Destruição do emprego em 2016: em quais setores o Nordeste teve pior desempenho

29/01/2017 19:49:27 por Kleber Santos em Coluna Ricardo Lacerda
Ricardo Lacerda*
Professor de Economia da UFS

Depois de registrar a redução 1.542.371 empregos celetistas em 2015, a economia brasileira voltou a desempregar em 2016; mais 1.321.994 empregos formais foram eliminados, totalizando 2,86 milhões de empregos a menos nos dois anos de recessão profunda. 

Em 2016, as regiões Norte, Sudeste e Nordeste apresentaram as maiores taxas de retração no emprego celetista, respectivamente, 4,36%, 3,78% e 3,63%, enquanto as regiões Sul e Centro-Oeste registraram quedas abaixo da média do país, 2,03% e 2,12%.  A média nacional foi de queda de 3,3%. A região Sudeste concentrou cerca de 60% da retração do emprego, com corte de 788,6 mil vínculos formais (ver Tabela 1). 


Nordeste 
O Nordeste contava em dezembro de 2015 com 6,58 milhões de empregos celetistas, equivalentes a 16,6% do total do país, ainda que a região participe com 27,8% da população nacional, o que bem representa o seu hiato de desenvolvimento frente à média do país. Em 2016, o Nordeste eliminou 239,3 mil empregos formais, 18,1% do que foi perdido nacionalmente. Em dois anos de recessão, quase quinhentos mil empregos formais foram eliminados no Nordeste, região que detém ao lado do Norte, o mais elevado grau de informalidade no mercado de trabalho.  Os quantitativos de perda de emprego por região estão apresentados na tabela 1.

Atividades
No conjunto do país, a eliminação de vínculos empregatícios formais foi generalizada entre os ramos de atividades econômicas. As maiores perdas absolutas se concentraram no ramo de serviços, 390,1 mil vínculos empregatícios eliminados, na construção civil, 358,7 mil, na indústria de transformação, 322,5 mil, e no comércio, 204,4 mil, que são as atividades mais importantes em termos de vínculos empregatícios no país. 

Entre elas, todavia, a que apresentou a queda relativa mais acentuada foi a construção civil que em apenas um ano perdeu 13,48% de todo o seu estoque do emprego, mais do que o dobro de qualquer outro ramo de atividade. Como se sabe, a atividade vem sendo castigada pelo estouro da bolha imobiliária e pela paralisia das obras públicas, em parte por conta da crise nas finanças nas três esferas de governo, em parte por conta dos escândalos de corrupção que vêm desorganizando o setor (ver Tabela 2).

Comparativo regional

Entre as principais atividades empregadoras, o corte de vínculos formais no Nordeste em 2016 foi mais alto do que a média do Brasil na construção civil e no comércio e foi relativamente menos acentuado na indústria de transformação e no segmento de serviços. 

Ainda que a perda de emprego também tenha sido generalizada na região (apenas a agropecuária e os empregos celetistas na administração pública tiveram incrementos de emprego mesmo assim insignificantes) foi a construção civil que liderou a perda de emprego em termos absolutos e em termos relativo, com a eliminação de 86,1 mil vínculos, número muito superior aos 55,5 mil empregos perdidos nos segmentos de serviços, o segundo que mais desempregou. Na região, foram eliminados -15,06% de todos os vínculos formais na construção civil. A terceira atividade que mais desempregou na região em 2016 foi o comércio, 48, 2 mil vínculos eliminados, e a quarta o comércio, -39,6 mil. 

A estatística do corte do emprego por setor de atividade revela um dado curioso que ainda carece de explicação: do total de 12.687 empregos formais eliminados no setor de serviços industriais de utilidade pública, que abrange o fornecimento de agua, saneamento e energia e os serviços de limpeza pública, 7.561 se concentraram na região Nordeste, cerca de 60% do total do país, participação muito desproporcional ao peso que a região tem no emprego total.

Chama atenção ainda o fato de que a região em que o consumo cresceu bem acima do país no ciclo expansivo de 2004 a 2014 em 2016 a atividade comercial tenha desempregado mais do que a média do país. 

Entre os subsetores da indústria de transformação do Nordeste, o corte de emprego atingiu fortemente as suas atividades mais importantes na ocupação da mão de obra, como a indústria de alimentos e bebidas e a têxtil-confecção. Em termos relativos, a queda do emprego no segmento têxtil-confecção na região Nordeste foi mais do que o dobro da média nacional, assim como em outro importante segmento da indústria de transformação regional, a de produtos químicos e farmacêuticos.

*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe

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