolaridade da região estão menos distantes da média brasileira. Crescimento econômico e políticas sociais foram e vão continuar sendo os vetores-chave dessa nova fase de desenvolvimento da região.

 
Fonte: IBGE. Renda per capita familiar, PNAD; PIB per capita, Contas regionais; Produtividade Industrial, PIA. Obs. O indicador comparativo de produtividade industrial compara o VTI médio por trabalhador da indústria geral

Herança
Para além da herança colonial e das diferenças de crescimento da produtividade nas economias agrícolas regionais de base exportadora do século XIX, o esforço realizado pelo país para se desenvolver por meio da industrialização ao longo da segunda metade do século XX, com investimentos concentrados no eixo RJ-SP, reforçou e consolidou a disparidade entre as regiões em todas as dimensões do desenvolvimento, incluindo infraestrutura, recursos humanos e, principalmente, a base produtiva instalada na agricultura, na indústria e no setor de serviços. 

Os investimentos na modernização da região entre os anos sessenta e oitenta foram importantes para interromper a ampliação do hiato de desenvolvimento regional. Todavia, se a modernização do Nordeste nesse período apresentou resultados significativos em termos de transformação da base produtiva e na edificação de infraestrutura, ela manteve uma marca de exclusão social e de baixa endogeneização, limitando o seu alcance social e econômico e a sua sustentabilidade no tempo. 

O baixo crescimento brasileiro na década de noventa e o abandono das políticas de desenvolvimento deixaram ao relento as preocupações com as disparidades regionais e o Nordeste restou esquecido.

Convergência e oportunidade
A aceleração do ritmo de crescimento econômico a partir de 2004 assegurou os meios materiais para que o país começasse a por em prática de forma mais incisiva as promessas da constituição cidadã de 1988. Foi necessário superar, todavia, alguns preconceitos antigos (reforçados ao longo dos anos noventa) que restringiam a adoção de políticas sociais mais incisivas, como também foi fundamental a retomada de políticas explícitas de ativação do desenvolvimento. 

As políticas sociais entraram na agenda do país e passaram a ser um dos vetores estruturantes que deverá balizar o desenvolvimento pelas próximas décadas. Deixou-se para trás uma visão de desenvolvimento que se assentava na crença de que a modernização da base produtiva asseguraria per si a elevação das condições de vida da população e promoveria a redução da pobreza.  

Desafios 
Apesar de a redução das disparidades nos últimos dez anos ter sido significativa e de ter havido importante mudanças estruturais no Nordeste, o processo de convergência em direção é relativamente lento e ainda não se avista o momento em que a região apresente indicadores econômicos e sociais próximos aos das regiões mais prósperas. 

Além disso, como resultado da política social inclusiva, a convergência de desenvolvimento entre as regiões tem sido mais rápida no que tange a renda, consumo e emprego do que de produção, de produtividade e possivelmente de infraestrutura tangível e intangível para o desenvolvimento sustentado. 

Como o crescimento econômico recente, acompanhado pela incorporação de novos contingentes populacionais ao mercado de consumo, ampliou e adensou a base econômica da região, dotando-a de um tamanho de mercado atraente, é necessário continuar avançando em direção à sustentabilidade do seu desenvolvimento. 

Para tanto, é preciso viabilizar um patamar elevado de investimentos em infraestrutura e na formação de recursos humanos, além de uma política de forte indução para a região de investimentos produtivos nos setores estratégicos da política industrial, compatibilizando assim os impulsos emanados da política social com os da ampliação da base produtiva da região. 
 

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
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Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
25/02
08:08

RICARDO LACERDA - Consumo e crescimento

Ricardo Lacerda
Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe

Alguns períodos de crescimento são liderados pela expansão do comércio exterior, outros pelos investimentos autônomos e, mais comumente, pela expansão de consumo.

Depois do impulso inicial, pode-se formar um ciclo virtuoso em que o crescimento se
desdobra na elevação das outras variáveis que compõem a demanda agregada.

O ciclo de crescimento iniciado em 2004 contou com o impulso decorrente do forte
incremento da demanda por matérias-primas no mercado internacional associado à
expansão da economia chinesa, mas somente firmou-se com a ampliação do poder de compra interno promovida pela incorporação de novos contingentes populacionais ao
mercado de consumo.

Varejo

Os dados do comércio varejista anunciados pelo IBGE na semana passada confirmam a ampliação do mercado de consumo no país. Com os 8,4% de crescimento do volume
de vendas do comércio varejista em 2012, o tamanho do mercado de varejo brasileiro
fechou o ano 90,4% maior do que se encontrava ao final de 2002, antes do inicio do
ciclo de crescimento.

Assim, contamos hoje com um mercado de varejo que é quase o dobro de dez anos
atrás. Reformulando, somente para enfatizar: são quase dois Brasis em consumo no
varejo em uma década.

Em todos os anos a partir de 2004, o volume de vendas no varejo cresceu acima de
4% (ver Gráfico) e a expansão média anual desde então foi de simplesmente de 7,9%.
Esse crescimento foi maior nos estados mais pobres, nos quais a incorporação de mais
pessoas ao mercado de consumo foi mais intensa. A média anual de crescimento em
Sergipe alcançou 9,2% ao ano.

Se o crescimento do consumo trouxe alguns gargalos não desprezíveis, foram muitas
as oportunidades abertas por ele. Alicerçada na expansão do emprego, no aumento da
renda e na ampliação do crédito, a evolução do varejo reflete também a melhoria do
acesso aos bens nos domicílios e ainda indica como esse novo Brasil agregou milhões
de famílias ao mercado de consumo.

Efeitos e limites

A expansão do mercado de consumo gerou oportunidades de investimentos e fez
multiplicar os pequenos empreendimentos voltados para atender a esse poder de compra
aumentado. Muitos investimentos foram direcionados para as regiões mais pobres do
país a fim de atender essa demanda crescente por bens de consumo e as oportunidades
surgidas de adensar a cadeia de fornecimento.

Ainda que tenham surgidas alertas aos limites de manter um crescimento puxado
pelo consumo, essa questão não tem uma resposta tão simples assim. A expansão do
consumo em determinadas etapas em que a crise internacional se agudizou foi benéfica
para o país. Nos momentos mais críticos, o incremento do consumo animou as receitas
públicas, o emprego, a produção interna e ajudou a retomada do investimento.

Há evidentemente limites em quanto o consumo pode seguir crescendo a taxas mais
elevadas do que a média da economia. A um período liderado pelo crescimento de
uma variável como o consumo, deve seguir outros períodos em que os investimentos
públicos e privados, estimulados pelo próprio aumento do consumo, passem a crescer
em ritmo mais acelerado. De outra forma, o crescimento não se sustenta.

Há sim distorções decorrentes da expansão do consumo. As mais graves decorrem da
valorização cambial, que amplia o acesso a bens de consumo importados em detrimento
da produção que gera emprego internamente, e aumenta artificialmente o poder de
compra da população. A ampliação do consumo quando não se segue à retomada do
investimento ou quando a economia se aproxima do teto de sua capacidade também
pode pressionar os preços de tal forma que induzam a adoção de políticas monetárias e
fiscais restritivas que findam prejudicando a expansão dos investimentos.

Os recursos reais e creditícios que financiam a expansão do consumo podem concorrer
ou não com as demandas de crescimento dos investimentos públicos e privados se
a fase do ciclo econômico já aproxima o uso dos recursos produtivos de sua plena
utilização ou se limita a capacidade dos governos de investir em infraestrutura para o
desenvolvimento.

Os sinais que indicam o limite dessa política se cristalizam em desequilíbrios no
balanço de pagamento ou quando o excesso de demanda pressiona os preços. É
monitorando essas varáveis que a política macroeconômica deve compatibilizar o duplo
objetivo de manter a economia em crescimento, para proporcionar a continuidade da
elevação da qualidade de vida das pessoas, sem descuidar dos desequilíbrios que se
manifestam nos preços e nas relações externas.


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Por Kleber Santos
17/02
09:41

O comercio exterior brasileiro em 2012

Ricardo Lacerda*

A expansão das nossas exportações a partir de 2003 foi um dos principais vetores do recente crescimento econômico brasileiro. Entre 2003 e 2007, o valor das exportações brasileiras cresceu notáveis 166%, equivalentes a taxas anuais de 21,6%. Nesse período, dois fatores favoreceram a rápida evolução das vendas externas do Brasil: a elevação das cotações internacionais das principais commodities agrícolas e minerais brasileiras e o novo patamar estabelecido para o câmbio, após o fim do regime de câmbio fixo no início de 1999 e a forte desvalorização ocorrida entre 2002 e 2003.

Com o advento da crise financeira em 2008, o ritmo de expansão de nossas exportações desacelerou, apresentando taxas anuais de crescimento bem inferiores, mas ainda elevadas, 12,4% entre 2008 e 2011.

À medida que a economia brasileira foi se consolidando entre 2003 e 2006, com a ampliação do mercado interno, as importações de bens de consumo para as famílias e de insumos e de componentes para as empresas também aceleraram, de tal forma que, entre 2006 e 2008, o ritmo de crescimento das importações se apresentou mais rápido do que o da expansão das exportações. A revalorização do câmbio nesse período também foi importante, na medida em que elevou a competitividade do produto importado no mercado interno.

Já sob a influência da crise financeira, de 2008 em diante, as importações também desaceleraram, mas se mantiveram com expansão superior a das exportações. O movimento, portanto, foi de saltos anuais no saldo da balança comercial entre 2003 e 2006, e de encolhimento desde lá, em um primeiro momento em função do forte aquecimento do mercado interno e, a partir de 2009, por conta do diferencial entre o ritmo de desaceleração do crescimento das exportações e o das importações, em favor dessas últimas que caíram mais lentamente.

2012
Em 2012, o comércio exterior não ajudou o crescimento da economia brasileira. Pelo contrário. Exportações e importações se retraíram. Todavia, enquanto as primeiras caíram 5,3%, as últimas apresentaram perdas menores, de 1,4%, mesmo considerando a contabilização retardada das compras externas de combustíveis.

Com isso, o saldo comercial de 2012 apresentou um recuo de impressionantes US$ 10,4 bilhões em relação ao ano anterior, caindo de US$ 29,8 bilhões para US$ 19,4 bilhões. Definitivamente, não foi um bom desempenho (ver Gráfico).

A retração das exportações de 2012 em US 13,5 bilhões, em relação ao ano anterior, se deveu essencialmente à redução das compras de alguns dos nossos principais parceiros comerciais. As exportações para a Argentina caíram quase 9%, para a Alemanha, 46%, para a Espanha, 25% e para a China 9%. Em termos de grupos de produtos, as principais quedas em 2012 atingiram as exportações de minérios, café, açúcar, metais e veículos.

Fatores
Para as sucessivas retrações no saldo comercial desde o pico de 2006, quando atingiu US$ 46,5 bilhões, para os atuais US$ 19,4 bilhões, muitos fatores concorreram. Considerando o conjunto do período, os principais estão relacionados ao forte incremento da demanda por importações, mesmo quando a economia interna desacelerou após 2008, e a redução mais intensa do ritmo de crescimento das exportações. Os dois processos indicam a perda relativa de competitividade de nossos produtos, seja no mercado doméstico, seja no mercado externo.

Parte desse fenômeno se deve à valorização cambial em um cenário de comércio mundial desaquecido, parte se deve aos efeitos do forte incremento da renda interna sobre a nossa estrutura de custos. Para ambos os casos, somente uma mudança de preços relativos induzida pela desvalorização cambial pode se contrapor.

Fonte: MDIC-SECEX



*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
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Por Kleber Santos
12/02
19:10

A política econômica em compasso de espera

Ricardo Lacerda*

O anúncio na semana passada do índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) de
janeiro acendeu o sinal de alerta. O IPCA alcançou 0,86%, acumulando alta de 6,2% em
doze meses, o quinto mês consecutivo de elevação dessa série acumulada.

Há alguns motivos para preocupação, como reconheceu o presidente do Banco Central.
Alguns dos componentes do IPCA têm pressionado fortemente o índice para cima, antes
mesmo de o nível de atividade econômica apresentar uma retomada mais consistente.
O grupo de alimentos e bebidas, que responde por 22,1% do índice, registrou o
crescimento assombroso de 11,1%, o mesmo do grupo de despesas pessoais, que
representa 6,5% do total (ver Gráfico).

Estiagem e pressão de demanda

A forte elevação no preço da alimentação em doze meses foi em grande parte provocada
pelos efeitos da estiagem que atingiu várias regiões e fez com que o preço da farinha
da mandioca tivesse aumentado 111,9%, a batata inglesa, 67,4% e o feijão mulatinho
43,7%. O subgrupo de hortaliças teve aumento de 24% no período. A desvalorização
do real também impactou o preço dos alimentos que têm por base a farinha de trigo ou o
milho.

É de se esperar que a pressão de preços do grupo de alimentos vá ser diluída nos
próximos meses, porquanto os aspectos climáticos deverão ser mais favoráveis em
2013.

De natureza diferente é a elevação do preço das despesas pessoais, que vem se
mantendo em patamar elevado durante um período muito longo. A elevação dos preços
neste grupo que abrange os serviços pessoais está fortemente relacionada à elevação
real do salário mínimo e ao aumento de demanda associado ao crescimento do poder
de compra da população. Em geral, a um aumento de demanda pelos serviços desse
grupo a oferta demora a responder, podendo pressionar os preços por longos períodos.
O ajuste vem a longo prazo, na medida que parte do hiato é coberto pelo aumento da
oferta e parte é suprimido pela corrosão do poder de compra.

Raio de manobra

Para alguns analistas, a elevação nos preços dos serviços, como no caso das despesas
pessoais, é um sintoma do esgotamento do ciclo de crescimento dos últimos anos,
puxado pela expansão do consumo. Também refletiria o baixo potencial de crescimento
da economia brasileira nesse momento, em que qualquer novo estímulo de demanda
impacta mais fortemente os preços do que impulsiona o crescimento da produção.

Se essa conclusão pode parecer um pouco apressada, refletindo talvez o desejo de
certos segmentos que não vêm se sentindo suficientemente contemplados pela política
econômica, há pouca dúvida de que a reaceleração dos preços reduz a margem para
a adoção de medidas adicionais de estímulos à demanda e talvez venha a obrigar as
autoridades econômicas a buscar uma melhor calibragem entre os vários instrumentos.

O fato é que o tempo de respostas de cada uma das várias medidas adotadas desde 2011
para estimular o crescimento econômico pode diferir muito, com impactos diferenciados
sobre os índices de preço. A pressão de demanda sobre os serviços pessoais, em um
sentido amplo, continua a puxar os preços para cima enquanto a desvalorização do
câmbio impacta de imediato os preços dos importados e somente no médio prazo traz
benefícios em termos de crescimento do nível de produção. Há ainda uma interrogação
quanto ao repasse para os preços dos bens e serviços das reduções decorrentes das
desonerações na folha de pagamento e do custo da energia elétrica.

Fica a expectativa em aberto se a média de doze meses do IPCA vai se manter
suficientemente comportada até que o nível de produção comece a se recuperar de
forma mais sustentada ou se o governo vai adotar medidas adicionais de desoneração da
produção, agora não mais para estimular a produção e sim diretamente para reduzir os
preços dos bens e serviços.


Fonte: IBGE

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.

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03/02
12:16

O crescimento do emprego

Ricardo Lacerda*

O IBGE informou na semana passada que a taxa de desocupação nas regiões metropolitanas de dezembro de 2012 foi de 4,6%, a mais baixa desde o início da atual série histórica em março de 2002. A taxa de desocupação média ao longo do ano de 2012 ficou em 5,5%, também a menor registrada. Cabe lembrar que em 2003, antes do início do ciclo expansivo que mudou as condições do mercado de trabalho no país, a média anual da taxa de desocupação atingiu 12,4%, mais do que o dobro da taxa de 2012.

O que mais tem intrigado os analistas são os resultados do mercado de trabalho nos dois últimos anos, quando a economia desacelerou. Em 2011, enquanto o PIB cresceu 2,7% o emprego formal aumentou 5,7%, segundo dados do Caged. Em 2012, o PIB deverá crescer em torno de 1%, mas o emprego formal subiu 3,4%.

Em um lapso de tempo um pouco mais longo, entre 2007 e 2012, enquanto o PIB
cresceu estimados 3,6% ao ano, o emprego formal aumentou 5,6%, crescimento quase
chinês.

Descolamento

Os analistas têm buscado explicação para esse descolamento entre o mercado de
trabalho e o ritmo de atividade da economia. Uma das explicações mais disseminadas é
a de que as atividades mais intensivas em trabalho, como aquelas que integram o setor
de serviços, têm crescido mais rapidamente do que as atividades com maior relação
capital/trabalho, como as vinculadas à indústria de transformação.

O gráfico 1, a seguir, apresenta a taxa de crescimento médio anual do emprego formal
entre 2007 e 2012, nos principais setores de atividade. É interessante perceber que
mesmo os setores com ritmo mais lento de crescimento de emprego formal (com
exceção da agricultura em que o grau de informalidade ainda é muito elevado), a taxa
média anual foi superior a 3%.

Entre os setores de peso mais expressivo no mercado de trabalho, a indústria de
transformação foi o que registrou a menor taxa anual de crescimento do emprego no
período, 3,6%. Os grandes destaques foram a construção civil, com a notável taxa média
anual de 11,1% , e o comércio (6,6%) e os serviços (6,1%).

Limites

Se essa dinâmica tem um papel favorável no que tange à geração de emprego, ela
findaria por limitar o crescimento da economia nacional, porque as atividades que mais
têm evoluído são também aquelas de menor produtividade por trabalhador e, portanto,
com menor potencial de incremento do PIB. A partir dessa constatação, são lançadas
críticas ao modelo de crescimento dos últimos anos que teria privilegiado o consumo
em detrimento da produção.

Se essa argumentação, de fato, faz sentido talvez alguns analistas devessem apoiar, e
não criticar, as últimas medidas adotadas para elevar a competitividade da produção
industrial frente aos importados, incluindo a redução nas taxas de juros e nas tarifas
de energia, a desoneração da folha de pagamentos e a desvalorização do câmbio. A

elevação do câmbio, de R$ 1,70 para R$ 2,00, implica em estimular a produção frente
ao consumo, e a indústria de transformação frente às atividades comerciais e de serviço.
E a redução no patamar das taxas de juros estimula o crescimento da produção frente à
expansão das atividades financeira e ao consumo das famílias.

Se os sinais de mercado fazem sentido, é de se esperar que nos próximos trimestres a
atividade industrial cresça em ritmo mais acelerado do que as atividades de serviço e a
produção mais do que o consumo. Esse ajuste, todavia, não implica em desaceleração
no ritmo de crescimento do emprego, dado que a aceleração do PIB e seus efeitos
interindustriais devem mais do que compensar as mudanças nas proporções setoriais.

Um desdobramento do movimento de descolamento da taxa de crescimento do
emprego em relação ao PIB é que as regiões mais pobres têm apresentado ritmo bem
mais intenso de criação de emprego formal. O gráfico 2 mostra que, entre 2007 e
2012, o emprego formal no Nordeste cresceu 46%, média anual de 6,5%, enquanto o
crescimento do Brasil foi de 39%, média de 5,6%. Sergipe apresentou o segundo maior
crescimento do Nordeste, 53%, ou 7,3% ao ano, bem acima dos resultados médios da
região e do país.




*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.

Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
29/01
10:54

A presidente Dilma e Sergipe

Ricardo Lacerda*

No próximo dia 29 a presidente Dilma Rousseff fará a terceira visita a Sergipe investida na presidência da república, uma em cada ano do seu mandato, até agora.

É conhecida por todos a reduzida importância que a presidente confere ao rame-rame diário da política. Concentra seus interesses no encaminhamento de questões de vulto, que julga essenciais para colocar o Brasil em um patamar mais elevado de desenvolvimento econômico com justiça social.

Além de demonstração de carinho e respeito, as visitas da presidente denotam o compromisso com o desenvolvimento de Sergipe e a atenção com as questões mais estruturantes para o desenvolvimento social e econômico do país.

Forum dos governadores

Em sua primeira visita, no dia 21 de fevereiro de 2011, menos de dois meses após ser empossada, a presidente veio se apresentar ao conjunto de governadores da região Nordeste. O objetivo da reunião foi confirmar seus compromissos de campanha para a região, muito especialmente o de erradicação da pobreza extrema, que em mais de 50% se concentra no Nordeste.

Na ocasião, os governadores elaboraram a Carta da Barra dos Coqueiros, em que
registraram a demonstração do compromisso da presidente com a erradicação da
pobreza na região e com a continuidade do seu desenvolvimento econômico e social,
especialmente no semi-árido. Apresentaram na ocasião uma série de propostas visando
estreitar o amplo fosso da disparidade que separa as regiões do país.

Na essência, os governadores reconheceram os avanços substantivos no combate à
pobreza e o fortalecimento na base produtiva e de infraestrutura alcançados no governo
anterior. Reinvidicam, todavia, a ampliação desses investimentos para reduzir o
hiato de desenvolvimento da região, que persiste em todas as áreas, em especial em
infraestrutura, educação e ciência & tecnologia.

Carnalita e seca

Na segunda visita a Sergipe, no dia 24 de abril do ano passado, a pauta se concentrou
em dois pontos. A assinatura da renovação do contrato de arrendamento entre a
Petrobras e a Vale para a exploração da carnalita, um projeto fundamental para Sergipe
e para o Brasil. As disputas entre as companhias ameaçavam inviabilizar o projeto
que vai duplicar a produção de potássio, nutriente fundamental na composição de
fertilizantes, e que o país importa cerca de 90% de suas necessidades. A atuação da
presidente foi decisiva no equacionamento da disputa.

A presidente veio também tratar da seca, a mesma que assola a região nesse momento,
apresentando um conjunto muito amplo de ações emergenciais para atenuar a carência
de água para as pessoas e para dessedentação animal, suporte financeiro para as
famílias, concessão de garantia-safra. Também anunciou alguns projetos estruturantes
de construção de adutoras e de canais.

Investimentos e integração regional

No próximo dia 29, a presidente vem tratar de uma agenda essencialmente sergipana,
mas que se articula com as políticas de desenvolvimento para o Nordeste. A principal
motivação é a inauguração da Ponte Gilberto Amado, investimento de R$ 124 milhões,
resultado de parceria entre governo federal e o estado de Sergipe. Com extensão de
1.712 metros é considerada a maior ponte fluvial da região e promoverá a integração do
eixo turístico litorâneo entre a Bahia e Sergipe, etapa para futura integração do litoral
nordestino, desde Salvador até Recife. É uma obra estruturante para o desenvolvimento
do turismo regional.

A presidente prestigiará, também, o anúncio de importantes investimentos na indústria
de minerais não metálicos, incluindo a ampliação na produção de duas fábricas de
cimento instaladas em Sergipe, dos grupos Votorantim e Nassau, e a instalação de uma
nova unidade do grupo Brennand, originário de Pernambuco.

Com esses investimentos, Sergipe consolida sua liderança na produção regional de
cimento, atividade que vem sendo amplamente demandada pela expansão intensa da
construção civil em todo o país. Também será confirmado o investimento da indústria
Saint-Gobain, no município de Estância, para fabricação de vidros que atenderá a
crescente demanda da indústria regional de alimentos.

Em geral, as regiões mais pobres, como o Norte e Nordeste, têm se beneficiado da
distribuição espacial das políticas sociais e mesmo da distribuição espacial das novas
escolas técnicas e universidades federais, com importantes efeitos no potencial de
desenvolvimento regional.

O Nordeste também recebeu investimentos estruturantes, que estiveram ausentes
durantes algumas décadas de reduzido crescimento econômico. Mas ainda é muito
pouco. Muito insuficiente frente aos desafios de promover o desenvolvimento do
semiárido e reduzir as imensas disparidades regionais. A agenda de desenvolvimento
do Nordeste é complexa e o país carece de uma política nacional de desenvolvimento
regional robusta.

*Professor do Departamento de Economia da UFS e Assessor Econômico do Governo de Sergipe.

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