Musicalmente, o Nordeste é muito forte

03/12/2016 13:16:08 por Eugênio Nascimento em Variedades

Eugênio Nascimento

Tem quem discorde do vou afirmar a seguir e diga, sem medo de errar, que os anos de 1950, sob o comando de Noel Rosa (embora já falecido, a sua música voltou a ser cantada e tocada em emissoras de rádio e com isso influenciar muitos artistas), foi o período mais rico da Música Popular Brasileira (MPB). Os grandes nomes do Nordeste nessa década eram Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi e Jackson do Pandeiro. Mas eu entendo que nos anos de 1960, 70 e 80, embora em período de restrições e censura impostas pela ditadura militar, a MPB cresceu e conquistou muitos espaços dentro e fora do Brasil. O número de bons compositores e cantores é grande,

Neste período, os artistas surgiam frutos de sua produção de qualidade (boas letras e boas musicalidades ou arranjos),apoio dos amigos que já estavam no ramo e de participação nos grandes festivais musicais das TVs Rio, Record e Excelsior, entre outros eventos. Na esfera nacional, conquistaram espaços grandes nomes que ainda hoje estão tocando e nas paradas de sucesso, a exemplo de Chico Buarque, Milton Nascimento, Edu Lobo e Tom Jobim.

O Nordeste brasileiro floresceu e projetou cantores, compositores e bandas como Quinteto Violado, Pessoal do Ceará, Pau e Corda, Alceu Valença, Raul Seixas, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Gal Costa, Belchior, Ednardo, Zé Ramalho, Tom Zé, Elba Ramalho, Amelhinha, Geraldo Azevedo, Capinam, Elomar, Vital Farias, Maria Bethânia, Dominguinhos,Trio Nordestino, Djavan, Bráulio Tavares e Antônio Nóbrega, entre outros. Sergipe aparece na lista com apenas José Augusto, um cantor romântico de sucesso nacional.

Pelos nomes citados e pela reverência que todo o Brasil faz a eles, dá para ver que os nordestinos projetaram o forró, tomaram conta da MPB e ainda lançaram o Tropicalismo, que impôs, junto com o iê, iê, iê e o rock a presença da guitarra na música brasileira dando um tom de modernidade, de acompanhamento do que vinha acontecendo no chamado mundo civilizado, o primeiro mundo.

O Nordeste, musicalmente, não ficou só por aí. Assumiu o comando do carnaval no Brasil com outros rítmos, a exemplo do frevo e do maracatu, em Pernambuco, e música afro, na Bahia. A região segue, em alguns casos, as tendências musicais do país e impõe as suas próprias.

Na verdade, a região nordestina é hoje o maior celeiro de artistas do segmento musical do Brasil. É também um forte centro consumidor de arte de todo o mundo. Os mais idosos ouvem de Frank Sinatra, Rita Pavone, Pixinguinha, Noel, Rosa, Capiba, Celi Campelo, Gonzagão, Roberto Carlos, Pepino de Capri, Cartola, Maysa, Nelson Gonçalves e Cauby Peixoto. Os mais jovens (inclua aí também os coroas), revivem Raul Seixas, Rolling Stone, Elvis Presley, Beatles, Chico Buarque, Milton, Caetano, Jobim, Paulinho da Viola, Bob Dylan, Tim Maia, Maria Monte, Beth Carvalho, Clara Nunes, Djavan, além de dezenas de bandas de rock nacional e internacional...

Musicalmente, o Nordeste é muito forte. e puxa o Brasil para a posição de liderança mundial.

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