30/06
22:55

Vídeo: Argentina vence o Paraguai por 6 a 1 e está na final

 

Multimídia
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Por Kleber Santos
30/06
20:44

Coluna Primeira Mão

Henri Clay poderá disputar a Presidência da OAB-SE


O ex-presidente da OAB-SE por dois mandatos, Henri Clay Andrade, poderá disputar o cargo pela terceira vez em novembro deste ano. Ele admite que tem feito “consultas” aos amigos em todo o Estado para ver os seus anseios. “A partir dessas consultas, vamos definir um projeto para contemplar todos os advogados sergipanos”, comentou com a coluna. Segundo ele, “a princípio, o advogado Maurício Gentil é o nome mais cotado de nosso grupo. Em agosto próximo, nós ampliaremos as discussões em torno da chapa e definiremos o que for melhor para todos”, explicou.Também estão de olho na Presidência Inácio Kraus e Roseline Morais. A OAB de Sergipe tem pouco mais de 9 mil inscritos.


Eliane Aquino evita expor-se eleitoralmente para 2016


A ex-primeira dama do Estado e atual assessoria do Governador Jackson Barreto (PMDB), Eliane Aquino, declarou na manhã desta segunda-feira que “eu nunca disse para ninguém que quero ou desejo ser candidata à Prefeitura de Aracaju ou qualquer outro cargo. Mas entendo que o que tiver de ser será”. Segundo ela, “esse é um assunto (eleições municipais) que não tem me interessado muito. Ainda é muito, mas insistem em falar sobre isso”.


Chuvas atingem todo o sertão do Estado de Sergipe


Os prefeitos sergipanos estão para lá de satisfeitos com as chuvas que estão atingindo todo o Estado, inclusive o semi-árido, onde há uma expectativa em torno de boas safras de milho, macaxeira, inhame e batata neste ano. As chuvas têm chegado os sempre secos municípios de Poço Redondo e Canindé do São Francisco, conforme comentou ontem o prefeito Heleno Silva. “Hoje eu diria que a situação no sertão está bem melhor que há três ou quatro meses?, declarou.

Rogério Carvalho é prestigiado no Ministério da Saúde


Os correligionários do novo secretário de Gestão do Ministério da Saúde, ex-deputado federal Rogério Carvalho, comentam que a presença dele em grandes eventos, representando o ministro Chioro, é um sinal de que o presidente do PT de Sergipe está prestigiado no cargo.


Secretários disputam dinheiro junto à Sefaz


Com suas pastas descapitalizadas, os secretários de Estado passam os dias discutindo ideias e recorrendo ao governador Jackson Barreto e ao titular da pasta da Fazenda, Jeferson Passos, na expectativa de conseguir algum recurso para a execução daquilo que avaliam como essencial. Mas a ordem de JB é não à gastança. As prioridades são pagar o que deve e garantir os salários dos servidores.


Navio poderá ser retirado da Barra dos Coqueiros


O Ministério Público Federal de Sergipe, através da procuradora Gicelma Nascimento, está concluindo procedimento sobre a incômoda presença do navio da empresa H. Dantas no rio Sergipe, em frente ao município de Barra dos Coqueiros, localizado na Ilha de Santa Luzia. O navio está lá há sete anos. Os moradores reclamam frequentemente sobre o problema.


Parceria entre a OAB-SE e a Assembleia Legislativa


A Assembleia Legislativa de Sergipe e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE) estão discutindo a possibilidade de ser levado ao ar, na TV Alese, um programa para tratar de questões ligadas diretamente à cidadania. Os presidentes da Alese, deputado Luciano Bispo, e o da Ordem, Carlos Augusto, estão dispostos a viabilizar o projeto.


Luciano Bispo faz balanço positivo do trabalho da Alese - 1


O deputado estadual e presidente da Assembleia Legislatura de Sergipe, Luciano Bispo (PMDB), fez um balanço positivo da atividade parlamentar no primeiro semestre. Segundo ele, o período foi muito produtivo, principalmente ao que se refere à importância das matérias aprovadas. Luciano lembrou as audiências públicas e os seminários promovidos pelos parlamentares, além dos debates na casa com temas relevantes a sociedade. Para ele, a expectativa para os próximos meses também será muito trabalho, pautado na transparência e compromisso de todos os parlamentares, em prol do povo sergipano. Ainda em sua fala, Luciano destacou a celeridade dos projetos que chegam à casa legislativa, sejam eles aprovados ou não, e que o maior beneficiado é o povo sergipano, pontuou. O parlamentar afirmou ainda que o caminho se dá pela harmonia dos poderes, fazendo com que as coisas aconteçam de forma rápida e objetiva.


Luciano Bispo faz balanço positivo do trabalho da Alese - 2


Na 18ª Legislatura/01, foram instaladas 15 Comissões Permanentes e 05 Reuniões Especiais. Ainda nesse período, foram realizadas 66 reuniões ordinárias, 37 reuniões extraordinárias, com a aprovação de dezessete proposições, sete em tramitação, de autorias dos parlamentares, do Executivo e também do Poder Judiciário, do Tribunal de Contas do Estado e do Ministério Público. Assim como, 06 audiências públicas, 04 títulos de cidadãos, 01 medalha honrosa, 01 devolução simbólica de mandato, e quatro edições do espaço cultural. A Casa entra em recesso parlamentar a partir de hoje (30), retornando as atividades no próximo dia (03) de agosto do corrente ano, conforme regimento interno. E para marcar o retorna as atividades, será apresentado o Novo Portal da Assembleia Legislativa, finalizou o presidente.


Uso de verbas judiciais - O Governo deverá reencaminhar projeto até agosto


O projeto de lei que autoriza o Governo do Estado a fazer uso dos recursos depositados no fundo de depósitos judiciais deverá voltar logo em breve para a Assembleia Legislativa. Serão realizadas algumas pequenas modificações para adequar à realidade legal.


Mitidieri propõe recálculo de benefício dos aposentados


O deputado federal Fábio Mitidieri (PSD/SE) apresentou o projeto de lei 1990/2015, alterando a lei 8.213/91 para estabelecer a garantia do recálculo do benefício do aposentado do Regime Geral de Previdência Social que retorna ou permanece em atividade. Mitidieri enxergou a necessidade da sua propositura mediante o entendimento do Poder Judiciário de que o aposentado obrigado a recolher novas contribuições, tenha da Previdência Social uma contraprestação. Ao fazer sua exposição, Mitidieri levantou sua preocupação com as inúmeras causas judiciais em que o aposentado do Regime Geral de Previdência Social que retorna à atividade requer o recálculo de sua aposentadoria, para incorporar o novo tempo de contribuição.

 



Coluna Eugênio Nascimento
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Por Eugênio Nascimento
30/06
17:21

“Minha geração cresceu enfrentando a negação do direito à expressão", diz Jackson ao instalar Comissão da Verdade

Comissão Estadual deve ser um instrumento para identificar e tornar públicas as graves violações aos Direitos Humanos praticados durante o regime militar


Resgatar as verdades de um período repleto de lacunas na história de Sergipe e do Brasil, a Ditadura Militar. Com esse propósito o governador Jackson Barreto assinou na manhã desta terça-feira, 30, o decreto que instala a Comissão Estadual da Verdade Paulo Barbosa de Araújo. Um ato histórico em nome da democracia e da memória daqueles que lutaram e sofreram pela redemocratização do País.

A Comissão Estadual deve ser um instrumento para identificar e tornar pública as graves violações aos Direitos Humanos praticados durante o regime militar, ainda que não tenha função punitiva. “Ela não tem um caráter revanchista, não é o ódio que a conduz, no entanto, é preciso o esclarecimento dos fatos para guardarmos para História, para que as novas gerações, de forma profunda, tomem conhecimento do que aconteceu em Sergipe. Servirá, também, como um alerta para que estes fatos nunca mais se repitam, nem em Sergipe nem em qualquer parte do Brasil. É um ato em favor da democracia. Nós devíamos isso ao povo sergipano, aos que lutaram pela redemocratização do País e deram sua contribuição aqui, em Sergipe. Aos que foram presos, torturados, aos que desapareceram, àqueles que foram cassados ou demitidos das suas funções públicas, àqueles que foram julgados por tribunais militares e acusados da Lei de Segurança Nacional. Sem dúvida alguma, é um registro que precisa ficar guardado não apenas na mente, mas nos documentos da história do nosso estado”, explicou o governador.

De acordo com Jackson Barreto, que participou ativamente da luta pela redemocratização do Brasil, o momento foi também de emoção ao relembrar os obstáculos enfrentados na época de repressão. “Quando a gente reencontra os companheiros e relembramos tudo que enfrentamos, a gente diz: valeu. Digo com o coração aberto, tudo o que fizemos pela democracia e pela liberdade faríamos novamente. Preparamos essa Comissão com muito zelo, fizemos os convites às pessoas bastante qualificadas e acima de qualquer avaliação de ordem pessoal. Queríamos uma comissão que tivesse carimbo de pessoas comprometidas com a verdade, pesquisadores, historiadores, pessoas ligadas à Universidade e que fossem capazes de, ao final desse trabalho, oferecer um documento para que a gente possa amanhã guardar as memórias do período de chumbo da ditadura de Sergipe, dos que foram vítimas, dos que foram perseguidos. E para que as novas gerações tenham esse documento como fonte de pesquisa para saber o que aconteceu no passado e ajudar a formar sua personalidade, seu caráter, seu compromisso democrático, e contribuir para que esses fatos nunca mais se repitam nem em Sergipe, nem no Brasil”, reforçou.

“A minha geração cresceu e se forjou tendo que enfrentar o que talvez seja a pior adversidade de uma sociedade: a negação do direito à expressão e à liberdade. Saímos melhores dela; e se é na adversidade que se constrói o caráter, foi ali que consolidamos o sonho de uma sociedade mais justa, mais igual e, acima de tudo, livre, um sonho que hoje guia a nossa visão de mundo e a nossa ação como políticos e governantes”, discursou Jackson.

Em seu discurso, o governador destacou ainda, as atribuições da comissão. “Ela tem papel e objetivos claros, e eu diria, vitais para nossa democracia, como bem expressa o decreto de sua criação: a esta Comissão está dada a tarefa de esclarecer os fatos e as circunstâncias dos casos de graves violações de Direitos Humanos no período que vigorou a ditadura militar no Brasil. Promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de perseguição política, prisões arbitrárias, torturas, mortes e/ou assassinatos, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ocorridos no território do Estado de Sergipe, ou contra sergipanos, ainda que ocorridos fora do Estado; identificar e tornar públicas as estruturas, os locais, as instituições de Sergipe e as circunstâncias relacionadas à prática de violações de Direitos Humanos. Encaminhar aos órgãos públicos competentes toda e qualquer informação obtida que possa auxiliar na localização e na identificação de corpos e restos mortais de desaparecidos políticos. Colaborar com todas as instâncias do poder público para a apuração de violações de Direitos Humanos. Recomendar a adoção de medidas e políticas públicas para prevenir violação de Direitos Humanos, assegurar a sua não repetição e promover a efetiva reconciliação estadual e nacional. Promover, com base nos informes obtidos, a reconstrução da história nos casos de graves violações de Direitos Humanos, bem como, colaborar para que seja prestada assistência às vítimas e familiares, de tais violações e estabelecer medidas necessárias à guarda e conservação da documentação e registros históricos coligidos ao longo do trabalho”.

Foram apresentados os membros que compõem a Comissão, composta por pesquisadores consagrados no estado. Doutor em Ciências Econômicas, o ex-reitor da Universidade Federal de Sergipe e reitor da Universidade Federal de Integração Latino Americana (Unila), o professor Josué Modesto dos Passos Subrinho, presidirá a Comissão. Para o reitor, é uma honraria presidi-la. “A comissão é formada por diversos pesquisadores que estão em plena atividade, que estão produzindo esses estudos importantes. Presidir esta comissão, nas circunstâncias que eu ainda estou exercendo na Reitoria, é um encargo muito desafiador, mas eu tenho certeza que os membros da Comissão estão muito entusiasmados com este desafio lançado pelo Governo do Estado. Esperamos contribuir para o resgate da memória, deste período da história de Sergipe. Já há muitas pesquisas e publicações importantes, há muita documentação, o que precisamos fazer é tornar essa documentação mais sistemática e mais acessível ao público e aos pesquisadores em geral”.

Segundo o presidente, a instalação da Comissão contribuirá para facilitar o acesso a algumas documentações mais reservadas, como boletins oficiais e documentações do Exército. “Com base na Lei de Acesso à Informação, todas as comissões tentam vencer as resistências de alguns organismos públicos que ainda resguardam essas documentações. Esperamos que elas sejam publicizadas e principalmente que não sejam perdidas provocando lacunas na nossa história. Esse é um dos aspectos do trabalho da Comissão”.

Além de Josué Modesto dos Passos Subrinho, integram a Comissão: o jornalista, pesquisador e professor Gilfrancisco; o doutor em Sociologia, pesquisador sobre a Ditadura Militar no Brasil e professor da Faculdade Sergipana, Hélder Teixeira; o pesquisador, doutor em História e professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), José Vieira da Cruz ; a pesquisadora em Direitos Humanos, doutora em Sociologia e professora da UFS, Andréa Depieri; a doutora e professora do Mestrado em Direitos Humanos da Universidade Tiradentes (Unit), Gabriela Rebouças e o doutorando em Ciências Sociais e professor de Direito da UFS, José Afonso do Nascimento. O ex-secretário de Direitos Humanos e coordenador de Direitos Humanos da Secretaria de Estado Mulher, da Inclusão e Assistência Social, do Trabalho e dos Direitos Humanos (Seidh), professor Antônio Bittencourt, fará a interlocução entre a Comissão da Verdade e o Governo do Estado.

Para quem combateu diretamente a ditadura e sofreu as consequências do sistema, Sergipe dá um importante passo para contribuir com as memórias deste período sombrio, é o que conta o atual diretor da Fundação Renascer, Wellington Mangueira, que foi preso político no Regime Militar.

“Esse decreto é muito importante, porque resgata para os sergipanos e para os brasileiros uma história que muitas vezes foi mal contada. Essa comissão, formada por pessoas da mais alta capacidade intelectual, moral, ética, poderá buscar nos porões da ditadura, nos arquivos públicos, nos depoimentos das pessoas que sofreram as torturas que os militares impuseram a pessoas honradas simplesmente pelo direito de poder pensar, por querer a democracia, por lutar por um mundo mais justo, sofremos e muitos perderam até a vida. Essa comissão vem para mostrar para Sergipe e para o Brasil o que foi aquele período terrível da ditadura militar. A gente fica emocionado, porque lembra das torturas, do pau de arara, dos choque elétricos, da cadeira do dragão e é claro que,tudo isso nos remete a momento difícil da nossa vida”, recorda Mangueira.

O presidente da OAB/SE, Carlos Augusto Monteiro Nascimento, informou que a Comissão instalada oficialmente pelo Governo do Estado estimulará outras entidades a colaborarem para a lucidez das informações sobre esta época da história do Brasil. “O Conselho Federal [Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil] e algumas seccionais já têm a sua própria Comissão e a partir desta sinalização do Governo, naturalmente a Ordem se irmanará nesse projeto contribuindo no que for necessário e com certeza, também, estimulará a criação da nossa comissão no âmbito da nossa seccional. Há uma grande fonte de informações e nós poderemos nos unir, não só aqui em Sergipe, mas também com registros históricos com a seccional da Bahia e a seccional de outros estados que muito contribuirá para o resgate de toda a verdade”.

Homenagem

A comissão homenageia o militante e pesquisador das ações da Ditadura Militar no Estado de Sergipe, Paulo Barbosa de Araújo. Preso pela Ditadura, Paulo Barbosa era formado em Ciências Econômicas, foi professor de Economia, editor da Gazeta de Sergipe e articulista. Barbosa faleceu em 2000.

“Nós todos da família nos sentimos muito honrados por esta homenagem, pela indicação do nome do Paulo para a comissão da Verdade. É realmente uma homenagem pelo trabalho de jornalista, pesquisador, batalhador sempre voltado para as questões sociais. Ele tinha um ideal muito intenso em prol da liberdade, liberdade de expressão e liberdade da pessoa humana como um todo. Tenho certeza que esta comissão vai cumprir com os objetivos pelo qual ela foi instalada”, declarou a viúva de Paulo Barbosa, a senhora Rosa Maria Machado de Araújo. (Da assessoria)


Política
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Por Eugênio Nascimento
29/06
21:36

As noitadas de festas juninas eram melhores com Elze e Zeca por aqui

Eugênio Nascimento


Desde a fase da minha adolescência até os dias de hoje, os festejos juninos sempre foram bastante marcantes para todos os membros da família Nascimento na rua Espírito Santo, no Aribé (Siqueira Campos) e, depois, na rua Engenheiro João Carvalho de Aragão (Atalaia), onde moraram meus pais Zeca Nascimento e Maria Elze Silva Nascimento. Na adolescência e início do período adulto curtíamos as noites por causa das comilanças induzidas pelas festas de São João e São Pedro. Achava que o São João na roça sempre foi melhor na capitá.

Desde que faleceu, em 1996, todos os anos os seus filhos lembram, e com muita saudade, dos festejos juninos com Elzinha, como parentes e amigas chamavam minha mãe. Ela e Zeca reuniam todos os anos seus filhos que moravam em Sergipe (eu, Maria José ,filha do primeiro casamento de seu pai, Afonso, Gleide, Roberto, Hortência, Valdice, Ilze, Ariosto, Ana e Marcos) para animados papos na calçada, próximo ao local onde ficava a fogueira.

Bebia-se licores de genipapo, laranja e jabuticaba, Cinzano (pense, em um vermouth com o gostinho de Biotônico Fontoura e o velho Phos Kola, na época em que contavam com um pouco de álcool), batidas de limão, maracujá e coco verde, caipirosca, cerveja bem gelada e o que mais aparecesse, inclusive conhaque ou um çpinga pura, seca, melada com limão. Mas o bom mesmo das noitadas de festa junina (dias 23, 24, 28 e 29) era quando começávamos a comer os milhos assados e cozidos, as deliciosas canjicas e pamonhas que minha mãe fazia.

Afirmo, sem medo de errar: as canjicas e pamonhas feitas por minha mãe eram as melhores de todo o mundo. Nunca ouvi sequer falar que alguma outra já chegou a ter sabor próximo daquelas que Elzinha fazia. Ela usava milho e coco ralados (nunca batidos no liquidificador) na hora (nada de Canjiquinha São Braz ou farinha e/ou fubá de milho no meio) e deixava em grandes travessas do meio da tarde até à noite, quando estava fria e rígida o suficiente para cortar em fatias para que todos se servissem.

Toda e qualquer comida que minha mãe se dispusesse a fazer, sempre era boa. Assim eram também os bolos de milho, macaxeira e puba que caprichava no período junino. Mas os filhos até hoje comentam os saborosos lombos de porco e boi, o guisado de carneiro, a galinha de capoeira (algumas vezes acompanhada pelo pirão), a macarronada (às vezes fazia talharim) ao alho, manteiga e cebola, as moquecas e peixadas, o guisado de carne de boi com batatas, o fígado bovino com batatas, pedaços grandes de tomates, pimentões e cebola, a feijoada...

Elzinha nunca trabalhou fora de casa e dedicou a sua vida aos filhos e ao marido. Fazia isso com muito prazer e, talvez por isso, não gostava quando convocava à todos para as comilanças e alguém faltava. Era “carão” na certa, por telefone, e, no final da semana seguinte, na base do tête-à-tête. Meu pai gostava também de dar as suas broncas nos faltosos e lembrava sempre que “perdeu o amendoim que eu cozinhei e a canjica e pamonha feitas por sua mãe”. Ele trazia o amendoim, a macaxeira, o milho, a batata doce e laranja do sítio, lá do povoado Duro, em Itaporanga D’Ajuda, onde fazia junto com seus irmãos “Mundinho” e “Mingo” a farinha de mandioca e beijus variados.

Foi durante os festejos juninos deste ano que os Nascimento passaram alguns momentos no “zapzap” relembrando os bons momentos ao lado de dona Elze e de seu Zeca, ambos já falecidos, as comilanças e noitadas de bate papo na calçada de casa, que contavam ainda com carne do sol, linguiça e peito e coxas de galinha assadas na brasa.

As noites de festas juninas eram bem melhores quando eles – Elzinha e Zeca – estavam por aqui. E a gente ainda tinha o direito de ouvir o velho "Gonzagão", Trio Nordestino, Dominguinhos e outros bons forroseiros como Josa, o "Vaqueiro do Sertão", Clemilda e Gerson Filho no rádio ou no LP, no picape (a velha radiola). Mas, ainda assim, a festa continua.
 


Colunas
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Por Eugênio Nascimento
28/06
14:41

Novas projeções para 2015 e 2016

Ricardo Lacerda
Professor do Departamento de Economia da UFS 

O Banco Central publicou na semana passada a edição de junho do Relatório de Inflação, de periodicidade trimestral, que avalia a evolução dos preços e explicita os cenários externo e interno que orientaram as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom).

A leitura do relatório pode ser útil para buscar entender qual é o plano de vôo das autoridades monetárias para a economia brasileira entre o atual momento de ajuste, que empurra para baixo o nivel de atividade, o emprego, os rendimentos e o consumo, em direção a um novo período de crescimento econômico.

Em relação à edição anterior do relatório, de março de 2015, não há grandes mudanças no que tange ao cenário internacional. O relatório entende que a normalização progressiva da política monetária nos países centrais, recorrentemente postergada, provocará em algum momento nos próximos dois anos um deslocamento para cima na trajetória dos juros, aumentando a volatilidade, os riscos e o custo de acesso ao financiamento externo para as economias emergentes. 

Aponta também uma maior convergência nas taxas de crescimento entre as economias maduras (EUA, zona do euro e Japão), mas não se ilude em relação à aceleração do ritmo da retomada, assinalando que as taxas de crescimento do PIB das economias centrais se mostraram baixas e abaixo do crescimento potencial no passado recente. 

Recessão

O relatório não deixa margens a dúvidas que o período de ajuste na economia brasileira está apenas começando. A taxa de expansão do PIB em quatro trimestres foi negativa em 0,9% no 1º trimestre de 2015 e deverá finalizar o ano com uma retração de 1,1%. 

Em algum momento entre o último trimestre de 2015 e o primeiro trimestre de 2016 o ritmo de queda do PIB deverá ser amortecido pela combinação de alguns fatores que conduziriam até um resultado trimestral positivo a partir do segundo trimestre de 2016, na projeção de mercado, fechando o próximo ano com crescimento inferior a 1%. Em 2017, finalmente, a economia estaria pronta para alcançar taxas de crescimento superiores à expansão da população, voltando a apresentar crescimento do PIB per capita. Trata-se, portanto, de uma trajetória dura, de muitas dificuldades e incertezas ainda pela frente.

O fundo do poço do nível de atividade econômico se situaria na virada para 2016, de forma que uma muito suave retomada seria iniciada entre o segundo e o terceiro trimestre daquele ano. O resultado no acumulado em quatro trimestres deverá ser ainda negativo em março de 2016 (ver Gráfico) mas o PIB trimestral deverá parar de se retrair e nos trimestres seguintes voltar a crescer a taxas relativamente baixas, ainda que moderadamente crescentes.
 
Componentes da demanda

No segundo semestre de 2015, os componentes do dispêndio interno (consumo das famílias, consumo do governo e investimento) deverão acentuar a retração. 

A elevação da taxa de desemprego e as perdas nos rendimentos do trabalho impelirão quedas acentuadas no consumo das famílias, com forte impacto sobre o nivel de atividade dos setores de comércio e serviços, enquanto o ajuste fiscal combinado com a queda na arrecadação tributária realizarão a tarefa de comprimir o consumo do governo em suas três esferas. 

O relatório não guarda ilusões de que o ajuste fiscal per si vá proporcionar de imediato aumento dos gastos de investimentos motivado por supostos ganhos de confiança na economia. A Formação Bruta do Capital Fixo deverá continuar despencando até o início de 2016 (ver Gráfico). 

Impulso externo

O impulso externo deverá se constituir no principal fator para que a queda do nível de atividade seja amortecida, em um primeiro momento, e depois, já mais avançado em 2016, a economia volte a crescer. Aparentemente, o impulso dado pelo setor externo se originaria menos da retomada da economia mundial, embora isso possa se tornar importante com o tempo, e mais em decorrencia de dois outros fatores. 

As exportações de bens e serviços que se retrairam nos quatro trimestres encerrados em março de 2015 passariam a apresentar taxas positivas em torno de 5%, movidas pelos ganhos de competitividade proporcionados pela valorização do câmbio e pelos incrementos de excedentes exportáveis gerados pela recessão. De outra parte, a retração das importações de bens e serviços já verificada em dois trimestres seguidos, na série acumulada em quatro trimestres, seguiria se intensificando, também pela combinação de recessão e de câmbio mais elevado. 

Passado o período mais duro de corte de gastos públicos e dos efeitos do realinhamento dos preços administrados (energia elétrica e combustíveis) sobre o IPCA em doze meses, as taxas de juros poderiam iniciar uma trajetória de declínio. O poder de compra das famílias seria então favorecido pela queda da inflação e pela redução dos juros e o consumo voltaria progressivamente a se expandir. 


No cenário básico, com a Selic em 13,75% ao ano, o relatório projeta inflação de 9,0% em 2015, 4,8% em 2016 e de 4,5% no segundo trimestre de 2017. É razoável pensar que tal cenário de transição pode se concretizar? Tal plano de voo é consistente e viável?

*É também Assessor Econômico do Governo de Sergipe.
**Artigos anteriores estão postados em http://cenariosdesenvolvimento.blogspot.com/


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
28/06
14:37

O enterro de Eudália

José Lima Santana
Professor de Direito da UFS

Eudália era natural de Poço Redondo. Diziam os vizinhos que ela era uma velha rabugenta. Há anos morava na Praça da Matriz de São João Evangelista, na cidade de Cumbe, outrora povoado de Nossa Senhora das Dores, de cujo município emancipara-se na década de 1950. Eudália mudara-se para Cumbe ainda jovem. Solteirona, não tinha papas na língua e criava muita confusão com quem gostava de confusões ou com quem delas fugia. Especialmente com os meninos que brincavam na praça, em frente a sua casa, ela ralhava. Ela os botava para correr. E com os jovens casais que namoravam nos bancos da praça, igualmente em frente a sua casa? Ah, ela os escorraçava. Não podia ouvir barulho de crianças brincando de bola de futebol, pião ou bola de gude. Simples assim. Quanto aos jovens enamorados, ela não se dispunha a assistir sem-vergonhices de ninguém. Imaginem, uns garotos ainda cheirando a mijo, agarrando-se com meninas que deveriam estar brincando de bonecas, bem diante de suas fuças! Não, não chegara aos oitenta anos para dar-se ao desfrute de aceitar aquelas perversões. Beijos na boca! Eudália benzia-se. “Credincruz! Armaria!”. Fossem se agarrar noutro canto, onde o diabo lambia os beiços quando os via assim entregues ao descaramento. 


A octogenária era igrejeira. Mas não se dava ao gosto das fruticas tão comuns no meio das carolas dali e de todos os lugares. Não era dada a fofocas. Não engolia hóstias por brincadeira. Aceitava o corpo de Jesus, ali presente na Sagrada Eucaristia. No fim da década de 1960, entrara em pânico. O velho Cônego Miguel aposentara-se. Não era muito velho, mas estava doente. Chegaram a Dores e, por conseguinte, a Cumbe, uns padres modernos. Eudália assustou-se. A Igreja estava desandada. Diziam que iriam tirar os santos dos altares. Os padres vestiam calça e camisa como homens comuns. O que era aquilo? O Papa endoidecera? Um furacão varria a Igreja de Cristo. Entretanto, ela ficaria na Igreja, para a missa, quando tivesse missa. Rezaria para que as coisas retomassem seu lugar. 

Um dia, o padre apresentou ao povo um seminarista, que deveria passar uns dias ali no Cumbe, em missão pastoral. E onde se viu seminarista, que nem padre era, fazer missão? Missão, santa missão, ela vira, em menina, no Poço, pregada por uns frades vindos de Pernambuco. Ela viu gente amancebada cair de joelhos diante dos frades. Viu moça com os tampos arrancados se sujeitarem ante a pregação poderosa do mais velho dos capuchinhos. Viu uma velha desdentada, lá da Guia, estrebuchar e rolar por terra, cheirando a enxofre. O diabo entrara nela, mas os frades deram conta dele, que se soverteu nas profundas. Viu muita coisa. Agora, chegava ali um seminarista varapau, magricela, com pintas de pregador. Hum! Eudália não botava fiança naquele tipo. Jesus que a perdoasse! 

O padre queria que uma família acolhesse o seminarista. Ninguém se dispôs. Mas, alguém, alguma frutiqueira, com certeza, dera com a língua nos dentes e a indicara ao padre, para dar guarida ao seminarista. Mal Eudália chegara à sua casa, após a missa, ouviu o toc-toc na porta. Era o padre acompanhado do varapau. Ah, não! Ela era sozinha. Poderia dar as três refeições ao rapaz. Porém, não lhe poderia dar pernoite. O que haveriam de dizer a gentalha dali, ao saber que uma mulher sozinha, donzela de respeito, dera dormida a um homem? Fosse ele seminarista ou não. Não convinha. Arranjasse onde dormir, que a boia ela lhe daria de bom grado. O padre quis insistir, mas ela não lhe deu trela. Comida, sim. Dormida, não. Eudália era mulher de uma só palavra. Com ela era sim, sim e não, não. 

Bem, o seminarista arranjou-se na sacristia da Igreja. Um banho por dia ele poderia tomar na casa do prefeito. A primeira-dama lhe favoreceria no banho. Apenas um. Afinal, naquele tempo a cidade ainda não tinha água encanada. Nem Dores a tinha. A primeira refeição do tal seminarista seria o jantar. Eudália marcou com o dito cujo para as 6 horas da noite. Não queria um homem em sua casa, tarde da noite. Na pouca conversa que tiveram, ele disse que era de Poço Redondo. E que seus pais eram da Guia, mas moravam em Aracaju. Aquilo, contudo, não impressionou Eudália. Fosse ver alguém lhe dera a informação de que ela era do Poço, que tinha ido à santa missão, na Guia, quando menina. Tinha gente dali de Cumbe que sabia daquelas coisas sobre sua vida. O varapau deveria estar a fim de lhe convencer a dar-lhe pousada. Jamais! Com guia ou sem guia, ele só teria comida. O mais não seria com ela. 

O seminarista fez umas reuniões, na Igreja. Disse um bocado de bolodório. Puxou ladainhas e rezas. Ora, para quem só tinha missa uma vez por mês, não foi nada mal. Teve algum proveito. Pouco, a bem da verdade, mas teve.

Passaram-se os anos. Eudália, doente, bateu as botas. Ou melhor, os tamancos. Morreu em 1975. Cumbe ainda não era Paróquia. Continuava como Curato da Paróquia de Dores, cujo pároco provisório era exatamente, há apenas dois dias, aquele seminarista varapau, agora padre, que já tinha passado por duas outras Freguesias. Um sobrinho da defunta fresca, que viera de Glória com o caixão, queria a celebração da missa de corpo presente. Afinal, a tia falecida era igrejeira e formava fila na Legião de Maria. Sua alma haveria de ficar satisfeita com a missa. Mandaram buscar o padre de Dores. Oh, surpresa para ele! Ali espichada no caixão barato, embora encarquilhada, estava Eudália, a mesma que, fazia tempo, lhe enchera o bucho por uma semana, três vezes ao dia, além das merendas no intervalo entre as refeições. Como o mundo dava voltas! Celebrada a missa, o padre acompanhou o cortejo fúnebre até o cemitério, afastado da cidade. O sol a pino, embora já fossem cinco da tarde. 

Quando o féretro deixou a avenida calçada e entrou no caminho de chão batido, eis que um dos carregadores do meio trupicou numa pedra agarrada ao chão, com ele levando o carregador da dianteira. E lá se foi Eudália. Ao bater no chão, a tampa do caixão se abriu. Espanto. A “defunta” abriu os olhos e bocejou. Alvoroço. Susto geral. Teve gente que correu. O padre, também assustado, acercou-se do caixão. Benzeu-se. Eudália não podia entender o que estava acontecendo, mas reconheceu o antigo seminarista. E balbuciou: “Tá de volta?”. Pois foi. Eudália teve um acesso de catalepsia, doença que aparentemente faz a pessoa adormecer como se estivesse morta. Ataca, dentre outras, pessoas com distúrbios do sono. Eudália sofria disso. Ela, porém, estava vivinha da silva. E só morreria, de verdade, cinco anos depois, aos oitenta e cinco. Muitas outras vezes, o antigo seminarista haveria de encher o bucho com a comida de Eudália. Aliás, para ela, barriga de padre era cemitério de galinha. 

Depois de tudo serenado, o sobrinho da quase defunta tentou devolver o caixão à funerária, em Glória, mas o dono alegou que o pijama de madeira já tinha sido usado. E não poderia ser aceito de volta. Os leitores acham que ele tinha razão?

(*) Publicado no Jornal da Cidade, edição de 28 e 29 de junho de 2015. 


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
28/06
11:09

Andanças Juninas

Esmeraldo Leal dos Santos  -  Mestre em Ciências Sociais e Secretário da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e da Pesca do Estado de Sergipe


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Na ida para uma reunião, no município de São Domingos, em plena noite de Santo Antônio, lembrei da uma viagem que fiz com meus pais à casa dos meus avós, num desses dias dos santos juninos. O percurso era do município de Simão Dias ao povoado São Francisco, que na época, era situado no município de Paripiranga e hoje pertence ao município de Adustina, no Sertão da Bahia.

A parte inicial da viagem era desnuda e desabitada. Da corrente do Caiçá  ao posto da alta e fria Paripiranga, só se via as “luzes” das fazendas Mercador e Tavares/Chora Minino. A viagem começou a ganhar vida ao enveredarmos pelas “matas” do Coité  e subirmos rumo ao Sertão. Destaco algumas coisas marcantes: a claridade exuberante das fogueiras no escuro da noite sertaneja, a fumaça que entrava junto com as vozes e os forrós dos rádios AM na cansada "marinete" .

Nessa noite, a lua lutava contra as esperançosas nuvens do comemorado inverno. Era estrada de chão, e a marinete parecia embalada pelas músicas do forró. Luiz Gonzaga e o Trio Nordestino disputavam para ver quem vencia o ronco da sedenta máquina a diesel. Através dos vidros embaçados, eu procurava obedecer ao velho Lula, que dizia: “olha pro céu meu amor. Vê como ele está lindo” . Porém, meu olhar o traia pela ilusão das barrocas (poças) d’águas que, ora se espremia entre as nuvens para roubar o reflexo reluzente das estrelas e ora me apresentava os reflexos incandescentes das fogueiras. Essas imagens, sons e cheiros fizeram com que as longas léguas  parecessem mais curtas.

A penúltima parada da marinete foi na padaria da pequena vila do Sítio da Conceição, onde desceram alguns caneludos para subir o cheiro de canela dos bolachões. -Eita, que ainda dá água na boca! Só descemos algumas varas  depois, exatamente na encruzilhada do tanque do antigo povoado “Galo Assanhado”. 

Depois de trocarmos alguns boas-noites, seguimos a pé, em direção ao São Francisco. A estrada se estreitou e as léguas se encompridaram. Minha mãe colocou uma sacola na cabeça e meu pai pôs outra no ombro. Eu... não me recordo se carregava algo, além de mim! Lembro das sandálias “havaianas” que, vez ou outra, soltavam os “cabrestos” com o peso do selão que insistia em fazer parte do meu corpo. Também me lembro que uma vez pisava firme na claridade das poças, achando que eram pedras, e outra pisava com leveza nas pedras que fingiam ser poças. Era uma verdadeira loteria da ilusão ótica, promovida pela lua quase encoberta do sertão chuvoso.

Meus pais não tinham a mesma dificuldade! Minha mãe pisava firme porque parecia conhecer cada palmo do chão. Já meu pai, com a sua botina de couro e com solas de pneus, pisava manco por natureza. Aliás! Herdei essa pisada dele. A pressa dava o ritmo da caminhada. E, passo a passo, ultrapassávamos as casas batizadas com nomes e sobrenomes: -“Essa é de Zé de Sinhô. Será que sua mulher já pariu? ” Dizia minha mãe. -“Só pode!” Dizia meu pai. 

Na maioria desses casebres, vazados pelas frestas luminosas dos candeeiros ou do fogão de lenha, havia guardiões barulhentos e magros. Um deles teve seu latido ligeiramente contido, ao ouvir a voz do dono: “Quiieto, viludo. Oxente! Se oriente rapaz!!!”.

As vozes continuavam festivas e se entrelaçavam aos choros dos anjinhos recém nascidos e aos chocalhos dos bodes. Eram verdadeiras sinfonias, regidas pelo Rei do Baião e seus poucos concorrentes. Casa aqui, casa acolá, e as ladainhas eram as mesmas. A única casa que destoou foi a da curva do cata-vento. Pois era uma fazenda “e não morava um fio de Deus para contar a história”. Nela, só se ouvia o lamento do chiado da hélice que insistia em desperdiçar a preciosa água.

Saímos do rumo do Povoado São Francisco e partimos para enlameada estrada da Lagoa dos Ninhos. Em quase todo momento, abeirávamos os aceiros equilibrando-nos entre as barrocas sangradas d’águas e as macambiras de pontas espinhentas pisadas por outros andarilhos.
Entre uma poça e outra, minha mãe lembrava de todos os nativos e suas quase incestuosas relações de parentescos: Dóda, Zé de Bié, as negas de Vicente, Zeinha, etc. 

Essas histórias fincavam na memória, na mesma intensidade das luzernas  e ajudavam na travessia, amenizando a tirania das léguas. Aos poucos, essas cantilenas se misturavam ao cheiro cada vez mais forte “de casa”. Não me refiro ao cheiro das flores de “velande” , nem dos estrumes da ruminante vaca estrela, nem dos milhos já assados, espalhados nos banguelos sabugos do final da festa. Era da terra adubada por “imbigos”  enterrados pela tradição e do suor que demarcava o torrão familiar.

Passávamos pelas casas do bodegueiro Silvânio e do sóbrio bêbado Bio, pela entrada da roça da quixabeira e pelas ruínas da “casa velha” , pela casa de Tia Grande (Tia/avó, “moça velha” que vivia da roça e da rústica olaria) e pelo curral de vara que se emendava ao grande terreiro da casa dos meus avós maternos. 

As fogueiras que nos guiaram no começo da viagem, aos poucos perdiam o seu vigor. A última, e mais esperada, já não passava de cinzas, carvões, brasas e alguns fios de chamas que insistiam em lutar contra o orvalho. Essa mistura de tons se espalhavam pelo selão batido do terreiro e formavam uma trêmula aquarela. 

Nenhuma recepção. A não ser das curiosas corujas, do levantar das orelhas do cachorro “tubarão” e das vozes murmurantes, que se esconderam no silêncio para ouvir os batidos dos chinelos nos cortes de pedras do batente ralado. - “MÃE!”, prefixou minha mãe. O silêncio tentou segurar os murmúrios e exclamações. De repente, uma das corajosas mulheres interroga: - “É MARIA?”. - “SIM” respondeu a mulher menina. Dito isso, abrem a parte superior da porta e convida para entrar pela parte mais importante da casa, a cozinha. 

De fato, em tempos de chuva, as partes mais importantes da casa de um sertanejo é o acolhedor alpendre, durante o dia, e a aconchegante cozinha, durante a noite. Já em tempos de seca, o alpendre é o mirante das nuvens desejadas; e a cozinha tem o desesperante gosto da hora famélica. Como o tempo era bom, a cozinha tinha cheiro de toucinho assado na brasa gorda. Eita, que recepção! “O cheiro bom” , sentido por Luiz Gonzaga, quando viu seu Januário. Cheiro de saudade!

Quando a porta de baixo se abriu, foi tanta "bença"  e aperto de mão que o calor do "fogo" de lenha tinha muito menos graus. – “Bença Padinho e bença madinha”, pedia eu aos meus avós. – “Bença Tia Dade” , e mais uma dezena de tios e tias. – “Deus abençoe”, respondeu o coral... – “Estão com fome?”, perguntou a minha avó, para concluir o momento sagrado.Perdão! – “Desculpem-me os modos”. Como pude adentrar no recinto, sem apresentar as cumeeiras  da casa. A primeira a me abençoar foi minha madrinha/avó Anfrísia. Uma caboca vaidosa e docemente sisuda. Cabelos apertando a cabeça para expor o rosto e olhos vivamente acastanhados. Uma mão apoiada nos “quarto” , destacando o vestido solto e florido, e a outra segurando a chaleira de ferro quente.

Logo em seguida foi a vez do meu avô/padrinho Pedro Galdêncio. Alto e com uns dez centímetros curvados pela lida. Pele avermelhada pela secura do sol. Olhos azuis translúcidos. Um sorriso largo, mostrando o prazer da chegada. Os Cabelos brancos e encardidos das poucas águas e das muitas poeiras e com duas pequenas entradas marcadas pela sobra do chapéu de palha e pelas rugas aradas pelo tempo. As mãos ressecadas de calos e os dedos entrevados de tanto labor. Os pés, sempre descalços, rachados e com os dedos desunidos e engolindo as unhas. Trajava a mesma calça surrada e com as “bocas” dobradas, no estilo carregador de banguê  e com o cós amarado cegamente com um cipó de imbira . Uma camisa amarrada nas pontas, para enganar os botões e com o bolso caído para expor a “fartura”. 

Não vou apresentar os outros membros da prole porque seriam muitas linhas de histórias. Mas faço questão de apresentar o cenário da cozinha, que se mistura com a rústica estética dos personagens. Peço que aguce a visão e todos os sentidos para não perder a riqueza dos detalhes dos tão poucos objetos. 

Começarei pelo fogão à lenha, que apesar de estar encostado na parede, feita de meio adobo e meio reboco, parecia estar no centro da cozinha. Nele, algumas toras de lenha penetrando o forno e expulsando chamas pelas bocas, para aquecer o ambiente. Repousando em cima da chapa, algumas panelas de alumínio e de barro esquentando a rapa da canjica, do mungunzá e do arroz doce, muito doce. Disputando as bocas, um caldeirão com os milhos do “munturo”  e uma chaleira de ferro, com o café saborosamente ralo e doce, que minha avó brindava nos copos. 

Bem acima do fogão, havia uma vara com pedaços de toicinho, piabas, titelas de passarinhos, tripas, buchos, e outros miúdos da criação socializada pelos vizinhos.

Vez ou outra minha avó apartava as pipocantes espigas de milho assadas e os suculentos e derretidos pedaços de toucinhos para sacudir uma tampa e aumentar as chamas e a fumaça que se misturavam aos cheiros que aromatizavam o ambiente.Nas outras paredes, escuras de fumaça e pretas de desenhos de carvão, havia uma fileira de potes amarrados nas bocas e “encanecados” pela mercê da sede; uma pequena quistaleira  com algumas canecas de vidro e de alumínio; uma prateleira com latas de óleo, açúcar, café e farinha. Tudo isso, sustentado pelo piso de barro queimado e coberto por um teto de varas e telhas empretecidas. Sem contar ainda o banco de madeira, que ligeiramente foi cedido às visitas para que todos, de cócoras, formassem a grande roda de prozas, recheadas de histórias reais e mitologia, mentiras e fofocas. 

No centro dessas conversas ficava sempre o meu avô, que interrompia as histórias do cotidiano para falar das suas experiências odisseicas e performáticas. A exemplo de: Os milagres das santas missões, sua fuga do bando de Lampião, os sobreviventes da guerra de Canudos, o Imperador Carlos Magno e os Doze Pares de França , e tantas outras. Oh saudade!Qualquer dia desses sentaremos numa grande roda para relembrarmos outras histórias! Agora, dormirei embalado pelas lembranças do som roco do rádio e a voz aguda e romântica da minha tia, recitando “O Pavão Misterioso” :  Eu vou contar uma história / De um pavão misterioso / Que levantou vôo na Grécia / Com um rapaz corajoso, / Raptando uma condessa / Filha de um conde orgulhoso. 

Bom São Pedro! 
 


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Por Eugênio Nascimento
28/06
10:20

Pista de atletismo da UFS promete revolucionar esporte em Sergipe

Uma pista de atletismo de alto rendimento certificadapela Associação Internacional de Federações de Atletismo(IAAF). É esta a obra que a Universidade Federal deSergipe (UFS) entregará nos próximos meses para apopulação sergipana.  Pública, sintética, com oito raias,desenvolvida com um moderno sistema de absorção deimpactos, extremamente durável, resistente à abrasão eao uso de sapatilhas, ela atenderá às necessidades dosatletas de alto rendimento de Sergipe. 

Com a promessa de revolucionar o atletismo sergipano, aobra está sendo construída pela empresa RecomaConstruções, Comércio e Indústria LTDA e está orçada em R$ 4.382.009,24. Os recursos para a construção da pistaforam disponibilizados por meio do deputado federalValadares Filho, que visitou a obra na manhã de hoje, 26,junto com o reitor da UFS, Angelo Antoniolli, e técnicos eassessores da UFS. 
Confira a galeria de imagens da visita. 
Para Valadares Filho, a obra é mais um fruto da suaparceria exitosa com a UFS. “Há cerca de dois anos,enquanto membro da Comissão de Esportes na Câmara dos Deputados, recebi do reitor Angelo Antoniolli estaproposta e me pus a pleitear o apoio do Ministério dos Esportes. Agora é uma questão de tempo para colhermos osresultados que irão fortalecer o esporte sergipano e, logicamente, o do Brasil”, lembra o deputado federal.

O reitor Angelo Antoniolli acredita que, para além da tecnologia empregada no projeto, é com a capacidade dosservidores e estudantes da UFS que a pista servirá plenamente a toda a comunidade. “Esperamos que estudantesdas escolas públicas, dentre tantos jovens sergipanos, tenham no esporte mais uma atividade onde eles seencontrem como cidadãos e se orgulhem do seu Estado”, afirma. 
Multidisciplinaridade

Na pista será possível que atletas sergipanos que realizam saltos, arremessos e corridas tenham condições de treinarcom excelência sem que precisem se deslocar para outros Estados. Depois de sua construção, o que deve acontecerem um prazo de 270 dias corridos, a pista da UFS estará apta para receber competições de grande porte e assimelevar o nome de Sergipe no cenário nacional. 

Além de atender aos desportistas da área e suprir uma demanda do esporte sergipano, a nova pista de atletismo seráutilizada pelos estudantes e docentes da UFS, que terão um espaço apropriado para desenvolver suas pesquisas etreinamentos. Concebido para ser utilizada como um grande espaço multidisciplinar de conhecimento, a pista iráservir às mais diversas áreas, a exemplo da Educação Física, Medicina, Fisioterapia e Nutrição. De acordo com o professor Raphael Fabrício de Souza, do Departamento de Educação Física, “a nova pista, por ser federal e pública,atende a toda a comunidade, seja universitária ou não, pois ela irá proporcionar um incremento das atividades deextensão”. 

“A expectativa é de que com a pista tecnológica possamos ajudar a desenvolver o atletismo no Estado que ainda ébastante incipiente no Estado. Quando a pista estiver pronta incentivaremos ainda mais os talentos de Sergipe autilizá-la. Será uma grande conquista, pois ela possui tecnologia para redução de lesões, capacidade para diminuiçãoem média de 4 segundos do tempo de prova dos atletas, dentre outras características”, explica Raphael Fabrício,que é professor das disciplinas Bases Metodológicas em Atletismo I e II.  

Para que a pista seja ainda mais completa, será adquirido um conjunto de acessórios para treinamentos ecompetições composto por 400 metros de guias de balizamento interno em alumínio, gaiola para arremesso de disco emartelo, seis conjuntos de tábuas de impulsão para saltos, dois conjuntos de caixa de acoplamento para saltos comvara, além de trave ajustável para steeplechase (corrida com obstáculos) e dois dispositivos metálicos para arremessode peso. (Da assessoria)

 



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Por Eugênio Nascimento
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