15/02
18:49

Nota 6 para João Alves Filho

 José Lima Santana
Professor do Departamento de Direito da UFS

Li, no Facebook, que o deputado federal André Moura teria atribuído nota 6 (seis) à gestão do prefeito de Aracaju, João Alves Filho, em entrevista ao jornalista André Barros (TV Atalaia). Se for verdade, e deve ser, entrando no terceiro ano de mandato, João Alves precisa, se puder e souber, fazer crescer sua imagem junto à opinião pública. E imagem de administrador só cresce administrando. E administrando muito bem. Não é isso, contudo, o que vem ocorrendo com o prefeito da capital. Pelo contrário. João Alves ainda não acertou o passo da administração aracajuana, em alguns setores. A administração alvista, em parte, continua tonta, igual a barata que comeu Baygon ou SBP. 

João Alves ganhou a eleição de 2012 por causa do desencanto dos eleitores com a gestão de Edvaldo Nogueira, que, a bem dizer, não foi uma lástima, embora não tenha sido uma “belezura”. Mas o povo queria mudar. Para melhor. Conseguiu? Só Jesus na causa! Quantos desacertos...! Meu Deus! A situação de João Alves é aflitiva. Ele tem somente este ano. Parece ser pouco. Muito pouco, para recuperar o tempo perdido. Do jeito que a máquina administrativa anda, a passo de cágado, João tenderá a amargar uma derrota acachapante. É claro que os fatos de hoje podem não reverberar amanhã. O prefeito poderá dar a volta por cima. Não será fácil, mas também não se pode dizer que será impossível. 

A nota 6 (seis) é muito pouco para um governante que pretende alçar-se à reeleição. E quem deu tal nota não foi um adversário. Não. Foi um aliado. Isso prova que a situação dele não é boa. E não é mesmo. A gestão de João é do tipo gangorra. Sobe e desce. Mais desce do que sobe. Está embolada no meio do campo. Não tem ataque. Ou seja, não avançou. Não avança. Avançará neste que, na prática, é o “último” ano de gestão? Sim, porque 2016 é ano eleitoral. Ano de tentativas de arrumações políticas. Administração para valer? Adequação na prestação de serviços? Obras necessárias, que encham os olhos dos eleitores? Quando? Aonde? João tem dinheiro para tocar obras? Tem como melhorar mesmo os serviços públicos, sem ser através de paliativos, a exemplo da saúde? Tem como melhorar a mobilidade urbana? Tem como cumprir o que prometeu? Seria bom. Para o povo e para ele. 

Por outro lado, divulgou-se uma pesquisa, que coloca João um pouco atrás do ex-prefeito Edvaldo Nogueira. Quem diria! Edvaldo com 19,7% contra 19,2% de João. Meio ponto percentual do ex-prefeito à frente do atual prefeito. Como diria o saudoso colunista social, João de Barros, o Barrinhos, “sinal dos tempos”. E, ainda por cima, o 3º colocado é Valadares Filho, que perdeu apertado para João, em 2012. Ele aparece com 17,5%. Em 4º lugar, aparece Robson Viana, com 4,5%. E em quinto, Ana Lúcia, com 2,5%. Em suma, afora João, só dá a oposição. Somando os percentuais da oposição, João está na lona. Ora, dirão os alvistas, estamos em 2015. A eleição será dentro de 20 meses. É verdade. Porém, daqui para lá, tanto João poderá subir, quanto poderá cair. 

Normalmente, eu escrevo os artigos entre a quarta-feira e a quinta-feira, que é o dia em que devo enviar à redação do Jornal da Cidade. Após escrever este, eis que, na manhã do dia 12, saiu outra pesquisa: João Alves com 20,8%; Edvaldo com 15,3%; Valadares Filho com 13,7%; Eliane Aquino com 12,1%, Robson Viana com 6,9% e Ana Lúcia com 4,3%. Embora João apareça na liderança, a soma dos percentuais dos outros citados, que são todos de oposição a ele, representaria uma goleada, igual à pesquisa anterior. É claro que na eleição a conta não seria bem essa. De qualquer forma, João terá que mostrar serviço. Muito, muito mais. 

Já há quem diga que a oposição poderá sair com dois candidatos, com possibilidade de ambos chegarem ao segundo turno, deixando João Alves amargar o atoleiro eleitoral do terceiro lugar, como fruto do atoleiro administrativo. Atoleiro? Ora bolas, nem chovendo está, dirão os alvistas. Estão certos. Porém, ainda vai chover. João Alves que se cuide. Que se proteja, procurando melhor servir ao povo aracajuano. Do contrário, poderá sair encharcado da Prefeitura, enfrentando um ou dois candidatos do bloco liderado pelo governador Jackson Barreto. 

Nota 6 (seis). João chegará a 8 (oito)? Ou a 4 (quatro)? O tempo nos dirá. Todo tempo é tempo de lutar. Tempo de correr atrás do trio elétrico, ou melhor, do que ficou para trás e ainda pode ser recuperado. O carnaval está querendo me atrapalhar. Que quero eu estar falando, aqui, em trio elétrico? Entretanto, pegando a deixa, “atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”, como canta Caetano Veloso. Assim, em busca do tempo perdido (não a obra imortal de Marcel Proust), também só não vai quem já esticou a canela. E João ainda vive. Precisa de musculatura para se movimentar. Ele e a equipe, ou parte dela, que ainda anda ciscando, juntando terra nos próprios pés. O prefeito tem ao seu lado um braço forte, ágil, bom para pensar e para executar, que se chama José Carlos Machado. Mas, Machado parece meio amarrado. Não por culpa dele, provavelmente. O que falta para Machado ajudar muito mais ao prefeito? Sabe-se lá! 

De qualquer forma, o jogo para 2016 pode ser antecipado. Há quem torça por essa antecipação. Para que os debates nas emissoras de rádio, por exemplo, comecem já. A mesa está pronta. O baralho também. Baralho novo? Que nada! Baralho velho com cartas marcadas, manchadas pelo uso, pela ação do tempo etc. É preciso um baralho novo. Mesmo que alguns jogadores sejam velhos. O baralho novo das ideias novas. E será possível que algum pré-candidato se apresente ao público com ideias novas, factíveis, e não mirabolantes como são do gosto de muitos homens públicos, nesse momento de crise política, econômica e ética em que vive o país? Sim. Nas crises as pessoas de bom senso se exercitam bem mais em busca de soluções para o que parece ser insolúvel. Alguém já disse, lá atrás, que “crise se vence com trabalho”. Os leitores devem se lembrar. O problema é que, mesmo para quem disse isso, o trabalho nem sempre é bem executado. Aí, então, a jiripoca pia. Deixe piar.
 
Enfim, vamos brincar em paz neste carnaval. E que todos, governantes e governados, despertem para as mais duras realidades da vida após os embalos de Momo. E como saudou o poeta Manuel Bandeira, no poema “Bacanal”: Evoé, Baco! Porém, que ninguém se dê ao desfrute de quaisquer tipos de bacanais. Que venham boas ideias e bom trabalho. Que o povo não seja esquecido. Na planície e no planalto. Amém. 


(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 15 e 16 de fevereiro de 2015. 


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Kleber Santos
08/02
09:22

A paixão de Tânia

José Lima Santana - Professor do Departamento de Direito da UFS


Castelinho amava Tânia. Mas Tânia só tinha olhos para Alfredo de Pedro Castelo. Este, Pedro Castelo, era primo do pai de Castelinho. Ou seja, era uma “castelada” só. Sim, até porque Tânia era sobrinha de Pedro, irmão de sua mãe. Ela era, então, prima carnal de Alfredo e prima em segundo grau de Castelinho. Uma confusão como nem eu seria capaz de criar melhor nos causos que escrevo. E a “castelada” se esparramava por uns dez dos quase trinta povoados do município, além dos que já moravam na cidade, principalmente no subúrbio Saquinho, depois do Pinga-Fogo e antes da Gameleira. Isso é apenas para situar o leitor que não conhece a região de Timbira. 
Por coincidência, Castelinho, Tânia e Alfredo tinham a mesma idade. As três mães receberam a visita da cegonha (cegoinha danada que trabalhava!) no mesmo mês de maio. Maio era, no passado, um mês de muita parição. Razão? Somente uma me vem à mente: de agosto a maio decorriam nove meses. E agosto era – e é, quando o inverno é bom – o mês do frio, naquelas bandas. E no friozinho, os corpos se enroscavam. Nove meses depois, berços e redes embalavam bebês. Da mesma idade, estudavam os três na mesma escola, na mesma sala de aula. E eram, além de parentes, bons amigos. Castelinho amava em silêncio. Aguardava uma boa oportunidade para se declarar a Tânia. E esta não sabia o que fazer para chamar a atenção de Alfredo, que, pelo andar da carruagem, parecia que ainda não olhava com olhos pidões para ninguém, nem para Margarida, da 7ª série, que quase não o largava. Eram apenas bons amigos. E vizinhos. Os três parentes eram da 8ª. Como visto, era o desabrochar das paixões juvenis. E por Tânia, um bando de meninos arrastava asas. E um bando de meninas sonhava com Alfredo, o mais bonito da escola, segundo elas comentavam. Quanto a Castelinho, baixo, mas não muito, meio gordinho, sorriso sempre aberto, o mais estudioso da sala. Só tirava notas acima de 9. Tânia era aluna regular. E também regular era Alfredo. Ele gostava mesmo era de desenhar. Desenhava de tudo, mas tinha uns desenhos que ele não mostrava a ninguém. 
Nos últimos meses, Alfredo aprendeu a desenhar rostos, a fazer retratos, usando grafite. Servia-se de fotos 3x4, principalmente das meninas que ele mais gostava. Fotos tiradas por Zé Retratista, na Rua da Conceição, perto do antigo vapor de algodão de Juca de Dominguinhos. E ele dava os desenhos de presente ou os fazia por encomendas pelas quais cobrava. Outra atividade do gosto de Alfredo era organizar festas na escola. São João? Dia das mães e dos pais? Gincanas? Ele estava à frente de tudo, ajudando a direção da escola. E Margarida era, por assim dizer, o seu braço direito. Daí muita gente achar que, se eles não eram namorados, ainda haveriam de ser. Eram grudados, para o temor de Tânia. Em casa, o agarramento de Alfredo com Margarida era visto com simpatia pelos pais dele, que eram compadres dos pais dela. Quanto a estes, sobre tal agarramento, não se sabia dizer. Verdade era que, à boca miúda, a mãe de Margarida dizia coisas de Alfredo. Porém, na rua onde eles moravam a fama de linguaruda da mãe de Margarida, D. Lucinha de Fausto, era voz corrente. 
Tânia jurou a si mesma que acabaria com a sua agonia, que tiraria Alfredo das garras da magricela Margarida, custasse o que custasse. E haveria de ser na semana da Festa da Padroeira. No baile do Recreativo. Como os pais de Margarida não a deixavam frequentar os bailes, Tânia estaria livre, leve e solta para dançar com Alfredo, o garoto que mais gostava de dançar. E o baile daquele ano seria com a orquestra “Los Guaranis”. A melhor do estado. Tânia era tímida. Linda, modelada com esmero, mas tímida. As irmãs a chamavam de tabaroa. Nunca tivera um namoradinho na escola ou fora dela. Bem, naquele tempo não era como hoje em que as garotas e os garotos começam a namorar, a bem dizer, ainda usando fraldas. Tânia queria namorar o primo Alfredo e haveria de achar coragem para dizer isso a ele. Qual a reação dele? Ela temia ser rejeitada pelo único garoto que enchia os seus belos olhos castanhos. Fez até promessa para Santo Expedito, o santo de devoção de sua mãe, que era responsável, ano após ano, pela liderança da noite dedicada às famílias, na Novena da Padroeira, na festa de novembro. Festança, aquela de Nossa Senhora. A promessa feita era para acender uma dúzia de velas aos pés da imagem do santo, que sua mãe mantinha em ornamentado nicho, no quarto do casal. Pelo que ela sabia Santo Expedito jamais deixara sua mãe na mão, embora D. Constância, a mãe, sempre dizia que Deus era quem valia as pessoas e só a Ele era cabível adoração. O Santo seria apenas uma espécie de intermediário, dada a sua reconhecida vida de santidade, embora, dizia ela, o intermediário por excelência era Jesus, o Salvador. E a imagem não passava de uma simples representação do Santo, como a fotografia de alguém de quem se gosta. Nada mais. Todavia, tudo isso é o que menos importa agora. O que me interessa mesmo é chegar ao desfecho sobre a pretensão de Tânia. 
Veio a noite do baile, no sábado, exatamente a noite das famílias. A noite em que o foguetório só perdia para a noite anterior, a sexta-feira, que era a noite dos motoristas. Esta era imbatível em fogos de artifício. Noite das famílias. Noite do baile. Noite em que Tânia haveria de ser valida em face da promessa feita. Em que ela diria a Alfredo o que o seu coraçãozinho sentia. O “sim” de Alfredo acabaria com a sua agonia. Haveria de lhe propiciar uma noite de Cinderela. No baile estaria o seu príncipe encantado. E com ele, enfim, desencantado (ou ela era quem desencantaria?), ela teria a melhor de suas noites no clube. O melhor dos bailes. A mais bela noite de sua vida. 
Na vida real os sonhos nem sempre se realizam. A noite dos sonhos de Tânia não se realizaria. No fim daquela tarde, a avó materna de Tânia teria um “piripaque”, deixando a família em alvoroço. A senhora ficara morre não morre. Fora levada ao hospital, na capital. D. Constância e Tânia tiveram que acompanhá-la. E aquela era a avó da predileção da mocinha. Tudo viera por águas abaixo. A promessa feita a Santo Expedito não incluía a saúde da avó. Porém, diante da doença de ente tão querido, Tânia não ficou desalentada por não ter dado certo o que houvera planejado. O desalento viria duas semanas depois que a avó saíra do hospital. No fim de uma aula de matemática, Alfredo entregou uns desenhos para Tânia avaliar. Eram desenhos de flores e paisagens. Contudo, no meio deles, Tânia se deparou com o que jamais gostaria de se deparar. Não acreditava no que estava vendo. Não era possível! Alfredo e Jorginho? Não! No meio dos desenhos de flores, Alfredo esqueceu um que não tinha nada a ver com paisagens ou flores. Era um retrato a grafite de Jorginho, da 7ª série, alto e forte, apesar da idade, e o melhor jogador de futebol da escola, com a seguinte inscrição: “Te amo!”. Tânia devolveu os desenhos sem dizer nada. Não tinha o que dizer. Chorou a noite inteira. Nem quis jantar. Já madrugada, ainda banhada em lágrimas e sem conseguir dormir, ela pensou: “E se o retrato não fosse presente de Alfredo para Jorginho? E se fosse encomenda de alguma menina, para presentear o garoto bom de bola?”. E assim ela adormeceu com os galos cantando o último canto naquela madrugada. 
 
(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 08 e 09 de fevereiro de 2015. 
 


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
01/02
16:32

Depois do carnaval, a administração de JB já será velha

 José Lima Santana - Professor do Departamento de Direito da UFS

 

            Eu tenho recusado ir aos Shoppings de Aracaju. Ao menos, por esses dias. Não aguento mais as mesmas conversas, os mesmos assuntos, ou melhor, o mesmo assunto: a administração de Jackson Barreto, que, dizem, ainda não deu o sinal de partida. Continua no “pit stop”. Uns dizem que ele só vai botar a máquina para andar depois da eleição do presidente da Assembleia, que ocorrerá exatamente neste domingo. Se for assim, a partir de segunda-feira, dia 2, o pau quebra. Outros se dizem decepcionados com o secretariado, ou com parte dele. Outros mais acham que JB está perdido nesse que é, sim, o seu próprio mandato governamental. O mandato que ele concluiu não era dele, na origem. Os “analistas políticos” de plantão conjecturam muito.

Como as pessoas botam a boca no mundo! É por isso que eu vou dar um tempo nas idas aos Shoppings da cidade: quando eu encontro um desses “analistas políticos” o papo é o mesmo: JB... JB... JB... E eles, os “analistas”, são muitos. Em cada metro quadrado de qualquer Shopping é possível encontrar uns cinco ou seis. A densidade deles é muito maior do que a densidade da jararaca-ilhoa na ilha Queimada Grande, litoral de São Paulo, que possui um veneno quinze vezes mais potente do que o veneno da jararaca continental. E como tem jararaca-ilhoa naquela ilha... Vôte! Os “analistas” sabem de tudo. Ou inventam de tudo.

            Alguns falam que o segundo escalão está na “maré mansa”, aguardando a eleição de Luciano Bispo para a presidência da Assembleia Legislativa. Depois da eleição, a distribuição dos cargos. É o que se convencionou chamar de “assegurar a governabilidade”. Infelizmente, ou não. O Brasil inteiro está assim, contaminado. O governo federal, os governos estaduais e os governos municipais. Uma “beirinha” para um, uma “beirinha” para outro e assim vai-se levando a vida político-administrativa neste país tão sério. Que Charles De Gaulle não me ouça, ou melhor, não me leia, na sua morada “defuntória”.

            Os “analistas” dizem que o ano não começou bem para Sergipe, mas muitas eram e ainda são as esperanças do povo. Afinal, o ano está apenas começando. Carro velho subindo ladeira, engrenando a pulso. Ora sobe, ora desce. Ora sobe, ora desce. Deus seja louvado! E assim os sergipanos atravessaram janeiro. Ainda bem que não temos os problemas de abastecimento de água, na capital, que São Paulo vem enfrentado há meses. Pelo menos isso. A segurança pública, a saúde e outras áreas do governo estão no “avaluemos”, como se diz por aí. Mas, tem nada não. Estamos somente no comecinho, gente. É preciso ter paciência. Nem sempre as coisas acontecem de fio a pavio, ligeirinho, como a ligeireza de coelhos para fazer filhotes. O papa que o diga. Não! Há coisas que só andam na maciota. É que o povo é apressado. Gosta, pois, de comer cru. Tem que cozinhar, minha gente. O que é isso? Está cedo. Ou não? No geral, o povo é falador. Até parece que todo mundo é “analista político”. Cruz-credo! Gosto disso não. Não mesmo. Eu tenho paciência. Posso não ser outro Jó, aquele da Bíblia, mas sou paciente. Deixo a coisa correr. Só não pode correr frouxa. Aí também já é demais.

            O governador Jackson Barreto precisa, sim, chamar certos feitos à ordem. Tomar medidas. Botar o carro para rodar. Nada de roda presa. Tem que desatravancar isso ou aquilo. Janeiro seria o mês do planejamento geral do governo. Tin-tin por tin-tin. Tudo se arrumando, pois é no sacolejar da carroça que as abóboras se ajeitam, como diz o dito popular. Janeiro se foi. Tem que ajeitar as coisas. A administração. Todos os setores. É o que o povo está esperando. A situação encontrada na educação é vexatória, diante de índices e mais índices que deixam a desejar. A segurança pública está altamente comprometida. A bandidagem age solta. Aracaju está em 39º lugar dentre as cidades mais violentas do mundo, segundo uma ONG mexicana (administradores.com.br). O índice de homicídios (total de 40) por grupo de cada 100 mil habitantes em Sergipe é o 4º maior do Brasil (exame.com). Assaltos, roubos e furtos campeiam ao Deus dará. Na capital e no interior. A saúde está desmantelada. E, tudo isso, depois de oito anos com o mesmo grupo à testa do governo. Logo, tentar jogar a culpa somente nos governos anteriores a esses oito anos, é absoluta vulgaridade, falta de senso administrativo e de tato político. Não dá para tapar o sol com uma peneira. Abrindo um parêntese, o mesmo se diga da administração aracajuana, em que alguns auxiliares do prefeito ainda ficam culpando as administrações ligeiramente anteriores pelo seu próprio fracasso em algumas áreas. As administrações contrárias, estadual e municipal, igualam-se no que podem ter de pior: culpar os outros pelo que não têm mostrado competência e rapidez para resolver. Ora, basta desse tipo de argumentação. Chega dessa baboseira toda! De lado a lado. No passado, remoto ou recente, cada gestão teve acertos e desacertos.

            No artigo “Jackson Barreto na cabeça”, publicado aqui no Jornal da Cidade, em 8 de outubro último, após o resultado da eleição, eu lembrei que quando Jackson foi prefeito de Aracaju, na sua segunda gestão, quando ele fez a primeira reunião com o secretariado, nos meados de janeiro de 1993, concitou os secretários a mostrarem serviço, dizendo que: “Depois do carnaval, para o povo de Aracaju a minha administração já será velha”. Ele mostrava, assim, que tinha pressa em ver as coisas acontecendo. E agora, governador? Meta a mão na massa, bicho! De verdade. Mostre que você não veio para brincar.

            Mais uma coisa: a situação financeira do estado parece ser mesmo crítica. Basta dar uma olhada no artigo “O crescimento da dívida estadual em Sergipe”, escrito pelo professor de Economia da UFS, Emerson Souza, e publicado noutro jornal, no início da semana finda. Lá está dito, por exemplo, que “o custo da dívida passiva – encargos e amortizações contabilizados junto às despesas centralizadas pela Sefaz – foi da ordem de R$ 548,4 milhões (7,6% da arrecadação executada), em 2013. É muita grana. Em 2010, apenas para efeito de comparação, esse montante era de R$ 88,1 milhões, ou seja, 1,5% da arrecadação total”. Sendo assim, as amortizações de empréstimos antigos estariam pipocando agora, comprometendo as finanças do estado, ou somam-se também empréstimos novos e de curto prazo? Há outro dado alarmante, no artigo: “em 2009, o total da dívida interna e externa do governo do estado de Sergipe era de 1,32 bilhões” (6,7% do PIB sergipano). Mas, em 2012, a dívida chegou a 2,4 bilhões (8,65% do PIB estadual). Quase dobrou em apenas três anos? Os dados citados pelo professor Emerson foram tirados do relatório de contas anuais da Secretaria da Fazenda. São terríveis!

A gestão fazendária de JB terá que ser muito boa. A herança financeira que ele recebeu, de longa ou de curta data, é que não é boa. Além de competência e agilidade, Jackson Barreto e sua equipe vão precisar de reza forte. Muito forte. 

 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 01 e 02 de fevereiro de 2015. 



Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
24/01
22:09

Las Locas de la Plaza de Mayo, Gelman e Akhmátova

José Lima Santana -  É professor do Departamento de Direito da UFS

 

Um dia elas se reuniram na Plaza de Mayo, em Buenos Aires. Eram poucas. Mas o número só fez crescer. Lá estavam elas com seus panos brancos nas cabeças. Este era o lema delas: “La lucha de las Madres de Mayo contra la dictadura militar y a favor de la vida”. Elas exigiam notícias dos seus filhos e filhas desaparecidos por conta da maldita ditadura militar argentina (para mim, toda ditadura de direita ou de esquerda é maldita). No início, eram mães. E depois, eram mães e avós. Alguns as chamavam “Las Locas de Mayo”. Meu Deus! Netos e netas nascidos nos porões da ditadura foram doados ou vendidos a várias famílias, que, claro, não eram as suas. O filme “A História Oficial”, dirigido por Luis Puenzo, que faturou o Oscar de melhor filme estrangeiro de 1986, baseia-se na história de um casal, Alicia Marnet de Ibánez e Roberto, que adotou uma dessas crianças. Ele sabia que a menina adotada era filha de uma desaparecida, mas Alicia, não. Desconfiada, ela luta para saber a verdade. O filme é forte. E pode ser encontrado em DVD.

O poeta Juan Gelman, combatente de esquerda desde a juventude, e, na minha modesta opinião, o melhor poeta argentino de sua geração, pouco depois de exilar-se, em 1976, teve seu filho Marcelo e sua nora, a espanhola Claudia García, grávida de 7 meses, sequestrados por militares argentinos. Marcelo tinha 20 anos e Claudia, 19. Marcelo foi torturado e, 13 anos depois, seus restos mortais foram encontrados em um tambor de cimento e areia junto com outros sete companheiros. Claudia foi levada clandestinamente para Montevidéu, capital do Uruguai, onde desapareceu em 1977, após dar à luz uma menina no Hospital Militar. Segundo uma investigação da Comissão para a Paz, criada pelo presidente do Uruguai Jorge Batlle (2000-2005), Claudia foi assassinada depois do parto. E ainda tem quem defenda as ditaduras, de direita ou de esquerda! Eu as abomino. Todas elas.

A neta de Juan Gelman, Macarena, foi criada pela família de um policial uruguaio, que escondeu dela sua verdadeira identidade, mas, em 2000, o considerado "poeta da dor" a localizou e, a partir daí, ambos, avô e neta, lutaram pelo esclarecimento da verdade. Aliás, no filme “A História Oficial”, a menina Gaby, adotada pelo casal acima citado, refere-se à menina Macarena mais de uma vez, como sua coleguinha de escola. É uma homenagem.

A poética de Gelman “é um desafio contra o esquecimento e a perda da memória de seu povo”. O “seu lirismo pessoal é feito de fúria e de ternura”. Ele recebeu vários prêmios literários. Nascido em 1930, Gelman faleceu em 14/01/2014, no México. Abaixo, um poema “dolorido” de Juan Gelman, “Oração de um desocupado”: “Pai, / desce dos céus, esqueci / as orações que me ensinou minha avó, / pobrezinha, ela agora / repousa, / não tem mais que lavar, limpar, não tem mais / que preocupar-se, andando o dia todo, atrás da roupa, / não tem mais que velar de noite, penosamente, / rezar, pedir-Te coisas, resmungando docemente. // Desce dos céus, se estás, desce então, / pois morro de fome nesta esquina, / não sei para que serve haver nascido, / olho as mãos inchadas, / não têm trabalho, não têm, / desce um pouco, contempla / isto que sou, este sapato roto, / esta angústia, este estômago vazio, / esta cidade sem pão para meus dentes, a febre, / cavando-me a carne, / este dormir assim, / sob a chuva, castigado pelo frio, perseguido. // Te digo que não entendo, Pai, desce, / toca-me a alma, olha-me o coração, / eu não roubei, nem assassinei, fui criança / e em troca me golpeiam e golpeiam, / te digo que não entendo, Pai, desce, / se estás, pois busco / resignação em mim e não tenho e vou / encher-me de raiva e afilar-me / para brigar e vou / gritar até estourar o pescoço de sangue, / porque não posso mais, tenho rins / e sou um homem, / desce! Que fizeram de tua criatura, Pai? / Um animal furioso /que mastiga a pedra da rua?”.

            Eu li esse poema de Gelman, pela primeira vez, no livro “Pai Nosso”, de Leonardo Boff, na década de 1980. Fiquei encantado. Passei a buscar o autor, mas, no tempo anterior à internet, não encontrei nada. Tempos depois, em Buenos Aires, tomei conhecimento de sua obra. E, mais: de sua vida, de sua luta. Quantos pais, como ele, perderam os seus filhos nas garras das ditaduras de direita ou de esquerda pelo mundo afora, incluindo o Brasil? Milhares? Milhões? Vai-se saber!

            E por falar em poesia e em ditadura, lembro-me da poetisa russa Anna Akhmátova, pseudônimo de Anna Andreevna Gorenko (1889-1966), na verdade nascida em Odessa, na Ucrânia, que as autoridades ditatoriais stalinistas perseguiram e proibiram a publicação de seus livros. Fuzilaram um de seus maridos e mandaram o outro para um campo de concentração, onde ele morreu. Mantiveram seu único filho, Lev Gumilev, na prisão durante muito tempo. Todavia, nada disso quebrou a sua fibra e nem fez com que o público, que sempre a amara, esquecesse a sua poesia. Akhmátova teve a chance de ser exilada, pois o regime teria preferido, em determinado momento, ver-se livre dela, mas ela jamais quis deixar a sua pátria e o seu povo. Assim, no poema “Réquiem”, do livro “Réquiem: um ciclo de poemas”, que reuniu poemas de 1935 a 1940, ela cantou: “Não, não foi sob um céu estrangeiro, / nem ao abrigo de asas estrangeiras – / eu estava bem no meio do meu povo, / lá onde o meu povo infelizmente estava”. O seu povo estava sob o jugo dos expurgos empreendidos por Josef Stalin, em que milhões foram presos em “gulags”, ou mortos, embora boa parte da população soviética aparentemente apoiasse o estado comunista. Forçosamente ou não. Como todos devem saber, os “gulags” eram campos de trabalho forçado da ex-União Soviética (URSS), criados após a Revolução Comunista de 1917 para abrigar criminosos e “inimigos” do Estado. Gulag era uma sigla, em russo, para “Direção Principal (ou Administração) dos Campos de Trabalho Corretivo” (“Glavnoye Upravleniye Ispravitelno-trudovykh Lagerey”) que se espalhavam por todo o país. Os maiores gulags ficavam em regiões geográficas quase inacessíveis e com condições climáticas extremas. A combinação de isolamento, frio intenso, trabalho pesado, alimentação mínima e condições sanitárias quase inexistentes elevavam as taxas de mortalidade entre os presos. Pode-se recordar o livro “Arquipélago Gulag”, de Alexander Soljenítsin, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1970.

            Voltando a Akhmátova, a sua poesia permaneceu tão viva, que, em 1989, ao comemorar-se o centenário de seu nascimento, o seu nome foi dado a uma estrela que tinha acabado de ser descoberta.

            Não posso acolher a ideia de uma ditadura, venha de onde vier, esteja onde estiver. Como não acolho a ideia de uma “democracia” (?) que se deixa turvar pelo capitalismo selvagem, que faz das pessoas mais fragilizadas apenas “coisas”. A “coisificação” das pessoas dói como se fosse um ferro em brasa atravessando a carne de alguém.

 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 25 e 26 de janeiro de 2015. 



Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
18/01
15:14

Cartas de Jackson de Figueiredo e Araripe Coutinho

José Lima Santana - Professor do Departamento de Direito da UFS

 

 

 

 

            Foi-se o tempo das cartas. Sobre isso eu já escrevi, no ano passado. Mas houve um tempo em que as cartas eram guardadas e, no caso de escritores, publicadas em livros. A primeira carta que eu li de um escritor foi do filósofo sergipano Jackson de Figueiredo (1891-1928). Intitulada “Carta à Irmã”, essa carta, extraída do livro “Correspondência”, 3ª edição aumentada, página 259, consta do livro “Admissão ao Ginásio”, do qual eu me servi em 1966, no 4º ano primário, no Educandário Nossa Senhora das Dores, regido pela professora Maria Menezes Góis, mais conhecida como D. Menininha, de saudosa memória. Essa carta, datada de 22/23-11-27, Jackson a enviara do Rio de Janeiro. Eis:

            Querida Anaíde: Recebi sua carta de 11 do corrente e não preciso dizer-lhe com que alegria. Sim, mana, eu também jamais esquecerei “aquelas ligeiras horas de S. Cristóvão”; em momento tão turbado e doloroso de minha vida, creio que foi mesmo a única alegria verdadeiramente grande e verdadeiramente pura, que então tive...

            Todos os meus pequenos estão em casa, inclusive a Regina, uma mocinha. Tãotão, esta é um vagalume que brilha em pleno dia. É um raiozinho de luz e de espírito, chega a ser um tormento do meu coração. O Luís, o Sr. Dom Luís é um sujeito inteligente e bom, mas de ideias abstrusas. Ainda hoje, pela manhã, apresentou-me consertado o meu relógio. Não tinha uma peça no lugar. Avalie o lucro do conserto. Não tive coragem de ralhar com ele. Aliás, mana, sou, definitivamente, a negação do pai de família, e se, o que é raro, consigo ter um gesto de energia, isto é para mim mais esgotante que com polêmicas de jornal.

(Segue-se uma linha tracejada).

            Diga ao Mesquita que não esmoreça com a moléstia. Estive gravemente doente mais de seis meses. Ainda não estou bom e sofrendo um tratamento bastante doloroso. Mas, até a hora final, hei de olhar estas coisas como verdadeiras depurações. Adeus, querida Anaíde!

            Beije por nós os pequeninos, e abrace o Mesquita (se quiser, beije-o também), abrace-o com a maior amizade.

            Laura a beija como se beija a irmã querida do Jackson e ele próprio a beija muitas vezes com saudosa ternura.

            Jackson.

Hei de anotar que a correspondência de Jackson (apenas uma parte dela) foi publicada postumamente, em 1946, com reedições posteriores. Convertido, ele se tornaria grande defensor do catolicismo conservador, e foi o inspirador de ações laicas de sucesso. Segundo Alfredo Bosi, “a humanidade e o estilo vigorosos garantem a Jackson de Figueiredo um lugar entre nossos grandes prosadores”.

Quem, entre nós, também gostava de escrever cartas, já no tempo final das cartas, era o poeta Araripe Coutinho, que há pouco nos deixou. Sempre que ele viajava, enviava-me cartas. Revolvendo documentos e papéis avulsos, nos dias do fim do ano, eu reli uma dessas cartas, de quando ele passava uma temporada com a escritora Hilda Hilst, no interior de São Paulo. E quando ocasionalmente releio essa carta, especialmente essa, eu me comovo, por vários motivos. Vamos à carta:

Casa do Sol, quase primavera de 1993.

Prezado amigo poeta José Lima:

Não é necessário lhe dizer que todas as coisas estão mortas. Afinal, 111 no Carandiru, 10 na Candelária, 21 no Vidigal, e em nós, quantos?

Lembro-me do seu lançamento e espero realizar um aqui, na UBE, e no Terraço Itália. É só você ligar para mim.

Por enquanto, tenho escrito muito e me preparado para o meu lançamento, que, segundo o Massao Ohno sai mesmo este ano. Em se tratando de um japonês com o nome dele, vale a pena esperar.

Por outro lado, procuro me revigorar, já que na terra dos cajueiros e papagaios não é fácil, principalmente quando você tem uma sensibilidade fantástica e um talento singular. Enfim.

Espero que tudo tenha corrido bem consigo no Rio, e que os contactos tenham sido dos mais proveitosos. A poesia é mesmo uma estrada espinhosa a se seguir.

Peço-lhe mais uma vez, que converse com Almeida Lima, que diz gostar muito de mim, para que ele me consiga alguma coisa na PMA; não posso ficar neste desespero, neste vazio, enquanto a mediocridade de tantos grassa como grama. Mesmo. Por favor. Sou um poeta. Volto agora em outubro e não dá mesmo para sobreviver das sobras dormidas do pão – como canta Cazuza.

O prof. Ariosvaldo disse-me por fone ter gostado demais do seu livro e disse-me que ia fazer um artigo. É muito importante, Zé Lima, manter um contacto com ele. É um sábio perdido nestas plagas sergipanas.

No mais, desejo-lhe toda sorte e sucesso. E quando eu voltar aguarde novos lançamentos. Com toda luz que for possível e impossível.

Grato sempre, amigo-irmão.

Araripe Coutinho.

Algumas observações: 1) O meu livro, sobre o qual ele fala, é o romance “A Morte Fora de Hora”, lançado em Aracaju, em agosto de 1993, e, no mesmo mês, no Rio de Janeiro, durante o I Congresso de Literatura das Américas, promovido pela UFRJ, e que teve a participação de escritores e professores de Literatura do Canadá à Argentina, além de Portugal e Itália. 2) Massao Ohno (SP) deveria editar o livro “Sede no Escuro”, do nosso saudoso poeta, mas que acabou sendo editado, em 1994, pela Editora Scortecci. 3) Araripe refere-se ao acadêmico Ariosvaldo Figueiredo que, deveras, escreveu um artigo sobre o meu romance, que muito me sensibilizou, sob o título “José Lima Santana na Boca do Sertão”, publicado no jornal “O Estado de Sergipe”, edição de 02 a 08 de outubro de 1993, que circulou em Aracaju entre 1993 e 1995. No artigo, permitam-me os leitores, disse, por exemplo, o professor Ariosvaldo: “José Lima Santana pensou em escrever romance; na verdade fez história e sociologia... Na linha do mais sadio nativismo, José Lima sente que o universal passa pelo nacional, ponto de partida do internacional, tal como visualizava Gramsci”. Foi exatamente Araripe Coutinho quem fez a aproximação entre mim e o saudoso acadêmico. 4) O poeta Araripe acabaria nomeado pelo prefeito José Almeida Lima para a direção da Biblioteca Municipal Clodomir Silva.

 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 18 e 19 de janeiro de 2015. 



Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
11/01
10:40

Educação, um problema histórico

José Lima Santana - Professor do Departamento de Direito da UFS

 

 

 

            Neste início de ano, com as posses dos novos governantes nos planos federal e estadual, a educação mereceu boas citações. Oxalá, tais citações não fiquem apenas como retórica. A presidente Dilma Rousseff achou por bem definir o slogan de sua nova gestão como “Brasil, Pátria Educadora”. Para alguns, o slogan é vago. Para outros, não poderia ser melhor. Porém, a escolha para chefiar o Ministério da Educação tem gerado polêmica. O ex-governador do Ceará, Cid Gomes, não é da área da Educação, mas deu alguma ênfase ao setor nos seus oito anos de mandato governamental, embora a sua relação com o magistério estadual não foi pacífica. Entretanto, é cedo para dizer qualquer coisa. Aguarde-se, pois. Afinal, ele poderá cercar-se de bons técnicos e elaborar um plano educacional que contemple de forma consentânea o slogan governamental, no que ele possa ter de positivo. De palpável. E resolúvel.

            Em Sergipe, o novo secretário da Educação, o professor e acadêmico Jorge Carvalho tem tudo para realizar o trabalho com o qual todos sonham. Jorge é experimentado como educador e como gestor público. Aliás, ele disse que pretende acabar com o analfabetismo, que ainda campeia em nossas plagas, ou deixá-lo perto de zero. É preciso, sim, fazer isso e muito mais. Outra meta do novo secretário é impulsionar a qualidade do ensino de modo a melhorar indicadores nacionais, como o IDEB – Índice de Desenvolvimento da Educação Básica. Mas, Jorge Carvalho tem consciência, como ele o disse ao Jornal da Cidade, edição do último domingo, de que o processo educativo não se restringe ao interior da escola. É preciso a participação da família, da qual é dever conjuntamente com o estado, e a colaboração da sociedade, como, inclusive, estabelece o art. 205 da Constituição Federal.

            Desde o Brasil Colônia, a educação não foi direcionada para todos. De início, era preciso catequizar os índios, tarefa que caberia aos jesuítas. Para catequizar era preciso ensinar a língua dos colonizadores e catequistas. Mas, para ensinar, foi preciso, primeiro, aprender. E, assim, o padre José de Anchieta aprendeu com os curumins a língua nativa e escreveu uma gramática. Aprendeu para ensinar. Hoje, muitos contestam a ação catequista e educadora da Igreja, que, dizem, acabou por aculturar os nativos, afastando-os de sua cultura tradicional.

            De qualquer forma, a educação inicialmente dada pelos jesuítas era cercada das mais graves dificuldades. A esse propósito, deixou-nos Anchieta esta página memorável, enviada a Santo Inácio: “Aqui estamos, às vezes, mais de vinte dos nossos, numa barraquinha de caniço e barro, coberta de palha, longa de quatorze pés, larga de dez. É isto a escola, a enfermaria, o dormitório, a cozinha, a dispensa. Quando a fumaça da cozinha incomoda os professores e alunos, a educação prossegue ao ar livre; porque é preferível sofrer o incômodo do frio de fora do que o fumo de dentro”.

            Deixando de lado os nossos irmãos silvícolas, a educação colonial era voltada, apenas, para alguns. Para os filhos da classe dominante, embora eu não goste desta expressão “classe dominante”, tão surrada, mas, nem por isso, menos real. Poucas eram as escolas e, logo, poucos seriam os alunos contemplados. Na zona rural, nos engenhos e nas fazendas de gado bovino, ou, mais tarde, nas zonas de mineração, as escolas não chegavam. Elas se circunscreveram apenas às cidades e vilas durante um tempo duradouro. E as mulheres, por exemplo, ficaram, durante muito tempo, afastadas das salas de aulas. Segundo relata o educador e historiador José Antônio Tobias, “Alcântara Machado, que investigou os 450 inventários da Vila de São Paulo de 1578 a 1700, constatou que, dos milhares de mulheres neles mencionadas, ‘somente duas sabem assinar o nome: Leonor de Siqueira e Madalena Holsquor, que parece flamenga. Bem significativa a forma por que nos documentos do tempo se declara o motivo de ser o ato assinado por outrem: a pedido da outorgante, por ser mulher e não saber ler’”. Pela redação final do texto, vê-se que as mulheres eram duplamente discriminadas. Um absurdo!

            Ainda assim, a escola que se tinha era apenas a “escola de ler e de escrever”, na maioria dos casos. Era muito pouco.

            Na era monárquica, apesar de muitas leis, resoluções e decretos, imperiais ou provinciais, a educação ainda capengou. Não foram poucas as tentativas de regulamentar o processo educacional. Contudo, foram poucas as conquistas diante das necessidades do povo. Do povo que não era contemplado, pois os contemplados com a educação continuavam sendo uns poucos. E durante um bom lapso de tempo, meninos e meninas estudavam separadamente. Houve poucos progressos diante de uma população que crescia. Quanto aos negros, estes foram discriminados por longo tempo em termos educacionais. Dizia-se, então, que eles vieram da África para trabalhar, e não para estudar. A situação era tão crítica que, na Província do Rio Grande do Sul, uma lei de 1837 prescrevia taxativamente: “São proibidos de frequentar as escolas públicas: 1º - as pessoas que padecem de moléstias contagiosas; 2º - os escravos e pretos ainda que sejam livres ou libertos” (Apud Tobias, José Antônio. História da Educação Brasileira. São Paulo: Editora Jurisdicredi, 1972, p. 133). Pobres negros!

            Com a República, não se pode desconhecer, a educação ganhou novo impulso. Todavia, de 1889 até hoje, muito ainda se tem para fazer, apesar do que já foi feito. Aliás, com esta frase eu devo estar copiando os discursos de alguns políticos. Bem, ninguém é perfeito.

            Sempre houve dificuldades para resolver o problema da educação brasileira. E nem sempre se pôde contar com a boa vontade dos governantes. Certo estava Darcy Ribeiro quando disse: “As elites brasileiras são cruéis, elas asfixiam as massas mantendo-as na escuridão da ignorância. As escolas não cumprem o seu papel de educar os meninos do Brasil. Só vamos acabar com a violência quando resolvermos a questão da Educação”. A educação não deve continuar sendo privilégio de alguns, mas deve ser direito de todos.

            Há muito, sim, para ser feito na educação brasileira e sergipana. Não será preciso, aqui, registrar problemas a carecer de soluções. Cid Gomes e Jorge Carvalho saberão quais são eles. Logo, logo. E que possam achar os caminhos que levem a impulsionar a educação no país e no nosso estado. Por enquanto, votos de confiança. Depois, a depender do desempenho, aplausos ou cobranças. A sociedade estará vigilante.

P.S. Cortar cerca de 7 bilhões do orçamento de custeio do Ministério da Educação foi bola fora para um governo que pretende fazer do Brasil uma Pátria Educadora.

 

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 11 e 12 de janeiro de 2015. 



Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
04/01
18:43

Zé “Gaia” de Ouro

José Lima Santana
Professor do Departamento de Direito da UFS


Tarde de quarta-feira. Meio de semana. Dia ruim para ajuntar gente disposta a ir a um enterro. Enterro às quatro da tarde, sol tinindo na testa. Início de janeiro. Verão sapecando fogo no mundo. Mas o morto era gente da melhor espécie. Querido e respeitado. Homem simples. Marido exemplar. Pai amoroso e amado por doze filhos, cinco homens e sete mulheres. Todos casados. Netos? Um magote. Mais de trinta. Sem contar alguns bisnetos e um tataraneto. Fartura de meninos em dias de comemoração. Morreu às dez horas da noite anterior. Morreu sereno. Como um passarinho. Até parece que sabia que ia desta para melhor. Melhor? É o que dizem. Para os crentes, especialmente cristãos católicos, ortodoxos, protestantes, vai-se em busca da vida eterna pela misericórdia de Deus. A salvação vem pelo sangue derramado por Jesus no alto da cruz, que é garantia da ressurreição, tal como o Cristo de Deus ressuscitou, levando com Ele, naquela sexta-feira, o chamado “Bom Ladrão”, que lhe suplicara no alto de sua cruz. “Ainda hoje estarás comigo no Paraíso”, respondeu-lhe o Mestre (Lc 23,43).

Para os kardecistas, mudança de plano. Não se morre, desencarna-se. Para estes, a reencarnação é necessária à evolução dos espíritos. Além de muitas outras religiões ou filosofias religiosas, como o islamismo, o budismo, os cultos afro-brasileiros e outras mais, cada uma com a sua peculiar compreensão sobre a morte, e todas elas devendo respeitar cada uma, no que se chama tolerância, algo que muito nos falta. Mas, para os ateus, apenas o buraco frio de uma cova rasa ou o silêncio profundo de um mausoléu. Como se na cova rasa não seja o silêncio também profundo. Nada mais. Somente a decomposição do corpo, que vira esqueleto, que vira pó. “Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará” (Gn 3,19). Alimento para os bichinhos comedores de matéria em putrefação. Os bichinhos de cemitério são chamados morotós. Gordinhos que são uma beleza. Passam bem, pois nunca faltam defuntos. Que horror! A vida encerra-se com a morte do corpo? A sepultura é o fim? Haja discussão.

Desde que o mundo é mundo, o homem debate sobre a vida além-túmulo. Pois ali estava mais um de partida, para o buraco, apenas, ou para a tateante busca da eternidade e assim por diante.
Muito bem. O morto daquele janeiro abrasador tinha 88 anos de idade. Há dois, ficara viúvo. A morte da mulher lhe trouxe desconsolo, desalento. A vida foi minguando desde que o esquife de Dona Clarinda deixou a casa. Vidas entrelaçadas, a dele e a dela. Sessenta e um anos de convivência. Harmoniosa vida a dois, apesar de más línguas, em certo momento, terem dado motivo para a separação do casal. Isso, todavia, foi no começo do casamento. Tormenta vencida. A fofoca é algo tenebroso. Até o Papa Francisco referiu-se a ela, há poucos dias, considerando-a terrível na Cúria Romana. Cardeais e outros prelados de língua afiada, muita malícia escondida, e, talvez, de parca vivência do amor cristão, pois não são apenas os estudos teológicos aprofundados que dão norte seguro à caminhada cristã. Às vezes, questões mundanas sobrepõem-se às espirituais. O poder, no seu lado obscuro, em suas múltiplas facetas funestas, quando não é usado como se deve, corrói a alma: a ganância, o luxo, a perfídia... E um monte de outros vícios, que Francisco está lutando para coibir. Tudo isso, porém, fica lá com a Igreja.

O que me interessa, agora, é a morte daquele homem quase nonagenário.
José Luiz Pereira da Costa. Vulgo Zé Costinha. Comerciante. Dono que foi de sortida bodega, que virou armazém na Rua da Tapagem, depois Rua das Flores, depois Rua Marechal Floriano Peixoto, depois Rua Benjamin Constant, mas que, na boca do povo, não passa de Rua dos Correios. Dois dias antes de morrer, Zé Costinha chamou os filhos, no domingo. Fez algumas recomendações. Até o mais velho, morador no sertão da Bahia, veio e ficou a pedido do pai. O velho não tinha dívidas. Nunca as teve. Tinha, sim, um dinheirinho no Banco, na poupança. Conta encerrada na sexta-feira anterior. Plano funerário em dia. Tudo nos conformes. Desde o domingo, então, a parentela ficou atenta. Zé Costinha poderia bater as botas a qualquer momento. Do domingo para a terça-feira à noite, ele definhou e morreu. Não deu trabalho. Quarta-feira. Quatro da tarde. Sol a pino. Vento nenhum. Calor de rachar o chão. Enfim, depois de muitas excelências cantadas pelas senhoras carpideiras, o caixão com o corpo depauperado de Zé Costinha seguiu para a última viagem que ele empreenderia. Quarta-feira. Meio de semana. Dia ruim para ajuntar gente. Não no caso do enterro de Zé Costinha. Juntou gente. Muita gente. O velho era querido e respeitado. Vieram até parentes das Alagoas. Amigos e antigos fregueses eram incontáveis.

Nos velórios e enterros sempre rolavam muitas conversas. Lembranças, lorotas e fofocas. Tonho da Ribeira e Zeca de Maria Rita seguiam no fundão do cortejo, que se arrastava como cobra pelo chão, lembrando a música de Gilberto Gil. Um perguntou ao outro: “Por que, às escondidas, chamavam Zé Costinha de Zé “Gaia” de Ouro?”. O outro precisou conter o riso, mas desembuchou: “Dizem que, quando ele casou com Dona Clarinda, um sujeito da Varginha, cachaceiro e conversador, teria dito que se Clarinda botasse ponta em Zé Costinha, ele teria ‘gaia’ de ouro, tal era a formosura dela, quando nova. Pois ‘gaia’ vinda de mulher bonita só podia ser de ouro”. O outro riu. Na verdade, o tal sujeito, que, se não me falha a memória, que não anda lá muito boa, se chamava Tibúrcio, era vaqueiro de “seu” Pedro Malaquias. Esse tal não só falou o que acima está registrado, como andou dizendo que Dona Clarinda, casadinha de novo, estaria enfeitando o marido. Aleive infeliz. Dona Clarinda, dizem os de sua época de nova, era uma mulher encantadora. Rosa desabrochada em noite de luar. Corpo moldado pelo Criador para espantar os homens. Para deixá-los de queixos caídos. Rosto de fada benfazeja. Sorriso de anjo. Verdadeira escultura de carne humana, que Zé Costinha arranjara ali mesmo, no subúrbio da cidade. A família dela arranchara-se na cidade no começo dos anos 1900, fugindo de mais uma seca no sertão. Família de bonitas morenas. E Dona Clarinda seria a mais bela de todas as morenas daquela família. Uma deusa. Ou só tem mulher bonita no cinema e na televisão? Nas passarelas? Ora, elas estão por aí, em todo canto, como flores do campo, que brotam em todo lugar, quando as lágrimas do céu fecundam a terra sedenta. Explicado está, então, a origem do apelido de Zé Costinha, que era dito pelas costas: Zé “Gaia” de Ouro. Afinal, chifre botado por uma linda mulher só podia ser mesmo uma “gaia” de ouro, como explicou o cabra, no cortejo fúnebre. E olhe lá! Pode ser de ouro, de diamante... Porém, jamais botada por Dona Clarinda, mulher de respeito, mulher de um homem só.

P.S.: Eu não disse que a minha memória não anda bem? Já ia me esquecendo de prestar um esclarecimento: o aleive de Tibúrcio quase acabou com o casamento de Zé Costinha e Dona Clarinda. Aleive, quando bate pernas, vira fofoca. Naquele caso, virou. Foi preciso que o delegado Amâncio Pereira botasse Tibúrcio na chincha. E ele confessou que dissera o que dissera por maldade, conversa sem pé nem cabeça de cachaceiro. Por isso mesmo, caiu no cipó caboclo. Apanhou de fazer dó. O delegado era primo de Zé Costinha.

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 04 e 05/01/2015.


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
28/12
17:51

Mais um Ano Novo

José Lima Santana*

Entra ano, sai ano, e as esperanças, as mais diversas, continuam a mexer com as pessoas. Passado o Natal, que deveria ser uma festa eminentemente cristã, desde que a Cristandade decidiu absorver a data em que, antes, se celebrava uma festa pagã, a fim de elevar o nome do Salvador da humanidade, na compreensão dos seguidores de Jesus de Nazaré, voltamo-nos para 2015. Que ele venha! E que traga para cada homem e para cada mulher, o que todos esperam. É evidente que, ao chegar o fim do ano, nem tudo que estava no cesto das esperanças das pessoas se concretizou. Para as pessoas de fé, faltou fé? Deus não lhes favoreceu? O que aconteceu, então? As pessoas entram, assim, em desesperanças? E as pessoas que não têm fé, que não se apegam a nada, absolutamente nada, no plano espiritual, o que elas dizem diante da não realização dos seus sonhos, no ano que se finda? Acham que a sorte não lhes favoreceu? Creditam o insucesso ao destino? Acham que não lutaram o suficiente no ano que foi novo e que se acha velho? Complexa é a realidade da vida. Complexas são as pessoas, que se envolvem em tantas complexidades metafísicas ou não. Enfim, complexo se mostra este insosso escriba ao ver findar-se um ano extremamente complexo como foi 2014. Ano de Copa do Mundo. Ano do 7x1, do tétrico 7x1 que amargamos contra a Alemanha, que, aliás, jogou diante dos Canarinhos sem nenhuma complexidade. E quantos gastos complexos com a construção ou reforma de estádios (ou arenas), hein?  


Ano de eleições. Eleições complexas. Resultados complexos. Fatos complexos no decorrer do pleito eleitoral, a começar pela morte de um presidenciável. Ano em que a pérola da Administração Pública federal indireta, desde que foi criada, na década de 1950, a PETROBRAS, desceu a ladeira da forma mais absurda possível. O “mensalão” já está parecendo um “pinto”. Ano também em que os trens do metrô de São Paulo tiveram esqueletos expostos. E que esqueletos! De um lado ou do outro político-administrativo, o país sangrou. O povo brasileiro não merece nada disso. Merece?


Ano complexo este 2014. Na Igreja Católica, este foi o ano em que o Papa, pela primeira vez, ao menos nos últimos séculos, deu uma sacudida formidável na Cúria Romana, encharcada de mazelas. Bravo, Francisco! Que Deus o ilumine, o fortaleça e o defenda! E que a Igreja se toque, por sua hierarquia e por seu laicato, e ponha-se “em saída”. Do contrário, ela vai continuar minguando, fenecendo, fechada como um caramujo. E caramujo só traz doença. Espane, essa Cúria, Francisco! Renove-a! Ela é complexa? Torne-a simples, como simples foram os ensinamentos e a própria vida de Jesus. Simples, mas firmes. Com a mais translúcida autoridade. Eu sei muito bem como será difícil, ou melhor, como está sendo difícil a sua caminhada no comando da Igreja. Mas eis a sua missão: transformar a face da Igreja. O fardo é pesado, eu bem sei. Todavia, os cardeais o foram buscar “no fim do mundo”, em suas próprias palavras, para quê? Para ser mais um sucessor de Pedro? Apenas mais um? Se fosse assim, os purpurados, muitos dos quais devem estar arrependidos, teriam elegido um “de perto”. Aí, sim, tudo ficaria na mesmice de muito tempo. Repito: espane essa Cúria, Santo Padre! Espane a Igreja! 


Ano em que, na terra dos valentes caciques Serigy, Siriri, Aperipê e tantos outros bravos, que lutaram pela liberdade dos seus iguais, um candidato ao governo do Estado venceu a eleição, após tê-la perdido exatos 20 anos antes. A vida política é complexa e complexa foi a carreira do governador eleito, desde o início dos anos 1970. Enfim, ele chegou lá. E terá complexidades políticas e administrativas para vencer nos próximos 4 anos. Aliás, ele encerra 2014 com complexos projetos de lei aprovados pela Assembleia Legislativa. 


Ano igualmente complexo para a administração pública aracajuana. Finalizado com um presentinho (?) de Natal: o aumento de cerca de 14% sobre a tarifa de ônibus, que passou de R$ 2,35 para R$ 2,70. Ou seja, aumento de R$ 0,35. E o povo? Ora, nesse caso e em muitos outros pelo Brasil afora, o povo é apenas um detalhe, como dizia uma comediante na “Escolinha do Professor Raimundo”, liderada pelo inesquecível Chico Anísio. O humor (negro) rolou solto nos três níveis federados da administração pública brasileira, em 2014. É claro, que há sempre exceções. Em tudo ou em quase tudo. 


Amigos e amigas que continuam teimando em ler os meus escritozinhos: não me importam quais são os seus caminhos espirituais. Ou os seus não caminhos. O que me importa mesmo é que vocês possam viver como melhor lhes aprouver. Basta que o seu modo de vida não desfigure as suas preciosas vidas, que não cause danos ao próximo. Vivam as suas vidas em toda plenitude. Carpe diem (aproveite o dia). Aproveitem, pois, cada dia como se ele fosse não o último, mas o melhor dia de suas vidas. E que assim seja nos 365 dias de 2015. 


Teremos mais um ano complexo? Com certeza. Afinal, desde o princípio da vida humana, teria havido um ano não complexo? Em todo tempo e lugar, a vida sempre foi complexa. E continuará sendo. Per omnia saecula saeculorum. E é exatamente isso que nos desfia. Que nos leva à frente. Que nos faz lutar. Lutar para vencer as complexidades da vida. Uns lutam mais e outros lutam menos. Sejam vocês dos que lutam considerando que lutar nunca será em vão. Não se rendam. Não se deixem encurralar por ninguém, nem por nada. Lutem com a dignidade de quem anda com firmeza. Façam o possível para que 2015 possa suplantar 2014. 


Para vocês que me suportaram no Jornal da Cidade e no Blog Primeira Mão, no transcurso deste ano que envelheceu, eu desejo um Ano Novo extraordinário. E que a Luz do Divino Mestre seja a estrela guia de cada um e de cada uma. Isto é, se vocês creem. Se não creem, busquem o caminho que lhes pareça o melhor. Porém, busquem a iluminação, onde quer que vocês possam encontrá-la. 



(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 28 e 29 de dezembro de 2014. 


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Kleber Santos
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