22/08
13:01

Emsurb notifica Estre por não cumprimento de contrato

A Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) informa que notificou, na manhã desta terça-feira, 22, a Estre Ambiental S.A por inexecução parcial do contrato de nº 45/2016. A empresa é responsável pela operação do transporte de resíduos a partir do local de transbordo para o aterro sanitário.

 

De acordo com o presidente interino da Emsurb, Luiz Roberto Dantas, a Estre foi notificada e poderá ser devidamente multada por conta da paralisação que, desde o último dia 17, tem prejudicado o serviço de limpeza pública na capital.  “Vamos utilizar todas as normas estabelecidas em contrato para punir a empresa, caso a greve permaneça”, explica.

 

O presidente da Empresa Municipal ressalta ainda que a Prefeitura de Aracaju tem cumprido com suas obrigações. “A gestão não possui dívidas com a empresa Estre e tem mantido os contratos e pagamentos em dia”. 

 

Luiz Roberto corrobora que todo o transtorno causado nos últimos dias, em Aracaju, devido à greve, é de responsabilidade exclusiva da empresa Estre Ambiental. “A Emsurb fiscaliza os trabalhos realizados por suas terceirizadas, e encontrada alguma irregularidade, é feita a notificação, aplicando as penalidades previstas no contrato, quando for cabível”.

 

Por fim, Luiz salienta que a suspensão dos serviços por parte dos carreteiros da unidade deve ser solucionada pela empresa. “A administração pública e a população de Aracaju não têm culpa da interpretação do contrato entre os trabalhadores e a empresa privada”.

 

Conforme legislação em vigor, a empresa Estre Ambiental tem cinco dias para responder a notificação. "Se com a multa ela não restabelecer os serviços com a eficiência devida, ela poderá sofrer outras sanções”. (Da assessoria)




Variedades
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Por Eugênio Nascimento
22/08
11:48

Greve da Estre deixa 793 toneladas de lixo nas ruas de Aracaju

A Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsrub) informou agora há pouco que durante o período de 18 a 21 deste mês, em razão da paralisação dos trabalhadores da ESTRE, empresa responsável pela área de transbordo do lixo coletado em Aracaju, mais de 793 toneladas de lixo domiciliar deixaram de ser coletadas. Vale destacar que na cadeia da coleta do lixo domiciliar a PMA tem três empresas contratadas:
CAVO - com caminhões compactadores fazendo a coleta porta a porta.
TORRES - com limpeza e varrição e a
ESTRE - com a área de transbordo e aterro sanitário.


Variedades
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Por Eugênio Nascimento
21/08
21:08

Sergipanos agradecem a Lula pelo que fez pelo Estado

O bom desempenho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas de opinião realizadas no Nordeste pode ser ampliado com esse “rolezinho” que ele faz pela região desde a semana passada. Lula recebe homenagens e elas são fruto da gratidão dos nordestinos, que foram muito beneficiados pelos dois governos Lula, que foi o 35.º presidente brasileiro  entre 2003 e 2010. Lula trouxe novos campi das universidades federais e dos IFS  para todos os Estados, encaminhou o processo de duplicação da BR-101, criou programas como os Bolsas Famílias e Educação, que beneficiaram a milhões de nordestinos, trouxe dezenas de novas indústrias e, consequentemente, gerou empregos e desenvolveu ações de enfrentamento à seca. Isso já é o suficiente para merecer o reconhecimento. Nenhum presidente brasileiro deu tanta atenção ao Nordeste como Lula. Dentro desse contexto, Sergipe foi bastante contemplado. É por isso que as manifestações, desde o domingo, atraem muita gente.



Política
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Por Eugênio Nascimento
21/08
20:40

Aracaju - Guarda Municipal apreende 19 armas

O número de armas apreendidas pela Prefeitura Municipal de Aracaju, através da Guarda Municipal, aumentou nos últimos meses. De janeiro a agosto, 19 armas foram tiradas de circulação na capital. Um número superior ao do mesmo período de 2016, quando foram apreendidas 11 armas de fogo. Isso significa um aumento de 72,7%, sendo uma média de 2,37 ao mês. É um número insignificante para uma cidade em que centenas de cidadaos andam armados pelas ruas. Mas já é um passo.

 
 


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Por Eugênio Nascimento
21/08
20:28

Lixo é acumulado em sete bairros de Aracaju


A greve dos trabalhadores da Estre está prejudicando a coleta de lixo feita pela Cavo nos bairros Augusto Franco, Orlando Dantas, Aeroporto, Atalaia, Santa Maria, 17 de Março e Aruana. Esses bairros produzem algo em torno de 200 toneladas de lixo/dia. O acúmulo vem sendo reclamado pela população. Na esquina da rua Fábio Cardoso Ramos com a Manoel Mota (ver foto) tem muito lixo em terreno baldio. Cabe aos trabalhadores da Estre fazerem o transbordo do lixo de Aracaju no município de Nossa Senhora do Socorro e o serviço não está funcionando. Isso desarticula a ação da Cavo, que é uma empresa do Grupo Estre.



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Por Eugênio Nascimento
20/08
15:09

Sergipe no Nordeste e no Brasil: estrutura do emprego

Ricardo Lacerda 
Professor da UFS

No artigo de hoje completamos o delineamento das especificidades da economia de Sergipe no quadro geral do Nordeste e do Brasil, com o propósito de  entender como a crise da economia nacional vem impactando de forma tão acentuada a economia sergipana e, na medida do possível, avaliar  os seus próximos desdobramentos.  
Examinaremos nas linhas que se seguem alguns aspectos da estrutura da ocupação da economia estadual, a fim de captar um dos aspectos mais fundamentais da crise atual, a supressão de milhões de empregos em todo o país, com incidência especialmente acentuada nos estados da região Nordeste.  

A PNAD Contínua do IBGE informou a geração de 42 mil ocupações em Sergipe no 2º trimestre de 2017, interrompendo o período de perda de emprego iniciado no 1º trimestre de 2015.  As novas ocupações concentraram-se nos segmentos da indústria de transformação, alojamento e alimentação, transporte e armazenagem e outros serviços, indicando as atividades em que as pessoas têm buscado alternativas de sobrevivência, em geral empregos sem vículos formais e por conta própria, até que o mercado formal volte a contratar.

Posição na Ocupação
Já constatamos em artigo anterior que o rendimento médio dos trabalhadores sergipanos é, há bastante tempo, superior à média do Nordeste e permaneceu acima dessa média mesmo no período mais recente, marcado pela crise acentuada no mercado de trabalho. Veremos também que o grau de formalização do mercado de trabalho sergipano é um pouco superior à média regional e que não houve no período mais recente mudança de vulto na posição relativa do estado neste quesito.

No que diz respeito à estrutura de ocupação, as tabelas apresentadas trazem, com base nas médias de quatro trimestre da PAND Contínua, os pesos das posições de ocupação e dos setores de atividade em Sergipe e os comparam com as médias do Brasil e do Nordeste. 

Na média dos quatro trimestres de 2014, os empregados do setor privado respondiam por 41% da ocupação em Sergipe, o trabalhador doméstico por 5,7%, o empregado no setor público por 15%, o trabalhador por conta própria por 31%, e o empregador por 3,2%. 

Dois anos depois, com os efeitos da crise já se manifestando de forma acentuada no mercado de trabalho, não se constataram mudanças de grande magnitudes na estrutura das posições na ocupação.  

Em relação ao ano de 2014, a média de 2016 mostra uma redução na participação de trabalhadores com carteira assinada no setor privado,  de 28,1% para 27,3%, enquanto os trabalhadores sem carteira nesse segmento aumentaram o peso de 12,8% para 13,3%. 

A participação do emprego público pouco se modificou, passou de 15,0% para 15,1%, mas se verificou uma queda importante na participação do grupo de servidores estatutários e militares, por conta da corrida à aposentadoria, e o aumento da importância do servidor não estatutário. A participação de empregadores na ocupação se manteve inalterada, em 3,2%, e a de trabalhadores por conta própria registrou uma perda relativa, somente apresentando uma reação mais forte no 2º trimestre de 2017, cujos dados não constam na tabela. 

Em suma, em termos de posição na ocupação, entre 2014 e 2016 aumentou a importância de trabalhadores sem carteira assinada e de funcionários públicos não estatutários (por conta do incrmento no número de  aposentadorias), uma redução de trabalhadores por conta própria e a elevação no número de trabalhadores domésticos com carteira de trabalho, certamente por conta da nova legislação para o segmento. 

Setor Formal
Se, grosso modo, considerarmos relação formal de trabalho os vínculos como trabalhador do setor privado e trabalhador doméstico com carteira de trabalho assinada, empregador e servidor público estatutário ou com carteira assinada, em 2016 o percentual de trabalhadores sergipanos que se enquadravam nessa condição era de 45,1%, frente à média regional de 41,2%. 

Na região Nordeste, à frente de Sergipe em termos de grau de formalização se situavam os estados do Rio Grande do Norte, Pernambuco e, surpreenda-se, Alagoas (por conta do setor sucroalcoleiro). Atrás de Sergipe nesse indicador, por ordem de menor grau de formalização, Maranhão, Piauí, Bahia e Ceará e Paraíba- empatados.

Em relação à média do Nordeste, Sergipe não revelou um especialização muito acentuada em termos de distribuição por tipo de ocupação. As participações segundo a ocupação no nosso estado eram muito próximas à média regional.  Sem se afastar muito da média do Nordeste, Sergipe apresentou maior peso no pessoal ocupado com carteira de trabalho assinada no setor privado, de trabalhador doméstico com carteira assinada e de empregadores. Chama atenção todavia, o fato de que o peso de servidores estatutários e militares na ocupação de Segipe em 2016 se situava dois pontos percentuais acima da média do Nordeste, respectivamente 10,9% e 8,9%.  

 

Ocupação por setor
Em termos de ocupação por setor de atividade, chama a atenção a perda de participação entre 2014 e 2016 do emprego na indústria de transformação em Sergipe, com intensidade superior à média nacional e regional. A redução da ocupação, formal e informal, também foi superior à média no caso do setor de transporte e armazenagem e no segmento de serviços profissionais, administrativos e imobiliários. 

No caso da construção civil, aparentemente o que se verificou entre 2014 e 2016 foi a migração de trabalhadores das atividades formais para informais, dentro do próprio setor. A queda da ocupação na construção em Sergipe foi mais acentuada do que a média do Brasil mas inferior à média do Nordeste, que em conjunto vem sofrendo de forma muito mais intensa a crise do setor. 

Na comparação entre 2014 e 2016, ganharam partipações as ocupações nos segmentos de comércio, alojamento e alimentação e outros serviços, que têm funcionado com refúgio nesse período de crise acentuada no mercado de trabalho, até que o mercado de trabalho formal inicia sua recuperação.

 



*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe


Coluna Ricardo Lacerda
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Por Kleber Santos
20/08
15:08

Zefinha de Tião e a vela do Padre Vergueiro

José Lima Santana
Professor da UFS

No sertão das Baraúnas os casos se sucediam. Dos mais simples aos mais complexos. Todo santo dia podia-se mesmo dizer, novos casos aconteciam. Com gente e gente, com gente e bichos, com bichos e bichos. Acontecia de tudo. Cobra gigante que sugava o leite de mulher parida de novo, enquanto colocava o rabo na boca do bebê para entretê-lo, lobisomens dando carreira em sujeitos mofinos, mulher quebrando pote com água no terreiro da casa, para espantar mal olhado, do tipo que nem pimenteira malagueta era capaz de dar cabo, e tantos outros casos que nem o melhor escritor do mundo daria conta de enumerar e relatar. Quanto mais eu, suburbano desajeitado no manejar da pena, ou melhor, das teclas do computador. 

Josefa de Pedro Cospe Fogo casou-se com Sebastião de Marcolino do finado Tito Sapateiro. Passou a ser chamada de Zefinha de Tião. Morena bem apanhada de ancas e tudo o mais. Tipo de mulher cobiçada no sertão e em todo lugar. Com certeza. Moça prendada no zelo da casa, na costura de tudo que era tipo de roupa e até no ler e escrever uma carta, coisa raríssima naquelas lonjuras castigadas pelo sol mais causticante que Deus permitiu que brilhasse sobre a face de todos os Brasis. 

Tião, do seu lado, era um sujeito trabalhador, enfiado na lida do campo, botando roçados de milho, feijão, mandioca e algodão, além de labutar com três vaquinhas mestiças, que davam um leitinho que ele o vendia de porta em porta, nas casas de freguesias mais do que certas. 

Qualquer um ou qualquer uma, a não ser um pequeno bando de invejosos/as que em todo lugar tinha e tem, reconhecia neles, Zefinha e Tião, um casal feliz. Porém, felizes, arrasadoramente felizes, eles o foram até o segundo ano após o casamento, assistido, como canonicamente convém dizer, pelo padre Martinho Felício de Souza Vergueiro, da família Vergueiro e Albuquerque, gente de fama desde os tempos do Império e em muitas partes do país. Quando o casal contraiu núpcias, o padre era um quase menino, ordenado há não mais de ano e pouco. Que padre simples, metido no meio do povo, um padre diferente de todos os padres das redondezas! Um verdadeiro pastor. Ajuizado e botando juízo nas cabeças cheias de minhocas. Em cabeças, inclusive, de clérigos de batinas mais surradas do que a dele. 

Zefinha não engravidou naqueles dois anos. As línguas ferinas, atiçadas, sobretudo, por Dona Maria de Chico Canela Torta, que era, sem nenhum favor ou desfavor, a matraca mais infeliz que o diabo alimentou no mundo, ele, o zambeta, que fazia e faz seguidores onde o vento espalhava e espalha, e ele, o tinhoso, o três mil vezes maldito, ajuntava e ajunta. A velha espalhou que Zefinha tinha o “oveiro destrambelhado”, que nunca haveria de segurar menino. Ora, o que aquela desdentada sabia a respeito do ovário da mulher de Tião? Língua bifurcada de cobra caninana. De cobra ainda pior. Língua que arrastava outras línguas iguais, enfileiradas. 

A mãe de Zefinha, Dona Carminha de Pedro Cospe Fogo, e a sogra, a mãe de Tião, Sá Isaura de Marcolino, sugeriram que a filha e nora buscasse amparo na casa de uma tal de Marocas do Brejão das Cobras, rezadeira afamada, que mantinha um terreiro de toré, embora as pessoas dissessem que era de xangô, para lhe dar um adjutório de valimento. Porém, Zefinha era igrejeira, devota de Santa Rita de Cássia, e recusou desviar-se dos caminhos de sua religião para aventurar-se nas veredas do que para ela não seria coisa bem-vinda. “Deus me dará um filho, quando for do seu agrado”, dizia.

Mais dois anos se passaram. Nada de filhos. Numa terra em que marido que não dá filho à esposa é chamado de galo de ovo goro, Tião começou a andar de cabeça baixa. Um filho era tudo o que ele desejava, e não mais do que Zefinha. Ele chegou mesmo a pensar e a confidenciar ao irmão mais novo com quem melhor se dava, dentre os oito irmãos e irmãs que ele tinha, que estava à beira de procurar mulher fora de casa para fazer um menino e provar que era galo que enchia ovo. Contudo, por respeito à mulher, ele não passou da intenção. Acomodou-se. 

Era uma quinta-feira pela manhã, quando Zefinha, indo à cidade, que longe muito não era do povoado onde o casal morava, acompanhada por uma irmã, esta mãe de dois meninos e uma menina, encontrou-se com o padre Vergueiro, que, após tirar o chapéu e cumprimentar as duas mulheres, fazendo estancar o animal que montava, indagou: “Dona Zefinha, nada ainda de menino?”. Encabulada, ela respondeu: “Ainda não, mas, um dia, Deus vai olhar pra mim, padre”. O padre retrucou: “Eu irei ao Juazeiro do Padim Ciço. Sempre tive vontade de ver como são as coisas por lá. Se você quiser, eu acenderei uma vela e rezarei para que você tenha um filhinho”. E ela: “Pode ser padre. Em nome de Jesus, pode ser”. 

Logo após a viagem ao Juazeiro, o padre Vergueiro foi mudado de Paróquia. Antes de arribar, ele garantiu que acendeu a vela aos pés da imagem do padre Cícero. Zefinha agradeceu e nunca mais o encontrou. Passaram-se os tempos. E eis que numa festa da padroeira, em que o padre, já maduro na idade, fora pregar, deu de cara com Zefinha, cuja fisionomia ele não esqueceu.  

O encontro deu-se bem em frente à casa paroquial, refeita pelo padre atual, que, não tendo a simplicidade do padre Vergueiro, derrubara a antiga, tão boazinha, e erguera uma casa de andar com vários quartos e muitos outros cômodos, numa cidade de poucos aquinhoados e de muitos pobres. Assim que a viu, o padre perguntou sorridente, como sempre: “A senhora já tem filhos?”. Zefinha respondeu: “Tenho, sim, padre. Eu tive três barrigas de dois e tive mais cinco avulsos. Ao todo já são onze, sete meninos e quatro meninas, padre”.

O padre Vergueiro alegrou-se: “Graças a Deus e à vela que, debaixo de orações, eu acendi aos pés do Padim Ciço. E onde está seu esposo, para eu cumprimentá-lo?”. Zefinha respondeu: “Ele foi ao Juazeiro, padre, para ver se apaga a bendita vela que o senhor acendeu”.  


Coluna José Lima
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Por Kleber Santos
20/08
15:07

Getúlio Vargas, Riachão do Dantas e Lourival Fontes

Luiz Eduardo Oliva (*)

A semana que se iniciará registra um dos mais emblemáticos acontecimentos da história politica brasileira que é o suicídio de Getúlio Vargas (25/08/1954) em conturbado ano cujas tramas e golpes certamente remetam aos dias atuais, no entanto sem nenhum comparativo entre os presidentes. Para os da minha geração muitas histórias da era Getúlio eram contadas em casa, como reminiscências dos que viveram aqueles tempos. Nasci no ano da morte do velho ditador. Para um riachãoense, a maior proximidade com o presidente Vargas está na figura do superpoderoso chefe do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda (o “Goebbels” de Getúlio) no estado novo, e depois de 1940 o seu chefe da Casa Civil, o diplomata Lourival Fontes.   No cemitério de Riachão, em luxuoso mármore negro, está a sepultura do mais famoso filho da terra, assim como jaz em São Borja – RS,  os restos mortais de Getúlio Vargas. 

Lourival foi uma figura polêmica. Para uns, calhorda, terrível censor. Mas ninguém lhe nega o talento. Hélio Fernandes, da Tribuna da Imprensa, lembra Lourival como “um homem de talento espantoso e de falta de caráter colossal”. Falava e escrevia em alemão, espanhol, inglês, francês e russo. Era temido, odiado, amado e discutido. Por ele passava a pesada censura do estado novo, sendo um de seus principais ideólogos assim como foi o responsável pela propaganda do getulismo. Flertou com o socialismo antes mesmo da Revolução Bolchevique, mas depois caiu na tentação do fascismo e, por contraditório que possa parecer se casou com uma fulgurante poetisa ligada ao Partido Comunista. 

 Além de homem de confiança de Getúlio, o conterrâneo de Riachão do Dantas era também o seu ghost-whiter, possuía um estilo brilhante e pode ter sido até, quem sabe, o responsável, por levar Getúlio a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras. Em 1934 – e pouca gente sabe disso - Lourival foi o chefe da delegação brasileira que foi à Itália disputar a copa do mundo, indicado justamente por Getúlio Vargas. Mas a participação do selecionado brasileiro foi bisonha e a nossa seleção foi eliminada logo na primeira partida por 3 a 1 para a Espanha.

Foi também de Lourival Fontes a iniciativa da política de aproximação cultural com os Estados Unidos, inclusive responsável pela vinda de Walt Disney ao Brasil levando-o a criar o personagem Zé Carioca. Naquela ocasião, outro sergipano destacou-se, o saxofonista Luiz Americano que, escolhido por Pixinguinha a pedido de Villa-Lobos, realizou gravações para o maestro americano Leopold Stokowski. 

Como intelectual talentoso, vivendo entre intelectuais da capital federal (aquela época o Rio de Janeiro) Lourival acabou apaixonando-se pela bela poetisa Adalgisa Nery, viúva do pintor paraense Ismael Nery.  Lourival era casado, e como no Brasil não existia o divórcio, conta-se que o homem do Riachão recorreu ao amigo presidente. E como era ditadura, Getúlio, através de um decreto-lei, instituiu o divórcio. Foi o tempo suficiente para o diretor do DIP se divorciar e casar com a poetisa. No dia seguinte um novo ato revogou o tal decreto. E a lei serviu somente ao amigo do rei.  

Roberto Pompeu de Toledo, em um “Ensaio” publicado na Revista Veja (2004) conta que a poetisa Adalgisa, além de mulher de Lourival Fontes, era também “musa de muitos outros” . Não se sabe bem se no “muitos outros” há outras insinuações. Mas faz crer que Lourival “dividia” Adalgisa com o presidente, segredos da alcova no estado novo. E que, alertado para os boatos que corria na velha capital, Getúlio teria dito que era gabolice do Lourival: “Ele é que espalha esta história para se gabar”. 

Riachão, portanto, teve participação ativa na vida nacional através do seu filho ilustre. Do Riachão de hoje, entretanto, outro intelectual também se destaca, com brilho inquestionável.  Coincidentemente é também casado com uma grande poetisa. Mas é homem de outra estirpe. Discreto, vive longe dos homens do poder, dos palácios, junto da roça.  Mas nos lega com outras histórias, bem mais simples, vigorosas no regionalismo que contém e que tira da imaginação e das lembranças da convivência com o povo, com as histórias do Riachão, da sua gente, trazendo um linguajar próprio, autêntico, num estilo que faz de seus livros clássicos da literatura brasileira, com reconhecimento internacional. É Francisco C. Dantas, autor de Coivara da Memória (1991), Os Desvalidos (1993), Cartilha do Silêncio (1997), A mulher no romance de Eça de Queiroz (1999), Sob o peso das sombras (2004), Cabo Josino Viloso (2005), Caderno de ruminações (2012). De forma diversa, mas com destaque, passados mais de sessenta anos após, Riachão do Dantas continua a manter em destaque no cenário brasileiro um filho seu.

(*) Luiz Eduardo Oliva, é advogado, poeta e professor. É ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania.


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Por Kleber Santos
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