Fusca do Vlade

15/12/2016 13:19:48 por Kleber Santos em Colunas
Geraldo Duarte*
Advogado

Dizia o proseador Zé dos Reis, Maquinista de Locomotiva à Vapor, a famosa Maria Fumaça, aposentado da antiga Rede Viação Cearense: “Quem foi dono de Fusca tem mil histórias pra contar e aprendeu o feliz sacrifício de ajoelhar-se!”. Possuí quatro, mas nunca conheci a tal penitência apregoada.

Já o saudoso e afortunado empresário Geraldo Borges Pereira, podendo adquirir os mais luxuosos carros do mundo, usou a vida inteira fusquinhas. Quando o presidente Itamar Franco incentivou o reinício da fabricação suspensa, exultou. “É um estilo de viver e estado de espírito”, asseverava. Marcone, seu mano, reprovava.

Hoje, destaque faz-se para o Fusca do Vlade. Assim, o tratamento caseiro do renomado mestre da UECE e integrante da Academia Cearense de Administração Vladimir Spinelli.
De Itabuna, após aprovação para participar de curso na direção do Banco do Nordeste, correu chão em 1973 e veio morar no Edifício Pimentel, na Rua Pedro Pereira.

Naquela instituição concretizou velhos sonhos. Comprou um fusquinha 1968, branco. Nos trinques. Solidez comprovada em idas e vindas do Ceará à Bahia.

Casado e, à época, pai de única filha, numa visita a amigos, em desvio brusco, o “possante” deu uma de peba e enfiou-se num buraco à beira da estrada, sem nenhum dano pessoal.

Como o carrinho ficou deitado de lado, na cratera, Vladimir retirou a mulher e a filha, buscou um reboque e retornou ao local. Alguns curiosos olhavam e comentavam o fato. Um deles, afogueado, garantia: “Vi tudo! Horrível! Ainda ficou gente embaixo!”.

E o Vlade, com seu jeitão de “meu rei baiano”, assistia com riso de cantos de boca.
*É ainda administrador e dicionarista.

Deixe um comentário

Seu nome (Necessário)
Seu E-mail (Necessário - Não será exibido)
Seu comentário
Código da imagem:

Enquete


Categorias

Arquivos