28/02
17:48

Comandante Geral visita Batalhões no Interior

O comandante geral da Polícia Militar de Sergipe, coronel Marcony Cabral Santos visitou, no período em que se comemora o carnaval, alguns batalhões e unidades que fazem parte da área do interior do Estado.

A visita faz parte do compromisso do coronel Marcony com a implementação da Força Tática em todos os batalhões de área, na grande Aracaju e no interior, além da intensificação de blitz da Lei Seca, neste período de festa. A oportunidade, se deve também pelo aniversário de 182 anos da PMSE em que o comandante saúda toda a tropa.

Na ocasião os comandantes das companhias de Pirambú, Neópolis, além do comando do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv), estiveram presentes e acompanharam o comandante geral e o chefe da PM-4, tenente coronel Edenisson Paixão, em algumas ações policiais.
 


Variedades
Com.: 0
Por Kleber Santos
27/02
08:29

Coluna Primeira Mão

Habeas corpus


Depois do carnaval, provavelmente na próxima semana, a seccional de Sergipe da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE) ingressa em juízo com pedidos de habeas corpus para algo em torno de 15 a 20 presos  do Compemcan, que estariam desnecessariamente na condição de internos. Tem um caso que chama a atenção de todos: um rapaz que fez um pequeno furto na feira de Estância está no Compemcan  há sete meses. Há doentes entre os que podem ser beneficiados com o habeas corpus. Enquanto isso, quem mata está em liberdade, numa boa.


Na alça de mira


Os opositores do prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira (PC do B) propagam intensamente que em menos de 60 dias no cargo ele aumentou o IPTU, parcelou o 13º salário e fez a tão propalada cidade da qualidade de vida virar uma lixeira. Nogueira sempre tem dito que esses problemas  não foram gerados por ele e fazem parte da chamada ?herança maldita”. Mas vale lembrar que a administração pública é impessoal.


Calmaria machadiana


O ex-vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado, já não tem pressa em deixar o ninho tucano. Tem conversado com o novo comandante do ninho tucano, senador Eduardo Amorim, mas tem mantido contatos com outros partidos. Se precisar alçar vôo, o fará.


Lava Jatinho


Há quem diga que a Operação Lava Jato vai chegar a Sergipe logo em breve, quando começar o processo de investigação de médias e pequenas empresas.


Bestseller


O livro do escritor e professor universitário José Lima Santana sobre a história da Deso tem sido muito procurado nesses tempos em que se fala na privatização da empresa de águas de Sergipe. O livro está na sua segunda edição.


Sim ou não?


Em alguns momentos, o governador Jackson Barreto (PMDB) deixa transparecer que tem interesse em vender a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso). Em outros, ele descarta essa vontade e diz que o BNDES está realizando estudos para ver a viabilidade. A mesma postura têm deputados que dão apoio ao governo na Alese, onde a oposição privatista é contra a venda.

 

Pelo telefone

 

O presidente Michel Temer tirou o deputado federal André Moura de sua liderança na Câmara pelo telefone. E pelo telefone o colocou na condição de um dos articuladores do Governo.


Seleção

 

Vereadores de Sergipe que não possuem quadro permanente de servidores,  precisam fazer concursos públicos para entrar na modernidade. Chega de funcionários emprestados e alta rotatividade de cargos comissionados e de funcionários fantasmas.


Economia


A Câmara de Aracaju está adotando  contenção de gastos para viabilizar o projeto de construir a sua nova sede no Centro Administrativo Goverrnador Augusto Franco. Em dois meses economizou R$ 1 milhão. O presidente da Casa, vereador Josenito Vitale, o ?Nitinho? também trabalha a ideia de fazer concurso público para recompor os quadros do funcionalismo.

Segurança


Segundo militar da ativa,  um dos problemas principais da segurança pública sergipana é que ela se tornou uma questão de mídia.  Ainda de acordo com ele,  faz- se uma grande operação por semana e seus resultados são mostrados com estardalhaço pela mídia.  Depois vem o relaxamento.  Parece exagerado,  mas faz sentido.

Assaltos

Pelo menos duas ou três vezes por semana os assaltantes invadem ônibus das linhas que ligam Aracaju aos conjuntos João Alves, Marcos Freire, Fernando Collor e Albano Franco, em Nossa Senhora do Socorro, tomam dinheiro, relógios e celulares dos usuários do sistema de transporte e vão embora.  E ninguém faz nada.


Salgado

A secretaria da Educação de Salgado  Hilta Silveira juntamente com sua assessora Deusa estão sendo acusados por servidores municipais  de perseguirem professores que não votaram no prefeito Duílio Siqueira. Os professores têm sido transferidos para locais mais distantes da sede do município. As transferências ocorrem via zap.



Coluna Eugênio Nascimento
Com.: 0
Por Eugênio Nascimento
26/02
21:25

O “Ó do Borogodó”

Clóvis Barbosa
Blogueiro e presidente do TCE/SE

O Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, é, talvez, um dos mais preparados juristas do país. À margem disso, é dado a decisões e depoimentos polêmicos. Quem não se recorda do habeas corpus concedido ao banqueiro Daniel Dantas, do grupo Opportunity, investigado e preso por crimes financeiros e tentativa de suborno durante a Operação Satiagraha da Polícia Federal?! Sua postura foi criticada pela opinião pública, tendo sido acusado pelo Ministério Público de ter “suprimido instâncias judiciais”. Mendes atacou na época o juiz Fausto D’Sanctis, responsável pelos decretos de prisão preventiva, e a Polícia Federal, por estarem tentando consolidar no Brasil um “estado policialesco”. Os bate-bocas com colegas da Corte têm sido usuais, principalmente aqueles considerados mais graves, como os que foram travados com Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux. Quando ocupava o cargo de presidente da Casa, discutiu com o ministro Joaquim Barbosa. Durante um julgamento ambos divergiram. Irritado com Barbosa, Gilmar disse que o ministro não tem condições de dar lição a ninguém. Barbosa, por sua vez, respondeu: Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso.

Mendes não esconde e faz questão de revelar as suas preferências político-partidárias. Nomeado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, demonstrava certa ojeriza ao governo do PT. No começo da Operação Lava Jato, quando os canhões apontavam para os governos Lula/Dilma e para a cúpula do partido, foi bastante mordaz: o que se instalou no País nesses últimos anos está sendo revelado na Operação Lava Jato. É um modelo de governança corrupta, algo que merece o nome de cleptocracia. Em 2015, foi um dos três ministros do STF a votar contra o fim do financiamento empresarial de campanhas eleitorais. Chegou a afirmar na época que a medida somente beneficiaria o PT, pois, segundo ele, não precisaria mais de doações por já ter acumulado muito dinheiro ao lesar os cofres públicos. Chegou a ser irônico ao enfatizar que o partido que mais leva vantagem na captação das empresas privadas agora, como madre Tereza de Calcutá, defende o fim do financiamento privado. Diz um provérbio português que “o tempo é senhor da razão”. Resultado: os ventos da Operação Lava Jato voltaram-se para figuras políticas abençoadas pelo ministro Gilmar. Os outroras encômios ao trabalho da operação transformaram-se em críticas: os investigadores da Lava Jato precisam calçar as “sandálias da humildade” e não podem se achar o “ó do borogodó”.

Ao ler esta crítica de Gilmar e a citação, voltei aos meus doze anos. Ouvia muito a frase o “ó do borogodó”. – Fulano tem borogodó, coisa que você não tem. Não entendia muito o significado. Na década de 70, assisti a um show numa boate de Ipanema. Osvaldo Sargentelli, “O rei do ziriguidum”, estava se apresentando com as suas belas mulatas. Lá pras tantas, Sargentelli, ao elencar cada uma delas, dizia: as minhas mulatas têm borogodó! Não há uma definição acabada para o termo. Para o Dicionário Michaelis, em sua versão on-line no Uol (http://bit.ly/aslVBX), o verbete  “borogodó” é apresentado como substantivo masculino popular – atrativo físico muito peculiar. Não é somente a beleza. É um algo a mais. Alguma coisa como a forma de olhar, o esmero no tratamento, o jeito encantador de se postar diante de outro, enfim, o “ó do borogodó” é algo ou alguém com alguma coisa a mais, especial. E foi nesse sentido que Gilmar Mendes se posicionou contra os jovens integrantes do Ministério Público e da Polícia Federal que participam da Operação Lava Jato – eles não podem se achar o “ó do borogodó”. Mas acredito que essa meninada não quer ser o “ó do borogodó”. Eles estarão satisfeitos quando conseguirem mudar esse quadro assustador que ameaça, a cada dia, o tecido social brasileiro, fazendo com que a decência seja a regra de comportamento e a corrupção a exceção. Não o contrário.

A verdade é que o País passa por uma verdadeira lavagem ética e é preciso que haja perseguição aos princípios e valores que deveriam estar no DNA de todo cidadão. Contardo Calligaris, em artigo na Folha de São Paulo, edição do último dia 9/02, ao abordar o tema sobre a vulgaridade do poder, diz que o poder é vulgar de duas formas básicas, que se misturam facilmente. Há a vulgaridade do poder sem cultura e há a vulgaridade do poder sem questões e dilemas morais. Segundo Calligaris, o poder sem cultura é vulgar porque ele só se exibe. Já o poder sem preocupação moral é vulgar porque seu exercício não tem nem sequer “desculpas” e revela imediatamente o gozo de quem o detém. Ou seja, o poderoso sem preocupação moral governa só para gozar de seu próprio poder. Não é por acaso que certos representantes dos poderes constituídos, flagrados na prática de comportamentos criminosos, reagem quase sempre com violência, em linguagem ralé ou grosseira, num tom ameaçador que lembra os tempos dos coronéis da casa-grande vociferando para a senzala. É salutar à ordem pública o conhecimento amplo das acusações baseadas em provas envolvendo funcionários ou agentes do Poder Público. Elas são de interesse geral. O agente público sempre está colocado numa vitrina sujeita a inspeção e controle da sociedade.

Montesquieu, o grande artífice da tripartição dos poderes, dizia que a corrupção de uma administração começa quase sempre com a corrupção dos seus princípios. Tal reflexão deveria ser assimilada pelos que não compreendem o real papel do Estado. O Estado não “é” deles. Tampouco é “para” eles. É para todos. A visão patrimonialista de Estado, onde não há distinção entre os limites do público e do privado, precisa ser erradicada da nossa democracia. Como diz o ministro Ayres Britto, ex-presidente do STF, “o patrimonialismo é o ovo da serpente de toda corrupção enquadrilhada”. Posso me enganar, mas o Brasil precisa dar um salto de qualidade, saindo da barbárie em busca da civilização. Para tanto, concordo plenamente com Britto, ao receber na semana passada o prêmio FGV de Direitos Humanos, concedido pelas escolas de Direito da Fundação Getúlio Vargas: o Brasil deu um tranco na cultura da impunidade de pessoas postadas nos andares de cima da sociedade, e a Lava Jato se constitui numa espécie de patrimônio da coletividade brasileira no sentido de responsabilizar quem comprovadamente tem culpa no cartório. A sociedade precisa abrir os olhos. Dirigir a sua curiosidade para a transformação verdadeira do País. Uma sociedade sem ódios, mas solidária e justa para todos. Punir severamente os desvios de conduta é o início da transformação. Por que não? Seremos o “ó do borogodó”!


POST-SCRIPTUM
Platão popozudo.

- O que você carrega aí, embaixo do braço? Parece bem pesado. - São as obras completas de Valesca Popozuda. Uma edição bilíngue em capa dura. - Valesca o que? De quem se trata? Nunca ouvi falar. É uma escritora russa? - Que russa, que nada. Brasileiríssima. Segundo um professor do Distrito Federal, é uma grande pensadora contemporânea. - O que foi que ela escreveu? Nunca li. - Obras fundamentais para a compreensão do mundo atual. Vou citar apenas algumas: “Pica Mole Style”, “Quero te Dar”, “Hoje eu não Vou Dar” e “Beijinho no Ombro”. Veja esses versos: “Eu fiquei foi peladinha, na hora, bateu neurose/ Além do ‘piru’ pequeno, e aí, ele não sobe?” - Perto disso, o “Lepo-Lepo” parece canção de ninar. E é assim mesmo, ‘piru’, com i? - Sim, por isso a minha edição das obras dela é bilíngue. Muita coisa precisa ser traduzida, não é de fácil compreensão. É como tentar ler Kierkegaard no original. - Mas que história é essa de pensadora contemporânea? - Foi um professor do ensino médio que colocou na prova uma pergunta sobre uma música de Valesca, e a introduziu, ou melhor dizendo, a apresentou, como uma grande pensadora contemporânea. Como tudo hoje, o caso acabou na internet, com muita gente indignada. - Mas o professor falava sério? - Ele disse que era apenas uma brincadeira para atrair a mídia e mostrar que os jornalistas só se interessam por notícias ruins. - Profundo isso, sem duplo sentido. E como é que se chama o professor? - Antônio Kubitschek. - Parente do presidente? - Nada. O pai dele também era um pensador contemporâneo e para homenagear o presidente Juscelino deu o sobrenome ao filho. - Será que se o filho tivesse nascido agora ele teria dado o nome de Antônio Popozudo? - Este é um excelente exemplo de raciocínio lógico de um clássico discípulo do popozudismo. Você tem certeza de que nunca leu nada de Valesca? (Publicado no jornal “A Tarde”, sem autoria, Caderno 2, página 3, edição de segunda-feira, 14/04/2014, Humor, sob o título “Falam por Aí”).

* Clóvis Barbosa escreve quinzenalmente, aos domingos.


Coluna Clóvis Barbosa
Com.: 0
Por Kleber Santos
26/02
21:24

O Galo Querrexe

José Lima Santana
Professor da UFS

Pitoco. Este era o nome do bichinho. Um galo querrexe que Dona Sinhazinha de Zé Pinto ganhou da comadre Julinha do finado Joca do Paturi. Apesar de pequeno como sói ocorrer com aquela racinha de galináceo, Pitoco era um infeliz para cantar nas primeiras e nas segundas horas da madrugada. Um cantinho engasgado como que a atropelar as notas da melodia dos penosos. Canto engasgado e perturbador. Nas vizinhanças não havia outro galo querrexe a não ser Pitoco. Os demais galos eram encorpados galos caipiras ou de terrança, como também era chamada a raça de galinhas caipira. O galinho pedrês de Dona Sinhazinha vivia no pequeno quintal cimentado da casa ampla onde ela morava com o marido e onde o casal recebia nos fins de semana os dois filhos casados, com as noras e os oito netos, cinco filhos de Eduardinho e três filhos de José Pinto Filho, o primogênito. A mulher deste, Marta Maria era um doce de pessoa. Uma nora que mais parecia uma filha. Já a tal Sílvia Regina, mulher de Eduardinho, era esnobe. Uma verdadeira peste, como dizia Tia Lucinda, irmã de Dona Sinhazinha. Esta nora não se dava bem com ninguém. Nem com ela mesma. Eduardinho, se ele fosse outro, viveria no inferno em vida, atormentado pela mulher. Só que ele era cabeça fria. Um verdadeiro iceberg. Não estava aí, nem ia chegando. Se o mundo se acabasse, azar do mundo. 

A casa ampla de Dona Sinhazinha e de Zé Pinto era no subúrbio da capital. Ali eles criaram os filhos, que nasceram no Catolé, povoadozinho mais atrasado do que andada de cágado. A vizinhança toda, sem exceção, adorava o casal que já se arriava nos anos. Os moradores dali eram interioranos em sua esmagadora maioria. Uns daqui, outros dali, outros mais dacolá. O subúrbio respirava ao interior. Porém, contudo, e, todavia, eis que se mudou para a Rua de Dona Sinhazinha uma família da Bahia. Não pareciam pessoas ruins. Não pareciam. Mas, não durou muito e o novo vizinho, um tal de Mané Charuto, deu para implicar com Pitoco, com a cantoria engasgada do galinho querrexe. Reclamou a Zé Pinto. Disse que não estava disposto a continuar ouvindo o cocoricó do galo miúdo. Exigiu uma providência. Ora, Dona Sinhazinha, avisada pelo marido, afirmou que o galo já estava ali quando os vizinhos vieram de mala e cuia para aquela Rua. Dar cabo do galinho? Nem pensar. Até porque seria uma malvadeza  desmedida matar o bichinho e passá-lo para a panela. Não daria um frito. Não daria para encher o buraco de um dente estragado. E dentes estragados, ela e Zé Pinto os tinham aos montes. Dar fim a Pitoco, nem pensar. 

O vizinho queria, porque queria ver o fim do galo querrexe. Solução? Ah, ele tinha! Afinal, a filha caçula era namorada de um cabo do Exército. Pronto. O futuro genro daria um jeito. Falaria com ele. Os militares não estavam de cima? Não botaram o presidente para correr. Não estavam prendendo um montão de gente? De deputado a governador? Por que não podiam prender um galo? E, quem sabe, até o dono do galo! 

Sábado. Noite de lua. O cabo Pedroso chegou para namorar. Ao invés da namorada, ele deu de cara, ainda no portão, com o futuro sogro. Mané Charuto estava fumando. Aliás, fumava desbragadamente. E morreu de doença braba, comendo-lhe as entranhas. “Boa noite!”, disse o cabo. Sem responder ao cumprimento, Mané Charuto segurou o moço pelo braço e o puxou para um canto do arremedo de jardim. “Meu rei, você vai fazer um favorzinho ao pai da sua namorada. Um favorzinho besta. Olhe bem, que é coisa de futuro genro para futuro sogro”. 

No dia seguinte, logo cedo, um jipe do Exército estacionou em frente à casa de Dona Sinhazinha. E buzinou. Insistiu na buzina. Dona Sinhazinha acudiu, abrindo a porta. Zé Pinto, o marido, estava de viagem. Dois soldados desceram do veículo. Um deles, um carinha sardento, ainda salpicado de remela no canto do olho, indagou: “É a senhora que tem um galo querrexe, que não deixa os vizinhos em paz?”. Dona Sinhazinha, que tinha a verve do povo do Catolé, povinho tirado a dizer lérias, respondeu: “Não, meu filho. O meu galo é de paz. Ele não faz guerra com ninguém. Muito menos com o Exército”. Meio sem jeito, o soldado respondeu: “Nós temos ordem do sargento Marcelino para levar o galo preso”. Dona Sinhazinha ainda argumentou: “Meu filho, o meu galo não matou, não roubou e não é comunista. Por que ele vai ter que ser preso?”. E o soldado, perdendo a paciência: “Deixe de conversa fiado, dona, senão no lugar do galo quem vai é a senhora”. Ah, era tudo o que Dona Sinhazinha queria ouvir, destemida como ela era! “Estou pronta, meu filho. Por onde eu subo?”. Subir no carro, claro. 

Pois foi assim que Dona Sinhazinha acabou presa por dois soldados do Exército, que deveriam prender o galo querrexe. No quartel, o sargento, primo do cabo, espantou-se: “Ôxe! O galo querrexe comeu milho demais e mudou de sexo, foi? Que presepada é essa, soldado?”, perguntou ao soldado sardento. O soldado enrolou-se. Naquilo, Dona Sinhazinha subiu nos tamancos: “O senhor, ‘seu’ sargento, está me chamando de galinha?”. O sargento, então, deu-se conta do que acabara de dizer: “De jeito nenhum, minha senhora. Ocorre, com todo o respeito, que eu mandei trazer um galo querrexe, e eis que os soldados me trazem a senhora. Não atinei para a realidade. Perdão”. 

O próprio sargento foi dar voz de prisão ao galo querrexe de Dona Sinhazinha. Ao chegar à casa onde o galinho fazia serenata com sua vozinha engasgada, ele fez Dona Sinhazinha buscá-lo. E lá veio a dona do galinho com o dito cujo nas mãos. Era um tico de galo. Menor do qualquer galo querrexe. Um galo querrexe anão. Ao vê-lo, o sargento desandou a rir.  “É menor do que eu imaginava!”, exclamou o sargento, ainda sorrindo. Na verdade, gargalhando. “Quanto a senhora quer pelo galinho?”, perguntou o militar, que era um tipo gorducho, muito parecido com o sargento Garcia dos filmes do Zorro. “Vender o meu galinho? O senhor quer comparar o meu querrexe?”. 

O sargento ofereceu pelo galinho querrexe um dinheiro muito além do que valia um bom galo de briga. Dona Sinhazinha não se fez de rogada. O galinho querrexe, a partir daquele dia, e não sei até quando, passou a ser a mascote do Batalhão verde-oliva. 

Sem saber da compra do galinho pelo sargento, fato que, deveras, não importava, no domingo seguinte, Mané Charuto fez um churrasco para o cabo, namorado da sua filha. Comeram e beberam à vontade. Afinal, o rapaz, apesar de cabo, mostrou que tinha moral no Exército. Moral de oficial. De coronel. Quem sabia, até de general. O galo querrexe não mais o incomodava. Para Mané Charuto valia a pena ter uma filha casada com um sujeito daquele. Ele poderia ser muito mais útil. O tempo haveria de dizer. 


Coluna José Lima
Com.: 0
Por Kleber Santos
26/02
11:08

Seca, crise na construção civil e colapso das finanças públicas fazem desabar a ocupação no Nordeste

Ricardo Lacerda*
Professor da UFS

Em 2016, a desestruturação do mercado de trabalho avançou em todas as regiões do país, mas o agravamento do quadro se deu com muito mais intensidade no Nordeste. A contaminação da crise no mercado de trabalho da região tem sido generalizada, não poupando nenhum setor de atividade e nenhum tipo de ocupação, entre aqueles de maior peso na estrutura ocupacional. Em termos do emprego com carteira de trabalho, a retração da ocupação na região Nordeste (de 5,5%) somente foi inferior à da região Norte do país, que atingiu notáveis 8,5%.

Na comparação entre o trimestre outubro-dezembro de 2015 e o mesmo trimestre de 2016, o contingente de pessoas ocupadas no Brasil foi reduzido em cerca de duas milhões de pessoas (1,98 milhão), das quais 1.238 mil residiam na região Nordeste, equivalentes a 62,4% do total. 

A queda da ocupação na região Sudeste, que possui uma População Economicamente Ativa muito maior a do Nordeste, foi quase cinco vezes menor no período, 265 mil pessoas ocupadas (ver Gráfico). Nessa comparação, o contingente de pessoas ocupadas no Nordeste caiu 5,5%, frente a 2,1% na média do país, 3,5% no Norte, 0,7% no Sudeste, 1,3% no Sul e 0,4% na região Centro-Oeste.

 Fonte: IBGE. PNADc

Retração generalizada
A queda da população ocupada no Nordeste foi mais intensa do que a média nacional em todos os setores de atividade econômica, com as exceções da indústria geral e da indústria de transformação, mesmo considerando que as retrações da ocupação na região terem sido também muito expressivas nessas atividades. 

Nessa comparação entre os últimos trimestre de 2015 e 2016, três atividades representaram quase 70% da queda da ocupação na região Nordeste: a agropecuária, a construção civil e o segmento de administração pública, saúde, educação e assistência social. Agregando-se ainda as atividades comerciais e a indústria de transformação, esse conjunto de atividades representou 87,1% da redução do contingente de pessoas ocupadas na região.

 A forte retração da ocupação na construção civil e no setor industrial foi generalizada no país, mas os mergulhos do número de pessoas ocupadas na agropecuária e nas atividades de administração pública, saúde e assistência social apresentaram efeitos devastadores apenas para a região Nordeste. No caso da ocupação no setor agropecuário, a retração se verificou apenas nas regiões Nordeste e Sudeste, e nesse último caso em proporção muito menor. E a ocupação nas atividades vinculadas à administração pública e à prestação de serviços de educação, saúde e assistência social, além de ter sofrido queda extremamente significativa, foi exclusividade da região Nordeste.

Com a seca que vem castigando a região há alguns anos e que se intensificou em 2016, a ocupação nas atividades agropecuárias, no sentido amplo, na região Nordeste no último trimestre de 2016 registrou queda de 363 mil pessoas, 10,3% da ocupação setorial de um ano antes, frente à média nacional de redução de 5,5%. A retração de pessoal ocupado na construção civil foi generalizada no país, mas o recuo a região Nordeste, de 257 mil ocupações, equivalentes a 12,7%, foi proporcionalmente superior à média nacional (10,8%).

Serviços públicos
Finalmente, um fenômeno que não tem uma explicação evidente foi a redução na região Nordeste de 230 mil pessoas ocupadas nas atividades de administração pública, educação, saúde e serviços sociais, enquanto na soma das demais regiões a ocupação nesse segmento teve incremento de 121 mil pessoas. É possível que a queda acentuada da ocupação nessas atividades esteja associada ao colapso nas finanças públicas dos municípios e estados da região e o corte pode ter sido potencializado pelo fim do ciclo administrativo municipal em dezembro de 2016, mas não é evidente porque isso não se repetiu em outras regiões em que as finanças locais também enfrentam dificuldades extremas.

Entre todas as regiões, na maioria dos setores de atividade e de tipos de ocupação, o mercado de trabalho nordestino tem sofrido com mais intensidade os efeitos da crise econômica nacional: A estiagem foi um fator adicional de deterioração da situação da ocupação regional; os efeitos do colapso das finanças públicas sobre o mercado de trabalho pode revelar uma contaminação avançada da crise recessiva no tecido econômico regional.

Tabela. Variação absoluta (em mil pessoas) e relativa (em %) do número de pessoas ocupadas no Brasil e no Nordeste, segundo setores de atividade, entre o trimestre outubro-dezembro de 2015 e o trimestre outubro-dezembro de 2016



*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
Com.: 0
Por Kleber Santos
25/02
10:57

Com fim da greve dos garis, coleta de lixo volta a ser normalizada em Aracaju

Equipes limparam local onde acontece o Rasgadinho. Fotos: Emsurb

Os garis e margaridas, contratados pela empresa Cavo, responsável pela limpeza pública de Aracaju, retornaram, na manhã deste sábado (25), ao trabalho, após decidir, em assembleia, pelo fim da paralisação da categoria. A decisão se deu dois dias após reunião na Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), cujo objetivo foi buscar uma solução para a paralisação. Ontem, a Cavo e o sindicato da categoria chegaram à conciliação na Justiça Trabalhista. A empresa se comprometeu a fornecer os equipamentos adequados aos seus funcionários para a prestação do serviço com segurança e dignidade.

O presidente da Emsurb, Mendonça Prado, comemorou o retorno das equipes de limpeza ao trabalho. “A gente fica imensamente satisfeito com o retorno da coleta de lixo na cidade. Realizamos uma reunião, um dia antes da audiência no Tribunal Regional do Trabalho, para dialogar com a Cavo e o sindicato, com o objetivo de colocar fim à greve. A prefeitura de Aracaju fez tudo que estava em sua alçada para evitar a paralisação, inclusive antecipando o pagamento de um fatura que só venceria em março. Com o fim da greve, o maior beneficiado é o cidadão aracajuano. Ficamos agradecidos aos trabalhadores que retornam às suas funções, sobretudo neste período de Carnaval, quando a cidade recebe visitantes”, destacou.

O fim da greve ficou atrelada a uma pauta consensuada que destaca 15 itens, incluindo a obrigação da empresa Cavo em fornecer os equipamentos de proteção individual, aumentar a quantidade de água para os trabalhadores que estão em atividade e fornecer fardamentos, entre outras questões. A paralisação dos garis e margaridas não foi provocada pela prefeitura, uma vez que a administração municipal até antecipou o pagamento de faturas à empresa justamente para garantir a limpeza da cidade.

Para este sábado, a Emsurb definiu as seguintes localidades que receberão a coleta do lixo doméstico: Cirurgia, Lamarão, Getúlio Vargas, Santo Antônio, Zona de Expansão, Jardins, Centro, Siqueira Campos, América, Grageru, Ponto Novo, Santos Dumont, Veneza, 13 de Julho e Farolândia. Na manhã deste sábado, equipes da Cavo realizaram a limpeza da área onde está ocorrendo o Rasgadinho.


Variedades
Com.: 0
Por Kleber Santos
25/02
10:52

Polícia Civil deflagra Operação Carnaval no interior do Estado

A Secretaria de Segurança Pública de Sergipe (SSP/SE), por meio da Coordenadoria de Polícia Civil do Interior (COPCI), deflagrou nesta quinta-feira, 23, uma operação, intitulada “Operação Carnaval”, em vários municípios do interior do Estado. A ação visou intensificar o cumprimento dos mandados de prisão de crimes relacionados a roubos, tráfico de drogas, latrocínios e homicídios, com o intuito de assegurar mais tranquilidade aos foliões no período de festejos carnavalescos.

Ao todo, 27 pessoas foram presas, um adolescente apreendido, além de cinco armas de fogo e drogas apreendidas, incluindo uma submetralhadora calibre 9mm, durante o cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão nos municípios de Malhador, Itabaiana, Lagarto, Riachuelo, Pirambu, Cedro de São João, Ribeirópolis, Propriá e Nossa Senhora das Dores.

Durante a operação em Lagarto, o indivíduo identificado como Alan Souza Paixão, vulgo “Alan de Tuca”, de 32 anos, suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas, acabou reagindo à ordem de prisão dada pelos policiais. No confronto, ele foi alvejado e veio a óbito. O suspeito já havia sido preso pelo mesmo crime em 2010. Com ele foi apreendida uma pistola calibre 9mm, além de vasta munição do mesmo calibre.

Já no município de Cedro de São João, quatro pessoas foram presas, sendo três por tráfico de drogas e um por posse. Em Ribeirópolis, foi preso José Tiago dos Santos, 26 anos, por tráfico de drogas e armas. Com ele foram apreendidos um revólver calibre 38 com seis munições, três armas brancas, além de dinheiro em espécie de quatro nacionalidades diferentes, sendo R$ 636,00, 10 Euros, 56 Dólares e 19 mil pesos chilenos.

Em Itabaiana foi preso Cristiano de Menezes Oliveira, de 26 anos, acusado de praticar assaltos na região. Em Malhador foi preso Éder da Silva Santos, de 35 anos, pelo crime de roubo majorado. Em Nossa Senhora das Dores, Uelson Pereira Santos, de 25 anos, foi preso por tráfico de drogas. Com ele foram apreendidos alguns pinos contendo cocaína.

Em Riachuelo, um homem identificado como Leandro Souza Silva foi preso com uma submetralhadora. Em depoimento, o suspeito confessou que havia escondido a arma no Povoado Tabua, em Malhador. Já em Pirambu, foi preso um rapaz que costumava furtar objetos em casas de veraneio. Com o suspeito, foram encontrados os objetos furtados das casas, além de uma pistola .40 com munições.

Em Estância, policiais civis deram cumprimento ao mandado de prisão em desfavor de Wesley santos de Jesus, 30 anos, acusado de ter executado com golpes de arma branca e disparos de arma de fogo a vítima Kleiton Ângelo Santos Luz. O crime ocorreu no dia 10 de dezembro de 2016, no trevo que dá acesso ao bairro Cajueirinho.


Variedades
Com.: 0
Por Kleber Santos
25/02
10:51

Mais de 21 mil eleitores podem ter o título cancelado em Sergipe

Desde a última quarta-feira (22), está disponível a relação de eleitores que deixaram de votar nas três últimas eleições e que podem ter o título de eleitor cancelado.

Em Sergipe, o número de faltosos é de 21.628, que representa cerca de 1,4% de todo o eleitorado sergipano. Aracaju é a cidade com o maior índice, como 9.053 títulos passíveis de cancelamento. Em seguida vem o município de Nossa Senhora do Socorro, com 1.479, e logo depois Itabaiana, com 800. No país inteiro, 1.961.530 de eleitores não compareceram às urnas nos últimos três pleitos e podem perder o título de eleitor.

O que fazer?
Os eleitores que constarem na relação de faltosos deverão comparecer ao cartório eleitoral no período de 2 de março a 2 de maio de 2017 para regularizar sua situação. O cidadão deverá apresentar documento com foto que comprove sua identidade, título eleitoral e comprovantes de votação, de justificativa, de recolhimento de multa ou de dispensa de recolhimento.

E se não regularizar?
O não comparecimento para comprovação do exercício do voto, da justificativa de ausência ou do pagamento das multas correspondentes implicará o cancelamento automático do título de eleitor, a ser efetivado de 17 a 19 de maio deste ano.

Cada turno do pleito é considerado uma eleição e a Justiça Eleitoral não expedirá nenhuma notificação ao eleitor informando sobre a pendência no cadastro eleitoral.

A lista com o número desses eleitores em todas as unidades da Federação pode ser consultada aqui. Confira também a lista com o número de eleitores faltosos por município.


Política
Com.: 0
Por Kleber Santos
1 2 3 4 5 6 » Próxima » Última

Enquete


Categorias

Arquivos