31/01
19:19

Detran esclarece sobre Documento Único de Arrecadação enviado à residência

Somente quando a pessoa imprime a ficha de compensação pela internet (no site do Detran), para poder efetuar pagamento em outros bancos, é que se torna necessário estar especificado o código 047 para que o pagamento seja direcionado ao Banese

O Departamento Estadual de Trânsito (Detran/SE) esclarece que é falsa a informação, que está sendo propagada nas redes sociais, assim como ocorreu em 2016, de que o Documento Único de Arrecadação - DUA - que chega às residências dos proprietários de veículos no estado é falso. O código para pagamento de DUA não necessita conter o número 047, em referência ao Banco do Estado de Sergipe (Banese), já que esse tipo de documento só é pago no Banese.

Somente quando a pessoa imprime a ficha de compensação pela internet (no site do Detran), para poder efetuar pagamento em outros bancos, é que se torna necessário estar especificado o código 047 para que o pagamento seja direcionado ao Banese.

Em caso de dúvidas sobre o DUA, os proprietários de veículos podem acessar o site do Detran/SE ou o aplicativo Detran Digital e imprimir um novo Documento Único de Arrecadação para pagamento no Banese ou uma ficha de compensação, para ser paga em outros bancos.


Variedades
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Por Kleber Santos
31/01
19:18

Aluna de escola estadual em tempo integral alcança 1º lugar na USP

Giulia Pardo estudou no Colégio Atheneu Sergipense e foi aprovada no curso de Enfermagem

Do Atheneu Sergipense para a Universidade de São Paulo (USP). A aluna Giulia Oliveira Pardo, 18, aluna de escola pública estadual de ensino integral foi aprovada em 1º lugar para o curso de Enfermagem. Ela está matriculada no colégio desde o primeiro ano do ensino médio e já obteve destaque recentemente por ser a única representante sergipana no programa Parlamento Jovem Brasileiro, no qual, durante uma semana, atuou como deputada na Câmara, em Brasília.

Focada em estudar na área da saúde, especificamente no curso de Medicina, Giulia, está na lista de espera para graduar-se na área pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), campus Lagarto. A jovem estudou até o ensino fundamental em escola particular, porém decidiu dar um novo rumo a sua vida, e para isso escolheu o Colégio Atheneu Sergipense.

“Ir para escola pública foi totalmente opção minha, pois não me sentia mais bem em unidade de ensino particular. O único colégio que tinha em mente para ir era o Atheneu. Foi um choque ir para uma escola pública e, de cara, com modelo de ensino integral, no qual tinha que passar o dia todo, sem conhecer ninguém. Na época me julgaram muito pela decisão, mas me adaptei bastante ao Atheneu e fiz amigos”, relembra a estudante.

O Atheneu, assim como os centros de excelência Ministro Marco Maciel, no bairro 18 do Forte, e Vitória de Santa Maria, todos em Aracaju, oferta educação médio em tempo integral. Esse modelo de educação, segundo Giulia, foi fundamental para sua formação e aprovação em instituição de ensino superior.

“O ensino integral foi muito importante para mim para ampliar meu conteúdo. No Atheneu, a gente tem aulas de iniciação científica, temas transversais, práticas esportivas e artes cênicas. As de temas transversais foram importantes principalmente porque abordamos sobre a vinda do negro para o Brasil e isso ajudou nas duas aplicações do Enem. Por isso considero importante abordar conteúdos extracurriculares e poder fazer projetos relacionados a isso. O Parlamento Jovem Brasileiro só foi desenvolvido porque eu tinha um professor de horário de estudo, que conseguia sentar comigo para desenvolver esse projeto”, declarou a jovem.

Para ela, ser aprovada no vestibular é algo gratificante, principalmente pela classificação ter relação com seus estudos em escola pública. “A conquista foi uma sensação única e o melhor de tudo é saber que sou aluna de uma unidade pública de ensino, e que qualquer um pode chegar a qualquer lugar, dependendo apenas de cada pessoa, da comunidade na qual a escola está inserida e da equipe de professores e coordenação. Acho que esses são fatores muito importantes”, comentou.

Giulia enfatiza que o ensino integral faz a diferença e que um dos detalhes dessa modalidade de ensino é o acompanhamento realizado pelos professores. A estudante conta que os docentes do Atheneu passam o dia todo no colégio, junto aos alunos, e que juntos, todos formam uma família. “Há professores que são como pais para mim, pois me ajudaram a crescer bastante. E muitos deles sabem da nossa história de vida. Eles são atuantes, têm contato com nossos familiares, participam ativamente da nossa vida e desenvolvem projetos até para elevar nossa autoestima”.

A mãe da jovem, a gestora da área da saúde Cláudia Pardo, disse que sempre apoiou a filha na decisão de estudar em escola pública, e que, se tivesse mais filhos, os matricularia também no Atheneu Sergipense. “A unidade de ensino pública para ela foi a melhor coisa que aconteceu em termos de formação de personalidade. Ela falou comigo que queria estudar no Atheneu e o apoio foi imediato. A vivência do ensino integral é muito importante. Na escola particular ela não tinha isso. Tenho muito a agradecer a equipe do Atheneu”, pontuou, acrescentando que ficou emocionada ao acompanhar a comemoração dos demais estudantes aprovados.

De acordo com o diretor do Atheneu, Daniel Lemos, o ensino médio em tempo integral ofertado pela unidade de ensino contribui significativamente para o bom desempenho apresentado por seus estudantes. "Por ser integral, temos uma taxa de permanência elevada, próxima dos 100%. Isso cria em nossos estudantes um vínculo de pertencimento com a escola e se reflete nos resultados conquistados por eles", afirma.

Foto: André Moreira/ASN



Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
31/01
19:12

Escolas estaduais de ensino em tempo integral têm aprovação recorde de estudantes no ensino superior

As três unidades de ensino da rede pública estadual que já ofertam o ensino médio em tempo integral foram as responsáveis pelos melhores índices de aprovação de estudantes em instituições públicas de ensino superior na 1ª chamada do Sisu 2017. Elas já contabilizam 120 estudantes aprovados

Divulgado nesta segunda-feira, 31, o resultado da primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2017 é motivo de comemoração para os estudantes da Rede Pública Estadual de Ensino. Sob a responsabilidade do Ministério da Educação, o sistema é a porta de entrada para o ensino superior em instituições públicas em todo o país.

Dentre os aprovados, os destaques principais ficam por conta dos estudantes das escolas estaduais que ofertam o ensino médio em tempo integral, que são: o Colégio Estadual Atheneu Sergipense e os centros de excelência Ministro Marco Maciel, no bairro 18 do Forte, e Vitória de Santa Maria, todos em Aracaju.

Implantado na rede estadual ainda em 2009, o modelo de ensino médio em tempo integral dessas três unidades escolares foi um dos principais fatores que contribuíram para o sucesso de estudantes como o da aluna Giulia Pardo. Aos 18 anos, a jovem estudante do Colégio Atheneu foi aprovada em 1º lugar no curso de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), a instituição de ensino superior mais concorrida do país.

“Os últimos anos foram de muitos estudos e preparação, e agora é hora de colher os resultados. Ter estudado em uma escola de tempo integral influenciou bastante para que eu pudesse conquistar essa vaga”, afirmou a jovem, enquanto comemorava com os demais alunos da escola.

Giulia foi destaque em 2016 ao ser a única estudante sergipana selecionada para atuar por uma semana como deputada, em Brasília, no programa Parlamento Jovem Brasileiro, uma iniciativa da Câmara dos Deputados.

Com a cabeça raspada, o futuro engenheiro e também concluinte do ensino médio no Atheneu Sergipense, João Alexandre, é mais um dos vitoriosos matriculados na rede estadual a comemorar o resultado.

Após conquistar o 1º lugar no curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Sergipe, Alexandre elenca como fator primordial para esse resultado a qualidade do ensino ofertado no Atheneu. “Se tivesse que cursar novamente o ensino médio, com certeza me matricularia no Atheneu. Com o sistema de ensino médio em tempo integral ofertado na escola, pudemos ter, ao longo da nossa formação, muito mais tempo e contato com os professores, e isso, seguramente, faz toda a diferença”, destaca.

Apenas no Colégio Atheneu Sergipense, 11 alunos conquistaram o 1º lugar em cursos de graduação na Universidade Federal de Sergipe por meio das notas do Enem 2016. A escola também foi responsável pela aprovação de estudantes nos cursos de Medicina, Direito, e diversas engenharias da UFS, áreas mais concorridas da instituição.


Foto: Eugênio Barreto/Seed


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Por Kleber Santos
29/01
21:35

Aracaju pode sofrer racionamento de água, revela ANA

Aracaju (SE), Maceió (AL), Recife (PE),  João Pessoa (PB), Natal (RN) e Campina Grande (PB), entre outras grandes cidades do Nordeste, podem sofrer as consequências da crise hídrica, chegando  até a possibilidade de racionamento no abastecimento de água potável. A informação foi divulgada pela Agência Nacional de Água (ANA). O abastecimento de Aracaju é feito, em sua maioria, por água do rio São Francisco, onde a vazão de Xingó está em apenas 700m³s.

A  ANA promoveu reunião no último dia 19,  através de vídeo-conferência com participações do  GPTCS(MCTI)/ CPTEC/CEMADEN/ e Centros de Meteorologia dos Estados do Nordeste.  Nela foi  analisada a situação regional  e a Agência revelou  que  nas cidades  abastecidas por açudes e barragens acontecerão não só  racionamento, mas também o desabastecimento, conforme informou o meteorologista Overland Amaral.



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Por Eugênio Nascimento
29/01
19:49

Destruição do emprego em 2016: em quais setores o Nordeste teve pior desempenho

Ricardo Lacerda*
Professor de Economia da UFS

Depois de registrar a redução 1.542.371 empregos celetistas em 2015, a economia brasileira voltou a desempregar em 2016; mais 1.321.994 empregos formais foram eliminados, totalizando 2,86 milhões de empregos a menos nos dois anos de recessão profunda. 

Em 2016, as regiões Norte, Sudeste e Nordeste apresentaram as maiores taxas de retração no emprego celetista, respectivamente, 4,36%, 3,78% e 3,63%, enquanto as regiões Sul e Centro-Oeste registraram quedas abaixo da média do país, 2,03% e 2,12%.  A média nacional foi de queda de 3,3%. A região Sudeste concentrou cerca de 60% da retração do emprego, com corte de 788,6 mil vínculos formais (ver Tabela 1). 


Nordeste 
O Nordeste contava em dezembro de 2015 com 6,58 milhões de empregos celetistas, equivalentes a 16,6% do total do país, ainda que a região participe com 27,8% da população nacional, o que bem representa o seu hiato de desenvolvimento frente à média do país. Em 2016, o Nordeste eliminou 239,3 mil empregos formais, 18,1% do que foi perdido nacionalmente. Em dois anos de recessão, quase quinhentos mil empregos formais foram eliminados no Nordeste, região que detém ao lado do Norte, o mais elevado grau de informalidade no mercado de trabalho.  Os quantitativos de perda de emprego por região estão apresentados na tabela 1.

Atividades
No conjunto do país, a eliminação de vínculos empregatícios formais foi generalizada entre os ramos de atividades econômicas. As maiores perdas absolutas se concentraram no ramo de serviços, 390,1 mil vínculos empregatícios eliminados, na construção civil, 358,7 mil, na indústria de transformação, 322,5 mil, e no comércio, 204,4 mil, que são as atividades mais importantes em termos de vínculos empregatícios no país. 

Entre elas, todavia, a que apresentou a queda relativa mais acentuada foi a construção civil que em apenas um ano perdeu 13,48% de todo o seu estoque do emprego, mais do que o dobro de qualquer outro ramo de atividade. Como se sabe, a atividade vem sendo castigada pelo estouro da bolha imobiliária e pela paralisia das obras públicas, em parte por conta da crise nas finanças nas três esferas de governo, em parte por conta dos escândalos de corrupção que vêm desorganizando o setor (ver Tabela 2).

Comparativo regional

Entre as principais atividades empregadoras, o corte de vínculos formais no Nordeste em 2016 foi mais alto do que a média do Brasil na construção civil e no comércio e foi relativamente menos acentuado na indústria de transformação e no segmento de serviços. 

Ainda que a perda de emprego também tenha sido generalizada na região (apenas a agropecuária e os empregos celetistas na administração pública tiveram incrementos de emprego mesmo assim insignificantes) foi a construção civil que liderou a perda de emprego em termos absolutos e em termos relativo, com a eliminação de 86,1 mil vínculos, número muito superior aos 55,5 mil empregos perdidos nos segmentos de serviços, o segundo que mais desempregou. Na região, foram eliminados -15,06% de todos os vínculos formais na construção civil. A terceira atividade que mais desempregou na região em 2016 foi o comércio, 48, 2 mil vínculos eliminados, e a quarta o comércio, -39,6 mil. 

A estatística do corte do emprego por setor de atividade revela um dado curioso que ainda carece de explicação: do total de 12.687 empregos formais eliminados no setor de serviços industriais de utilidade pública, que abrange o fornecimento de agua, saneamento e energia e os serviços de limpeza pública, 7.561 se concentraram na região Nordeste, cerca de 60% do total do país, participação muito desproporcional ao peso que a região tem no emprego total.

Chama atenção ainda o fato de que a região em que o consumo cresceu bem acima do país no ciclo expansivo de 2004 a 2014 em 2016 a atividade comercial tenha desempregado mais do que a média do país. 

Entre os subsetores da indústria de transformação do Nordeste, o corte de emprego atingiu fortemente as suas atividades mais importantes na ocupação da mão de obra, como a indústria de alimentos e bebidas e a têxtil-confecção. Em termos relativos, a queda do emprego no segmento têxtil-confecção na região Nordeste foi mais do que o dobro da média nacional, assim como em outro importante segmento da indústria de transformação regional, a de produtos químicos e farmacêuticos.

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
29/01
19:46

A Subida do Morro

José Lima Santana
Professor de Direito da UFS

Ratatatatatatatá... Ratatatatatatatá... Ratatatatatatatá... A neve caía sem parar. E, logo, a brancura era maculada por óleo, barro e sangue. Muito sangue. Mas, a nevasca cobria o óleo, o barro e o sangue. E tudo se repetia. As metralhadoras inimigas não paravam de cuspir fogo. Os alemães, apesar da derrocada iminente, ainda eram muito fortes. Talvez ali estivessem os soldados mais bem preparados daquela guerra. E muito bem armados. Eles formavam um exército dividido em partes por todos os lados, mas eram inimigos que impunham respeito. O que levava os homens à guerra, à mortandade? O soldado Anacleto gostaria de saber. O que ele sabia era que tinha que subir o morro. Porém, matar homens não era a mesma coisa que matar preás e rolinhas para afastar a fome, no sertão. 

Barulho de esteiras de um tanque de guerra rangendo, massacrando a neve, esmagando corpos há pouco caídos para jamais levantar. O frio. Na terra do soldado Anacleto não fazia frio, nem no inverno mais rigoroso. Quando muito, uma aragem de brejo nas noites de agosto, quando o vento soprava da costa para o interior. Carractri... Carractri... Carractri... O tanque avançava. A artilharia dos ianques, pau a pau, não era páreo para o formidável Tiger II, o mais importante tanque da artilharia alemã, que era maior que os outros, tinha blindagem e poder de fogo imbatíveis. Na batalha frente a frente com qualquer outra máquina, o Tiger II, em tese, não podia ser derrotado.

A patrulha da qual fazia parte o soldado Anacleto estava em campo desde a noite anterior. Àquela hora, deveria ser mais ou menos meio dia. Contudo, a nevasca fazia o tempo escurecer um bocado. Pouco se podia enxergar à média distância. O sargento que comandava a patrulha ficara para trás, morto. Dos dez soldados, apenas quatro continuavam vivos e agrupados. Dois deles portavam ferimentos leves, causados por estilhaços. Anacleto sabia que era impossível recuar, para encontrar as linhas amigas. Os alemães estavam por toda parte. Mais cedo ou mais tarde, eles cairiam. Mas, não naquele momento. Eles estavam bem entrincheirados em vários pontos do morro. Os ninhos de metralhadoras tornavam-se invisíveis. O único tanque Tiger II que ali combatia, fazia um serviço infeliz. Um massacre. Os pracinhas quase não tinham proteção da artilharia pesada dos aliados. Anacleto sentia-se uma espécie de boi de piranha, como se dizia na sua terra, não muito longe das margens do rio São Francisco. 

Ao seu lado, uma voz sussurrou: “Você acha que a gente escapa dessa, cara?”. Era um carioca, tocador de violão, meio doido. “Quem sabe é Deus!”, respondeu Anacleto, também sussurrando. Estavam na Itália há três meses e meio. Foram lutar na Europa sem armas de valimento e sem a devida proteção para o inverno rigoroso. Os gringos os socorreram. Os filhos de Tio Sam desdenhavam deles. Lutar na Europa. Lutar contra Hitler, um cara de bigodinho ridículo. Anacleto deveria estar ajudando o pai na labuta da roça, pelejando com o gadinho. Dezembro era mês de verão na sua terra. Seca braba. Faltava água para as pessoas e os animais. Faltava capim. Gado definhando e morrendo para a festa dos urubus. Ali, na nevasca, os urubus eram os nazistas. Cambada de demônios, que queriam dominar o mundo. Eles dominariam o Brasil? O que eles haveriam de querer com seca e miséria, ao menos no sertão sergipano, no sertão nordestino inteiro? Ano em riba de ano, o sertanejo sofria. 

Outra carga de metralhadora. Mais outra. A subida do morro era difícil. E debaixo do chumbo pesado do inimigo, ficava quase impossível avançar. Por onde andariam as outras patrulhas? Tiveram mais sorte do que a dele? Era improvável diante daquela reação dos alemães. Os morteiros também matraqueavam morro abaixo. O Tiger II de vez em quando disparava um tiro. O barulho era ensurdecedor. Só o barulho assustava. O tanque parecia estar bem perto. O barulho das esteiras era cada vez mais nítido. Carractri... Carractri... Carractri... 

O carioca doido disse que iria tentar explodir o tanque. Anacleto aconselhou que ele ficasse onde estava. Mas, o tocador de violão rastejou em direção ao barulho das esteiras do tanque. Anacleto o perdeu de vista. Logo, um tiro seco de fuzil soou no espaço. Um grito de dor. O tocador de violão foi tocar no céu. Restavam três pracinhas da patrulha de Anacleto. Eles estavam sem comando. Estavam por conta própria, ao Deus dará. Outra chuva de balas. Um obus explodiu a poucos metros deles. Os outros dois recuaram para uma fenda à direita. Anacleto entrincheirou-se noutra fenda. Esperança de vida? Só se ocorresse um milagre. Vozes em língua enrolada eram ouvidas. À distância. Perto, porém, era o barulho do Tiger II, que avançava sorrateiro como cobra caçando o almoço. Carractri... Carractri... Carractri...   

Anacleto ouviu o sussurro de um dos companheiros que estavam na outra fenda. “Vamos sair deste inferno, amigo!”. Os dois se foram. Tiros de fuzil. Gritos. Anacleto se encolheu na fenda. A infantaria que acompanhava o tanque deu cabo dos dois pracinhas. Da patrulha só restava Anacleto. O tanque continuava avançando. Vinha em sua direção. Anacleto segurou uma granada. Aquele artefato não faria nem uma cócega no Tiger II. Mas, enfim, ele tentaria alguma coisa. Não morreria entocado, tremendo como um rato assustado diante de um gato faminto. A fome do Tiger II era insaciável. A fome dos poderosos não tinha limites. Homens morriam sem saber direito a razão. 
De chofre, o tanque alemão surgiu imponente, abrindo caminho na nevasca. Estava quase todo coberto de neve. Era mesmo monstruoso, como diziam. Carractri... 

Carractri... Carractri... O barulho das esteiras rolando e empurrando o tanque não conseguia abafar algumas vozes, que soavam por detrás. Anacleto beijou a imagem de São Francisco, que sua avó lhe dera, antes de embarcar para a guerra. Abriu bem os olhos. Viu o tanque avançar, bem na sua direção. Faria dele uma pasta de carne ensanguentada. Decerto, seria esmagado. Preparou-se para arremessar a granada. Nunca mais veria a sua terra, a sua família. A mãe haveria de chorar muito. Ele era o filho mais novo, a ponta de rama. Dona Clotilde, a mãe, era muito apegada a ele. E o cachorro Veludo, bonzinho de caça, que era uma beleza? Nunca mais. A filha de Tonico Valadão do finado Pedro de Zacarias por quem ele tinha uma queda, arranjaria um namorado. Casaria e teria filhos, os filhos que poderiam ser os seus. Morrer numa terra estranha, lutando numa guerra ainda mais estranha. Não tinha sentido. Ele, porém, era filho de José Eleutério das Porteiras. Um sujeito destemido. Não poderia fazer vergonha ao pai. Não morreria como um borra-botas. Atiraria a granada. Morreria lutando. Rezou um Pai Nosso, pulando palavras. O rosto da filha de Tonico Valadão estava ali à sua frente. O rosto da morte, também. Rosto tétrico. Assombroso. A morte tinha a cara de um herege. 

Um forte estampido. Outro e mais outro. Fogo e estilhaços. Gritos. Corpos sendo arremessados. Tiros certeiros disparados de outro tanque tirou de combate o Tiger II. Anacleto segurou a metralhadora com firmeza. Fez mira. Por ora, estava salvo. 

Para movimentar um tanque de 56,9 toneladas, as esteiras do Tiger II eram frágeis. Produzidas para veículos menores e adaptadas às pressas, elas não eram reforçadas o suficiente para o tamanho do veículo e, às vezes, paravam de funcionar. Os tiros certeiros de um tanque M-4 Sherman americano acabaram com as esteiras do Tiger II e fez voar pelos ares os soldados que estavam na sua retaguarda. Os que estavam dentro do tanque foram abatidos por uma das patrulhas. Anacleto ouviu nitidamente alguém dizer: “A cobra tá fumando!”. Dois dias depois, agregado às demais patrulhas conjugadas de pracinhas e ianques, ele acabaria subindo o morro. E o morro seria tomado. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
29/01
19:44

Usos políticos da Polícia Federal

Afonso Nascimento                                                         
Professor do Direito da UFS
 
Não existem trabalhos sobre a Polícia Federal (PF) em Sergipe. No sítio da instituição não pode ser encontrado um seu "histórico". Nós nos demos conta disso depois de fazermos buscas nos sítios da PF nacional e da PF da Bahia. No caso do sítio nacional, dois pontos nos chamaram a atenção. O primeiro é que quase todos os diretores nacional, no período de 1964 a 1985, foram militares. O outro é que não há referência nenhuma ao papel da PF durante o regime militar. Como interpretar isso? É possível que os membros da instituição ainda não conseguiram fazer uma autocrítica sobre esse seu passado. Aqui em Aracaju fizemos duas visitas mal-sucedidas ao prédio dessa instituição que tem prestado tantos serviços importantes ao Brasil. Aliás, a sua contribuição ao nosso país é muito mais importante do que essa "mancha" histórica de sua participação a serviço do regime militar.
 
A Polícia federal em Sergipe foi criada em 1965, um ano depois do golpe militar de 1964. Uma coisa tem a ver com a outra? Provavelmente, sim, já que se tratava de um regime obcecado com a segurança nacional em todos os estados brasileiros. Pode até soar estranho dizer que os sergipanos eram uma ameaça à segurança nacional? Sim, mas era assim que éramos percebidos. Se em 1964 e antes de 1964, houve alguma atuação da PF como polícia política em Sergipe, isso aconteceu a partir de determinações e de ações da PF da Bahia.
 
A Portaria no. 163, de 15 de abril de 1965, assinada pelo diretor-geral do Departamento Federal de Segurança, em Brasília, foi o instrumento jurídico dessa criação institucional, com jurisdição em todo o território sergipano. Em 1972 passou a ser chamada de Divisão de Polícia Federal (Decreto no. 70.665, 2 de junho de 1972), com o que ganhou autonomia e,  pouco tempo depois,  foi transformada em Superintendência Regional (Decreto no. 75.398, 19 de novembro de 1975).

É do nosso interesse dizer que a sua primeira sede ficava no interior da 19a Circunscrição do Serviço Militar do Exército, na avenida João Rodrigues, no Bairro Industrial - o que parece confirmar o que levantamos acima. Depois da primeira sede, até esta data, a PF sergipana teve várias outras sedes em Aracaju, funcionando nos seguintes endereços: Rua de Lagarto, no prédio da antiga Escola Técnica Federal de Sergipe,  Rua de Capela 363, na Rua Campos, na Praça João XXIII (em frente á Rodoviária Luiz Garcia),  Avenida Ivo do Prado (Edífício Danusa), de novo Rua Lagarto no. 50 e, finalmente,  Avenida Rio de Janeiro no 2000. De 1965 a 2016, a PF sergipana sempre teve sedes alugadas.
 
No período do regime militar, estas foram as elites dirigentes da PF sergipana: Cap. PM DF Antônio Laudelino de Barros (24/01/65 - 22/08/69 ),  Dr. Osvaldo de Albuquerque de Melo (04/11/69  -  10/02/72), Dr. Annibal Carneiro da Costa  (17/02/72  -  06/07/73), Dr. Alfredo Ângelo de Aquino Filho (12/09/74), Dr. Paulo do Espírito Santo (25/02/75), Dr. Carlos Augusto Machado Lima (22/08/78-22/01/81), Dr. Ciro Rocha Ferreiro (22/01/81-24/06/82), Dr. Pedro Guedes da Costa (24/06/82-16/01/86). Nós não temos a menor ideia sobre a procedência desses dirigentes e supomos que o "Dr" queira dizer bacharel em Direito.
 
Não tivemos acesso à lista dos agentes da PF que trabalharam em Sergipe no período mencionado. Pessoas que depuseram na Comissão Estadual da Verdade mencionaram vários nomes deles. Apenas sabemos que, sob a direção do primeiro responsável pela instituição, nela trabalharam o 1o. Sargento da PM DF Waldemar do Ó, o GC da PM DF Manoel Fidalgo da Costa Santos, o AAPF Francisco Brito Mangueira, o AAPF Anatólio Araújo Veloso, o Of. Administraivo João Jocundo da Silva, o MP José Vieira e um datilógrafo Eudo Gomes, cedido pela Prefeitura de Aracaju. Como qualquer um de nós pode imaginar, os membros da PF no mesmo período cresceu bastante e conheceu diversas especializações, com a chegada e a partida de muitos de seus quadros pois, afinal, trata-se uma instituição com circulação nacional de quadros.
 
A PF sergipana sempre esteve ligada ao Ministério da Justiça. Esse ministério possuía, como todos os demais, uma Divisão de Segurança e Informação (DSI), logo estava subordinada ao superministério que era o Serviço Nacional de Informação (SNI). É natural, portanto, que todos os órgãos de segurança e informação se comunicassem entre si, trocassem informações e atuassem, muitas vezes, conjuntamente. Por outro lado, isso não descartava que conflitos houvesse entre eles. Na década de 1970, por exemplo,  a PF e o SNI em Sergipe se bicaram por causa de um certo agente do SNI.
 
Das primeiras leituras da documentação coletada no Arquivo Nacional e de depoimentos de atingidos pelo regime militar, percebe-se que os agentes da PF, enquanto polícia política, atuavam em duas frentes: a política e a cultural. Em relação à primeira, não existem notícias de que seus agentes tenham praticado tortura ou tenham feito desaparecidos - embora fosse uma agência de vigilância e repressão. No período examinado, prendeu  opositores do regime e auxiliou outros órgãos em operações conjuntas; impediu e dificultou a entrada de padres estrangeiros considerados potencialmente "subversivos", já que cuidava do setor de imigração; monitorou sindicalistas e políticos de oposição legal e clandestina nos seus locais de trabalho; infiltrou agentes na comunidade acadêmica da UFS, através de matrículas de araque, com o objetivo de monitorar o Diretório Central dos Estados (DCE) e os centros acadêmicos; implantou agentes ou informantes dentro da Ala Jovem do MDB - conclusão a que chegamos por conta dos relatórios detalhados e meticulosos que só poderiam ser escritos por "insiders"; perseguiu estudantes pichadores de palavras de ordem contra a ditadura nas madrugadas de Aracaju; empastelou o jornal O REKADO, por eles considerados "clandestino, embora vendido em bancas de revistas; e, sem exaurir essa lista, convocou para intimidar e fazer dissuadir estudantes interessados  em fazer política ou cuja ação política se tornara indesejada, fazendo intimidações com gritos e batidas fortes na mesa.
 
No plano das artes e da cultura, a atuação dos agentes federais foi mais fácil, posto que o ambiente cultural sergipano era paupérrimo. Com efeito, o que havia mesmo eram grupos amadores que, dificilmente, poderiam ser chamados de contestadores ou socialmente engajados - raras exceções à parte antes e logo depois do golpe militar de 1964. Os jornais sergipanos eram muito bem comportados, com exceção da Gazeta de Sergipe até o seu proprietário aderir ao regime militar. A censura era mais aplicada para shows geralmente importados do Sudeste. No caso de Festival de Arte de São Cristóvão, experiência da política cultural do regime militar e promovido pela UFS, tudo era devidamente controlado. O grupo de teatro de Severo de Acelino, um marinheiro reformado, nunca teve problemas com a censura. A coisa interessante é que, provavelmente por causa da proverbial ignorância dos censores em termos culturais, foi tolerado o funcionamento  do clube de cinema coordenado por Djaldino Mota Morena e Ivan Valença, que exibia, nas manhãs de sábado da década de 1970 no Cine Palace,  filmes do neo-realismo italiano, de Glauber Rocha, de Serguei Eisenstein, etc. Talvez porque esses e outros filmes fossem considerados "cinema de arte"?
 
Recentemente, por ocasião do coup d´État de 2016 , foi feito novo  uso político da PF, não pela presidente deposta, mas pelos conspiradores. A instituição ficou e continua muito politizada e até houve manifestações públicas de seus servidores pela derrubada de Dilma Roussef. A presidente perdeu o controle da instituição que pareceu trabalhar, em nome do combate à corrupção, do lado daqueles que promoveram a quebra da legalidade dentro da lei. Como não temos nenhuma filiação partidária, estamos bem à vontade para dizer que queremos a prisão de todos os corruptos do partido do presidente interino ( interino porque não foi  feito eleito para o cargo que ocupa)  do PT, do PSDB, do PP, etc. A PF brasileira precisa voltar a ser despartidarizada para poder cumprir o seu papel constitucional.


Coluna Afonso Nascimento
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Por Kleber Santos
29/01
19:31

Coluna Primeira Mão

Briguem, mas tragam dinheiro


É muito boa essa briga entre o governador Jackson Barreto e o senador Antônio Carlos Valadares por liberação de recursos federais para Sergipe, em Brasília. Conquanto que tragam dinheiro. Se um foi "golpista" e o outro não foi "golpista" é que menos importa, bem como se um passou na frente do outro e se é um governador e o outro não. Do ponto de vista do povo sergipano o que interessa é: briguem, batam boca nos meios de comunicação, mas tragam recursos!


Outro sergipano no STF?


Nos meios jurídicos sergipanos existe um consenso de que Sergipe não tem condições de emplacar um novo ministro no STF. Considerando o nível mais político do que jurídico dos membros da Corte Suprema do Brasil, muitos juristas sergipanos poderiam sonhar com a nova vaga, mas faltam um governador Marcelo Déda e um presidente Lula. Os estados do Nordeste não têm nenhuma chance de indicar ninguém. Mas, quem sabe...


Ainda CEV?


A nomeação do ex-reitor da UFS e da UNILA, Josué Modesto dos Passos Subrinho, para a Secretaria de Estado da Fazenda (SEFAZ) encerrará as investigações dos anos de chumbo em Sergipe ou o governador Jackson Barreto indicará um novo coordenador para a CEV e os trabalhos continuam?

Maria e JB


A senadora Maria do Carmo tem evitado falar sobre as informações que têm sido divulgadas apontando uma certa aproximação dela ao governador Jackson Barreto. Na verdade, ela nunca esteve muito distante dele. São bons amigos.


Bem cotado 1


O ex-reitor Josué Modesto, agora já anunciado para a SEFAZ, estava também bem cotado para assumir a Secretaria de Planejamento Orçamento e Gestão (Seplog), da Prefeitura de Aracaju. Ele assume a Fazenda segunda ou terça-feira, a depender da liberação do Ministério da Educação (MEC)


Bem cotado 2


Os amigos e correligionários apostam muito no futuro político do deputado federal Laércio Oliveira. Tem sido lembrado para senador e governador em 2018. Ele desconversa.


Profissão peregrinos


Os prefeitos do interior sergipano aprenderam o caminho das pedras. Logo depois da eleição de outubro de 2016, eles começaram as peregrinações em Brasília e não largaram mais. Toda semana tem quatro ou cinco prefeitos visitando os gabinetes de senadores e deputados federais. Sempre atrás de recursos para projetos e obras.

Absurdo


Tem gente dizendo por aí que o fracasso da Polícia Civil e da Polícia Militar na luta contra a bandidagem se deve ao aumento da escolaridade dos seus quadros. Segundo esses comentários, policiais com diploma superior seriam " almofadinhas" que não fazem o combate à criminalidade de frente. Responsábilizar o diploma é uma coisa absurda. É preciso buscar outras explicações. OU não?


Sonegação

A sonegação de impostos no Brasil é uma festa. Para cada orçamento arrecadado, um outro foi sonegado no Brasil e nos estados. Os governantes parecem não fazer nenhum esforço de cobrar os devedores na Justiça e esses processos se arrastam por anos e anos. Corpo mole da parte de muita gente. As más línguas de Aracaju dizem que não há jogo duro contra os grandes devedores porque são eles que financiam as campanhas eleitorais. Se for assim, parece mesmo muito difícil superar a crise fiscal vivida no Brasil e nos estados.


Interesses pessoais


Adelson Alves, cantor, compositor, político sem mandato e que, embora esteja filiado ao PSC e atuando no sentido de criar a União Democrática Cristã em Sergipe (UDS), avalia que os interesses pessoais no grupamento a que pertence, a oposição, são mais fortes que os coletivos. ?Nós da oposição não temos um plano para enfrentar o Governo. Também falta unidade no grupo. Isso dificulta trabalhar junto ao eleitorado uma proposta concreta. Sobrevivemos na base do ?é cada um por si e Deus por todos nós?.


Tempos de crise


É péssima a situação das indústrias cimenteiras, de fertilizantes (Fafen), Petrobras e Vale em Sergipe. Sentem muito os reflexos da crise econômica que atinge o país. Não estão investindo em seus projetos no Estado.


Ofertão


As empresas que atuam no ramo imobiliário estão realizando um ofertão com até 40% de descontos.


Uber x táxi


Os dois segmentos do transporte de passageiros estão em pé de guerra. Os taxistas deduram a presença dos motoristas do Uber em Aracaju e municípios vizinhos.


Liberdade

A Rádio Liberdade FM vai mudar de nome e ganhar potência. A partir de fevereiro próximo a emissora chamar-se-á Fan FM e passará dos atuais 5 quilos para 12 quilos. Cobrirá todo o Estado. No dia 6 do mesmo mês, George Magalhães comandará programa das 5h50 às 9h.


Profissão em alta


Ladrão de celular é o segmento profissional que mais cresce em Sergipe. Eles se fazem presentes em todos os 75 municípios e, se todos forem presos, a Secretaria de Justiça precisará dispor de algo em torno de 500 mil de vagas.


Carnaval 2017

O Carnaval 2017 de Aracaju não terá participação da Prefeitura Municipal, exceto na oferta de limpeza, organização do trânsito e outros serviços essenciais para que a coisa funcione.

Feira problemática


A Prefeitura de Aracaju precisa organizar a feira do bairro Aruana. Ela acontece nas noites de sexta e os feirantes ocupam as calçadas, o que leva os moradores e compradores a ficarem no meio da rua. O trânsito na área é intenso. Há 9 dias um carro invadiu a área e atropelou algumas pessoas e na sexta-feira passada foi a vez de uma bicicleta atropelar consumidores.

 





Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
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