Examinando a geração de 5.491 novos empregos em Sergipe no mês de outubro

26/11/2017 14:42:22 por Kleber Santos em Coluna Ricardo Lacerda
Ricardo Lacerda*
Professor da Universidade Federal de Sergipe

O resultado de outubro foi surpreendentemente bom. Foram gerados 5.491 novos empregos com carteira assinada na economia sergipana. Nem os mais otimistas esperavam um saldo tão elevado na geração de empregos formais, mesmo considerando que o início da safra da cana no mês costume ter impacto forte na contratação da força de trabalho nas atividades de corte da cana e de produção de açúcar e etanol.

Há várias formas de indicar o quão positivo foi o resultado, seja em razão do volume de emprego total gerado, seja porque em outros setores de atividade o emprego formal interrompeu a queda e emite sinais de recuperação gradual na contratação: é a maior geração de emprego para o mês de outubro na série iniciada em 2003; e, desde julho de 2011, não coincidia de todos os oito setores de atividade do IBGE apresentarem saldo positivo na geração de emprego em Sergipe, mesmo que em alguns deles o número não tenha sido expressivo.

É óbvio que não é caso para euforia. A crise no mercado de trabalho é muito séria e vai demorar muito tempo antes que o emprego alcance o patamar anterior à crise. O objetivo do artigo é o de examinar o quanto de excepcional tem o resultado de outubro e o quanto ele pode estar sinalizando o inicio de uma recuperação gradual no mercado de trabalho estadual.

Saldo de emprego
O período de setembro a novembro costuma ser o de maior contratação no ano exatamente pelo inicio do corte e moagem da cana e pelo aquecimento da indústria e comércio com vistas ao atendimento ao incremento da demanda do período natalino. O volume de 5.491 novos vínculos certamente não se repetirá em novembro e em meses seguintes, mas parece haver evidências de que o nível de emprego não apenas deixou de cair na economia sergipana como deverá ocorrer uma recuperação gradual a partir de agora, mesmo que em meses específicos os saldos possam se apresentar negativos.
A tabela apresentada registra os saldos de emprego formal do CAGED do Ministério do Trabalho nos meses de outubro de 2015, 2016 e 2017, sem incluir os registros fora de prazo. Em todos os setores relevantes os resultados de outubro de 2017 são muito melhores do que os dos dois anos anteriores, refletindo a evolução do nível de atividade econômica.

É verdade que a maior parte da melhoria do emprego no mês se deveu a forte contratação no setor sucroalcooleiro, principal responsável pelos números mais robustos da indústria de transformação (açúcar e etanol) e na agropecuária, na lavoura canavieira (Ver Tabela). Mas os desempenhos dos demais setores também se mostraram melhores em outubro de 2017 em relação aos dois anos anteriores, notadamente nas atividades de comércio e de serviços.

Mesmo atividades que ainda não parecem ter saído da estagnação apresentaram sinais de que a a tendência de declínio se aproxima do fim, como a construção civil que passou de uma situação de cortar 668 empregos formais, em outubro de 2016, para um quadro de estabilidade em outubro de 2017, com saldo residual de 21 empregos (Ver Tabela). Há uma nítida mudança no quadro do mercado de trabalho em todos os segmentos relevantes, ainda que cada um deles esteja em estágio diferente de recuperação.

Cenário tendencial
No gráfico apresentado procura-se atenuar o caráter excepcional do resultado de outubro para tentar captar o cenário tendencial da geração de emprego a partir da comparação entre os trimestres móveis de 2016 e 2017. Saltam aos olhos três constatações.

A primeira é que os resultados dos trimestres móveis de 2017 são todos melhores do que seus equivalentes de 2016. A segunda evidência é que a partir de maio de 2017 os resultados trimestrais passam a melhorar significativamente, com registro de saldos positivos no trimestre encerrado em junho.

A terceira constatação é que o resultado de outubro foi parcialmente excepcional, diante do salto em relação aos trimestres anteriores, em parte pelo efeito do atraso da contratação do setor sucroalcooleiro de setembro para outubro, sobrecarregando o resultado desse último mês. E como complemento da constatação anterior, é possível inferir que há uma nítida tendência de recuperação do emprego em Sergipe, mas não com a velocidade que o resultado de outubro poderia sugerir.


*Assessor econômico do Governo do Estado de Sergipe

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