Maiores e menores PIBs e PIBs per capita entre os municípios sergipanos (1)

25/12/2016 20:21:16 por Kleber Santos em Coluna Ricardo Lacerda
Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou há duas semanas atrás os dados dos PIBs municipais brasileiros referentes ao ano de 2014. Na série apresentada, os dados são comparáveis para o período 2010-2014, posto que para os anos anteriores utilizou-se metodologia distinta.

No artigo de hoje examinaremos os municípios sergipanos que apresentaram os maiores PIBs e PIBs per capita nos anos extremos dessa série, 2010 e 2014. Ao se enfocar esse tema serão ressaltados os efeitos da longa estiagem nos PIBS municipais e, consequentemente, na participação e no ranking estadual, ao lado de outros aspectos.

Setores
Os efeitos da seca repercutiram sobre a participação de duas importantes atividades econômicas de Sergipe, a agropecuária e a atividade denominada de eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação, agrupamento que anteriormente, com algumas diferenças, era conhecido com SIUP (Serviços Industriais de Utilidade Pública).

Na comparação entre 2010 e 2014, a participação da agropecuária no Valor Adicionado Bruto (VAB) caiu de 6,38% para 5,23%, ou seja 1,15 ponto percentual. No caso das atividades integrantes do SIUP, a queda na participação do VAB de Sergipe foi muito mais acentuada, de 8,52% para 3,33%, perda de 5,2 pontos percentuais, decorrente do impacto da estiagem sobre a geração de energia pela Usina Hidroelétrica de Xingó, situada no rio São Francisco, na divisa entre Sergipe e Alagoas.

A contraface dos recuos nas participações do setor agropecuário e do setor industrial, esse último quase exclusivamente por conta da influência do resultado do SIUP, posto que a indústria de transformação e a extração de minerais aumentaram seus pesos, foi a ampliação na participação do setor serviços, de 64,66% para 70,12%, ou seja, 5,46 pontos percentuais. Nesse período, quase todas a as atividades do setor serviços tiveram incremento na participação do VAB, com destaque para educação, saúde, comércio, atividades profissionais, atividades imobiliárias e atividades financeiras. As exceções foram transporte e armazenagem e o agrupamento de outros serviços.

A essa mudança nos pesos dos setores correspondeu algumas mudanças importantes no ranking das maiores economias entre os municípios sergipanos, com algumas dignas de destaque.

Ranking
A lista dos 15 maiores municípios em termos de PIB se encontra na Tabela apresentada. Em 2014 lideravam a geração de riqueza em Sergipe, depois da capital Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Estância, Itabaiana, Lagarto, Laranjeiras, Itaporanga D`Ajuda e Carmópolis.

A mudança de maior vulto foi a perda de oitos posições do município de Canindé do São Francisco, que sedia a usina hidrelétrica de Xingó, passando de terceiro maior PIB municipal em 2010 para o 11º lugar em 2014. O impacto foi de tal dimensão que o município que liderava o ranking do PIB per capita entre os municípios sergipanos saltou para o 9º lugar, cedendo a primazia para Rosário do Catete, que sedia o empreendimento de exploração de potássio da empresa Vale. Curiosamente, Rosário do Catete perdeu quatro posições no ranking dos maiores PIBs municipais, passando do 8º maior PIB municipal para 12º, por conta da redução da produção de potássio no projeto Taquari-Vassouras e somente alcançou a liderança no PIB per capita porque a perda de participação de Canindé no PIB foi bem mais acentuada.

Aracaju
A situação de Aracaju é curiosa. A capital manteve a liderança na geração do PIB mas o PIB per capita local é apenas o 10º maior entre os municípios sergipanos, ainda que a renda per capita de Aracaju seja bem mais elevada do que nos demais municípios. Os nove municípios que apresentavam em 2014 PIB per capita mais elevado do que Aracaju, sem exceção, contam com grandes unidades de exploração de recursos minerais ou da indústria de transformação que geram um PIB relativamente elevado frente a uma população não muito grande. São elas: Rosário do Catete, Divina Pastora, Carmópolis, Japaratuba, Laranjeiras, Siriri, Itaporanga d'Ajuda, Estância e Canindé de São Francisco.

Uma outra curiosidade em relação à situação de Aracaju é que o seu ganho de participação no PIB estadual entre 2010 e 2014 decorreu das perdas expressivas de participação de Canindé e Rosário no PIB industrial, o que fez elevar o peso da capital na geração da riqueza do setor, e por conta do aumento do peso do setor serviços na formação do PIB estadual, sem que Aracaju tenha significativamente aumentado seu peso na formação da riqueza no setor serviços, sejam dos serviços privados, sejam dos serviços públicos.

Carmópolis e Japaratuba foram favorecidos por esse mesmo efeito de redução de Canindé e Rosário no produto industrial. Estância ganhou quatro posições no produção industrial, superando Canindé, Rosário, Carmópolis e Nossa Senhora do Socorro, tornando-se o segundo maior polo industrial de Sergipe.
No artigo da próxima semana, examinaremos as mudanças de participação entre os menores que apresentam os menores PIBs.

Fonte: IBGE. Contas regionais

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe

Comentários (1)

SIMONE em 25/03/2018 às 13:30h
Boa tarde Professor!

Parabéns pelo seu trabalho.
Sou mestranda em Ciências da Educação, e estou fazendo minha pesquisa de campo no município de Itabi, gostaria de saber qual o PIB do município.

Aguardo retorno.

Obrigada.

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