27/05
13:21

Estamos sentados em um paiol de pólvora?

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe
 
Sim e não. Há sim uma insatisfação generalizada entre a população pobre e uma grande frustração da classe média que apoiou o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Mas a probabilidade que o atual cenário de desalento conforme um quadro de convulsão social de grandes proporções ou que ocorram manifestações gigantes de rua, como em 2013 e em 2016 (tipicamente mobilizações de classe média) ainda é relativamente baixa. 
 
A greve dos caminheiros, com o suporte de locaute das transportadoras, paralisou, em um pouco mais de 24 horas, o país de Norte a Sul. O impacto sobre o suprimento de combustíveis, de alimentos e de componentes para as linhas de produção de atividades industriais foi quase que imediato. Direta e indiretamente todos os principais modais de transporte foram afetados; seja por conta da falta de combustíveis, seja por dificuldade de acesso, a operação de portos, aeroportos e rodovias foi prejudicada. Nos centros urbanos, as redes de postos de combustíveis, supermercados e centrais de abastecimentos não tardaram a ser afetadas por problemas de suprimento.
 
A possibilidade de desabastecimento, mais do que o desabastecimento em si, não chegou a provocar pânico, mas gerou um frenesi que se alastrou feito pólvora, em uma velocidade espantosa, mobilizando a atenção de toda a população. Apesar dos constrangimentos e desconfortos causados, a maioria da população, aparentemente, foi simpática à paralisação, como se os protestos dos caminhoneiros em relação às seguidas elevações nos preços do diesel traduzissem a insatisfação generalizada da população, que foi amplificada nas últimas semanas em razão dos aumentos quase diários nos preços da gasolina. Pairou um sentimento de catarse coletiva, como que cristalizando a insatisfação generalizada com os rumos do país. 
 
Onda de insatisfação
Sob certo sentido, havia uma percepção de que uma onda de insatisfação com a crise econômica, com tudo que ela vem representando de desemprego e perdas de rendimento, com milhões de famílias sem alternativas de renda, poderia estourar a qualquer momento, para além da espiral de violência urbana que presenciamos. Nem o mais desavisado dos cidadãos deixou de perceber que as ruas das cidades médias e grandes se encheram nos últimos dois anos de biscateiros, de vendedores de balas, frutas e legumes e de malabaristas e flanelinhas nos semáforos. 
 
Ainda que improvável, a onda de insatisfações poderia ter surgido como convulsão social, brotada por meio de saques a supermercados e feiras livres, invasões em massa de prédios abandonados ou imolações públicas, a exemplo do que aconteceu na Tunísia em 2011, ainda que essa última não seja uma modalidade de protesto encontrada no hemisfério ocidental. Ou por meio de ações de setores mais estruturados, como greves gerais de trabalhadores ou, como se deu, a partir de paralisação dos caminhoneiros e transportadoras. Ou ainda, por meio de nova rodada de manifestações de rua. 
 
Não dá nem mesmo para afirmar que a mobilização dos caminhoneiros antecipe ou vá se desdobrar em outros movimentos de reinvindicação ou de protesto, mas a alma dos brasileiros está plena de insatisfações, ainda que não pareça que esteja pronta para explodir como um barril de pólvora.
 
Juros, câmbio, óleo e eleições 
Em um cenário de penúria e desalento da população pobre e de frustração e de queda do poder de compra de amplas parcelas da classe média, por um período que já se estende por mais de três anos, novos fatores negativos estão se sobrepondo e podem ser sintetizados em quatro elementos básicos: juros, câmbio, preço do barril de petróleo e instabilidade política interna. 
 
A expectativa de elevação da taxa de juros básicas dos EUA provocou desvalorização generalizada das moedas dos países periféricos e pôs em perspectiva dificuldades crescentes para as economias desses países se financiarem externamente. Desvalorização cambial e elevação dos juros externos impactam diretamente o endividamento em dólar de empresas brasileiras e podem gerar algum impacto sobre os preços internos, ainda que a recessão venha cuidando de manter os preços bem comportados. 
 
Brent
A cotação do barril de petróleo vem em uma espiral ascendente desde maio do ano passado por conta de acordo entre alguns dos principais países fornecedores para limitar a oferta mundial. Mais recentemente, a ameaça de que os EUA rompa unilateralmente o acordo internacional de controle do programa nuclear do Irã, o que pode alijar a oferta desse país do mercado, trouxe novo impulso aos preços, de forma que a cotação do barril do brent esteja se aproximando celeremente de US$ 80. 
 
Diante da política de preços adotada pela Petrobras de repassar imediatamente para os preços as variações da cotação do produto no mercado internacional corrigidas em reais pelas oscilações diárias do câmbio, o preço médio da gasolina ao consumidor subiu algo em torno de 18% desde julho de 2017. Quando, recentemente, o preço do litro de gasolina na bomba ultrapassou cinco reais em algumas cidades o sinal de alerta acendeu, patenteando que algo não ia bem com uma politica de preço que implica remarcações para cima quase diárias.
 
A nova política da Petrobras para os preços dos derivados de petróleo talvez não se sustente por muito tempo. Assim como o controle político do preço trouxe diversos prejuízos à empresa e consequências duras para o país, a modalidade de liberação adotada, acoplando os preços internos de forma imediata e sem mediação aos preços internacionais corrigidos pelo câmbio causa forte instabilidade e imprevisibilidade. Ficou patenteado que o sistema adotado pela Petrobras não se adequa à realidade de um país sujeito a fortes oscilações no câmbio.  
 
Finalmente a forte e prolongada crise política interna, que a permanência do ex-presidente Lula na prisão somente agrava, é o ultimo e talvez o mais importante, ingrediente do cenário de instabilidade que toma conta do país.

 
Extraído de https://br.investing.com/commodities/brent-oil-historical-data
 
*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
13/05
11:26

Nova quadra de dificuldades pela frente

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

O humor em relação às perspectivas de aceleração da velocidade de recuperação da economia brasileira definitivamente azedou nas duas últimas semanas. O estopim foi a desvalorização generalizada das moedas das economias ditas emergentes, como desdobramento da mais recente elevação das taxas de juros da economia norte-americana (em 21 de março), indicando que o fim progressivo, mas há muito tempo anunciado, do longo período de manutenção de juros em níveis extremamente baixos nos países centrais finalmente chegou. 

A perspectiva de aceleração do ciclo de altas dos juros dos títulos do tesouro norte-americano, tão esperada quanto temida, pode ter se iniciado antes que a recuperação da economia brasileira ter ganho músculos suficientes para atingir velocidade de cruzeiro e assegurar sua irreversibilidade. Para as economias emergentes, as consequências mais imediatas da normalização da política monetária nos países centrais, depois de um longo período de taxas excepcionalmente baixas, são a desvalorização cambial, a elevação do custo de captação e menor facilidade de acesso a recursos externos. 

A turbulência causada pela crise cambial na economia argentina fez acender o sinal de alerta. O governo brasileiro, por deve de ofício, assegura que o risco de crise argentina contaminar o Brasil é pequeno., mas paira um clima de incerteza sobre os seus próximos desdobramentos e será necessário aguardar as próximas semanas para avaliar com mais acuidade as implicações do novo cenário externo.

Perspectivas
Algumas análises são francamente negativas, como a apresentada pelos economistas Gilberto Borça Jr. e Letícia Magalhães, em artigo publicado no último dia dez no jornal Valor Econômico. Os articulistas listam os seis fatores decisivos que explicariam porque o crescimento da economia brasileira não teria engrenado nesse início de 2018, depois do otimismo gerado pela aceleração do nível de atividade no segundo semestre de 2017: os níveis de incerteza, apesar de terem recuado em 2017, permanecem muito elevados, inclusive por conta da imprevisibilidade do quadro político-eleitoral; as taxas de juros de longo prazo mantiveram-se elevadas, mesmo diante da forte queda nos juros de curto prazo; o custo do dinheiro para o tomador final continua excessivamente elevado, restringindo a expansão do crédito; e, a recuperação da construção civil, com todo o peso que tem a cadeia produtiva na geração de emprego e renda, encontra-se muito atrasada em relação aos demais setores da economia. 

Os outros dois fatores são: o processo de desalavancagem financeira das empresas está sendo muito lento, limitando a recuperação dos investimentos; e, finalmente, a intensa depreciação do câmbio nas últimas semanas, relacionada às já citadas mudanças na politica monetária norte-americana. 

Os autores se mostram muito pessimistas sobre as perspectivas de retomada mais forte da economia brasileira e se arriscam a concluir que “o comportamento da taxa de câmbio joga, de forma quase definitiva, uma pá de cal na já incipiente recuperação da economia. Embora um câmbio mais depreciado estimule as exportações líquidas, seu efeito tende a ser contracionista para a atividade econômica no curto prazo.”

Reynaldo Rubens Ferreira Júnior, professor de macroeconomia do curso de mestrado da Universidade Federal de Alagoas, consultado, destaca quatro fatores que deverão tornar mais anêmico do que previsto anteriormente o crescimento da economia brasileira em 2018: incerteza no cenário político interno; elevação dos juros nos EUA; efeito da crise argentina sobre as nossas exportações; e a pressão da desvalorização cambial sobre o grau de endividamento já muito elevado de empresas brasileiras. E lembra que algumas consultorias que apostavam em crescimento próximo de 3% para 2018 já estão revendo as projeções para taxas inferiores a 2%.

As perspectivas para o crescimento da economia argentina são ainda piores, com previsões de queda do PIB em 2018 e recuperação modesta em 2019. Frente à recessão e a pressão para atenuar a crise cambial no país vizinho, as exportações brasileiras para aquele destino poderão sofrer um importante revés.

Exportações
A Argentina é o terceiro maior destino das exportações brasileiras, depois da China e dos Estados Unidos. As vendas externas para aquele país atingiram US$ 17,6 bilhões em 2017, equivalente a 8,1% do total de nossas exportações, mas representaram 12,9% do incremento em relação ao ano anterior (ver Gráfico). 

Para alguns produtos, como automóveis, o mercado argentino é crucial. As vendas externas de automóveis para o mercado argentino, entre janeiro e abril de 2018, representaram 78,7% do total do bem, ou seja, quase oito em cada dez automóveis exportados tiveram como destino a Argentina. Caso se confirme uma retração acentuada das importações argentinas, algumas atividades internas poderão ser muito impactadas. 

Ainda assim, o fator comercial talvez não venha a ser o principal impacto da crise argentina sobre a nossa economia, caso a instabilidade econômica fuja do controle, o que não parece ser o caso, por conta do pronto socorro do Fundo Monetário Internacional. Nova quadra de dificuldades se afigura para a recuperação da economia brasileira. Ao fim das contas, o caminho do crescimento do PIB e da melhoria do mercado de trabalho pode se apresentar mais lento e árduo do que antevisto anteriormente.


*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
05/05
11:33

Turbulências externas e desemprego restringem a recuperação

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

A expectativa de mercado para o crescimento do PIB de 2018 subiu seguidamente entre o início de fevereiro até a penúltima semana de março; desde então ela entrou em trajetória descendente, com a projeção mais recente (de 27 de abril) retornando ao patamar de meados de fevereiro (ver Gráfico 1). As estimativas para a produção industrial e para o nível de atividade do setor de serviços, ainda que indiquem continuidade do crescimento, vem sendo revistas para baixo.

Não foi um declínio assombroso, mas a reversão de trajetória revela frustração em relação às perspectivas anteriores de melhoria sustentada no ambiente político, econômico e social no futuro próximo. Pode ser uma percepção momentânea, que venha a ser revertida nas próximas semanas, mas não é fora de propósito afirmar que ela pode se cristalizar em um final de ano melancólico.






Sim, é verdade que, em parte, as revisões para baixo no crescimento do PIB representam ajustes em expectativas anteriores demasiadamente otimistas; mas, em grande parte, elas respondem também aos seguidos resultados aquém do esperado das pesquisas setoriais ao longo dos três primeiros meses do ano e da ausência de reanimação do mercado de trabalho, consolidando a sensação de desalento em relação às possibilidades de melhoria do quadro social.
É prematuro concluir que a recuperação do nível de atividade da economia brasileira vai entrar em banho-maria, mas acontecimentos externos e internos nas duas últimas semanas somente concorreram para deprimir as expectativas.

Em artigo publicado no dia 03 de maio no portal Poder360, o jornalista Alon Feuerwerker fez, em nosso entendimento, a melhor síntese do momento econômico e político, quando pespegou o título magistral “Ortodoxos de mau humor, um sintoma de que as coisas não vão bem”, para assinalar que a frustração com a retomada do crescimento em bases mais firmes pôs em cheque o projeto político da ortodoxia liberal.

Turbulências
Ingredientes externos recentes, com as turbulências provocadas pelas perspectivas de aceleração na elevação dos juros dos títulos do tesouro norte-americano, a imposição de quotas de exportações do aço pela administração Trump e os sinais de crise cambial na vizinha Argentina poderão induzir nas próximas a novas revisões para baixo na estimativa do crescimento do PIB brasileiro para 2018.

Firmando-se o crescimento da economia da norte-americana, acompanhado pelas perspectivas de incrementos nas taxas de juros internacionais, o capital externo deverá se tornar mais avesso ao risco, exigindo prêmios mais elevados para continuar fluindo para os países emergentes, com consequências ainda não bem dimensionadas sobre o comportamento do PIB e dos preços internos.

Não menos importante tem sido a sensação de que o país perdeu o prumo: a plataforma de transição apresentada no documento Uma Ponte para o Futuro pouco resultados alcançou; o governo central se encontra imobilizado com as denúncias de corrupção; e a crise social se agravou.

Mercado de trabalho
Após seis trimestres de crescimento do PIB, a contar do último trimestre de 2016, a taxa de desocupação no Brasil no trimestre janeiro-março manteve-se em patamares alarmantes (13,1%), redução quase imperceptível em relação aos 13,7% do mesmo trimestre de 2017.

Ainda que a ocupação total tenha aumentado em 1,6 milhão de pessoas nessa comparação, o emprego formal no setor privado não vem reagindo. Pelo contrário, o contingente de pessoas ocupadas com carteira de trabalho no setor privado encolheu em 493 mil na comparação entre os primeiros trimestres de 2017 e de 2018 (ver Gráfico 2). É especialmente preocupante que a desaceleração do ritmo de queda desse vínculo tem sido muito lenta, indicando que ainda poderá demorar alguns trimestres até que o emprego de melhor qualidade volte a crescer.

Como sintoma adicional da fragilização do mercado de trabalho, os dados do Cadastro de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, que registra as movimentações nos vínculos celetistas, apontaram que o contingente de empregados formais somente vem crescendo nas faixas salariais mais baixas, de até 1,5 salários mínimos, enquanto continuam se retraindo nas faixas médias e altas.




*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
22/04
14:41

A recuperação econômica esfriou no 1º trimestre de 2018?

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

A publicação dos principais indicadores de evolução da atividade econômica trouxe preocupação sobre os riscos de que a retomada da economia brasileira tenha esfriado nesse início de 2018. Os desempenhos ruins de atividades setoriais nos dois primeiros meses do ano parecem mesmo sinalizar uma atenuação do crescimento que se apresentava com perspectivas mais robustas no segundo semestre de 2017. As consultorias especializadas se apressaram para rever para baixo as projeções para o crescimento do PIB de 2018, mas a mediana das estimativas permaneceu relativamente alta, de 2,76%, para 2018, mantendo-se a taxa de 3% para 2019. 

Os dados sobre a evolução do mercado de trabalho têm se apresentado relativamente piores do que os de volumes de atividade setoriais, com a continuidade da queda no contingente de pessoas ocupadas com vínculos formais (nos resultados da Pnad Contínua) e a desaceleração de certa intensidade na expansão dos vínculos informais.  

A retração do ritmo de crescimento do nível de atividade fez acender o sinal de alerta sobre a possibilidade, mesmo relativamente remota, de que a retomada da economia se revele muito mais frágil do que a prevista anteriormente. Ainda mais quando aumentaram a instabilidade e a imprevisibilidade do cenário político interno e, no cenário externo, apesar de o ritmo de crescimento econômico se manter robusto, o ambiente político apresentou forte deterioração e a espiral do protecionismo ensaia seus primeiros episódios. 

Voo de galinha
Para os analistas menos otimistas, parte expressiva do crescimento de 2017 foi causada por fatores não recorrentes, que não deverão se repetir em 2018 e anos seguintes, como a liberação de recursos do FGTS e os fortes incrementos da produção agrícola e das vendas externas. 

A continuidade do crescimento da economia brasileira em 2018 estaria basicamente assentada na expansão do consumo, mas a continuidade do incremento desse componente da demanda estaria sob risco.  Diante do súbito esfriamento do mercado de trabalho, a sustentação no ritmo de incremento do consumo, e assim, do conjunto da economia brasileira, estaria à mercê dos impactos da redução dos juros nominais, impulso quase solitário sobre o nível de atividade nesse momento. 

Moderação
A perspectiva mais pessimista sobre a evolução de nossa economia não é a dominante, pelo menos não é ainda. A avaliação mais aceita até o momento é de que a desaceleração na evolução dos indicadores nos meses de janeiro e fevereiro pode simplesmente refletir uma correção em relação aos resultados acima dos esperados no período imediatamente anterior e que o ritmo do crescimento tendencial nem é aquele mais elevado do final do ano passado, nem tampouco a quase estagnação desse início de 2018. Nessa perspectiva, deverá prevalecer um resultado intermediário. Somente os resultados setoriais dos próximos meses deverão esclarecer qual o cenário que deverá prevalecer. 

Indústria, serviços e varejo
No acumulado de janeiro e fevereiro, a produção física da indústria de transformação recuou 2,6%, em relação a dezembro de 2017, e as atividades de serviços recuaram 3,29%. Mesmo os índices de confiança setoriais sobre o futuro passaram a apresentar maiores oscilações. O volume de vendas no varejo, até o momento, manteve nesse início de ano a trajetória de crescimento. 

No acumulado de janeiro e fevereiro, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central do Banco Central (IBC-BR) recuou 0,56%, em relação dezembro de 2017. A linha continua dupla no Gráfico mostra a evolução do IBC-BR no acumulado de dois meses, na série livre de efeitos sazonais. Nessa série fica evidente a desaceleração do ritmo de crescimento em janeiro e fevereiro, depois da aceleração entre outubro e dezembro de 2017. A linha pontilhada mostra a comparação com os mesmo bimestres do ano anterior: depois de acelerar até outubro de 2017, o IBC-BR manteve até janeiro taxas de crescimento em patamar superior a 2%, e em fevereiro recuou para 1,8%. 

Finalmente a linha contínua simples apresenta uma perspectiva de prazo mais largo, com a taxa do crescimento acumulado em doze meses, em comparação aos dozes meses anteriores. Nessa série, há claros sinais de que o ritmo de aceleração de crescimento perdeu ímpeto nos últimos resultados, mas se mantém relativamente elevado. 

Em síntese, constatou-se um esfriamento do crescimento do nível de atividade econômica nesse início de 2018. Aparentemente, houve uma correção em relação ao crescimento mais robusto do último trimestre de 2017; mas pode não ter sido apenas isso. 



*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
15/04
16:56

Renda média caiu em 2017 e mais 1,5 milhão de pessoas ingressaram na situação de miséria

Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

A continuidade do enfraquecimento do mercado de trabalho em 2017, com a queda do emprego formal e o incremento de vínculos precários, impactou os rendimentos da população; a renda média do brasileiro caiu e a miséria aumentou. 

O IBGE publicou na semana passada os resultados de 2017 da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio Contínua- PNADC referentes aos rendimentos da população. A pesquisa mostrou, entre outras coisas, que a renda entre os mais pobres caiu bem mais do que entre as pessoas mais ricas. 

Em termos regionais, o Nordeste e o Sudeste foram as áreas mais atingidas pela crise no mercado de trabalho; a primeira região por ter sido a única em que o contingente de pessoas que obtinham rendimento com trabalho caiu na comparação com o ano anterior; a segunda pelos efeitos mais acentuados da precarização dos vínculos de trabalho, com a substituição do emprego formal por formas precárias de inserção no mercado de trabalho, que fizeram com que fosse a única região cujos rendimentos médios das pessoas que estavam ocupadas tivessem recuado. Nordeste e Sudeste também foram as regiões em que as quedas do rendimento do trabalho das pessoas de rendas mais baixas foram mais acentuadas do que a média do país. 

A queda de renda nos estratos de mais baixos rendimentos provocou uma nova leva de pessoas que ficaram abaixo da linha demarcatória de pobreza extrema. Segundo estimativa da empresa de consultoria LCA, mais 1,5 milhão de pessoas no Brasil engrossaram o contingente de pessoas em situação de pobreza extrema. 

Ocupação e rendimentos
Em 2017, trezentos e dez mil pessoas deixaram de ter rendimentos do trabalho no Brasil. O número de pessoas que obtiveram rendimento do trabalho registrou queda acentuada no Nordeste, incremento residual no Sudeste e Sul e aumentos um pouco mais expressivos no Centro-Oeste e Norte. Enquanto no Nordeste o contingente de pessoas com rendimento do trabalho se retraiu em 448 mil pessoas, a região Sudeste registrou aumento em 4 mil pessoas e a região Sul, em 8 mil pessoas; o Norte agregou mais 20 mil pessoas com rendimentos do trabalho e o Centro-Oeste, mais 107 mil pessoas.

O rendimento médio real mensal do trabalho no Brasil, em 2017, se retraiu 1,4%, passando de R$ 2.268,00, no ano anterior, para R$ 2.237,00 (Ver Gráfico 1).  A região Nordeste manteve-se como a de menor rendimento médio (70,2% da média nacional), enquanto a região Sul (114,7% da média nacional) substituiu a região Sudeste como a de rendimento de trabalho mais elevado.

Segunda a pesquisa, o Sudeste foi a única região que registrou queda do rendimento médio do trabalho e também da massa de rendimento. O Sudeste apresentou, em 2017, queda do rendimento mensal em todas as classes de percentual de rendimento, retrações que foram mais acentuadas nos estratos de renda extremos, os mais baixos e os mais altos, e menos acentuadas nos estratos intermediários. O comportamento dos rendimentos da região Sudeste divergiu de todas as demais regiões brasileiras, cujas quedas se concentraram nas classes de percentuais de renda mais baixos.




Pobreza extrema
A partir dos dados da PNADC, a consultoria LCA estimou que o número de brasileiros que se encontram abaixo da linha da pobreza extrema aumentou 11,2% em 2017, adotando-se a linha de corte do Banco Mundial para países de nível médio-alto desenvolvimento de US$ 1,90 de renda domiciliar per capita por dia, corrigida pela paridade de poder de compra. Mais um milhão, quatrocentos e noventa mil brasileiros passaram a ter rendimentos inferior a esse limite. Aumento tão expressivo do contingente de pessoas nessa situação, quando o rendimento médio real de todas as fontes declinou tão somente 0,6%, reflete principalmente a queda muito mais acentuada dos rendimentos das faixas mais pobres da população. 

Em termos regionais, os maiores contingentes de pessoas que ingressaram na pobreza extrema em 2017 residiam no Nordeste (mais 800 mil pessoas) e no Sudeste (mais 400 mil pessoas), mas em todas as regiões a pobreza extrema se expandiu (Ver Gráfico 2).


*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
08/04
14:47

Rio de Janeiro e vínculos precários retardam a recuperação do emprego formal no Sudeste

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

A região Sudeste, a mais industrializada do país, é também a que vem apresentando nos últimos doze meses a maior discrepância entre os comportamentos do emprego formal e do emprego informal. Na comparação entre os quatro trimestres de 2017 e os de 2016, a ocupação total naquela região apresentou incremento de 1%, enquanto o pessoal ocupado no setor privado com carteira de trabalho assinada recuou em 2,8%, portanto, 3,8 pontos percentuais de diferença entre as evoluções dos dois agregados.

Se a situação do mercado de trabalho no Nordeste foi a que mais se deteriorou no período, pois, além de apresentar a queda mais acentuada no emprego formal, foi a única região em que a ocupação total caiu nessa comparação, na região Sudeste as evoluções da ocupação formal e da informal registraram as divergências mais acentuadas.

Empregos celetistas
Para dados mais recentes é necessário recorrer ao Cadastro de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho. Nos doze meses concluídos em fevereiro de 2018, vinte das vinte e sete unidades da federação registraram saldo positivo na geração de empregos regidos pela CLT. Entre as cinco regiões, apenas o Sudeste apresentou retração no estoque do emprego formal celetista.

Nessa série acumulada em doze meses, o emprego formal no conjunto do país somente passou a apresentar saldo positivo no último mês de janeiro, mas os resultados são muito diferentes entre as regiões. O Centro-Oeste vem apresentando incremento no estoque de emprego, na soma de doze meses, desde agosto de 2017; a região Sul, desde novembro; o Norte, desde dezembro; a região Nordeste, somente a partir de janeiro do corrente ano. No Sudeste, o acumulado até fevereiro ainda amargou a retração de 17.550 empregos formais.

Despenca o emprego formal no Rio de Janeiro
Os sete estados que apresentam saldo negativo na geração de emprego nos doze meses encerrados em fevereiro são Acre e Pará, na região Norte; Rio Grande do Norte, Paraíba e Alagoas, no Nordeste; Rio de Janeiro, no Sudeste; e Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste.

Em conjunto, tais estados perderam 88.829 empregos formais, dos quais 71.058 eram empregos da economia fluminense, ou seja, cerca de quatro em cada cinco empregos perdidos nos sete estados eram registrados no Rio de Janeiro e a taxa de queda do emprego formal nesse estado foi mais do que o dobro do que a do Pará, o estado de segundo pior desempenho.

Sudeste
O Quadro apresentado sumariza o comportamento do emprego formal celetista na região Sudeste nos doze meses concluídos em fevereiro de 2018. Nesse período, apenas as atividades de serviços, comércio e agropecuária apresentaram saldo positivo de geração de emprego na região, enquanto construção civil, indústria de transformação, os serviços industriais de utilidade pública e a atividade extrativa mineral registraram quedas no emprego formal. Dentre elas, a construção civil foi a que apresentou pior desempenho, com corte de 48, 8 mil empregos formais, equivalentes a 70,2% da soma de todos os setores deficitários (ver Quadro).

Enquanto o emprego formal recuou no Rio de Janeiro, os demais estados da região Sudeste apresentaram variações positivas, mais expressiva em termos proporcionais em Minas Gerais (0,73%), e menos acentuadas em São Paulo (0,19%) e no Espírito Santo (0,30%).

No caso do Rio de Janeiro, a retração do emprego formal foi generalizada em todos os setores de atividade. A única exceção foi o pequeno incremento do emprego formal celetista na administração pública (ver Quadro). Os setores que mais eliminaram postos de trabalho no Rio de Janeiro nos últimos doze meses foram, por ordem, os serviços, a construção civil e a indústria de transformação. Mesmo no comércio, que no conjunto do país apresentou crescimento bem superior à média dos setores, a economia fluminense não apresentou saldo positivo no período.

Na indústria de transformação, São Paulo e Rio de Janeiro continuaram acumulando resultados negativos em doze meses, enquanto em Minas Gerais e Espírito Santo os saldo de geração de emprego foram positivos. São Paulo e Rio de Janeiro também lideraram regionalmente a destruição do emprego na construção civil, segmento que respondeu por mais da metade do corte de postos de trabalho no período.

Em conjunto, o mercado de trabalho formal da região Sudeste sofre com a crise desagregadora no estado do Rio de Janeiro e com a situação ainda muito ruim do emprego formal da construção civil, na indústria de transformação e na indústria de extrativa mineral, que abrange, além da mineração, a exploração de petróleo e gás.

A discrepância na região Sudeste entre o resultado positivo na ocupação total e o saldo negativo do emprego formal celetista é explicada porque as atividades que mais tiveram incremento na ocupação foram aquelas informais dos segmentos de alimentação e alojamento, serviços profissionais e administrativos e serviços pessoais. No setor formal, o incremento alcançado nas atividades de comércio e serviços e na agropecuária ainda não foram suficientes para compensar as quedas que se mantiveram acentuadas nos últimos dozes meses na construção civil, na indústria de transformação e na indústria extrativa mineral.



*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
25/03
13:11

Os mecanismos de auto reforço voltam a operar contra o Nordeste

Ricardo Lacerda* 
Professor da UFS

A crise tem sido extremamente penosa para a região Nordeste. O impacto mais forte da crise econômica sobre o mercado de trabalho da região desdobra-se em várias implicações sociais e econômicas; entre as últimas cabe destacar a reversão de ganhos de participação que a região acumulou no mercado de consumo nacional durante o ciclo de crescimento e de inclusão social, entre 2004 e 2014.   

Considerando-se apenas as rendas de trabalho, sem contabilizar, portanto, as rendas de importantes transferências como as previdenciárias e as de assistência social, o Nordeste respondeu por mais de 70% das perdas nacionais da massa de rendimentos entre 2015 e 2017. Mesmo quando nesse último ano a massa de rendimentos voltou a crescer no Brasil, o aumento na região Nordeste foi mais lento do que em todas as demais regiões. 

Nunca é demais lembrar que os mecanismos de auto reforço entre a variação na participação do tamanho de mercado e o ritmo comparativo de crescimento econômico das regiões operam nos dois sentidos, favorecendo a atração de investimentos para aquelas regiões em que o poder de compra cresce mais rápido, e com isso voltando a ampliar a participação no tamanho de mercado, e, inversamente, acentuando a retração absoluta ou relativa do tamanho de mercado naquelas regiões em que o poder de compra encolhe mais ou cresce mais lentamente; aparentemente, é isso que vem acontecendo nos últimos três anos nas regiões mais pobres do país.

A crise relativamente mais acentuada na construção civil regional, a paralisia dos investimentos em infraestrutura produtiva e social e os desinvestimentos das empresas estatais na região, a exemplo do que vem acontecendo no setor de petróleo e gás, leia-se Petrobras, são importantes fatores de declínio relativo e absoluto da região Nordeste nos últimos três anos.

Retardando a retomada
Em linhas gerais, em termos da evolução de massa de rendimentos do trabalho quatro as características distintivas da região Nordeste: Apresentou crescimento mais acelerado no período anterior à crise, pelo menos na média entre 2012 e 2014; demorou mais a inverter a trajetória de positiva para negativa do que a maioria das demais regiões; mas, quando a massa de rendimentos começou a cair a partir do final de 2015, o ritmo de queda foi muito mais acentuado no Nordeste do que em todas as demais regiões; e finalmente, o Nordeste foi uma das regiões em que mais retardou a retomada do incremento de renda e o fez em um ritmo inferior ao das demais regiões. O Gráfico 1, que apresenta o índice de evolução da massa de rendimento na média móvel de quatro trimestres, retrata essas características distintivas. 








Participações regionais

O Gráfico 2 apresenta as participações na massa de rendimentos do trabalho na média de quatro trimestres entre 2012 e 2017, com base nos dados da Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar Contínua (PNADCT), do IBGE. Acompanhando a evolução relativa das ocupações nas regiões, a participação da massa de rendimento do Nordeste se ampliou entro 2012 e 2014, quando a economia, o emprego e os rendimentos cresciam no país. Na comparação entre as médias dos quatro trimestres, a participação da região Nordeste na massa de rendimento real de todos os trabalhos habitualmente recebidos aumentou de 16,1%, em 2012, para 16,5%, em 2014. Ainda que a variação de participação possa parecer ter sido limitada no período, cabe assinalar que a região absorveu 23,2% do incremento real da massa de rendimento, participação substancialmente superior ao peso da região nessa variável. 

Mais ampla, foi a perda de participação da região nos anos de 2015 e 2017, quando retroagiu até atingir os 15,8% de 2017. A penúltima coluna do Gráfico 2 mostra que 73,9% da perda de massa de rendimentos nesse período se concentrou no Nordeste, enquanto as regiões Sudeste e Sul não apresentaram redução de massa de rendimentos de trabalho no período, nessa série que compara a média de quatro trimestres. 

A última coluna mostra, por sua vez, que o incremento da massa de rendimentos do trabalho que se verificou em 2017 foi menos que proporcional na região Nordeste e na região Sudeste, e mais acentuada nas regiões Norte, Centro-Oeste e Sul.
Ainda que o período de recuperação seja muito curto para confirmar uma tendência, a evolução recente do mercado de trabalho, muito especificamente os dados de ocupação e de massa de rendimento, sinaliza perspectiva problemática do ponto de vista regional da retomada do crescimento no Brasil.






*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
18/03
16:10

Ascensão e queda do Nordeste

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

As regiões mais pobres do país, Nordeste e Norte, foram relativamente favorecidas no ciclo de crescimento e de inclusão social do período 2004-2014. Ainda que essas regiões tenham permanecido com os piores indicadores em praticamente todas as dimensões do desenvolvimento econômico e social, elas avançaram mais rapidamente do que as regiões mais ricas, Sudeste e Sul, estreitando mesmo que não muito o fosso entre elas. A isso a literatura do desenvolvimento chama de processo de convergência. 

As principais forças motrizes das regiões mais pobres no período de crescimento estiveram associadas a ganhos de renda e, portanto, de poder de compra, que geraram efeitos cumulativos na medida em que atraíram investimentos de empresas de outras regiões para participar nos mercados que se expandiam mais rapidamente, no bojo daquilo que ficou conhecido como a ascensão da Classe C. O aumento real do salário mínimo no período potencializou os efeitos do incremento do emprego sobre a expansão do mercado regional. As políticas de transferências de renda foram um capítulo adicional, mais importantes para a inclusão social do que propriamente para a expansão da massa de rendimentos.  

Se o incremento das rendas das famílias foi o principal impulso do crescimento nas regiões mais pobres, não estiveram ausentes investimentos em infraestrutura produtiva, urbana e social, como os investimentos em complexos portuários, em recursos hídricos, nas redes federais de escolas técnicas, entre outros. 

Como se sabe, o ciclo de crescimento econômico se exauriu em 2014, após a reversão do cenário internacional. A aterrisagem brasileira na recessão mundial, como se sabe, foi uma das mais devastadoras do mundo, em meio a um turbilhão político do qual ainda não conseguimos emergir. 

Depois do crescimento pífio de 0,5%, em 2014, a economia brasileira amargou uma das piores recessões de sua história, com o PIB recuando 3,5% em 2015 e 2016, e apresentou um muito modesto crescimento em 2017, de 1%. A dinâmica do emprego seguiu a evolução do nível de atividade, mas com uma estendida defasagem temporal, registrando-se geração de emprego formal no setor privado de mais de um milhão de pessoas (na média de quatro trimestres), em 2014, quando a economia começava a submergir, e redução de 950 mil empregos formais no setor privado na comparação nos 4 trimestres de 2017 em relação a 2016. 

Impactos regionais da crise
Não há ainda avaliações conclusivas sobre os impactos regionais da crise econômica que se seguiu o ciclo expansivo, mas, sobretudo, os indicadores de ocupação, emprego e renda sinalizam que as regiões mais pobres foram afetadas mais do que proporcionalmente. 

Desempenhos setoriais têm importante poder explicativo, com setores como agricultura (pela estiagem e pela crise do setor sucroalcooleiro) e construção civil, principalmente, apresentando comportamentos bastante distintos conforme as regiões, mas parece haver um padrão regional comum aos vários setores, tema ao qual voltaremos a tratar em artigo subsequente. Apenas para ilustrar, o emprego formal no comércio e no segmento de outros serviços apresentou retrações de maior intensidade no Nordeste do que na média do país e da maioria das regiões. 

Emprego no setor privado
O gráfico a seguir mostra as participações das regiões no total de pessoal ocupado com carteira de trabalho no setor privado na média de quatro trimestres, com base nos dados da Pesquisa Anual de Amostra Domiciliar Contínua (PNADC), entre 2012 e 2017.  Até 2015, na média dos quatro trimestres, a região Nordeste aumentou ano a ano sua participação, passando de  16,1%, em 2012, para 17%, em 2015. A região ganhou peso no total nacional tanto nos anos em que o emprego no setor privado cresceu, até 2014, como em 2015, por conta de a retração do emprego regional ter sido inferior à média nacional.  Os desempenhos do Nordeste em 2016 e 2017, todavia, foram piores do que a média nacional, fazendo com que a participação no emprego formal no setor privado retornasse à porcentagem de 2012, ou seja, de 16,1%. 

Ainda que as variações de participação do Nordeste no emprego formal privado não pareçam tão expressivas ao primeiro olhar, elas caracterizam sim um desempenho muito superior do emprego regional no 1º período e muito inferior, no segundo período, como veremos a seguir. 

As duas colunas mais à direita no gráfico mostram o peso das regiões na variação do emprego formal privado entre 2012 e 2015 e entre esse último ano e 2017, com a observação que no primeiro período o pessoal ocupado com carteira de trabalho no  privado no Brasil aumentou em 1,4 milhão, e no segundo período verificou-se uma retração de 2,4 milhões, sempre na média de quatro trimestres. Pois bem, entre 2012 e 2015, a região Nordeste, que apresentava pouco mais de 16% do emprego formal privado, participou  com mais do que o dobro dos novos empregos, 37,1%, a maior participação entre todas as regiões brasileiras. 

Inversamente, entre 2015 e 2017, a região Nordeste participou com 29,2% dos empregos formais privados que foram eliminados, muito mais do que o peso da região nesse tipo de ocupação. Note-se que apenas as regiões Nordeste e Norte apresentaram perdas de emprego formal privado superiores aos seus pesos nesse tipo de ocupação. Caso se considere que a comparação mais pertinente seria entre as médias de 2017 e 2014, por serem anos de retração, as conclusões não seria diferentes, mesmo considerando que nesse caso as desvantagens do Nordeste seriam um pouco menos pronunciadas. Há também sinais de que a economia do Nordeste (e do Sudeste também) está demorando mais a se recuperar do que a média nacional, enquanto as regiões Centro-Oeste e Sul apresentam desempenhos relativamente mais robustos. 

 
Fonte: IBGE. PNADCT

*Assessor Econômico do Governo do Estado de Sergipe


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