17/12
20:57

O Investimento e o consumo na saída da recessão

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Em 2018, não se pode esperar contribuições adicionais significativas da safra agrícola e do setor externo no crescimento do PIB. Consumo e investimentos, nessa ordem, deverão ser os principais componentes de aceleração do crescimento da economia.

O PIB brasileiro vem apresentando incremento desde o 1º trimestre e 2017, depois de completar oito trimestres consecutivos de queda. Além de lenta, a recuperação do nível de atividade da economia brasileira tem sido desigual, tanto em termos de setores de atividade, quanto no que se refere aos componentes da demanda. 

Agricultura, indústria de transformação e comércio e transporte vêm apresentando incrementos mais robustos, enquanto as atividades de governo, comunicação e informação, atividades financeiras e os serviços pessoais registraram evoluções menos favoráveis. Crítico mesmo tem sido o desempenho da construção civil. 

Do ponto de vista do dispêndio, o consumo das famílias e o setor externo foram os componentes que mais contribuíram para o crescimento no acumulado de três trimestres em 2017. O gasto público apresentou retração no período e os dispêndios com investimentos ainda não apresentaram retomada mais significativa.

Perspectivas 
Todavia, mais importante do que olhar para o retrovisor é buscar identificar quais serão os vetores de aceleração do crescimento da economia brasileira nos próximos trimestres.  

A expectativa é de que os impulsos gerados pela safra agrícola favorável em 2017, pelo impacto do crescimento das exportações sobre o nível de atividade de importantes cadeias produtivas e, principalmente, pela expansão gradual do poder de compra da população associada ao incremento da ocupação, deverão se disseminar progressivamente entre os vários setores de atividade, sem, contudo, significar que a retomada seja sustentável no médio prazo.  

O crescimento do consumo tem sido associado ao incremento gradual do poder de compra das famílias derivado do aumento da ocupação e da melhoria das condições de acesso ao crédito. No relatório da inflação de setembro último, antes da publicação do PIB do 3º trimestre, o Banco Central projetava expansão de 0,4% no consumo das famílias em 2017 e de 2,5% em 2018, indicando a continuidade do crescimento do componente nos próximos trimestres. 

Investimento
O investimento na economia brasileira iniciou sua trajetória declinante no último trimestre de 2013.  Aparentemente a queda foi estancada nos dois últimos trimestres, registrando-se variação de -0,1%, no 2º trimestre, e incremento de 1,6%, no 3º trimestre. Esses últimos resultados não chegaram a ser animadores. Esperava-se contribuição mais relevante dos investimentos na retomada da economia.  

O Relatório de Inflação de setembro do Banco Central projetava que a Formação Brutal de Capital Fixo (FBCF), mesmo crescendo no segundo semestre, fecharia o ano de 2017 com queda de 3,2%, depois de ter despencado 10,3% em 2016, e 13,9%, em 2015. Em relação ao final de 2013, o investimento do 3º trimestre de 2017 se situava 27,6% abaixo (ver Gráfico). Na mesma comparação, o consumo das família se entrava 4,1% abaixo. Para 2018, o relatório da inflação indica crescimento de 3% na FBCF, ritmo ainda muito baixo frente ao que se poderia esperar depois de retração tão acentuada nos últimos quatro anos. 

O crescimento de 2018, é possível inferir, deverá ter como impulso principal o crescimento do poder de compra das famílias, que finda gerando algum efeito positivo sobre os investimentos para responder a  estrangulamentos e oportunidades setoriais, dado que no agregado da economia o nível de ociosidade permanece muito elevado. Não se deve esperar, em 2018, que a safra agrícola e o setor externo voltem a contribuir significativamente no crescimento do PIB. Consumo e investimentos, nessa ordem, deverão ser os principais componentes de aceleração do crescimento da economia.

Parâmetros divulgados na semana passada pela Secretaria de Política Econômica (SPE), do Ministério da Fazenda, revê a projeção do crescimento do PIB de 2018 de 2% para 3%. E revela pelo menos dois dados elucidativos: o primeiro é que o retardo na redução dos juros nominais teria contribuído para reduzir o PIB de 2017 em 0,8%. Para 2018, a política monetária impulsionaria o PIB em 1%, enquanto a política fiscal seria neutra.  A estimativa da SPE é que o Hiato de Produto atual seria de 3%, mais um indicador de que, pelo lado da oferta, no agregado, há espaço para crescer sem investimento líquido. 

Fonte: IBGE.CNT

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
10/12
12:48

Examinando o crescimento de 0,1% do PIB no 3º trimestre de 2017

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

O governo central comemorou efusivamente, com a cumplicidade mais do que benevolente dos meios de comunicação, o terceiro crescimento sucessivo do PIB trimestral, mesmo tendo o resultado do 3º trimestre registrado aumento de apenas 0,1%, quase traço. 

O esforço publicitário na divulgação do resultado do PIB integrou a mobilização geral que se assiste nas últimas semanas pela derradeira tentativa do governo de votar a reforma da previdência ainda esse ano. Do ponto de vista do governo, é preciso convencer a população que a economia encontrou o rumo da retomada do crescimento e que a reforma previdenciária é etapa fundamental para consolidar o ajuste e assegurar que não haverá risco de reversão na recuperação econômica. A julgar pelas pesquisas de opinião, o público não demonstra muito entusiasmo, nem em relação à recuperação da economia, muito menos com a reforma previdenciária. 

Afinal, o crescimento de 0,1% no 3º trimestre foi bom ou foi ruim? Significou que a economia brasileira confirmou a retomada do crescimento ou revelou sua debilidade? A resposta mais razoável para tais questões é: depende das expectativas que cada um tem em relação ao que o crescimento econômico deve promover e da velocidade que a economia deveria se expandir para atender minimamente essas expectativas. Até me arriscaria avaliar que se o objetivo principal da retomada é proporcionar a recuperação de emprego e renda para a população e promover o reequilíbrio das finanças públicas, mesmo que em um horizonte de prazo bastante largo, poder-se-ia afirmar que o resultado do PIB é um copo ¼ cheio e ¾ vazios. 

Sustentabilidade e fragilidade
É importante registrar que o anúncio do PIB do 3º trimestre foi acompanhado pela revisão para cima dos resultados dos dois trimestres anteriores, de 1% para 1,3%, no 1º trimestre, e de 0,2% para 0,7%, no 2º trimestre.  Com isso, as projeções de crescimento para 2017 devem ser revistas levemente para cima. O Relatório de Mercado- Focus elevou de 0,73% para 0,89% a projeção do crescimento do PIB para 2017, sem impacto, todavia, no crescimento para 2018. 

Se a projeção anual foi revista levemente para cima, uma correção mais de caráter estatístico do que uma mudança de fundo na atividade econômica, os resultados trimestrais assinalam, sem sombra de dúvida, uma desaceleração na margem do ritmo de crescimento, de 1,3%, no 1º trimestre, para 0,7%, no 2º trimestre e, finalmente, de 0,1% no 3º trimestre. 

Alguns analistas questionaram se essa evolução não poria em dúvida a própria sustentabilidade da retomada do crescimento, que poderia ter sido associado nos dois primeiros trimestres a fatos extraordinários, não recorrentes; respectivamente o salto na produção agrícola, no 1º trimestre, e o impacto da liberação dos recursos do FGTS e do PIS sobre o consumo das famílias, no 2º trimestre e ainda com impacto no 3º trimestre. 

Ainda que esses efeitos tenham participado de fato com peso significativo nos resultados do PIB na primeira metade do ano, a abertura dos dados, tanto do lado da produção, quanto do lado do dispêndio, parece afastar essa preocupação de que a recuperação não venha se mostrar sustentável nos próximos trimestres, sem deixar de confirmar, por sua vez, que ela tem sido lenta e vacilante e que vai demorar muitos trimestres até que a população perceba melhorias mais robustas. Os congressistas estão conscientes disso. 

Produção
O Gráfico 1 apresenta a evolução dos PIBs trimestrais em relação aos trimestres imediatamente anteriores, já livre dos efeitos sazonais, segundo os setores e alguns subsetores  de atividade mais significativos.  

No 1º trimestre de 2017 foi a recuperação da produção agrícola, depois dos efeitos da estiagem no ano anterior, o principal fator do incremento do PIB, mas o início da recuperação da indústria de transformação, depois de anos de retração,  e o incremento do comércio também contribuíram. 

Depois do forte impulso no 1º trimestre, o setor agropecuário apresentou resultados negativos nos 2º e 3º trimestres, sem prejudicar o incremento anual que deverá ser superior a 10%. 

O incremento do PIB no 2º trimestre, pelo lado da oferta, foi explicado principalmente pela expansão das atividades comerciais e pelos subsetores de transporte e de outros serviços. O crescimento desse período pode ser parcialmente atribuído à expansão do poder de compra das famílias associado à liberação de mais de R$ 40 bilhões de recursos do FGTS.  

No 3º trimestre, indústria de transformação, comércio e, em menor grau, serviços puxaram para o crescimento da economia, enquanto o setor agropecuário empurrou para baixo. Assim, excluídos fatores muito específicos do setor agropecuário, muitas das mais importantes atividades econômicas apresentaram crescimento relativamente bom no 3º trimestre, permanecendo, todavia, a preocupação com a construção civil, que continua sem se mexer do lugar. 



Dispêndio
O exame dos componentes do dispêndio provê elementos adicionais para avaliar o comportamento do PIB em 2017. Como apresentado no Gráfico 2, o consumo da família apresentou incremento robusto tanto no 2º quanto no 3º trimestres, em parte por conta da redução da inflação e dos juros nominais, em parte por conta da liberação dos recursos do FGTS, em parte por conta do incremento da ocupação, mesmo com vínculos precários de trabalho. O consumo do governo tem se mantido em ligeira retração ao longo de todo ano. 

Um aspecto interessante é que o setor externo, que vinha contribuindo em termos líquidos para a expansão do PIB, deixou de fazê-lo no 3º trimestre, não porque  as exportações de bens e serviços tenham deixado de crescer, e sim porque o incremento do nível de atividade interna impulsionou a demanda bastante comprimida de bens para consumo das famílias e para a atividade das empresas. Os investimentos apresentaram evolução positiva, mas a partir de uma base de comparação muito rebaixada. 

Em resumo, do ponto de vista do dispêndio, os gastos do governo puxam o freio da economia, enquanto o consumo das famílias, em parte por conta do incremento da ocupação, em parte por conta dos juros mais baixos nas operações de crédito, põe alguma tração para cima.  A resultante das forças não poderia ser mesmo espetacular, mas é razoável supor que a recuperação, em ritmo lento e desigual setorialmente, tenha continuidade nos próximos trimestres. 




*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
26/11
14:42

Examinando a geração de 5.491 novos empregos em Sergipe no mês de outubro

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

O resultado de outubro foi surpreendentemente bom. Foram gerados 5.491 novos empregos com carteira assinada na economia sergipana. Nem os mais otimistas esperavam um saldo tão elevado na geração de empregos formais, mesmo considerando que o início da safra da cana no mês costume ter impacto forte na contratação da força de trabalho nas atividades de corte da cana e de produção de açúcar e etanol.

Há várias formas de indicar o quão positivo foi o resultado, seja em razão do volume de emprego total gerado, seja porque em outros setores de atividade o emprego formal interrompeu a queda e emite sinais de recuperação gradual na contratação: é a maior geração de emprego para o mês de outubro na série iniciada em 2003; e, desde julho de 2011, não coincidia de todos os oito setores de atividade do IBGE apresentarem saldo positivo na geração de emprego em Sergipe, mesmo que em alguns deles o número não tenha sido expressivo.

É óbvio que não é caso para euforia. A crise no mercado de trabalho é muito séria e vai demorar muito tempo antes que o emprego alcance o patamar anterior à crise. O objetivo do artigo é o de examinar o quanto de excepcional tem o resultado de outubro e o quanto ele pode estar sinalizando o inicio de uma recuperação gradual no mercado de trabalho estadual.

Saldo de emprego
O período de setembro a novembro costuma ser o de maior contratação no ano exatamente pelo inicio do corte e moagem da cana e pelo aquecimento da indústria e comércio com vistas ao atendimento ao incremento da demanda do período natalino. O volume de 5.491 novos vínculos certamente não se repetirá em novembro e em meses seguintes, mas parece haver evidências de que o nível de emprego não apenas deixou de cair na economia sergipana como deverá ocorrer uma recuperação gradual a partir de agora, mesmo que em meses específicos os saldos possam se apresentar negativos.
A tabela apresentada registra os saldos de emprego formal do CAGED do Ministério do Trabalho nos meses de outubro de 2015, 2016 e 2017, sem incluir os registros fora de prazo. Em todos os setores relevantes os resultados de outubro de 2017 são muito melhores do que os dos dois anos anteriores, refletindo a evolução do nível de atividade econômica.

É verdade que a maior parte da melhoria do emprego no mês se deveu a forte contratação no setor sucroalcooleiro, principal responsável pelos números mais robustos da indústria de transformação (açúcar e etanol) e na agropecuária, na lavoura canavieira (Ver Tabela). Mas os desempenhos dos demais setores também se mostraram melhores em outubro de 2017 em relação aos dois anos anteriores, notadamente nas atividades de comércio e de serviços.

Mesmo atividades que ainda não parecem ter saído da estagnação apresentaram sinais de que a a tendência de declínio se aproxima do fim, como a construção civil que passou de uma situação de cortar 668 empregos formais, em outubro de 2016, para um quadro de estabilidade em outubro de 2017, com saldo residual de 21 empregos (Ver Tabela). Há uma nítida mudança no quadro do mercado de trabalho em todos os segmentos relevantes, ainda que cada um deles esteja em estágio diferente de recuperação.

Cenário tendencial
No gráfico apresentado procura-se atenuar o caráter excepcional do resultado de outubro para tentar captar o cenário tendencial da geração de emprego a partir da comparação entre os trimestres móveis de 2016 e 2017. Saltam aos olhos três constatações.

A primeira é que os resultados dos trimestres móveis de 2017 são todos melhores do que seus equivalentes de 2016. A segunda evidência é que a partir de maio de 2017 os resultados trimestrais passam a melhorar significativamente, com registro de saldos positivos no trimestre encerrado em junho.

A terceira constatação é que o resultado de outubro foi parcialmente excepcional, diante do salto em relação aos trimestres anteriores, em parte pelo efeito do atraso da contratação do setor sucroalcooleiro de setembro para outubro, sobrecarregando o resultado desse último mês. E como complemento da constatação anterior, é possível inferir que há uma nítida tendência de recuperação do emprego em Sergipe, mas não com a velocidade que o resultado de outubro poderia sugerir.


*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
19/11
16:23

A atribulada retomada da ocupação

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

Os dados da PNADc do terceiro trimestre de 2017 confirmam que a ocupação da força de trabalho vem aumentando, mas o mercado de trabalho permanece muito fragilizado, devendo demorar muitos trimestres até que a taxa de desocupação se situe abaixo de 10%. Até o momento, não dá para falar ainda em copo meio cheio meio vazio. 

Surpreende a velocidade de transformação no mercado de trabalho brasileiro. Entre o segundo e o terceiro trimestres de 2017, um milhão de pessoas encontrou algum tipo de ocupação no Brasil. 

A recuperação da ocupação vem ocorrendo muito desbalanceada no que se refere à posição das pessoas no mercado de trabalho. Cerca de 2/3 das novas ocupações nessa comparação com o trimestre imediatamente anterior eram de pessoas que trabalhavam por conta própria (37,9%) ou em empregos no setor privado sem carteira assinada (27%).  

No trimestre, o emprego formal no setor privado recuou 2,4%, ou 31 mil vínculos, mas na maioria dos setores de atividade é razoável inferir que esse tipo de vínculo parece ter atingido ou estar próximo de chegar ao fundo do poço, com problemas concentrados em duas atividades: agropecuária e construção civil.

O principal fato novo no 3º trimestre foi o incremento da ocupação na construção civil, mas, aparentemente, o aspecto sazonal deve ter prevalecido, não havendo clareza que a ocupação no segmento vá começar a recuperar a partir de agora.

Posição na Ocupação
Ainda falta muito para que o mercado de trabalho reponha as ocupações perdidas e crie oportunidades para os novos contingentes de jovens que buscaram uma colocação no mercado de trabalho nos últimos três anos. A PNAD do terceiro trimestre constatou que 13 milhões de pessoas estavam desocupadas no Brasil, frente às 6,7 milhões de pessoas nessa situação no 3º trimestre de 2014.

Considerando apenas a reposição nas ocupações perdidas, há muito ainda a caminhar, com situações diversas de acordo com a posição na ocupação e do setor de atividade, como veremos nas tabelas a seguir. 

A coluna A da Tabela 1 mostra que 1.462 mil pessoas encontraram ocupações entre o 3º trimestre de 2017 e o mesmo período de 2016. Foi o primeiro resultado positivo nessa comparação anual. Em relação ao pico em 2014, a ocupação no 3º trimestre de 2017 é ainda inferior em 972 mil pessoas (Coluna C).
Observe-se que a redução do contingente de pessoas ocupadas no 3º trimestre atingiu seu ponto máximo em 2016, quando em relação a 2014 haviam sido eliminadas 2,4 milhões de ocupações. 

Em todos os sentidos, foi notável o esforço feito pela população brasileira para buscar alternativas de sobrevivência em uma economia em profunda recessão, mesmo que em posições precárias de ocupação, como trabalhador por conta própria ou aceitando vínculos empregatícios informais. 

O quadro do mercado de trabalho formal no 3º trimestre de 2017 permaneceu muito precário. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior (Coluna A da Tabela 1), o número de pessoas com emprego formal no setor privado havia recuado em 810 mil pessoas, o que é um contingente ainda muito expressivo. Na comparação com o volume de pessoas ocupadas no 3º trimestre de 2014 (Coluna C da Tabela 1), a quantidade de pessoas ocupadas com vínculo formal no setor privado havia decrescido em 3,6 milhões.

Parcela expressiva dessas pessoas buscou, nessa comparação, ocupação por conta própria (1,4 milhão de pessoas), emprego sem carteira (655 mil pessoas), como empregador ou em trabalho doméstico.

Ocupação setorial

A Tabela 2 mostra comparação similar do ponto de vista do setor de atividade. Na comparação com o mesmo trimestre de 2016 (Coluna A), apenas o setor agropecuário e a construção civil contavam com contingentes menores de pessoas ocupadas no 3º trimestre e 2017. 

Na comparação com o 3º trimestre de 2014, há perdas expressivas de ocupação em atividades muito importantes com destaque para a indústria de transformação, com menos 1,4 milhão de pessoas ocupadas, e a construção civil, menos 741 mil pessoas ocupadas, considerando tantos os vínculos formais quanto os informais.
Para onde essas pessoas se dirigiram em busca de alternativas de subsistência?  Na comparação com a situação de igual trimestre de 2014, para ocupações por conta própria, como empregados sem carteira, ou como empregadores; no segmento de alimentação e alojamento, no setor de transporte, no comércio, nos serviços domésticos e outros serviços e na administração pública.  

Os dados da PNADc do 3º trimestre de 2017 parecem sinalizar que a recuperação do mercado de trabalho deverá seguir desbalanceada em termos setoriais e de posições na ocupação. E que muita água deverá rolar até que o emprego formal possa voltar a crescer em ritmo intenso. 


*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
12/11
12:00

A questão do emprego e a reforma trabalhista


Presidente do TST Ives Gandra da Silva Martins Filho e Presidente da República Michel Temer. Foto Agencia Brasil/EBC

Ricardo Lacerda
Professor da Universidade Federal de Sergipe

O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, em entrevista na Folha de São Paulo na última segunda-feira, declarou ser preciso flexibilizar direitos sociais para haver emprego.

Além do inusitado da situação, de um presidente do TST defender a retirada de direitos da classe trabalhadora, a posição do ministro é questionável também do ponto de vista do seu fundamento, ou seja, de que a retirada de direitos tenha efeitos positivos sobre a geração de emprego, uma relação no mínimo controversa na teoria econômica.

A entrevista do Ministro antecedeu em uma semana a entrada em vigor da reforma trabalhista que “flexibilizou” direitos da classe trabalhadora, repassando para o âmbito da negociação contratual diversos dispositivos que atualmente são estabelecidos em lei.

Não detendo expertise no tema, o Ministro comprou, pelo preço que quis comprar, teses econômicas que respaldam a ideia intuitiva de que a redução dos custos da força de trabalho, coeteris paribus (tudo o mais permanecendo constante), como se diz nas aulas de introdução à economia, estimularia as empresas a aumentar a contratação de empregados.

Mas essa relação não é tão óbvia como faz acreditar o Ministro e repetem incansavelmente a mídia e os economistas alinhados.  E, sobretudo, ela não é neutra em termos dos efeitos sobre a repartição da riqueza nacional entre os vários segmentos da população.

Experiência europeia
Espanha, Grécia e outros países da Europa mediterrânea passaram por processos recentes de “flexibilização” das regras trabalhistas na sequência da eclosão da crise financeira internacional no continente sob patrocínio da tríade composta pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia (CE). O mundo acompanhou estarrecido a agonia e as ameaças explícitas para que os países debilitados economicamente se ajustassem ao preconizado por aqueles organismos internacionais.

Passados alguns anos do pico da longa e arrastada crise no continente europeu, os efeitos da flexibilização das relações de trabalho não podem ser exatamente comemorados, abrindo-se intenso debate sobre os baixos rendimentos dos novos empregos e sobre as consequências do alargamento das desigualdades de renda e da redução da coesão social.

Precarização do trabalho
O Fundo Monetário Internacional tem recomendado firmemente a flexibilização das relações de trabalho nos países ditos em desenvolvimento que sofreram fortes reveses quando o ciclo de valorização de commodities chegou ao fim, incluindo o Brasil. Mas não se pode dizer também que o FMI seja exatamente neutro em termos de repartição dos custos do ajuste na economia brasileira.

Instituições como a Organização Internacional do Trabalho (OIT) têm denunciado que a reforma trabalhista imposta a toque de caixa no Brasil, aproveitando-se de um momento de perplexidade provocada pela crise político-institucional, viola convenções internacionais e promove rebaixamento de direitos.

A geração de emprego
Além dos aspectos distributivos envolvidos em uma reforma desenhada para favorecer o lado mais forte da relação contratual, não é incontroverso que a redução dos “direitos sociais”, como involuntariamente reconheceu o ministro sob o propósito da reforma trabalhista, impulsione a geração de emprego.

Sem controvérsia na teoria econômica, certamente, é a relação direta entre o crescimento da atividade econômica e a geração de emprego, nessa direção funcional. Sem crescimento econômico é improvável a geração de mais empregos.

Portanto, a validade da tese enunciada pelo Ministro dependeria da comprovação de que a redução do custo do trabalho tenha impacto direto, ou mesmo indireto, sobre o crescimento econômico. Posto que o Ministro não demonstrou preocupação com fato de a reforma trabalhista ser socialmente injusta, vamos ao ponto da relação entre o custo do trabalho e a geração de emprego. A polêmica não é recente.

Nos acirrados debates dos anos trinta do século passado não faltaram propostas de redução salarial com o fito de animar as economias dos países ricos imersas na grande depressão mundial. Keynes se opôs frontalmente a esse enfoque e afirmou que, além de humilhante para a classe trabalhadora, a redução dos salários seria ineficaz para ativar a atividade econômica, que dependeria do fortalecimento da demanda que se encontrava anêmica.

Não é certamente por conta dos custos do trabalho e do “excesso” de direitos sociais que a economia brasileira se encontra prostrada, rodando em um patamar muito abaixo do produto potencial.

É sempre possível argumentar a favor dos supostos benefícios que a flexibilização nas relações trabalhistas poderia gerar em um cenário de transformações tecnológicas e institucionais na economia mundial, ou ainda que a reforma trabalhista concorreria para reduzir o custo unitário do trabalho, elevando a competitividade de nossa economia. Mas sabemos que não é exatamente disso, ou principalmente disso, que se está tratando.

A competitividade da economia brasileira não pode depender da fragilização no estado de bem estar social ainda muito incompleto. E a precarização das relações de trabalho é peça basilar de uma alternativa socialmente muito ruim que se desenha para o Brasil.

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
05/11
13:28

Meirelles aos trancos e barrancos

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

O debate sobre economia na grande mídia e nas redes sociais não é muito distinto dos enfrentamentos do mundo político, quando se pensa no grau de desfaçatez e de dissimulação que guarda. Se no ambiente acadêmico tende a se preservar certo rigor de argumentação e no tratamento dos dados, no embate cotidiano das opções de política econômica é comum se atropelar a lógica e apelar para repetições de argumentos com o intuito de atender expectativas e reforçar preconceitos, que muitas vezes apenas buscam defender interesses de segmentos específicos. Mesmos os canais ditos especializados no debate econômico não costumam fugir a esse padrão, apenas retocam a maquiagem com mais cuidado para evitar deixar as rugas muito aparentes. 

Do alto de suas poderosas plataformas, os especialistas massacram o público com repetições de argumentos que mesmo dissociados da realidade ganham estatura de verdades absolutas, sem chance para contrapontos. No momento, tais características se exacerbam no debate sobre a tibieza da retomada no curto prazo e o fôlego que poderá ter o crescimento da economia brasileira no longo prazo. 

O impulso da demanda
Nesse jogo de fingimento, repetiu-se à exaustão que o afastamento da Presidente eleita e os compromissos firmados no documento Uma Ponte para o Futuro de promover os valores de mercado e de buscar a sustentabilidade fiscal teriam o condão de provocar um choque de confiança que estancaria de imediato a queda do nível de atividade e em seguida impulsionaria o crescimento. 

Há um ano atrás propagava-se que o novo ciclo expansivo da economia seria comandado pelo investimento privado, que vinha despencando desde o 2º trimestre de 2014, posto que a baixíssima taxa de poupança vigente indicava que o papel do gastos das famílias no crescimento havia sido exaurido no ciclo de crescimento anterior baseado no populismo. 

A luta ideológica no debate econômico pode levar a proposições tão obscurantistas que os apologetas da fé de mercado nem mesmo distinguiam as tendências de longo prazo, nas quais inevitavelmente o consumo deverá perder peso no PIB brasileiro, até por uma questão óbvia de que em algum momento os investimentos deverão reagir com alguma intensidade, com o funcionamento dos mecanismos que no curto prazo estancariam a queda da demanda agregada. 

A argumentação cega nem mesmo reconhecia abertamente que estancar a queda no nível de atividade era uma questão de demanda e sem o impulso dela a retomada não se iniciaria, nem mesmo se asseguraria o crescimento de longo prazo (que obviamente requer a retomada no curto prazo), para o qual teriam que se somar outros aspectos que se relacionam de fato também com as forças de oferta. 

Pragmático
Nesse contexto pouco edificante, o ministro Meirelles é, sobretudo, um pragmático.  Adotou medidas, a exemplo do contingenciamento das despesas previstas no orçamento, para deter a rápida deterioração das contas públicas, e a edição da Lei do Teto dos gastos, a fim de sinalizar o compromisso com o ajuste fiscal, mesmo que em horizonte de tempo muito largo. Mas o Ministro tem consciência que tais medidas são pró-cíclicas, que operam no curto prazo no sentido de aprofundar a recessão, e que não existe na vida real nada parecido com uma “contração fiscal expansionista”, sem que, todavia, a desfaçatez vigente no debate público permita que ele assim as reconheça. 

Como o choque de confiança não produziu a esperada retomada dos investimentos que impulsionaria o crescimento da economia restou ao Ministro tirar coelhos da cartola para impedir que a continuidade da queda da renda disponível das famílias postergasse ainda por mais tempo o início da retomada do nível de atividade. 

Para atenuar a rigidez do orçamento, aos trancos e barrancos, Meirelles recorre a expedientes que permitem algum alívio para o gasto público. Do ano passado para cá, o Ministro contou com receitas extraordinárias (não recorrentes), como a tributação sobre os recursos repatriados e mais uma edição de Refis de dívidas tributárias e previdenciárias. Para 2018 postula a devolução de R$ 150 bilhões do BNDES para reforçar o caixa do tesouro. Reconhecendo o papel crucial do consumo na recuperação, impulsionou os gastos das famílias liberando recursos do FGTS e do PIS/PASEP. Todas medidas que procuram atenuar as restrições de demanda.

Meirelles se equilibra entre os objetivos de sustentabilidade fiscal de longo prazo e a necessidade de não restringir excessivamente a demanda no curto prazo. Faz isso com certa competência, mas os resultados, como não poderiam deixar de ser, têm sido relativamente minguados e a retomada do crescimento tem sido lenta e vacilante. Afastem-se, pois, as ilusões de uma retomada exuberante do crescimento do nível de atividade e de retorno robusto do emprego. Nossa via crucis está longe de terminar.  Meirelles revela-se assim o comandante hábil dessa travessia em direção a uma sociedade mais excludente e apartada; menos por convicção própria do que por ter se mostrado o caminho de menor resistência.

Foto de Edilson Rodrigue/ Agência Senado

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
29/10
21:40

O Voo da galinha

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe 

A retomada da economia brasileira em 2017 tem sido muito lenta e vacilante. A expectativa mais recente do mercado é que a economia brasileira deverá registrar crescimento de 0,7% em 2017, acelerando para 2,5% em 2018. 

O emprego formal vem registrando incremento desde o mês de abril e um número maior de atividades vem apresentando saldo positivo de contratação. Ainda assim, o ritmo de retorno da contratação de emprego formal é muito lento, cerca de 40 mil por mês, frente a um acúmulo de cerca de 3,5 milhões de vínculos perdidos entre outubro de 2014 e março de 2017, redução mensal superior a cem mil vínculos durante trinta longos meses. Portanto, fujamos da ilusão de que o mercado de trabalho vá aquecer rapidamente.  

Além de débil, a retomada do crescimento vem sendo vacilante, oscilando a cada mês entre setores e regiões, ainda que a tendência de crescimento se mantenha, mas não necessariamente de que a sua aceleração será crescente e sustentada. Passada a maior parcela do impacto da supersafra agrícola, concentrado no 1º trimestre no ano, o crescimento da economia tem sido puxado pelo incremento do consumo e pelo aumento das exportações em algumas atividades da indústria de transformação, com destaque para a indústria automobilística. 

Indústria, comércio e serviços
No mês de agosto, a produção industrial e os volumes de vendas do comércio varejista e da prestação de serviços recuaram, mas o registro mensal não foi suficientemente intenso para alterar o resultado no acumulado do trimestre. 

O volume de produção da indústria geral recuou 0,8% no mês, na série livre de efeitos sazonais. A queda na produção industrial foi determinada pela evolução negativa da indústria extrativa mineral, mas a indústria de transformação também registrou uma evolução desfavorável, com incremento zero em agosto, depois de quatro resultados mensais positivos. Ainda que a maioria dos subsetores de atividade da indústria de transformação tenha apresentado crescimento em agosto, eles foram inferiores aos resultados dos meses anteriores, na maior parte das atividades. 

O volume de vendas do comércio varejista recuou 1,4% em agosto, interrompendo três meses seguidos de incremento. O nível de atividade do comércio varejista permaneceu muito rebaixado e a retomada do crescimento do setor varejista demorou mais a se iniciar e tem sido mais lenta do que na indústria e nos serviços. 

Os dados trimestrais, apresentados no gráfico, são mais elucidativos para examinar a evolução recente e as perspectivas de retomada do crescimento.  Depois de desacelerar a taxa de crescimento na média móvel trimestral entre maio e julho, o Índice de Atividade do Banco Central (IBC-BR) voltou a apresentar certa intensificação no ritmo de crescimento no trimestre encerrado em agosto. 

O volume de produção da Indústria Geral, mesmo com o resultado adverso de agosto, cresceu 1,6% na comparação entre o trimestre junho-agosto em relação ao trimestre anterior (março-junho). O volume de vendas do setor de serviços também manteve sua tendência de retomada, ainda que o desempenho varie muito entre os subsetores que compõem a atividade. Bem mais tímida, atrasada e com elevada dispersão entre os seus subsetores, se encontra a retomada do crescimento do comércio varejista. 




Restrições
Mesmo que a retomada do crescimento da economia brasileira venha a ganhar velocidade nos próximos trimestres, em linha com as expectativas de mercado e com as projeções de governo e instituições multilaterais, a continuidade da aceleração da expansão se defronta com importantes restrições tanto no curto prazo quanto em uma perspectiva de horizonte mais largo. 

De forma mais imediata, a expansão da economia está limitada pelos constrangimentos ao incremento do poder de compra da população e encontra no contingenciamento do gasto público um vento contrário. 

Em um cenário de taxas de desemprego muito elevadas, acompanhadas por grau também acentuado de endividamento das famílias, o principal fator autônomo de expansão da demanda no curto prazo, os gastos das famílias, não deverá ter um comportamento exuberante, mesmo considerando os efeitos benéficos da redução das taxas de inflação e da queda dos juros nominais. 

Os demais impulsos autônomos do gasto, o incremento das exportações e a expansão da safra agrícola têm impactos não recorrentes, não devendo repercutir nos futuros resultados. 

Em contraste, contarão negativamente para evolução do nível de atividade os impactos da elevação nas tarifas de energia sobre a renda disponível das famílias e sobre os custos de produção, em decorrência dos baixos níveis em que se encontram os reservatórios das hidrelétricas, e a restrição absoluta ao incremento do dispêndio público pela chamada Lei do Teto dos Gastos. Penso que já não sobrevivem as ilusões em relação a uma retomada do crescimento impulsionado pela expansão dos investimentos privados. 

Passada uma etapa inicial, relativamente extensa no tempo, diante da dimensão da queda do nível de atividade, em que o crescimento irá paulatinamente ocupando a ociosidade da força de trabalho e da capacidade instalada, a continuidade da expansão vai depender de investimentos na ampliação de infraestrutura produtiva e no reposicionamento de nossa economia diante das transformações da economia mundial, para atenuar o risco, bastante elevado, de que a retomada de curto prazo não vá além de um voo de galinha. A desestruturação do aparelho estatal certamente não irá favorecer nossas possibilidades de desenvolvimento. 

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
15/10
15:40

A supersafra de grãos do Nordeste em 2017

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe 

Frente ao regime de chuvas mais favorável em 2017, a safra de cereais, grãos e oleaginosas da região Nordeste deve saltar, segundo o Levantamento Sistemática da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE, de 9,6 milhões de toneladas, em 2016, para 18,0 milhões de toneladas, um incremento de 87,1%. 
É importante registrar que, se a produção de cereais, grãos e oleaginosas registrou recuperação exuberante na corrente safra, a produção da cana-de-açúcar, cultura de grande peso na geração de emprego e na formação da renda agrícola na região, continua deprimida; recuou 4,8% em 2017 e deve se situar 29,1% abaixo do volume recorde recente, em 2011. 

Diferentemente das culturas do primeiro grupo, as dificuldades recentes da cana-de-açúcar não se referem principalmente à questão climática e sim a problemas de endividamento financeiro dos principais grupos empresariais do setor.

Ainda assim, mesmo com as dificuldades do setor sucroalcooleiro, a supersafra de grãos da região Nordeste deverá ter um impacto muito importante no PIB e na ocupação da região. O Boletim Regional do Banco Central de julho estimou que a supersafra de grãos do Nordeste deverá ter um impacto de 2,8 pontos percentuais sobre o PIB nordestino de 2017. 

 
Estados e culturas
 A recuperação da safra na comparação com o ano anterior abrangeu todos os estados da região e todas as principais culturas, mas variou significativamente de um estado para o outro, como também se mostrou muito diferenciada entre as culturas. Para alguns estados, a safra de 2017 significou a plena retomada da produção agrícola; para outros, todavia, a recuperação foi muito parcial, se situando muito abaixo do pico anterior à estiagem. 

Entre os principais estados produtores de cereais, grãos e oleaginosas da região, a retomada na produção foi mais acentuada em Sergipe (385,6%), Ceará (201,6%), Piauí (179,8%) e Maranhão (104,6%) e foi bem menos acentuada na Bahia (43,3%),  conforme é possível examinar na tabela.   




Estados
Apesar da forte recuperação da safra em 2017, a longa faixa do território nordestino, entre os estados entre Ceará e Pernambuco, ainda mantém as produções de cereais, grãos e oleaginosas muito rebaixadas em relação ao pico anterior.  

É importante registrar que para a Bahia, Piauí e Maranhão, os principais grãos,cereais e oleaginosas em termos de área cultivada e valor da produção são soja e milho. Do Ceará a Alagoas, milho e feijão disputam a hegemonia do cultivo no semiárido, enquanto em Sergipe o cultivo do milho lidera com ampla vantagem. 

Essa informação é relevante porque a safra de milho prevista para 2017 para o Nordeste é a segunda maior da série histórica (inferior apenas a de 2014), e a soja será a maior já conhecida, enquanto a produção prevista de feijão será ainda 30,9% inferior à maior safra, verificada em 2006, antes do início da estiagem que assola a região por quase uma década. 

Os estados entre Ceará e Pernambuco também não recuperaram a produção de milho em relação ao ano pico (ver Gráfico).  No caso do Ceará, a safra de milho de 2017, apesar do forte incremento em relação a 2016, é ainda 57,3% inferior a do melhor ano, percentual que atinge 83,6% de queda no caso do Rio Grande do Norte, 76,2% na Paraíba, e 68,8% em Pernambuco. 

Em síntese, é possível concluir que a supersafra de cereais, grãos e oleaginosas da região Nordeste concentrou-se na produção de soja e de milho. Mesmo com o cultivo de feijão tendo um incremento de produção de 138% em relação ao ano anterior, há ainda uma defasagem ampla em relação ao ano de 2006.  A outra conclusão, também de grande significado, é que o cultivo de cereais, grãos e oleaginosas ainda encontra-se muito rebaixado nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco. Onde uma recuperação foi de fato robusta foi no Maranhão, Piauí e Sergipe. 

No caso da Bahia, a safra de 2017 registrou recuperação muito robusta, mas de forma desequilibrada, muito intensa na soja e no Oeste Baiano, e ausente no cultivo do milho e no Nordeste Baiano. No caso de Alagoas, a produção de grãos, apesar de importante para o semiárido, tem peso menor no PIB agrícola do estado.



*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
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