Prova jornalística

24/10/2017 23:42:37 por Kleber Santos em Colunas
Geraldo Duarte*

Alcindo Guanabara (1865 – 1918), nascido no Rio de Janeiro, foi jornalista, fundador de jornais acadêmicos e públicos, senador da República, escritor e membro da Academia Brasileira de Letras, como ocupante e fundador da Cadeira Nº 19, cujo patrono é Joaquim Caetano.

Trabalhou em vários noticiosos, dentre eles, a Fanfarra, Gazeta da Tarde, neste, juntamente com Raul Pompéia e Luís Murat, Diário do Comércio, Correio do Povo e Jornal do Commércio.

Abolicionista, destacou-se grandemente na causa da libertação dos escravos, por intermédio de reiterados discursos e artigos na imprensa.

Quando redator-chefe do jornal O Paiz, certo dia recebeu um jovem que, demonstrando capacidade intelectual e expressando-se de forma escorreita, manifestou o desejo de ingressar no jornalismo.

Depois de longa conversação e indagações, Alcindo sentiu que o moço tinha bastante preparo e seria boa aquisição naquele momento.

Como decorria sexta-feira, quase em final de expediente, afirmou acreditar na possibilidade de admissão, entretanto, necessitava de seu retorno na segunda-feira, objetivando exame prático de aptidão e comprovação para exercício de cargo.

“Pois, não, doutor! Estarei aqui no início da semana e tenho a certeza de que me sairei a contento!”.

Então, ao estender a mão ao candidato, com um “Até logo”, ouviu uma sua inesperada ponderação.

“Doutor, o senhor não poderia conceder-me um vale de 10 mil réis adiantados?”.

Alcindo sorrindo, respondeu de pronto: “Não mais é necessária a prova a que lhe submeteria. Acaba de demonstrar vasta prática jornalística. Venha para o trabalho na próxima segunda!”.

* Geraldo Duarte é advogado, administrador e dicionarista.

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